Internacional

Trump prorroga isenção de sanções ao petróleo russo em meio à alta dos combustíveis

A decisão do governo dos Estados Unidos de estender temporariamente a isenção de sanções sobre parte do petróleo russo reacendeu o debate sobre os impactos da crise energética global. A medida ocorre em um cenário de preços elevados dos combustíveis e instabilidade no mercado internacional.

Isenção é renovada por mais um mês

Apesar de declarações recentes indicarem o contrário, o Departamento do Tesouro norte-americano anunciou na sexta-feira a prorrogação da licença que permite a comercialização de determinados volumes de petróleo da Rússia. A nova autorização será válida até 16 de maio, substituindo a isenção anterior, que expirou em 11 de abril.

Dois dias antes, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, havia afirmado que a isenção de sanções ao petróleo russo não seria renovada, especialmente para cargas que permaneciam no mar.

Estratégia para conter preços do petróleo

Desde o início das tensões no Oriente Médio, em março, a administração Trump flexibilizou restrições à exportação de petróleo russo. A iniciativa busca conter a alta dos preços ao permitir que países importem milhões de barris que anteriormente estavam bloqueados por sanções dos EUA.

Durante coletiva na Casa Branca, Bessent explicou que o petróleo liberado se referia a cargas já embarcadas antes de 11 de março, quando as sanções começaram a ser suspensas. Segundo ele, esses volumes já teriam sido integralmente utilizados.

Estreito de Hormuz e impacto no mercado global

A renovação da medida ocorreu no mesmo dia em que o Irã anunciou a reabertura do Estreito de Hormuz, rota estratégica responsável por uma parcela significativa do transporte global de petróleo. A liberação da via marítima gerou reação imediata no mercado, com queda nos preços do petróleo.

O presidente Donald Trump comemorou a situação, afirmando que a crise no estreito havia sido resolvida. No entanto, autoridades iranianas não confirmaram um acordo permanente. O chanceler Seyed Abbas Araghchi declarou apenas que a passagem permanecerá aberta durante o período de cessar-fogo.

Tensões persistem entre EUA e Irã

Apesar do alívio momentâneo, o cenário segue incerto. O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã deve terminar na próxima semana, com novas negociações previstas. Ao mesmo tempo, divergências continuam em relação ao bloqueio militar americano a portos iranianos.

Araghchi alertou que o Irã poderá voltar a fechar o estreito caso as restrições não sejam suspensas, o que aumenta o risco de novas turbulências no mercado de energia.

Alta da gasolina pressiona economia

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, os preços dos combustíveis nos Estados Unidos dispararam. O valor da gasolina subiu cerca de 25% entre fevereiro e março, registrando o maior aumento mensal já observado.

Mesmo com a liberação de grandes volumes de petróleo das reservas estratégicas globais, o preço do barril tipo Brent segue elevado, refletindo a persistente instabilidade no mercado de energia.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Eric Lee for The New York Times

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Estreito de Ormuz permanece aberto sob controle do Irã e com tráfego limitado

O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de energia, segue oficialmente aberto, mas com circulação restrita e sob supervisão direta do governo iraniano. A informação foi confirmada pelo vice-chanceler Saeed Khatibzadeh.

Navegação depende de autorização militar iraniana

Segundo autoridades do país, embarcações interessadas em cruzar o estreito precisam solicitar autorização prévia às forças militares do Irã. Apenas navios considerados não hostis recebem permissão para seguir viagem.

Na prática, o controle do Estreito de Ormuz permanece rígido, com forte monitoramento por parte de Teerã, mesmo após a sinalização de abertura da rota.

Fluxo de navios cai drasticamente

Apesar da liberação formal, o tráfego segue muito abaixo do normal. Atualmente, apenas cerca de 15 embarcações por dia conseguem atravessar a passagem marítima.

Antes do início do conflito, o volume diário era de aproximadamente 130 navios. A redução expressiva reflete as condições de segurança na região, incluindo riscos operacionais e a presença de possíveis ameaças, como minas marítimas.

Impacto direto no mercado de petróleo

O Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo, conectando o Golfo ao Oceano Índico. Por isso, qualquer restrição na região afeta diretamente o mercado internacional de petróleo.

Desde o início das tensões, no fim de fevereiro, a diminuição no fluxo de cargas tem pressionado os preços globais da commodity. Mesmo após um cessar-fogo temporário de 14 dias com os Estados Unidos, o cenário ainda não voltou à normalidade.

A retomada parcial das operações já foi suficiente para provocar novas oscilações nos contratos internacionais de petróleo.

Comunidade internacional reage a restrições

O modelo de controle adotado pelo Irã gera preocupação entre países e organizações internacionais. A União Europeia defende a liberdade de navegação na rota e criticou possíveis limitações impostas ao tráfego marítimo.

A França também se posicionou contra qualquer tipo de cobrança ou restrição adicional, classificando como inaceitável a possibilidade de pedágios para a travessia.

Incertezas sobre normalização da rota

Especialistas avaliam que o sistema de autorizações pode enfrentar dificuldades logísticas, considerando o alto volume de navios que dependem do estreito.

Enquanto isso, o fluxo global de petróleo segue condicionado à estabilidade na região, mantendo o mercado em alerta diante de possíveis novos desdobramentos.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/G1

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