Tecnologia

China lança organização global para governança da inteligência artificial e amplia disputa pela liderança em IA

A China pretende dar um novo passo na corrida global pela inteligência artificial (IA) com a criação da Waico (Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial), entidade que será oficialmente apresentada ainda neste ano. Os detalhes da iniciativa devem ser divulgados durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (Waic), marcada para ocorrer entre os dias 17 e 20 de julho, em Xangai.

A proposta reforça a estratégia chinesa de ampliar sua influência na definição das regras internacionais para o desenvolvimento e o uso da IA, em um momento em que a tecnologia ganha espaço na economia e em diversos setores produtivos.

Organização busca ampliar participação de países em desenvolvimento

A criação de organismos voltados à governança da inteligência artificial não é inédita. Nos últimos anos, diferentes fóruns e acordos internacionais passaram a discutir padrões, regulamentações e diretrizes para o avanço da tecnologia.

Segundo estimativa do Fórum Econômico Mundial, divulgada em janeiro deste ano, a inteligência artificial poderá representar até 14% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial até 2030, movimentando cerca de US$ 15,7 trilhões.

Desde 2019, ao menos 13 iniciativas internacionais voltadas ao tema foram lançadas. Entre elas está a Iniciativa Global de Governança de IA, apresentada pela China em 2023, que defendia maior cooperação internacional, compartilhamento de conhecimento e ampliação do acesso às tecnologias de inteligência artificial.

Waico será a principal aposta da China para liderar a governança da IA

A nova organização representa a consolidação institucional dessa estratégia. Com a Waico, o governo chinês pretende assumir um papel de protagonismo na construção das regras globais para a inteligência artificial.

A proposta está baseada em dois pilares principais: ampliar a participação de países que ainda possuem menor desenvolvimento tecnológico e defender a soberania nacional na adoção de políticas relacionadas à IA.

Diferentemente de outras organizações internacionais, frequentemente compostas por economias mais desenvolvidas, a Waico pretende reunir um número maior de participantes e ampliar a representatividade dos países emergentes.

Modelo difere de iniciativas já existentes

A estratégia chinesa busca se diferenciar de iniciativas como a Parceria Global sobre IA (GPAI), os Princípios de IA da OCDE, a Convenção de IA do Conselho da Europa e o Processo de Hiroshima do G7, considerados modelos com participação mais restrita.

A proposta da Waico é oferecer apoio aos países que ficaram atrás na transformação digital impulsionada pela inteligência artificial, ao mesmo tempo em que pretende se tornar um dos principais espaços para debates internacionais sobre o futuro da tecnologia.

Xangai será sede da nova organização internacional

A cidade de Xangai foi escolhida para abrigar a sede da Waico por reunir um dos principais polos chineses de empresas de tecnologia, multinacionais e centros de pesquisa em inteligência artificial.

Segundo o governo chinês, essa estrutura oferece um ambiente favorável para o desenvolvimento de projetos, testes regulatórios e cooperação internacional na área.

Xi Jinping participará da maior conferência de IA do mundo

A criação da Waico foi anunciada inicialmente durante a edição de 2025 da Conferência Mundial de Inteligência Artificial pelo primeiro-ministro chinês, Li Qiang.

Neste ano, o evento contará pela primeira vez com a presença do presidente Xi Jinping, que deverá destacar a criação da nova organização e reforçar o posicionamento da China como um dos principais protagonistas na construção da governança global da inteligência artificial.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reproduçõão/Poder 360

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