Comércio Internacional

Pacto Verde Europeu: indústria precisa ampliar rastreabilidade para manter acesso ao mercado europeu

As novas regras ambientais da União Europeia (UE) estão mudando a forma como empresas precisam comprovar a origem, a composição e os impactos de seus produtos. Para a indústria catarinense, especialmente para os setores ligados ao comércio exterior, o Pacto Verde Europeu representa um novo desafio para manter e ampliar a presença no mercado europeu.

A tendência é que sustentabilidade deixe de ser apenas um diferencial competitivo e passe a integrar os requisitos necessários para participar de determinadas cadeias globais de fornecimento.

“Para a indústria catarinense, o Pacto Verde Europeu não deve ser visto apenas como uma exigência regulatória, mas como uma nova condição de inserção nas cadeias globais de valor. As empresas precisam estar preparadas para fornecer dados confiáveis sobre seus produtos”, afirma Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

Passaporte Digital do Produto ganha importância

Entre os mecanismos que devem transformar a relação das empresas com o mercado europeu está o Passaporte Digital do Produto (DPP), previsto pelo Regulamento de Concepção Ecológica para Produtos Sustentáveis (ESPR).

A proposta é criar uma espécie de identidade digital para os produtos, concentrando informações que possam ser verificadas ao longo da cadeia. Entre os dados estão a composição, a origem das matérias-primas, impactos ambientais, durabilidade, possibilidade de reparo, reutilização e reciclagem. Na prática, a exigência não ficará restrita aos exportadores diretos.

Empresas brasileiras que fornecem componentes, insumos ou matérias-primas para outras companhias também poderão precisar disponibilizar informações detalhadas sobre seus produtos e processos. Isso significa que a adequação às regras europeias tende a alcançar diferentes elos das cadeias produtivas.

Indústria catarinense está entre os setores impactados

A implementação das novas exigências será gradual e deverá atingir segmentos com forte participação na economia de Santa Catarina. Entre os setores que precisam acompanhar de perto as mudanças estão têxtil e vestuário, siderurgia, alumínio, móveis e tecnologia, além de outras atividades integradas às cadeias de fornecimento europeias.

O desafio, porém, não se limita à adoção de práticas ambientais. As empresas precisarão desenvolver sistemas capazes de coletar, organizar, rastrear e comprovar informações sobre produtos e processos. Isso amplia a responsabilidade também para fornecedores e parceiros envolvidos na produção.

Preparação começa antes das novas regras

Para as empresas que atuam ou pretendem atuar no mercado europeu, antecipar a adequação pode ser um diferencial. A preparação envolve desde o conhecimento da cadeia de fornecedores até a estruturação de dados ambientais e produtivos.

Entre as principais medidas estão:

  • Mapear fornecedores e matérias-primas, ampliando a rastreabilidade da cadeia;
  • Digitalizar informações sobre produtos, processos e impactos ambientais;
  • Medir e reduzir a pegada de carbono, com iniciativas de eficiência e descarbonização;
  • Adequar produtos à economia circular, considerando durabilidade, reparabilidade e reciclabilidade;
  • Comprovar as informações ambientais, evitando alegações de sustentabilidade que não tenham respaldo técnico.

Sustentabilidade passa a ser requisito de competitividade

Mais do que cumprir uma nova legislação, a adaptação às regras europeias pode representar uma mudança estrutural na forma como a indústria brasileira se relaciona com seus clientes internacionais.

Para empresas catarinenses inseridas no comércio exterior, investir em rastreabilidade, gestão de dados, transparência e sustentabilidade tende a ser cada vez mais importante para preservar mercados, atender compradores europeus e permanecer competitiva nas cadeias globais de valor.

Fonte: FIESC, com informações divulgadas em 8 de setembro de 2026.

Texto: Redação

Imagem: FIESC / Adobe Stock

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Exportação

Exportações de aves e mel: Brasil avança para retomar vendas à União Europeia

O Brasil deu mais um passo para retomar as exportações de carne de aves e mel para a União Europeia. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que terminou, na manhã da última sexta-feira (4/9), a auditoria realizada por autoridades sanitárias europeias nas cadeias produtivas dos dois segmentos.

Segundo o governo brasileiro, os técnicos da União Europeia consideraram satisfatórios os controles sanitários e os procedimentos oficiais adotados pelo país. A avaliação positiva representa um avanço no processo que poderá levar o Brasil de volta à lista de fornecedores autorizados a vender produtos de origem animal ao bloco europeu.

Auditoria avaliou sistema de defesa agropecuária

A missão das autoridades europeias começou em 24 de agosto e incluiu visitas a estabelecimentos produtores e órgãos oficiais.

Durante a auditoria, equipes técnicas brasileiras apresentaram os mecanismos de controle e fiscalização utilizados no país. Os procedimentos permitiram aos representantes europeus verificar diretamente a estrutura e o funcionamento do sistema brasileiro de defesa agropecuária.

Ao final da avaliação, os controles relacionados às cadeias de aves e mel foram considerados adequados pelas autoridades sanitárias europeias.

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou o resultado e afirmou que agora o processo depende principalmente das etapas burocráticas para a efetiva reinclusão do Brasil na relação de fornecedores autorizados.

Brasil aguarda conclusão do processo burocrático

Apesar da avaliação positiva, a retomada das vendas ainda depende da conclusão dos procedimentos administrativos da União Europeia.

O governo brasileiro avalia que a análise representa uma etapa importante para a recuperação do acesso ao mercado europeu, um dos destinos relevantes para os produtos agropecuários nacionais.

Desde a decisão tomada pela União Europeia em 12 de maio de 2026, o Brasil intensificou as negociações políticas e técnicas com representantes do bloco.

Nesse período, o país adotou medidas para atender aos requisitos exigidos pelas autoridades europeias e encaminhou documentos e informações referentes às cadeias produtivas destinadas à exportação.

Negociações envolvem outras cadeias agropecuárias

Embora a auditoria concluída nesta sexta-feira tenha concentrado atenção em carne de aves e mel, as tratativas entre Brasil e União Europeia também abrangem outros segmentos do agronegócio.

Entre as cadeias acompanhadas no processo estão pescados, carne bovina e ovos, além das próprias aves e do mel.

O objetivo do governo brasileiro é avançar no atendimento às exigências sanitárias europeias e ampliar novamente o acesso dos produtos nacionais ao mercado do bloco.

Avaliação reforça controle sanitário brasileiro

Para o Mapa, o resultado da auditoria demonstra a capacidade do país de manter padrões de segurança alimentar e qualidade sanitária.

O sistema oficial de defesa agropecuária é responsável pelo controle dos produtos destinados tanto ao mercado interno quanto aos compradores internacionais.

Atualmente, o Brasil exporta produtos agropecuários para mais de 150 países, o que torna a manutenção dos padrões sanitários uma questão estratégica para o comércio exterior.

Próximos passos para a retomada das exportações

Com a conclusão da auditoria, o Ministério da Agricultura continuará acompanhando as próximas etapas junto às autoridades europeias.

O governo também mantém contato com os setores produtivos envolvidos para monitorar o processo de reinclusão do Brasil na lista de países habilitados a exportar aves e mel para a União Europeia.

A expectativa é que, após o cumprimento das etapas burocráticas restantes, o país possa recuperar oficialmente o acesso ao mercado europeu para esses produtos.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Exportação

Exportações brasileiras de frutas em contêineres crescem 20,4% no primeiro semestre de 2026

As exportações brasileiras de frutas em contêineres avançaram 20,4% no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Datamar. Entre janeiro e junho, o país embarcou 36.552 TEUs de frutas, acima do volume registrado no mesmo período de 2025.

Em todo o ano passado, os embarques brasileiros de frutas em contêineres alcançaram 80.179 TEUs.

Além do transporte conteinerizado, o Brasil movimentou 48.846 toneladas de frutas em navios frigoríficos convencionais (reefers) no primeiro semestre deste ano.

Considerando os embarques realizados nos dois modais, o volume total exportado chegou a 498.915 toneladas entre janeiro e junho de 2026. O resultado representa crescimento de 29,2% em comparação com os primeiros seis meses de 2025.

Exportações de frutas podem ter novo recorde em 2026

Para Andrew Lorimer, CEO da Datamar, os números preliminares da companhia acompanham as estatísticas oficiais do Comex Stat e indicam um cenário positivo para o setor.

Segundo o executivo, o desempenho ganha relevância porque parte expressiva das exportações de algumas das principais frutas brasileiras ocorre tradicionalmente no segundo semestre.

A expectativa, portanto, é de que o ritmo registrado na primeira metade do ano contribua para que 2026 termine com um novo recorde nas exportações do segmento.

Melão, melancia e manga lideram embarques em contêineres

Entre as principais frutas exportadas por via conteinerizada, melões e melancias ocuparam a primeira posição no primeiro semestre, com 9.825 TEUs.

Na sequência apareceram as mangas, responsáveis por 9.399 TEUs, e os limões e limas, com 8.849 TEUs.

Juntos, os três grupos concentraram a maior parcela dos embarques de frutas brasileiras transportadas em contêineres no período.

Europa concentra maior parte das exportações brasileiras

Os dados da Datamar também revelam uma forte concentração dos destinos das exportações de frutas do Brasil.

Os Países Baixos foram responsáveis pelo recebimento de 20.321 TEUs no primeiro semestre, equivalente a 55,6% do total registrado pelo DataLiner.

A Espanha apareceu na segunda colocação, com 5.499 TEUs e participação de 15,1%. O Reino Unido completou o grupo dos principais destinos, com 5.218 TEUs, correspondentes a 14,3%.

Somados, os três países europeus concentraram aproximadamente 85% dos embarques brasileiros de frutas em contêineres nos primeiros seis meses de 2026.

Safras brasileiras ajudam a abastecer mercado europeu

A forte presença da Europa entre os destinos está relacionada, entre outros fatores, à complementaridade das safras entre o Brasil e os países europeus.

De acordo com Andrew Lorimer, o calendário de produção brasileiro permite ampliar a oferta de frutas em períodos nos quais a produção local europeia é menor.

O efeito é observado especialmente em produtos como melão, manga e uva. No caso do melão, por exemplo, a produção brasileira ganha espaço durante o inverno europeu, quando a oferta espanhola diminui.

Para o executivo, essa característica cria uma relação comercial complementar e, ao mesmo tempo, não impede que o Brasil avance na abertura e no desenvolvimento de novos mercados internacionais.

Navios frigoríficos também ganham espaço

O crescimento das exportações não está limitado ao transporte em contêineres. Segundo a Datamar, aproximadamente 10% das exportações marítimas de frutas realizadas no primeiro semestre foram embarcadas em navios reefer convencionais.

Esse tipo de transporte vem aumentando sua participação nos últimos anos e continua relevante para a logística internacional da fruticultura brasileira.

Para Lorimer, a expansão observada nos diferentes modais mostra que o avanço das exportações de frutas é mais abrangente do que os números referentes exclusivamente aos contêineres indicam.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Agronegócio

Veto da União Europeia ao agro brasileiro pode gerar impacto de US$ 2 bilhões nas exportações

A União Europeia (UE) começa a suspender nesta quinta-feira (3) a entrada de produtos de origem animal provenientes do Brasil. A decisão foi tomada diante da falta de comprovação considerada suficiente sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal.

A restrição atinge carne bovina, carne de frango, ovos, mel e pescados e pode provocar perdas próximas de US$ 2 bilhões em exportações ao longo de um ano.

Por que a União Europeia suspendeu as compras do Brasil?

A União Europeia mantém regras rígidas para o uso de antimicrobianos na produção de alimentos de origem animal. O bloco veta substâncias utilizadas como promotores de crescimento e também medicamentos que tenham aplicação no tratamento de infecções humanas.

A política busca reduzir a resistência antimicrobiana, considerada um dos principais desafios sanitários globais, além de diminuir o risco de surgimento das chamadas superbactérias.

A proibição da entrada de alimentos produzidos com o uso dessas substâncias foi definida pela UE em 2019 e regulamentada em 2023. O Brasil recebeu o alerta sobre as novas exigências há sete anos, mas não conseguiu implementar a tempo mecanismos capazes de demonstrar o cumprimento das normas europeias.

Brasil tentou evitar a interrupção das exportações

Nos últimos meses, o governo brasileiro intensificou as negociações técnicas e diplomáticas para tentar impedir a suspensão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participou diretamente das tratativas, mas as iniciativas não foram suficientes para alterar a decisão anunciada pelos europeus em maio.

Com a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer esses produtos ao bloco, a exportação de carne bovina para a Europa pode permanecer interrompida até 2028.

No caso do frango brasileiro, entretanto, existe a possibilidade de uma retomada ainda em 2026, dependendo do resultado das avaliações realizadas pelos técnicos europeus.

Protocolo para bovinos não evitou o bloqueio

Para tentar cumprir as exigências, o Brasil apresentou um protocolo privado destinado a certificar bovinos livres de antimicrobianos, posteriormente homologado pelo Ministério da Agricultura.

A proposta brasileira previa um período de transição, durante o qual as exportações continuariam enquanto os mecanismos de controle fossem ampliados. A União Europeia, porém, rejeitou o pedido.

Frigoríficos e produtores começaram a aderir ao protocolo, mas a medida não produz efeitos imediatos. Isso ocorre porque são necessários cerca de dois anos entre o nascimento e o abate dos animais.

Dessa forma, caso o mercado europeu permaneça fechado para a carne bovina brasileira até 2028, os frigoríficos podem acumular perdas de aproximadamente US$ 2 bilhões.

Fiscalização do frango passa por avaliação europeia

O governo brasileiro também colocou em funcionamento, em 1º de julho, um novo procedimento de fiscalização das cadeias produtivas. Na avicultura, foi acrescentada uma etapa adicional de controle.

Essas medidas estão sendo avaliadas por uma missão técnica da União Europeia, que está no Brasil desde a semana passada. A inspeção inclui o sistema de produção de frango e também visitas a empresas exportadoras de mel e produtos apícolas.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que a avaliação europeia ocorre de forma satisfatória. Segundo a entidade, o setor avícola brasileiro já atende integralmente aos requisitos estabelecidos pela UE.

Frango pode voltar ao mercado europeu ainda em 2026

A expectativa do setor é de que a missão técnica aprove os procedimentos adotados pelo Brasil e recomende a volta do país à lista de exportadores autorizados.

A decisão caberá ao Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia, que poderá analisar o caso em uma reunião prevista para novembro.

O impacto sobre a cadeia de frango também tende a ser menor porque os exportadores brasileiros aumentaram os embarques para a Europa nos últimos meses, antecipando uma possível suspensão.

Importadores europeus chegaram a reforçar seus estoques. Segundo uma fonte do setor, as reservas seriam suficientes para cobrir pelo menos o mês de setembro.

Além disso, a União Europeia deverá aceitar os produtos que foram certificados no Brasil até 2 de setembro. Por isso, a interrupção das compras não necessariamente terá efeito imediato sobre os embarques.

Entre janeiro e julho, o Brasil exportou quase 226,5 mil toneladas de frango para a Europa, volume 73,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Brasil pode recorrer à OMC e adotar retaliações

Com a entrada em vigor da medida, o governo brasileiro poderá avaliar ações de reciprocidade contra produtos europeus. Entre as possibilidades estão restrições a azeites e produtos lácteos da Europa.

O país também pode recorrer aos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) e do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

O ministro da Agricultura, André de Paula, classificou como “inadmissível” a exclusão do Brasil da lista de exportadores e mantém a expectativa de que o país consiga recuperar o acesso ao mercado europeu ainda neste ano.

Segundo declarações recentes do ministro, o impasse passou a depender principalmente de negociações diplomáticas e de uma ampla pactuação envolvendo diferentes setores do governo.

O presidente Lula também enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na tentativa de normalizar as exportações brasileiras de frango e mel.

Ovos e pescados terão impacto menor

Para os setores de ovos e pescados, os efeitos da suspensão tendem a ser mais limitados.

O mercado europeu foi reaberto aos ovos brasileiros apenas em abril. Desde então, foram exportadas somente 239 toneladas para o bloco, o que reduz o impacto econômico imediato da medida.

No caso dos pescados, as exportações já estavam suspensas desde 2018, devido à ausência de um sistema de controle sanitário adequado para as embarcações.

Além disso, o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Jairo Gund, afirmou que o setor “nunca utilizou” antimicrobianos.

Governo ainda não comenta oficialmente

Os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores foram procurados uma semana antes, mas não apresentaram resposta.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que o tema está sob responsabilidade do Ministério da Agricultura. O Palácio do Planalto também não se manifestou.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Sustentabilidade

Consulta pública sobre produtos sustentáveis no Acordo Mercosul-UE termina em 5 dias

Faltam cinco dias para o encerramento da consulta pública sobre produtos sustentáveis no Acordo Mercosul-UE. As contribuições podem ser enviadas até 2 de setembro de 2026, por meio da plataforma oficial Brasil Participativo.

A iniciativa é conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), e busca reunir sugestões para a criação de uma lista de produtos do Mercosul relacionados à conservação, recuperação e uso sustentável de florestas e outros ecossistemas vulneráveis.

Consulta busca identificar produtos da sociobiodiversidade

A participação de empresas, entidades do setor produtivo, universidades, organizações da sociedade civil e demais interessados é considerada importante para mapear produtos da sociobiodiversidade e cadeias produtivas brasileiras que estejam alinhados aos objetivos estabelecidos no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

A lista deverá contemplar produtos e atividades capazes de associar produção, comércio e sustentabilidade, valorizando cadeias que contribuam para a preservação ambiental e o uso responsável dos recursos naturais.

Produtos poderão ter benefícios no mercado europeu

Uma vez incluídos na lista, os produtos selecionados poderão ter acesso preferencial ou adicional ao mercado da União Europeia, além de outros mecanismos de incentivo destinados a estimular sua comercialização.

A consulta representa, portanto, uma oportunidade para que empresas e organizações indiquem produtos com potencial para ampliar sua presença no mercado europeu a partir de critérios relacionados à sustentabilidade.

Oportunidade para empresas e cadeias produtivas

A participação na consulta pública pode contribuir para diferentes objetivos do setor produtivo:

  • Ampliação do acesso ao mercado europeu: empresas e representantes de cadeias produtivas podem indicar produtos com potencial para integrar a lista prevista no acordo e obter possíveis vantagens comerciais.
  • Valorização da produção sustentável: as sugestões ajudam a identificar produtos da sociobiodiversidade e cadeias produtivas que conciliem atividade econômica e preservação ambiental.
  • Participação na implementação do acordo: as contribuições ajudam a construir a relação de produtos prevista no Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia.

Como enviar a contribuição

As manifestações podem ser encaminhadas até 2 de setembro de 2026 pela plataforma oficial Brasil Participativo.

A consulta é aberta ao setor produtivo, academia, sociedade civil e demais interessados em contribuir para a identificação de produtos sustentáveis com potencial de ampliar as oportunidades comerciais entre o Mercosul e a União Europeia.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/SEBRAE

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Exportação

Acordo Mercosul-União Europeia pode impulsionar exportações de Santa Catarina no Sul do Brasil

A entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia poderá abrir novas oportunidades para empresas brasileiras no comércio internacional, especialmente nos estados da Região Sul. Um estudo desenvolvido pela ApexBrasil, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aponta que Santa Catarina é o estado sulista com maior potencial de expansão das exportações para o bloco europeu.

A parceria comercial envolve um mercado estimado em US$ 24,2 trilhões e prevê a redução de barreiras tarifárias, criando novas possibilidades para setores industriais e do agronegócio brasileiro.

O levantamento analisou produtos com potencial de entrada no mercado europeu a partir dos códigos tarifários internacionais e identificou oportunidades de diversificação da pauta exportadora nacional. Atualmente, mais de 8 mil empresas brasileiras já vendem para a União Europeia, com liderança de São Paulo, seguido por Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Indústria de transformação lidera perfil exportador do Sul

O estudo destaca que a Região Sul possui uma estrutura produtiva integrada entre indústria, tecnologia e agroindústria. Nos três estados, a indústria de transformação representa entre 73% e 91% das exportações, reforçando o potencial de produtos com maior valor agregado.

Entre os principais segmentos beneficiados pelo acordo estão máquinas e equipamentos, automotivo, madeira processada, alimentos, proteínas animais e produtos manufaturados.

Paraná tem potencial em setores industriais e agroindustriais

O Paraná apresenta uma balança comercial historicamente positiva e registra crescimento médio anual de 4,4% nas exportações.

A indústria de transformação responde por 73,4% das vendas externas do estado, enquanto o agronegócio representa 25,6%. Entre os principais produtos exportados em 2025 estão soja, carne de aves, farelo de soja, açúcar e milho.

O estudo identificou 76 códigos tarifários com oportunidades para o mercado europeu, sendo 45 ligados à indústria e 31 ao setor agrícola.

Atualmente, 744 empresas paranaenses exportam para a União Europeia. Entre os setores com maior possibilidade de crescimento estão a cadeia automotiva, a indústria madeireira, máquinas, equipamentos industriais, válvulas, bombas e produtos derivados da soja e do milho.

Rio Grande do Sul combina commodities e produtos de maior valor agregado

O Rio Grande do Sul mantém uma economia exportadora diversificada, reunindo produtos agrícolas e itens industriais mais complexos.

A indústria de transformação representa 76,7% das exportações gaúchas. Em 2025, os principais produtos vendidos ao exterior foram soja, tabaco, farelo de soja, carne de aves, celulose e carne suína.

A análise da ApexBrasil e do MDIC apontou 74 produtos com potencial de crescimento no mercado europeu, sendo 47 industriais e 27 ligados ao agronegócio.

Entre as oportunidades estão autopeças, polímeros de etileno, derivados de petróleo, calçados de couro e sintéticos, além da ampliação das vendas de carnes e produtos processados.

Santa Catarina concentra maior número de oportunidades no estudo

Apesar de apresentar déficit comercial desde 2009, Santa Catarina possui uma das bases industriais mais fortes do país. A indústria de transformação representa 91,4% da pauta exportadora estadual.

Em 2025, os principais produtos enviados ao exterior foram carne de aves, carne suína, geradores elétricos, soja e madeira.

O estado foi o que apresentou o maior número de oportunidades identificadas pelo estudo para a União Europeia entre os três estados do Sul: são 167 produtos com potencial de expansão, sendo 128 industriais e 39 do agronegócio.

Santa Catarina já conta com 761 empresas exportadoras para o bloco europeu. Entre os segmentos considerados estratégicos estão bens de capital, motores elétricos, componentes automotivos, bombas, compensados de madeira, produtos plásticos e a cadeia consolidada de proteínas animais.

Acordo pode transformar cenário econômico regional

A expectativa é que o acordo comercial Mercosul-UE contribua para ampliar a presença das empresas brasileiras no mercado europeu e estimular setores estratégicos da economia sulista.

Para o economista e geógrafo Roberto Uebel, o Paraná tende a ser um dos principais beneficiados pela parceria, principalmente em áreas como agroindústria e setor automotivo. Segundo ele, além do impacto nas exportações, o acordo também pode favorecer consumidores brasileiros com maior acesso a produtos europeus.

FONTE: Amanhã
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Amanhã

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Informação

Aprendendo a Exportar lança módulo sobre União Europeia para orientar empresas brasileiras

Empresas interessadas em ampliar sua presença no mercado internacional passam a contar com um novo conteúdo na plataforma Aprendendo a Exportar. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) lançou um módulo dedicado à União Europeia, reunindo informações práticas para quem pretende exportar ao bloco econômico.

Desenvolvido pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o material foi criado para esclarecer as oportunidades geradas pelo Acordo Mercosul-União Europeia e orientar empresários sobre os principais procedimentos necessários para acessar um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Conteúdo atende empresas de todos os portes

O novo módulo foi estruturado para apoiar negócios de diferentes segmentos e tamanhos, com atenção especial às micro, pequenas e médias empresas. O objetivo é facilitar a compreensão das exigências do mercado europeu e contribuir para que mais empresas brasileiras ingressem no comércio exterior.

De acordo com a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, o acesso a informações confiáveis é um dos fatores essenciais para ampliar a participação das empresas brasileiras nas exportações.

Ela destaca que atuar no mercado internacional exige planejamento e conhecimento sobre normas, procedimentos e exigências específicas de cada destino. Segundo a secretária, a plataforma concentra essas informações de forma acessível e agora passa a oferecer um conteúdo voltado exclusivamente ao acordo entre Mercosul e União Europeia.

Plataforma reúne orientações práticas para exportadores

O material foi elaborado em linguagem simples e objetiva, voltada a empresários, empreendedores e profissionais da área de comércio internacional. Entre os temas abordados estão acesso ao mercado, regras de origem, adequação de produtos às normas europeias, requisitos técnicos e sanitários, compras governamentais, propriedade intelectual, indicações geográficas, sustentabilidade e mecanismos de apoio às exportações.

Além disso, o módulo disponibiliza referências para estudos, ferramentas oficiais e bases de dados brasileiras e europeias, auxiliando as empresas na identificação de novas oportunidades de negócios.

Plataforma soma quase 20 anos de atuação

Com a novidade, o MDIC amplia o conteúdo da plataforma Aprendendo a Exportar, iniciativa que integra a Política Nacional de Cultura Exportadora (PNCE) e tem como foco incentivar a participação de empresas brasileiras no mercado internacional.

Criada há quase duas décadas, a plataforma já ultrapassou a marca de 10 milhões de acessos e se consolidou como uma referência para empreendedores que desejam iniciar ou expandir suas atividades de exportação. Todo o conteúdo é gratuito e pode ser consultado sem necessidade de cadastro ou login.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Suno Research

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-União Europeia abre uma nova porta para as exportações, mas quem está preparado para atravessá-la?

Evento Conexões Produtivas apresenta oportunidades para Santa Catarina e reforça que preparação será decisiva para transformar o acordo em negócios

Foram 26 anos de negociações até que o acordo entre Mercosul e União Europeia chegasse ao ponto de abrir uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Agora, com um mercado de aproximadamente 450 milhões de consumidores ao alcance das empresas brasileiras, uma nova etapa começa. Com a aplicação provisória do tratado de livre comércio em vigor desde dia 1º de maio de 2026, a grande questão passou a ser: quem está preparado para aproveitar essa oportunidade?

Essa reflexão deu o tom do painel “Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia”, apresentado durante o Conexões Produtivas, realizado nesta terça-feira (30), no Porto de Itajaí. O evento reuniu representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Sebrae e lideranças do setor produtivo para discutir como transformar o acordo em aumento real das exportações brasileiras. Segundo os especialistas, o maior o desafio a partir de agora está na capacidade, e no interesse, das empresas em atender às exigências técnicas, comerciais e estratégicas impostas pelo novo cenário.

Gustavo Ribeiro – gerente de inteligência de mercado ApexBrasil apresentou dados Painel de Oportunidades para Santa Catarina. (Foto: Daiana Brocardo / ReConecta News)

Santa Catarina tem mais de 800 oportunidades identificadas

Durante o encontro, a ApexBrasil apresentou o Painel de Oportunidades para Santa Catarina, um estudo que identificou 805 oportunidades de exportação para empresas catarinenses. Segundo Gustavo Ribeiro – gerente de inteligência de mercado ApexBrasil,desse total, cerca de 600 oportunidades estão concentradas na indústria, enquanto aproximadamente 150 pertencem ao agronegócio, abrangendo segmentos em que o estado já possui alta competitividade, como máquinas e equipamentos, metalmecânico, móveis, papel e celulose, têxtil, alimentos e fruticultura.

Os números mostram que existe um potencial muito maior e que vai além. Em 2025, Santa Catarina exportou US$ 12,197 bilhões, sendo US$ 1,356 bilhão destinados à União Europeia, desempenho que ainda está abaixo da média nacional de participação desse mercado, indicando espaço significativo para crescimento.

Mais do que redução de tarifas

Grande parte das discussões sobre o acordo está ficado na redução de impostos de importação europeus. Mas os especialistas presentes no evento destacaram que o impacto vai muito além das tarifas. Dos aproximadamente 9.300 produtos contemplados pelo acordo, mais da metade das linhas tarifárias da União Europeia já passam a contar com tarifa zero ou reduzida desde a entrada em vigor provisória do tratado. Outros 25% terão redução gradual entre quatro e sete anos.

Para Gustavo Ribeiro, gerente de inteligência de mercado da ApexBrasil, isso muda a lógica das decisões empresariais. Segundo ele, as empresas passam a reavaliar fatores como localização de fábricas, cadeias produtivas e estratégias de investimento, uma vez que o acesso facilitado ao mercado europeu passa a integrar o cálculo de competitividade das organizações. O Brasil reúne vantagens como estabilidade econômica, inflação controlada e baixo desemprego, fatores que também influenciam esse movimento.

Painel trouxe a experiência de empresas catarinenses nas exportações para a União Europeia.
(Foto: Giovana Santos / ReConecta News)

Preparação será o diferencial

Se o acesso ao mercado europeu ficou mais perto, o mesmo não acontece com as exigências para competir nele. O acordo estabelece regras de origem mais rigorosas, prevê mecanismos de autocertificação, amplia a proteção das indicações geográficas, facilita habilitações sanitárias e cria oportunidades em compras governamentais, serviços e investimentos. Também reforça requisitos relacionados à rastreabilidade, sustentabilidade e conformidade regulatória. Além disso, cada um dos 27 países do bloco europeu tem particularidades regulatórias, tributárias, comerciais e culturais.

Na prática, isso significa que apenas empresas preparadas para atender aos padrões internacionais conseguirão aproveitar os benefícios do tratado. Segundo a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, a própria Secretaria já disponibilizou manuais técnicos para orientar empresários sobre regras de origem, desgravação tarifária e indicações geográficas, demonstrando que conhecimento passa a ser tão importante quanto capacidade produtiva.

Secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, falou sobre as oportunidades e preparação para esse novo momento. (Foto: Daiana Brocardo / ReConecta News)

PEIEX – Programa de Qualificação para Exportação

Uma das iniciativas para ajudar as empresas a aproveitarem essas oportunidades, é o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), oferecido pela ApexBrasil junto com o Sebrae. A iniciativa prepara empresas que desejam começar a exportar ou ampliar sua atuação no mercado internacional. Por meio de consultorias e orientações gratuitas, o programa ajuda empresários a organizar processos, conhecer melhor o mercado externo e se preparar para atender às exigências de compradores de outros países.

Para participar, a empresa deve procurar a unidade do PEIEX responsável por sua região e realizar a inscrição quando houver vagas abertas. O atendimento é gratuito e voltado, principalmente, para micro, pequenas e médias empresas com potencial para exportar.

Conectar empresas para gerar negócios

O diretor de Gestão Corporativa da ApexBrasil, Floriano Pesaro, afirmou que o objetivo do Conexões Produtivas é justamente aproximar empresários dos instrumentos capazes de transformar oportunidades em exportações efetivas. Segundo ele, o acordo abre um novo mercado, reduz barreiras tarifárias e cria condições para ampliar a competitividade da indústria brasileira no exterior. “Nós vamos conectando pessoas, agentes públicos, não governamentais e grandes, pequenos e médios empresários para que possamos todos juntos aproveitar essa janela imensa que se abre com o acordo.”

Pesaro também destacou que Santa Catarina foi escolhida para sediar a segunda edição nacional do evento pela relevância de sua indústria de transformação e pela importância estratégica do complexo portuário de Itajaí para a logística brasileira.

A porta está aberta: próximo passo depende das empresas.

Depois de mais de duas décadas de negociações, o acordo Mercosul-União Europeia deixa de ser apenas uma conquista diplomática para se tornar um desafio empresarial. As barreiras tarifárias começam a cair. Novos mercados passam a ficar mais acessíveis. Instituições públicas oferecem ferramentas, estudos e apoio técnico.

Mas nenhuma dessas iniciativas substitui aquilo que será decisivo nos próximos anos: investimento em inovação, adequação às normas internacionais, inteligência comercial e planejamento estratégico.

A porta para a Europa está aberta.

Agora, a resposta para o questionamento trazido durante o Conexões Produtivas dependerá de cada empresa brasileira: quem, de fato, está preparado para atravessá-la?

TEXTO: ReConecta News

IMAGEM DE CAPA: Porto de Itajaí

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Agronegócio

Soja, aço e carne bovina enfrentam novas barreiras da União Europeia após acordo com Mercosul

A entrada em vigor provisória do acordo UE-Mercosul abriu perspectivas de ampliação do comércio entre os dois blocos, mas uma sequência de medidas adotadas pela União Europeia tem gerado preocupação entre exportadores brasileiros. Em poucos meses, setores estratégicos para a balança comercial do Brasil — como soja, carne bovina e aço — passaram a enfrentar novos obstáculos no mercado europeu.

Embora cada iniciativa tenha sido justificada por razões distintas, envolvendo questões ambientais, sanitárias e industriais, o conjunto das ações chamou a atenção de autoridades e representantes do setor produtivo por ocorrer justamente após a implementação do acordo comercial.

Acordo histórico convive com pressões internas na Europa

A aprovação do tratado entre Mercosul e União Europeia foi resultado de mais de duas décadas de negociações. O pacto criou expectativas de maior integração econômica entre regiões que somam mais de 700 milhões de consumidores.

Entretanto, a conclusão do acordo ocorreu em meio à forte pressão de agricultores europeus, que promoveram protestos em diversos países do bloco alegando concorrência desleal de produtos sul-americanos.

Para reduzir a resistência interna, a Comissão Europeia adotou medidas de apoio ao setor agrícola e reforçou mecanismos de proteção para evitar impactos sobre os produtores locais.

Enquanto os países europeus defendem a necessidade de garantir padrões ambientais e sanitários equivalentes, representantes do Mercosul argumentam que a competitividade da produção sul-americana decorre principalmente da eficiência produtiva e não de regras menos rigorosas.

Soja brasileira entra na mira de novas regras ambientais

O caso mais sensível para o Brasil envolve a cadeia da soja, um dos principais produtos exportados pelo país.

Em abril, a Comissão Europeia classificou o óleo de soja como matéria-prima de alto risco de mudança indireta no uso da terra, conceito conhecido pela sigla iLUC. O critério avalia se a expansão de determinada cultura agrícola pode contribuir indiretamente para o avanço do desmatamento.

Com a nova classificação, o óleo de soja poderá perder espaço nas metas europeias para combustíveis renováveis a partir de 2030, reduzindo a demanda pelo produto dentro do bloco.

Especialistas do setor alertam que os impactos podem ir além do óleo vegetal, afetando toda a cadeia produtiva da soja destinada ao mercado europeu.

Indústria contesta metodologia utilizada pela UE

Representantes da indústria brasileira questionam os critérios adotados pela União Europeia para enquadrar a soja na categoria de alto risco ambiental.

A principal crítica está relacionada à metodologia utilizada para calcular o impacto da expansão agrícola sobre áreas de floresta. Segundo o setor, a fórmula aplicada pode superestimar os efeitos da produção e gerar conclusões distorcidas sobre a sustentabilidade da cultura.

A controvérsia lembra discussões anteriores envolvendo o óleo de palma, cuja classificação ambiental provocou forte redução das importações europeias ao longo dos últimos anos.

Dependência europeia da soja mantém debate aberto

Apesar das novas restrições, o mercado europeu continua sendo um importante comprador de soja.

A União Europeia está entre os maiores importadores globais do produto, utilizando o farelo derivado da oleaginosa principalmente para alimentação animal. Alternativas como canola e girassol apresentam limitações de oferta e menor rendimento proteico, o que torna a substituição um desafio para o bloco.

Por isso, representantes do agronegócio brasileiro avaliam que a adoção de medidas mais restritivas pode gerar impactos não apenas para exportadores, mas também para cadeias produtivas europeias dependentes da matéria-prima.

Carne bovina e aço também enfrentam obstáculos

Além da soja, outros dois segmentos estratégicos passaram a enfrentar dificuldades recentes no mercado europeu.

No setor de carne bovina, restrições sanitárias impostas pela União Europeia levantaram preocupações sobre o acesso dos produtos brasileiros ao bloco. As medidas foram justificadas por exigências relacionadas à segurança alimentar e ao controle de substâncias utilizadas na produção pecuária.

Já no caso do aço, a Comissão Europeia discute mecanismos para reduzir a entrada de produtos siderúrgicos estrangeiros, alegando excesso de oferta global e necessidade de proteção da indústria local.

A proposta inclui alterações em cotas e tarifas que podem afetar diretamente exportadores brasileiros.

Exportadores temem aumento de barreiras comerciais

A sucessão de medidas reforçou o debate sobre o equilíbrio entre abertura comercial e proteção de mercados internos.

Para representantes do setor produtivo, existe preocupação de que exigências ambientais, sanitárias e regulatórias sejam utilizadas como instrumentos para restringir a entrada de produtos competitivos no mercado europeu.

O cenário aumenta a atenção do Brasil às futuras regulamentações da União Europeia, especialmente em áreas ligadas à sustentabilidade, agricultura e comércio exterior.

Mesmo com o acordo em vigor, exportadores defendem que a efetividade dos benefícios negociados dependerá da manutenção de condições reais de acesso ao mercado europeu para produtos estratégicos do Mercosul.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Comércio Internacional

Acordos de livre comércio do Mercosul com Singapura e EFTA ampliam oportunidades para exportações brasileiras

O Senado Federal aprovou, em caráter de urgência, dois importantes acordos de livre comércio do Mercosul, ampliando o acesso de empresas brasileiras a mercados de alto poder aquisitivo na Ásia e na Europa. As medidas envolvem uma parceria com Singapura e outra com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Os projetos já haviam recebido aval da Câmara dos Deputados e agora seguem para promulgação pelo Congresso Nacional, consolidando um novo passo na estratégia de expansão internacional do bloco sul-americano.

Singapura se torna ponte para novos negócios na Ásia-Pacífico

O acordo firmado entre o Mercosul e Singapura marca a primeira grande parceria comercial do bloco com um país da região Ásia-Pacífico, considerada uma das mais dinâmicas da economia global.

Pelas regras aprovadas, Singapura eliminará imediatamente as tarifas de importação para todos os produtos exportados pelos países do Mercosul. Em contrapartida, o bloco promoverá uma abertura gradual de seu mercado, removendo tarifas sobre a maior parte dos produtos singapurianos ao longo de até 15 anos.

Alguns setores considerados estratégicos para a indústria regional, como máquinas, equipamentos elétricos, plásticos e instrumentos ópticos, permanecerão protegidos, preservando a competitividade das empresas locais.

A expectativa é que o tratado fortaleça a inserção do Brasil em cadeias globais de valor, além de ampliar o acesso a um dos principais centros internacionais de inovação, tecnologia e logística.

Acordo com a EFTA amplia acesso a mercados europeus

Além da parceria asiática, o Mercosul avançou nas negociações com a EFTA, bloco europeu composto por países que não integram a União Europeia, mas possuem elevados níveis de renda e forte participação no comércio internacional.

O tratado abrange não apenas o intercâmbio de mercadorias, mas também áreas como serviços, investimentos, compras governamentais, propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável.

Com a entrada em vigor do acordo, os países da EFTA eliminarão imediatamente as tarifas de importação para produtos industriais e pesqueiros brasileiros. Considerando os setores agrícola e industrial, o acesso em condições de livre comércio abrangerá praticamente a totalidade do valor exportado pelo Brasil para esses mercados.

Agronegócio brasileiro conquista novas cotas de exportação

O acordo também cria oportunidades relevantes para o agronegócio brasileiro, com a concessão de cotas preferenciais por parte da Suíça, Noruega e Liechtenstein.

Entre os produtos beneficiados estão carne bovina, carne de aves, milho, farinha de milho, mel e óleos vegetais, segmentos que poderão ampliar sua presença em mercados reconhecidos pelo alto valor agregado e exigência de qualidade.

Em contrapartida, o Brasil concederá isenção tarifária para a maior parte das importações oriundas da EFTA, mantendo mecanismos de proteção para setores considerados sensíveis, como alguns produtos lácteos e chocolates europeus.

Empresas brasileiras terão mais oportunidades de internacionalização

A aprovação simultânea dos dois acordos abre novas perspectivas para empresas de diferentes portes, incluindo cooperativas, pequenas indústrias e produtores rurais que buscam ampliar sua atuação internacional.

Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), os tratados oferecem maior previsibilidade comercial, redução de custos e melhores condições de acesso a mercados estratégicos.

ApexBrasil prepara ações para orientar exportadores

Com a promulgação dos acordos prevista para os próximos meses, a ApexBrasil pretende reforçar programas de inteligência de mercado, capacitação e orientação técnica para empresas interessadas em aproveitar as novas oportunidades.

As ações incluirão informações sobre regras de origem, exigências regulatórias, padrões técnicos e identificação de oportunidades comerciais nos mercados europeu e asiático, facilitando a adaptação dos exportadores brasileiros ao novo cenário internacional.

FONTE: apexBrasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/apexBrasil

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