Logística

Investimentos em logística no Brasil podem alcançar R$ 300 bilhões com novo ciclo de concessões

O setor de logística brasileiro se prepara para um novo ciclo de expansão que poderá movimentar cerca de R$ 300 bilhões em investimentos nos próximos anos. A expectativa do governo federal é iniciar essa nova fase a partir de 2026, impulsionando projetos de infraestrutura e ampliando a participação da iniciativa privada em rodovias, ferrovias, portos e hidrovias.

O montante previsto representa aproximadamente o dobro do registrado no ciclo de concessões realizado entre 2016 e 2020, reforçando a estratégia de modernização da infraestrutura de transportes do país.

Concessões impulsionam modernização da infraestrutura

Entre 2023 e 2025, os leilões promovidos pelo governo federal resultaram em contratos que somam R$ 262 bilhões em investimentos. O objetivo do Ministério dos Transportes é ampliar a capacidade logística nacional e reduzir a dependência do transporte rodoviário, atualmente responsável por mais de 60% da movimentação de cargas.

Para o presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, o segmento de transportes concentra a maior demanda por investimentos entre todos os setores de infraestrutura.

Segundo ele, seriam necessários R$ 287,9 bilhões — o equivalente a 2,26% do Produto Interno Bruto (PIB) — para expandir e modernizar as malhas ferroviária e rodoviária. O valor supera, inclusive, a necessidade de investimentos estimada para o setor elétrico.

Juros elevados e análise do TCU desafiam novos projetos

Apesar das perspectivas positivas, especialistas apontam obstáculos para a execução do programa de concessões. As taxas de juros elevadas dificultam a atração de investidores, enquanto parte das empresas já possui recursos comprometidos em contratos conquistados recentemente.

Outro fator que pode afetar o cronograma é a análise de diversos projetos pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A complexidade das novas modelagens, aliada à necessidade de garantir segurança jurídica, pode ampliar o prazo para realização dos leilões.

Ainda assim, Tadini avalia que os modelos atuais apresentam maior qualidade técnica e oferecem melhor distribuição de riscos, atraindo fundos de investimento e investidores internacionais, além das tradicionais empresas de construção.

Governo aposta em concessões inteligentes e novos modelos de PPP

O Ministério dos Transportes prevê realizar 13 leilões de rodovias ainda este ano, abrangendo mais de 7 mil quilômetros de estradas e investimentos estimados em R$ 149 bilhões.

Entre os projetos está a modernização da BR-116 entre São Paulo e Paraná, conhecida como Régis Bittencourt, cuja concessão foi vencida recentemente pela EPR.

Com o avanço do programa, cerca de 30% da malha rodoviária federal deverá ficar sob administração privada. Como os trechos mais rentáveis já foram concedidos, o governo trabalha em novos formatos para viabilizar ativos menos movimentados.

Um desses modelos é o das chamadas concessões inteligentes, nas quais o poder público realiza um aporte financeiro inicial para custear grandes obras, como duplicações e implantação de terceiras faixas. Depois dessa etapa, a concessionária assume a operação da rodovia, cobrando tarifas de pedágio reduzidas.

Outra proposta em desenvolvimento prevê contratos com investimentos engatilhados, permitindo ajustes financeiros conforme o crescimento do fluxo de veículos e a necessidade de novas intervenções.

Segurança jurídica é considerada essencial para atrair investidores

Especialistas destacam que o sucesso das Parcerias Público-Privadas (PPPs) dependerá da criação de mecanismos que assegurem os pagamentos aos concessionários, mesmo em cenários de restrição fiscal.

Entre as alternativas estudadas estão fundos garantidores e contas vinculadas, que destinam exclusivamente as receitas do projeto para custear operação, investimentos e equilíbrio financeiro dos contratos.

Para o advogado Diego Fernandes, especialista em Direito Público, a qualidade das garantias oferecidas será decisiva para aumentar a confiança dos investidores e reduzir riscos ao longo da vigência das concessões.

Ferrovias e portos ganham protagonismo na competitividade brasileira

O fortalecimento da logística integrada também é apontado como estratégico para setores como mineração e agronegócio.

Segundo Marcus Santarém, diretor de desenvolvimento de negócios da Cedro Participações, projetos que conectem diretamente áreas produtoras às principais ferrovias nacionais podem elevar a eficiência do transporte de cargas, reduzir custos logísticos e diminuir impactos ambientais.

Entre os empreendimentos destacados estão a Ferrovia Serra Azul e o Porto do Meio, planejados para atuar de forma integrada no escoamento de minério de ferro.

A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) defende uma estratégia que combine recursos públicos e privados, estabilidade regulatória, financiamento de longo prazo e fortalecimento do mercado de capitais para ampliar os investimentos em infraestrutura logística.

Hidrovias ainda têm grande potencial de expansão

Especialistas também enxergam espaço para ampliar o transporte hidroviário no Brasil. O país possui cerca de 41,8 mil quilômetros de vias navegáveis, mas apenas 20,1 mil quilômetros são utilizados economicamente.

Atualmente, as hidrovias respondem por apenas 5% da movimentação de cargas no território nacional.

O primeiro leilão para concessão de uma hidrovia está previsto para o primeiro semestre de 2027 e terá como projeto pioneiro a Hidrovia do Rio Paraguai, em um trecho de aproximadamente 600 quilômetros entre Corumbá e Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Investimento

REIDI impulsiona investimentos em infraestrutura nos setores portuário, aeroportuário e hidroviário

Grandes obras de infraestrutura, como a construção de portos, a ampliação de aeroportos e a implantação de hidrovias, exigem altos investimentos antes mesmo de entrarem em operação. Para reduzir esse custo inicial e incentivar novos empreendimentos, o governo federal mantém o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), um mecanismo de incentivo tributário voltado à execução de projetos estratégicos.

O regime permite a suspensão da cobrança de PIS e Cofins sobre bens e serviços utilizados durante a implantação de empreendimentos aprovados, tornando os investimentos mais atrativos para a iniciativa privada.

O que é o REIDI?

Instituído pela Lei nº 11.488, de 2007, o REIDI não representa um repasse financeiro do governo às empresas. O benefício funciona por meio da suspensão de tributos incidentes sobre a aquisição de máquinas, equipamentos, materiais de construção, contratação de serviços e locação de bens destinados às obras enquadradas no programa.

Na prática, a medida reduz o custo de implantação dos empreendimentos, melhora a viabilidade econômica dos projetos e estimula novos investimentos em infraestrutura.

Quais setores podem utilizar o benefício?

O regime contempla projetos em diferentes áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país. Entre elas estão os setores de portos, aeroportos, hidrovias, transportes, energia, saneamento básico e irrigação, desde que as propostas atendam às exigências legais e recebam aprovação do poder público.

A importância do programa foi reforçada com a reforma tributária, que preservou o REIDI como um dos principais instrumentos de incentivo à infraestrutura, mantendo seu papel na atração de investimentos privados para um segmento que ainda demanda significativa expansão.

Ministério amplia acesso ao REIDI

Com o objetivo de aumentar o alcance do programa nos setores de sua competência, o Ministério de Portos e Aeroportos atualizou, em junho de 2026, as regras para o enquadramento de projetos.

A Portaria GM/MPor nº 36 ampliou o acesso ao benefício para empreendimentos localizados em aeroportos públicos. Antes da mudança, apenas concessionárias aeroportuárias podiam solicitar o enquadramento no regime.

Com a nova regulamentação, projetos desenvolvidos em aeroportos administrados pela Infraero, estados e municípios também passaram a ser elegíveis, desde que cumpram os critérios estabelecidos. Nos setores portuário e hidroviário, permanecem aptos os projetos realizados em portos organizados, instalações portuárias de uso privado e hidrovias.

Empresas parceiras também poderão solicitar o incentivo

Outra novidade da regulamentação é a possibilidade de empresas parceiras dos responsáveis pelos empreendimentos requererem o enquadramento no REIDI, desde que atendam às condições previstas na norma.

De acordo com a diretora de Assuntos Econômicos da Secretaria-Executiva do Ministério de Portos e Aeroportos, Helena Venceslau, a atualização busca adequar o programa às políticas públicas voltadas ao fortalecimento da infraestrutura nacional. Segundo ela, a revisão eliminou uma limitação existente na regulamentação anterior, permitindo que projetos de infraestrutura executados dentro de sítios aeroportuários também tenham acesso ao benefício fiscal.

Mais segurança para investidores

A expectativa do governo é que as novas regras ampliem a segurança jurídica para investidores e favoreçam a implantação de novos projetos de infraestrutura logística, fortalecendo os setores portuário, aeroportuário e hidroviário em diferentes regiões do Brasil.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Portos

Investimentos em portos, hidrovias e cabotagem prometem reduzir gargalos da logística brasileira

A aprovação de uma nova carteira de projetos pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM) abre caminho para um novo ciclo de investimentos na infraestrutura logística do país. O Conselho Diretor do fundo autorizou 15 empreendimentos voltados à construção naval, modernização de portos e ampliação da capacidade do transporte aquaviário, com expectativa de reduzir custos logísticos e aumentar a eficiência das operações de carga.

Embora o financiamento seja direcionado ao setor naval, os impactos devem alcançar toda a cadeia logística. Os projetos contemplam novos terminais portuários, embarcações para hidrovias, navios gaseiros, rebocadores, balsas e estruturas privadas, ampliando a integração entre diferentes modais de transporte.

Projetos fortalecem corredores estratégicos de exportação

As iniciativas serão executadas em dez estados e têm potencial para impulsionar importantes corredores de exportação do agronegócio, da mineração e da indústria brasileira. Além disso, reforçam a estratégia de ampliar a participação da cabotagem e da navegação interior, modais que ainda representam uma parcela reduzida da matriz logística nacional, apesar do grande potencial de expansão.

Entre os empreendimentos de maior relevância está o Terminal de Uso Privado (TUP) Porto Sul, em Ilhéus (BA), desenvolvido pela Bahia Mineração (Bamin). O terminal será integrado à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), criando uma nova rota para o escoamento de minério de ferro e, futuramente, de produtos agrícolas provenientes do Centro-Oeste e do oeste baiano.

A integração entre ferrovia e porto deverá reduzir a dependência do transporte rodoviário em longas distâncias, ampliar a capacidade de exportação e aliviar a movimentação em portos já bastante demandados, como Santos e Paranaguá.

Novos navios e barcaças ampliam capacidade do transporte aquaviário

Outro destaque da carteira é a construção de cinco navios destinados ao transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP) para a Petrobras. A ampliação da frota nacional deve reduzir a necessidade de afretamento de embarcações estrangeiras e fortalecer a segurança logística do abastecimento interno.

O pacote também prevê a fabricação de 12 barcaças graneleiras que atuarão no Arco Norte, região considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola. A iniciativa acompanha o crescimento do agronegócio brasileiro e busca ampliar a utilização das hidrovias amazônicas, reduzindo custos de transporte e aumentando a competitividade das exportações.

Além da economia operacional, o modal hidroviário permite transportar grandes volumes com menor consumo de combustível e menor emissão de poluentes quando comparado ao transporte rodoviário.

Modernização da indústria naval também faz parte do plano

A carteira aprovada pelo FMM inclui ainda projetos de modernização e reparo de embarcações. Embora menos visíveis, esses investimentos aumentam a disponibilidade da frota nacional, reduzem o tempo de manutenção e fortalecem a cadeia produtiva da indústria naval brasileira, gerando reflexos positivos para fornecedores e estaleiros.

Integração logística é prioridade para reduzir gargalos

O conjunto de investimentos reforça uma estratégia voltada à integração entre portos, ferrovias, hidrovias e cabotagem. Com o crescimento das exportações do agronegócio e da mineração nos últimos anos, a infraestrutura logística brasileira passou a enfrentar maior pressão, tornando necessária a diversificação dos corredores de transporte.

Ao ampliar a participação dos modais aquaviários, o país tende a reduzir a dependência das rodovias, melhorar a previsibilidade das operações e diminuir os custos logísticos no médio e longo prazo.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a aprovação da carteira permite que os projetos avancem para a etapa de contratação dos financiamentos junto às instituições financeiras credenciadas pelo FMM. A expectativa é que, com a execução das obras e a entrada das novas embarcações em operação, o Brasil fortaleça sua infraestrutura aquaviária e aumente a competitividade no comércio exterior.

Principais projetos aprovados

  • Porto Sul (BA): novo corredor de exportação integrado à Fiol, ampliando a capacidade logística e reduzindo a concentração de cargas em portos tradicionais.
  • Cinco navios gaseiros: reforço da frota nacional para transporte de GLP, aumentando a segurança do abastecimento.
  • Barcaças para o Arco Norte: expansão da capacidade das hidrovias para atender ao crescimento da produção agrícola.
  • Ampliação de terminais portuários: melhoria da capacidade operacional e redução de filas nos portos.
  • Projetos de reparo naval: maior disponibilidade da frota brasileira e fortalecimento da indústria naval.

Benefícios esperados para a logística brasileira

  • Expansão da cabotagem e da navegação interior;
  • Maior integração entre porto, ferrovia e hidrovias;
  • Diversificação dos corredores de exportação;
  • Redução dos custos logísticos;
  • Ganhos de competitividade para o agronegócio, mineração e indústria;
  • Menor dependência do transporte rodoviário em longas distâncias.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Transporte

Transporte de cargas no Brasil ainda depende das rodovias e reforça necessidade de diversificação logística

O transporte rodoviário de cargas continua sendo o principal modal logístico do Brasil, mas a forte concentração nas rodovias evidencia um dos maiores desafios para a competitividade da economia nacional. Dados do novo Panorama do Transporte Rodoviário de Cargas mostram que os caminhões respondem por 68,5% da movimentação de cargas medida em tonelada-quilômetro.

Quando o critério é o valor financeiro das mercadorias transportadas, essa participação sobe para 84,3%, demonstrando a elevada dependência do país de um único sistema de transporte.

Malha rodoviária enfrenta problemas de conservação

Apesar de possuir mais de 2,8 milhões de quilômetros de rodovias, o Brasil ainda apresenta uma infraestrutura desigual. Apenas cerca de 31 mil quilômetros estão sob concessão da iniciativa privada, justamente onde se concentram as estradas com melhores condições de tráfego, como ocorre em São Paulo.

Grande parte da malha pública enfrenta problemas de manutenção, conservação e investimentos insuficientes. O resultado aparece no aumento dos custos logísticos, no maior desgaste da frota, no consumo elevado de combustível, na ocorrência de acidentes e na perda de competitividade para diversos setores da economia.

Expansão do agronegócio amplia desafios logísticos

O crescimento da produção agrícola brasileira também evidencia as limitações da infraestrutura de transporte.

Enquanto o agronegócio amplia sua presença em novas regiões produtoras, especialmente nas áreas de expansão da fronteira agrícola, as obras de logística não acompanham esse ritmo. Em muitos casos, o escoamento das safras depende de rodovias em condições precárias, que se tornam ainda mais problemáticas durante os períodos de chuva.

Esse cenário dificulta o transporte da produção até portos, centros de distribuição e mercados consumidores, elevando custos e reduzindo a eficiência da cadeia logística.

Hidrovias e cabotagem aparecem como alternativas estratégicas

Especialistas apontam que o país possui potencial para reduzir sua dependência das rodovias por meio da ampliação de outros modais de transporte.

As hidrovias, favorecidas pela extensa rede de rios navegáveis, representam uma alternativa com menor custo operacional e menor impacto ambiental quando comparadas ao transporte rodoviário.

Outra opção é a cabotagem, modalidade que utiliza a navegação entre portos do próprio país. Embora tenha desempenhado papel importante na integração econômica brasileira ao longo da história, esse sistema permanece subaproveitado, em parte devido à redução da participação da marinha mercante nacional.

Integração entre modais é apontada como prioridade

Mais do que ampliar investimentos em um único tipo de infraestrutura, especialistas defendem a construção de uma estratégia nacional capaz de integrar rodovias, ferrovias, hidrovias, cabotagem e portos.

A ausência de um planejamento de longo prazo é apontada como um dos principais obstáculos para o desenvolvimento da logística brasileira. Ao longo das últimas décadas, decisões pontuais substituíram uma política integrada voltada ao crescimento econômico, à ocupação equilibrada do território e à preservação ambiental.

Planejamento é visto como caminho para aumentar a competitividade

Com dimensões continentais e forte vocação produtiva, o Brasil depende de uma matriz logística mais diversificada para reduzir custos e aumentar sua competitividade.

A integração entre diferentes modais permitiria aproveitar as vantagens de cada sistema de transporte, tornando o escoamento da produção mais eficiente e fortalecendo a conexão entre todas as regiões do país.

Além da ampliação da infraestrutura, especialistas defendem que o planejamento estratégico seja tratado como política de Estado, capaz de promover desenvolvimento sustentável, melhorar a logística nacional e impulsionar o crescimento econômico.

FONTE: Diálogos do Sul
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wikipédia

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Transporte

CNT apresenta agenda para impulsionar hidrovias e ampliar uso do transporte hidroviário no Brasil

Mesmo dispondo de uma das maiores malhas hidrográficas do mundo, o Brasil ainda explora apenas uma fração do potencial das hidrovias para o transporte de cargas e passageiros. Com o objetivo de mudar esse cenário, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) apresentou uma agenda estratégica que reúne propostas para fortalecer a governança do setor, aperfeiçoar a regulação e ampliar os investimentos em infraestrutura hidroviária.

O levantamento, intitulado Propostas para o Desenvolvimento da Navegação Interior Brasileira, foi desenvolvido pela consultoria Pezco em parceria com o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O estudo traz um diagnóstico da estrutura institucional da navegação interior e estabelece recomendações de curto, médio e longo prazos, com planejamento até 2046.

A apresentação ocorreu durante o workshop Governança e Regulação da Navegação Interior, realizado pela CNT, em Brasília. O material deverá servir como base para a elaboração de políticas públicas voltadas à ampliação da participação do modal hidroviário na matriz de transportes do país.

Potencial das hidrovias ainda é pouco aproveitado

O debate acontece em um momento considerado decisivo para a logística nacional. Atualmente, mais de 60% das cargas brasileiras são transportadas por rodovias, enquanto o transporte hidroviário permanece subutilizado, apesar de oferecer custos operacionais menores para grandes volumes e longas distâncias.

Dados do Ministério de Portos e Aeroportos mostram que o Brasil possui aproximadamente 63 mil quilômetros de rios com potencial para navegação. No entanto, apenas cerca de 20 mil quilômetros são explorados de forma econômica e regular.

Além da redução dos custos logísticos, especialistas destacam que as hidrovias proporcionam menor consumo de combustível por tonelada transportada e reduzem as emissões de gases de efeito estufa, tornando o modal um importante aliado das estratégias de descarbonização do setor logístico.

Estudo aponta entraves para expansão da navegação interior

Entre os principais desafios identificados pelo estudo estão a fragmentação da governança, a insegurança regulatória, a falta de planejamento integrado da infraestrutura e a baixa prioridade dada ao transporte hidroviário nas políticas públicas.

O levantamento também cita dificuldades relacionadas à escassez de mão de obra especializada, limitações no acesso ao financiamento e problemas envolvendo a segurança patrimonial.

No segmento de transporte de passageiros, o diagnóstico revela ainda altos índices de informalidade, deficiência na infraestrutura de terminais e atracadouros, escassez de dados estatísticos e obstáculos para obtenção de crédito destinado à renovação das embarcações.

CNT defende matriz logística mais equilibrada

Durante a abertura do evento, o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza, ressaltou que o fortalecimento das hidrovias é fundamental para diversificar a matriz de transportes brasileira.

Segundo ele, o país não pode continuar dependente do transporte rodoviário, responsável por movimentar cerca de dois terços das cargas e atender mais de 90% dos passageiros. O executivo também afirmou que a logística precisa ser tratada como uma política de Estado, com planejamento de longo prazo e continuidade das ações, independentemente das mudanças de governo.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Portos

Portos da China dominam ranking global em movimentação de cargas em 2025, com 8 entre os 10 maiores do mundo

A China consolidou em 2025 sua posição como potência logística global, ao ocupar oito das dez primeiras posições no ranking mundial de movimentação portuária. O dado foi divulgado por autoridades do setor de transportes do país e reforça a liderança chinesa no comércio marítimo internacional.

O desempenho é sustentado por volumes recordes de carga portuária, expansão da infraestrutura e crescimento contínuo da frota mercante.

Portos chineses registram volumes recordes de carga e contêineres

De acordo com o vice-ministro dos Transportes, Li Xinghu, os portos chineses movimentaram cerca de 18,3 bilhões de toneladas de carga em 2024, além de 354 milhões de TEUs (unidade equivalente a vinte pés) em contêineres.

O país também lidera em capacidade marítima, com uma frota de navios próprios que soma aproximadamente 490 milhões de toneladas de porte bruto (TPB).

Movimentação diária supera milhões de toneladas

Em média, os portos da China registraram em 2025 mais de 50 milhões de toneladas de carga por dia e cerca de 970 mil TEUs diários.

O fluxo marítimo também impressiona no número de embarcações: foram aproximadamente 98.200 movimentações de navios por dia, incluindo cerca de 1.236 viagens internacionais, segundo dados oficiais.

Transporte hidroviário reforça liderança logística

O sistema de hidrovias chinesas também atingiu patamar recorde, com movimentação próxima de 15 trilhões de tonelada-quilômetro em 2025.

Esse volume representa mais da metade do desempenho total do sistema de transporte do país, evidenciando a importância das rotas fluviais e costeiras para a logística nacional e o escoamento da produção industrial.

Expansão de infraestrutura portuária no plano quinquenal

Durante o período do 14º Plano Quinquenal (2021–2025), a China ampliou de forma significativa sua infraestrutura logística.

Foram adicionados 469 novos ancoradouros capazes de receber navios acima de 10 mil toneladas, elevando o total para 3.061 estruturas desse tipo no país.

Além disso, foram construídos cerca de 2.500 quilômetros de hidrovias de alto padrão, totalizando uma malha de 18.500 quilômetros.

Terminais automatizados impulsionam eficiência portuária

A modernização também avançou com a implantação de tecnologia. Até 2025, a China já operava 60 terminais automatizados, sendo 30 dedicados exclusivamente a contêineres.

Essas estruturas reforçam o foco do país em eficiência logística, digitalização e aumento da capacidade operacional dos portos chineses, que seguem entre os mais movimentados e estratégicos do mundo.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua

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Transporte

El Niño pode impactar o transporte marítimo global e acender alerta no Canal do Panamá

O avanço do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico já mobiliza autoridades climáticas e preocupa o setor de transporte marítimo internacional. A confirmação oficial do evento pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aumenta os temores sobre possíveis impactos em rotas comerciais, operações portuárias e cadeias globais de suprimentos nos próximos meses.

Segundo as projeções mais recentes, o fenômeno climático pode alcançar intensidade histórica até o fim de 2026, elevando o risco de restrições em importantes corredores logísticos ao redor do mundo.

NOAA alerta para possibilidade de um dos maiores eventos já registrados

A NOAA confirmou o desenvolvimento do El Niño no Pacífico tropical e divulgou previsões que apontam para um fortalecimento significativo do fenômeno nos próximos meses.

De acordo com o Centro de Previsão Climática da agência, há 88% de probabilidade de que o evento atinja intensidade considerada forte entre novembro e janeiro. Além disso, existe uma chance de 63% de que ele alcance níveis classificados como muito fortes.

Caso esse cenário se confirme, o fenômeno poderá ser comparado aos episódios de 1997-1998 e 2015-2016, considerados alguns dos mais intensos desde o início dos registros modernos, em 1950.

Canal do Panamá volta ao centro das preocupações

Um dos principais reflexos do fortalecimento do El Niño pode ocorrer no Canal do Panamá, uma das rotas marítimas mais estratégicas do comércio global.

Durante o ciclo climático de 2023-2024, a região enfrentou uma severa estiagem que reduziu significativamente os níveis dos reservatórios responsáveis pela operação da via. Como consequência, a Autoridade do Canal do Panamá precisou limitar o calado das embarcações e diminuir em até 40% o número diário de travessias.

O processo de recuperação das operações levou cerca de um ano após a normalização das condições climáticas.

Medidas preventivas já foram anunciadas

Mesmo antes da confirmação oficial da NOAA, a Autoridade do Canal do Panamá já havia adotado ações preventivas para enfrentar um possível agravamento da situação.

Entre as medidas está a redução do calado máximo permitido para embarcações que utilizam as eclusas neopanamax, que passará a ser de 49,5 pés a partir de julho. A decisão foi baseada na possibilidade de um novo período de escassez hídrica associado ao fenômeno climático.

Com o monitoramento contínuo das condições meteorológicas, especialistas avaliam que novas restrições poderão ser implementadas caso o fenômeno atinja os níveis projetados.

Exportações dos EUA aumentam pressão sobre a rota

Além dos desafios climáticos, o Canal do Panamá enfrenta um aumento expressivo da demanda por espaço de navegação.

Dados da Clarksons Research indicam que as exportações energéticas dos Estados Unidos seguem em níveis recordes. O volume de transporte de derivados de petróleo, gás liquefeito de petróleo (GLP) e etano tem ampliado a disputa por vagas de trânsito na hidrovia.

Esse cenário pode tornar ainda mais complexa a gestão operacional do canal caso as restrições de água sejam ampliadas.

Efeitos podem atingir outras rotas e sistemas hidroviários

Os impactos do El Niño não se limitam ao Panamá. O aquecimento das águas do Pacífico equatorial altera padrões atmosféricos em diversas regiões do planeta, influenciando regimes de chuva e períodos de seca.

Historicamente, eventos intensos estão associados à redução das precipitações em áreas da América Central e do Sudeste Asiático, aumentando o risco de dificuldades para sistemas logísticos dependentes de rios, canais e hidrovias.

As mudanças também podem afetar regiões que dependem das monções para manter níveis adequados de navegação e abastecimento hídrico.

Temporada de furacões pode trazer alívio parcial

Embora o fenômeno represente riscos para diversas operações marítimas, ele também pode gerar efeitos positivos em determinadas rotas.

O El Niño costuma aumentar o cisalhamento dos ventos sobre o Oceano Atlântico, condição que normalmente dificulta a formação e o fortalecimento de furacões.

Isso pode reduzir a ocorrência de tempestades tropicais nas áreas do Golfo do México e do Caribe, beneficiando operações de navegação e transporte marítimo durante o segundo semestre de 2026.

Mercado de grãos também pode sentir os efeitos

O setor de granéis sólidos e o comércio agrícola estão entre os segmentos mais sensíveis às alterações climáticas provocadas pelo fenômeno.

Mudanças nos regimes de chuva podem afetar importantes regiões produtoras de soja, milho e outros grãos na Índia, Austrália e partes do Sudeste Asiático. A redução da produção ou alterações nas safras costumam influenciar diretamente os fluxos comerciais globais e a demanda por navios graneleiros.

Com isso, armadores, exportadores e operadores logísticos acompanham atentamente as projeções climáticas para avaliar possíveis impactos nos mercados ao longo dos próximos doze meses.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Segurança

MPor lança acordo para reforçar proteção de crianças, adolescentes e mulheres em portos, aeroportos e hidrovias

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) formalizou, na terça-feira (16), um acordo de cooperação voltado ao fortalecimento da proteção de crianças, adolescentes e mulheres em áreas ligadas ao transporte aquaviário e aéreo no Brasil.

A iniciativa, denominada “Manas que Protegem”, foi firmada em Brasília em parceria com o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e o Ministério Público Militar, com o objetivo de ampliar ações de prevenção, acolhimento e enfrentamento de situações de violência e vulnerabilidade em portos, aeroportos e hidrovias.

Cooperação prevê ações de prevenção e capacitação

O acordo estabelece uma atuação conjunta entre as instituições para promover iniciativas de proteção social e garantia de direitos nos setores portuário, hidroviário e aeroviário.

Entre as medidas previstas estão programas de capacitação, fortalecimento das redes de atendimento, campanhas de conscientização e mecanismos para identificação e combate a violações de direitos.

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a proposta amplia o papel desses espaços além da função econômica.

“Portos, aeroportos e hidrovias são fundamentais para o desenvolvimento do país, mas também devem atuar como ambientes de cidadania e proteção. A preparação de trabalhadores e operadores para identificar situações de risco é essencial para ampliar a prevenção e o acolhimento”, destacou.

Presença nacional amplia alcance das ações

Durante a cerimônia, a diretora de Assuntos Econômicos do MPor, Helena Venceslau, ressaltou que a estrutura do ministério em diferentes regiões brasileiras favorece a implementação das medidas previstas no acordo.

De acordo com ela, a integração entre órgãos públicos e iniciativa privada é um dos pilares para ampliar o alcance das ações preventivas e garantir a continuidade dos projetos de proteção social.

Guia orientará profissionais sobre proteção à infância

O evento também marcou o lançamento do Guia de Proteção à Infância e Juventude, elaborado pela Ouvidoria do MPor.

O material reúne orientações práticas para profissionais que atuam no ambiente aquaviário, auxiliando na identificação de situações de risco e na adoção de medidas voltadas à prevenção e ao enfrentamento de violações de direitos.

A publicação foi desenvolvida em parceria com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), com apoio do IBI Social e da Childhood Brasil, além de revisão técnica do CNMP.

Segundo a ouvidora do ministério, Maíra Cervi, o guia fortalece a articulação entre instituições e contribui para consolidar uma rede de proteção mais eficiente.

Setor portuário reforça compromisso com ambientes seguros

Representando a Antaq, a diretora substituta Cristina Castro destacou a importância de colocar a proteção de crianças, adolescentes e mulheres entre as prioridades das instituições ligadas à infraestrutura e à logística.

Para ela, os portos exercem papel que vai além da movimentação de cargas, influenciando diretamente a realidade social das comunidades onde estão inseridos.

Evento debate combate à violência e exploração infantil

A programação contou ainda com debates sobre prevenção à violência, exploração infantil e fortalecimento das redes de proteção.

Durante o encontro também foi apresentada a iniciativa Barco Infância Protegida, desenvolvida pela Childhood Brasil para ampliar a conscientização e o combate às violações de direitos.

A ação recebeu apoio do IBI Social e da Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph).

Diversos órgãos participaram da iniciativa

O lançamento reuniu representantes de diferentes instituições federais, entre elas o Ministério das Mulheres, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Ministério do Turismo, a Antaq e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), além de especialistas e organizações dedicadas à proteção da infância, juventude e mulheres.

A expectativa é que o acordo contribua para ampliar a segurança e fortalecer a rede de acolhimento em áreas estratégicas da infraestrutura nacional.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Ministério Publico Militar

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Logística

Concessões de Infraestrutura de Transportes avançam com primeira reunião de grupo de trabalho em Brasília

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) realizou na terça-feira (9), em Brasília, a primeira reunião do Grupo de Trabalho sobre Concessões de Infraestrutura de Transportes. A iniciativa reúne representantes de diferentes segmentos para discutir melhorias nos modelos de concessão dos setores portuário, aeroportuário e hidroviário.

Criado com o objetivo de elaborar estudos e propostas de aperfeiçoamento regulatório, o colegiado busca fortalecer a gestão dos contratos e ampliar a eficiência dos projetos de infraestrutura no país.

Governo aposta em integração entre modais para atrair investimentos

Durante a abertura do encontro, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou a importância da troca de experiências entre os diferentes modais de transporte para aperfeiçoar os modelos atuais e ampliar a confiança dos investidores.

Segundo ele, a iniciativa permitirá reunir práticas bem-sucedidas dos setores envolvidos para fortalecer a segurança jurídica, aumentar a previsibilidade dos projetos e aprimorar as políticas públicas voltadas à infraestrutura.

O ministro ressaltou ainda que a modernização das concessões pode contribuir diretamente para o crescimento econômico, a geração de empregos e a ampliação de oportunidades em diversas regiões do país.

Experiências nacionais e internacionais entram na pauta

Durante a reunião, os participantes analisaram contribuições técnicas apresentadas por áreas do Ministério de Portos e Aeroportos, além de órgãos reguladores como a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O grupo também debateu modelos adotados no Brasil e no exterior relacionados a contratos de concessão, parcerias público-privadas (PPPs) e mecanismos de extensão contratual, buscando identificar soluções capazes de aprimorar o ambiente regulatório.

Diálogo com o setor deve resultar em propostas concretas

A secretária-executiva do MPor, Thairyne Oliveira, afirmou que o grupo foi criado para ampliar a participação dos setores envolvidos na construção de melhorias regulatórias.

De acordo com ela, o objetivo é transformar os desafios apontados por empresas, operadores e agentes do mercado em propostas estruturadas, com prioridades definidas e cronograma de execução.

A expectativa é que o diálogo entre governo e iniciativa privada resulte em medidas capazes de fortalecer o ambiente de negócios e ampliar os investimentos em infraestrutura.

Grupo terá 90 dias para apresentar relatório

Entre as atribuições do GT estão a análise dos regimes jurídicos aplicados aos diferentes modais, a avaliação dos impactos econômicos, fiscais e regulatórios de eventuais mudanças e a formulação de diretrizes para futuras concessões e renovações contratuais.

Temas como novos investimentos, eficiência operacional, qualidade dos serviços e interesse público também fazem parte da agenda de discussões.

Instituído por portaria em abril deste ano, o grupo terá prazo de 90 dias para entregar um relatório contendo propostas de aperfeiçoamento normativo e recomendações para os modelos de concessão sob responsabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos.

Objetivo é fortalecer a logística e reduzir riscos regulatórios

A criação do GT busca promover maior integração entre os diferentes modelos de concessão existentes nos setores de transporte administrados pelo governo federal. A estratégia visa reduzir riscos regulatórios, ampliar a atratividade dos projetos e garantir a continuidade dos investimentos em infraestrutura logística.

Com isso, o governo espera consolidar um ambiente mais estável para investidores e impulsionar o desenvolvimento do setor nos próximos anos.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Eduardo Oliveira/MPor

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Logística

PEC da Segurança Pública pode ampliar atuação da PRF e reforçar proteção nos corredores logísticos

A PEC da Segurança Pública começou a ser debatida sob a perspectiva do setor transportador. Representantes da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) se reuniram em Brasília para avaliar os possíveis efeitos da proposta sobre a segurança logística, a integração entre modais e o combate à criminalidade nas rotas de transporte do país.

O encontro marcou o início das discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025, que prevê maior articulação entre os órgãos de segurança pública e amplia as atribuições da PRF, que poderá passar a se chamar Polícia Viária Federal.

Atuação poderá ser ampliada para ferrovias e hidrovias

Uma das principais mudanças previstas na proposta é a expansão do campo de atuação da corporação. Atualmente concentrada no patrulhamento das rodovias federais, a PRF poderá assumir também atividades ostensivas em ferrovias e hidrovias federais.

A medida é considerada estratégica diante da crescente integração entre os diferentes modais de transporte e da necessidade de fortalecer a segurança das cadeias logísticas brasileiras.

Segundo José Roberto Barros, integrante do Projeto Estratégico da PEC da Segurança Pública na PRF, a corporação está avaliando os impactos operacionais e institucionais da proposta.

De acordo com ele, a participação da CNT é importante para contribuir com a visão do setor transportador e auxiliar na construção de um diagnóstico sobre os desafios e oportunidades da ampliação das competências da polícia.

Integração de dados é apontada como prioridade

Além da ampliação da atuação policial, outro tema central das discussões foi a necessidade de aprimorar a integração de dados entre órgãos públicos e empresas do setor de transporte.

A gerente-executiva Governamental da CNT, Danielle Bernardes, destacou que a falta de interoperabilidade entre sistemas de informação ainda limita a elaboração de estratégias mais eficientes de segurança.

Segundo ela, a entidade apoia a proposta desde sua apresentação justamente porque os problemas relacionados à criminalidade afetam todos os modais de transporte. A executiva também ressaltou que dados integrados são essenciais para identificar áreas de risco e direcionar políticas públicas de forma mais precisa.

Informações consolidadas podem melhorar gestão de riscos

Na avaliação do consultor de Segurança Pública da CNT, Getúlio Bezerra, a ampliação do acesso a informações estatísticas poderá trazer benefícios tanto para o poder público quanto para as empresas do setor.

Ele afirma que bases de dados mais organizadas e acessíveis ajudam no planejamento operacional, na prevenção de ocorrências e na gestão de riscos das operações logísticas.

O especialista também destaca que o setor vem investindo em mecanismos de proteção, mas ainda enfrenta dificuldades para acessar informações consolidadas que auxiliem na tomada de decisões estratégicas.

Cooperação entre instituições deve avançar

A expectativa da CNT e da PRF é ampliar o diálogo durante a tramitação da proposta no Congresso Nacional. A cooperação deverá se concentrar principalmente em temas ligados à inteligência de segurança, produção de estatísticas e proteção dos principais corredores logísticos do país.

Caso aprovada, a PEC poderá promover mudanças significativas na estrutura da segurança pública voltada ao transporte, ampliando a atuação estatal em diferentes modais e fortalecendo ações de prevenção e combate ao crime.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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