Agricultura

Vendas de soja em Mato Grosso avançam, mas produtores mantêm cautela mesmo com alta nos preços

O mercado de soja em Mato Grosso apresentou leve recuperação de preços em fevereiro de 2026, mas a comercialização da safra ainda ocorre de forma cautelosa entre os produtores. No período, a saca de 60 quilos da soja foi negociada, em média, a R$ 107,19, valor 2,95% superior ao registrado em janeiro.

Apesar da melhora nos valores, os produtores seguem prudentes ao fechar novos negócios, já que os preços da soja ainda estão abaixo das expectativas do setor, segundo análise do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Comercialização da safra 2025/26 avança

No segundo mês do ano, as vendas da safra 2025/26 alcançaram 56,58% da produção prevista em Mato Grosso. O índice representa um crescimento de 7,09 pontos percentuais em relação a janeiro.

Em comparação com o mesmo período da safra anterior (2024/25), o avanço também é positivo, ficando 1,61 ponto percentual acima do registrado naquele ciclo.

Mato Grosso, maior produtor nacional do grão, cultivou cerca de 13 milhões de hectares de soja nesta temporada. A estimativa de produção chega a 51,412 milhões de toneladas, conforme projeções do Imea.

O progresso da colheita da soja também avança no estado. Até 6 de março, aproximadamente 89,15% da área plantada já havia sido colhida, de acordo com levantamento divulgado pelo Canal Rural Mato Grosso.

Produtores aguardam melhores preços

Mesmo com a recente valorização, o ritmo de vendas segue moderado. O Imea aponta que muitos agricultores preferem aguardar novas oportunidades de mercado antes de negociar volumes maiores da produção.

A expectativa do setor é que uma melhor remuneração da soja possa surgir nos próximos meses, incentivando novos contratos.

Comercialização da safra 2026/27 também segue lenta

O comportamento cauteloso se repete nas negociações da safra futura de soja 2026/27. Até o momento, a comercialização antecipada atingiu 3,96% da produção estimada, avanço de 2,50 pontos percentuais em relação a janeiro.

Mesmo com esse progresso, o ritmo ainda está 0,97 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ciclo 2025/26. Em comparação com a média das últimas cinco safras, a diferença é ainda maior, chegando a 6,58 pontos percentuais.

Preço da soja futura apresenta alta

No caso da soja da safra 2026/27, o preço médio da saca de 60 quilos foi de R$ 107,48, representando alta de 5,03% em relação ao mês anterior.

Segundo o Imea, o atraso nas vendas tem levado parte dos produtores a adiar negociações, apostando em uma possível valorização do mercado.

O instituto, no entanto, alerta que os agricultores devem considerar também os custos de armazenagem e manutenção da produção, conhecidos como custo de carrego, ao decidir postergar a comercialização.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Ler Mais
Comércio Exterior

Aproximação entre EUA e China acende alerta no mercado da soja brasileira

A reaproximação entre Estados Unidos e China nas negociações comerciais reacende a preocupação entre produtores e exportadores de soja no Brasil. Caso um acordo tarifário seja firmado, o país pode enfrentar queda nas exportações e recuo nos preços internos do grão, que ainda está no início do plantio da nova safra.

Desde o início da guerra comercial, em fevereiro deste ano, a soja brasileira vinha se beneficiando da perda de espaço do produto americano no mercado chinês. Em setembro, a China não importou um único grão de soja dos EUA, algo que não acontecia desde novembro de 2018, segundo autoridades alfandegárias chinesas. No mesmo período, as compras de soja brasileira somaram 10,96 milhões de toneladas, um aumento de 30% em relação a setembro de 2024, representando 85% do total das importações chinesas.

Encontro entre Trump e Xi Jinping pode mudar cenário

O presidente americano Donald Trump anunciou que se reunirá com o líder chinês Xi Jinping durante a Cúpula da APEC, em novembro, e a soja será um dos principais temas da pauta. Embora as tensões entre os dois países ainda sejam evidentes, analistas acreditam que há uma tentativa concreta de aproximação diplomática.

Segundo Ronaldo Fernandes, analista da Royal Rural, as recentes declarações públicas de ambos os governos indicam que um acordo comercial está sendo costurado.

“Toda vez que as tensões aumentam, os países criam um problema para depois inventar uma solução. A China pode negociar o acesso às suas terras raras em troca da compra de soja americana — e tem poder de barganha para isso, já que mostrou que pode ficar sem importar dos EUA por um bom tempo”, afirma.

Impactos diretos sobre a soja brasileira

Caso o acordo se concretize, o Brasil pode ser o principal prejudicado. De janeiro a setembro de 2025, a China respondeu por 77% das exportações brasileiras de soja, com alta de 4,83% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Fernandes explica que o preço da soja seria pressionado por diversos fatores.

“O dólar cairia, os preços na bolsa de Chicago subiriam e o prêmio nos portos brasileiros despencaria, podendo ficar negativo nos contratos de fevereiro e março de 2026. Ou seja, a soja brasileira apanharia de todos os lados”, avalia.

Com esse cenário, os analistas estimam uma queda acentuada nos preços internos. De acordo com Luiz Pacheco, da T&F Consultoria Agroeconômica, a saca de soja no interior do Paraná, atualmente cotada a R$ 131, poderia cair para R$ 100. O prêmio de exportação, que hoje está em 167 pontos positivos no porto de Paranaguá (PR), teria redução de 82%.

Brasil segue como pêndulo entre China e EUA

“Hoje, o Brasil é o pêndulo do comércio global de soja”, resume Pacheco. Ele lembra que, caso a produção nacional atinja as 176 milhões de toneladas estimadas pela Conab para a safra 2025/26, a China poderá manter a estratégia de não comprar soja americana por mais um ano. Porém, qualquer problema climático pode inverter esse quadro e devolver o poder de negociação aos Estados Unidos.

China desacelera compras à espera de acordo

Após um primeiro semestre de forte demanda, os chineses reduziram o ritmo de importações da soja brasileira.

“Neste mês, a China comprou apenas um navio de soja do Brasil para embarque em novembro. A demanda segue fraca, mesmo com a necessidade de importar 9 milhões de toneladas entre dezembro e janeiro”, explica Pacheco.

A justificativa chinesa seria o alto custo da soja brasileira, mas, segundo Fernandes, isso serve como pretexto estratégico para diversificar fornecedores.

“Na primeira guerra comercial, o prêmio da soja brasileira chegou a 300 pontos, e hoje está abaixo de 200. A China usou esse argumento para buscar soja no Canadá e na Argentina”, relembra.

Com estoques elevados, o país asiático pode evitar novas compras até fevereiro — ou até que haja um desfecho nas negociações com os EUA.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook