Portos

Entre Navios e Manguezais, a Biodiversidade de Peixes se destaca na Baía de Paranaguá

À primeira vista, o cenário do Porto de Paranaguá é dominado pelo vaivém de gigantescos navios cargueiros, guindastes imponentes e uma engrenagem logística que conecta o Paraná ao comércio global. No entanto, nos estuários, onde o rio se encontra com o mar, o cenário se transforma logo abaixo da linha d’água. Ali, o ecossistema dos manguezais revela sua complexidade: um ambiente pulsante que, no pico da maré alta, fica completamente submerso, abrigando uma rica biodiversidade marinha.

Conciliar o posto de um dos maiores complexos portuários da América Latina com a conservação ambiental é um grande triunfo dos pesquisadores e técnicos que atuam no Porto de Paranaguá. Estudos recentes demonstram que a área portuária abriga centenas de espécies nativas, desde pequenos peixes estuarinos que dependem das raízes dos mangues para proteção, até grandes predadores que visitam a baía em busca de alimento.

O Olhar do Porto de Paranaguá para a Ciência Paranaense

Para compreender a riqueza que habita essas águas, os Portos do Paraná investem em um programa ambiental de monitoramento da ictiofauna e apoiam pesquisas acadêmicas sobre o tema. Atualmente, a parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), conta com 3 convênios vigentes no litoral do Paraná, além do fornecimento de dados para diversos pesquisadores, quando solicitado.

Segundo dados de pesquisas científicas, os pesquisadores paranaenses apontam que a Baía de Paranaguá funciona como um ecossistema de transição. A mistura da água doce dos rios com a água salgada do Oceano Atlântico cria um ambiente rico em nutrientes. Espécies como o robalo (Centropomus spp.), a corvina (Micropogonias furnieri) e os bagres marinhos encontram ali as condições ideais para reprodução e crescimento. 

Desenvolvimento com Consciência Ambiental

A manutenção desse ecossistema não acontece por acaso. Ela é fruto de uma gestão que entende que o crescimento econômico não pode navegar isolado da sustentabilidade. Programas rigorosos de monitoramento ambiental monitoramdesde a qualidade da água e dos sedimentos até diferentes grupos da Biota Aquática da região..

O cuidado com a fauna marinha é colocado como prioridade máxima nas operações diárias e nos planos de expansão do porto. Ressalta-se que os Portos do Paraná possuem programas de monitoramento ambiental e de controle durante a execução das suas dragagens, como os defletores de tartarugas, para proteção dessa espécie. 

Além disso, o programa ambiental de monitoramento de cetáceos e quelônios monitora sua população e presença na região. Não é raro, por exemplo, avistar botos muito próximos à área do porto, já que eles costumam utilizar as estruturas e o próprio costado dos navios como estratégia de alimentação, encurralando os cardumes contra as embarcações.

O diretor-presidente da Portos do Paraná destaca que a eficiência logística do estado caminha lado a lado com a responsabilidade ecológica: “Estamos muito empenhados em inovar e avançar tecnologicamente. Ao mesmo tempo, sabemos da nossa responsabilidade ambiental. Não há desenvolvimento econômico local duradouro sem que as nossas ações sejam pautadas pela sustentabilidade. Crescer e preservar precisam caminhar juntos”, afirmou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Equilíbrio para o Futuro

O cenário de Paranaguá prova que a economia e ecologia não precisam ser forças antagônicas. Enquanto os navios garantem o escoamento da safra e o abastecimento de mercados internacionais, os manguezais da baía continuam cumprindo seu papel ancestral de proteger a vida.

O desafio de manter as águas limpas e a ictiofauna protegida é contínuo, mas, com o suporte dos pesquisadores locais e uma gestão portuária consciente, busca-se que as  futuras gerações de paranaenses tenham o seu espaço garantido nessa engrenagem.

FONTE: Portos do Paraná
IMAGEM:  Claudio Neves/Gcom Portos do Paraná

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Investimento, Portos

Portonave investe na preservação da restinga em Navegantes

O novo plano de recuperação, aprovado pelos órgãos ambientais municipais e estaduais, é um investimento de R$ 504 mil. Cerca de 6,5 mil mudas nativas serão produzidas e plantadas 🌱

A Portonave inicia um Plano de Recuperação de Área de Preservação Permanente Degradada (PRAD) da restinga das praias de Navegantes. Neste novo projeto, serão recuperados quatro trechos prioritários. A área total a ser restaurada é de 38.400 m². Foram considerados os pontos mais vulneráveis no bairro Meia Praia, onde em alguns pontos a restinga apresenta baixa densidade de vegetação arbustiva e herbácea, com maior exposição das dunas, presença de espécies exóticas invasoras e alto impacto das atividades humanas, como o descarte de resíduos.

As áreas a serem recuperadas foram indicadas pelo IAN, consistindo em aproximadamente 1.400 m², próximo ao ribeirão das Pedras; 20.000 m² entre as entradas 52 e 58 da praia; 11.600 m² entre os acessos 39 e 41; e 5.400 m² entre as entradas 34 e 36.

Além do plantio de 6,5 mil mudas nativas, o PRAD também prevê o controle de espécies exóticas invasoras – plantas que não são naturais da restinga – e que impedem o desenvolvimento das plantas nativas, além de reduzir a diversidade biológica do ecossistema. Nas áreas que serão recuperadas, as espécies exóticas invasoras já foram identificadas – 27 exemplares – e demarcadas para remoção por equipe técnica capacitada.

As áreas em recuperação serão protegidas com a instalação de cercas de contenção. O plano também contempla atividades de prevenção e controle do acesso de animais domésticos, adoção de medidas para conservação e atração de animais nativos dispersores de sementes, bem como a manutenção e monitoramento das áreas recuperadas por um período de 3 anos.

A preservação da restinga é de extrema importância devido ao papel que esse ecossistema tem na proteção da praia, principalmente pela fixação das dunas, que impedem o avanço do mar. Além disso, a vegetação também é essencial para a manutenção e equilíbrio da biodiversidade, uma vez que serve de abrigo de diversas espécies da fauna. Esse já é o segundo investimento que o Terminal Portuário realiza com o objetivo de restaurar o ecossistema costeiro em pontos em que se encontra degradado.

Etapas
A proposta do projeto teve início em 2022, com o envio das ações a serem executadas ao Instituto do Meio Ambiente (IMA). Em 2024, o órgão estadual aprovou a execução da compensação no formato proposto. A partir da aprovação iniciou-se o processo de contratação da empresa executora do PRAD, a Acquaplan Tecnologia e Consultoria Ambiental. O trabalho teve início em fevereiro, com a elaboração do plano e alinhamento junto ao Instituto Ambiental de Navegantes (IAN).

Como explica a responsável técnica do PRAD, professora e mestre em Oceanografia, Débora Lugli-Bernardes, o trabalho nos pontos determinados consiste em restaurar a cobertura vegetal da restinga. As mudas necessárias para o replantio são de espécies típicas desse ecossistema, e não há produtores dessa vegetação na região. “Desde abril, estamos coletando sementes e estolões (planta específica da restinga) nas dunas da orla da praia de Navegantes e em praias vizinhas, e desenvolvendo, com todo cuidado e técnica, as mudas que serão replantadas”, complementa. Segundo a prof.ª Débora, o objetivo é recuperar os processos ecológicos das áreas, monitorar a regeneração por meio de indicadores ambientais e avaliar a efetividade das ações de recuperação.

Neste mês, serão instaladas placas, com informações técnicas e legais do processo, nas passarelas e acessos das quatro áreas a serem recuperadas. Na sequência, serão iniciadas as demais atividades previstas para o projeto, como a remoção da vegetação exótica, plantio das espécies nativas e a instalação das cercas de proteção. O acompanhamento e a manutenção desse novo PRAD serão realizados por 3 anos pela Acquaplan. Quando concluído, o monitoramento da área seguirá sendo realizado pelos órgãos ambientais competentes.

Compensação ambiental
O PRAD atual é uma medida de compensação ambiental pela obra de adequação do cais da Portonave, iniciada em 2024. Cerca de R$ 504 mil serão destinados para a iniciativa pela empresa. Em 2016, como medida compensatória pelas obras de ampliação do pátio, a companhia desenvolveu o projeto “Nossa Praia” que, na época, além da recuperação da vegetação nativa, também revitalizou a orla da Praia de Navegantes com a construção de deques e passarelas ao longo de 10 km. Esse primeiro PRAD previa a manutenção e monitoramento da área por cinco anos. Concluído esse período, a área recuperada voltou a ser de responsabilidade dos órgãos ambientais competentes.

Sobre a Portonave
A empresa está localizada em Navegantes, Litoral Norte de Santa Catarina, e iniciou suas atividades em 2007, como o primeiro terminal portuário privado do Brasil. Atualmente, são 1,3 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos. No ranking nacional, a Portonave, em 2024, esteve entre os três portos que mais movimentam contêineres cheios de longo curso, sendo o primeiro em Santa Catarina, de acordo com o Datamar. Além do destaque pela excelência operacional, a Companhia está comprometida com as práticas ESG (Meio Ambiente, Social e Governança) e investe permanentemente em projetos que visam desenvolver a comunidade.

Para saber mais sobre o PRAD, assista ao vídeo:

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