Internacional

MSC declara fim de viagem para cargas destinadas ao Golfo Árabe devido à situação no Oriente Médio

A MSC anunciou que, diante da instabilidade atual no Oriente Médio, será necessário declarar Fim de Viagem para todas as cargas sob sua responsabilidade, tanto em portos quanto em alto-mar, com destino a portos no Golfo Árabe.

Medida também afeta contêineres vazios

A determinação inclui todos os contêineres vazios que já foram liberados para carregamento e tinham como destino a região.

Redirecionamento e custos adicionais

As cargas em trânsito serão desviadas para o próximo porto seguro disponível. Nesse local, a mercadoria será descarregada e ficará à disposição dos clientes para retirada ou entrega local.

Um sobretaxa obrigatória de US$ 800 por contêiner será aplicada a todas as remessas afetadas, para cobrir custos do desvio. Além disso, todas as despesas relacionadas ao descarregamento — incluindo manuseio, armazenamento e taxas adicionais — serão de responsabilidade exclusiva do cliente, conforme os termos do MSC Sea Waybill / Bill of Lading, especialmente a Cláusula 13 sobre circunstâncias especiais.

Alternativas de transporte

Caso o cliente deseje enviar a carga para outro destino, será necessário reservar uma nova viagem através dos canais oficiais da MSC.

Contato e orientações

A empresa solicita que os clientes entrem em contato com o escritório local da MSC para obter detalhes sobre o porto de destino designado e confirmar as instruções de retirada local da carga.

A MSC reforça que a decisão foi tomada em função de circunstâncias excepcionais fora de seu controle e agradece a compreensão e cooperação de seus clientes neste período.

Para mais informações ou suporte, os clientes podem contatar qualquer representante da MSC na sua rede global de mais de 675 escritórios.

FONTE: MSC
TEXTO: Redação
IMAGEM: O Globo

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Portos

JBS Terminais investe R$ 220 milhões e consolida Porto de Itajaí como hub logístico no Sul

Com um investimento de R$ 220 milhões, a JBS Terminais promoveu uma virada operacional no Porto de Itajaí, em Santa Catarina, reposicionando o terminal como um dos principais hubs logísticos do Sul do Brasil. Desde que assumiu a gestão da área arrendada, em outubro de 2024, a companhia acelerou ganhos de eficiência e devolveu protagonismo ao complexo portuário.

Movimentação de contêineres supera níveis pré-paralisação

O primeiro ano completo sob a nova administração, em 2025, marcou a retomada consistente das operações. O terminal movimentou quase 390 mil TEUs, volume 11% superior ao registrado em 2022, antes da paralisação das atividades. Considerando os primeiros 15 meses de gestão, a movimentação já ultrapassa 430 mil TEUs, com atendimento a cerca de três mil clientes de diferentes segmentos.

Investimentos em tecnologia e infraestrutura ampliam competitividade

Para sustentar o crescimento e reforçar a conectividade internacional, a JBS Terminais direcionou os recursos para modernização tecnológica e expansão da infraestrutura. Entre os destaques estão dois guindastes móveis MHC Konecranes Gottwald ESP.9, com capacidade de até 125 toneladas e alcance para 20 fileiras de contêineres.

O terminal também ampliou sua atuação em cargas refrigeradas, com a instalação de 1.708 tomadas para reefers, além da implantação de oito gates reversíveis, medida que otimiza o fluxo de caminhões e melhora a logística terrestre.

Estratégia busca recuperar protagonismo regional

Segundo o presidente da JBS Terminais, Aristides Russi Junior, o plano de investimentos foi estruturado para recolocar o Porto de Itajaí no centro da logística regional. Para o executivo, a retomada de volumes acima dos patamares anteriores à paralisação confirma a consistência da estratégia adotada desde o início da gestão e a robustez do ativo portuário.

Infraestrutura robusta garante conexões globais

Atualmente, o terminal conta com 180 mil metros quadrados de área operacional, 1.030 metros de cais e quatro berços com profundidade de 14 metros. Essa estrutura viabiliza a operação de 10 linhas regulares de navegação e sete escalas semanais, conectando Santa Catarina a mercados da Ásia, Europa, Américas, Oriente Médio e África.

Ao longo de 2025, o terminal recebeu 384 embarcações e ampliou o portfólio de serviços, com destaque para o serviço LUX, que conecta o Brasil ao Norte da Europa com escalas semanais em Itajaí.

Perfil das cargas reflete a força econômica catarinense

A diversidade das cargas movimentadas acompanha o perfil produtivo de Santa Catarina. As exportações de carnes lideram a pauta, seguidas por madeira, enquanto plásticos, alimentos para animais e máquinas de alto valor agregado se destacam nas operações de importação e exportação. Para a empresa, o terminal é um facilitador do desenvolvimento econômico regional, ao garantir previsibilidade e agilidade logística às indústrias locais.

Geração de empregos e impacto social

Além dos resultados operacionais, a atuação da JBS Terminais também gera impacto social relevante. Atualmente, a operação mantém 345 colaboradores diretos e mobiliza cerca de 600 Trabalhadores Portuários Avulsos diariamente, consolidando o Porto de Itajaí como um importante polo de emprego e renda. A companhia afirma que a gestão busca se tornar referência em excelência portuária, combinando conectividade global e desenvolvimento local sustentável.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/JP

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Logística

CMA CGM define novas tarifas FAK do subcontinente indiano para a América Latina

A CMA CGM anunciou a adoção de novas tarifas FAK (Freight All Kinds) para embarques com origem no subcontinente indiano e destino à América Latina. Os novos valores passam a valer a partir de 15 de fevereiro de 2026, conforme comunicado da companhia marítima.

As tarifas contemplam o frete marítimo básico e os adicionais relacionados ao combustível, mas não incluem cobranças extras, como taxas de manuseio em terminal (THC), sobretaxa de alta temporada e encargos de segurança, que poderão ser aplicados conforme o caso.

Tarifas variam conforme destino e tipo de contêiner

Entre os principais portos atendidos, a CMA CGM estabeleceu tarifas de US$ 2.900 para contêineres de 20 e 40 pés com destino a Caucedo. Já para Buenaventura, San Antonio, Callao e Guayaquil, os valores variam entre US$ 2.200 e US$ 2.400, de acordo com o tamanho do equipamento.

No caso de Kingston, as tarifas FAK foram fixadas em US$ 3.000 para contêineres de 20 pés e US$ 3.300 para os de 40 pés.

Portos do Caribe e Panamá têm ampla variação de preços

Para destinos como Manzanillo (Panamá), Cartagena, La Guaira e Puerto Cabello, os valores anunciados pela companhia variam entre US$ 2.400 e US$ 4.500, dependendo do tipo e da dimensão do contêiner utilizado no transporte.

Carga seca e perigosa estão incluídas

As novas tarifas FAK da CMA CGM se aplicam tanto a cargas secas quanto a cargas perigosas, com destino à América Central e à costa oeste da América do Sul. A empresa reforçou que outros encargos locais podem ser adicionados e que a relação completa de sobretaxas está disponível em seu portal oficial de tarifas.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Informação

O que significam os códigos e siglas nos contêineres?

Os códigos e siglas estampados nos contêineres são fundamentais para a logística global. Padronizados internacionalmente, eles permitem a identificação, o rastreamento e a segurança das cargas que circulam diariamente entre portos, terminais e modais de transporte em todo o mundo.

Mas, afinal, o que significam esses códigos nos contêineres e por que eles são tão importantes para o comércio exterior?

O que é o código de identificação do contêiner?

O principal código presente nos contêineres segue a norma ISO 6346, padrão internacional criado para garantir a identificação única de cada unidade de carga.

Esse código funciona como um registro global do contêiner e é composto por 11 caracteres alfanuméricos, divididos em partes específicas.

Estrutura do código ISO 6346

  • Código do proprietário (3 letras)
    Identifica a empresa proprietária do contêiner. Exemplo: MSK (Maersk), CMA (CMA CGM).
  • Identificador da categoria (1 letra)
    Normalmente a letra U, que indica contêiner de carga.
  • Número de série (6 números)
    Sequência exclusiva que individualiza cada contêiner.
  • Dígito verificador (1 número)
    Gerado por cálculo matemático para evitar erros de leitura ou digitação.

Esse sistema permite que o contêiner seja reconhecido em qualquer país, porto ou terminal.

O que indicam os códigos de tamanho e tipo do contêiner?

Além do código principal, os contêineres exibem um código de tamanho e tipo, geralmente com quatro caracteres, que informa as características físicas e operacionais da unidade.

Esses códigos indicam:

  • Comprimento (20 pés, 40 pés)
  • Altura padrão ou High Cube
  • Tipo de contêiner

Principais tipos de contêineres identificados

  • Dry Container – carga seca
  • Reefer Container – carga refrigerada
  • Open Top – carga com excesso de altura
  • Flat Rack – cargas superdimensionadas
  • Tank Container – líquidos e gases

Essas informações são essenciais para o planejamento do transporte e da estufagem da carga.

Siglas e símbolos de segurança nos contêineres

Os contêineres também exibem informações obrigatórias relacionadas à segurança e à capacidade de carga.

CSC Plate: o que é?

A CSC Plate (Container Safety Convention) é uma placa metálica fixada no contêiner que comprova que a unidade atende às normas internacionais de segurança estrutural, conforme exigido pela Organização Marítima Internacional (IMO).

Informações de peso e capacidade

Nos contêineres, também aparecem dados como:

  • Tare – peso do contêiner vazio
  • Payload – carga máxima permitida
  • Gross Weight – peso bruto máximo autorizado

Esses dados evitam sobrecargas, acidentes e penalidades operacionais.

Símbolos de cargas perigosas

Quando o contêiner transporta carga perigosa, são aplicadas etiquetas padronizadas conforme normas da ONU, indicando riscos como inflamabilidade, toxicidade ou corrosão.

Por que os códigos dos contêineres são tão importantes?

A padronização dos códigos e siglas nos contêineres garante:

  • Rastreabilidade internacional da carga
  • Segurança no transporte multimodal
  • Conformidade com normas aduaneiras e marítimas
  • Integração entre portos, navios, caminhões e ferrovias
  • Redução de erros logísticos e operacionais

Sem esses códigos, o comércio exterior em larga escala seria inviável.

Códigos de contêiner: muito além da identificação

Embora pareçam apenas números e letras, os códigos dos contêineres são peças-chave da engrenagem logística global. Eles conectam exportadores, importadores, transportadoras, operadores portuários e autoridades aduaneiras, garantindo eficiência, segurança e controle no transporte internacional de mercadorias.

Fontes

  • ISO – International Organization for Standardization
    Norma ISO 6346 – Freight containers – Coding, identification and marking
  • BIC – Bureau International des Containers
    Registro internacional de códigos de proprietários de contêineres
  • IMO – International Maritime Organization
    Convenção Internacional para Contêineres Seguros (CSC)
  • World Shipping Council (WSC)
    Publicações técnicas sobre transporte marítimo e contêineres

TEXTO E IMAGEM: Este conteúdo foi produzido com o apoio de inteligência artificial, sob curadoria, revisão e validação editorial da equipe do ReConecta News, com base em fontes públicas, dados oficiais e práticas jornalísticas.

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Comércio

ALADI avança na eliminação de barreiras ao comércio de cosméticos na América Latina

A ALADI deu um passo decisivo para fortalecer o comércio intrarregional de cosméticos ao concluir, em Montevidéu, a revisão legal de um acordo voltado à eliminação de barreiras técnicas que dificultam o intercâmbio no setor. O encerramento dessa etapa formaliza o texto e abre caminho para sua assinatura e incorporação às legislações nacionais.

Próxima etapa: assinatura e adoção nacional

Com a revisão jurídica finalizada na sede da Associação Latino-Americana de Integração, o acordo segue agora para a fase de assinatura pelos países membros. Em seguida, o texto deverá ser internalizado nos marcos regulatórios de cada país, movimento considerado essencial para reduzir insegurança regulatória e aumentar a previsibilidade no comércio regional de produtos cosméticos.

Barreiras técnicas travam o comércio intrarregional

O foco do acordo é enfrentar um dos principais entraves ao comércio exterior de cosméticos na região: as barreiras não tarifárias. Entre elas estão diferenças em requisitos regulatórios, normas de rotulagem, avaliações de conformidade e procedimentos administrativos, fatores que elevam custos e tornam as operações mais lentas e complexas.

Em um mercado regional estimado em mais de US$ 55 bilhões, essas divergências impactam diretamente a logística internacional, gerando atrasos no despacho aduaneiro, aumento de despesas operacionais e maior complexidade para exportadores, importadores e operadores logísticos.

Setor estratégico para a integração regional

O setor cosmético ocupa posição de destaque no comércio latino-americano, tanto pelo volume movimentado quanto pela diversidade de produtos e cadeias produtivas distribuídas entre vários países. Ainda assim, o avanço do comércio intrarregional tem sido limitado pela existência de normas técnicas heterogêneas, que obrigam as empresas a cumprir múltiplas exigências para acessar diferentes mercados.

Harmonização regulatória e ganhos logísticos

O acordo busca reduzir essas limitações por meio da harmonização de requisitos, do reconhecimento mútuo de procedimentos e da eliminação de exigências redundantes. A meta é criar condições mais homogêneas para o comércio de cosméticos na América Latina, facilitando a circulação de mercadorias.

Além do impacto regulatório, a iniciativa traz reflexos diretos para a logística regional. A diminuição de obstáculos técnicos tende a resultar em processos aduaneiros mais ágeis, menos inspeções repetidas e redução no tempo de liberação de cargas, aumentando a eficiência das operações.

Negociação técnica e cooperação regional

A revisão legal foi concluída após um processo de negociação técnica, que incluiu encontros presenciais em Montevidéu com delegações dos países membros. Nessas reuniões, foram discutidos aspectos relacionados às regulamentações técnicas e aos mecanismos de controle aplicáveis ao setor cosmético.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Transporte

Maersk registra atrasos em navios devido a condições climáticas no Mediterrâneo e no norte da Europa

A Maersk, uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo, informou a ocorrência de atrasos na programação de seus navios em função de condições meteorológicas adversas. Os impactos são mais significativos nas rotas do Mediterrâneo Ocidental e do norte da Europa, afetando o cumprimento dos cronogramas operacionais.

Clima severo afeta rotas estratégicas

Em comunicado divulgado em seu site oficial, a companhia dinamarquesa destacou que suas equipes estão monitorando de perto a situação. Segundo a Maersk, os eventos climáticos severos devem se estender por um período maior do que o inicialmente previsto, exigindo ajustes constantes na operação.

A empresa afirmou manter contato permanente com autoridades portuárias, terminais afetados e operadores dos navios, com foco na gestão de contingências, incluindo a reorganização de berços de atracação e a revisão dos horários das embarcações.

Orientação aos clientes e atualizações operacionais

Diante do cenário, a Maersk recomendou que seus clientes se cadastrem para receber notificações de ETA (horário estimado de chegada). O objetivo é garantir que os embarcadores sejam informados em tempo real sobre alterações de cronograma, à medida que as atualizações operacionais forem inseridas no sistema da companhia.

Golfo de Biscaia concentra os maiores impactos

As principais dificuldades climáticas foram registradas no Golfo de Biscaia, região marítima que abrange importantes portos da França e da Espanha. A área é conhecida por sua instabilidade meteorológica, fator que tem contribuído para os atrasos nas escalas e na navegação.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Logística

Argentina avalia rota ferroviária bioceânica para acesso a portos do Chile

O governo da Argentina iniciou tratativas para avançar na criação de uma rota ferroviária bioceânica com destino aos portos do Chile, com o objetivo de garantir uma saída logística direta ao Oceano Pacífico. A iniciativa é considerada estratégica para ampliar a competitividade do comércio exterior argentino e fortalecer a integração regional.

Investimento bilionário e corredor entre Argentina e Chile

O projeto prevê um investimento estimado em cerca de US$ 4 bilhões e propõe a implantação de um corredor ferroviário internacional, conectando regiões produtivas argentinas aos terminais portuários chilenos. A proposta está baseada na recuperação de trechos das linhas San Martín e Sarmiento, segundo informações divulgadas pela imprensa local.

O traçado em estudo ligaria a província de San Juan ao sul de Mendoza, criando um novo eixo de transporte de cargas entre os dois países.

Passo Planchón–Vergara é apontado como rota estratégica

O cruzamento da Cordilheira dos Andes deve ocorrer pelo passo Planchón–Vergara, nas proximidades da cidade de Curicó, na Região do Maule, no Chile. A escolha se deve às condições climáticas mais estáveis e à maior operabilidade durante o inverno, quando comparada a outros passos internacionais.

Conexão com Vaca Muerta amplia alcance logístico

Do lado argentino, o plano também contempla a construção de um ramal ferroviário entre General Alvear (Mendoza) e Vaca Muerta, em Neuquén. A ligação permitiria o transporte de recursos energéticos e produtivos para diferentes polos industriais, ampliando a eficiência da logística regional.

Desafios incluem infraestrutura e financiamento

Apesar do respaldo político, o projeto enfrenta obstáculos relevantes. Entre os principais desafios estão a reconstrução de vias férreas, a atualização dos padrões técnicos e a adaptação às exigências atuais do transporte ferroviário de cargas.

Para viabilizar a iniciativa, o governo avalia modelos de parceria público-privada (PPP) e sistemas de concessão, alternativas consideradas essenciais para garantir o financiamento do corredor.

Integração logística e ganho de competitividade

O corredor ferroviário bioceânico é visto como uma alternativa estratégica para reduzir custos logísticos, diversificar rotas de exportação e aproximar a Argentina dos mercados asiáticos, por meio dos portos chilenos do Pacífico.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Comércio Exterior

Argentina vê oportunidade geopolítica inédita para fortalecer o comércio exterior

O comércio exterior argentino voltou ao centro do debate econômico, não como um tema isolado, mas como um pilar estrutural do modelo de crescimento do país. Em um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas, reconfiguração das cadeias globais de valor e disputa entre grandes potências, a inserção internacional da Argentina surge simultaneamente como desafio e oportunidade.

Para Martín Tanco, especialista em comércio internacional com mais de 40 anos de experiência no assessoramento a empresas, o setor externo é hoje um dos poucos espaços capazes de gerar um círculo virtuoso sustentável para a economia argentina.

“O comércio exterior é central em qualquer plano econômico, tanto pela geração de divisas quanto pelo impacto positivo sobre o emprego, a produtividade e o crescimento das exportações”, avalia.

Reconfiguração global abre janela estratégica para a Argentina

Segundo Tanco, o país vive uma oportunidade geopolítica única, impulsionada, entre outros fatores, pela política de tarifas elevadas dos Estados Unidos, que acelerou o redesenho das cadeias produtivas globais e abriu espaço para novos fornecedores internacionais.

No entanto, o especialista ressalta que essa oportunidade não é automática. Para aproveitá-la, as empresas argentinas precisam agir rapidamente, investindo em planejamento estratégico, financiamento, inovação tecnológica e, sobretudo, em certificações internacionais, exigidas pelos mercados desenvolvidos.

Superávit comercial e mudança na matriz produtiva

Os números recentes reforçam o peso do setor externo. Em 2024, a Argentina registrou um superávit comercial recorde, impulsionado principalmente pelas exportações agroindustriais e energéticas. Em 2025, o saldo positivo foi mantido, com crescimento de 24% nas exportações, puxado por soja, trigo e petróleo.

Apesar do avanço em volume, os preços internacionais seguem limitados. “Os preços não são os melhores, mas cresce o potencial da energia, do lítio e da mineração”, observa Tanco, destacando uma transformação gradual na fonte de geração de dólares da economia.

Atualmente, cerca de 73% das divisas ainda vêm da agroindústria, concentrada no corredor central do país, enquanto 27% têm origem na energia e na mineração. As projeções para 2030, no entanto, indicam uma virada histórica: energia e mineração devem responder por 53%, superando o agro, com 47%.

Impacto regional e desafios logísticos

Essa transformação não é apenas setorial, mas também territorial. O deslocamento do eixo produtivo para as regiões andina e patagônica redesenha o mapa econômico argentino e impõe novos desafios em infraestrutura, logística e acesso a mercados internacionais.

Apesar dos avanços, a concentração das exportações em poucos complexos produtivos segue sendo uma limitação estrutural.

Importações, normalização e risco da restrição externa

Do lado das importações, o crescimento recente gera leituras distintas. Para Tanco, o aumento das compras externas reflete, em parte, a normalização da economia após um período de forte controle cambial.

“Viemos de um regime extremamente restritivo. A liberação elevou as importações, que agora tendem a se estabilizar”, explica. Segundo ele, há hoje uma relação mais saudável entre importações e exportações, com as compras externas acompanhando a expansão das vendas ao exterior.

A dúvida histórica permanece: a Argentina conseguirá crescer sem esbarrar na restrição externa? Para o especialista, o contexto global pode favorecer uma ruptura desse padrão.

Geopolítica, acordos e competitividade internacional

Em um mundo polarizado entre Estados Unidos, União Europeia e o eixo Rússia–China, a Argentina tem a vantagem de estar fora dos principais focos de conflito. Ainda assim, precisa avançar na integração às regras do comércio internacional.

Entre as prioridades estão o fortalecimento da presença no G20, o cumprimento do Acordo de Paris e a busca pela adesão à OCDE. No mapa comercial, Brasil, China, Estados Unidos e União Europeia seguem como principais parceiros.

Enquanto os EUA se destacam como fonte de investimentos, a China é vista como um parceiro mais previsível, avançando de forma silenciosa na aquisição de ativos estratégicos.

Infraestrutura, logística e decisões-chave para o futuro

Para consolidar o comércio exterior como motor de desenvolvimento, Tanco aponta uma dívida histórica em logística internacional. Projetos como o dragagem da Hidrovia Paraná–Paraguai, o Canal Magdalena, a melhoria das rodovias e dos acessos portuários são fundamentais para reduzir custos e elevar a competitividade.

O debate sobre as retenções às exportações também segue no radar, já que sua eliminação costuma gerar aumento imediato dos embarques. Além disso, a nova geografia produtiva exige repensar a estratégia portuária diante da concorrência dos portos chilenos.

Nesse cruzamento entre infraestrutura, política comercial e estratégia empresarial, está em jogo o futuro do comércio exterior argentino. Para Tanco, a chave será “fortalecer a competitividade e a resiliência para enfrentar riscos políticos e econômicos em um cenário global cada vez mais fragmentado”.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Portos

Porto de Santa Catarina ganha nova linha marítima para exportação e importação nas Américas

O porto de Santa Catarina passou a contar com uma nova alternativa logística para exportação e importação nas Américas. A Portonave, primeiro terminal privado de contêineres do Brasil, localizado em Navegantes (SC), iniciou a operação de uma nova linha marítima internacional, ampliando as possibilidades de negócios entre empresas do continente.

O serviço, denominado ZIM Gulf Toucan (ZGT), é operado pelo armador ZIM Integrated Shipping Services e já está em funcionamento com escalas regulares no terminal catarinense.

Integração com Caribe, EUA e Golfo do México

Segundo a Portonave, a nova rota fortalece a integração da Costa Leste da América do Sul com importantes hubs logísticos do Caribe, do Leste dos Estados Unidos e do Golfo do México. A frequência do serviço é semanal, o que garante maior previsibilidade para embarcadores e importadores.

Entre os principais tipos de carga atendidos pela linha estão madeiras e derivados, papel e celulose, maquinários, metais comuns, produtos químicos, carnes congeladas, alimentos e cargas industriais em geral.

Rotação internacional com oito navios

A operação do ZIM Gulf Toucan conta com uma frota de oito navios em rotação, conectando portos estratégicos do México, Estados Unidos, Jamaica, Colômbia, Brasil, Argentina e Uruguai. A abrangência da rota amplia o alcance das operações do terminal catarinense no comércio exterior.

Consolidação como hub logístico de longo curso

De acordo com a administração do terminal, o novo serviço reforça o posicionamento da Portonave como referência em linhas de longo curso. Com a inclusão da ZGT, o porto passa a oferecer conexões regulares para cargas entre Europa, Américas e Ásia, além das operações de cabotagem, que atendem o transporte ao longo da costa brasileira.

Parceria operacional reduz custos logísticos

A operação da nova linha é realizada em parceria com a Ocean Network Express (ONE), por meio de um modelo de compartilhamento marítimo. Esse formato permite a otimização da utilização dos navios e contribui para a redução de custos operacionais, beneficiando toda a cadeia logística.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Portonave

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Logística

Lustre de R$ 6 milhões chega a Santa Catarina após transporte em contêiner refrigerado

Um lustre de cristal avaliado em 1 milhão de euros — cerca de R$ 6,24 milhões — desembarcou em Santa Catarina após uma operação logística de alta complexidade. A carga chegou ao Brasil pelo terminal da Portonave, em Navegantes, depois de uma viagem marítima iniciada na Itália e realizada com controle rigoroso de temperatura.

Transporte especial preservou peça de alto valor

Destinado à decoração de uma residência, o lustre foi dividido em 40 volumes, totalizando aproximadamente uma tonelada. Para garantir a integridade da peça durante o transporte, a carga foi acomodada em um contêiner refrigerado (reefer), apesar de não se tratar de um produto perecível.

A operação foi coordenada pela Allog, empresa especializada em logística internacional. De acordo com a especialista em contas estratégicas da companhia, Franciele Ribeiro, a opção pelo transporte marítimo partiu do próprio cliente. O embarque ocorreu no porto de Livorno, com rota direta ao Brasil e tempo de trânsito de 42 dias.

Controle térmico evitou danos ao material

O uso do contêiner refrigerado teve como objetivo evitar oxidação e danos estruturais provocados por variações de temperatura e umidade. Durante toda a travessia, o ambiente interno foi mantido entre 21 °C e 25 °C, dentro dos parâmetros definidos para a preservação do cristal.

Segundo Franciele Ribeiro, o alto valor e a fragilidade da carga exigiram planejamento detalhado e acompanhamento contínuo em todas as etapas da operação, com monitoramento em tempo integral.

Monitoramento contínuo nos portos de origem e destino

Na Itália, a estufagem do contêiner foi realizada por equipes especializadas, com supervisão completa do processo e escolha criteriosa de parceiros locais. Já no Brasil, a Portonave manteve o contêiner em área dedicada a cargas com controle térmico, garantindo a estabilidade das condições ambientais.

O terminal catarinense conta com mais de 3 mil tomadas para contêineres refrigerados e sistema de monitoramento contínuo, o que assegurou a preservação da carga durante a permanência no porto.

Seguro e crescimento da demanda por cargas de alto valor

A operação também incluiu seguro contratado pelo cliente e inspeções estruturais do contêiner nos portos de origem e destino, além de acompanhamento constante para minimizar riscos de impacto ou exposição à umidade.

Segundo a Allog, cresce a demanda por operações logísticas de alto valor agregado, envolvendo itens como decoração, obras de arte, roupas e veículos de luxo. Esse tipo de carga, destaca a empresa, requer procedimentos específicos, tecnologia adequada e parceiros altamente qualificados para garantir a integridade dos bens transportados.

FONTE: ND+
TEXTO: Redação
IMAGEM: Allog/Divulgação/ND Mais

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