Comércio Internacional

Tarifas dos EUA mudam cadeias globais de suprimentos e redefinem comércio internacional

A nova política de tarifas dos EUA implementada em 2025 está provocando mudanças profundas no comércio internacional e forçando empresas a reformularem suas estratégias logísticas e operacionais. A conclusão faz parte do relatório “The Rise of the Tariff-Optimized Supply Chain: Inside the New Rules of Global Trade”, divulgado pela empresa de tecnologia logística Infios.

O estudo analisou mais de um milhão de registros de importação dos Estados Unidos entre 2024 e 2025 e identificou uma transformação estrutural nas cadeias globais de suprimentos.

Tarifas deixam de ser custo fixo e passam a influenciar decisões logísticas

Segundo a pesquisa, as tarifas deixaram de ser apenas um custo previsível para se tornarem um fator estratégico na execução do comércio exterior. Empresas passaram a ajustar rotas, modais de transporte, armazenagem e planejamento financeiro para minimizar impactos tributários.

De acordo com Ed Auriemma, CEO da Infios, organizações que conseguirem identificar rapidamente as mudanças no cenário global terão mais capacidade de manter operações eficientes e sem interrupções.

Estudo aponta duas fases de reação ao tarifaço

O levantamento mostra que a reação das empresas ocorreu em dois momentos distintos. Na fase inicial, marcada pelo impacto imediato das medidas tarifárias, importadores adotaram ações emergenciais conhecidas como “panic routing”, com mudanças rápidas de modal logístico e aumento temporário do uso do acordo comercial USMCA.

Nesse período, tarifas superiores a 50% — praticamente inexistentes antes de 2025 — cresceram rapidamente. Como consequência, o frete aéreo e o transporte rodoviário ganharam espaço, priorizando velocidade e previsibilidade operacional.

Com o passar dos meses, as mudanças deixaram de ser temporárias e passaram a representar um novo modelo estrutural para o comércio global.

Flexibilidade se torna vantagem competitiva

Para Don Mabry, vice-presidente de soluções globais da Infios, o cenário atual exige capacidade de adaptação constante. Segundo ele, empresas que conseguem reconfigurar rapidamente suas operações terão vantagem frente às organizações que ainda dependem de sistemas rígidos e pouco flexíveis.

A análise indica que a execução logística passou a ser elemento estratégico nas empresas, deixando de ocupar apenas um papel operacional de retaguarda.

Principais impactos das tarifas no comércio global

O relatório destaca diversas mudanças provocadas pelo novo ambiente tarifário:

  • As alíquotas efetivas ficaram entre 20% e 80% mais altas em determinados setores devido ao chamado “tariff stacking”, que é o acúmulo de tarifas;
  • O frete aéreo internacional cresceu cerca de 12% e permaneceu elevado;
  • O frete marítimo registrou queda entre 10% e 12%, sem recuperação no período analisado;
  • O transporte rodoviário aumentou aproximadamente 8%, impulsionado pelo avanço do nearshoring;
  • O uso de armazéns alfandegados subiu de 10% para até 18% dos registros de importação;
  • A complexidade da classificação tarifária praticamente dobrou;
  • O valor médio das cargas aumentou 78%, enquanto o número de embarques caiu cerca de 7%.

Novas rotas comerciais surgem com mudanças tarifárias

O estudo também mostra que alguns setores começaram a diversificar fornecedores fora da China, especialmente nas áreas de bens de consumo e manufatura leve. Já segmentos industriais e químicos mantiveram maior dependência de mercados tradicionais.

Além disso, novos corredores logísticos passaram a ganhar relevância, enquanto antigas rotas perderam competitividade diante das mudanças tarifárias.

Para a Infios, a chamada “tariff-optimized supply chain” — ou cadeia de suprimentos otimizada para tarifas — passa a ser o novo modelo operacional do comércio internacional. Nesse sistema, tarifas são tratadas como variável estratégica e não mais apenas como custo inevitável.

Empresas precisam agir com rapidez diante da volatilidade

A conclusão do relatório aponta que, em um ambiente de instabilidade comercial permanente, empresas mais flexíveis e preparadas para responder rapidamente às mudanças tendem a conquistar vantagem competitiva no mercado global.

A pesquisa reforça que inteligência logística, adaptação operacional e rapidez na tomada de decisão serão fatores determinantes para o futuro do comércio internacional.

FONTE: Tecnologística
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mike Blake/Reuters

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Comércio Internacional

Brasil e Caribe: uma parceria estratégica ainda pouco explorada no comércio internacional

O cenário econômico global passa por uma reorganização silenciosa, marcada pela busca por cadeias produtivas mais resilientes, redução de riscos geopolíticos e fortalecimento de polos regionais. Nesse contexto, o Caribe deixa de ser visto apenas como destino turístico e passa a ganhar relevância como espaço estratégico para integração produtiva e logística — um movimento que abre oportunidades concretas para o Brasil.

Caribe ganha protagonismo nas cadeias globais

A República Dominicana desponta como um dos principais polos de nearshoring do hemisfério ocidental. O país consolidou um modelo baseado em zonas francas modernas, com forte presença nos setores de dispositivos médicos, tecnologia, manufaturas avançadas e bens de maior valor agregado.

Esse avanço é sustentado por fatores estruturais: estabilidade macroeconômica, segurança jurídica, ambiente regulatório previsível, além de acordos comerciais que garantem acesso preferencial aos mercados dos Estados Unidos e da União Europeia. Soma-se a isso uma localização geográfica estratégica, que favorece a logística regional e intercontinental.

Potencial ainda subaproveitado na relação Brasil–Caribe

Apesar desse cenário favorável, o intercâmbio comercial entre Brasil e Caribe permanece abaixo do seu potencial. Para uma economia como a brasileira — que busca diversificação de mercados, ampliação de cadeias globais de valor e maior inserção internacional —, a região caribenha representa um vetor natural de expansão.

O Caribe pode funcionar como plataforma logística e produtiva, reduzindo custos, encurtando distâncias comerciais e facilitando o acesso a mercados estratégicos do Atlântico Norte.

Complementaridade econômica favorece integração

A relação entre Brasil e Caribe é marcada por uma clara complementaridade produtiva. O Brasil oferece exatamente os insumos e soluções que a região demanda: proteínas animais, equipamentos industriais, energias renováveis, tecnologia agrícola adaptada a climas tropicais, além de expertise em infraestrutura e engenharia.

Essa convergência cria um ambiente favorável para parcerias industriais, investimentos conjuntos e cadeias produtivas integradas, com ganhos mútuos de competitividade.

Cooperação e diálogo como motores do avanço

Para transformar potencial em resultados concretos, especialistas apontam a importância de fortalecer o diálogo empresarial, ampliar mesas público-privadas e estimular mecanismos de cooperação bilateral e regional. Mais do que identificar lacunas, o momento exige coordenação estratégica e visão de longo prazo.

Incluir o Caribe de forma estruturada na estratégia de diversificação comercial do Brasil não é uma escolha ideológica, mas uma decisão econômica racional, baseada em demanda crescente, estabilidade institucional e conectividade com grandes mercados globais.

Um passo estratégico para o futuro

A oportunidade está dada. Transformar essa convergência em política de Estado — tanto para o Brasil quanto para seus parceiros caribenhos — pode elevar a relação bilateral a um novo patamar, com impactos positivos sobre competitividade, investimentos e integração produtiva.

FONTE: Jota
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

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Logística

Corredor interoceânico mexicano promete encurtar rota entre Atlântico e Pacífico e desafia hegemonia do Canal do Panamá

O México avança em um dos projetos logísticos mais ambiciosos do século ao apostar em um corredor interoceânico capaz de ligar Atlântico e Pacífico em cerca de 20 horas. A iniciativa, instalada no Istmo de Tehuantepec, envolve a movimentação de bilhões de toneladas de terra, modernização de portos, reconstrução ferroviária e a criação de polos industriais voltados ao nearshoring, redesenhando o mapa do comércio internacional sob intenso escrutínio ambiental e geopolítico.

A expectativa oficial é que o eixo terrestre movimente até 200 milhões de toneladas por ano, atraia indústrias que deixam a Ásia e funcione como alternativa estrutural ao Canal do Panamá, cada vez mais pressionado por crises hídricas.

Crise no Canal do Panamá acelera disputa por novas rotas globais

A vulnerabilidade do modelo panamenho ficou evidente em 2023, quando a seca histórica no Lago Gatún reduziu drasticamente o número de travessias diárias. O canal, responsável por quase 6% do comércio mundial, precisou limitar o fluxo de navios, gerando filas superiores a 200 embarcações e forçando desvios que acrescentaram milhares de quilômetros às rotas marítimas.

Nesse cenário, a proposta mexicana ganhou força política e econômica. Sem depender de eclusas ou grandes reservatórios de água doce, o corredor ferroviário passou a ser visto como uma solução mais previsível em um contexto de mudanças climáticas e instabilidade logística.

Como funciona o corredor interoceânico do Istmo de Tehuantepec

Descrito como um “canal sobre trilhos”, o Corredor Interoceânico do Istmo de Tehuantepec substitui a travessia aquática por um sistema integrado de portos modernizados e ferrovia de alta capacidade. A operação prevê o desembarque de contêineres em um oceano, o transporte ferroviário pelo istmo e o reembarque no oceano oposto.

Cada composição ferroviária pode levar mais de 120 contêineres, cruzando o território a velocidades médias de 70 km/h. Quando estiver plenamente operacional, o tempo de deslocamento interno deverá cair mais de 80% em relação às esperas enfrentadas no Panamá.

Portos de Salina Cruz e Coatzacoalcos viram peças-chave da nova rota

No Pacífico, Salina Cruz passou por dragagens profundas que ampliaram o calado para até 24 metros, permitindo a atracação de navios pós-panamax. Um novo quebra-mar de seis quilômetros reforça a proteção contra tempestades, enquanto sensores e píeres reforçados preparam o terminal para operações automatizadas.

No Atlântico, Coatzacoalcos teve o canal de acesso aprofundado e ganhou integração direta com a ferrovia, eliminando etapas intermediárias no transporte. Segundo o projeto, o tempo de liberação de cargas caiu de dias para poucas horas, aumentando a competitividade do porto.

Ferrovia reconstruída impulsiona nearshoring e polos industriais

No interior do istmo, cerca de 90% da malha ferroviária foi substituída. Trilhos reforçados, dormentes de concreto e viadutos em áreas alagadiças garantem a circulação de trens pesados. Ao longo do traçado, surgem polos industriais voltados a setores como petroquímica, eletrônicos, logística e energia limpa, com incentivos fiscais que podem durar até 15 anos.

As projeções indicam a geração de mais de 250 mil empregos diretos, em uma região onde grande parte da população vive abaixo da linha da pobreza. A combinação entre infraestrutura logística e incentivos posiciona o corredor como peça central da estratégia mexicana de reindustrialização.

Linha K amplia alcance regional do corredor interoceânico

Ainda em construção, a Linha K representa a expansão do sistema ferroviário rumo ao sul. Com quase 90% de avanço físico, o eixo deve ser concluído até 2026 e conectar o corredor a Puerto Chiapas, abrindo caminho para futuras ligações com a América Central.

O projeto inclui 447 quilômetros de trilhos, centenas de pontes e pátios de transferência. A presidente Claudia Sheinbaum já confirmou negociações para estender a malha até a Guatemala, ampliando o impacto regional do corredor.

Trem suburbano e obras urbanas transformam cidades do istmo

Além da carga, o plano prevê o lançamento do trem suburbano El Tehuanito, com tarifas reduzidas para a população local. Viadutos de grande porte e parques urbanos acompanham a ferrovia, indicando que o corredor também altera a dinâmica urbana das cidades atravessadas.

Investimento bilionário consolida prioridade política do projeto

O orçamento federal de 2026 reserva dezenas de bilhões de pesos para o avanço do corredor interoceânico, incluindo compra de material rodante, conclusão da Linha K e fortalecimento dos polos industriais. Linhas já reabilitadas acumulam centenas de milhares de passageiros e toneladas de carga, testando o modelo integrado.

Desenvolvimento, moradia e conflitos fundiários no traçado

Ao longo da rota, foram criados Núcleos de Desenvolvimento para o Bem-Estar, zonas industriais com incentivos fiscais. Paralelamente, o governo registra investimentos em moradia e projetos comunitários, enquanto obras viárias associadas ao corredor expõem disputas por terras e indenizações, revelando o lado social mais sensível do empreendimento.

Pressão ambiental reacende debate sobre megaprojetos interoceânicos

O impacto ambiental é um dos pontos mais críticos. Casos como o de Dos Bocas, onde manguezais foram removidos, alimentam críticas de organizações ambientais. No istmo, parques eólicos levantam alertas sobre riscos à fauna migratória, apesar de produzirem energia renovável.

Experiências internacionais reforçam os alertas. O fracasso do canal da Nicarágua e o avanço da Passagem do Ártico, impulsionado pelo derretimento do gelo, mostram que a disputa por rotas entre Atlântico e Pacífico ocorre em um cenário de alta incerteza climática e política.

O México aposta que seu corredor terrestre encontrará equilíbrio entre competitividade logística, desenvolvimento regional e preservação ambiental, em uma disputa que pode redefinir o comércio global nas próximas décadas.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Tecnologia

Tecnologia redefine o comércio exterior na América Latina

O comércio exterior latino-americano vive um momento de transformação impulsionado pela tecnologia. Soluções baseadas em inteligência artificial, digital twins e plataformas integradas de gestão estão mudando a lógica da cadeia logística e das operações portuárias, tornando-as mais preditivas e conectadas.

Empresas de transporte e operadores portuários vêm adotando modelos digitais capazes de simular cenários logísticos, prever impactos cambiais, medir desempenho de rotas e identificar riscos operacionais. Com a aplicação dos digital twins — réplicas virtuais de portos, terminais e cadeias de suprimento —, é possível realizar ajustes em tempo real e tomar decisões baseadas em evidências. O resultado é um comércio exterior mais previsível, com menor exposição a custos variáveis e interrupções.

A América Latina também acompanha o avanço de tendências como nearshoring e friendshoring, impulsionadas pela reorganização das cadeias globais. A aproximação entre centros produtivos e consumidores regionais reduz prazos e custos logísticos, fortalecendo os portos locais como plataformas estratégicas. No Brasil, o aumento das movimentações internas vem substituindo rotas mais longas e caras, especialmente as que envolvem a Ásia.

Essas transformações ocorrem em um cenário de modernização portuária e investimento em automação. Portos como Santos, Itapoá e Pecém já utilizam sistemas integrados de rastreamento e plataformas de análise de dados, alinhando suas operações a padrões internacionais de eficiência. A digitalização, antes vista como tendência, tornou-se um requisito competitivo para operadores logísticos e exportadores em mercados de alta complexidade regulatória.

Dados no centro das decisões

O uso de dados deixou de ser um diferencial e passou a ser o eixo das decisões no comércio exterior. Ferramentas de IA aplicadas à previsão de demanda, gestão de estoques e alocação de frota reduzem desperdícios e aumentam a previsibilidade. Plataformas digitais integram agentes de carga, despachantes e armadores em um mesmo ambiente, substituindo o papel e reduzindo erros em documentação.

De acordo com a Maersk, as cadeias de suprimento latino-americanas estão em fase de consolidação digital, com ganhos expressivos de eficiência operacional. O desafio atual está em ampliar a interoperabilidade entre sistemas públicos e privados e consolidar padrões de dados entre portos, terminais e autoridades aduaneiras — um passo essencial para o avanço de um comércio exterior mais ágil e previsível.

A presença da Process nesse movimento

Entre as empresas que acompanham de perto essa evolução está a Process, que tem integrado tecnologia e estratégia para tornar a logística mais eficiente e conectada. 

“Na Process, acreditamos que tecnologia sozinha não resolve, pois o resultado vem quando dados, estratégia e operação trabalham juntos. Nosso foco é fazer com que o cliente enxergue o cenário completo, consiga antecipar riscos e tome decisões baseadas em fatos. Hoje, a tecnologia não está mais ao redor da operação, ela é parte dela. Acompanhar de perto o que acontece entre o porto e o cliente é o que nos permite usar a inovação de forma prática, para manter o fluxo em movimento e tornar a logística mais previsível e conectada às novas dinâmicas globais”, destacou Lúcio Lage, CEO do Process Group. 

A tecnologia redefine o ritmo das trocas internacionais na América Latina. O que antes dependia apenas de infraestrutura física agora depende também da capacidade de processar, interpretar e agir sobre dados — um caminho que consolida uma nova fase de maturidade logística, onde inovação e eficiência caminham lado a lado.

TEXTO E IMAGEM: DIVULGAÇÃO PROCESS

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Comércio Exterior, Logística, Notícias

O comércio global começou 2025 com estabilidade

O comércio global começou 2025 com sinais de estabilidade, embora ainda existam desafios. Em segundo lugar atrás da UNCTAD, chegará a US$ 33 trilhões em 2024, com um crescimento de 3,7%.

Esse crescimento foi impulsionado pelo desenvolvimento de economias e pelo comércio de serviços. Entretanto, tensões geopolíticas e políticas comerciais podem afetar seu desenvolvimento.

O relatório destaca uma lacuna crescente entre economias avançadas e em desenvolvimento. Quanto à Ásia e à América Latina, está consolidando sua posição como promotores do comércio, a Europa e a América do Norte enfrentam uma desaceleração. O comércio Sul-Sul queda estável, mas a África sofre uma contração.

As estratégias de nearshoring e friendshoring evoluíram em 2024. As empresas estão diversificando suas redes de negócios para reduzir riscos, em vez de se concentrarem apenas em aliados estratégicos. A Rússia, o Vietname e a Índia estão a reforçar relações comerciais específicas, enquanto a UE e a Áustria procuram reduzir a dependência dos mercados tradicionais.

As políticas comerciais estão em transformação. Os EUA e a UE aumentarão as taxas e os subsídios, integrando critérios de segurança e sustentabilidade. Para a China, pela primeira vez, mantive incentivos para sua capacidade de exportação. Essas medidas aumentaram o protecionismo e geraram retaliações comerciais.

Os negócios desequilibrados voltarão aos níveis de 2022. Os EUA ampliaram seu déficit, a China fortaleceu seu superávit e a UE passou de déficit em superávit devido às flutuações de energia.

O comércio global frente um 2025 cheio de oportunidades e riscos. A desaceleração da inflação e o estímulo econômico podem impulsionar a atividade, mas o protecionismo e a incerteza continuam a surpreender o crescimento. A chave será evitar uma fragmentação comercial que divida o mundo em blocos isolados.

FONTE: Todo Logística News
Comércio global entra em 2025 com estabilidade – TodoLOGISTICA NEWS

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Economia, Gestão, Logística, Mercado Internacional, Tecnologia, Tributação

Com a ajuda dos EUA, o México pode se transformar em uma potência econômica global; saiba como

O México está investindo pesado para fortalecer sua economia, reduzindo a dependência da China e apostando no “Made in Mexico”. A ideia é atrair investimentos dos EUA e se tornar uma das 10 maiores economias do mundo.

Nos últimos anos, o México tem sido palco de uma transformação econômica significativa, tentando se consolidar como uma das dez maiores economias do mundo. Entrelaçado com seu maior parceiro comercial, os Estados Unidos, e enfrentando uma relação ambígua com a China, o país se encontra em uma encruzilhada que pode definir seu futuro econômico.

Com um plano audacioso apresentado pela presidente Claudia Sheinbaum, o México propõe fortalecer sua produção local e reduzir a dependência das importações asiáticas. Mas será que essa estratégia é suficiente para superar os desafios impostos por potências globais como a China?

O contexto atual: México entre os EUA e a China

O México tem uma relação histórica e econômica profunda com os Estados Unidos. A proximidade geográfica e o Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC) garantem uma troca comercial robusta, posicionando os EUA como o principal destino das exportações mexicanas.

Por outro lado, a China desempenha um papel estratégico no comércio mexicano. Desde 2016, a China tem se consolidado como o segundo maior parceiro comercial do México, aproveitando o país como um ponto de entrada para os produtos chineses no mercado norte-americano. Essa dinâmica, no entanto, enfrenta críticas e desafios, especialmente no cenário de tensões comerciais globais.

O impacto do primeiro mandato de Trump no comércio global

Durante seu primeiro mandato, Donald Trump implementou tarifas rigorosas sobre produtos chineses, alterando significativamente o comércio global. Para a China, isso significou buscar alternativas, e o México se tornou uma dessas rotas estratégicas. Empresas chinesas aproveitaram as cadeias logísticas mexicanas para driblar as tarifas e acessar o mercado dos EUA.

Essa situação, embora benéfica para o México em termos de investimentos, também gerou críticas de Trump, que acusou o país de ser uma “porta dos fundos” para produtos chineses. Agora, com a possibilidade de um segundo mandato, novas tarifas podem atingir não apenas a China, mas também o México, colocando ainda mais pressão sobre a economia mexicana.

Uma resposta estratégica à dependência da China

Para enfrentar esses desafios, o México lançou um plano ambicioso que visa revitalizar sua produção local. A estratégia é clara: reduzir as importações asiáticas e fortalecer as cadeias de valor internas.

O projeto inclui a criação de 100 parques industriais em 12 regiões estratégicas, conhecidos como “Pólos do bem-estar”. O governo oferece incentivos fiscais, financiamento para pequenas e médias empresas (PMEs) e apoio à adoção de tecnologias avançadas. Esses esforços ecoam a estratégia usada pela China nas décadas de 1990 e 2000, quando o país investiu maciçamente em sua cadeia produtiva para se tornar um gigante global.

Nearshoring e o fortalecimento do “Made in Mexico”

Outro ponto crucial do plano é o nearshoring, uma tendência que aproveita a proximidade geográfica do México com os Estados Unidos para atrair investimentos e reduzir custos de transporte. Essa estratégia busca transformar o “Made in Mexico” em um selo de qualidade e competitividade no mercado global.

Os setores têxtil, tecnológico, de calçados e móveis estão no centro dessa transformação. O objetivo é aumentar a participação mexicana no comércio internacional para 15%, consolidando o país como um dos principais players globais.

México no comércio global

Apesar das iniciativas promissoras, o México ainda enfrenta desafios consideráveis. O segundo mandato de Trump pode trazer novas tarifas e tensões comerciais, enquanto a China continua a ser um concorrente poderoso no mercado global.

No entanto, com uma estratégia clara de autossuficiência econômica e integração regional, o México tem o potencial de se posicionar como um líder econômico na América do Norte. O tempo dirá se o país conseguirá transformar sua ambição em realidade e equilibrar sua relação com os EUA e a China.

FONTE: CPG click petróleo e gás.
Como o México pode se tornar uma potência econômica global competindo com a China e contando com a ajuda dos EUA

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Economia, Gestão, Industria, Informação, Inovação, Logística, Negócios, Notícias

O Brasil entra no mapa do nearshoring

Como a América Latina se torna uma nova fronteira para empresas globais e pode aumentar sua relevância no mandato de Trump

*Roberto Patiño

Nos últimos anos, a dinâmica das cadeias de fornecimento globais passou por transformações significativas, impulsionadas por uma série de fatores geopolíticos, econômicos e tecnológicos – da pandemia aos conflitos armados. Nesse mundo hiperestressado, uma das tendências que surgiram foi o nearshoring.

Trata-se de uma estratégia em que as empresas transferem suas operações de manufatura, serviços ou centros de distribuição para países mais próximos de seus mercados-alvo, em vez de optar pelo tradicional offshoring em países mais distantes. Essa alteração, que tem um cunho logístico evidente visando a mitigar vulnerabilidades, como as interrupções de fluxo, melhora a flexibilidade e a eficiência logística.

Nesse contexto, a América Latina, o Brasil em particular, tem se destacado como destino estratégico para empresas globais que buscam mais eficiência, redução de custos e resiliência nas cadeias de suprimentos.

De acordo com relatório da JLL sobre nearshoring, a proximidade com mercados-chave como os Estados Unidos, a qualidade da infraestrutura e a oferta de mão de obra qualificada fazem da região uma alternativa viável para companhias que buscam reduzir sua dependência de fornecedores distantes.

O Brasil ainda tem como vantagem um mercado local atrativo, com mais de 200 milhões de possíveis consumidores, e homogeneidade geopolítica. O estudo ainda aponta que São Paulo, mais precisamente, figura entre as “top 5” cidades em cinco dos sete critérios de performance de nearshoring: histórico de investimento estrangeiro, força de trabalho, mercado potencial, mercado imobiliário estruturado e performance logística.

Toda essa movimentação pode ajudar a impulsionar a indústria latino-americana como um todo, garantindo mais representatividade econômica global para a região. Nesse sentido, a eleição de Donald Trump pode acrescentar mais um impulso para o nearshoring.

Durante seu primeiro mandato, Trump implementou uma série de políticas voltadas para reduzir a dependência das cadeias de fornecimento asiáticas e reorientar a produção para países mais próximos dos EUA. Sua abordagem de America First promoveu uma agenda protecionista, que incentivou empresas a repatriar suas fábricas e centros de distribuição para os Estados Unidos ou para países próximos, como México – e o Brasil conseguiu aproveitar parte dessa onda.

Então, como deve ficar o nearshoring?

O cenário para o próximo ano, especialmente com as mudanças políticas que podem ocorrer nos EUA, será decisivo para o futuro do nearshoring na América Latina. Políticas de relocalização de produção e de fortalecimento da indústria doméstica continuarão a ser uma prioridade estratégica para os EUA, o que pode manter o Brasil e a América Latina no radar de empresas globais em busca de alternativas mais próximas.

Com a continuidade da tendência de diversificação das cadeias de suprimento e a necessidade de resiliência diante de crises globais, o Brasil tem a oportunidade de se consolidar como um hub importante para o nearshoring, especialmente em setores-chave como tecnologia, indústria automotiva, energia renovável e agronegócio. Para que aproveitemos esse potencial, será fundamental que o país continue a melhorar seu ambiente de negócios, permaneça investindo em infraestrutura e mantenha políticas voltadas para a atração do capital estrangeiro.

*diretor de Integrated Portfolio Solutions da JLL

FONTE: Exame
https://exame.com/colunistas/genoma-imobiliario/o-brasil-entra-no-mapa-do-nearshoring/amp/

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