Agronegócio

Ferrogrão: julgamento no STF pode destravar ferrovia estratégica para o agronegócio

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quinta-feira (02) o julgamento da Ferrogrão (ADI 6553), projeto de ferrovia que promete transformar a logística do agronegócio brasileiro. A decisão pode abrir caminho para um dos corredores de exportação mais aguardados do país, conectando a produção do Centro-Oeste ao Arco Norte e reduzindo custos de transporte.

Um corredor estratégico para o agro

Com 933 quilômetros de extensão previstos, a Ferrogrão deve ligar Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA). A obra é considerada essencial para encurtar a distância entre o coração do agro e os portos da região Norte, além de aliviar gargalos logísticos.
Estudos apontam que a ferrovia poderá movimentar mais de 50 milhões de toneladas por ano.

Julgamento no STF

Durante a sessão, o relator ministro Alexandre de Moraes fez um resumo do processo, paralisado desde 2023, e ressaltou a complexidade do tema. Ele sugeriu a realização de novos estudos sobre a viabilidade econômica, social e ambiental da obra pelo Ministério dos Transportes.
As partes envolvidas apresentaram sustentações orais, mas o presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspendeu o julgamento. A análise será retomada na próxima quarta-feira, 8 de outubro.

Expectativa de autoridades e do setor produtivo

O presidente da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), Pedro Sales, afirmou estar confiante nos estudos complementares.
Já o secretário de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra-MT), Marcelo de Oliveira, destacou que a ferrovia é indispensável diante do crescimento da produção agrícola:

“Sem ferrovia e sem concorrência ferroviária não há como avançar, e o governo federal precisa fazer sua parte.”

Sustentabilidade e competitividade

Além de ganhos logísticos, a Ferrogrão é vista como uma alternativa sustentável. O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, afirmou que a ferrovia pode reduzir em 40% as emissões de carbono, evitando a liberação de mais de 3,4 milhões de toneladas de CO₂ por ano e gerando uma economia de R$ 8 bilhões.
Segundo ele, é hora de priorizar projetos viáveis:

“Temos que parar de falar em iniciativas quase inconcebíveis como a Bioceânica, que dependem de acordos internacionais, e focar naquilo que é palpável.”

Próximos passos

A superintendente de Inteligência de Mercado da Infra S.A., Lilian de Alencar Pinto Campos, lembrou que novos estudos de viabilidade foram iniciados em 2023, concluídos em 2024 e entregues ao Judiciário.
Ela acrescentou que já existem instâncias técnicas do governo preparando a estrutura regulatória para um eventual leilão de concessão da ferrovia, reforçando a necessidade de segurança jurídica para atrair investimentos privados.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Transporte

Transnordestina inicia operações comerciais após quase 20 anos de obras

Primeiros trens começam a circular em outubro

Após quase duas décadas de atrasos, disputas políticas e investimentos acima do previsto, a ferrovia Transnordestina dará início às suas operações comerciais neste mês de outubro. A circulação inicial será reduzida, mas representa um marco para um dos maiores projetos de infraestrutura do Brasil.

Idealizada ainda no século XIX, no governo de Dom Pedro II, a Transnordestina teve suas obras iniciadas apenas em 2006, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A conclusão total está prevista para 2027.

Investimento bilionário e mudanças no traçado

O projeto original previa 1.728 km de trilhos, ligando o Piauí aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE). Porém, após anos de entraves e revisões, o traçado atual terá 1.200 km, conectando Eliseu Martins (PI) ao Porto de Pecém. O trecho até Suape foi descartado pela CSN, responsável pela execução e futura exploração da ferrovia.

O orçamento inicial, de R$ 4,5 bilhões, já ultrapassa R$ 15 bilhões. Mesmo com a redução no traçado, a obra segue sendo estratégica para o escoamento da produção agrícola da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e para o transporte de insumos industriais ao sertão nordestino.

Obras avançam com 75% de execução

Segundo a Transnordestina Logística, subsidiária da CSN, cerca de 600 km já estão prontos para operação, entre Paes Landim (PI) e Acopiara (CE). A empresa estima que 75% das obras foram concluídas, principalmente nas áreas de infraestrutura mais complexas, como pontes, viadutos e nivelamento do terreno.

Mais de 4 mil trabalhadores atuam atualmente na construção, enfrentando o solo rochoso do sertão cearense. A previsão é que até outubro seja contratada a execução dos últimos 100 km.

Expectativa do setor produtivo

Em cidades como Quixeramobim (CE), empresários aguardam com ansiedade a chegada da ferrovia. Um dos beneficiados será o setor agroindustrial local, que enfrenta dificuldades logísticas para armazenar e distribuir insumos. O terminal intermodal em construção promete reduzir gargalos, ampliar a previsibilidade e aumentar a capacidade de produção em até 50%.

O governo federal também liberou R$ 1 bilhão em linhas de crédito para empresas interessadas em investir em uma área de 360 hectares ao redor do terminal. A segunda fase, prevista para 2027, inclui estrutura alfandegária, o que deve transformar a região em um importante polo de importação e exportação.

Operação inicial e projeções de crescimento

Na fase de testes, chamada de comissionamento, os trens transportarão entre 10 mil e 15 mil toneladas de grãos, ligando São Miguel do Fidalgo (PI) a Iguatu (CE).

A expectativa é que até 2028 o volume transportado chegue a 4 milhões de toneladas, incluindo fertilizantes e minério. Para 2030, a meta é alcançar 20 milhões de toneladas.

O presidente da Transnordestina Logística, Tufi Daher, afirma que não há risco de paralisações:

“Agora não tem mais volta. Os recursos estão garantidos e a obra será concluída até 2027, independentemente do cenário político”, declarou.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor Econômico

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Ferrovia de 110 km em SC tem custo estimado em R$ 2 bilhões para construção

Montante para ramal em estudo é citado na Agenda para a Infraestrutura, da Fiesc

O custo estimado para a construção de ferrovia entre Itapoá e Joinville é de R$ 2 bilhões. O montante é apontado na edição de 2025 da Agenda para a Infraestrutura da Fiesc, divulgada nesta semana. O documento, atualizado anualmente, cita os investimentos necessários para o transporte e logística em Santa Catarina, em diferentes modais. O ramal vem sendo proposto como forma de conectar Itapoá (onde opera o Porto Itapoá, com possibilidade de construção de mais terminais) à malha ferroviária nacional – por Joinville, passa a estrada de ferro de acesso aos portos de São Francisco do Sul.

O ramal proposto entre Itapoá e Joinville tem 110 km. Além de se conectar com a malha nacional, a ferrovia pode se ligar com o complexo portuário de Itajaí e Navegantes, caso seja construída o ramal com Araquari. A ligação de 62 km entre Araquari e a região dos portos de Itajaí e Navegantes está em fase final de elaboração de projeto executivo, contratado pelo governo do Estado. A implantação da ferrovia, que não conta ainda com fonte de recursos definida, tem custo estimado em US$ 300 milhões.

A ligação ferroviária entre Itapoá e Araquari (ao lado de Joinville) está entre os dois requerimentos de outorga feitos à ANTT pelo Porto Itapoá. O pedido é para construção e exploração dessa ferrovia no Norte de Santa Catarina e de ramal entre Itapoá e Morretes (PR), com 83 km. A agência vai analisar a solicitação. Se aceita, mais estudos terão de ser feito, além de ser providenciada a definição de fonte de recursos para os empreendimentos. Em outra frente, o governo do Estado solicitou ao governo federal a inclusão dos estudos da ferrovia no Novo PAC.

FONTE: NSC Total
Ferrovia de 110 km em SC tem custo estimado em R$ 2 bilhões para construção – NSC Total

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