Comércio

Minerva Foods registra queda de 52,8% no lucro do 1º trimestre apesar de alta na receita

A Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 87,3 milhões. O resultado representa uma queda de 52,8% em relação ao mesmo período do ano passado, influenciado principalmente pelos impactos financeiros, pela alta no preço do boi gordo e pela menor disponibilidade de animais para abate.

Mesmo diante do cenário mais desafiador, a companhia conseguiu ampliar indicadores operacionais e manter o crescimento das receitas, impulsionada pela integração de ativos adquiridos da antiga Marfrig, atualmente MBRF.

Ebitda cresce com sinergias das aquisições

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da empresa avançou 16,2% no comparativo anual, alcançando R$ 1,12 bilhão.

Segundo o diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, o trimestre foi marcado por forte volatilidade no mercado, mas os ganhos obtidos com as novas unidades adquiridas ajudaram a sustentar o desempenho operacional da companhia.

A Minerva concluiu no fim de 2025 a incorporação de uma série de plantas compradas da Marfrig, operação considerada estratégica para ampliar escala e eficiência.

Alta da arroba reduz margens da companhia

Durante o trimestre, a empresa registrou queda de 5,3% no volume de abates, totalizando 1,35 milhão de cabeças de gado.

O cenário de oferta mais restrita elevou os preços da arroba bovina, pressionando as margens da operação. Ainda assim, o volume de vendas cresceu 16,2%, chegando a 481,7 mil toneladas, sustentado principalmente pela utilização de estoques.

O CEO da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, afirmou que a valorização do boi gordo já fazia parte das projeções internas da companhia devido ao atual ciclo pecuário brasileiro.

Segundo ele, a compressão da margem bruta vem sendo parcialmente compensada pelos ganhos de escala e pela redução de despesas obtidas com a integração dos ativos incorporados.

Guerra no Oriente Médio eleva custos logísticos

Executivos da companhia também comentaram os impactos do conflito envolvendo o Irã sobre as operações globais da empresa.

De acordo com Queiroz, o principal reflexo ocorre nos custos logísticos, especialmente no frete marítimo e nas rotas comerciais destinadas ao Oriente Médio.

Apesar disso, o executivo avalia que o impacto financeiro ainda é limitado em relação ao valor agregado da carne exportada. Ele ressaltou ainda que as regiões mais afetadas pelas dificuldades logísticas representam uma fatia menor das operações internacionais da Minerva.

Minerva aposta na diversificação geográfica para manter exportações à China

A empresa afirmou que pretende manter, ao longo de 2026, níveis semelhantes de exportação de carne bovina para a China, mesmo diante das restrições tarifárias que afetam principalmente as plantas brasileiras.

A estratégia da companhia está baseada na diversificação geográfica da operação, utilizando unidades localizadas na Argentina, Colômbia e Uruguai para atender parte da demanda chinesa.

Segundo a Minerva, a presença em diferentes países fortalece sua posição no mercado internacional e amplia a flexibilidade comercial em momentos de instabilidade.

Mercado dos EUA surge como alternativa

Além da China, os Estados Unidos aparecem como opção para absorver parte da produção brasileira afetada pelas limitações tarifárias impostas ao setor.

No entanto, o CEO destacou que o mercado chinês continua sendo o principal destino da carne bovina brasileira e lembrou que há menos plantas habilitadas para exportação aos EUA do que para a China.

A empresa avalia que esse cenário pode aumentar a oferta no mercado interno brasileiro e gerar pressão sobre os preços domésticos.

Receita da Minerva cresce quase 20% no trimestre

Apesar da queda no lucro, a receita líquida da companhia avançou 19,8% nos três primeiros meses do ano, atingindo R$ 13,4 bilhões.

As vendas no mercado interno cresceram 23,6%, somando R$ 6,55 bilhões. Já as operações internacionais tiveram alta de 19,6%, alcançando R$ 7,9 bilhões.

Segundo a empresa, a América do Sul continua desempenhando papel estratégico no abastecimento global de proteína bovina, especialmente em um cenário de restrição de oferta em mercados internacionais.

FONTE: Istoé Dinheiro
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Istoé

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Exportação

Exportação de carne bovina para China pode cair e pressionar mercado do boi gordo

A possibilidade de esgotamento da cota de exportação de carne bovina brasileira para a China entre o fim de maio e meados de junho acendeu o alerta no setor pecuário. A projeção é da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que avalia impactos diretos sobre os embarques e o mercado do boi gordo no Brasil.

Segundo o presidente da entidade, Roberto Perosa, caso o volume excedente não encontre novos destinos comerciais, as exportações brasileiras de carne bovina podem registrar retração de até 10% em 2026.

Redução nas exportações pode afetar preço da arroba

Com menor demanda internacional, a tendência é de desaceleração no ritmo de abates e pressão sobre o preço da arroba do boi gordo nos próximos meses. O setor teme que a redução das vendas externas gere excesso de oferta no mercado interno, impactando diretamente produtores e frigoríficos.

A China segue como principal destino da carne bovina brasileira, e qualquer limitação nas compras do país asiático provoca reflexos relevantes em toda a cadeia pecuária.

Para minimizar os impactos, a indústria aposta no fortalecimento do consumo interno no segundo semestre. No entanto, representantes do setor afirmam que o avanço do consumo das famílias tem sido limitado pelo crescimento das apostas online no Brasil.

De acordo com a Abiec, uma pesquisa da Nielsen apresentada ao vice-presidente Geraldo Alckmin aponta queda de 10% no consumo de alimentos entre famílias de menor renda. O levantamento relaciona a redução ao aumento dos gastos com plataformas de apostas.

Embora o consumo de carne bovina ainda mantenha crescimento, o setor acredita que o desempenho poderia ser mais expressivo sem esse cenário. Por isso, entidades ligadas à indústria da carne e ao atacado defendem medidas de restrição às apostas ilegais e maior controle sobre publicidade digital.

EUA, Japão e Coreia do Sul surgem como alternativas

Além do mercado interno, os Estados Unidos aparecem como possível alternativa para ampliar as exportações brasileiras. Porém, a cota atual destinada ao Brasil já foi preenchida, e os embarques fora desse limite enfrentam tarifas que reduzem a competitividade.

A abertura de novos mercados também ganhou prioridade nas negociações internacionais. Países como Japão, Coreia do Sul e Turquia são considerados estratégicos para compensar uma eventual redução das compras chinesas.

Entre eles, o Japão aparece em estágio mais avançado de negociação. Recentemente, técnicos japoneses estiveram na região Sul do Brasil para avaliar o sistema sanitário brasileiro em possível processo de abertura comercial.

Oriente Médio preocupa setor exportador

Outro ponto de atenção para a indústria é o cenário no Oriente Médio, responsável por cerca de 15% das exportações brasileiras de carne bovina.

Segundo a Abiec, os embarques para a região recuaram 20% em março e 10% em abril. Além da redução no volume exportado, empresas enfrentam aumento nos custos logísticos e dificuldades operacionais provocadas pelos conflitos na região. Apesar disso, a expectativa do setor é de gradual normalização do fluxo comercial nos próximos meses.

Sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor recentemente, a avaliação inicial da Abiec é de impacto limitado no curto prazo. Isso porque ainda será necessário definir a divisão das cotas de exportação entre os países do bloco econômico.

Fonte: Canal Rural

Texto: Redação

Imagem: Reprodução CNN / Paulo Whitaker/Reuters

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Informação

Pecuária de Mato Grosso deve faturar R$ 42,1 bilhões em 2026

A pecuária de Mato Grosso segue em expansão e deve movimentar cerca de R$ 42,1 bilhões em 2026, segundo projeções do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. O valor representa crescimento de 6,8% em relação ao ano anterior e consolida a atividade como um dos pilares do agronegócio estadual.

Caso as estimativas se confirmem, o setor será responsável por 20,2% do Valor Bruto da Produção (VBP) de Mato Grosso, reforçando sua importância na economia regional.

Pecuária ganha espaço no VBP estadual

O avanço da atividade pecuária ajuda a compensar o desempenho mais moderado da agricultura na atual safra. No total, o VBP de Mato Grosso está estimado em R$ 208,3 bilhões em 2026.

Com isso, os pecuaristas ampliam sua participação na geração de riqueza no campo, impulsionados principalmente pela demanda aquecida e pela valorização do mercado bovino.

Abates recordes impulsionam faturamento

O bom desempenho financeiro do setor está diretamente ligado ao ritmo de produção no início do ano. No primeiro trimestre, foram abatidos 1,8 milhão de bovinos, o maior volume já registrado para o período.

O número representa alta de 6,7% em comparação com o mesmo intervalo de 2025, evidenciando a força da produção pecuária no estado.

Mercado aquecido sustenta preços

A valorização da arroba do boi e a demanda firme, tanto no mercado interno quanto nas exportações, sustentam o cenário positivo. Além disso, a estratégia de retenção de fêmeas adotada pelos produtores contribui para equilibrar a oferta.

Essa prática reduz temporariamente o número de animais disponíveis para abate, ajudando a manter as cotações em níveis elevados.

De acordo com Bruno de Jesus Andrade, do Instituto Mato-grossense da Carne, o setor tem demonstrado resiliência mesmo em um ambiente econômico mais desafiador. Segundo ele, a evolução tecnológica e a maior eficiência produtiva têm sido determinantes para esse desempenho.

Perspectivas positivas para o segundo semestre

A expectativa é de continuidade do cenário favorável ao longo do ano. Com a menor oferta de animais, resultado da retenção de matrizes, o foco dos produtores tende a se voltar ainda mais para a eficiência na pecuária.

Nesse contexto, investir em produtividade e qualidade deve ser essencial para garantir margens de rentabilidade e aproveitar as oportunidades do mercado.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Exportação

Boi gordo dispara com exportações aquecidas para a China e oferta limitada no Brasil

A valorização do boi gordo ganhou força nos últimos dias, impulsionada pela combinação de oferta restrita de animais e pelo ritmo acelerado das exportações de carne bovina, especialmente para a China. O movimento elevou os preços da arroba em diversas regiões pecuárias do país.

Oferta curta sustenta alta da arroba

O mercado físico segue com viés positivo, refletindo a dificuldade dos frigoríficos em adquirir animais para abate. As escalas de abate encurtadas permanecem como um dos principais fatores de sustentação dos preços.

Com menor disponibilidade de boiadas, empresas do setor já consideram medidas para ajustar a produção. Entre as alternativas avaliadas estão o aumento da ociosidade industrial ao longo de abril e até a adoção de férias coletivas, diante da limitação na originação de gado.

Exportações aceleradas pressionam mercado interno

No cenário externo, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina continua robusto. A China mantém forte demanda e tem absorvido volumes significativos neste início de ano.

Estimativas indicam que a cota de embarques pode ser atingida entre maio e meados de junho. Esse fator gera incertezas para o terceiro trimestre, período marcado por maior oferta de animais confinados. Há ainda projeções mais conservadoras que apontam para um esgotamento já no início de maio.

Preço do boi gordo nas principais praças

Os valores da arroba a prazo registraram alta consistente até 9 de abril:

  • São Paulo (Capital): R$ 370,00 (+2,78%)
  • Goiás (Goiânia): R$ 355,00 (+4,41%)
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 350,00 (+1,45%)
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 360,00 (+2,86%)
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 360,00 (+1,41%)
  • Rondônia (Vilhena): R$ 330,00 (+3,13%)

Atacado firme, mas com concorrência do frango

No mercado atacadista de carne bovina, os preços permaneceram estáveis em patamares elevados, com expectativa de novos reajustes no curto prazo. A entrada de renda na economia tende a estimular a reposição entre atacado e varejo, ajudando a sustentar as cotações.

Por outro lado, a competitividade de proteínas mais acessíveis, como a carne de frango, ainda limita avanços mais expressivos nos preços da carne bovina.

Entre os cortes:

  • Quarto dianteiro: R$ 22,50/kg (+2,27%)
  • Traseiro bovino: R$ 27,50/kg (estável)

Comércio exterior mantém desempenho forte

Os dados mais recentes confirmam o bom momento do setor no mercado internacional. Em março, o Brasil exportou 233,951 mil toneladas de carne bovina, gerando receita de US$ 1,360 bilhão.

A média diária foi de US$ 61,835 milhões, com embarques de 10,634 mil toneladas por dia e preço médio de US$ 5.814,80 por tonelada.

Na comparação anual, houve avanço significativo:

  • +29% no valor médio diário exportado
  • +8,7% no volume médio diário
  • +18,7% no preço médio

Os números reforçam a força das exportações de carne bovina brasileira, que seguem como um dos principais vetores de sustentação do mercado.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Henrique Bighetti/Canal Rural

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Exportação

Exportação de carne bovina para a China pode atingir cota em setembro, alerta Cepea

O Brasil pode alcançar já em setembro o limite da cota de exportação de carne bovina para a China, caso o ritmo atual de embarques seja mantido. O alerta foi divulgado por pesquisadores do Cepea, com base nos dados de janeiro, mês em que o país asiático concentrou 46,3% das exportações brasileiras da proteína.

Do total de 258,94 mil toneladas de carne bovina enviadas ao mercado externo no período, quase metade teve a China como destino. O cenário é ainda mais intenso em Mato Grosso, onde 57,5% das 83,06 mil toneladas exportadas seguiram para o país asiático, representando um crescimento de 89,23% em relação a janeiro de 2025.

Cotas chinesas e tarifas adicionais

Em dezembro, o Ministério do Comércio da China (Mofcom) definiu que, em 2026, o Brasil poderá exportar até 1,106 milhão de toneladas de carne bovina sem tarifa extra. O volume que ultrapassar esse teto estará sujeito a uma sobretaxa de 55%, tornando a operação menos competitiva.

As cotas já estabelecidas indicam aumento gradual:

  • 2027: 1,128 milhão de toneladas
  • 2028: 1,154 milhão de toneladas

Janeiro registra recorde de embarques

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, apenas em janeiro de 2026, o Brasil enviou 119,63 mil toneladas de carne bovina à China, o maior volume já registrado para um mês de janeiro. Desse total, 47,76 mil toneladas tiveram origem em Mato Grosso.

Segundo o Cepea, se esse ritmo for mantido ao longo do ano, o país tende a esgotar a cota chinesa ainda no terceiro trimestre, antecipando impactos sobre preços, logística e contratos internacionais.

China lidera compras da carne brasileira

Em 2025, Mato Grosso exportou 978,32 mil toneladas de carne bovina para 92 países. A China respondeu por 536,92 mil toneladas, consolidando-se como principal destino da proteína. A Rússia, segunda colocada, adquiriu apenas 58,84 mil toneladas, evidenciando a forte concentração no mercado chinês.

Governo propõe controle das exportações

Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) encaminhou, na última sexta-feira (6), um ofício à Câmara de Comércio Exterior (Camex) sugerindo a criação de um sistema de controle das exportações de carne bovina para a China.

A proposta prevê:

  • Distribuição proporcional da cota conforme o histórico de vendas das empresas
  • Escalonamento trimestral dos volumes autorizados
  • Melhor gestão do limite imposto pelo mercado chinês

A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Valor Econômico.

Setor avalia impactos e alternativas

Para o presidente do Sindifrigo-MT, Paulo Bellicanta, a salvaguarda chinesa é legítima e demonstra proteção ao produtor local. No entanto, ele ressalta que o desafio está na adaptação das regras à dinâmica do comércio brasileiro, que opera com contratos firmados e prazos curtos entre produção, embarque e entrega.

Já a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) chama atenção para a restrição global da oferta de carne, causada pela redução do rebanho em grandes produtores, como os Estados Unidos.

Segundo o diretor técnico da entidade, Francisco Manzi, a medida chinesa pode incentivar o Brasil a diversificar mercados. Ele também defende o fortalecimento do consumo interno, destacando que um aumento de três quilos por habitante ao ano já compensaria boa parte da restrição imposta pela China.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Freepik

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