Industria

Indústria pede prudência e insistência no processo de negociações com os EUA

FIESC integra comitiva da CNI a Washington na semana que vem para reuniões bilaterais e preparação da defesa do setor produtivo brasileiro na investigação nos termos da Seção 301

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias de SC (FIESC) defendem a persistência no uso de instrumentos de negociação como forma de reverter os efeitos nocivos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. O setor industrial continuará buscando os caminhos do diálogo e da prudência, e avalia que não é o momento para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento exige cautela e discussões técnicas. Neste sentido, uma comitiva liderada pela CNI com líderes de associações e empresários industriais desembarcará no começo da semana que vem em Washington, para uma série de compromissos com empresários e representantes do poder público dos EUA.

Entre os participantes da missão aos EUA estará o primeiro vice-presidente da FIESC, André Odebrecht, que representará os interesses do setor exportador catarinense. Segundo Gilberto Seleme, presidente da FIESC, o objetivo será a busca de abertura de exceções nas tarifas para os principais produtos da pauta exportadora de SC.

Alban destaca também que é importante observar que as economias brasileira e americana são complementares. Na corrente de comércio, os bens intermediários (insumos produtivos) representaram 58% do que foi comercializado entre os dois países na última década.

A agenda em Washington contempla encontros bilaterais entre instituições empresariais brasileiras e suas contrapartes e parceiros nos EUA, e reunião plenária para discutir os impactos comerciais e estratégias para aprofundar a parceria econômica entre os dois países.

A CNI também vai promover encontros estratégicos preparatórios para a defesa do setor industrial na audiência pública, marcada para o dia 3 de setembro, sobre a investigação aberta em julho pelo governo norte-americano nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Como representante do setor industrial brasileiro, a CNI formalizou uma manifestação em defesa do Brasil, argumentando que o país não adota práticas injustificáveis, discriminatórias ou restritivas ao comércio bilateral.


Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Logística

FIESC lança pesquisa para embasar estudo sobre custos logísticos na indústria

Trabalho, em parceria com a UFSC, identifica gargalos e subsidia argumentos para cobrar investimentos em infraestrutura; indústrias participantes recebem diagnóstico individual

A Federação das Indústrias de SC (FIESC) acaba de lançar mais uma edição da pesquisa Custos Logísticos Industriais, em parceria com a UFSC. O objetivo é identificar o impacto dos custos da logística nas indústrias de Santa Catarina, tanto a parcela de custos internos como da porta para fora, como o custo de transportes.  

Os dados subsidiam análises e diagnósticos setoriais e regionais, e identificam oportunidades de melhoria e de incremento da competitividade. Além disso, embasam argumentos da Federação em prol de obras, ampliações e manutenções de rodovias, portos, aeroportos e ferrovias e cobrar das autoridades melhorias na  infraestrutura de transportes.

A FIESC iniciou uma nova edição da pesquisa Custos Logísticos Industriais e solicita às empresas que participem do levantamento respondendo ao questionário. Cada indústria que responder receberá um diagnóstico individual dos seus custos logísticos e indicativos de melhorias.

A Federação garante a confidencialidade dos dados dos participantes, como prevê a Lei Geral de Proteção de Dados. Para responder à pesquisa, preencha o cadastro para informar seu interesse e receber um link personalizado, que garante o sigilo absoluto dos dados informados.

Quero participar!

Fontes:

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Comércio Exterior

“Lula deveria falar com o presidente Trump”, diz novo presidente da Fiesc sobre tarifaço

Ao assumir a presidência da Federação das Indústrias de SC, Gilberto Seleme estreia com o grande desafio do tarifaço. Ele acredita que a solução depende de conversa direta entre os presidentes dos dois países

Primeiro industrial do Oeste catarinense eleito presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o empresário Gilberto Seleme, de Caçador, assume o cargo em posse solene nesta sexta-feira (22), às 19h, na sede da entidade, em Florianópolis. Mas desde o dia 08, quando recebeu as funções executivas do antecessor Mario Cezar de Aguiar, vem trabalhando e articulando intensamente na busca de soluções para o tarifaço de 50% dos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva para o NSC Total, ele afirmou que a solução para esse impasse é o presidente Lula falar com o seu par americano, Donald Trump.

– O presidente Lula deveria falar como presidente Trump. E nós precisamos ser humildes porque apenas 1,1% das importações dos Estados Unidos vêm do Brasil. Para eles, somos pequenos; mas para nós, os Estados Unidos são muito grandes – enfatizou Gilberto Seleme.

Engenheiro civil graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Gilberto Seleme sucede o também engenheiro civil Mario Cezar de Aguiar, e tem como primeiro vice-presidente André Odebrecht, de Rio do Sul. Para a Fiesc, a estratégia da nova diretoria é dar continuidade ao trabalho aplaudido da administração anterior, de Aguiar, da qual o novo titular da entidade era primeiro vice-presidente.

Gilberto Seleme destaca que a gestão que vai liderar priorizará o associativismo, a educação e infraestrutura, além de uma ação social voltada ao trabalhador. A ênfase aos investimentos em educação no Senai e no Sesi continuará.

Nascido em Caçador, filho do industrial Elias Seleme, o novo presidente da Fiesc tem 70 anos, é casado com Cristiane Costa Ganz Seleme e o casal tem três filhos, Gilberto, Gustavo e Guilherme. Também graduado em Administração pela UnC Caçador, ele é acionista do grupo Seleme, que atua com indústrias nos setores de madeira, construção civil, couro, calçados e gelatina. Ele tem, também, relevante trajetória no associativismo e na área social. Confira a entrevista a seguir: 

O que representa para o senhor presidir a Federação das Indústrias de Santa Catarina?
– Para mim, é uma honra presidir a Federação das Indústrias de Santa Catarina, que representa todas as indústrias. Nós temos uma organização fantástica na educação, especialmente com o Sesi e o Senai, além da área de Saúde do Trabalhador. Temos uma equipe excelente e me sinto muito confortável, pois fui vice-presidente por sete anos ao lado do presidente Mario Cezar Aguiar. Estamos dando continuidade ao planejamento estratégico que foi elaborado anos atrás.

O senhor assume no meio de uma crise sem precedentes, que é o tarifaço de 50% dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Como recebeu essa informação num primeiro momento e como está enfrentando essa situação agora?
– É, de fato, um momento difícil para o Brasil. Assumi já no primeiro dia tentando amenizar esse problema para o empresário catarinense, principalmente para quem exporta uma fatia significativa da sua produção para os Estados Unidos. A Fiesc, junto com a CNI e outras associações setoriais, como a de móveis e madeira, setores muito fortes em Santa Catarina, está atuando intensamente. Fizemos reuniões com o consulado americano e com as forças sindicais de Santa Catarina porque precisamos envolver também os trabalhadores nessa negociação. Realizamos encontros em Brasília com senadores e deputados, e a Fiesc está cumprindo seu papel de forma intensa com a equipe que temos aqui. Inclusive, estamos patrocinando equipes e escritórios nos Estados Unidos para nos ajudar nesse processo.

Na sua avaliação, qual seria o pior cenário e qual o melhor cenário para essa crise?
– O pior cenário é as tarifas perdurarem por mais de 90 dias. As empresas não terão tempo hábil para buscar novos mercados com os produtos e maquinários que possuem. No aspecto trabalhista, muitas já deram férias e fizeram o que podiam. Se passar de 90 dias, teremos grande dificuldade em certas regiões de Santa Catarina, não digo um colapso, mas problemas sérios.

O melhor cenário seria uma redução das tarifas para a faixa de 10% a 15%. Não estamos pedindo a volta ao patamar zero, mas algo nessa faixa já seria suportável. Outros países enfrentam tarifas médias em torno de 20%, mas nós temos o chamado “custo Brasil”, que eles não têm. Agora, tarifas de 40% ou 50% nenhuma indústria suporta por muito tempo. Talvez por um mês, mas não além disso. Aí é melhor fechar.

O senhor é acionista de um grupo exportador para os Estados Unidos. Isso ajuda a enxergar a crise de uma forma diferente? A saída é buscar novos mercados?
– Sim. Faço parte de um grupo extremamente exportador, que vende para mais de 16 países. Mas temos uma planta voltada exclusivamente para os Estados Unidos, que trabalha com madeira. Isso me dá mais segurança para discutir o problema, porque sinto na prática. Converso todos os dias com nossos clientes (nos EUA). Eles querem o produto, mas não conseguem pagar a taxa. Por isso, estamos mobilizando esses clientes para que pressionem seus deputados, senadores e governo, pois também precisam de nós. Não podem trocar de fornecedor de uma hora para outra. Isso me ajuda bastante a lidar com esse tarifaço.

As madeiras que vocês exportam não entraram nas exceções?
– Não. A lista contemplou apenas uma madeira tropical, bruta e restrita a uma região, provavelmente incluída por interesse de alguém com grande influência. A madeira que produzimos no Sul é de reflorestamento, exótica, totalmente certificada e sustentável. Temos uma cadeia completa, da tora à serraria, da fábrica à exportação, e todas as certificações ambientais. Portanto, nossa madeira deveria estar na lista de exceções, e não a madeira da Amazônia.

E a madeira de vocês é usada para quê?
– Principalmente na construção civil: móveis, molduras, portas, compensados, MDF. São florestas renováveis e certificadas, ecologicamente corretas. Uma cadeia que deveria ter sido incluída nas exceções.Já enviamos MDF pronto, portas prontas, molduras, rodapés, vistas, tudo que compõe uma casa. Se os Estados Unidos mantiverem essa taxa, a construção civil deles ficará mais cara, porque não têm indústria capaz de produzir no volume que o Brasil exporta.

Agora vamos falar sobre a gestão do senhor na Fiesc, o futuro da entidade. Quais serão as prioridades?
– Vamos seguir as diretrizes traçadas pela diretoria do presidente Mario Cezar de Aguiar, mas com foco em três pilares: associativismo, educação e infraestrutura, além de uma ação social voltada ao trabalhador. O associativismo é fundamental porque os sindicatos são nossos sócios e representantes da indústria.

Santa Catarina tem um parque industrial grande e diversificado, espalhado por todas as regiões. Precisamos que os sindicatos tragam os anseios locais dos empresários. Na educação, contamos com Sesi e Senai, que hoje atuam desde a educação infantil até a faculdade. Antes, formávamos apenas mão de obra para a indústria. Hoje, formamos cidadãos: profissionais liberais, pequenos empreendedores ou colaboradores de grandes empresas.

A educação é o caminho para transformar a sociedade, porque proporciona qualidade de vida e melhores condições para o trabalhador. Na infraestrutura, enfrentamos um gargalo histórico em Santa Catarina. Isso não é culpa apenas do governo atual, mas do acúmulo de décadas. Os investimentos são muito altos. Defendemos a privatização das rodovias e ferrovias, assim como já ocorre com os portos. A curto prazo, precisamos de soluções paliativas. Se for preciso pagar pedágio, que seja, mas com garantia de previsibilidade: saber a hora que saímos e a hora que chegamos.

O senhor defende a privatização, também, de rodovias estaduais?
– Nosso maior gargalo está nas rodovias federais: BR-470, BR-280, BR-101, BR-116, BR-153, entre outras. As estaduais ligam a malha federal e têm menor fluxo, por isso poucas despertariam interesse de investidores. Mas, se for necessário para melhorar, e o estado não tiver condições, também defendo a privatização das estaduais. Por ora, a prioridade são as federais.

Mesmo com os esforços, a falta de trabalhadores qualificados segue sendo um desafio em Santa Catarina. Como enfrentar esse problema?
– A indústria cresce mais rápido do que a qualificação profissional. Uma fábrica pode ser montada em dois anos, mas a formação exige mais tempo de banco escolar. Vivemos praticamente em pleno emprego. Por isso, Sesi e Senai precisam manter um “estoque” de alunos preparados, para que no futuro não falte mão de obra qualificada. Nos preocupa também que, com esse tarifaço, empresas exportadoras demitam profissionais já qualificados. Outras empresas podem absorver essa mão de obra, e depois, quando a situação melhorar, ela não estará mais disponível. Estamos pedindo soluções que evitem a dispensa desses trabalhadores.

Por isso vocês estão encaminhando aquele pedido ao Congresso Nacional, para tentar manter o trabalhador na indústria moveleira durante a crise?
– Sim. Ele precisa continuar, porque se estamos com falta de mão de obra e eu mandar embora, nunca mais conseguiremos essa mão de obra de volta. E muitas indústrias estão em cidades pequenas, o que agrava a situação. Quando o trabalhador sai da cidade, dificilmente retorna, e a empresa não consegue mais operar. Estamos alertando sobre isso. Inclusive, estamos elaborando um plano de emergência no Sesi e no Senai, que será divulgado nos próximos dias, para qualificar os trabalhadores, oferecer consultoria e ajudar as indústrias naquilo que o Sesi e o Senai podem fazer. Tudo subsidiado pelo Sesi e Senai, como nossa contrapartida de apoio ao setor.

Então, enquanto a empresa aguarda uma decisão do governo americano, ao invés de dispensar, vocês vão oferecer cursos aos trabalhadores?
– Exatamente. Estamos ampliando os cursos. Pelo que sabemos, parte desse custo pode ser até bancada pelo próprio governo. Além disso, vamos oferecer consultorias e apoio. Também estamos trabalhando para abrir mercados. Em breve haverá uma feira no Paraguai, onde a Fiesc estará presente com estande para identificar oportunidades. Quem sabe uma empresa consegue vender lá um produto que já fabrica aqui. Esse é o papel da Fiesc: ajudar o empresário catarinense, seja ele grande, médio ou pequeno. O grande normalmente vai sozinho, mas os médios e pequenos precisam de mais suporte.

Como a sua gestão vai incentivar a inovação da indústria?
– Vamos dar continuidade ao que a Fiesc está fazendo. A inovação está acontecendo de forma muito rápida, e para a empresa ser competitiva nesse mercado globalizado precisa inovar. Cabe a nós oferecer as ferramentas para que isso aconteça. E inovar não é apenas adquirir máquinas novas. Pode ser repensar um layout, melhorar o transporte de materiais. Temos institutos que apoiam essas iniciativas. A inteligência artificial, por exemplo, está chegando com força e precisamos estar preparados.

A Fiesc tem forte atuação em projetos sociais e voltados à saúde. Esse trabalho também continua?
– Sim, com certeza. A saúde do trabalhador é essencial. Uma máquina, basta comprar e fazer manutenção. Já o ser humano pode estar com boa saúde física, mas sofrer de pressão psicológica, problemas familiares ou outros desafios.

Ele precisa chegar ao trabalho com energia, sem trazer esses problemas junto. Durante a pandemia, nosso discurso era de que o local mais seguro era dentro da empresa, porque ali havia protocolos. Queremos agora ir além e alcançar também a casa do trabalhador. Muitas vezes, o problema de saúde dele está no ambiente em que vive.

Como o senhor avalia o atual momento da economia catarinense e de que forma o governo estadual poderia colaborar mais com o setor produtivo?
– A economia catarinense vinha bem, mas agora um dos pneus furou, e vamos precisar trocá-lo para continuar no mesmo ritmo. O governador Jorginho e suas secretarias mantêm diálogo próximo com a Fiesc. Eles nos escutam, pedem nossa opinião. Onde há indústria, há desenvolvimento, e Santa Catarina é um estado industrializado. Claro que o governo estadual tem limitações orçamentárias e enfrenta burocracia. Na infraestrutura, por exemplo, não há como fazer grandes obras a curto prazo. Mas o governador assumiu conosco o compromisso de não aumentar impostos e tem cumprido. É fundamental que essa postura se mantenha.

O senhor citou que um dos pneus (da indústria de SC) furou. Qual foi?
O do tarifaço. Das exportações para os Estados Unidos. Isso impacta cerca de 800 mil pessoas apenas no setor de madeira.

Quem são essas 800 mil pessoas?
– São as que atuam em toda cadeia da madeira. Desde quem leva o trabalhador até a floresta, passando pelo que corta a árvore, quem prepara o almoço, o caminhoneiro que transporta, o frentista que abastece, o operador da serraria, até chegar à fábrica de móveis. Cada elo dessa cadeia sofre o impacto. E, quando as famílias veem a renda comprometida, começam a cortar despesas, primeiro o supérfluo, depois outros gastos. Isso gera uma retração em cascata na economia. Portanto, o impacto não é apenas nos 15% de tarifa. Ele se espalha por toda a cadeia produtiva.

E sobre a economia brasileira? O que o governo federal poderia fazer mais pela indústria?
– O Brasil vive um momento complicado. O governo federal não tem dado um rumo claro e, muitas vezes, passa a impressão de estar estimulando a desindustrialização. O Congresso também não se acerta, o que gera insegurança para investimentos.

Pesquisa que realizamos mostra que o empresário está inseguro para investir. As ações do governo em apoio à indústria são tímidas. Abre-se uma linha de crédito pequena, que em poucos dias já se esgota. É preciso olhar mais para a indústria, porque é ela que sustenta os trabalhadores. O trabalhador não quer esmola, quer emprego digno. Quer ganhar pelo que produz. Portanto, o governo precisa ter uma política mais firme de apoio à indústria, que é a base da geração de empregos.

O senhor comentou que o governo talvez esteja com uma política que acaba incentivando a desindustrialização. Poderia detalhar mais isso?
– O governo está dando incentivo para quem traz produtos de fora e não para quem produz aqui no Brasil. Esse tarifaço, por exemplo, precisava de uma resposta rápida. Mas o governo agiu de forma muito lenta e ainda enviou para negociar pessoas sem poder de decisão. Quem vai negociar precisa ter autonomia para dizer sim ou não, atribuir valores e fechar acordos. O que aconteceu foi apenas uma conversa. Se de um lado há um negociador e do outro apenas alguém que conversa, não se chega a resultado algum. Precisamos de dois negociadores, cada um defendendo sua parte, até chegar a um acordo.

Quem deveria ter negociado, na sua visão?
– Isso é coisa de presidente para presidente.

Então, na sua opinião, o presidente Lula teria que falar diretamente com Donald Trump?
– Exatamente, o presidente Lula deveria falar como presidente Trump. E nós precisamos ser humildes, porque apenas 1,1% das importações dos Estados Unidos vêm do Brasil. Para eles, somos pequenos; mas para nós, os Estados Unidos são muito grandes. Por isso, devemos aceitar certas regras do jogo, agir com humildade, e depois buscar outros mercados.

Mas não era o momento de entrar nessa guerra de narrativas. Hoje não se sabe mais quem fala pelo Brasil. E, para os Estados Unidos, que sempre foram grandes parceiros, o Brasil parece um pequeno que quer cutucar. Para eles, tanto faz. Trump não está preocupado com o Brasil. E, infelizmente, o governo brasileiro não está preocupado com as indústrias.

Nem com o desemprego que isso pode causar?
– Exatamente, não está preocupado.

O senhor acredita que o governo não percebe o tamanho do impacto desse tarifaço?
– Não percebe. Em determinadas regiões e segmentos, isso pode se tornar devastador. Para ter uma ideia: o produto de madeira que as fábricas catarinenses produziam já está sendo feito na Ásia. Isso significa que estamos gerando emprego e riqueza para eles. Hoje, nosso concorrente nos Estados Unidos é a Ásia, que exporta pagando 20% de tarifa, enquanto nós enfrentamos 50%. Assim não há como competir.

Será durante a sua gestão à frente da Fiesc que vai ser implantada a reforma tributária. Qual sua avaliação sobre essa mudança tão esperada pelo setor industrial?
– A reforma era necessária. Para Santa Catarina, em alguns aspectos, ela traz perdas. Entre as empresas, há divergências: para umas é positiva, para outras não. Mas o país precisava avançar. Com a prática, muitos que acreditavam que seria ruim podem perceber benefícios, e vice-versa. Ela pode ser ajustada ao longo do tempo. Vejo espaço para uma “reforma da reforma”.

Um ponto que considero equivocado é a manutenção da zona franca de Manaus. Estamos levando matéria-prima do Sul para lá, industrializando e trazendo de volta, apenas multiplicando custos de frete. Seria mais inteligente criar polos de incentivo em outras regiões, inclusive em Santa Catarina. Por exemplo, poderíamos ter uma zona franca em Imbituba, nos moldes da de Manaus. Mas ninguém mexe nesse modelo, e seguimos estimulando algo que não faz mais sentido nem ambiental nem econômico. O ideal seria manter a Amazônia preservada e criar alternativas em outros pontos do país.

Fonte: NSC Total

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Internacional

FIESC integra missão brasileira que buscará ampliar diálogo com os EUA

Nos dias 3 e 4 de setembro, grupo liderado pela CNI terá encontros com escritórios de advocacia, reuniões na Embaixada do Brasil em Washington e diálogos com autoridades do governo americano

O primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), André Odebrecht, integrará a missão da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aos Estados Unidos. Nos dias 3 e 4 de setembro, o grupo promoverá encontros com representantes do governo e do setor privado norte-americanos. O objetivo é ampliar o diálogo a respeito da taxação de 50% sobre exportações brasileiras, prevista na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

Liderada por Ricardo Alban, presidente da CNI, a missão contará com representantes de associações setoriais, outras federações estaduais e grandes empresas exportadoras. A agenda da viagem foi apresentada por Alban ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, nesta quarta-feira (20).

A programação inclui encontros com escritórios de advocacia e lobby, reuniões na Embaixada do Brasil em Washington, diálogos com lideranças da US Chamber of Commerce e com autoridades do governo americano. Está prevista ainda uma plenária com empresários dos dois países e participação em audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), no âmbito da investigação da Seção 301.

Alban destacou a importância de uma atuação convergente entre governo e indústria para enfrentar os desafios impostos pela taxação de 50% sobre exportações brasileiras. Segundo ele, a estratégia é buscar novas exceções à regra, ampliando o rol de produtos com tarifas reduzidas. Para tanto, a CNI propõe estratégia que contemple resposta e acompanhamento da investigação 301; e engajamento nos EUA com públicos de interesse, com intuito de criar canais de diálogo entre os dois governos.

A comitiva será composta por dirigentes de associações de diversos setores — brinquedos (Abrinq), máquinas e equipamentos (Abimaq), têxtil (Abit), alumínio (Abal), carnes (Abiec), madeira (Abimci), café (Cecafé), ferramentas (ABFA), cerâmica (Anfacer), rochas (CentroRochas), couros (CICB), entre outros —, além das federações estaduais da Indústria de Goiás (Fieg) e de Santa Catarina (FIESC). Empresas como Tupy, Embraer, Stefanini, Novelis e Siemens Energy também já confirmaram presença.

Com informações da CNI.

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior

FIESC detalha ao setor moveleiro ações para minimizar impactos do tarifaço

Entidade enviou ao Fórum Parlamentar Catarinense sugestões de emendas à MP Brasil Soberano, com propostas nas áreas trabalhistas e econômica

As propostas que a FIESC enviou ao Fórum Parlamentar Catarinense para incluir na Medida Provisória 1309/25 que cria o plano de ajuda às exportadoras afetadas pelo tarifaço foram detalhadas em reunião da Câmara da Indústria do Mobiliário da entidade. O encontro virtual foi realizado nesta terça-feira, dia 19. A MP, que cria o plano Brasil Soberano, está tramitando na Câmara dos Deputados, e recebe até esta terça sugestões de emendas. As proposições da Federação estão ligadas às áreas econômica e trabalhista.

“Estamos fazendo todo o possível para reduzir os impactos para as empresas e os empregos”, afirmou o presidente da Federação, Gilberto Seleme, salientando que no início de setembro uma missão da indústria brasileira vai aos Estados Unidos dialogar com compradores, empresas e instituições.

O presidente da Câmara, Arnaldo Huebl, disse que a preocupação do setor é grande porque tem empresas que exportam de 20% até 95% da sua produção aos Estados Unidos. “A falta de previsibilidade é um dos maiores desafios que estamos enfrentando porque não se sabe o dia de amanhã e não temos perspectivas de uma solução no curto prazo”, observou.  

Propostas da FIESC à MP 1309/25

• Exclusão do § 3º do Art. 5º-A da MP 1.309/2025 para evitar a imposição de compromissos trabalhistas adicionais às empresas exportadoras para o mercado norte-americano, já fortemente impactadas pelas tarifas adicionais de 50%.

• Expansão das aquisições públicas de bens industriais, priorizando produtos com aplicação em políticas públicas de educação, habitação e infraestrutura social, como móveis escolares, uniformes, cerâmica sanitária, materiais de construção e máquinas leves de uso comunitário.

• Desoneração integral da folha de pagamento das empresas exportadoras para os EUA enquanto perdurarem as tarifas de 50%, substituindo a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a folha por alíquota sobre a receita bruta, definida por ato do Poder Executivo e passível de redução a até zero. Incluir médias e grandes empresas entre as beneficiárias da alíquota de 6% no REINTEGRA, uma vez que o resíduo tributário das exportações brasileiras chega a 7,6%, segundo a CNI. A medida promove justiça tributária para empresas fortemente expostas ao mercado dos EUA — especialmente nos setores de móveis e madeira, base da economia catarinense.

• Redução proporcional de jornada de trabalho e de salários;
• Suspensão temporária do contrato de trabalho;
• Pagamento do Benefício de Preservação da Renda a cargo da União;
• Concessão de férias coletivas;
• Antecipação de férias individuais;
• Aproveitamento e antecipação de feriados;
• Implementar banco de horas negativo, permitindo que o trabalhador tire folgas durante os efeitos do tarifaço, com compensação das horas em momento futuro;
• Diferimento do recolhimento do FGTS.

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior

Reunião virtual entre Consulado dos EUA e FIESC avalia impactos do tarifaço

Federação destacou setores mais afetados, especialmente os de madeira e móveis, que pagarão a taxa de 50% e perderão o mercado norte-americano se as tarifas não forem revertidas, com graves consequências sociais em SC

Em encontro virtual realizado na manhã desta quinta-feira (7), a Federação das Indústrias de SC (FIESC) e o Consulado-Geral dos Estados Unidos em Porto Alegre, responsável pelas relações bilaterais com Santa Catarina, discutiram os impactos mútuos das tarifas aplicadas pelo governo norte-americano.

A FIESC apresentou ao cônsul-geral, Jason Green, os principais produtos exportados pelo estado, com os potenciais reflexos tanto para os exportadores, que podem perder negócios, quanto ao mercado norte-americano, que pode enfrentar alta de preços nas importações.

No encontro, a entidade também apresentou o resultado da pesquisa realizada com indústrias exportadoras catarinenses sobre os efeitos da elevação das tarifas.

O presidente eleito da FIESC, Gilberto Seleme, que é empresário do setor madeireiro, destacou as particularidades da cadeia florestal, lembrando que indústrias catarinenses se especializaram para atender as especificidades do mercado norte-americano e que as tarifas já estão gerando a transferência de empregos do Brasil para a Ásia. “As taxas nos tiram da competição”, resumiu.

As informações serão repassadas à Embaixada norte-americana em Brasília e às partes interessadas em Washington.

Em outra frente, a FIESC segue discutindo com o governo do estado as medidas de apoio aos setores afetados, previstas para serem anunciadas na próxima semana.

Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Comércio Exterior, Exportação

FIESC apresenta resultado da pesquisa com exportadoras nesta quinta, às 15h

Federação consultou indústrias de SC sobre os potenciais impactos da entrada em vigor de tarifas de 50% sobre exportações aos Estados Unidos

A Federação das Indústrias de SC (FIESC) realiza nesta quinta-feira (31), às 15h, uma live para apresentar os resultados da pesquisa com indústrias exportadoras sobre os impactos das tarifas de 50% a serem aplicadas sobre produtos brasileiros com destino aos Estados Unidos.

O objetivo da pesquisa é municiar o governo do estado e o federal com informações para a formulação de políticas públicas para minimizar os reflexos da taxação de Trump sobre a economia do estado. Em 2024, 99% das exportações catarinenses aos Estados Unidos foram de produtos industriais. SC exportou US$ 1,74 bilhão para o mercado norte-americano no ano passado. Entre os principais produtos embarcados estavam: obras de carpintaria para construções, motores elétricos, partes de motor, madeira, transformadores elétricos e partes e acessórios para veículos.

SERVIÇO:
Apresentação resultado da Pesquisa Impactos do Tarifaço
Onde: Online, com transmissão ao vivo pelo Youtube
Quando: quinta-feira, 31/07, às 15h
Link para acesso: https://www.youtube.com/live/ZLDqHIoyh_4?si=nufqHk-U-x0F9MZV

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior

Pesquisa com exportadores subsidia ações da FIESC sobre tarifaço

Questionário para entender exposição de setores e empresas ao mercado norte-americano foi lançado nesta segunda-feira (28); respostas vão ajudar a formular propostas de políticas públicas

A Federação das Indústrias de SC (FIESC) realizou nesta segunda-feira (28), a primeira reunião aberta do Comitê de Crise do Tarifaço dos EUA. No encontro, realizado de maneira virtual, foi apresentada pesquisa para medir os impactos potenciais da elevação das tarifas de importação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos para 50%. A partir de uma compreensão mais profunda dos efeitos para a indústria e a economia catarinense, a FIESC pretende ampliar sua contribuição para políticas públicas para fazer frente à situação.

“Estamos muito preocupados com o potencial impacto, porque SC tem uma característica muito singular, com segmentos diferentes sendo afetados em proporções distintas”, explicou o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt. Santa Catarina é o segundo estado com maior impacto negativo sobre o PIB, de 0,31%, atrás apenas do Amazonas, explicou, segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Em SC,  22,2% da produção do setor de produtos de madeira é exportada para os EUA. No setor de móveis, 12,1% do que é fabricado têm os Estados Unidos como destino”, destacou, citando dois dos segmentos que mais têm manifestado preocupação.

Embora algumas grandes exportadoras para o mercado norte-americano possam readequar operações porque possuem estruturas fabris nos Estados Unidos ou em outros países menos impactados, essa não é a regra geral. A preocupação com o setor de madeira e móveis, por exemplo, se justifica porque parte das indústrias com maior exposição estão em regiões onde o IDH é mais baixo e eventuais reflexos no mercado de trabalho teriam consequências sociais graves.

Em 2024, 15% das exportações de SC foram para os EUA. Na região do Planalto Norte, no entanto, 42,5% de tudo o que é exportado tem como destino aquele mercado, enquanto na Serra são 22,3%, no Centro-norte 24,9% e no Alto Vale 23,7%.

A FIESC já iniciou a articulação com o governo do estado, que solicitou informações robustas para avaliar as ações propostas pela entidade. Os exportadores podem responder ao questionário por meio do link: https://forms.gle/PqhMfZVpm8wbXuSJ6

A mobilização das indústrias para responder às questões elaboradas pela FIESC junta-se a iniciativas já em andamento via Confederação Nacional da Indústria (CNI), de reuniões com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e à articulação com o governo de SC.

Desafios

O industrial Leonardo Zipf destacou a dificuldade de abertura de canais efetivos de negociação e manifestou preocupação com o momento em que as novas tarifas serão cobradas, já que não se tem documentos oficiais detalhando a medida norte-americana. Leandro Gomes, executivo da Guararapes, destacou a importância da participação da indústria respondendo ao questionário e sugeriu que a FIESC priorize soluções que aliviem o caixa das empresas, propondo a liberação de créditos tributários para as exportadoras pelo governo do Estado.

Fonte: FIESC

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Comércio

Regulamentação da cabotagem traz mais competitividade ao modal, diz FIESC

Decreto assinado no último dia 16 visa estimular o transporte marítimo de cargas domésticas entre portos brasileiros; Federação destaca que planejamento intermodal precisa incluir centros logísticos e investimento no acesso aos portos

O decreto que regulamenta as operações de cabotagem entre portos brasileiros, assinado no último dia 16, traz mais segurança jurídica e flexibilidade para as operações, na avaliação da Federação das Indústrias de SC (FIESC).

Entre os pontos positivos da regulamentação da chamada BR do Mar está a flexibilização de aluguel de embarcações, que tem potencial para elevar a concorrência e a oferta de linhas de navegação, permitindo diminuir a utilização de caminhões para grandes distâncias.

Para o presidente da Câmara de Transporte e Logística da FIESC, Egídio Martorano, a regulamentação estimula a cabotagem, sendo uma alternativa de curto prazo para contribuir para a diversificação da matriz de transporte no Brasil, que é predominantemente rodoviária.

A entidade defende que a nova regulamentação poderá trazer mais competitividade para a cabotagem. Hoje, o modal é competitivo para distâncias acima de 1.220 km entre a origem e o destino. Entre os benefícios do modal, a Federação destaca a diminuição dos acidentes nas rodovias, o consumo até oito vezes menor combustível que o caminhão, a menor emissão de CO2 – apenas 2,4% na comparação com um caminhão transportando a mesma quantidade de carga – e a redução da necessidade de investimentos na conservação e manutenção das rodovias. Além disto representa índices próximos de zero em ocorrências de roubo de cargas, menor risco de avarias e redução de custo na contratação de seguro. 

Desafios

A despeito do potencial da cabotagem no Brasil, a FIESC explica que ainda restam desafios a serem superados. Em sua Agenda da Infraestrutura, a Federação destaca a necessidade de um planejamento adequado e integrado das cadeias logísticas de suprimento e distribuição da produção catarinense, com a criação de centros integrados de logística que permitam ganhos de escala e eficiência nos transbordos de operações intermodais. “Por ser um transporte intermodal, a cabotagem precisa ser pensada num contexto maior, de planejamento de corredores logísticos integrados. O Plano Estadual de Logística (PELT) terá um papel fundamental para a adoção do modal”, explica Martorano.

Na avaliação da FIESC, para que a cabotagem cumpra seu papel para reduzir custos de frete e auxiliar na redução de emissões de gases do efeito estufa, os terminais portuários terão de estar melhor preparados para a eficiência e fluidez destas operações.

Para a indústria, a cabotagem também representa uma alternativa para reduzir custos e emissões. Com a possibilidade de receber insumos a custos menores, também é um fator relevante para a indústria de transformação, assim como entregar produtos de maior valor agregado aos maiores mercados consumidores brasileiros. 

Até o momento, as soluções logísticas porta a porta têm sido a opção mais viável para a indústria, com os operadores logísticos intermodais ampliando a oferta de serviços, conforme apurado pela Revista Indústria e Competitividade.

A expectativa do governo federal é de que o programa BR do Mar (Lei 14.301/2022), reduza o custo do frete em cerca de 15% e represente uma economia de até R$ 19 bilhões anuais nos custos logísticos. Estimativas da Infra S.A. apontam que um eventual aumento de 60% no transporte por cabotagem de carga conteinerizada pode representar 530 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano a menos na atmosfera, quando comparado com o modo de transporte rodoviário.

Atualmente, a cabotagem representa 11% da carga total transportada por navios e o Plano Nacional de Logística (PNL) projeta um crescimento de 15% nos próximos 10 anos, devido à tendência de redução de custos. O valor médio do frete de uma tonelada transportada por cabotagem é 60% menor que o transporte rodoviário e 40% menor que o ferroviário.

O modal em SC

Em 2024, Santa Catarina ocupou a segunda posição na movimentação de contêineres (TEUs) via cabotagem no país, com 14,2% do total operado no Brasil. Entre os principais produtos movimentados estão plásticos e suas obras, carnes e miudezas de frango, polímeros de etileno, papel e cartão kraft e madeira serrada. Dados da Antaq apontam que a Portonave lidera a movimentação de contêineres via cabotagem com 54,4% do total em SC. O Porto Itapoá está na segunda posição, com 35,5% do total, seguido por Imbituba (8,9%) e Itajaí (1,1%).

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) ressalta que dispositivos importantes relacionados à plena execução do novo Marco Legal da Cabotagem ainda deverão ser regulamentados neste ano e defende a participação do setor industrial nas Consultas Públicas. A CNI argumenta que a presença no debate é importante para garantir que o texto proposto nas portarias esteja alinhado não apenas às necessidades do setor transportador, como da indústria naval brasileira e dos usuários do transporte por cabotagem.

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior, Economia

Escalada da tensão entre Brasil e EUA eleva preocupação da indústria, diz FIESC

Setor defende o diálogo para evitar a aplicação do tarifaço — que, se for confirmado, trará consequências graves não só para o setor produtivo, mas para toda a sociedade brasileira

A escalada da tensão política entre Brasil e Estados Unidos aumentou a preocupação da indústria catarinense. O setor defende o diálogo para evitar a aplicação do tarifaço — que, se for confirmado, trará consequências graves não só para o setor produtivo, mas para toda a sociedade brasileira. O assunto foi discutido na reunião de diretoria da Federação das Indústrias (FIESC), nesta sexta-feira, dia 18.

Conforme relatos de industriais à Federação, embora ainda não estejam sendo cancelados pedidos, muitos clientes estão solicitando para que mercadorias encomendadas ainda não sejam embarcadas, até haver maior clareza sobre a situação.

“O ônus será para a sociedade. Dependemos muito dos Estados Unidos. É o destino para o qual exportamos produtos de valor agregado e que não conseguiremos redirecionar para outros mercados no curto prazo”, alertou o presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, ressaltando que os EUA são o principal destino dos embarques catarinenses.

No ano passado, SC exportou US$ 1,74 bilhão para os Estados Unidos. Entre os principais produtos embarcados estiveram: obras de carpintaria para construções, motores elétricos, partes de motor, madeira, transformadores elétricos e partes e acessórios para veículos.

“Reconquistar um cliente norte-americano perdido por conta de aplicação de tarifas é difícil e caro. Então, o prejuízo será enorme. Temos uma relação de 200 anos de comércio e cooperação. Não podemos perder isso”, declarou Aguiar.

Na quarta, dia 16, Aguiar reuniu-se com o vice-presidente da República e ministro de Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e defendeu o diálogo para tentar reverter os impactos do tarifaço. 

No encontro, ele salientou que retaliar seria o pior encaminhamento, pois ampliaria ainda mais os prejuízos para a indústria brasileira. “Além de tentar reduzir as tarifas, precisamos buscar alternativas como a prorrogação do prazo de início da aplicação, para haver mais tempo para as negociações e para que as empresas tenham fôlego para se reorganizar e buscar novos mercados”, disse, lembrando que a palavra de ordem é negociar. 

Fonte: FIESC

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