Importação

Importação de medicamentos no Brasil atinge US$ 6,5 bilhões e amplia déficit da indústria farmacêutica

O Brasil registrou um forte avanço nas importações de medicamentos, que alcançaram US$ 6,53 bilhões entre janeiro e maio, elevando o déficit da indústria farmacêutica e reforçando a dependência do país de produtos estrangeiros no setor de saúde.

O crescimento é impulsionado por fatores como o aumento da demanda por medicamentos de alto custo, o envelhecimento da população e as limitações da indústria nacional em inovação e produção em larga escala.

Alta nas importações supera crescimento geral do comércio

No acumulado do ano, as importações de medicamentos cresceram 14,4% em relação ao mesmo período de 2025, desempenho muito acima da alta de 3,2% registrada no total das importações brasileiras.

A participação do setor também vem aumentando de forma contínua: os medicamentos representaram 5,6% de todas as importações em 2026, ante 5,1% em 2025, 4,9% em 2024 e 3,9% em 2019.

No fechamento de 2025, o país importou cerca de US$ 14,2 bilhões em medicamentos, alta de 18% sobre o ano anterior, consolidando uma sequência de três anos consecutivos de crescimento de dois dígitos.

Envelhecimento populacional impulsiona demanda por remédios

Especialistas apontam o avanço da transição demográfica como um dos principais fatores por trás da expansão do mercado. A maior proporção de pessoas idosas aumenta a necessidade de tratamentos contínuos e de maior complexidade.

Dados do IBGE mostram que a população com 40 anos ou mais passou de 37,1% em 2017 para 43,9% no primeiro trimestre deste ano.

Para o setor, esse envelhecimento pressiona o sistema de saúde e amplia a demanda por medicamentos mais avançados, muitas vezes não produzidos localmente.

Segundo Reginaldo Arcuri, presidente do Grupo FarmaBrasil, o cenário reflete uma mudança estrutural no perfil de consumo:

“Há demanda por medicamentos mais modernos em uma população que envelhece rapidamente, mas em um país com renda per capita ainda baixa”, afirmou.

Medicamentos do SUS também aumentam pressão sobre importações

A ampliação da oferta de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também contribui para elevar a demanda, especialmente por tratamentos mais sofisticados.

De acordo com especialistas, o acesso gratuito a medicamentos é fundamental em um país com desigualdade social elevada, mas também pressiona o orçamento público e o mercado de importação.

Remédios para obesidade lideram vendas e são majoritariamente importados

Entre os cinco medicamentos mais vendidos no varejo brasileiro entre 2021 e 2025, quatro não são produzidos no país.

Os destaques são os chamados medicamentos para perda de peso, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, que ocupam posições de liderança no ranking de vendas.

O único produto entre os cinco primeiros fabricado no Brasil é o Glifage XR, usado no tratamento de diabetes.

Outro medicamento relevante é o Forxiga, também voltado ao tratamento de doenças metabólicas e cardiovasculares, cujo envase é realizado no país, embora a produção completa não seja nacional.

Exportações estagnadas ampliam déficit comercial

Enquanto as importações crescem, as exportações do setor farmacêutico permanecem praticamente estagnadas.

Entre janeiro e maio, o Brasil exportou US$ 499,2 milhões em medicamentos, patamar que se mantém próximo de US$ 450 milhões a US$ 500 milhões desde 2017.

No acumulado anual, as vendas externas giram em torno de US$ 1 bilhão há uma década, evidenciando baixa competitividade internacional da indústria.

Com isso, o déficit comercial da indústria farmacêutica atingiu US$ 13,1 bilhões em 2025, acima dos US$ 11 bilhões registrados no ano anterior.

Déficit tecnológico e dependência de inovação externa

Economistas apontam que o desequilíbrio está ligado ao atraso tecnológico do setor diante da aceleração global da inovação farmacêutica após a pandemia.

Segundo Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o país enfrenta uma defasagem estrutural:

“O Brasil precisa não apenas alcançar a fronteira tecnológica, mas acelerar esse processo”, afirmou.

Fármacos biológicos ganham espaço com envelhecimento da população

O avanço da idade média da população também aumenta a demanda por biotecnologia farmacêutica, incluindo anticorpos monoclonais usados no tratamento de doenças como câncer e demência.

Esses medicamentos, no entanto, ainda têm baixa produção local, reforçando a dependência de importações de alta complexidade.

Alta tecnologia concentra maior parte das importações do setor

A indústria farmacêutica faz parte do segmento de alta tecnologia, junto com setores como eletrônicos e aeronáutica, todos historicamente deficitários no comércio exterior brasileiro.

Dados do Iedi mostram que os medicamentos representaram 34% das importações de alta tecnologia no primeiro trimestre de 2026, ante 25,9% em 2010.

Brasil depende de insumos farmacêuticos importados

Mesmo com avanços na produção de genéricos, o país ainda depende fortemente da importação de IFAs (ingredientes farmacêuticos ativos).

Segundo especialistas, algumas empresas já verticalizaram parte da produção, mas a maior parte dos insumos continua sendo adquirida no exterior.

China e Índia se destacam globalmente como principais fornecedores de componentes e medicamentos acabados.

Estados Unidos lideram fornecimento ao Brasil

Entre janeiro e maio, os Estados Unidos foram responsáveis por 24% das importações brasileiras de medicamentos. Em seguida aparecem Alemanha (15%), Suíça (9%), Irlanda (8%) e Itália (7%).

Dependência externa reforça debate sobre política industrial

Especialistas defendem uma estratégia nacional coordenada para reduzir a dependência externa e fortalecer a indústria farmacêutica brasileira.

Países como Estados Unidos, membros da União Europeia, além de China, Índia e Coreia do Sul, são citados como exemplos de políticas industriais ativas no setor, com foco em inovação, produção e qualificação regulatória.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Celso Doni/Valor

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ANVISA

Anvisa atualiza regras para reconhecimento de agências sanitárias estrangeiras

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou novas regras para o reconhecimento de autoridades reguladoras internacionais consideradas equivalentes ao sistema sanitário brasileiro. A mudança foi oficializada por meio da Instrução Normativa nº 451/2026, divulgada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (15).

A medida busca tornar mais ágil a análise de processos relacionados à Certificação de Boas Práticas de Fabricação (CBPF) e às inspeções sanitárias de fabricantes de medicamentos, produtos biológicos, insumos farmacêuticos ativos e produtos de Cannabis medicinal.

Nova norma amplia uso de avaliações internacionais

A atualização altera dispositivos da Instrução Normativa nº 292/2024 e redefine os critérios para enquadramento das chamadas Autoridades Reguladoras Estrangeiras Equivalentes (AREE).

Na prática, a agência brasileira poderá aproveitar informações e avaliações realizadas por órgãos reguladores internacionais reconhecidos, reduzindo etapas burocráticas e evitando a duplicação de procedimentos já executados por outras autoridades sanitárias.

A expectativa é que a medida contribua para acelerar processos de certificação e facilite a entrada de produtos regulados no mercado brasileiro, sem alterar a responsabilidade final da Anvisa sobre as decisões.

Principais mudanças nas regras

Entre os principais pontos estabelecidos pela nova regulamentação estão:

  • A Diretoria Colegiada da Anvisa passa a ter autonomia para incluir ou retirar agências estrangeiras da lista de autoridades equivalentes após avaliação técnica;
  • Órgãos descentralizados vinculados a reguladoras já reconhecidas poderão receber automaticamente o mesmo nível de confiança regulatória, salvo restrições específicas;
  • O reconhecimento concedido a uma autoridade estrangeira poderá ser revisto ou cancelado a qualquer momento pela agência;
  • Documentos e informações emitidos por órgãos internacionais reconhecidos poderão ser utilizados na análise de pedidos de CBPF, reduzindo a necessidade de repetição de inspeções e avaliações.

Apesar da flexibilização, as empresas continuarão obrigadas a apresentar toda a documentação exigida em cada processo regulatório.

Lista de autoridades sanitárias reconhecidas foi atualizada

A nova instrução também revisou a relação de órgãos internacionais classificados com níveis de confiança regulatória parcial ou plena.

Entre as autoridades reconhecidas estão entidades de países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, França, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Suíça, Portugal, Espanha, México e diversos outros mercados considerados referência em vigilância sanitária.

Também permanecem na lista organismos de abrangência internacional, como a Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

Reconhecimento mútuo continua sem autoridades aprovadas

Embora a Anvisa tenha atualizado os níveis de confiança regulatória parcial e plena, a categoria mais elevada de cooperação internacional, denominada Reconhecimento Mútuo, segue sem nenhuma autoridade sanitária estrangeira oficialmente aprovada.

Esse nível representa o mais alto grau de confiança entre reguladores e permitiria um aproveitamento ainda mais amplo das avaliações realizadas por outras agências internacionais.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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ANVISA

Anvisa debate colaboração internacional na regulação de medicamentos em evento no Rio

A Anvisa promoverá, em parceria com entidades do setor farmacêutico, o evento “ICH Collaboration Opportunities for Brazil”, no próximo dia 1º de junho, no Hotel Windsor Barra, no Rio de Janeiro. A iniciativa vai discutir caminhos para ampliar a cooperação internacional na regulação de medicamentos e fortalecer a participação brasileira em fóruns globais do setor.

O encontro será realizado a partir das 17h15 e contará com representantes da indústria farmacêutica, especialistas em regulamentação sanitária e instituições internacionais ligadas ao segmento.

Evento reúne autoridades e indústria farmacêutica

A programação acontece paralelamente à reunião do International Council for Harmonisation of Technical Requirements for Pharmaceuticals for Human Use (ICH) no Brasil.

Além da Anvisa, participam da organização a Interfarma, o Sindusfarma e a International Federation of Pharmaceutical Manufacturers and Associations (IFPMA).

O principal objetivo do evento é promover o intercâmbio de experiências sobre harmonização regulatória, além de incentivar especialistas brasileiros a atuarem em iniciativas internacionais voltadas ao alinhamento de requisitos técnicos para medicamentos.

Debate deve fortalecer alinhamento regulatório

Durante o encontro, os participantes irão discutir estratégias de colaboração global e oportunidades para ampliar a integração do Brasil em processos internacionais de regulamentação sanitária.

A expectativa é que o debate contribua para avanços na regulação de medicamentos, no fortalecimento da indústria farmacêutica nacional e na aproximação com padrões internacionais adotados pelo ICH.

Inscrições estão abertas para participação remota

Interessados em acompanhar o evento de forma online podem realizar inscrição por meio de formulário eletrônico disponibilizado pela organização.

Evento: ICH Collaboration Opportunities for Brazil
Data: 1º de junho de 2026
Horário: a partir das 17h15
Local: Hotel Windsor Barra
Inscrições: https://forms.cloud.microsoft/r/k6yU5z8FLV 

FONTE: Anvisa
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Comércio Exterior, Importação, Industria, Inovação, Logística

Atualizações regulatórias e seus impactos na cadeia de suprimentos para o setor da saúde

A Unia, empresa especializada em logística integrada para a indústria farmacêutica, oferece soluções que garantam segurança, conformidade e eficiência na cadeia de suprimentos para o setor da saúde.

Atuando desde 1998, a Unia busca atender às necessidades específicas de importadores e exportadores em um mercado altamente regulado e em constante transformação. 

Alexandre Alencar, CFO e Sócio-Diretor da Unia, ressalta a relevância da logística integrada para o transporte de produtos farmacêuticos.
“Nosso compromisso é assegurar a conformidade regulatória, a rastreabilidade e a agilidade em todas as etapas da operação logística, reduzindo riscos e maximizando resultados para nossos clientes”, afirma. 

Um dos principais diferenciais da Unia é a visibilidade aduaneira, que reduz riscos e eleva a eficiência nas operações de importação. A empresa oferece monitoramento em tempo real, assegurando visibilidade completa em todas as etapas do processo — do embarque à entrega final ao cliente — com total conformidade às exigências dos órgãos reguladores. 

Outro ponto essencial da atuação da Unia é o acompanhamento contínuo das atualizações regulatórias, que impactam diretamente a cadeia de suprimentos de produtos para saúde. Essas mudanças, muitas vezes complexas, demandam soluções personalizadas e alinhadas às necessidades do setor, oferecendo aos clientes uma resposta ágil e adaptada às novas exigências. 

Citação: Com uma trajetória sólida, a Unia reforça sua posição como parceira estratégica para empresas da indústria farmacêutica e de produtos para saúde, enfrentando os desafios regulatórios e operacionais com inovação e expertise. 

Resumo:
“Nosso compromisso é garantir conformidade regulatória, rastreabilidade e agilidade, reduzindo riscos e potencializando resultados.” destaca Alencar. 

 

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