Industria

Indústria de SC é destaque no Prêmio Valor de Inovação

WEG integra lista das top 10 mais inovadoras e lidera categoria eletroeletrônicos; projeto da Tupy em parceria com SENAI é destaque

As empresas mais inovadoras do país foram homenageadas na 11ª edição do anuário “Valor Inovação Brasil”, principal premiação nacional no campo de pesquisa, desenvolvimento e inovação do país. Empresas de SC, ou com atuação relevante no estado, foram classificadas entre as mais inovadoras no ranking das 150 identificadas em pesquisa realizada pelo Valor em parceria com a Strategy&, da PwC, com destaque para a WEG, a única indústria catarinense entre as top 10 do país.

Na 10ª posição no anuário, a empresa teve 55% do faturamento do ano passado originado de produtos novos, lançados nos últimos cinco anos. Para manter o ritmo, investiu R$ 1,1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento em 2024, o equivalente a aproximadamente 2,8% da receita operacional líquida.

Com 66 fábricas e 144 laboratórios de testes em 13 países, a empresa atua em duas grandes frentes de inovação. A primeira segue uma das principais tendências do setor: a busca de mais sustentabilidade, com redução nas emissões de carbono. O segundo eixo tem foco na inteligência artificial (IA) e digitalização de processos industriais, com criação de sistemas e software usados internamente e vendidos a terceiros. A WEG também é a primeira na categoria eletroeletrônicos, seguida pela Whirlpool.

A fabricante de eletrodomésticos de Joinville abriga o maior centro global de pesquisa e desenvolvimento em refrigeração da vice-campeã da categoria eletroeletrônicos. “Desenvolvemos aqui tecnologias que depois são adotadas em países como Estados Unidos, Índia e México”, afirmou ao Valor Eduardo Vasconcelos, diretor jurídico e de relações governamentais da Whirlpool. A companhia investe de 3% a 4% do faturamento em inovação.

Alimentos e Bebidas
Na categoria Alimentos e Bebidas, a Duas Rodas ficou na 5ª colocação. A posição leva em conta os investimentos de 5% a 6% de sua receita em inovação. “Nosso foco atual são os bioativos, que é tudo o que conseguimos concentrar dentro de uma planta, vegetal, fruta, e que tenha relevância para ser inserida em um alimento”, explicou Rosemeri Francener, CEO da Duas Rodas. Um exemplo de inovação da empresa de Jaraguá do Sul é a vitamina C que é extraída da acerola. “Estávamos querendo substituir completamente a vitamina sintética. Começamos com 5%, 10% e hoje estamos com 40% — o restante é um veículo natural, à base de mandioca. É única no mundo”.

Bens de Capital
A categoria bens de capital tem três empresas com atuação em SC. A Tupy, segunda colocada, destinou R$ 58,5 milhões para investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 2024, dos quais 74% foram aplicados em projetos relacionados à sustentabilidade. A solução, já disponível no mercado, mantém até 85% dos componentes originais dos motores, reduz custos operacionais, com uma economia de até 40% nos gastos com combustível, e permite uma queda de até 60% nas emissões de CO2. Neste ano a Tupy também lançou seu motor a etanol para tratores.

A companhia também desenvolveu uma plataforma própria de inteligência artificial (IA) estruturada em três frentes: IA clássica, para prever falhas ainda na etapa inicial da produção; IA embarcada, com reconhecimento de imagem para controle de montagem de moldes; e IA generativa, que atua como assistente interativo para os operadores e técnicos. O sistema foi desenvolvido em parceria com o SENAI/SC e empresas apoiadas pela ShiftT, a aceleradora de startups da companhia.

A Nidec, terceira colocada em bens de capital, que investe entre 3% e 4% de seu faturamento em desenvolvimento tecnológico, registrou entre 2023 e 2024 mais de 40 patentes desenvolvidas por suas equipes no Brasil. Uma das inovações da Nidec é um novo compressor para refrigeradores e freezers de uso doméstico, da linha VES. Os compressores tradicionais trabalham a uma velocidade fixa e desligam quando o refrigerador atinge a temperatura programada, enquanto nos equipamentos da linha VES a velocidade e a capacidade de refrigeração variam de acordo com a demanda, reduzindo o consumo de energia.

Na quarta posição, a Thyssenkrupp se destaca pelo projeto das Fragatas Tamandaré que envolve a construção simultânea de três embarcações em um único estaleiro, o que é inédito no país. Elas estão sendo construídas na TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, estaleiro que pertence ao grupo alemão, em parceria com a Marinha do Brasil. Entre as inovações do projeto está a solução StandPipe Vision AI, um sistema baseado em IA que realiza inspeções automatizadas em fornos de coque de usinas siderúrgicas.

A empresa usa uma metodologia construtiva totalmente digitalizada e acessível em totens e tablets e que elimina o uso de uma grande quantidade de documentos impressos que precisam ser constantemente atualizados, além de uma ferramenta de realidade aumentada na montagem das fragatas, que permite validações em tempo real de cada etapa.

Materiais de construção
A primeira posição na categoria materiais de construção é da Dexco, detentora de marcas como Deca, Portinari e Hydra. Dos R$ 2,5 bilhões aprovados para o crescimento da empresa entre 2021 e 2026, 10% são voltados à inovação disruptiva. Só o programa Open Dexco alocou, nos últimos três anos, R$ 2,7 milhões em 35 projetos-piloto para resolver “dores” de qualquer natureza do negócio.

Segunda empresa do setor de materiais de construção mais inovadora do Brasil, a Ciser, fabricante de fixadores, aposta no hub Colmeia, que engloba as áreas de P&D avançada, inovação aberta e gestão de projetos. Além disso, desenvolve programas como o HackaCiser (hackaton voltado para solucionar problemas internos) e o Desafix (busca startups para solução de problemas operacionais, de custo etc.) Com investimento entre 1% e 5% da receita operacional líquida em inovação, a empresa desenvolveu uma série de novos produtos, como o Nanotec 45K (revestimento para aplicação em fixadores instalados em ambientes altamente corrosivos por chuva ácida).

Quarta colocada no ranking da categoria, a Tigre, líder em tubos e conexões de PVC, investe cerca de 1% do seu faturamento anual em inovação. A decisão tem mostrado resultados: entre 6% e 7% da receita da indústria de SC vem de produtos lançados nos últimos cinco anos. “Isso demonstra que a inovação não só abre portas em novos mercados, como também gera fidelização de clientes ao entregar soluções mais eficazes, sustentáveis e adaptadas às demandas atuais”, disse ao Valor o head de inovação, Guilherme Lutti. Um exemplo é a Multifam, estação de tratamento com capacidade para atender até duas mil residências e que, segundo a empresa, mantém a eficiência com menor impacto ambiental — consome 45% menos energia e ocupa área 40% menor.

Outros setores
A ArcelorMittal, com atuação em São Francisco do Sul, foi a 3ª colocada na categoria mineração, metalurgia e siderurgia. 
Na categoria papel e celulose, três empresas com atuação em SC foram classificadas entre as cinco primeiras: Klabin (2ª), Irani (3ª) e Smurfit Westrock (5ª)

O processo de apuração teve o apoio de três professores especializados: Dora Kaufman, professora do programa Tecnologias da Inteligência e Design Digital da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia da PUC-SP; Hugo Tadeu, professor e diretor do Núcleo de Inovação e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral; e Luiz Serafim, professor na FIA, FGV, Inov, Esalq/USP e O Novo Mercado.

Com informações do Valor Econômico e das assessorias de imprensa das empresas

Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Comércio Exterior, Exportação

Abimaq: Tarifaço deve zerar exportação de máquinas aos EUA

A sobretaxa dos Estados Unidos a produtos brasileiros deve levar as empresas de máquinas a parar de exportar para o mercado norte-americano a partir de setembro, segundo a diretora de competitividade, economia e Estatística da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Cristina Zanella.

“A gente está vendo o agravamento da desaceleração (nas vendas) por causa das tarifas extras de 40% sobre máquinas e equipamentos anunciadas pelo governo Trump (que se somam à taxa mínima de 10%). Vai ter impacto principalmente a partir do próximo mês em exportações. Elas devem tender a zero para aquele mercado. Houve perda grande de competitividade por causa da sobretaxa”, disse Zanella em entrevista coletiva nesta quarta-feira (27)

Os Estados Unidos recebem aproximadamente 26% das exportações de máquinas do Brasil, o que equivale a aproximadamente US$ 300 milhões mensais, de acordo com dados da Abimaq.

Zanella também descartou uma grande melhora na competitividade dos produtos brasileiros em função da decisão do governo dos Estados Unidos de taxar qualquer produto com aço ou alumínio sob os termos da Seção 232 da Lei de Expansão Comercial americana, que permite tarifas específicas a produtos para promover a segurança nacional.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também responde pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), havia dito na semana passada que isso deixaria os produtos brasileiros com uma desvantagem relativamente menor, mas Zanella ressaltou que, ainda assim, será muito difícil concorrer com outros fornecedores de máquinas dos Estados Unidos.

“Quando se olha para todas as sobretaxas anunciadas, o Brasil tem uma das maiores, só tem a Índia de equivalente. Se a gente pega a proporção da máquina, aquela que não é especificamente relacionada ao aço e ao alumínio vai ser taxada pela tarifa recíproca. Vai diminuir a diferença (em relação a outros países, exceto a Índia) por causa da proporção de aço e alumínio, mas produtos dos EUA, Canadá e México têm tarifa zero”, acrescentou.

O efeito das medidas de socorro ao setor

Todas as medidas anunciadas pelo governo para conter os prejuízos das tarifas dos Estados Unidos são importantes e ajudam a mitigar os problemas trazidos pelas sobretaxas, afirmou Zanella.

Ela destacou o Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários). O programa devolve aos exportadores parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva, na forma de crédito tributário.

O plano do governo é antecipar os efeitos da reforma tributária, que entrará em vigor em 2027, desonerando a atividade exportadora aos Estados Unidos.

Sob o plano de contingência do governo, o porcentual de imposto que será devolvido às empresas que exportarem aos EUA aumenta em 3 pontos porcentuais. Assim, grandes e médias empresas passam a contar com até 3,1% de alíquota, e micro e pequenas, com até 6%. As novas condições valerão até dezembro de 2026.

Zanella, porém, afirma que a proposta seria mais eficaz se fosse mais abrangente do que o anunciado.

“Anúncio foi de que o crédito seria dado somente para empresas que exportam aos EUA. Provavelmente as empresas vão deixar de exportar. O que a gente espera é que governo coloque o Reintegra para todos os exportadores, independentemente do mercado em que atua, porque consegue dar competitividade para atuar em qualquer outro mercado do mundo”, afirmou.

As medidas de estímulo à ‘Indústria 4.0’

Sobre as linhas de financiamento anunciadas recentemente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o desenvolvimento da Indústria 4.0, a Abimaq ainda não tem estimativas sobre o impacto do programa. No entanto, considera que o efeito pode ser menos positivo do que aparenta.

“A expectativa é que haja substituição de investimentos com taxa (de juros) mais alta por outra mais baixa, que é o que está sendo oferecido agora. Vai ter pouco reflexo no resultado geral. Se fossem agregar investimentos, o que é pouco provável, os R$ 12 bilhões em recursos conseguiriam suprir com folga o que a gente venderia para os EUA. Mas o receio é que os investimentos sejam substituídos, não adicionados. Empresas que já iriam investir com taxa de 20% a 22% vão conseguir investir com taxa menor”, afirmou.

Receita da indústria de máquinas cresceu 7,3% em julho

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos encerrou julho com uma receita líquida total de R$ 26,716 bilhões. Este valor representa um aumento de 0,3% em relação a junho e um crescimento de 7,3% comparado a julho do ano passado. Nos 12 meses até julho, o setor acumulou um aumento de 7,4% na receita.

No mercado interno, a receita líquida foi de R$ 19,700 bilhões, indicando uma retração de 5,1% em relação ao mês anterior. No entanto, o desempenho anual foi positivo, com um crescimento de 14,5%.

O consumo aparente somou R$ 36,374 bilhões, registrando um crescimento de 1,2% em relação ao mês anterior e de 8,9% em relação a julho do ano passado.

No cenário internacional, as exportações de julho contabilizaram US$ 1,269 bilhão, ou 20,7% a mais em relação a junho, mas uma queda de 4,8% na comparação com julho de 2024.

As importações somaram US$ 2,905 bilhões, com um crescimento de 11,3% em relação ao mês anterior e 8,6% na comparação anual. O saldo da balança comercial do setor em julho foi negativo, com um déficit de US$ 1,636 bilhão.

Em termos de emprego, o setor tinha 424,903 mil funcionários no final de julho, marcando um aumento de 1,1% em relação a junho e de 9,1% em comparação com julho de 2024.

Carteira de pedidos

A carteira de pedidos cresceu 0,6% em julho, após recuar 2,7% em junho. “Houve melhora nas carteira dos setores relacionados aos fabricantes de bens de consumo, obras de infraestrutura e componentes”, disse a Abimaq em relatório. O setor está com carteira de pedidos igual à de dezembro de 2024, mas inferior em 1,2% à observada em julho do mesmo ano.

O nível de utilização da capacidade instalada cresceu 0,1% em relação a junho ao atingir 78%, valor 2,5% superior ao do mesmo mês de 2024. Em média o setor atuou em 2025 com 77,6% da sua capacidade, 3,4 pontos porcentuais acima do nível de 2024 (74,2%).

Máquinas agrícolas

O segmento de máquinas e implementos agrícolas registrou receita líquida total de R$ 6,624 bilhões, um aumento de 4,7% em relação ao mês anterior e 7,7% em comparação com o mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses, o crescimento acumulado foi de 5,5%.

A receita líquida interna somou R$ 5,847 bilhões, registrando aumento de 5,1% ante junho e de 10,9% comparado a julho do ano passado.

No comércio exterior, as exportações de máquinas agrícolas totalizaram US$ 140,71 milhões, caindo 7,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As importações ficaram em US$ 102,48 milhões, recuo de 13,5% na mesma comparação.

Fonte: CNN Brasil

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Exportação, Industria

Indústria prevê queda nas exportações pela primeira vez desde 2023 com impacto do tarifaço

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros começa a impactar as expectativas da indústria. O índice que mede a projeção de exportações para os próximos seis meses caiu 5,1 pontos em agosto, recuando para 46,6 pontos. A expectativa de queda nas vendas externas não ocorria há 21 meses, desde novembro de 2023, segundo a Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira.

A própria CNI reduziu de 2% para 1,7% a estimativa de crescimento da indústria em 2025, em meio aos efeitos dos juros altos e ao agravamento do cenário externo. A confederação calcula que a medida deve reduzir em mais de US$ 5 bilhões o valor exportado neste ano, levanto a uma queda da projeção para US$ 341,9 bilhões. Com isso, o superávit comercial deve cair 14% em relação a 2024, para US$ 56,6 bilhões.

– A piora das expectativas de exportações da indústria está muito relacionada às incertezas do cenário externo, principalmente em função da nova política comercial americana – afirma Isabella Bianchi, analista de Políticas e Indústria da CNI, em nota.

Desde 6 de agosto, quase metade da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos está sujeita à tarifa combinada de 50% imposta pelos americanos. Segundo levantamento da CNI, em 2024, a exportação desses bens alcançou US$ 17,5 bilhões, segundo levantamento da CNI.

Os efeitos do tarifaço também se refletem nas expectativas de emprego. O índice que mede a projeção de postos de trabalho caiu para 49,3 pontos em agosto, indicando que os empresários não esperam mais crescimento na contratação nos próximos meses.

Além disso, a pesquisa mostra ainda retração nos índices de expectativa de demanda (53,1 pontos) e de compras de insumos e matérias-primas (52,1 pontos). Embora ambos ainda estejam acima da linha de 50 pontos (o que indica crescimento), o ritmo projetado é menor que em julho.

O índice de intenção de investimento também recuou, para 54,6 pontos, menor patamar desde outubro de 2023, embora ainda acima da média histórica.

Fonte: O Globo

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Economia, Exportação, Finanças, Informação, Tributação

Consumidor e empresas americanas reclamam de taxação contra o Brasil, diz economista

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria revela que setor terá queda nas exportações pela primeira vez em quase dois anos

Em entrevista, o economista Roberto Gianetti analisa os impactos da taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil: “Ninguém sabe dizer o que vai acontecer amanhã”. O especialista destaca que pode ocorrer um efeito de acomodação dos fluxos de comércio, e dá ênfase a setores mais vulneráveis, como a indústria de peixe no Nordeste.

“O consumidor americano e as empresas americanas que importam nossos produtos estão reclamando com tanta veemência em Washington, que em algum momento eles vão ter que ceder. Essa é a nossa expectativa, o problema não é só nosso”, pontua ainda.

Após as tarifas, setores da economia buscam novos mercados para tentar substituir os parceiros comerciais. Apesar da estratégia, o cenário é pessimista — uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (20) pela Confederação Nacional da Indústria revela que o setor terá queda nas exportações pela primeira vez em quase dois anos.

Fonte: R7

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Industria

Expectativa de crescimento da indústria em 2025 cai para 1,7%, diz CNI

Projeção de crescimento econômico continua em 2,3%. Agro e mercado de trabalho devem sustentar PIB em meio ao tarifaço

Pressionada pelos juros altos e o cenário externo turbulento, a indústria deve crescer menos em 2025. O Informe Conjuntural do 2º trimestre, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (19), reduz de 2% para 1,7% a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do setor. Por outro lado, a projeção para a agropecuária é de alta significativa, passando de 5,5% para 7,9%. O setor, somado a um mercado de trabalho aquecido, deve sustentar o crescimento de 2,3% do PIB mesmo em meio ao aumento das tarifas americanas sobre as exportações brasileiras. 

O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, ressalta que a composição do crescimento da economia para 2025 não deve ser tão positiva como no ano passado. 


“Quando abrimos os números, identificamos um problema: os setores mais próximos do ciclo econômico, como a indústria e os serviços, têm apresentado um dinamismo cada vez menor. Nesse cenário, a projeção para o PIB não mudou porque a safra agrícola foi maior do que imaginávamos e o mercado de trabalho continua bastante aquecido, mas a composição do crescimento não é tão positiva”, avalia. 


Confira o comentário completo do diretor:

Exportações devem cair mais de US$ 5 bi 

Embora o volume de exportações tenha crescido 2%, os preços das exportações caíram 2% entre janeiro e julho de 2025. Nesse cenário, as exportações totalizaram US$ 198 bilhões no período, ante US$ 197,8 bilhões entre janeiro e julho de 2024. 

Além disso, a imposição de uma tarifa de 50% para parte das exportações brasileiras pode desacelerar o fluxo de vendas da indústria de transformação para os Estados Unidos. Nos sete primeiros meses do ano, o setor exportou US$ 19 bilhões para os EUA, 7% a mais do que no mesmo recorte do ano passado. Parte do resultado positivo se deve à antecipação de importações pelas empresas americanas como resposta à nova política comercial dos EUA. 

Em meio ao cenário externo incerto, a CNI diminuiu de US$ 347,3 bilhões para US$ 341,9 bilhões o valor previsto para as exportações brasileiras, uma queda de US$ 5,4 bilhões em relação ao Informe Conjuntural do 1º trimestre. 

“Grande parte da redução nas exportações se deve ao aumento das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros. É importante que essas taxas adicionais sejam reduzidas, pois as medidas compensatórias anunciadas pelo governo são positivas, mas não são capazes de substituir o mercado americano para um número grande de empresas e setores”, explica Mário Sérgio Telles.

Apesar dos riscos de desvio de comércio e do crescimento da compra de bens intermediários e de bens de capital no 1º semestre, as importações devem perder ritmo no restante do ano por causa da desaceleração da atividade industrial. Projeta-se que as importações atinjam US$ 285,2 bilhões e não mais US$ 283,3 bilhões, como previsto. 

Com isso, a balança comercial brasileira deve ser superavitária em US$ 56,6 bilhões em 2025, valor 14% menor do que no passado. 

Indústria de transformação vai crescer menos que o previsto

A indústria de transformação registrou resultados negativos no 1º semestre de 2025, depois de crescer 3,8% em 2024. A demanda por bens industriais não apresenta o mesmo ritmo do ano passado, o que impactou a produção e o faturamento do setor nos últimos meses. A CNI avalia que os juros altos, o ritmo aquecido das importações e a provável queda das exportações – por causa da nova política comercial dos EUA – vão restringir a atividade industrial. Por isso, projeta-se que o PIB da indústria de transformação deve subir 1,5% em 2025. Vale lembrar que a CNI previa crescimento de 1,9% para o setor. 

Para o diretor de Economia da CNI, a perda de ritmo da indústria de transformação é preocupante. “Mesmo com várias medidas acertadas, como a Nova Indústria Brasil e o Programa de Depreciação Acelerada, o crescimento da indústria de transformação deve cair muito em comparação ao ano passado. Isso se deve, principalmente, à taxa de juros elevadíssima e ao aumento das importações, em parte por causa da política comercial americana”, destaca Mário Sérgio Telles. 

Embora também sinta os efeitos da desaceleração econômica, a indústria da construção seguirá aquecida graças à continuidade dos projetos iniciados em 2024 e ao bom desempenho do programa Minha Casa, Minha Vida, cujos lançamentos cresceram 31,7% no 1º trimestre. Por isso, a CNI mantém em 2,2% a estimativa de crescimento do PIB do setor. 

A indústria extrativa também será um dos destaques positivos do crescimento econômico de 2025. Não à toa, a CNI dobrou de 1% para 2% a expectativa de alta do setor, principalmente pelo aumento da produção de petróleo. Já o segmento de eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos teve sua previsão de alta mantida em 2,5%. 

As condições climáticas favoráveis, a produção animal e a safra recordes impulsionam a agropecuária, que deve liderar o crescimento da economia em 2025, com alta de 7,9%. Além disso, o setor é menos sensível ao ciclo econômico e, por ser voltado principalmente à demanda externa, seu mercado consumidor é bem menos afetado pelos juros elevados. 

O setor de serviços deve continuar apresentando ritmo de crescimento modesto ao longo do ano, e o mercado de trabalho aquecido e a expectativa de crescimento robusto do rendimento médio dos trabalhadores devem impedir uma retração do setor, cujo PIB deve subir 1,8% em 2025.

Mercado de trabalho vai crescer acima das expectativas 

A criação de empregos e a massa de rendimento dos trabalhadores cresceram acima das expectativas da CNI nos primeiros meses do ano. Para a segunda metade de 2025, o mercado de trabalho deve apresentar relativa estabilidade, uma vez que a economia deve crescer menos. O número de pessoas ocupadas deve aumentar 1,5% em 2025, 0,6 ponto percentual acima da projeção anterior.

Já a massa de rendimento real deve subir 5,5%, 0,7 ponto percentual a mais do que estimava o 1º Informe Conjuntural.  Com isso, a taxa de desocupação média deverá registrar o menor patamar da história pelo segundo ano consecutivo, ficando em 6%. 

Selic vai continuar igual e inflação cairá para 5%

Até julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 5,2% em 12 meses, situando-se acima da meta de 3%. No entanto, a inflação deve começar a ceder no 2º semestre, fechando o ano em 5%, acima do resultado de 2024, quando subiu 4,8%. 

A inflação atual, as expectativas para o IPCA e as incertezas do cenário externo devem contribuir para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantenha a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano até o fim de 2025. A política monetária contracionista deve limitar a 5,8% o crescimento real das concessões de crédito, abaixo dos 10,6% de 2024. 

Governo deve cumprir meta de resultado primário

As despesas primárias do governo federal devem crescer 3,3% em 2025, ante uma elevação de 2,2% da receita líquida, já considerando a arrecadação extra por causa do aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) e pela antecipação dos leilões de áreas não contratadas do pré-sal. Com isso, o governo deve encerrar o ano com déficit primário de R$ 22,9 bilhões, o equivalente a 0,2% do PIB, respeitando o limite inferior da meta de resultado primário, que é de déficit de R$ 31 bilhões (0,25% do PIB). 

A dívida bruta deve subir de 76,5% do PIB, em 2025, para 79% do PIB, em 2025. Para a CNI, sem um controle mais rígido das despesas obrigatórias, não será possível reverter a trajetória de crescimento da dívida pública.

Fonte: Portal da Indústria

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Economia

Indústria da zona do euro encolhe mais do que o esperado em junho, mas PIB cresce no 2º tri

A produção industrial da zona do euro caiu mais do que o esperado em junho, mesmo com crescimento econômico geral no segundo trimestre, contrariando as opiniões de que a união monetária de 20 países permanece resiliente às consequências de uma guerra comercial global.

A produção industrial caiu 1,3% em junho sobre o mês anterior com uma grande queda na Alemanha e a fraqueza da produção de bens de consumo, pior do que a expectativas de retração de 1,0%, mostraram dados do Eurostat nesta quinta-feira.

Além da surpresa negativa, o Eurostat também revisou sua estimativa de crescimento da produção para maio de 1,7% para 1,1%, sugerindo que a tendência subjacente é mais fraca do que se pensava.

Enquanto isso, o PIB cresceu 0,1% no segundo trimestre sobre os três meses anteriores, em linha com a estimativa preliminar, e o emprego aumentou apenas 0,1% no trimestre, em linha com as expectativas em uma pesquisa da Reuters mas abaixo dos 0,2% nos três meses anteriores.

Uma série recente de indicadores relativamente positivos alimentou a narrativa de que o consumo está mantendo o bloco resiliente às tensões comerciais, mas números mais recentes, como encomendas à indústria e uma leitura importante de confiança da Alemanha, contrariaram essa visão.

Ainda assim, os investidores continuam apostando em uma recuperação modesta com base na premissa de que o recente acordo comercial da UE com os EUA proporciona a certeza necessária e que os planos da Alemanha de aumentar acentuadamente os gastos orçamentários darão suporte ao crescimento.

É por isso que os investidores financeiros acham que o Banco Central Europeu pode ter terminado de cortar as taxas de juros e que as autoridades vão esperar uma queda temporária na inflação abaixo da meta de 2%, já que as pressões sobre os preços no médio prazo já estão se acumulando.

Fonte: MSN

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Industria

Exército se aproxima da indústria de SC para reduzir importações

Departamento de engenharia da Força apresenta demandas para empresas de SC; ideia é firmar parcerias para desenvolvimento de produtos nacionais, fortalecendo a base industrial de defesa

Fortalecimento da base industrial de defesa, redução de custos, autonomia e agilidade no fornecimento estão entre os benefícios de ampliar o volume de compras nacionais pelas Forças Armadas. Com o objetivo de ampliar a aproximação do Exército com a indústria catarinense para encontrar e desenvolver produtos brasileiros para as necessidades do Departamento de Engenharia da Força, o General de Brigada Luís Cláudio Brion Cardoso, diretor de Material de Engenharia do Exército Brasileiro, detalhou nesta quarta-feira (30) as demandas de materiais para os membros do Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa – CONDEFESA da FIESC.

A lista inclui embarcações de trabalho, embarcações blindadas e embarcações pneumáticas. A ideia é desenvolver em conjunto com a indústria, reduzindo a dependência de importações – o que reduz custos, dá mais agilidade e fomenta a soberania tecnológica. 

As demandas contemplam kits de defesa civil – com materiais necessários pelas unidades de engenharia -, placas reforçadoras de solo, lançadores de esteiras e membranas para estações de tratamento de água. Na área de tecnologia, as necessidades incluem drones, robôs e equipamentos para controle de máquinas à distância que possam ser acoplados. Explosores e equipamentos de mergulho também estão entre as possibilidades de compra. 

Durante a reunião, José Augusto Crepaldi Affonso, Presidente Executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança – ABIMDE, destacou os desafios atuais do setor de defesa, considerando o cenário geopolítico. Ele salientou que contratos de empresas brasileiras já estão sendo afetados. Salientou ainda que parcerias estratégicas ao redor do globo estão sendo questionadas em um cenário de desconfiança e aumenta o receio de que – em caso de importações de produtos ou tecnologias – o suporte ao longo do ciclo de vida seja descontinuado. Isso afetaria a compra de peças de reposição, assistência técnica e atualizações de programas, por exemplo. Diante do ambiente mais hostil, Crepaldi reforçou a necessidade de as Forças Armadas ampliarem parcerias com a base industrial de defesa brasileira. 

Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Industria, Mercado de trabalho

Indústria lidera geração de empregos no primeiro semestre em SC, com 42 mil vagas

Construção civil puxa desempenho, com 12,1 mil postos, seguido do setor têxtil, com 6,1 mil; estado cria 80,4 mil vagas no acumulado de janeiro a junho

O setor industrial liderou a geração de empregos em Santa Catarina no primeiro semestre, quando registrou saldo de 42 mil vagas. Ao todo, o estado criou 80,4 mil novos postos de trabalho formais no período, segundo dados do Novo Caged. O desempenho, no entanto, já mostra sinais de desaquecimento da produção industrial. “A maioria dos setores industriais apresentou saldo inferior ao registrado no primeiro semestre do ano passado”, explicou o presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Mario Cezar de Aguiar.

Dentre os ramos da indústria que tiveram aumento de vagas em relação ao primeiro semestre de 2024 destacam-se o de máquinas e equipamentos, que gerou 4,2 mil empregos no período, um aumento de 55,6% na comparação com igual período do ano anterior. O resultado foi impactado pela produção de tratores e máquinas e equipamentos voltados à agropecuária, segundo o Observatório FIESC.

Entre os empregos industriais, a construção civil foi o segmento que mais criou vagas: 12,1 mil. O litoral norte de Santa Catarina é um dos mercados imobiliários mais aquecidos do país, com cidades catarinenses liderando o ranking de preços do metro quadrado.  

O segmento têxtil, de confecção, couro e calçados foi o segundo na geração de empregos, com 6,1 mil novas oportunidades no primeiro semestre. O economista Bruno Haeming explica que o ramo se mostrou resiliente, puxado pelo consumo das famílias, a despeito da perda de fôlego da economia. “Em relação ao mesmo período do ano passado, o saldo de vagas apresentou leve recuo, refletindo sinais de moderação na atividade econômica”, informou.

O consumo familiar ainda aquecido também foi responsável pelos resultados do setor de alimentos e bebidas, que apresentou saldo positivo de 4,2 mil empregos com carteira assinada no ano, até junho. “Surpreendeu na análise o crescimento de vagas em atividades como produção de suplementos, granolas, misturas e alimentos voltados à praticidade e alimentos funcionais”, destacou Haeming.

Outros setores
No primeiro semestre de 2025, o segmento de serviços gerou 31,3 mil novas vagas, enquanto o comércio criou 6,7 mil postos de trabalho formais. A agropecuária registrou saldo positivo de 385 vagas no ano até junho.

Santa Catarina ocupou a terceira posição entre os estados que mais geraram empregos na indústria, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.

Emprego em junho
Considerando apenas junho, o segmento de serviços liderou a criação de empregos formais. Foram 3,3 mil vagas no mês. A indústria registrou 1,7 mil novos postos de trabalho, enquanto o comércio gerou 1 mil vagas. A agropecuária foi responsável por 489 oportunidades em junho.


Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Industria, Negócios

Da cana-de-açúcar ao império Portobello: Cesar Gomes, o vitorioso líder industrial catarinense

Da cana-de-açúcar ao império Portobello: Cesar Gomes, o vitorioso líder industrial catarinense

Zeloso seguidor dos princípios e valores proclamados pelo pai, o patriarca Valério Gomes, o empresário Cesar Bastos Gomes tem merecido nas duas últimas semanas cumprimentos e manifestações de aplausos por sua singular trajetória como vitorioso líder industrial catarinense.

Está celebrando 97 anos, com um robusto e exemplar legado de concretas realizações.

Entre as principais, destaca-se o vigoroso Grupo Portobello, constituído pela Portobello Indústria Cerâmica (Tijucas), Portobello Shop (Florianópolis), Pointer (Alagoas) e Portobello America (USA).

E iniciativas pioneiras com filhos e netos, criando a Multilog Logística (Itajaí), uma das maiores do gênero no Brasil; a Cidade Criativa Pedra Branca-Hurbana (Palhoça), o Passeio Cultural Primavera e a Fiori Empreendimentos (Rancho Queimado).

Neste ano, o inovador empresário tem direito a festejar outra data absolutamente excepcional e significativa: 80 anos de relacionamento com sua atual esposa, a professora Maria Helena Ramos Gomes, dos quais 74 anos de harmoniosa convivência matrimonial, numa invejável, convergente e compartilhada parceria familiar.


Pioneirismo de Cesar Gomes

Cesar Gomes nasceu em Tijucas, filho do comerciante Valério Gomes, que de forma pioneira decidiu abrir a primeira usina de cana-de-açúcar em São João Batista. Com a fusão com a Usina Adelaide (Ilhota), outra em Gaspar, nascia a Usati (Usina de Açúcar Adelaide Tijucas).

O grupo expandiu atividades até a década de 1990, com a instalação de uma refinaria. Quando as usinas foram desativadas pela impossibilidade de competição com as grandes indústrias paulistas, veio a decisão de investir em outros negócios.

Como a região possuía matéria-prima de qualidade, a nova opção industrial foi a indústria cerâmica, que florescia dinâmica na região Sul, projetando marcas tradicionais catarinenses no mercado mundial. Estudos técnicos indicavam uma indústria em Itajaí, Tijucas e até Minas Gerais, pela proximidade com o maior mercado consumidor.

Cesar Gomes decidira pela instalação em Tijucas, também por amor à sua terra natal. E repetia que seu pai “tinha grande preocupação com a melhoria das condições de vida das famílias nas margens do rio Tijucas. E isso ele passou para mim”.

Com apenas 18 anos, atuou como oficial de gabinete do deputado Leoberto Leal, e aos 21 assumiu a administração da usina de açúcar em São João Batista, com fortes vínculos comunitários.

Cesar Gomes, empresário de fino trato

Para os líderes que atuam na Fiesc, “um gentleman, um empresário de fino trato”. Sua luminosa trajetória e a forma diplomática com que se relacionou com todos produziram muitas homenagens.

A mais importante, a Comenda da Ordem do Mérito Industrial da CNI, em 2001. Fato inédito em Santa Catarina e no Brasil: o filho, Cesar Junior, recebeu a mesma condecoração da CNI em 2022.

Portobello é a maior fabricante de revestimentos cerâmicos do Brasil

Fundado há 46 anos, o Grupo Portobello desponta hoje como o maior fabricante de revestimentos cerâmicos do Brasil e dos mais inovadores do continente, exporta para mais de 60 países.

Seu fundador, Cesar Gomes, estudou no Colégio Catarinense, morou durante anos com a esposa em São João Batista, junto à usina, foi salvo com a família por um helicóptero do Ministério da Agricultura nas pavorosas enchentes de 1961, que destruíram sua residência e a fábrica. A Portobello teve escritórios no centro histórico na rua Deodoro, na rua Dib Mussi e, atualmente, na SC-401.

Para filhos, netos, bisnetos, Cesar Gomes é “um agregador”, “um exímio conciliador”, uma pessoa que aprecia conversar com todo mundo, que nas empresas conhece os mais antigos pelo nome, que sempre se preocupou com as condições de trabalho e o progresso social deles.

“Jornada Cesalena”

Uma obra, de circulação restrita, fartamente ilustrada e caprichosamente elaborada, intitulada “Cesalena”, fusão de Cesar e Helena, traçou um minucioso histórico sobre a admirável jornada percorrida pelo casal durante décadas, sempre com encontros periódicos de toda a família.

Dessa convivência, permanecem os traços do singular perfil, proclamado de forma unânime. É definido também, entre familiares e amigos, como um homem “cerimonioso, de absoluta retidão em tudo, que tem na união da família o seu maior patrimônio”.

Uma máxima que transmitiu aos descendentes, verdadeira aula de administração empresarial e pública: “Ter sempre pessoas melhores do que a gente nos acompanhando”.

Aficionado em mecânica, cogitou de cursar engenharia, mas acabou colando grau em direito. Procura sempre se atualizar em leituras, reuniões, conversas sobre as empresas, sobre a comunidade e sobre o Brasil.

Viajou por vários países e continentes, sempre ligado. Nos programas de lazer, sempre com a esposa e algumas vezes com familiares, observa tudo para extrair lições dos bons exemplos. As agendas são organizadas pela esposa Maria Helena, que cuida de todos os detalhes e costuma escrever o diário de bordo já no embarque.

Católica, dona Maria Helena dedicou-se a vários projetos sociais, entre os quais, dedicando 28 anos de permanente atividade como voluntária do Educandário Santa Catarina, em São José, instituição que garante hoje educação e assistência a 540 crianças carentes.

Case internacional e dobradinha imbatível

Cesar Gomes, durante décadas não se descuidou dos avanços tecnológicos no exterior, participando de eventos nacionais e internacionais ligados ao setor cerâmico. Nos roteiros de trabalho e lazer, adotava a máxima “ler para aprender, viajar para estudar”.

O crescimento sólido e constante da Portobello, no Brasil e no mundo, teve outros componentes, como sua presença física constante na indústria, ouvindo os técnicos e simples colaboradores.

Até recentemente, ia a Tijucas, entrava na magnífica fábrica, cumprimentava funcionários mais antigos que conhecia e pedia para acompanhá-lo, indagando, observando e procurando inteirar-se dos problemas e dos progressos.

A Cerâmica Portobello é um case internacional de sucesso, também pelo comando de Cesar Gomes Júnior, o segundo filho do casal.

Formado em Administração pela Esag e “Business Administration and Management”, pela Harvard University, e MBA na Suíça, Cesinha, como é conhecido, atua na indústria há mais de 50 anos, sendo 33 anos como presidente executivo, e mais de cinco anos como presidente do conselho.

Os dois Cesares formaram uma dobradinha imbatível: o pai, na fábrica cuidando, inovando e aprimorando os produtos cerâmicos: o filho, identificando com ações inovadoras de vendas as reais necessidades do mercado. A rigor, a Portobello produzia aquilo que mais os consumidores desejavam. E, também, criava produtos que enriqueciam os ambientes.

Diversificação de mercado

O caçula da família, Eduardo Gomes, dedicou-se ao ramo de imóveis, fundando a Fiori Empreendimentos Imobiliários, que lançou projetos em Florianópolis e tem como maior realização um maravilhoso complexo residencial e de lazer em Rancho Queimado: o Jardim da Serra e o Terramilia.

A nova relação de criativos empreendedores dos Gomes é o neto engenheiro Marcelo, que batalhou desde o início na Pedra Branca e hoje preside a Hurbana, a empresa com megaprojetos inovadores, de lazer, serviços, gastronomia, comércio e habitação. Um fenômeno!

Pais, filhos e netos, em múltiplas atividades empresariais, seguem adotando um dos princípios do patriarca Valério Gomes, como “o valor da solidariedade humana” ou “a importância de dar vida à economia das comunidades e das cidades”. E um mandamento sagrado: “Sempre queremos fazer bem feito”.

Experiência internacional e a iniciativa de criar showrooms

A nova sistemática adotada pela Portobello Shop, idealizada por Cesar Junior, a partir dos estudos na Suíça, criou uma inovadora dinâmica comercial no Brasil, fortalecendo fina sintonia entre o mercado e a fábrica.

Contou com parcerias importantes das indústrias de azulejos, eis que a empresa tijuquense produzia pisos e revestimentos cerâmicos.

O formato Portobello Shop, concebido pelo jovem presidente, teve a criativa liderança da irmã Eleonora, filha única de Cesar Gomes.

Ela estabeleceu uma excepcional rede de relacionamentos com arquitetos, decoradores e os principais técnicos e profissionais envolvidos com construção, design e decoração.

O revolucionário sistema começou com a instalação de showrooms em todos os Estados e a criação em seguida de lojas de revenda dos produtos catarinenses. Ela montou e comandou pessoalmente uma megaloja em São Paulo, que vendia por 10 unidades.

Cesar Junior também já presidiu a Anfacer (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos de Cerâmica para Revestimentos) e hoje integra o conselho. Ganhou projeção no Brasil e no exterior como um dos idealizadores da Expo Revestir, a principal feira de produtos cerâmicos.

Tijucas teve antes e depois da fundação da Portobello

A família Sgrott tem especial gratidão pelo grupo Portobello e carinho singular pelo fundador Cesar Gomes. Uilson Sgrott, o pai, com 74 anos, começou a trabalhar com o empresário na usina de açúcar em janeiro de 1975, como técnico agrícola.

Atuou em várias empresas do grupo e, sobretudo, a partir de 1991 na Portobello, com a terceirização dos serviços de transporte da fábrica. Tinha apenas um caminhão e hoje sua empresa conta com 74 veículos, além de máquinas e carros menores.

Prefeito de Tijucas entre 2001 e 2005, não se cansa de elogiar o nível de relacionamento com a empresa e profunda admiração pelo fundador.

Destaca que o município teve duas fases: antes e depois da Portobello. A indústria oxigenou várias atividades econômicas, gerou empregos diretos para a população, impulsionou o comércio e o setor de serviços.

“Cesar Gomes é um homem fantástico. Todos aqui o tem como um grande amigo de Tijucas”, afirma o vitorioso empresário Uilson Sgrott.

O filho e atual prefeito, Maickon Sgrott, revela que a Portobello é responsável por 21,23% da receita total do município. No ano passado, contribuiu com R$ 750.345.399,05, além de inúmeras empresas que ali se instalaram no ciclo econômico.

“O Cesar Gomes é um catarinense muito além de seu tempo. Uma pessoa extraordinária, muito admirado aqui em Tijucas e em Santa Catarina. Seu legado representa um rico patrimônio para as futuras gerações”, completa o chefe do Executivo.

Perfil do grupo

O Portobello Grupo é composto por quatro unidades: Portobello, com duas fábricas no Brasil, em Tijucas e Marechal Deodoro (AL); a Portobello Shop, maior rede do país com 163 lojas de design e vendas; e a Portobello America, inaugurada em 2023, em Baxter, no Tennessee.

Conta com 4.500 colaboradores e produz 45 milhões de metros quadrados por ano de produtos cerâmicos. Sua receita líquida em 2024 foi de R$ 2,4 bilhões.

Fonte: ND+

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Agronegócio, Comércio Exterior, Industria

Do agro à indústria, empresas têm vendas aos EUA suspensas antes de tarifas

Setores de pescados, suco de laranja, madeira e ferro-gusa já relatam danos a contratos quatro dias antes de taxa de 50% vigorar

Às vésperas de entrar em vigor a tarifa de 50% prometida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, empresas brasileiras do agronegócio à indústria têm contratos de exportação suspensos e embarques de mercadorias ao país norte-americano cancelados.

Um dos setores que já admite perdas é o de pescados. O presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), Eduardo Lobo, disse em entrevista à CNN que “todos os embarques de mercadorias foram suspensos e pedidos foram cancelados”.

“Em vigorando a taxa de 50% ninguém vai exportar e a cadeia produtora vai travar”, completou o executivo.

Relata situação semelhante o segmento madeireiro. Paulo Roberto Pupo, superintendente da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), disse à CNN que “há alguns contratos cancelados e uma série de embarques postergados até que a situação da tarifa se defina”.

“Em função disso, várias empresas já estão diminuindo produção, cortando turnos e várias já têm anúncio de férias coletivas”, concluiu.

Já importadores norte-americanos de ferro-gusa — matéria-prima para o aço — anunciaram a suspensão de contratos com fornecedores do Brasil, segundo Fernando Varela, presidente do Sindifer (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo).

Apesar de o cancelamento de pedidos ainda não estar na mesa, Varela ressalta que empresários encaram a proximidade do prazo e a falta de resolução com temor. “Está chegando o dia e até agora não foi vista uma ação concreta de negociação por parte do governo”, opinou.

No segmento de suco de laranja, não há relatos de cancelamentos de embarque ou suspensão de contratos, segundo um representante setorial consultado pela CNN. O relato, contudo, é de que a negociação de novas vendas estão paralisadas enquanto há incertezas sobre as taxas.

Nem todos os segmentos de exportação relevante aos EUA relatam impacto, contudo. Representantes dos setores de café e de carne bovina disseram à CNN que ainda não há registro de suspensão de contratos ou cancelamentos de embarques.

O setor produtivo, por meio de associações e entidades representativas, vem pedindo ao governo federal pragmatismo nas negociações com os EUA e a extensão do prazo para o início da vigência da taxa. Auxiliares de Donald Trump reiteraram nos últimos dias que os 50% valerão em 1º de agosto.

Fonte: CNN Brasil

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