Logística

Maersk registra crescimento em todas as áreas de negócios no 1º trimestre de 2026

A Maersk encerrou o primeiro trimestre de 2026 com crescimento operacional em todas as suas unidades de negócio. A companhia reportou EBIT de US$ 340 milhões, resultado impulsionado pelo avanço nos volumes transportados, ganhos de eficiência operacional e controle rigoroso de custos.

Segundo a empresa, o desempenho foi sustentado pela expansão da demanda em diferentes regiões do mundo, mesmo diante da volatilidade do mercado global de transporte marítimo e das incertezas geopolíticas.

Crescimento da demanda impulsiona resultados da Maersk

De acordo com Vincent Clerc, a companhia manteve crescimento consistente nos segmentos de Transporte Marítimo, Logística e Serviços e Terminais ao longo do trimestre.

O executivo destacou que, apesar da pressão causada pelo excesso de capacidade no setor de navegação, a empresa conseguiu reduzir em 7% o custo unitário da operação marítima graças à flexibilidade da rede logística global.

A Maersk também afirmou que os impactos do conflito no Oriente Médio tiveram efeito limitado sobre a demanda e os resultados financeiros da companhia no período.

EBITDA supera US$ 1,8 bilhão

Os resultados financeiros apontam EBITDA de US$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre de 2026. Embora abaixo dos US$ 2,7 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior, a empresa observou melhora na margem operacional em relação ao trimestre anterior.

A margem EBIT atingiu 2,6%, avanço de 1,7 ponto percentual frente ao quarto trimestre de 2025.

Segundo a companhia, o crescimento das exportações da China ajudou a impulsionar a demanda global por transporte de contêineres nos primeiros meses do ano.

Transporte Marítimo amplia volumes embarcados

O segmento de Transporte Marítimo apresentou crescimento de 9,3% nos volumes embarcados, com taxa de utilização de ativos de 96%.

Mesmo com pressão contínua nas tarifas de frete devido ao excesso de capacidade da indústria, a estabilidade dos custos operacionais e a redução nos gastos com bunker ajudaram a compensar parte dos impactos negativos.

O EBIT da divisão ficou em US$ -192 milhões no trimestre.

Logística e Serviços mantém expansão de receita

Na área de Logística e Serviços, a Maersk registrou crescimento de receita de 8,7%, além da oitava expansão consecutiva da margem EBIT na comparação anual.

A companhia atribui o desempenho à evolução dos produtos Air e Middle Mile, somados aos ganhos estruturais de eficiência e à disciplina no controle de despesas operacionais.

O EBIT do segmento alcançou US$ 173 milhões.

Segmento de Terminais segue em alta

O setor de Terminais também apresentou resultados positivos no período, com aumento de 4,3% na movimentação de volumes.

A receita cresceu 6,7%, enquanto a receita por movimento avançou 3,4%, favorecida pela melhora tarifária, impactos cambiais positivos e melhor composição operacional dos terminais.

O EBIT da unidade atingiu US$ 436 milhões no primeiro trimestre.

Maersk encomenda novos navios de grande porte

Como parte da estratégia de renovação da frota, a Maersk anunciou a encomenda de oito novos navios com capacidade para 18.600 TEUs.

As embarcações, previstas para entrega entre 2029 e 2030, contarão com motores de combustível duplo, permitindo operação tanto com combustível convencional quanto com gás liquefeito.

Segundo a empresa, a medida amplia a flexibilidade operacional da rede global e fortalece a estratégia de eficiência e sustentabilidade no transporte marítimo.

FONTE: Maersk
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Internacional

Estreito de Ormuz: navios enfrentam riscos e custos para deixar zona de conflito

Empresas do setor de energia e transporte marítimo intensificaram esforços para retirar embarcações presas no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do comércio global de petróleo. Em meio à instabilidade, o petroleiro Akti A conseguiu atravessar a região durante uma breve janela de segurança, transportando cerca de 300 mil barris de diesel.

Operado pela Maersk Tankers e com carga destinada à trading Vitol, o navio deixou o Golfo Pérsico após semanas de espera próximo ao Bahrein, período marcado por ataques com drones e mísseis contra embarcações na área.

Riscos elevados e custos crescentes

A retirada de navios da região tornou-se um dos principais desafios para grandes tradings de petróleo e gás. O cenário de conflito elevou significativamente os custos com seguros, taxas portuárias e manutenção, além de aumentar os riscos operacionais.

Em um dos episódios mais graves, um tripulante morreu após embarcações que transportavam nafta serem atingidas por forças iranianas, evidenciando o nível de perigo enfrentado pelas tripulações.

Janelas de passagem são curtas e imprevisíveis

Durante as semanas de conflito, oportunidades de travessia surgiram de forma pontual, mas se fecharam rapidamente. A travessia completa do estreito pode levar até oito horas — tempo suficiente para mudanças no cenário político ou militar.

Em determinado momento, o Irã chegou a declarar a passagem “completamente aberta” após um cessar-fogo regional, levando armadores a mobilizarem navios. No entanto, a liberação durou pouco e o controle voltou a ser restrito, permitindo passagem apenas a embarcações autorizadas.

Ataques e apreensões aumentam tensão

A escalada do conflito incluiu ataques a navios porta-contêineres e a apreensão de embarcações, em resposta a sanções e bloqueios internacionais. Esse ambiente reforça a insegurança no transporte marítimo internacional e impacta diretamente as cadeias logísticas globais.

Navios de grandes armadores chegaram a iniciar travessias, mas recuaram após incidentes com projéteis e alertas de forças iranianas.

Estratégias alternativas para atravessar o estreito

Diante das restrições, empresas passaram a adotar estratégias variadas para garantir a saída de seus navios. Entre elas, destacam-se parcerias com países que mantêm relações mais próximas com o Irã, como China, Paquistão e Omã.

Em alguns casos, embarcações optaram por rotas próximas à costa omanense, considerada mais segura. Há ainda relatos de propostas envolvendo pagamentos para facilitar a passagem, embora empresas neguem qualquer prática que viole sanções internacionais.

Tráfego inclui cargueiros e navios de cruzeiro

Apesar dos riscos, o fluxo marítimo não foi totalmente interrompido. Além de petroleiros, navios de carga e até embarcações de turismo conseguiram cruzar o estreito em momentos específicos, sob coordenação e autorização de autoridades.

Algumas companhias adotaram medidas extremas, como desligar sistemas de rastreamento para reduzir exposição, embora isso também aumente os riscos operacionais.

Falta de coordenação internacional preocupa setor

Especialistas do setor apontam a ausência de um protocolo global para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz. Segundo executivos da indústria, navios com apoio governamental ou conexões diplomáticas têm mais chances de atravessar com segurança.

Para empresas privadas, no entanto, a travessia segue sendo uma operação de alto risco, sem garantias claras de proteção ou estabilidade.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Silk Road Maritime: China amplia rotas e reduz custos logísticos no comércio global

A Silk Road Maritime, iniciativa logística da China, segue em expansão e já alcança 148 rotas marítimas, operadas a partir de mais de dez portos do país. A rede conecta atualmente 150 portos em 48 países e regiões, consolidando-se como um dos principais corredores do comércio marítimo internacional.

Criada em 2018 na província de Fujian, a plataforma tem como objetivo integrar serviços portuários, navegação e comércio exterior em um sistema mais eficiente e competitivo.

Rotas mais rápidas impulsionam comércio com a América Latina

Um dos avanços recentes foi a implementação de um novo serviço de contêineres entre Fujian e a América Latina, que reduziu o tempo de viagem em mais de sete dias. A medida reforça a eficiência logística e amplia a competitividade das exportações chinesas.

Até fevereiro de 2026, o transporte de e-commerce transfronteiriço por rotas expressas já movimentou mais de 15 bilhões de yuans (cerca de US$ 2,2 bilhões). Já as operações de granéis e carga geral ultrapassaram 32 bilhões de yuans, evidenciando o crescimento do transporte marítimo de cargas.

Foco em rotas curtas e comércio eletrônico regional

Parte da estratégia de expansão está voltada para rotas de curta distância e o fortalecimento do comércio eletrônico regional. No Porto de Xiamen, foram criadas conexões diretas com destinos no Sudeste Asiático, incluindo Singapura, Filipinas, Malásia, Vietnã e Tailândia.

Essas rotas priorizam o envio rápido de cargas menores e sensíveis ao tempo, oferecendo maior eficiência em comparação aos modelos tradicionais de consolidação.

Inovação logística reduz tempo e custos

Outro destaque é a adoção do modelo de contêiner misto, que permite transportar, na mesma unidade, mercadorias de e-commerce e cargas convencionais. Segundo autoridades aduaneiras, essa solução reduziu o tempo logístico entre 25% e 50% e pode diminuir os custos de envio em até 25%.

Na prática, embarcadores relatam economia de aproximadamente 4 mil yuans por contêiner, tornando a operação mais atrativa para empresas que atuam no comércio internacional.

Tecnologia melhora eficiência operacional

A rede também incorporou ferramentas digitais avançadas, como rastreamento em tempo real, sistemas de planejamento de rotas e monitoramento climático. Em um exemplo citado, uma embarcação evitou um atraso de 12 horas e economizou 10 toneladas de combustível ao desviar de um tufão com auxílio de tecnologia de roteamento climático.

Expansão institucional fortalece a iniciativa

Além do crescimento operacional, a Silk Road Maritime também amplia sua base institucional. Durante reunião anual realizada em março, novos integrantes passaram a fazer parte da associação responsável pela plataforma, elevando o total para 375 membros.

O avanço reforça o papel da iniciativa como eixo estratégico da logística global e da integração comercial liderada pela China.

FONTE: People’s Daily Online
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Transporte

Frete aéreo internacional dispara até 95% com impacto da guerra no Irã

As tarifas de frete aéreo internacional registraram forte alta entre fevereiro e março de 2026, com aumentos de até 95%, impulsionados pela redução de capacidade e pela elevação dos custos de combustível após a Guerra no Irã.

Os dados são da consultoria Drewry, que aponta um cenário de pressão crescente sobre o transporte global de cargas.

Rotas internacionais registram aumentos expressivos

Um dos principais destaques foi a rota entre Xangai e Dubai, onde os preços saltaram 95%, atingindo US$ 8,60 por quilo.

Segundo a Drewry, os valores podem superar o recorde histórico registrado durante a pandemia, de US$ 9,40/kg, caso os sobretaxas de combustível continuem avançando.

Custos operacionais disparam com combustível e segurança

O aumento não foi uniforme e afetou diferentes rotas de forma específica:

  • Entre Cingapura e Londres, as taxas de combustível subiram 290% em março
  • Nas rotas de Dubai e Abu Dhabi para Amsterdã, as taxas de segurança cresceram 44%
  • De Mumbai e Delhi para Madri, os preços totais avançaram 27%, com alta de 21% no combustível

Esses reajustes refletem o impacto direto da instabilidade geopolítica sobre a logística aérea.

Companhias aéreas reduzem operações no Oriente Médio

Grandes empresas do setor, como Qatar Airways, Emirates e Etihad Airways, tiveram suas operações parcialmente reduzidas devido ao conflito.

Além disso, companhias que utilizam rotas pelo Oriente Médio também diminuíram voos, afetando diretamente a capacidade global de carga aérea.

A região é estratégica: rotas conectadas ao Oriente Médio representam cerca de 15,6% do tráfego global de carga aérea e 18,2% da capacidade disponível.

Alta de preços atinge metade das rotas monitoradas

Levantamento da Drewry indica que aproximadamente metade das rotas internacionais apresentou aumento de pelo menos 20% nos preços em março.

Para Philip Damas, chefe da área de logística da consultoria, o setor enfrenta um cenário crítico:

O mercado de frete aéreo sofre com um duplo impacto: menor capacidade disponível e custos de combustível mais elevados.

Cenário pressiona cadeia logística global

A combinação de redução de voos, aumento de custos operacionais e instabilidade geopolítica tende a manter os preços elevados no curto prazo.

Especialistas alertam que, se o conflito persistir, o mercado de transporte aéreo de cargas pode enfrentar novos recordes de preços, com reflexos diretos no comércio internacional.

FONTE: Container News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Container News

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Notícias

Hapag-Lloyd tem navios encalhados no Golfo Pérsico e prejuízo cresce com conflito

A companhia de navegação Hapag-Lloyd enfrenta um cenário crítico no transporte marítimo internacional após a escalada do conflito no Oriente Médio. Seis navios da empresa permanecem encalhados no Golfo Pérsico, gerando custos adicionais estimados entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões por semana.

O impacto financeiro foi classificado pelo CEO, Rolf Habben Jansen, como “insustentável a longo prazo”.

Navios parados e tripulações à espera de solução

De acordo com o executivo, cerca de 150 tripulantes estão a bordo das embarcações impedidas de operar. As equipes seguem recebendo suprimentos básicos, como água e alimentos, enquanto a empresa busca alternativas para liberar os navios.

A situação é considerada um dos principais desafios atuais da companhia, que depende da normalização das rotas para retomar suas operações regulares.

Fechamento do Estreito de Ormuz agrava crise logística

A paralisação das embarcações está diretamente ligada às restrições no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o comércio global de energia e mercadorias.

O corredor marítimo permanece com limitações desde o fim de fevereiro, após o aumento das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O bloqueio parcial tem provocado efeitos em cadeia no transporte marítimo global, elevando custos e ampliando a incerteza logística.

Empresa adota medidas para conter prejuízos

Diante do cenário adverso, a Hapag-Lloyd intensificou estratégias de redução de custos e passou a explorar sinergias operacionais com a Maersk, parceira em operações logísticas.

A iniciativa busca mitigar os impactos financeiros enquanto a empresa aguarda uma solução para o impasse geopolítico.

Projeções mantidas, mas riscos permanecem

Apesar das dificuldades, a companhia manteve suas projeções para o ano fiscal de 2026. A expectativa é compensar os custos adicionais ao longo dos próximos meses.

Ainda assim, o CEO alertou que os efeitos do conflito podem se prolongar, especialmente se houver retração na demanda por transporte marítimo, o que pode pressionar ainda mais os resultados da empresa no longo prazo.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Modais em Foco

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Transporte

Companhias de navegação registram 5% de cancelamentos até 3 de maio

O setor de transporte marítimo de contêineres mantém cancelamentos limitados, mas enfrenta sinais de pressão operacional crescente, segundo a última análise da consultoria Drewry. Entre 28 de março e 3 de maio (semanas 14 a 18), 38 viagens de um total de 706 programadas foram canceladas, correspondendo a uma taxa de 5%, o que indica que 95% dos serviços seguem operando normalmente.

Rotas mais afetadas pelos cancelamentos

O relatório detalha que a maior concentração de cancelamentos ocorre na rota transpacífica Leste, representando 58% dos cortes, seguida pelas rotas Ásia-Europa/Mediterrâneo (26%) e transatlântica Oeste (16%). Entre as empresas, a Gemini Cooperation se destaca como a aliança mais confiável, com taxa de cancelamento de apenas 1% nas principais rotas Leste-Oeste.

Pressões operacionais e ajustes estratégicos

Segundo a Drewry, os cancelamentos refletem ajustes mais profundos nas redes de navegação, motivados pelo aumento dos custos operacionais e pelo contexto geopolítico envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Apesar disso, o impacto ainda é limitado: a capacidade de transporte permanece estável e não há interrupções generalizadas nos serviços essenciais, diferentemente de crises anteriores, como a ocorrida no Mar Vermelho.

Congestionamento portuário e redirecionamento de cargas

A consultoria alerta que o congestionamento portuário está crescendo no Sul da Ásia e em terminais alternativos no Oriente Médio, com portos indianos absorvendo volumes redirecionados. Os atrasos em pontos de transbordo importantes estão aumentando, trazendo mais complexidade ao planejamento operacional.

Tarifas em alta no transporte de contêineres

O cenário já impacta os preços. O Índice Mundial de Contêineres (WCI) da Drewry registrou aumento semanal de 5%, chegando a US$ 2.279 por FEU em 26 de março. As tarifas da rota Ásia-Europa/Mediterrâneo subiram 8%, enquanto as rotas Transpacífica e Transatlântica tiveram alta de 3%.

Perspectivas para proprietários de carga

Embora as condições ainda sejam administráveis, a Drewry alerta que o ambiente está se tornando mais desafiador. Aumento de custos e previsibilidade reduzida nas rotas exigem que os proprietários de carga adotem planejamento rápido e flexível para manter a eficiência operacional.

FONTE: Mundo Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Modais em Foco

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Comércio Exterior

Estreito de Ormuz: controle do Irã se fortalece e pressiona mercados globais de energia

Após um mês de confrontos no Oriente Médio, o Irã consolidou sua influência sobre o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores marítimos do mundo. Apesar dos ataques realizados por Israel e Estados Unidos contra alvos estratégicos iranianos, analistas apontam que Teerã alcançou uma vantagem relevante ao ampliar o controle sobre o fluxo de navios na região.

Dados recentes indicam uma redução drástica na movimentação de embarcações. Em março, apenas cerca de seis navios por dia cruzaram o estreito, número muito inferior à média habitual de aproximadamente 135 travessias diárias.

A maior parte dos petroleiros que conseguiram deixar a região — cerca de 80% — tem ligação direta com o Irã ou com países aliados. Esse cenário reforça a influência iraniana sobre a circulação marítima em uma rota essencial para o comércio global de petróleo.

Atualmente, praticamente todas as embarcações que transitam pelo estreito seguem trajetos próximos à costa iraniana e, em muitos casos, dependem de autorização prévia para garantir passagem segura. Relatos do setor indicam que navios vêm sendo solicitados a fornecer informações detalhadas, como carga e tripulação, além de possíveis taxas. O governo iraniano também estuda formalizar esse controle por meio de um pedágio oficial, o que institucionalizaria práticas já observadas no mercado.

Impactos geopolíticos e legais

O controle do Estreito de Ormuz levanta questionamentos sobre o cumprimento do direito marítimo internacional. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS) prevê livre trânsito em rotas estratégicas, mas nem Irã nem Estados Unidos ratificaram formalmente o acordo.

A soberania sobre a região, inclusive, integra as condições apresentadas por Teerã em negociações com Washington.

Pressão sobre exportações e cadeias de energia

Enquanto diversos países enfrentam dificuldades para escoar petróleo, o Irã mantém suas exportações em alta. Em março, o país exportou cerca de 1,8 milhão de barris por dia, com destaque para o fluxo direcionado à China.

Em contraste, produtores como Iraque e Arábia Saudita registraram quedas expressivas nas exportações, impactados pelas restrições logísticas e pelo acúmulo de estoques.

O efeito no mercado internacional foi imediato. O petróleo Brent acumulou valorização próxima de 60% no mês, refletindo a instabilidade e o risco na região.

Diante desse cenário, grandes importadores como Índia, Turquia e Paquistão buscaram negociações diretas com o Irã para liberar cargas e reduzir pressões no abastecimento energético.

Seguros, fretes e incerteza no setor marítimo

O ambiente de risco também elevou significativamente os custos operacionais. Seguradoras passaram a classificar o Oriente Médio como zona de guerra, elevando os prêmios para transporte marítimo — que chegaram a até 10% do valor das embarcações no caso de Ormuz.

Além disso, rotas alternativas e novos indicadores de frete começaram a surgir, refletindo a necessidade de adaptação rápida por parte de traders, armadores e operadores logísticos.

Novo cenário mesmo após a guerra

Embora a proposta de pedágio possa indicar uma tentativa de normalização do tráfego, especialistas avaliam que o cenário dificilmente retornará ao padrão anterior, mesmo com um eventual cessar-fogo.

A combinação de riscos geopolíticos, sanções e mudanças estruturais no transporte marítimo sugere uma nova dinâmica para o comércio global de energia.

Fonte: Bloomberg

Texto: Redação

Imagem: Arquivo / ReConecta News

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Exportação

Estreito de Ormuz: bloqueio pode impactar exportações brasileiras e logística global

A escalada da guerra no Irã reacendeu preocupações no comércio internacional. O possível bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, pode gerar impactos relevantes nas exportações brasileiras, especialmente para países do Golfo Pérsico.

Localizado entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico, o corredor marítimo é fundamental para o fluxo global de mercadorias. O Irã afirma ter restringido a passagem de embarcações na região após o início dos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel, o que aumentou a tensão no mercado de energia e logística.

Corredor vital para petróleo e comércio internacional

Dados da consultoria MTM Logix indicam que cerca de 20% de todo o petróleo mundial passa pelo Estreito de Ormuz. Além disso, a região concentra o transporte de aproximadamente 25% dos fertilizantes, 35% dos químicos e plásticos e cerca de 15% dos grãos comercializados globalmente, destinados principalmente aos países do Golfo.

Essa movimentação torna o estreito um ponto crítico para o comércio internacional. Qualquer restrição no tráfego pode provocar atrasos nas cadeias logísticas e aumento de custos no transporte marítimo.

Exportações brasileiras dependem da rota

Para o Brasil, os reflexos se concentram principalmente nos embarques destinados a Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque e Kuwait. Como esses países estão localizados no Golfo Pérsico, os navios que seguem para esses destinos precisam atravessar obrigatoriamente o Estreito de Ormuz.

Levantamento da consultoria Datamar mostra que, em 2024, cerca de 158,3 mil contêineres foram enviados do Brasil para esses mercados. A maior parte das cargas era composta por proteína animal, responsável por 67,9% do volume transportado — com destaque para a carne de frango.

Outros produtos relevantes incluíram madeira (13,4%) e papel (2,8%).

Impacto no setor de proteína animal

No total, os embarques destinados aos países do Golfo representaram 4,87% das exportações marítimas brasileiras. No entanto, para determinados segmentos, a dependência desse mercado é ainda maior.

No caso da proteína animal, os envios chegaram a 14,8% da pauta de exportação, enquanto a carne de frango alcançou participação de 23,4%.

Segundo Andrew Lorimer, diretor-executivo da Datamar, o volume de mercadorias transportadas por contêineres na rota é significativo.

Além do risco logístico, a instabilidade também afeta os custos do transporte. Empresas de navegação já começaram a aplicar taxas de risco de guerra, que podem variar entre US$ 2 mil e US$ 4 mil por contêiner, elevando o preço do frete e aumentando a incerteza no comércio exterior.

Redução no tráfego de navios

Com o avanço do conflito militar, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz registrou queda acentuada. Grandes companhias de transporte começaram a suspender operações na região.

A gigante chinesa Cosco anunciou a paralisação de serviços para países do Golfo, afetando rotas que atendem Bahrein, Iraque, Catar e Kuwait, além de algumas áreas dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita.

A empresa informou que apenas alguns portos fora da rota direta do estreito, como Jidá, no Mar Vermelho, e Khor Fakkan e Fujairah, no Golfo de Omã, continuarão operando normalmente.

Outras grandes companhias de navegação, como Maersk, CMA CGM e Hapag-Lloyd, também decidiram suspender temporariamente o tráfego na área devido aos riscos do conflito.

Seguradoras discutem plano para garantir transporte

O aumento do risco na região mobilizou o setor de seguros. As corretoras internacionais Marsh e Aon iniciaram negociações com o governo dos Estados Unidos para criar um plano de proteção para navios que atravessam o estreito.

O presidente norte-americano Donald Trump afirmou que a US International Development Finance Corporation (DFC) poderá oferecer seguros a preços reduzidos para garantir a continuidade do transporte marítimo no Golfo.

Aviação também sofre impacto do conflito

O setor aéreo também enfrenta reflexos da escalada militar. Desde o início dos confrontos, mais de 20 mil voos foram cancelados em hubs do Oriente Médio.

A companhia aérea Emirates prorrogou a suspensão das operações para Dubai por uma semana, enquanto a Qatar Airways anunciou paralisação de voos até sexta-feira.

Dos 36 mil voos programados na região desde o fim de fevereiro, mais da metade foi cancelada, afetando cerca de 4,4 milhões de assentos. Passageiros enfrentam dificuldades para encontrar rotas alternativas, muitas vezes mais longas e caras.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer/Foto de arquivo

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Investimento

Suape inicia missão estratégica na ASEAN para expansão global e atração de investimentos

O Complexo Industrial e Portuário de Suape deu início a uma missão estratégica no Sudeste Asiático com foco na expansão global, atração de investimentos e abertura de novas rotas marítimas que integrem o terminal pernambucano às principais conexões internacionais.

Roteiro internacional liderado por Suape

A comitiva, comandada pelo diretor-presidente Armando Bisneto, começou a agenda por Singapura e seguirá para Malásia e Indonésia. O objetivo é apresentar aos empresários, autoridades governamentais e instituições financeiras os projetos estruturantes em andamento, a infraestrutura disponível e o novo ciclo de desenvolvimento do complexo portuário.

Entre os destaques estão a construção do terminal de cargas e contêineres da APM Terminals, a implantação de duas fábricas de e-metanol e os avanços na transição energética, reforçando a proposta de tornar Suape um polo logístico competitivo e sustentável no comércio global.

Suape-Brasil-ASEAN: cooperação institucional

A missão, chamada Suape-Brasil-ASEAN, conta com apoio da Frente Parlamentar Mista Brasil-ASEAN e do Ministério das Relações Exteriores. O bloco da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que inclui Timor-Leste, Camboja, Brunei, Laos, Myanmar, Filipinas, Vietnã e Tailândia, é uma das regiões mais dinâmicas do comércio internacional.

Na Malásia, a comitiva visitará terminais portuários e complexos industriais, incluindo o maior polo de refino de petróleo e petroquímica do país. Durante a etapa, estão previstos Memorandos de Entendimento voltados à cooperação técnica e ao intercâmbio estratégico entre autoridades portuárias.

Em Jacarta, capital da Indonésia, o grupo se reunirá com o Secretariado-Geral da ASEAN e com dirigentes da Indonesia Investment Authority, fundo soberano voltado a investimentos em infraestrutura, economia digital, saúde e economia verde.

Fortalecimento da presença internacional de Suape

Segundo o diretor-presidente, a missão é continuidade das articulações iniciadas em Brasília, em dezembro de 2025, quando foi firmado um termo de cooperação para ampliar o diálogo institucional entre Suape e a ASEAN.

A expectativa é que a agenda internacional fortaleça a presença de Suape no cenário global, aumente as oportunidades de negócios e consolide o complexo como hub estratégico do Nordeste brasileiro.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/JP

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Logística

Logística argentina enfrenta limites estruturais e desafio de competitividade global

O debate sobre a logística argentina vai além da existência de infraestrutura e conhecimento técnico. O ponto central passa a ser a capacidade do país de transformar esses recursos em uma vantagem competitiva sustentável em um cenário internacional cada vez mais exigente, no qual apenas eficiência operacional já não basta.

De acordo com Gabriel García Polignano, integrante da direção da Asociación Argentina de Logística Empresaria (ARLOG), a Argentina ocupa posição intermediária na competitividade regional do setor. O país conta com operadores que seguem padrões internacionais, portos com escala relevante e expertise técnica consolidada.

Apesar disso, essas qualidades ainda não resultam em uma vantagem sistêmica estável.

Segundo o dirigente, o problema não é tecnológico, mas estrutural e organizacional. A fragmentação operacional, a baixa integração multimodal e gargalos em infraestrutura estratégica limitam o desempenho. O sistema, afirma, entrega resultados eficazes, porém nem sempre eficientes.

Custos logísticos e impacto nas exportações

A diferença entre eficácia e eficiência não é apenas conceitual — ela influencia diretamente os custos logísticos e a competitividade das exportações argentinas.

Polignano ressalta que a análise tradicional costuma se concentrar apenas na tarifa de transporte. Entretanto, o maior peso está nos custos indiretos acumulados ao longo da cadeia.

Entre os principais fatores estão:

  • Demoras em acessos rodoviários;
  • Congestionamentos em nodos portuários;
  • Falta de sincronia entre terminais e órgãos de controle;
  • Forte dependência do transporte rodoviário.

Esses elementos elevam os sobrecustos e reduzem a eficiência do sistema. Além disso, a instabilidade regulatória observada em determinados períodos dificultou o planejamento de longo prazo, ampliando o custo financeiro, o volume de estoque parado e diminuindo a rotatividade de ativos — fatores que acabam embutidos no preço final das cadeias exportadoras.

Transformações na logística global

Enquanto a Argentina busca superar suas fragilidades estruturais, o ambiente externo impõe novas pressões. Para Ricardo Ernesto Partal Silva, presidente da Organización Mundial de Ciudades y Plataformas Logísticas, o mundo atravessa uma mudança profunda na logística global.

Segundo ele, o comércio internacional já não opera sob as mesmas regras. Fatores geopolíticos, demográficos, tecnológicos e até geológicos estão redesenhando fluxos e cadeias produtivas. Não se trata de uma crise passageira, mas de uma transição de era que exige um novo programa de resiliência logística.

Eventos climáticos e tensões geopolíticas redesenham rotas

Os sinais dessa transformação são concretos. A histórica redução do nível de água no Canal do Panamá alterou rotas transoceânicas e forçou o redesenho de cargas e itinerários.

Eventos extremos, como secas e inundações, têm comprometido corredores terrestres tradicionais. Atividades vulcânicas podem suspender o tráfego aéreo em poucas horas, enquanto fenômenos solares representam risco para sistemas de navegação e comunicações via satélite.

No campo geopolítico, a rivalidade entre China e Estados Unidos impulsiona a relocalização produtiva e a reorganização das cadeias de suprimentos. Nesse novo cenário, a prioridade deixa de ser apenas eficiência e passa a incluir segurança estratégica de rotas marítimas e corredores críticos.

A pandemia de COVID-19 foi, segundo Partal Silva, um ensaio geral das vulnerabilidades do sistema. Ele destaca que a logística contemporânea depende de “fios invisíveis” frágeis, como cadeias tecnológicas e biológicas suscetíveis a interrupções. A inteligência artificial, embora prometa otimização de rotas, também cria novas dependências em um contexto de escassez de insumos essenciais para semicondutores.

Modernização e resiliência como agenda estratégica

Diante de desafios internos e externos, a modernização da logística argentina ganha caráter estratégico.

Para Polignano, o foco não deve ser apenas ampliar capacidade física, mas reorganizar a arquitetura operacional do sistema. Entre as prioridades estão:

  • Investimentos técnicos em infraestrutura crítica;
  • Simplificação e digitalização integral de processos administrativos;
  • Incentivo à multimodalidade com critérios de eficiência econômica;
  • Estabilidade regulatória que gere confiança para investimentos de médio e longo prazo.

Partal Silva reforça que a resposta não pode ser fragmentada ou meramente reativa. Ele defende a implementação sistemática de estratégias preventivas, incluindo programas de resiliência e diversificação de rotas — marítimas, fluviais, terrestres e aéreas — para reduzir dependência de um único corredor logístico.

A construção de alternativas concretas e viáveis, e não soluções teóricas, será determinante para que a logística argentina avance em competitividade em um ambiente global cada vez mais complexo.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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