Comércio Exterior

Licitação da Hidrovia Paraná-Paraguai acumula denúncias, impasses e questionamentos ambientais

A concessão da Vía Navegable Troncal (VNT), principal corredor logístico das exportações argentinas, se transformou em um processo marcado por polêmicas, suspeitas de irregularidades e disputas judiciais. O que inicialmente buscava definir a nova administração da hidrovia acabou evoluindo para um cenário de instabilidade política, técnica e ambiental que ainda gera incertezas no setor portuário argentino.

Governo assumiu controle temporário da hidrovia em 2021

O atual modelo de gestão da hidrovia começou em 2021, após o fim do contrato privado que administrava o sistema.

Por meio do Decreto 427/2021, o governo argentino transferiu para a então Administração Geral de Portos (AGP) a responsabilidade temporária pela operação da hidrovia. A estatal passou a coordenar serviços de dragagem, manutenção e sinalização da rota fluvial até a definição de uma nova concessão definitiva.

Primeira licitação fracassou por falta de concorrência

Ainda em 2021, a AGP lançou a Licitação Pública 13/2021 para conceder a modernização e operação integral da VNT.

No entanto, o processo enfrentou dificuldades logo nas etapas iniciais. Em março de 2022, o governo de Alberto Fernández cancelou a concorrência após apenas uma empresa conseguir avançar na fase de pré-qualificação.

A decisão foi tomada sob o argumento de ausência de competitividade suficiente entre os participantes.

Procuradoria começou a apontar irregularidades

Após o fracasso da primeira tentativa, a Procuradoria de Investigações Administrativas (PIA) passou a acompanhar o processo mais de perto.

Os pareceres emitidos pelo órgão identificaram possíveis inconsistências nos editais e alertaram para problemas relacionados às regras estabelecidas para a licitação.

Novo processo em 2024 reacendeu polêmicas

Com a hidrovia ainda sob gestão estatal, o governo argentino iniciou uma nova tentativa de concessão internacional em 2024.

O modelo previa novamente a contratação dos serviços de operação, sinalização e dragagem da hidrovia Paraná-Paraguai. Porém, o novo processo voltou a gerar críticas.

Empresas interessadas passaram a denunciar possíveis favorecimentos à companhia que já executava as obras de dragagem no canal navegável.

Além das reclamações do setor empresarial, parlamentares, especialistas e entidades ambientais também apresentaram questionamentos sobre as condições previstas nos editais.

Órgãos de controle apontaram falta de transparência

Em meio às críticas, a PIA reforçou os alertas sobre o processo licitatório.

O órgão afirmou que havia “irregularidades sérias e evidentes” e indicou que determinadas cláusulas poderiam comprometer princípios básicos de transparência, igualdade entre concorrentes e livre competição nas contratações públicas.

Apesar disso, a licitação avançou até a abertura das propostas. Mais uma vez, porém, apenas uma empresa apresentou oferta.

Diante do novo fracasso, a Agência Nacional de Portos e Navegação (ANPyN) anulou a licitação em fevereiro de 2025.

ANPyN assumiu nova fase da concessão

Paralelamente ao cancelamento, o governo promoveu uma reorganização institucional no setor portuário.

No início de 2025, foi criada oficialmente a ANPyN, responsável por absorver as atribuições relacionadas à gestão portuária e das vias navegáveis da Argentina.

O órgão passou então a conduzir um novo modelo de licitação para a VNT.

Audiência pública ambiental gerou novos conflitos

Na tentativa de ampliar a participação social, a ANPyN promoveu entre outubro e novembro de 2025 uma audiência pública ambiental para discutir os impactos da concessão.

O debate reuniu empresários, representantes provinciais, ambientalistas, acadêmicos e comunidades locais. Mais de 240 participantes se inscreveram para apresentar manifestações.

Entretanto, a audiência acabou marcada por fortes críticas.

Participantes questionaram excesso de documentos técnicos

Um dos principais pontos contestados foi o volume de informações disponibilizadas pela agência reguladora.

Segundo os participantes, mais de 9 mil páginas técnicas foram divulgadas em dezenas de arquivos digitais, dificultando a análise adequada dentro dos prazos estabelecidos.

Também houve reclamações sobre a ausência de estudos ambientais atualizados, falta de análises hidrossedimentológicas e pouca participação efetiva de comunidades ribeirinhas e povos originários.

Defensoria alertou para risco à participação popular

A Defensoria do Povo da Nação chegou a afirmar que o processo poderia comprometer o direito à participação cidadã previsto no Acordo de Escazú e na legislação ambiental argentina.

Mesmo diante das críticas, a ANPyN decidiu seguir adiante com uma nova licitação internacional.

Três empresas participaram da nova concorrência

Antes da publicação definitiva dos editais, o órgão abriu período de consultas públicas com participação de empresas, entidades empresariais e organizações civis.

Entre os participantes estiveram Jan de Nul, DEME, União Industrial Argentina, Câmara Naviera Argentina e entidades ambientalistas.

A Licitação Pública Nacional e Internacional 1/2025 foi oficialmente aberta e, em fevereiro de 2026, três empresas apresentaram propostas: Jan de Nul NV, DEME e DTA Engenharia LTDA.

Após a análise técnica, a ANPyN classificou a Jan de Nul em primeiro lugar, seguida pela DEME. A empresa brasileira DTA Engenharia acabou desclassificada.

Novo parecer reacendeu crise na licitação

Quando o processo parecia próximo da conclusão, um novo parecer da PIA trouxe novamente questionamentos sobre a licitação.

O documento, enviado ao procurador federal Guillermo Marijuan em maio de 2026, criticou especialmente a condução da audiência pública ambiental organizada pela ANPyN.

Segundo a Procuradoria, o órgão teria realizado apenas um cumprimento formal das exigências previstas no Acordo de Escazú, sem garantir participação efetiva da sociedade.

O parecer apontou que o excesso de documentação, os prazos reduzidos e a ausência de respostas objetivas às críticas comprometeram o acesso à informação ambiental e a participação pública.

Futuro da hidrovia segue cercado de incertezas

A concessão da Vía Navegable Troncal continua envolvida em denúncias, suspeitas e disputas judiciais, ampliando a insegurança sobre uma das decisões mais estratégicas para o comércio exterior argentino.

Enquanto o governo tenta avançar com a nova concessão, cresce a percepção de que interesses econômicos estariam acelerando o processo sem um debate mais aprofundado sobre os impactos ambientais, sociais e logísticos da medida.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Internacional

Uruguai e Argentina avançam em negociações sobre usina de hidrogênio verde na fronteira

Os governos do Uruguai e da Argentina deram novos passos nas negociações envolvendo a instalação de uma usina de hidrogênio verde próxima ao rio Uruguai, área que divide os dois países. O tema foi discutido na última terça-feira (12) durante reunião realizada em Montevidéu entre representantes diplomáticos das duas nações.

O empreendimento, liderado pela multinacional HIF Global, prevê investimentos superiores a US$ 5 bilhões, equivalente a cerca de R$ 24,4 bilhões.

Governo uruguaio avalia impactos ambientais

Após o encontro, o chanceler uruguaio, Mario Lubetkin, afirmou que as conversas avançaram de forma positiva e destacou que ainda existem etapas importantes antes da possível concretização do projeto.

Segundo o governo uruguaio, o estudo de impacto ambiental da futura planta industrial segue em análise. Além disso, Montevidéu também considera alternativas para a localização da usina, atendendo a uma das principais preocupações apresentadas por Buenos Aires.

A proposta inicial prevê a instalação da unidade no departamento de Paysandú, no norte uruguaio, a poucos quilômetros do rio Uruguai.

Cidade argentina teme efeitos no turismo e no meio ambiente

O projeto mantém autoridades e moradores da cidade argentina de Colón em estado de atenção devido aos possíveis impactos ambientais e reflexos sobre o turismo local.

O representante argentino, Pablo Quirno, avaliou de forma positiva a decisão uruguaia de considerar as observações ambientais feitas pela Argentina durante a análise técnica do empreendimento.

Ele também ressaltou que o Uruguai possui autonomia para receber investimentos estrangeiros, desde que atendam às exigências nacionais, mas destacou que o diálogo entre os países é fundamental para evitar futuros conflitos diplomáticos.

Possível mudança de localização está em análise

Embora ainda não exista definição oficial, veículos da imprensa local indicam que a usina poderá ser transferida para outra área dentro do mesmo departamento uruguaio.

A relação entre Montevidéu e Buenos Aires já enfrentou tensões semelhantes em anos anteriores devido à instalação de indústrias próximas ao rio compartilhado.

Histórico de conflitos entre Uruguai e Argentina

Em 2010, os dois países encerraram uma longa disputa diplomática relacionada à instalação de uma fábrica de celulose em território uruguaio, também nas proximidades do rio Uruguai.

Anos depois, o ex-presidente uruguaio Tabaré Vázquez revelou que, durante o período de tensão, chegou a considerar a possibilidade de um conflito armado com o país vizinho.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de São Paulo

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Tecnologia

Centros de dados e IA ampliam “ilhas de calor” e elevam impacto ambiental

Os centros de dados responsáveis por sustentar a expansão da inteligência artificial (IA) estão gerando impactos ambientais que vão além do alto consumo de energia. Uma nova pesquisa indica que essas estruturas também contribuem para a formação de “ilhas de calor”, elevando a temperatura em áreas próximas.

De acordo com o estudo liderado por Andrea Marinoni, da Universidade de Cambridge, o aumento térmico pode atingir um raio de até 10 quilômetros ao redor dessas instalações.

Aquecimento pode chegar a até 9°C em casos extremos

Os pesquisadores analisaram duas décadas de dados de temperatura obtidos por sensores remotos e cruzaram as informações com a localização de grandes centros de dados, conhecidos como hyperscalers — estruturas com milhares de servidores e alta demanda energética.

O levantamento considerou mais de seis mil unidades instaladas fora de áreas urbanas densas, reduzindo interferências como atividade industrial ou aquecimento residencial.

Os resultados mostram que, em média, houve aumento de cerca de 1,8°C na temperatura da superfície após a instalação desses centros. Em situações mais críticas, o crescimento chegou a 9,1°C.

Impacto térmico afeta milhões de pessoas

O fenômeno foi observado em diferentes regiões do mundo. No Bajío, no México, a temperatura subiu aproximadamente 3,6°C nas últimas duas décadas, enquanto padrões semelhantes foram identificados em Aragão, na Espanha.

Um dos pontos mais preocupantes é que o aquecimento não se restringe às áreas imediatas dos centros de dados. O efeito se estende por quilômetros, impactando diretamente mais de 340 milhões de pessoas.

Expansão da IA pode agravar cenário climático

O avanço acelerado da tecnologia de IA e a crescente demanda por infraestrutura digital indicam que o número de centros de dados deve aumentar significativamente nos próximos anos.

Segundo Marinoni, esse crescimento pode gerar consequências relevantes para o meio ambiente, a economia e a qualidade de vida da população, especialmente em um contexto já marcado por mudanças climáticas e ondas de calor mais intensas.

Especialistas pedem mais estudos e soluções sustentáveis

Para Deborah Andrews, da London South Bank University, o estudo chama atenção por abordar diretamente o calor gerado por essas estruturas — um aspecto ainda pouco explorado.

Ela alerta que o avanço da inteligência artificial ocorre em ritmo mais rápido do que o desenvolvimento de práticas sustentáveis, o que pode ampliar os impactos ambientais.

Outros especialistas, como Ralph Hindeman, do Borderstep Institute for Innovation and Sustainability, defendem cautela na interpretação dos dados e reforçam a necessidade de mais pesquisas. Segundo ele, embora relevantes, os números apresentados podem estar superestimados, e o principal desafio climático ainda está nas emissões associadas à geração de energia.

Debate sobre sustentabilidade digital ganha força

Os autores do estudo defendem que os resultados devem incentivar discussões sobre formas de reduzir o impacto ambiental da infraestrutura digital. Entre os caminhos possíveis estão o uso de energia renovável, melhorias na eficiência térmica e planejamento mais sustentável na expansão dos centros.

A expectativa é que ainda haja espaço para equilibrar o avanço da IA com práticas que minimizem seus efeitos no clima.

FONTE: Tribuna do Planalto
TEXTO: Redação
IMAGEM: Start Campus, Sines Nuno Tavares / RTP

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Informação

Ponte de Guaratuba realiza testes de iluminação e mostra prévia noturna

Os primeiros testes de iluminação na Ponte de Guaratuba começaram nesta sexta-feira, oferecendo uma prévia de como ficará a estrutura à noite. Segundo o governo do Paraná, a ativação ocorreu no trecho pré-moldado, de forma gradual, acompanhando a conclusão dos circuitos elétricos e a instalação das luminárias.

A ponte, com 1,2 mil metros de extensão e investimento superior a R$ 400 milhões, deve ser entregue em abril e fará a ligação direta entre Guaratuba e Matinhos, substituindo parcialmente a travessia realizada atualmente por ferryboat.

Estrutura e instalação de iluminação

O projeto prevê a instalação de 211 postes ao longo da ponte e nos acessos. Até o momento, metade dos postes já foi colocada, principalmente no lado de Guaratuba, enquanto o trecho de Matinhos ainda está em fase inicial. Os testes de iluminação avançarão progressivamente, com o trecho estaiado sendo a última etapa.

Luz noturna com foco ambiental

As luminárias adotam uma temperatura de cor mais baixa, próxima de 2.700 Kelvin, gerando uma luz amarelada. Essa escolha atende critérios ambientais, com objetivo de minimizar impactos sobre a fauna e a vida marinha local, além de seguir as normas técnicas de iluminação viária vigentes.

Andamento das obras e próximas etapas

Além da iluminação, a obra registra avanços em outras frentes. Nesta semana, começaram os serviços de pavimentação em concreto asfáltico nos acessos e a instalação dos guarda-corpos. Na sequência, será iniciada a implantação das juntas de dilatação, responsáveis por absorver os movimentos naturais da ponte e garantir segurança estrutural.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC

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Tecnologia

Data centers para IA enfrentam resistência nos EUA e estados discutem moratória na construção

A expansão de data centers para IA nos EUA tem encontrado oposição crescente em diferentes estados americanos. O movimento mais recente veio de Nova York, onde parlamentares democratas apresentaram um projeto de lei que propõe suspender por três anos a emissão de licenças para novas instalações desse tipo.

Com isso, Nova York se torna o sexto estado a avaliar medidas semelhantes em poucas semanas, ampliando um debate que já ganhou dimensão nacional.

Nova York propõe pausa de três anos

A proposta foi apresentada pela senadora estadual Liz Krueger e pela deputada estadual Anna Kelles. O texto prevê uma moratória mínima de três anos para novos alvarás de construção de infraestrutura de inteligência artificial.

Durante o período, o Departamento de Conservação Ambiental e a Comissão de Serviços Públicos avaliariam os impactos ambientais, energéticos e sociais desses empreendimentos, com o objetivo de propor regras mais rígidas para o setor.

Atualmente, o estado já abriga mais de 130 data centers, e a demanda de energia associada a novos projetos chegou a 10 gigawatts — três vezes mais do que há um ano. Entre as obras em curso está uma instalação de 450 megawatts construída sobre o terreno de uma antiga usina a carvão.

Resistência bipartidária se espalha

A oposição não se restringe a um único partido. Em dezembro, o senador Bernie Sanders foi o primeiro político de alcance nacional a defender uma moratória ampla, argumentando que os benefícios da tecnologia devem ser distribuídos de forma mais equitativa.

Desde então, estados como Geórgia, Maryland, Oklahoma, Vermont e Virgínia também passaram a discutir suspensões temporárias para novos projetos de centros de dados. Em alguns casos, as propostas partiram de democratas; em outros, de republicanos.

Na Virgínia, considerada um dos principais polos de infraestrutura digital do país, mais de 60 projetos de lei relacionados ao tema foram apresentados neste ano, tornando o estado o epicentro legislativo do debate.

Impacto ambiental e pressão da sociedade

Segundo a revista Wired, mais de 200 organizações ambientais assinaram uma carta classificando a expansão acelerada dos data centers como uma das maiores ameaças ambientais e sociais da atual geração.

O principal argumento envolve o elevado consumo de energia e água dessas instalações. Comunidades locais temem que a expansão pressione ainda mais as redes elétricas e resulte em aumento nas contas de luz.

Em Nova York, a governadora Kathy Hochul anunciou recentemente uma iniciativa para exigir que os data centers arquem com sua “parte justa” dos custos energéticos. Já o governador da Flórida, Ron DeSantis, criticou o impacto da expansão sobre os consumidores de energia.

Projetos bilionários travados

A resistência também vem da população. De acordo com o grupo Data Center Watch, entre março e junho de 2025, cerca de US$ 98 bilhões em projetos foram adiados ou cancelados.

Em Monterey Park, na Califórnia, uma mobilização de seis semanas levou à aprovação de uma moratória temporária de 45 dias e ao compromisso do conselho municipal de avaliar uma possível proibição permanente.

Levantamento da empresa de pesquisas Morning Consult indica que a maioria dos eleitores apoia restrições à construção de data centers próximos a áreas residenciais e associa esses empreendimentos ao aumento no preço da eletricidade.

Conflito entre avanço tecnológico e custo local

A expansão da inteligência artificial exige grande capacidade de processamento e, consequentemente, uma infraestrutura física robusta. No entanto, comunidades questionam os benefícios concretos desses projetos, que prometem geração de empregos na fase de construção, mas demandam pouca mão de obra após entrarem em operação.

Empresas do setor começaram a reagir. A Microsoft anunciou, com apoio da Casa Branca, compromissos para atuar como “boa vizinha” nas localidades onde instala novos centros.

Dan Diorio, vice-presidente de políticas estaduais da Data Center Coalition, afirmou à imprensa que a indústria reconhece a necessidade de ampliar o diálogo e esclarecer os impactos da atividade.

O embate evidencia um desafio crescente: equilibrar o avanço das operações de IA com a pressão da opinião pública, preocupada com custos energéticos, impactos ambientais e qualidade de vida. Até o momento, não há sinais de que essa distância entre setor tecnológico e comunidades esteja diminuindo.

FONTE: Xataka
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xataka

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Informação

Barragem das Três Gargantas: a maior hidrelétrica do mundo que influencia a rotação da Terra

Localizada na província de Hubei, a Barragem das Três Gargantas é a maior hidrelétrica do mundo e transforma o poder do rio Yangtze em energia elétrica. Inaugurada em 2012, após quase 20 anos de construção, a obra aproveita o desnível natural dos desfiladeiros Qutang, Wu e Xiling para gerar eletricidade em uma escala sem precedentes, abastecendo milhões de pessoas e atraindo atenção global.

O rio Yangtze, ou Rio Azul, é o terceiro mais longo do planeta, atravessando cerca de dois milhões de quilômetros quadrados e abastecendo 40% do território chinês. As Três Gargantas, naturais desfiladeiros ao longo do rio, foram fundamentais para viabilizar a megausina.

Superando Itaipu em geração de energia

Com capacidade instalada de 22.500 MW, a hidrelétrica chinesa superou a produção da hidrelétrica de Itaipu, no Brasil e Paraguai. Em 2020, após chuvas intensas de monções, a usina registrou quase 112 TWh, superando o recorde histórico de 103 TWh da binacional sul-americana.

O complexo conta com 32 turbinas de 700 MW cada, além de dois geradores menores de 50 MW para manter a operação da própria estrutura. Um elevador de barcos também permite a navegação em um ponto do rio que antes seria intransponível.

Como a hidrelétrica afeta a rotação da Terra

O enorme volume de água represado — 40 trilhões de litros, em uma barragem com 2.335 metros de comprimento e 185 metros de altura — exerce efeito mensurável sobre o planeta. Segundo a NASA, a massa acumulada desloca levemente o eixo terrestre e desacelera a rotação da Terra.

Em 2005, o geofísico Benjamin Fong Chao apontou que o enchimento completo da barragem poderia aumentar o dia em cerca de 0,06 microssegundos. Apesar de pequeno, o efeito evidencia como grandes obras humanas podem influenciar processos naturais antes considerados intocados.

Pequenas alterações com grandes exemplos

Fenômenos naturais também alteram a rotação do planeta. O terremoto de 2004, que gerou o tsunami na Indonésia, deslocou o Polo Norte em 2,5 centímetros e acelerou a rotação da Terra, encurtando o dia em 2,68 microssegundos.

O conceito que explica essas mudanças é o momento de inércia, que determina a resistência de um corpo à alteração de sua rotação. Assim como um patinador gira mais rápido ao aproximar os braços do corpo, a distribuição de massa da Terra afeta sua velocidade de rotação.

A ação humana também conta

Além da Barragem das Três Gargantas, a extração de água subterrânea em larga escala também influencia o planeta. Entre 1993 e 2010, cerca de 2.150 gigatoneladas foram retiradas do subsolo, elevando o nível do mar e deslocando o eixo terrestre cerca de 80 centímetros para o leste.

Será necessário ajustar os relógios?

Embora essas alterações sejam mínimas, especialistas estudam a necessidade de um segundo intercalar negativo, criando um minuto com 59 segundos para sincronizar relógios atômicos com a rotação real da Terra. Ainda não há previsão de quando — ou se — essa medida será aplicada, mas o debate evidencia a capacidade das grandes obras humanas de interferir em processos planetários.

FONTE: Portal 6
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal 6

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