Comércio Exterior

Acordo Mercosul–União Europeia: oportunidades, tecnologia e reposicionamento estratégico global

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia em 1º de maio de 2026 marca uma mudança estrutural no comércio internacional brasileiro. Com a redução progressiva de tarifas, abertura de mercados e aumento da competitividade, empresas passam a operar em um ambiente mais integrado, porém também mais exigente.

Mais do que um tratado comercial, o acordo redefine dinâmicas de concorrência, acesso a tecnologia e posicionamento estratégico das empresas brasileiras. Nesse contexto, entender como dados, tecnologia e inteligência de mercado se conectam às novas oportunidades torna-se fundamental para decisões consistentes no cenário global.

Para aprofundar essa análise, conversamos com Mariana Pires Tomelin, especialista em Comércio Exterior com mais de 15 anos de experiência e uma trajetória marcada pela atuação estratégica na internacionalização de indústrias brasileiras. À frente da Exon Trade Business Intelligence, Mariana lidera projetos que integram inteligência de mercado, compliance aduaneiro, estruturação tributária e tecnologias como Inteligência Artificial e Big Data para impulsionar a performance internacional das empresas.

Com domínio de seis idiomas e forte atuação em negociações multiculturais, ela se destaca por transformar dados em decisões estratégicas e por antecipar tendências no cenário global. Reconhecida por sua visão inovadora, Mariana tem como missão tornar o comércio exterior mais acessível, inteligente e competitivo, apoiando empresas brasileiras na conquista de novos mercados em um ambiente cada vez mais dinâmico e desafiador.

Com a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, como você avalia as principais mudanças estruturais que passam a impactar o comércio internacional brasileiro, especialmente do ponto de vista estratégico?

Mariana Tomelin: O acordo altera o ambiente competitivo de forma estrutural. A redução de tarifas e a ampliação do acesso ao mercado europeu criam novas oportunidades, mas também aumentam a exposição das empresas brasileiras à concorrência internacional. Não se trata apenas de vender mais ou importar melhor, mas de reposicionar a empresa dentro de cadeias globais de valor. A competitividade passa a depender menos de custo isolado e mais de eficiência, qualidade e capacidade de adaptação.

Considerando a eliminação gradual de tarifas para milhares de produtos, quais são as principais oportunidades de negócios que surgem para empresas brasileiras no curto e médio prazo?

Mariana Tomelin: A eliminação de tarifas amplia o acesso a mercados e fornecedores com maior competitividade. No curto prazo, empresas podem explorar ganhos diretos em custo e diversificação de fornecedores. No médio prazo, surgem oportunidades mais estratégicas, como integração em cadeias globais, desenvolvimento de parcerias internacionais e acesso a tecnologias mais avançadas. O principal ganho está na capacidade de evolução da operação, e não apenas na transação em si.

Como a tecnologia e o uso estruturado de dados passam a ter um papel ainda mais relevante nesse novo cenário de abertura comercial?

Mariana Tomelin: Com o aumento da complexidade operacional, a tecnologia deixa de ser suporte e passa a ser infraestrutura decisória. Empresas passam a lidar com mais variáveis, mais exigências regulatórias e maior volume de informação. Sistemas que organizam dados, permitem análise comparativa e apoiam decisões tornam-se essenciais. Sem isso, a empresa perde capacidade de leitura e reação em um ambiente global mais dinâmico.

Quais desafios as empresas brasileiras devem enfrentar ao competir com produtos e fornecedores europeus, especialmente considerando padrões mais elevados de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade?

Mariana Tomelin: O principal desafio é o aumento do nível de exigência. O mercado europeu opera com padrões elevados de qualidade, rastreabilidade e conformidade regulatória, incluindo critérios ambientais mais rigorosos. Isso exige adaptação das empresas brasileiras, tanto em processos quanto em governança. Ao mesmo tempo, esse cenário impulsiona evolução operacional, promovendo ganhos de eficiência, produtividade e profissionalização.

Diante desse novo cenário global mais integrado e competitivo, como as empresas podem estruturar decisões mais estratégicas e evitar uma atuação apenas reativa às mudanças do acordo?

Mariana Tomelin: A principal mudança é sair de uma lógica reativa para uma lógica estruturada de decisão. Isso envolve analisar dados de mercado, entender movimentos de concorrência, avaliar fornecedores e antecipar tendências. Empresas que tratam o acordo apenas como redução tarifária tendem a capturar ganhos limitados. Já aquelas que integram dados, tecnologia e estratégia conseguem construir vantagens mais sustentáveis ao longo do tempo.

O acordo entre Mercosul e União Europeia representa uma mudança estrutural no comércio internacional brasileiro, ampliando oportunidades, mas também elevando o nível de exigência competitiva. Em um ambiente mais integrado e dinâmico, decisões passam a depender cada vez mais de dados, tecnologia e capacidade de leitura estratégica.

Foi a partir da necessidade de estruturar essas decisões em contextos globais complexos que se consolidou o desenvolvimento da Trax. A plataforma foi concebida como uma extensão prática dessa abordagem, apoiando a organização e análise de dados aplicados ao comércio internacional, permitindo que empresas operem com maior clareza, previsibilidade e consistência diante de cenários em constante transformação.

Informações institucionais: www.traxglobal.com.br

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, a posição deste veículo.

TEXTO E IMAGEM: EXON TRADE

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Inovação

Do cockpit à inovação: como ambientes regulados moldam soluções tecnológicas

Em um cenário global marcado por volatilidade, sistemas interdependentes e decisões de alto impacto, a capacidade de operar com clareza sob pressão tornou-se um diferencial relevante em diferentes setores. A atuação em ambientes técnicos e regulados, como a aviação, oferece paralelos diretos com os desafios enfrentados por líderes que constroem soluções tecnológicas e operam em contextos complexos.

Nesse contexto, a trajetória de Mariana Tomelin ilustra como experiências em ambientes de alta exigência técnica podem contribuir para uma leitura mais estruturada de risco, tomada de decisão e construção de soluções aplicáveis ao mundo real. Ao transitar entre setores que demandam rigor operacional, visão sistêmica e uso consistente de dados, sua atuação reflete uma abordagem que vai além de setores específicos, oferecendo aprendizados relevantes sobre como lidar com complexidade, incerteza e execução responsável em cenários contemporâneos.

Leia a entrevista na íntegra:


Você atua no setor de aviação. Como essa experiência se conecta com sua atuação profissional em tecnologia e operações internacionais?

MARIANA: A atuação no setor de aviação ampliou significativamente minha forma de enxergar sistemas, risco e responsabilidade. Trata-se de um ambiente em que decisões precisam ser tomadas com base em dados, procedimentos claros e avaliação contínua de cenários. Essa lógica se conecta diretamente com tecnologia e operações internacionais, onde múltiplas variáveis interagem simultaneamente e erros têm impacto real. A experiência na aviação reforçou uma abordagem mais disciplinada, analítica e orientada à tomada de decisão consciente em contextos complexos.


Que paralelos você identifica entre aviação e tecnologia?

MARIANA: Aviação e tecnologia compartilham a lógica de sistemas complexos, nos quais diferentes componentes operam de forma interdependente. Em ambos os casos, é fundamental compreender o sistema como um todo, antecipar falhas e responder de forma estruturada a cenários imprevistos. Procedimentos bem definidos, redundância e uso consistente de dados são elementos essenciais para garantir confiabilidade, segurança e desempenho, seja em um ambiente operacional altamente técnico ou no desenvolvimento de sistemas tecnológicos.


Essa experiência influencia o desenvolvimento de soluções tecnológicas?

MARIANA: Sim, de forma direta. Ao participar da construção de soluções tecnológicas voltadas a operações críticas, priorizo clareza funcional, confiabilidade e simplicidade operacional. Sistemas precisam ser compreensíveis, testáveis e resilientes, especialmente quando utilizados em ambientes regulados. Essa abordagem reduz falhas, facilita a adoção e aumenta a eficiência, criando soluções que funcionam de forma consistente na prática, e não apenas em teoria.


Como essa vivência em ambientes técnicos e regulados influencia sua liderança e processo decisório?

MARIANA: A vivência em ambientes técnicos e regulados contribui para uma liderança mais objetiva e responsável. Decisões precisam ser tomadas com critérios claros, avaliação de risco e consciência das consequências. Isso influencia diretamente a forma como conduzo projetos e equipes, criando estruturas que favorecem execução consistente, aprendizado contínuo e responsabilidade compartilhada. Em contextos complexos, liderar significa reduzir ambiguidade, sustentar decisões com método e manter clareza mesmo sob pressão.


Esse tipo de perfil é valorizado por ecossistemas globais de inovação?

MARIANA: Sim. Ecossistemas globais de inovação tendem a valorizar perfis capazes de operar sob pressão, lidar com incerteza e manter clareza decisória em cenários complexos. A capacidade de aprender continuamente, adaptar-se rapidamente e tomar decisões responsáveis é vista como um diferencial relevante em ambientes de alta performance, especialmente em setores que lidam com tecnologia, dados e sistemas interdependentes.

A experiência em ambientes técnicos e regulados, como a aviação, aliada à atuação em tecnologia e operações internacionais, contribuiu para o desenvolvimento de uma abordagem orientada à disciplina, ao pensamento sistêmico e à tomada de decisão baseada em dados. Em um contexto global marcado por complexidade crescente, essa combinação reflete competências que se aplicam diretamente aos desafios contemporâneos de liderança, inovação responsável e execução consistente.

Foi a partir dessa trajetória — marcada pela necessidade de lidar com grandes volumes de informação, múltiplos mercados e decisões de alto impacto — que se consolidou o desenvolvimento da Trax. A plataforma foi concebida como uma extensão prática dessas experiências, com foco na organização e análise de dados aplicados a operações de comércio internacional, conectando tecnologia à realidade operacional de ambientes globais e regulados.

TEXTO E IMAGEM: DIVULGAÇÃO EXONTRADE

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