Portos

Déficit de capacidade de contêineres nos portos do Brasil já equivale a um novo terminal

O crescimento da movimentação de contêineres no Brasil vem superando a capacidade da infraestrutura portuária disponível. A defasagem entre oferta e demanda já alcançou um patamar equivalente à implantação de um novo terminal de contêineres (Tecon) completo, segundo análise da consultoria Solve Shipping.

Crescimento da demanda pressiona infraestrutura portuária

O desempenho da economia brasileira tem impulsionado o fluxo de cargas conteinerizadas, especialmente nos principais corredores do comércio exterior brasileiro. No entanto, a expansão da infraestrutura não acompanha esse avanço no mesmo ritmo, criando gargalos operacionais cada vez mais evidentes.

De acordo com a Solve Shipping, o desafio não está apenas no aumento da demanda, mas na dificuldade estrutural de ampliar a capacidade instalada dos portos. O resultado é um desequilíbrio crescente entre o que o mercado exige e o que os terminais conseguem oferecer.

Burocracia e entraves regulatórios atrasam investimentos

A consultoria aponta que processos burocráticos, entraves regulatórios e insegurança jurídica têm retardado projetos de expansão portuária. Mesmo com terminais operando próximos do limite, novos investimentos enfrentam longos períodos de tramitação para obtenção de licenças ambientais, autorizações regulatórias e definições contratuais.

Esse cenário compromete a agilidade do setor portuário para responder às mudanças do mercado, elevando os custos logísticos e afetando a competitividade do Brasil no cenário internacional.

Risco de perda de cargas e estrangulamento logístico

Com a capacidade pressionada, os terminais existentes passam a operar sob maior estresse, o que se reflete em filas, menor previsibilidade operacional e risco de desvio de cargas para portos estrangeiros mais eficientes. Para a Solve Shipping, a continuidade desse modelo tende a ampliar o déficit de capacidade ao longo dos próximos anos.

Sem mudanças nos processos decisórios e maior coordenação entre os órgãos públicos, o país pode enfrentar um estrangulamento logístico em rotas estratégicas, prejudicando exportadores e importadores.

Planejamento de longo prazo é essencial

O diagnóstico reforça a necessidade de planejamento portuário de longo prazo e de um ambiente regulatório mais ágil. A consultoria destaca que a atração de investimentos privados depende de regras mais claras e previsíveis, capazes de garantir que a infraestrutura portuária acompanhe de forma sustentável o crescimento econômico do país.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Portos

Porto de Paranaguá realiza simulações de manobras para ampliar infraestrutura portuária

A expansão da infraestrutura do Porto de Paranaguá entrou em uma nova etapa com a realização de simulações de manobras de navios voltadas à análise da segurança operacional das futuras estruturas portuárias. Os testes consideraram a ampliação do píer público de granéis líquidos (PPGL), a implantação de um novo píer no Terminal de Líquidos (PAR50) e a construção do píer em formato “F” destinado ao carregamento de granéis sólidos vegetais.

As simulações foram conduzidas no Tanque de Provas Numérico da Universidade de São Paulo (TPN-USP) e reuniram práticos, comandantes de rebocadores, representantes da Capitania dos Portos e técnicos da Portos do Paraná.

Simulações analisam atracações e evolução das embarcações

Em ambiente digital, os participantes puderam acompanhar cenários de atracação, desatracação e evolução das embarcações considerando as novas configurações previstas para o porto. Os testes permitiram avaliar, em tempo real, como as futuras estruturas podem impactar as manobras dos navios.

Segundo a coordenadora de Sinalização, Balizamento e Monitoramento da Portos do Paraná, Julia Bruch, os estudos foram divididos em etapas. “No primeiro dia, analisamos os efeitos da primeira fase do píer em ‘F’, no cais oeste, sobre as manobras no PPGL. Em seguida, avaliamos o cenário com o píer em ‘F’ completo, o píer em ‘L’ do PAR50 e a ampliação da bacia de evolução”, explicou.

Dados reais da Baía de Paranaguá embasam os testes

Os cenários simulados foram construídos a partir de dados reais coletados na Baía de Paranaguá, incluindo informações sobre marés, correntes marítimas e rajadas de vento. Com base nesses parâmetros, o simulador realiza cálculos e projeta diferentes condições operacionais para navios leves e carregados, considerando calados atuais e projeções futuras.

“É como se o prático estivesse a bordo orientando o comandante. Isso permite identificar riscos operacionais e estudar formas de mitigação antes da execução das obras”, destacou Julia Bruch.

Relatório técnico irá consolidar recomendações

Ao final do processo, a equipe técnica da USP será responsável por elaborar um relatório consolidado com a análise dos dados gerados nas simulações. O documento deve reunir recomendações técnicas específicas para cada cenário, levando em conta fatores como tábua de marés, intensidade das correntes e atuação conjunta de práticos e rebocadores.

Participaram das atividades representantes da Portos do Paraná, entre eles o diretor de Operações Portuárias, Gabriel Vieira, o gerente de Engenharia Marítima, João Jardim, além de oficiais da Marinha, práticos e representantes das empresas de rebocagem.

Fonte: Com informações da Portos do Paraná.

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: PORTOS DO PARANÁ

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Comércio Exterior

Infraestrutura portuária impulsiona exportações e consolida Brasil como líder global da carne bovina em 2025

O Brasil encerrou 2025 consolidado como o maior produtor e exportador mundial de carne bovina, ultrapassando os Estados Unidos e alcançando um marco histórico para o agronegócio nacional. O resultado foi sustentado pela eficiência da infraestrutura portuária, que respondeu ao aumento da produção com agilidade logística e capacidade operacional.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o país exportou 3,45 milhões de toneladas de carne bovina ao longo do ano, crescimento de 20,9% em relação a 2024.

Receita recorde e integração logística

O desempenho nas exportações gerou uma receita histórica de US$ 18 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 95 bilhões, representando um avanço de 39,31% frente aos US$ 12,8 bilhões registrados no ano anterior. O resultado reflete a integração entre o aumento da produtividade no campo e os investimentos na modernização dos portos brasileiros.

Estados como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais lideraram a produção, enquanto os terminais portuários garantiram o escoamento da carne bovina para mais de 170 países. Entre os principais destinos estão mercados de alta exigência sanitária, como China e União Europeia.

Portos ganham protagonismo no escoamento da proteína

A estrutura portuária foi decisiva para absorver o crescimento da demanda internacional. O Porto de Santos (SP) manteve a liderança nacional e movimentou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina em 2025, alta de 13,3% em comparação com o ano anterior.

O Porto de Paranaguá (PR) se destacou como o principal corredor de exportação de proteína animal congelada do país. O terminal registrou crescimento expressivo de 46,5% na movimentação de carne bovina, totalizando 1,2 milhão de toneladas no período.

Já o Porto de São Francisco do Sul (SC) consolidou-se como a terceira principal rota logística do setor, com aumento de 20% nos embarques e volume total de 180 mil toneladas.

Infraestrutura como diferencial competitivo

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os números confirmam que a infraestrutura logística se tornou um diferencial estratégico para o país. Segundo ele, o papel dos portos foi garantir que o crescimento da produção não encontrasse gargalos no escoamento.

“O agronegócio brasileiro bateu recordes de produção, e nosso desafio foi assegurar que essa mercadoria chegasse ao mercado internacional com eficiência. O desempenho de portos como Santos e Paranaguá mostra que o Brasil está preparado para sustentar o crescimento econômico”, afirmou o ministro.

Logística eficiente fortalece competitividade internacional

Além de sustentar o aumento do volume exportado, a eficiência logística também ajudou o setor a enfrentar desafios externos, como o avanço de tarifas impostas pelos Estados Unidos. A redução de custos operacionais e a agilidade nos embarques contribuíram para preservar a competitividade da carne bovina brasileira, além de viabilizar a ampliação das exportações para novos mercados na Ásia e no mundo árabe.

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos / MDIC / Abiec

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: DIVULGAÇÃO MPOR

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Portos

Leilão do megaterminal Tecon Santos 10 pode atrasar e gera impasse no Governo Federal

O leilão do megaterminal Tecon Santos 10, previsto inicialmente para ocorrer até abril, pode não sair no prazo anunciado pelo Governo Federal. A informação foi confirmada após o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, solicitar à área técnica da pasta o adiamento do certame para maio. Desde então, divergências internas passaram a comprometer o cronograma oficial.

Debate chega ao Palácio do Planalto

O tema ganhou relevância dentro do governo e chegou ao Palácio do Planalto. Na última segunda-feira, Silvio Costa Filho participou de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Embora a pauta não tenha sido divulgada oficialmente, o Terminal de Contêineres Santos 10 (STS10) esteve no centro das discussões.

Restrição a armadores gera reação internacional

Um dos principais pontos de tensão envolve a proibição da participação de armadores no leilão, recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU) que será acatada pelo ministério. A decisão desagradou a Cosco Shipping, gigante chinesa do setor marítimo interessada no ativo. A empresa é controlada pelo governo da China, maior parceiro comercial do Brasil.

Além dos armadores, o TCU também vetou a participação de empresas que já operam terminais de contêineres no Porto de Santos, o que reduz o número de potenciais concorrentes.

Governo avalia modelo de concessão

Em meio às articulações políticas para definir seu sucessor no ministério — já que precisará deixar o cargo até abril para disputar uma vaga no Senado —, Costa Filho voltou a se reunir com ministros do TCU nesta quarta-feira (4). O encontro teve como foco as divergências sobre o modelo de licitação do terminal, analisado pelo tribunal no ano passado.

As regras definitivas ainda serão formalizadas no edital do leilão, que segue sem data de lançamento. Procurado, o Ministério de Portos e Aeroportos não se manifestou.

Megaterminal prevê investimento bilionário

O Tecon Santos 10 será implantado em uma área de 621,9 mil metros quadrados, com capacidade para movimentar 3,25 milhões de TEUs por ano, além de 91 mil toneladas de carga geral. O contrato de concessão terá duração de 25 anos e prevê investimentos de R$ 6,45 bilhões.

Setor vê possível adiamento com bons olhos

Para o diretor-executivo do Centronave, Claudio Loureiro, uma eventual paralisação do cronograma pode ser positiva. Segundo ele, uma reavaliação do projeto pelo Governo Federal e pelo TCU poderia abrir caminho para um modelo de ampla concorrência.

“Nossas associadas são empresas acostumadas a operar sob risco e plenamente capacitadas. Em um ambiente competitivo, a tendência é a oferta de valores robustos de outorga, pois há confiança no negócio”, afirmou.

Loureiro ressaltou ainda que o setor não se opõe às exigências regulatórias. “As empresas seguiriam as regras estabelecidas pelo governo. O desafio atual é estrutural: o Porto de Santos precisa ampliar sua capacidade.”

Órgãos não se manifestam

Até o fechamento desta edição, o TCU não respondeu aos questionamentos. O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, também foi procurado, mas não foi localizado.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Logística

Concessão de canais de acesso fortalece logística portuária e moderniza gestão no Brasil

O Governo Federal iniciou, em 2023, a adoção do modelo de concessão de canais de acesso aos portos brasileiros, dando um passo importante na modernização da infraestrutura portuária nacional. A iniciativa do Ministério de Portos e Aeroportos busca garantir investimentos contínuos, ampliar a segurança da navegação e aumentar a capacidade operacional dos portos, preparando-os para o crescimento da demanda e a operação de embarcações de maior porte.

Paranaguá como marco inicial

O leilão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá, realizado em outubro de 2025, marcou o primeiro contrato desse tipo no país. Previsto para 25 anos, com possibilidade de prorrogação, o contrato envolve investimentos superiores a R$ 1 bilhão e abrange a administração, manutenção e exploração da infraestrutura aquaviária, incluindo canais, bacias de evolução e áreas de fundeio.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, ressaltou a importância do projeto: “Os canais de acesso são tão estratégicos quanto os terminais portuários. Com concessões específicas, garantimos investimentos permanentes, mais segurança na navegação e melhores condições para operar navios maiores e mais modernos, fortalecendo a logística, reduzindo custos e ampliando a competitividade brasileira.”

Sinal de maturidade institucional

Para o secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, a concessão de Paranaguá simboliza tanto avanço técnico quanto maturidade institucional do setor portuário. “Esse modelo traz previsibilidade, segurança jurídica e eficiência operacional. À medida que expandirmos para outros portos, a mensagem para o mundo é clara: o Brasil se prepara para o futuro, com infraestrutura planejada e capaz de atender ao crescimento do comércio marítimo internacional”, afirmou.

Próximos projetos e expansão da logística

Após Paranaguá, o Ministério de Portos e Aeroportos trabalha na estruturação de novos projetos de concessão. O canal de acesso ao Porto de Itajaí (SC) está mais avançado, com processo já submetido ao Tribunal de Contas da União (TCU) e investimentos estimados em mais de R$ 300 milhões, visando ampliar a capacidade operacional do porto.

Outros canais estratégicos, como os de Santos (SP), Rio Grande (RS) e portos sob gestão da Codeba (BA), seguem em fase de estudos, análises técnicas e articulações institucionais, ainda sem cronograma definido para leilão.

Além das dragagens, os projetos incluem manutenção contínua, sinalização náutica e gestão integrada do tráfego aquaviário, garantindo segurança operacional, previsibilidade logística e eficiência no escoamento de cargas.

O objetivo do ministério é consolidar um ambiente regulatório estável e atrativo para investimentos privados, alinhando a infraestrutura aquaviária ao crescimento da demanda, à evolução da frota marítima e às necessidades do comércio exterior brasileiro.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cláudio Neves – Portos do Paraná

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Portos

Dragagem do Porto de Suape é concluída com investimento de R$ 217 milhões

A dragagem do canal interno do Porto de Suape foi oficialmente entregue pela governadora Raquel Lyra e pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. Considerada estratégica, a obra amplia a capacidade operacional do Complexo Industrial Portuário de Suape e fortalece a logística portuária de Pernambuco.

O investimento totalizou R$ 217 milhões, com recursos do Governo Federal e do Governo de Pernambuco. Do total, R$ 100 milhões foram aportados pela União e R$ 117 milhões pelo Estado. A intervenção permite que o porto receba navios de grande porte, da classe Suezmax, com maior volume de carga.

Acesso ao novo terminal de contêineres

A dragagem é considerada uma etapa fundamental para viabilizar o acesso de embarcações maiores ao novo terminal de contêineres em construção no complexo. O empreendimento, de caráter privado, está sendo desenvolvido pela APM Terminals e prevê investimento estimado em R$ 1,6 bilhão.

Com o aumento do calado, o porto passa a operar com maior eficiência e competitividade, criando condições para a expansão do comércio exterior e para a atração de novos investimentos produtivos no Estado.

Redução de custos e ganho de eficiência logística

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Guilherme Cavalcanti, destacou que a obra reduz custos e amplia o potencial operacional do porto. Segundo ele, a possibilidade de atracação de navios pós-Panamax com carga máxima torna o frete mais barato e aumenta o volume de operações.

“Isso fortalece o papel de Suape como um hub logístico do Nordeste”, afirmou.

Porto mais atrativo para novos investimentos

Para o diretor-presidente do Porto de Suape, Armando Monteiro Bisneto, a conclusão da dragagem marca um novo ciclo de desenvolvimento. “A ampliação da capacidade operacional torna o porto ainda mais atrativo para grandes empresas e reforça a base industrial e logística de Pernambuco”, declarou.

Hub logístico do Nordeste

Atualmente, o Porto de Suape responde por cerca de 94% da movimentação de cargas do Estado. Com a ampliação do canal interno, o complexo consolida sua posição como plataforma logística regional, capaz de concentrar e redistribuir cargas para outros portos do Nordeste e para o interior do país.

Segundo Armando Monteiro Bisneto, a obra elimina limitações históricas e posiciona Suape em um novo patamar competitivo, beneficiando diretamente a indústria instalada no entorno do porto.

Investimentos estruturantes na região

A entrega da dragagem ocorre em paralelo a outros investimentos estratégicos na região. Entre eles está a ampliação da Refinaria Abreu e Lima, onde a Petrobras prevê aplicar mais de R$ 10 bilhões no projeto do Trem 2, com potencial de geração de milhares de empregos diretos e indiretos.

Para o governo federal, a combinação entre obras portuárias, expansão industrial e infraestrutura logística consolida Suape como um dos principais vetores de desenvolvimento econômico de Pernambuco e do Nordeste.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Porto de Suape

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Portos

Leilão do megaterminal no Porto de Santos entra em debate sobre participação de armadores

A estatal chinesa Cosco, uma das maiores armadoras de transporte marítimo do mundo, solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a revisão da regra que impede a participação de armadores no leilão do Tecon Santos 10, megaterminal de contêineres previsto para ser licitado em abril, no Porto de Santos.

O pedido foi protocolado na última segunda-feira e encaminhado tanto à Superintendência-Geral quanto à Presidência do Tribunal do Cade. Em resposta por e-mail, o órgão informou que o documento está sob análise.

Argumento é ausência de risco concorrencial

No ofício, a Cosco sustenta que não há fundamentação técnica ou concorrencial que justifique a exclusão prévia de armadores do certame, especialmente daqueles que não possuem ativos operacionais no cais santista. A empresa afirma ainda que a integração vertical entre armadores e terminais portuários não configura ilegalidade por si só.

Segundo a companhia, eventuais riscos à livre concorrência poderiam ser tratados por meio de instrumentos regulatórios e pela atuação posterior do próprio Cade, sem comprometer a competitividade do leilão.

Exclusão pode reduzir disputa e arrecadação

A Cosco avalia que a retirada generalizada de armadores tende a reduzir a rivalidade entre concorrentes, afastar grupos qualificados e, consequentemente, diminuir a eficiência econômica e a arrecadação do certame. A empresa argumenta que esse entendimento vai na contramão de pareceres técnicos da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), da área econômica do Ministério da Fazenda e de decisões recentes do próprio Cade.

Modelo do leilão prevê duas etapas

O edital do Tecon Santos 10 estabelece que o leilão ocorrerá em duas fases. Na primeira, armadores estão impedidos de participar. Eles só poderiam disputar o arrendamento em uma segunda etapa, caso não haja interessados inicialmente.

Mesmo nesse cenário, empresas que já operam terminais no Porto de Santos teriam de renunciar aos contratos vigentes para assumir o novo terminal. A regra foi definida pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), com base em recomendações da Antaq e do Tribunal de Contas da União (TCU), com o objetivo de evitar concentração de mercado.

Licitação está prevista para abril

O leilão do Tecon Santos 10 deverá ocorrer até o dia 30 de abril, com outorga mínima de R$ 500 milhões, conforme recomendação do TCU. O anúncio foi feito pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, no início do mês.

Segundo o ministro, a pasta planeja realizar um roadshow na B3, em fevereiro, para apresentar o projeto a cerca de 11 ou 12 potenciais investidores. A expectativa é de participação de grupos nacionais e estrangeiros, incluindo empresas chinesas, filipinas e norte-americanas.

O cronograma prevê o lançamento do edital em março, com vitória do grupo que oferecer o maior valor de outorga.

Megaterminal ampliará capacidade do Porto de Santos

O Tecon Santos 10 ocupará uma área de 621,9 mil metros quadrados, no cais do Saboó, com capacidade para movimentar 3,25 milhões de TEU por ano, além de 91 mil toneladas de carga geral. O contrato de arrendamento terá duração de 25 anos, com investimentos estimados em R$ 6,45 bilhões.

O projeto inclui a construção de quatro berços de atracação, elevando em cerca de 50% a capacidade de contêineres do Porto de Santos, que poderá alcançar 9 milhões de TEU anuais. Estudos indicam que, sem a expansão, o porto pode atingir a saturação até 2028.

Projeto viabiliza mudança do terminal de cruzeiros

O novo terminal é considerado estratégico para a transferência do Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini, atualmente operado pelo Concais, para a região do Valongo. A futura concessionária será responsável pelas instalações offshore, localizadas em frente ao Parque Valongo.

A mudança do terminal de cruzeiros da área de Outeirinhos para o centro histórico é defendida pelos governos municipal, estadual e federal, com expectativa de revitalização urbana da região.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/AT

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Logística

Terminal Barra do Rio completa 10 anos e reforça papel estratégico de Itajaí no comércio global

Em janeiro de 2016, o Terminal Barra do Rio Terminal Portuário S/A iniciou suas operações em Itajaí (Santa Catarina), dando início a uma trajetória marcada por crescimento, investimentos e fortalecimento da logística portuária no Sul do Brasil. Dez anos depois, o empreendimento celebra uma década de atuação conectando a cidade às principais rotas do comércio global.

Ao longo desse período, o Terminal consolidou-se como um dos pontos estratégicos para operações portuárias no país. A estrutura oferece soluções completas para a movimentação de contêineres, carga geral, carga projeto, granéis sólidos e serviços alfandegados, atendendo tanto operações de importação quanto de exportação. O terminal também atua de forma expressiva na cabotagem e como entreposto aduaneiro.

Investimentos em infraestrutura impulsionam eficiência operacional

O crescimento do Terminal Barra do Rio está diretamente ligado aos investimentos contínuos em infraestrutura. Atualmente, o complexo conta com uma área total de cerca de 70.000 m², píer de 220 m, 18.000 m² de armazéns cobertos com 4.130 posições de pallets e uma ampla retroárea destinada às operações logísticas.

Nos últimos anos, o terminal ampliou sua capacidade operacional por meio da modernização do pátio, melhorias no piso operacional, aquisição de equipamentos como reach stackers e um novo scanner, além da implantação de sistemas de gestão que elevaram os níveis de eficiência e segurança das operações.

Capital humano e relacionamento como diferenciais competitivos

O avanço registrado ao longo dos últimos 10 anos também foi acompanhado pela formação de uma equipe qualificada e comprometida. Clientes e parceiros destacam o atendimento ágil, a capacidade de adaptação às demandas do mercado e a proximidade no relacionamento como diferenciais do Terminal Barra do Rio.

Relatos de parceiros reforçam a postura profissional dos colaboradores e o comprometimento da gestão com metas claras e foco em resultados, refletindo os valores que norteiam a empresa: companheirismo, engajamento e respeito.

Visão de futuro e integração às rotas globais

Para Ricardo Ramos Moraes, Diretor-Presidente do Terminal, a celebração dos 10 anos vai além do tempo de operação e simboliza a consolidação de um propósito maior. 

“Chegar a uma década de operação é um marco que nos enche de orgulho. Não apenas pelo que construímos em termos de infraestrutura e processos, mas principalmente pela confiança que nossos clientes, parceiros e colaboradores depositaram em nós ao longo desses anos. Seguimos com a mesma determinação de sempre, inovar, servir com excelência e ampliar nossa atuação para integrar ainda mais Itajaí às principais rotas globais de comércio.” — Ricardo Ramos Moraes.

O Terminal Barra do Rio também tem avançado em iniciativas estratégicas voltadas ao futuro, como a abertura de novas rotas marítimas — incluindo uma ligação inédita com a África — e a adoção de práticas sustentáveis alinhadas aos desafios contemporâneos do setor logístico.

Ao completar uma década de operação, o Terminal reafirma sua posição como um elo vital da cadeia de suprimentos brasileira, refletindo não apenas a evolução da infraestrutura portuária nacional, mas também sua capacidade de adaptação às exigências de um mercado cada vez mais globalizado.

Fonte: Terminal Barra do Rio

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Portos

Obra de R$ 12 milhões remove obstáculo submerso em porto estratégico de Santa Catarina

Uma obra avaliada em R$ 12 milhões está em andamento no Porto de São Francisco do Sul, no Litoral Norte de Santa Catarina, para eliminar um obstáculo submerso que limita a operação dos berços 101 e 102. A intervenção, iniciada em 2025, prevê a retirada de uma rocha submersa com volume equivalente a cinco contêineres, permitindo que o local atinja 14 metros de profundidade.

Atualmente, a presença da pedra obriga embarcações a realizarem manobras adicionais durante a atracação, o que eleva os custos logísticos e reduz a eficiência das operações portuárias.

Rocha está entre os principais berços do terminal

O obstáculo possui cerca de 370 metros cúbicos e está localizado a 10,5 metros de profundidade, entre dois dos berços mais utilizados do terminal. Os trabalhos são executados pela empresa Náutica Marítima Serviços, vencedora do processo licitatório.

Neste momento, a equipe concentra esforços na perfuração e fragmentação da rocha, etapa considerada uma das mais delicadas da obra. Ainda não há uma data definitiva para a conclusão dos serviços.

Derrocagem sem explosivos reduz impacto ambiental

A remoção da rocha está sendo feita por meio de derrocagem mecânica, sem o uso de explosivos. O método utiliza martelos de fundo, rompedores hidráulicos e, na etapa final, uma escavadeira hidráulica para retirar o material fragmentado.

Segundo a administração do porto, a técnica foi escolhida por minimizar impactos ambientais, além de garantir maior segurança operacional durante a execução dos trabalhos.

Obra foi dividida em duas etapas

A intervenção foi planejada em duas fases para evitar a paralisação prolongada das atividades portuárias. A primeira etapa ocorreu em janeiro de 2025 e durou aproximadamente um mês, período estrategicamente escolhido para não comprometer a operação dos navios graneleiros.

A segunda etapa teve início em dezembro de 2025, após o encerramento da safra de soja, permitindo a retomada dos trabalhos sem interferir no pico de movimentação do terminal.

Porto de São Francisco do Sul bate recordes

Considerado um porto estratégico para Santa Catarina, o Porto de São Francisco do Sul é o maior do estado em volume de cargas. Em 2025, o terminal movimentou 17,5 milhões de toneladas de mercadorias, o maior resultado em seus 70 anos de operação.

O crescimento foi de 39% nos últimos três anos: foram 12,6 milhões de toneladas em 2022, 16,8 milhões em 2023 e 17 milhões em 2024.

No mesmo ano, o porto também alcançou um recorde financeiro, com faturamento de R$ 189 milhões, alta de 8% em relação a 2024, quando registrou R$ 175 milhões.

FONTE: ND+
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Porto de São Francisco do Sul/ND Mais

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Portos

Porto de Chancay completa primeiro ano e redefine a logística do Pacífico sul-americano

O Porto de Chancay, no Peru, encerrou seu primeiro ano de operação efetiva consolidando a transição de um grande projeto de infraestrutura para um hub logístico em funcionamento, com movimentação real de cargas e conexão direta com a Ásia. Idealizado como um porto de águas profundas, altamente automatizado e orientado a rotas diretas com a China, o terminal passou a operar dentro dos padrões dos grandes complexos portuários globais.

Inaugurado institucionalmente em 2024, o porto iniciou suas operações comerciais em junho de 2025, após a liberação das licenças pelas autoridades peruanas. A operação é conduzida pela COSCO Shipping Ports Chancay Perú S.A., controlada majoritariamente pelo grupo chinês COSCO Shipping Ports, em parceria com o grupo peruano Volcan.

Infraestrutura moderna e foco em grandes navios
Desde o planejamento, o Porto de Chancay foi estruturado para receber navios porta-contêineres de grande porte, com calado profundo, sistemas digitais integrados e um túnel logístico exclusivo que conecta o terminal à Rodovia Pan-Americana. A solução reduz interferências urbanas e amplia a eficiência operacional.

No primeiro ciclo operacional, o porto concentrou-se em cargas alinhadas à sua hinterlândia, priorizando fluxos com ganhos logísticos evidentes e compatíveis com a geografia andina.

Exportações agrícolas lideram o início das operações
As primeiras exportações via Chancay foram dominadas por produtos agrícolas perecíveis, especialmente mirtilos, uvas e abacates, embarcados pelo Peru e por outros países andinos com destino ao mercado asiático. Esses embarques se destacaram pelo uso do porto para cargas sensíveis ao tempo, aproveitando uma redução de até 15 dias no trânsito marítimo até a China em comparação a outros portos da América Latina.

Além do Peru, Equador, Chile e Colômbia passaram a utilizar o terminal para exportações regionais, principalmente de frutas e produtos frescos voltados ao mercado asiático.

Importações chinesas e cargas especiais
No fluxo inverso, o porto recebeu importações originadas majoritariamente da China, incluindo máquinas, equipamentos industriais, veículos, bens de consumo duráveis e cargas especiais de grande porte, como equipamentos elétricos e industriais. Os dados são respaldados por registros da Autoridade Portuária Nacional do Peru (APN).

Redução do tempo de viagem é principal diferencial
Um dos pontos mais relevantes observados no primeiro ano foi a redução do tempo de transporte marítimo entre o Pacífico sul-americano e a China. As rotas diretas a partir de Chancay operaram entre 23 e 25 dias, enquanto trajetos tradicionais, dependentes do Canal do Panamá ou de múltiplas escalas, seguem entre 35 e 40 dias.

O ganho logístico beneficia especialmente cargas perecíveis e de maior valor agregado, reduzindo custos financeiros, riscos de deterioração e incertezas operacionais.

Hub emergente do Pacífico e impacto econômico
Ao longo de 2025, o Porto de Chancay passou a ser citado como um hub emergente do Pacífico sul-americano, atraindo cargas de países andinos e reforçando a integração comercial com a Ásia, ainda que em escala inicial. Autoridades peruanas indicam potencial de contribuição relevante ao PIB do Peru, além da geração de empregos diretos e indiretos e estímulo a investimentos logísticos no entorno do terminal.

Integração com o Brasil ainda não saiu do papel
Apesar das expectativas criadas em torno de corredores bioceânicos e da integração logística Brasil–Pacífico, o primeiro ano de operação não registrou qualquer carga brasileira utilizando o Porto de Chancay. Não há manifestos marítimos, dados aduaneiros, anúncios de operadores ou registros de operações piloto envolvendo exportadores do Brasil.

Estados frequentemente citados nesse debate, como Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, também não apresentaram movimentações logísticas efetivas via o porto peruano.

Limites da integração regional
A ausência brasileira está ligada a fatores estruturais conhecidos, como a inexistência de corredores terrestres plenamente operacionais, os altos custos da travessia andina, a falta de escala logística e a competitividade ainda superior das rotas atlânticas.

Segundo a APN e a COSCO Shipping Ports, o balanço do primeiro ano mostra que Chancay opera de forma consistente dentro de sua realidade geográfica, conectando o Pacífico sul-americano à Ásia de maneira mais direta. Ao mesmo tempo, evidencia que o porto ainda não é uma alternativa logística viável para o Brasil, nem um substituto imediato às rotas pelo Atlântico.

Perfil asiático-andino e desafios futuros
Neste estágio, o Porto de Chancay se consolida como um terminal de perfil asiático-andino, com protagonismo peruano e chinês. Sua expansão continental dependerá diretamente da evolução da infraestrutura terrestre sul-americana.

Ao fim do primeiro ciclo operacional, o porto comprova que infraestrutura portuária moderna gera ganhos concretos quando acompanhada por rotas marítimas eficientes, mas também revela os limites da integração regional diante da ausência de corredores logísticos terrestres funcionais. Para os investidores chineses, o ativo já opera com cargas reais e benefícios mensuráveis; para a América do Sul, o desafio permanece fora do porto.

FONTE: China 2 Brazil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Li Muzi/ Xinhua

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