Portos

Porto de minério em MS receberá investimento bilionário para dobrar capacidade operacional

O maior terminal de movimentação de minério de Mato Grosso do Sul está prestes a passar por uma ampla transformação. A LHG Mining, empresa controlada pela holding dos empresários Wesley e Joesley Batista, apresentou um projeto para ampliar a estrutura do Porto Gregório Curvo, localizado às margens do Rio Paraguai, em Corumbá.

A proposta prevê elevar a capacidade estática de armazenamento de minério das atuais 700 mil toneladas para 1,5 milhão de toneladas. Além disso, a empresa pretende ampliar significativamente a capacidade de embarque, alcançando até 15 milhões de toneladas anuais de minério de ferro e manganês.

Para que a expansão seja executada, o empreendimento ainda depende de licenciamento e autorizações ambientais.

Investimento supera R$ 1,9 bilhão

O projeto foi orçado em aproximadamente R$ 1,91 bilhão e figura entre os maiores investimentos previstos para Mato Grosso do Sul nos próximos anos.

A iniciativa será debatida em audiência pública marcada para Corumbá, etapa necessária dentro do processo de licenciamento ambiental.

Atualmente, o porto opera com licença emitida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e está localizado no distrito de Porto Esperança, a cerca de 90 quilômetros da área urbana de Corumbá.

Estrutura contará com ferrovia, pátios e novo sistema de embarque

A expansão contempla uma série de obras de infraestrutura voltadas à modernização da logística mineral da região.

Entre os investimentos previstos estão:

  • Implantação de estrutura ferroviária;
  • Construção de sistema de virador de vagões;
  • Instalação de transportadores de correia;
  • Ampliação do pátio de estocagem de minério;
  • Construção de um novo píer de embarque;
  • Sistemas de controle ambiental para redução de poeira.

Segundo o projeto, os vagões carregados chegarão ao terminal por ferrovia e serão descarregados automaticamente por meio de equipamentos específicos. O minério seguirá para áreas de armazenamento compostas por sete grandes pilhas, atendidas por 22 transportadores de correia.

Transporte fluvial foi escolhido por emitir menos gases

De acordo com estudos apresentados pela mineradora, a opção pelo transporte hidroviário foi definida após análises comparativas entre os modais rodoviário, ferroviário e fluvial.

O relatório aponta que as barcaças apresentam menor emissão de gases de efeito estufa quando comparadas aos demais sistemas de transporte de carga.

A estratégia reforça o papel da Hidrovia do Paraguai como corredor logístico para o escoamento da produção mineral do Centro-Oeste brasileiro.

Obras podem gerar mais de 1,6 mil empregos

A empresa estima que cerca de 1.642 trabalhadores sejam empregados diretamente durante as etapas de implantação do projeto.

As vagas deverão ser distribuídas entre atividades de terraplanagem, construção civil, montagem eletromecânica, gerenciamento operacional e comissionamento dos sistemas.

O cronograma prevê que as obras ocorram entre 2026 e 2029, com início das operações ampliadas previsto para o ano de 2029.

Intervenções exigirão alterações em áreas do Pantanal

A ampliação do terminal também envolve impactos ambientais que estão sendo analisados pelos órgãos competentes.

Entre as intervenções previstas estão a remoção de vegetação em uma área de 66,5 hectares, movimentação de grandes volumes de terra e construção de uma ponte para interligar diferentes setores do empreendimento separados por um corixo — curso d’água típico do Pantanal.

Somente para a construção da estrutura ferroviária, o volume estimado de aterro supera 1,5 milhão de metros cúbicos de terra, equivalente à carga de mais de 107 mil caminhões.

Projeto prevê medidas para reduzir impactos ambientais

O estudo ambiental reconhece que a ampliação poderá provocar aumento temporário na emissão de poeira e gases provenientes de máquinas e veículos utilizados durante as obras.

Por outro lado, a empresa argumenta que a substituição gradual do transporte rodoviário pelo ferroviário poderá reduzir a concentração de partículas na região de Porto Esperança.

O projeto também prevê sistemas de aspersão de água para controle de poeira nas áreas de armazenamento de minério.

Dragagem do Rio Paraguai integra planejamento da expansão

Outro ponto previsto no projeto é a realização de intervenções na calha do Rio Paraguai, incluindo operações de dragagem para garantir melhores condições de navegação.

A medida dialoga com as discussões sobre a futura concessão da Hidrovia do Paraguai, prevista pelo governo federal para os próximos anos, e considerada estratégica para o desenvolvimento logístico do Centro-Oeste.

Caso receba todas as licenças necessárias, a expansão poderá transformar o Porto Gregório Curvo em um dos principais polos de exportação mineral do país.

FONTE: Correio do Estado
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Correio do Estado

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Comércio Exterior, Informação, Logística, Navegação, Sustentabilidade

Hidrovia do Rio Paraguai: Período da audiência pública é prorrogado até o dia 10 de março

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) prorrogou o período de contribuições da Audiência Pública 18/2024, que trata do aprimoramento dos documentos e da modelagem proposta para a concessão da Hidrovia do Paraguai.

O prazo de contribuições para a consulta pública, que se encerrava no dia 23 de fevereiro de 2025, foi estendido por mais 15 dias. A sessão pública sobre o tema aconteceu na última quinta-feira (6).

Essa será a primeira concessão hidroviária do Brasil e representa um marco para o setor. A licitação garante, além de ganho em eficiência logística, a diminuição das emissões de gases de efeito estufa.

Contribuições

A documentação completa, incluindo minutas jurídicas relativas à Audiência Pública nº 18/2024 estão disponíveis neste link. Confira a apresentação do projeto de concessão aqui.

As contribuições poderão ser encaminhadas até as 23h59 do dia 10 de março de 2025, exclusivamente por meio e na forma do formulário eletrônico disponível no site da ANTAQ, não sendo aceitas contribuições enviadas por meio diverso.

Será permitido anexar imagens digitais, tais como mapas, plantas e fotos exclusivamente através do email: anexo_audiencia182024@antaq.gov.br, mediante identificação do contribuinte e no prazo estipulado neste aviso.
O envio do anexo em e-mail não dispensa o envio da contribuição por escrito no formulário eletrônico.

Caso o interessado não disponha dos recursos necessários para o envio da contribuição por meio do formulário eletrônico, poderá fazê-lo utilizando o computador da Secretaria-Geral (SGE) desta Agência, em Brasília/DF, ou nas suas Unidades Regionais, cujos endereços se encontram disponíveis no sítio da ANTAQ.

Sobre a concessão

A Hidrovia do Rio Paraguai compreende o trecho entre Corumbá (MS) e a Foz do Rio Apa, localizada no município de Porto Murtinho (MS), e o leito do Canal do Tamengo, no trecho compreendido no município de Corumbá. A extensão total do projeto é de 600 km.

Nos primeiros cinco anos de concessão, serão realizados serviços de dragagem, derrocagem, balizamento e sinalização adequados, construção de galpão industrial, aquisição de draga, monitoramento hidrológico e levantamentos hidrográficos, melhorias em travessias e pontos de desmembramento de comboio, implantação dos sistemas de gestão do tráfego hidroviário, incluindo Vessel Traffic Service (VTS) e River Information Service (RIS), além dos serviços de inteligência fluvial.

Essas melhorias vão garantir segurança e confiabilidade da navegação. O investimento direto estimado nesses primeiros anos é de R$ 63,8 milhões. O prazo contratual da concessão é de 15 anos com possibilidade de prorrogação por igual período.

Tarifa baixa e gratuita

Ainda segundo a modelagem, foi definido que somente será feita a cobrança de tarifa para a movimentação de cargas quando a concessionária entregar os serviços previstos na primeira fase do contrato. Em relação ao transporte de passageiros e de cargas de pequeno porte não haverá cobrança de tarifa.

A previsão de tarifa, pré-leilão, é de até R$1,27 por tonelada de cargas. O critério de licitação pode ser menor tarifa, por isso, esse valor ainda poderá ser reduzido. No entanto, existe a possibilidade, durante a realização da consulta pública, de alteração no critério do certame.

Movimentação

O transporte de cargas do Rio Paraguai, após a concessão, está estimado entre 25 e 30 milhões de toneladas a partir de 2030, o que significa um aumento significativo de movimentação em relação ao praticado atualmente. No ano passado, a hidrovia transportou 7,95 milhões de toneladas de cargas, um aumento de 72,57% em relação a 2022.

Em 2023, as hidrovias foram responsáveis por transportar mais de 157 milhões de toneladas de carga, quase 10% de todo o transporte aquaviário ocorrido no período. Esse volume de carga transportada tem um potencial ainda maior para ser desenvolvido e a busca por investimento privado nesse segmento vai ao encontro da busca por uma maior eficiência logística nacional.

Trafegabilidade

Com a concessão, a hidrovia vai contar com um calado de 3 metros quando o rio estiver cheio e de 2 metros em períodos de seca, o que vai garantir a trafegabilidade das embarcações durante todo o ano, ou pelo menos a maior parte dele.

Levando em consideração as estiagens extremas dos últimos anos, o contrato também prevê a distribuição adequada dos riscos com a criação da Zona de Referência Hidrológica Contratual, que consiste em avaliação estatística do comportamento hidrológico do Rio Paraguai.

FONTE: Datamar News
Hidrovia do Rio Paraguai: Período da audiência pública é prorrogado até o dia 10 de março – DatamarNews

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