Transporte

Free Flow desafia transportadoras e exige mais controle sobre pedágios eletrônicos

A ampliação do sistema Free Flow nas rodovias brasileiras está criando novos desafios para as transportadoras. Com a expansão do modelo de pedágio eletrônico sem cancelas em diferentes estados e sua inclusão em futuras concessões rodoviárias, empresas do setor precisam adaptar processos para acompanhar cobranças e evitar pendências financeiras.

Ao contrário do sistema tradicional, em que a tarifa é paga no momento da passagem, o Free Flow utiliza a identificação eletrônica dos veículos para registrar a travessia e gerar a cobrança posteriormente. Essa dinâmica exige maior atenção à gestão administrativa e financeira, especialmente para companhias que operam grandes frotas.

Crescimento do Free Flow acelera mudanças no transporte rodoviário

Levantamento da Sem Parar Empresas aponta que as transações realizadas por meio do sistema Free Flow cresceram 174% entre 2024 e 2026. Atualmente, existem 74 pórticos em funcionamento, administrados por 15 concessionárias em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Rondônia.

Além da estrutura já instalada, o modelo também está previsto em novos projetos de concessões federais e estaduais, indicando uma tendência de expansão contínua do pedágio automático nas rodovias do país.

Controle operacional se torna mais complexo

Especialistas destacam que uma das principais mudanças para as transportadoras é a necessidade de monitorar digitalmente todas as passagens realizadas pelos veículos.

Sem sistemas adequados de acompanhamento, as empresas podem enfrentar dificuldades para identificar cobranças, cumprir prazos de pagamento e evitar acúmulo de débitos. O cenário aumenta a demanda por processos mais eficientes de rastreamento e gestão de tráfego.

Segundo Bruno Portnoi, CRO da Sem Parar Empresas, a digitalização trouxe ganhos de fluidez nas estradas, mas também transformou a forma como as organizações controlam suas operações. Agora, o acompanhamento das passagens depende de registros eletrônicos, exigindo maior visibilidade sobre rotas, horários e movimentação da frota.

Fragmentação das cobranças preocupa empresas

Outro desafio apontado pelo setor é a diversidade de plataformas utilizadas pelas concessionárias para realizar a cobrança das tarifas.

Como cada administradora opera seus próprios canais, portais e datas de vencimento, as transportadoras precisam acompanhar diferentes sistemas simultaneamente. Esse cenário aumenta o risco de atrasos, retrabalho administrativo e dificuldades no controle financeiro.

Para especialistas, a centralização das informações em plataformas integradas pode reduzir significativamente esses problemas, simplificando o gerenciamento das tarifas e melhorando a previsibilidade dos custos operacionais.

Segurança digital ganha importância

Com a expansão do pedágio eletrônico e o aumento do número de canais de cobrança, também cresceram os casos de golpes virtuais. Empresas do setor relatam tentativas de fraude por meio de falsos sites de pagamento e mensagens enganosas enviadas por SMS e aplicativos.

A recomendação é que os pagamentos sejam realizados apenas por canais oficiais das concessionárias ou por sistemas integrados reconhecidos pelo mercado.

Embora o governo federal tenha suspendido temporariamente a aplicação de multas relacionadas ao Free Flow, as tarifas continuam obrigatórias e deverão ser regularizadas até novembro. Para empresas que administram grandes frotas, a falta de acompanhamento pode gerar despesas extras e comprometer o planejamento financeiro.

Com a tendência de expansão do modelo nas futuras concessões rodoviárias, investir em ferramentas de gestão de pedágios, monitoramento de frotas e controle financeiro deve se tornar cada vez mais estratégico para o setor de transporte de cargas.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Transporte

Vida útil dos pneus de carga: como aumentar a durabilidade e reduzir custos no transporte rodoviário

Em meio ao aumento dos custos logísticos, a busca por formas de ampliar a vida útil dos pneus de carga tornou-se prioridade para transportadoras e caminhoneiros. A estratégia impacta diretamente o custo por quilômetro rodado, além de favorecer a recapagem de pneus e reduzir o descarte de materiais.

Manutenção de pneus é essencial para reduzir custos operacionais

Especialistas do setor destacam que ações simples de manutenção preventiva de pneus, como calibragem adequada e inspeções regulares, podem ampliar de forma significativa a durabilidade dos pneus e melhorar a eficiência das frotas.

Segundo o diretor comercial da Bridgestone no Brasil, Marcos Aoki, os modelos atuais são desenvolvidos para múltiplos ciclos de uso, desde que a estrutura seja preservada.

“Um pneu de carga premium é projetado para mais de um ciclo de vida. Quando a carcaça é bem conservada, a recapagem permite que o ativo continue operando com segurança e desempenho”, explica.

Recapagem de pneus depende dos cuidados na primeira vida útil

Embora a recapagem de pneus de carga ocorra em centros especializados, sua viabilidade começa ainda na estrada. A forma como o pneu é utilizado na primeira etapa de vida influencia diretamente sua reutilização futura.

Fatores como excesso de carga, pressão incorreta, desalinhamento e impactos podem comprometer a carcaça e inviabilizar o reaproveitamento.

“A recapagem depende diretamente do estado da carcaça. Cada cuidado na primeira vida do pneu impacta sua possibilidade de reutilização”, reforça Aoki.

Entre as principais recomendações estão o controle da pressão, alinhamento, balanceamento e rodízio periódicos, além do respeito aos limites de carga e da escolha correta do modelo para cada operação.

Inspeção de pneus ajuda a evitar falhas e acidentes

A inspeção frequente também é considerada fundamental na gestão de pneus de frota. A verificação de cortes, desgaste irregular, objetos presos e danos visíveis permite identificar problemas antes que evoluam para falhas mais graves, reduzindo riscos e custos.

Tecnologia amplia ciclo de vida dos pneus de carga

O avanço tecnológico tem contribuído para aumentar a durabilidade e o potencial de recapagem. A Bridgestone lançou no Brasil o modelo R289, voltado para eixos direcionais e livres em operações rodoviárias de longa distância.

De acordo com a fabricante, o pneu foi desenvolvido com foco na redução de temperatura de operação, desgaste uniforme e maior preservação da carcaça. O modelo ainda oferece garantia de até a terceira recapagem por meio da rede Bandag.

Economia circular e sustentabilidade no setor de transporte

A estratégia também se conecta à lógica de economia circular no transporte rodoviário. Dados da Reciclanip apontam que mais de 5,6 milhões de toneladas de pneus inservíveis tiveram destinação ambientalmente adequada no Brasil entre 2011 e 2024.

“As transportadoras buscam soluções que combinem eficiência, redução de custos e sustentabilidade. O desenvolvimento dos pneus hoje considera todo o ciclo de vida da carcaça”, afirma Aoki.

Cuidados essenciais para aumentar a vida útil dos pneus de carga

A Bridgestone lista cinco práticas fundamentais para preservar a performance e ampliar a durabilidade dos pneus:

  • Calibragem correta de pneus – pressão inadequada acelera o desgaste, aumenta o consumo de combustível e pode comprometer a estrutura.
  • Alinhamento, balanceamento e rodízio – evitam desgaste irregular e aumentam a quilometragem.
  • Respeito aos limites de carga – excesso de peso eleva a temperatura e reduz a vida útil.
  • Escolha adequada do pneu de carga – produtos compatíveis com a operação garantem melhor desempenho e recapabilidade.
  • Inspeções frequentes de pneus – ajudam a identificar cortes, deformações e desgastes antes de falhas graves.

Eficiência e sustentabilidade caminham juntas

Para a indústria, prolongar o uso dos pneus antes da reciclagem é uma etapa estratégica para reduzir resíduos, otimizar recursos e tornar o transporte rodoviário mais sustentável e eficiente.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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