Comércio Internacional

Argentina anuncia plano para eliminar impostos sobre exportações agrícolas até 2028

O governo da Argentina deu mais um passo na reformulação de sua política econômica ao apresentar um cronograma para extinguir gradualmente os impostos sobre exportações agrícolas, conhecidos no país como retenciones. A proposta prevê a redução progressiva das alíquotas até 2028 e marca uma das mudanças mais relevantes para o agronegócio argentino nas últimas décadas.

A iniciativa busca aumentar a competitividade do setor, estimular investimentos e ampliar a presença dos produtos argentinos no mercado internacional, sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.

Imposto sobre exportações existe desde a crise de 2002

As chamadas retenciones foram reintroduzidas em 2002, logo após a grave crise econômica enfrentada pela Argentina. Na época, o governo recorreu à cobrança como forma de elevar a arrecadação, conter o desequilíbrio fiscal e enfrentar os impactos do calote da dívida pública.

Embora tenham sido apresentadas inicialmente como uma medida temporária, as tarifas acabaram se tornando permanentes. Durante mais de duas décadas, elas representaram entre 6% e 10% da arrecadação tributária do país, tornando-se uma importante fonte de receita para diferentes governos.

Além da função fiscal, os impostos passaram a ser utilizados para reduzir o impacto dos preços internacionais sobre o mercado interno de alimentos e redistribuir parte da renda gerada pelo setor agropecuário.

Proposta prevê redução gradual das tarifas

O novo projeto estabelece um calendário oficial para diminuir as alíquotas incidentes sobre diferentes produtos agrícolas.

A redução começa imediatamente para trigo e cevada, enquanto culturas como soja, milho, sorgo e produtos destinados à produção de biocombustíveis terão cortes progressivos até 2028.

Segundo o governo, a meta continua sendo eliminar totalmente os impostos sobre exportações, mas de forma gradual para preservar a estabilidade fiscal conquistada nos últimos meses.

Reforma acompanha ajuste econômico do governo Milei

A mudança faz parte do programa econômico implementado pelo presidente Javier Milei, que desde o início do mandato tem priorizado o ajuste das contas públicas, o controle da inflação e a redução da intervenção estatal na economia.

Após registrar o primeiro superávit fiscal primário em mais de dez anos, o governo afirma que criou condições para iniciar a retirada de tributos considerados prejudiciais à competitividade do setor produtivo.

Outro aspecto destacado pelas autoridades é a previsibilidade. Pela primeira vez desde 2002, produtores, exportadores e investidores terão um cronograma oficial para acompanhar a redução da carga tributária incidente sobre as exportações.

Agronegócio pode ganhar competitividade e atrair investimentos

A expectativa é que a diminuição dos impostos aumente a rentabilidade de toda a cadeia do agronegócio, incentivando novos investimentos em tecnologia, infraestrutura, armazenagem, irrigação e modernização da produção.

Os maiores beneficiados tendem a ser os produtores de grãos e oleaginosas, já que soja, milho, trigo e cevada estão entre os principais produtos exportados pela Argentina.

Especialistas avaliam que o país já possui vantagens competitivas importantes, como a elevada produtividade da região dos Pampas, o uso consolidado do plantio direto, a adoção de tecnologias agrícolas e uma eficiente estrutura logística voltada às exportações.

Nesse contexto, a retirada das retenciones tende a ampliar o potencial produtivo existente, favorecendo ganhos de eficiência e agregação de valor.

Desafio ambiental segue no radar

Apesar das perspectivas positivas para o setor, a ampliação da rentabilidade desperta preocupações sobre uma possível expansão da fronteira agrícola, especialmente em áreas de vegetação nativa, como a região do Gran Chaco.

Entretanto, a tendência é que o crescimento da produção esteja mais associado ao aumento da produtividade do que à abertura de novas áreas agrícolas. Isso ocorre porque mercados como a União Europeia passaram a exigir critérios rigorosos de rastreabilidade e conformidade ambiental, especialmente após a entrada em vigor do Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Reforma coincide com maior integração comercial

O anúncio também ocorre em um momento de maior abertura econômica da Argentina e de fortalecimento das relações comerciais com a União Europeia.

A aplicação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia cria um ambiente mais favorável para investimentos e amplia as perspectivas para as exportações argentinas.

Embora a redução das tarifas e o tratado comercial sejam iniciativas independentes, ambas apontam para uma estratégia voltada ao fortalecimento da inserção do país no comércio internacional.

Previsibilidade é considerada principal avanço

A eliminação completa das retenciones ainda dependerá da manutenção do equilíbrio fiscal e da estabilidade macroeconômica nos próximos anos.

Mesmo assim, analistas destacam que o maior diferencial da proposta é oferecer segurança jurídica e previsibilidade para produtores rurais, exportadores e investidores, que passam a contar com um calendário oficial para a redução da tributação sobre as exportações agrícolas.

Esse cenário tende a facilitar o planejamento de investimentos de longo prazo e fortalecer a confiança no ambiente de negócios do agronegócio argentino.

FONTE: Agroberichten Buitenland – Netherlands
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Internacional

Cúpula do Mercosul reúne líderes no Paraguai com foco em acordo com a União Europeia

O Paraguai sedia a 68ª Cúpula do Mercosul em um momento de mudanças no cenário político da América do Sul e de expectativa por novos avanços na agenda comercial do bloco. A principal pauta do encontro é a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), além da possibilidade de abertura de novas negociações internacionais.

A programação acontece em Assunção. Nesta segunda-feira (29), os ministros das Relações Exteriores dos países-membros participaram de reuniões preparatórias. Já na terça-feira (30), será realizada a reunião dos chefes de Estado, ocasião em que o Paraguai transferirá a presidência rotativa do bloco ao Uruguai.

Presidentes confirmam participação no encontro

Estão confirmadas as presenças dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antonio Kast (Chile), Daniel Noboa (Equador) e Santiago Peña (Paraguai).

Lula deve permanecer poucas horas no país. Após participar da cúpula, retorna ao Brasil para acompanhar, no Palácio do Planalto, o lançamento do Plano Safra, previsto para o fim da tarde desta terça-feira.

Fortalecimento da direita muda cenário regional

A reunião acontece em um contexto de fortalecimento de governos conservadores na América Latina. Esse movimento tem reduzido o protagonismo de organismos de integração regional, como a Unasul e a Celac, enquanto o Mercosul permanece como principal espaço de articulação econômica entre os países sul-americanos.

O cenário político ganhou novos contornos com o avanço de lideranças de direita na região, ampliando o bloco de governos com perfil mais conservador e influenciando o ambiente das negociações diplomáticas.

Acordo Mercosul-UE continua no centro das discussões

O principal tema da cúpula continua sendo o acordo Mercosul-União Europeia, considerado estratégico para ampliar o comércio entre os dois mercados.

Embora o tratado esteja em vigor de forma provisória desde maio, sua implementação definitiva ainda depende da aprovação do Tribunal de Justiça e do Parlamento europeu. O processo enfrenta resistência de setores políticos e econômicos em alguns países da Europa.

A expectativa é de que as conversas em Assunção contribuam para acelerar esse processo e reforcem o compromisso dos integrantes do bloco com a ampliação das relações comerciais internacionais.

Japão pode iniciar negociações com o Mercosul

Outro tema aguardado durante a cúpula é o anúncio oficial da abertura das negociações para um futuro acordo comercial entre Mercosul e Japão.

A possibilidade ganhou força neste mês após o encontro entre o presidente Lula e a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, realizado paralelamente à reunião do G7, em Évian-les-Bains, na França.

Caso seja confirmada, a negociação representará mais um passo na estratégia do Mercosul de diversificar mercados e ampliar sua presença no comércio global.

Agenda bilateral ainda depende de confirmação

Em razão da rápida passagem de Lula por Assunção, a Presidência da República ainda não confirmou reuniões bilaterais durante o evento.

Mesmo assim, há expectativa de um encontro entre o presidente brasileiro e o presidente chileno, José Antonio Kast, que demonstrou interesse em conversar com Lula durante a cúpula.

FONTE: Folhapress
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/DANIEL DUARTE/AFP/JC

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Comércio Internacional

Argentina reduz impostos sobre trigo e cevada para aliviar pressão sobre produtores rurais

O governo da Argentina anunciou a redução dos impostos de exportação sobre trigo e cevada, medida que deve trazer alívio financeiro aos produtores rurais no momento em que são definidas as estratégias de plantio para a safra 2026/27.

A avaliação foi divulgada na sexta-feira (22) pela Bolsa de Grãos de Rosário, após o presidente Javier Milei confirmar a decisão no dia anterior.

Pelas novas regras, a alíquota aplicada às exportações das duas culturas será reduzida de 7,5% para 5,5% a partir de junho.

Medida pode elevar preços pagos ao produtor

Segundo estimativas da bolsa de Rosário, a mudança deve impulsionar os preços de compra do trigo argentino entre 2,2% e 2,3%.

Na prática, isso representa um acréscimo de aproximadamente US$ 4,8 a US$ 4,9 por tonelada métrica, valor que pode ajudar a compensar o aumento dos custos com combustível, fertilizantes e frete, fatores que vêm pressionando as margens de rentabilidade do setor agrícola.

Decisão coincide com início do plantio de grãos de inverno

A redução tributária foi anunciada em um momento estratégico para o calendário agrícola do país.

O plantio dos grãos de inverno já está em andamento em diversas regiões argentinas. Dados oficiais de meados de maio apontavam avanço da semeadura de trigo em províncias como Entre Ríos, Tucumán, Catamarca e Santiago del Estero.

Já o cultivo da cevada registrava progresso em áreas da província de Buenos Aires e em outras regiões produtoras.

Governo sinaliza possível redução também para a soja

Além das mudanças envolvendo trigo e cevada, Milei indicou que os impostos sobre a exportação de soja poderão passar por cortes graduais a partir de janeiro de 2027.

A sinalização é acompanhada de perto pelo mercado, considerando o peso estratégico da commodity para a economia argentina.

Argentina mantém protagonismo no mercado global

A Argentina ocupa posição de destaque no comércio internacional de grãos.

O país está entre os principais exportadores mundiais de trigo e lidera globalmente as exportações de produtos processados de soja, setor fundamental para sua balança comercial.

A expectativa é que a redução tributária fortaleça a competitividade externa do agronegócio argentino e estimule novos investimentos na produção agrícola.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Agustin Marcarian

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Economia

Argentina registra fuga recorde de dólares e investimento estrangeiro fica negativo sob governo Milei

A Argentina vive um cenário econômico contraditório em relação ao discurso oficial do governo de Javier Milei. Enquanto a Casa Rosada defende que a abertura econômica impulsionaria uma forte entrada de capital estrangeiro, os números do Banco Central argentino apontam avanço na saída de dólares do país.

Em março de 2026, empresas estrangeiras remeteram US$ 876 milhões em lucros para suas matrizes no exterior, o maior volume registrado em mais de 15 anos. O movimento evidencia a preferência de multinacionais por retirar recursos da economia argentina em vez de reinvesti-los localmente.

Investimento estrangeiro direto fecha trimestre no vermelho

O cenário se agravou com os dados do relatório de Investimento Estrangeiro Direto (IED) referentes ao quarto trimestre de 2025. Segundo o Banco Central da Argentina, o país encerrou o período com saldo negativo de US$ 4,687 bilhões.

Na prática, isso significa que houve mais saída do que entrada de capital estrangeiro na economia argentina. Parte do resultado foi impulsionada pelo pagamento de dívidas comerciais do setor agroexportador com empresas controladoras no exterior.

O resultado contrasta com a expectativa criada pelo governo argentino de transformar o país em um dos principais destinos de investimentos internacionais da América Latina.

Taxa de reinvestimento despenca para 17%

Outro indicador que acendeu alerta no mercado foi a forte queda na taxa de reinvestimento das empresas estrangeiras instaladas na Argentina.

Dados oficiais apontam que apenas 17% dos lucros gerados pelas multinacionais permaneceram no país. Isso significa que, a cada US$ 100 obtidos em operações locais, US$ 83 foram enviados para fora da Argentina.

Especialistas avaliam que níveis reduzidos de reinvestimento costumam refletir cautela das empresas em relação às perspectivas econômicas e à estabilidade do ambiente de negócios.

Liberalização cambial facilitou saída de recursos

A política de liberalização cambial adotada pelo governo de Javier Milei também contribuiu para acelerar as remessas ao exterior.

As mudanças reduziram barreiras para transferência de dólares por empresas estrangeiras, permitindo maior liberdade nas operações financeiras internacionais.

Apesar de a medida ter sido apresentada como mecanismo para atrair investimentos, economistas argumentam que o efeito imediato acabou favorecendo a saída de capital já instalado no país.

Programa RIGI ainda não entregou entrada expressiva de capital

O governo argentino apostou no programa RIGI (Regime de Incentivo a Grandes Investimentos) como principal ferramenta para estimular novos aportes internacionais.

O projeto oferece benefícios fiscais e regulatórios para setores estratégicos, como mineração, petróleo e gás natural. A expectativa oficial era criar uma “avalanche de dólares” por meio da entrada de grandes investidores estrangeiros.

No entanto, os dados do Banco Central indicam que os investimentos prometidos ainda não se converteram em fluxo significativo de recursos para a economia real.

Analistas apontam que existe diferença entre aprovação de projetos no papel e efetiva chegada de capital para fábricas, infraestrutura e geração de empregos.

Investimentos se concentram em setores extrativistas

Além do baixo volume de novos aportes, especialistas destacam preocupação com o perfil dos investimentos que seguem entrando na Argentina.

Grande parte dos recursos está concentrada em atividades ligadas ao setor financeiro, mineração e petróleo — segmentos que costumam ter menor impacto direto na geração de empregos industriais e no fortalecimento da economia produtiva.

Economistas argentinos também alertam para o risco de um modelo baseado na exploração de recursos naturais com posterior remessa dos lucros ao exterior, reduzindo os efeitos positivos internos do investimento estrangeiro.

Economia enfrenta pressão cambial e perda de competitividade

A saída de dólares e a redução do investimento produtivo podem gerar efeitos relevantes sobre a economia argentina nos próximos meses.

Entre os principais impactos apontados estão a pressão sobre o câmbio, menor geração de empregos industriais e redução da capacidade de crescimento econômico sustentável.

O cenário também amplia o debate sobre a eficácia das políticas de abertura econômica implementadas pelo atual governo para recuperar a confiança dos investidores internacionais.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Comércio Internacional

Indústria na Argentina recua e importações crescem sob governo Milei, aponta relatório

O encerramento da unidade da Whirlpool em Pilar, na província de Buenos Aires, deixou de ser um caso isolado e passou a refletir uma transformação mais ampla na economia argentina. Levantamento do Instituto de Pensamento e Políticas Públicas indica que empresas vêm substituindo a produção local pela importação de produtos prontos.

A tendência atinge setores relevantes como eletrodomésticos, automóveis, calçados e móveis, impactando diretamente a indústria argentina e o mercado de trabalho.

Abertura comercial e câmbio influenciam cenário

Segundo o relatório, fatores como a abertura comercial, a valorização cambial e a queda do consumo interno tornaram mais vantajoso importar do que manter operações industriais no país. Esse movimento ocorre em um contexto de retração econômica e aumento da insatisfação social.

O presidente Javier Milei reconheceu recentemente as dificuldades enfrentadas pela população, admitindo que o período recente tem sido desafiador.

Caso Whirlpool ilustra avanço das importações

O estudo aponta a Whirlpool como exemplo emblemático dessa mudança. A empresa encerrou sua fábrica em 2025, demitindo cerca de 300 trabalhadores, mas manteve presença no mercado por meio da importação.

As compras externas de máquinas de lavar cresceram significativamente, enquanto a aquisição de insumos para produção local praticamente desapareceu em 2026. Parte da produção foi transferida para o Brasil, reforçando a substituição da manufatura interna por produtos importados.

Importações disparam e produção industrial cai

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos mostram queda de 8,7% na produção industrial em fevereiro de 2026, na comparação anual. No acumulado do ano, a retração chega a 6%.

Ao mesmo tempo, as importações de bens de consumo cresceram 44% desde 2023, enquanto a entrada de veículos aumentou mais de 200%. A redução da atividade industrial é ampla, atingindo a maioria dos segmentos.

Setores de calçados e móveis também são afetados

A substituição da produção nacional por importações também se intensificou em outros setores. Empresas ampliaram compras externas de móveis e artigos domésticos, enquanto marcas esportivas aumentaram significativamente a importação de calçados.

No setor calçadista, o crescimento das importações foi acompanhado pelo fechamento de unidades produtivas e perda de empregos, evidenciando o impacto direto na economia industrial.

Margens elevadas e debate sobre lucratividade

O relatório aponta ainda que empresas estariam operando com margens elevadas na venda de produtos importados. Em alguns casos, itens adquiridos por valores baixos no exterior chegam ao consumidor com preços significativamente maiores.

Representantes do setor, no entanto, argumentam que custos adicionais — como logística, impostos e distribuição — reduzem a margem efetiva de lucro.

Desindustrialização aumenta pressão sobre o governo

O avanço das importações e a retração da produção local ampliam o debate sobre desindustrialização na Argentina. O relatório destaca perda acelerada da capacidade produtiva e redução do emprego industrial.

Esse cenário ocorre em paralelo ao aumento da pressão política sobre o governo, diante de uma economia mais dependente de importações e com menor dinamismo interno.

FONTE: Revista Forum
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mídia Ninja

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Economia

Argentina endurece regras e dificulta retirada de dólares do país

O governo da Argentina anunciou um novo conjunto de medidas que torna mais rígidas as operações de envio de recursos ao exterior. As regras, divulgadas pelo Banco Central, têm como alvo principal mecanismos usados no mercado paralelo de câmbio, especialmente o chamado blue-chip swap, prática comum entre investidores para acessar dólares fora do sistema oficial.

Restrições ao câmbio paralelo

As novas diretrizes fazem parte de uma estratégia para conter a saída de divisas e reforçar as reservas internacionais da Argentina. O endurecimento das regras dificulta o uso do câmbio paralelo, frequentemente adotado por empresas e investidores para transferir moeda estrangeira para fora do país.

A medida também busca aliviar a pressão sobre o peso argentino e conter impactos inflacionários — fatores que influenciam diretamente a estabilidade econômica e a popularidade do governo de Javier Milei.

Governo tenta fortalecer reservas

No fim de 2025, o país já havia anunciado um programa de compra de moeda estrangeira para ampliar suas reservas, um dos principais desafios da política econômica atual. No mesmo dia em que as novas regras foram divulgadas, o Banco Central realizou sua maior aquisição de dólares em 2026, somando US$ 281 milhões.

A expectativa do governo é que, com o controle mais rígido sobre a saída de recursos, haja aumento no fluxo de entrada de capital estrangeiro, impulsionado por setores como energia e agronegócio.

Flexibilização do câmbio oficial

Enquanto o cerco ao mercado paralelo foi ampliado, houve flexibilização em operações pelo câmbio oficial. Entre as mudanças, destacam-se:

  • Fim do limite de saque de US$ 50 em cartões emitidos no país;
  • Ampliação do prazo para liquidação de receitas de exportação;
  • Eliminação da exigência de autorização prévia para pagamento de dívidas financeiras externas.

Essas medidas visam facilitar o ambiente de negócios e incentivar exportações, contribuindo para o ingresso de moeda estrangeira na economia argentina.

Expectativa de maior entrada de dólares

O governo projeta aumento no volume de divisas nas próximas semanas, sustentado por:

  • Crescimento do setor de energia;
  • Expansão das exportações agrícolas;
  • Entrada de investimento estrangeiro direto;
  • Emissões de dívida corporativa no exterior.

Reformas econômicas ganham respaldo

Relatório recente do Banco Mundial destacou a Argentina como uma exceção positiva na América Latina, apontando melhora nas expectativas econômicas e nas condições financeiras após a adoção de medidas de estabilização.

Desde 2023, a gestão de Javier Milei tem implementado uma agenda de reformas econômicas liberais com foco no controle da inflação e retomada do crescimento. Entre os principais indicadores:

  • Risco-país em queda: o EMBIG recuou de cerca de 2.200 pontos para menos de 600 em março de 2026;
  • Atração de investimentos: programas como o RIGI impulsionam setores estratégicos, incluindo energia, mineração de lítio e tecnologia;
  • Projeções de crescimento: estimativa acumulada de 12,2% entre 2024 e 2027.

Perspectivas para o PIB

O Banco Mundial projeta crescimento de 3,6% para a economia argentina em 2026, após expansão de 4,4% em 2025 e retração de 1,3% em 2024. Em comparação, o Brasil deve crescer 2,2% em 2025, após alta de 2,8% no ano anterior.

FONTE: Veja
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rica Canepa/Bloomberg/Getty Images

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Internacional

Milei anuncia 90 reformas estruturais para redesenhar a Argentina pelos próximos 50 anos

O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou neste domingo que pretende enviar ao Congresso um pacote com 90 reformas estruturais ao longo de 2026. A proposta, segundo ele, busca “redesenhar a arquitetura institucional” do país com impacto projetado para as próximas cinco décadas.

O anúncio foi feito durante o discurso anual do chefe do Executivo ao Parlamento, em um pronunciamento marcado por críticas à oposição e defesa de uma agenda de transformações profundas.

Reformas devem atingir economia e sistema tributário

De acordo com Milei, as mudanças abrangerão áreas estratégicas como economia, sistema tributário, código penal, sistema eleitoral, educação, Justiça e defesa nacional.

O presidente afirmou que o novo pacote dará sequência ao ciclo de ajustes iniciado após sua posse, em 2023, e reforçou que as propostas fazem parte de um projeto de longo prazo para consolidar uma “nova Argentina”.

Continuidade do plano iniciado em 2023

Durante o discurso, Milei destacou que seu governo já promoveu “nove meses ininterruptos de reformas estruturais”, defendendo que as medidas implementadas até agora representam apenas a primeira etapa de um processo mais amplo de reconfiguração do Estado argentino.

A fala também foi marcada por confrontos verbais com parlamentares da oposição, evidenciando o ambiente político polarizado que acompanha a tramitação das propostas no Congresso.

Com o novo pacote, o governo sinaliza a intenção de aprofundar sua agenda liberal, ampliando o debate sobre o futuro institucional e econômico do país.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Internacional

Hidrovía: governo abre propostas e Estados Unidos pode entrar na disputa pela concessão

O governo argentino avança nesta terça-feira com a abertura dos envelopes da licitação da Hidrovía, etapa que revelará quais empresas formalizaram ofertas para assumir a concessão de dragagem e balizamento da Vía Navegable Troncal.

O processo ocorre em meio a questionamentos apresentados à Procuraduría de Investigaciones Administrativas (PIA) pelo engenheiro José María Lojo, ex-presidente do Consórcio de Gestão do Porto La Plata e atual titular do Conselho Portuário Argentino. A denúncia envolve o presidente Javier Milei, o ministro da Economia Luis Caputo e o titular da ANPyN, Iñaki Arreseigor, por supostas irregularidades no processo.

Jan De Nul lidera corrida pela concessão

A principal candidata à concessão é a belga Jan De Nul, atual responsável pelos serviços de dragagem. A empresa larga em vantagem por sua experiência acumulada no sistema troncal de navegação argentino.

Nos bastidores da Casa Rosada, há expectativa de que pelo menos mais uma companhia apresente proposta. A presença de concorrência é vista como essencial para dar maior respaldo político ao processo e evitar críticas sobre eventual favorecimento.

Entre as possíveis concorrentes estão a também belga DEME e a neerlandesa Van Oord. Já a Boskalis, que chegou a ser citada anteriormente como interessada, praticamente não deve participar.

Empresas dos EUA podem mudar o cenário

Uma eventual entrada de companhias norte-americanas pode alterar significativamente o panorama da disputa. Nomes como Great Lakes Dredge & Dock Company e Weeks Marine são apontados como possíveis interessados.

Caso isso se confirme, o movimento teria peso geopolítico relevante, sinalizando apoio da diplomacia dos Estados Unidos e reconfigurando o equilíbrio da concorrência. A presença americana poderia gerar incertezas quanto à permanência da atual operadora à frente da hidrovia pelos próximos 30 anos.

Debates técnicos e ausência da província de Buenos Aires

Durante o ano passado, foram realizadas mesas de participação no âmbito da licitação da Hidrovía, com contribuições de usuários do sistema e representantes provinciais. Nessas discussões, surgiram demandas técnicas, econômicas e estratégicas relacionadas à competitividade e à eficiência logística.

Apesar da importância da província no comércio exterior argentino, a província de Buenos Aires não esteve representada nesses encontros, o que chamou atenção diante de seu peso portuário e produtivo.

Canal Magdalena perde protagonismo

Paralelamente, o debate sobre o Canal Magdalena perdeu espaço na agenda política. O projeto, historicamente defendido como alternativa estratégica para garantir saída direta ao mar sem dependência do Canal Punta Indio, ficou em segundo plano.

O governador Axel Kicillof, que em gestões anteriores defendia abertamente a iniciativa, reduziu suas manifestações públicas sobre o tema nos últimos meses.

Concessão estratégica para o comércio exterior

A Hidrovía Paraná-Paraguai é considerada eixo central do comércio exterior argentino, concentrando grande parte das exportações agrícolas e industriais do país. Por isso, a nova concessão é vista como decisão estratégica tanto do ponto de vista econômico quanto geopolítico.

A abertura das propostas deve indicar o nível real de concorrência no processo e o grau de interesse internacional pela principal via de escoamento da produção argentina.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Economia

Atividade econômica da Argentina cresce 3,5% em dezembro e supera projeções do mercado

A atividade econômica da Argentina registrou alta de 3,5% em dezembro na comparação com o mesmo mês de 2024, desempenho muito acima da expectativa de 0,5% projetada por analistas consultados pela Reuters. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (24) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos.

O resultado indica aceleração frente a novembro, quando o indicador havia apresentado retração de 0,3%.

Crescimento anual deve alcançar 4,4% em 2025

Com o avanço de dezembro, a terceira maior economia da América Latina deve encerrar 2025 com expansão acumulada de 4,4%, segundo estimativas oficiais.

O desempenho reforça sinais de retomada após meses de volatilidade econômica e ajustes fiscais promovidos pelo governo.

Agro lidera alta; indústria recua

Entre os setores que compõem o indicador mensal, 11 registraram crescimento na comparação anual.

O maior destaque foi o segmento de agricultura, pecuária, caça e silvicultura, que avançou 32%, impulsionado por uma produção recorde de trigo. O bom desempenho do campo foi determinante para o resultado positivo do mês.

Em sentido oposto, o setor manufatureiro apresentou queda de 3,9%, refletindo dificuldades persistentes na indústria.

Ajuste fiscal e reformas estruturais

Desde que assumiu a presidência, Javier Milei tem adotado medidas de forte ajuste fiscal, com cortes de gastos públicos, estratégia que contribuiu para a desaceleração da inflação argentina.

O governo agora busca estimular a recuperação de áreas mais sensíveis da economia, como indústria, consumo e construção civil, que ainda operam em níveis considerados baixos por analistas.

Entre as principais apostas está a proposta de reforma trabalhista, apresentada como instrumento para dinamizar o mercado de trabalho e ampliar a geração de empregos formais. A iniciativa, no entanto, enfrenta resistência de sindicatos, que afirmam que as mudanças podem comprometer direitos trabalhistas históricos.

O desempenho de dezembro reforça as expectativas de recuperação gradual da economia argentina, ainda que desafios estruturais permaneçam no radar.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels/Freerange

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Greve

Estado de greve na Argentina pode afetar comércio exterior de SC, alerta Fiesc

A possibilidade de manutenção do estado de greve na Argentina preocupa o setor produtivo catarinense. Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), a continuidade das paralisações pode comprometer o comércio exterior de SC e gerar impactos relevantes na economia do Estado.

A tensão ocorre após o avanço da reforma trabalhista do presidente Javier Milei, aprovada nesta quinta-feira pela Câmara argentina e agora novamente encaminhada ao Senado, onde precisa ser analisada até 1º de março.

Risco de paralisação prolongada

Para a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, o cenário indica que o movimento grevista pode se estender até a aprovação definitiva da proposta.

De acordo com ela, a continuidade da mobilização pode provocar:

  • Aumento dos custos logísticos, devido à retenção de cargas em pontos de desembaraço aduaneiro;
  • Interrupções na cadeia de suprimentos;
  • Risco de falta de insumos importados;
  • Quebra no fluxo de caixa das empresas;
  • Atrasos no cumprimento de contratos internacionais;
  • Abalo na confiança e na reputação comercial entre os países.

A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, e Santa Catarina mantém forte relação bilateral, especialmente nos setores industrial e manufatureiro.

Momento era de crescimento no comércio bilateral

A avaliação da Fiesc é de que o impasse ocorre em um período favorável para as trocas comerciais entre os dois países, com aumento no volume negociado recentemente.

A falta de previsibilidade, segundo a entidade, pode comprometer o ritmo de crescimento das exportações e importações, afetando diretamente empresas catarinenses que dependem do mercado argentino.

Reforma trabalhista divide governo e sindicatos

Para viabilizar a aprovação na Câmara, o governo argentino flexibilizou alguns pontos do texto original. Ainda assim, mantém a proposta de reformular uma legislação trabalhista com cerca de 70 anos, criada durante o período do peronismo.

O presidente Javier Milei tem defendido mudanças estruturais com o argumento de modernizar a economia e tornar as regras mais flexíveis para empresas e trabalhadores. Entre os principais pontos da reforma trabalhista argentina estão:

  • Jornada de trabalho flexível, podendo variar entre 8 e 12 horas diárias;
  • Ampliação do período de experiência para até seis meses;
  • Restrição de greves em setores considerados essenciais;
  • Regras mais flexíveis para férias;
  • Medidas para reduzir a informalidade no mercado de trabalho, que atinge cerca de 40% dos empregos no país.

O embate permanece intenso entre centrais sindicais e governo. Milei, que venceu as eleições legislativas em outubro, conta com apoio do setor empresarial e respaldo político para levar adiante as mudanças estruturais.

FONTE: NSC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC

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