Comércio Internacional

Regras de salvaguarda da UE colocam em risco comércio do Mercosul com tarifas reduzidas

O Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira um conjunto de regras mais rígidas para a aplicação de salvaguardas comerciais contra produtos agropecuários do Mercosul, o que pode comprometer seriamente o acesso de itens do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai ao mercado da União Europeia com benefícios tarifários, caso o acordo entre os blocos entre em vigor.

A decisão ocorre em meio ao aumento da resistência política na Europa à assinatura do tratado, prevista para o próximo sábado, em Foz do Iguaçu (PR). Parlamentares europeus e produtores rurais intensificam a pressão contra o avanço do acordo.

Critérios mais duros para suspensão de preferências tarifárias

O texto aprovado endurece as condições para que a Comissão Europeia suspenda temporariamente as preferências tarifárias concedidas ao Mercosul. Pela nova regra, uma investigação poderá ser aberta se as importações agrícolas do bloco sul-americano crescerem, em média, 5% em volume ao longo de três anos — metade do percentual previsto na proposta original, que era de 10%.

O mesmo gatilho poderá ser acionado caso os preços desses produtos caiam no mercado europeu na mesma proporção. Assim, uma redução de 5% no preço do açúcar importado, por exemplo, já permitiria a abertura de um processo de salvaguarda para proteger produtores locais.

Prazos mais curtos aceleram aplicação das medidas

Além de critérios mais rigorosos, o Parlamento também reduziu os prazos para conclusão das investigações. O período máximo caiu de seis para três meses e, no caso de produtos considerados sensíveis, de quatro para dois meses. A mudança busca acelerar a adoção de restrições às importações.

Reciprocidade amplia exigências ao Mercosul

Outro ponto central das alterações é a inclusão de um mecanismo de reciprocidade regulatória. A medida autoriza a UE a investigar e impor salvaguardas caso os produtos importados do Mercosul não cumpram exigências equivalentes às europeias em áreas como meio ambiente, bem-estar animal, segurança alimentar, saúde pública e proteção trabalhista.

Para eurodeputados, as salvaguardas podem funcionar como uma obrigação para que os países do Mercosul adotem padrões produtivos semelhantes aos da União Europeia. Especialistas, no entanto, avaliam que o conceito de “padrões de produção de alimentos” é amplo e pode ser usado como instrumento para barrar importações por meio de exigências difíceis de cumprir, como limites máximos de resíduos praticamente inexequíveis.

Reação e riscos para o Brasil

Fontes que acompanham as negociações avaliam que as novas regras extrapolam o que está previsto no próprio capítulo de salvaguardas do acordo. Caso entrem em vigor, essas medidas poderão ser contestadas juridicamente pelos países sul-americanos.

Apesar de a iniciativa ser vista como uma tentativa de acomodar resistências internas e viabilizar a assinatura do acordo, o movimento é interpretado como um sinal de desconfiança por parte da Europa. Segundo analistas, é incomum discutir salvaguardas para um tratado que sequer foi ratificado.

Para o setor exportador brasileiro, a aplicação das salvaguardas — especialmente o princípio da reciprocidade — pode limitar significativamente os embarques com tarifas reduzidas. Por outro lado, segmentos sensíveis às importações europeias veem a regra como um possível instrumento de defesa comercial, já que produtores da UE também teriam dificuldade em cumprir normas brasileiras, como o Código Florestal.

Acordo Mercosul-UE sob nova ofensiva política

Além das mudanças nas salvaguardas, cresce no Parlamento Europeu uma articulação para submeter o acordo à análise da Corte de Justiça da União Europeia. Mais de 140 parlamentares defendem a revisão jurídica do tratado, o que pode atrasar sua implementação em até dois anos.

O grupo é formado majoritariamente por deputados de centro-esquerda e ainda não há definição se o pedido será levado a voto. Paralelamente, agricultores europeus convocaram manifestações em Bruxelas para esta quinta-feira, com a expectativa de levar mais de 10 mil tratores às ruas da capital belga, elevando a tensão política em torno do acordo.

FONTE: Brasil Agro
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gustavo Magalhães/MRE

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Internacional

UE cria mecanismo de salvaguardas e ameaça acordo com Mercosul

O Parlamento Europeu aprovou na segunda-feira (8) um mecanismo de salvaguardas que pode reduzir os ganhos potenciais de produtores agrícolas brasileiros com o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. A decisão gerou reação negativa em Brasília, que prometeu resistir à inclusão da medida no tratado.

O acordo UE-Mercosul, que teve suas negociações concluídas após duas décadas, tem assinatura prevista para 20 de dezembro. Especialistas alertam que a criação dessas salvaguardas pode provocar impasses de última hora, colocando o tratado em risco.

Conselho Europeu deve deliberar sobre o acordo

No dia 18 de dezembro, o Conselho Europeu, composto pelos chefes de governo dos 27 países-membros, votará sobre a aprovação do acordo. Para que ele siga para assinatura em Brasília, é necessário o aval de 55% dos países (15 de 27), representando ao menos 65% da população da UE.

O desafio vem de países com forte presença agrícola, como França, Polônia, Irlanda e Itália, que resistem à abertura do mercado europeu para produtos do Mercosul, mesmo com cotas limitadas.

Como funciona o mecanismo de salvaguardas

A Comissão Europeia, braço executivo da UE, propôs suspender os descontos em tarifas de importação para produtos agrícolas do Mercosul caso haja impacto negativo aos produtores europeus.

O Comitê de Comércio Internacional do Parlamento Europeu aprovou a proposta por 27 votos a favor e oito contra, com ajustes que restringem ainda mais a possibilidade de crescimento das exportações. O texto permite a abertura de investigações comerciais quando as vendas de produtos considerados sensíveis — como carne bovina e frango — aumentarem mais de 5% em média ao longo de três anos ou quando os preços caírem 5% no mercado europeu.

Após a aprovação no comitê, o plenário do Parlamento Europeu deve deliberar sobre o mecanismo na próxima terça-feira (16). Fontes diplomáticas europeias indicam que a votação final deve confirmar a aprovação, reduzindo a resistência de França, Polônia, Itália e Irlanda.

Impacto para o Mercosul e Brasil

Altos funcionários do governo brasileiro alertam que a medida pode comprometer a viabilidade do acordo de livre comércio. Atualmente, o Mercosul já enfrenta cotas anuais restritivas: 99 mil toneladas de carne bovina, 180 mil toneladas de frango, 25 mil toneladas de carne suína, 180 mil toneladas de açúcar e 30 mil toneladas de queijos.

Segundo um representante brasileiro, se o agronegócio do Cone Sul não puder se beneficiar nem dessas cotas limitadas, será necessário reavaliar a própria assinatura do tratado.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Comércio Exterior

Anec revisa para cima as projeções de exportação de soja, milho e farelo em outubro

Associação aponta avanço nas estimativas e reforça ritmo aquecido do agronegócio brasileiro

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou suas previsões de exportação para soja, milho e farelo de soja neste mês de outubro, refletindo o bom desempenho do agronegócio brasileiro e a forte demanda internacional pelos grãos.

Soja deve superar 7,3 milhões de toneladas exportadas

De acordo com a Anec, as exportações de soja devem atingir 7,31 milhões de toneladas em outubro — um leve aumento em relação à projeção anterior de 7,12 milhões de toneladas. O número reforça o ritmo consistente dos embarques brasileiros, impulsionado pela competitividade do produto no mercado externo.

Milho e farelo também registram alta nas projeções

As estimativas para as exportações de milho também foram ajustadas para cima, passando de 6,06 milhões para 6,46 milhões de toneladas. O crescimento reflete o forte desempenho das vendas externas e a boa janela logística de escoamento dos grãos.

Já o farelo de soja deve alcançar 2,06 milhões de toneladas embarcadas em outubro, ante 1,92 milhão na previsão da semana anterior. O aumento confirma o cenário positivo das exportações de derivados da soja, com maior demanda de países asiáticos e europeus.

Exportações agrícolas mantêm trajetória de crescimento

Com os novos ajustes, outubro tende a se consolidar como um dos meses de melhor desempenho do ano para o setor de grãos, reforçando a posição do Brasil como líder global em exportações agrícolas.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Comércio Exterior

Soja brasileira ganha espaço na China em meio à guerra comercial entre EUA e o país asiático

Brasil assume protagonismo nas exportações de soja para a China.

A guerra comercial entre Estados Unidos e China tem redefinido o mercado global de commodities agrícolas, beneficiando diretamente o Brasil. Entre junho e agosto de 2025, o país asiático suspendeu a compra de soja norte-americana e passou a priorizar fornecedores alternativos, como o Brasil e a Argentina.

O levantamento é da American Farm Bureau Federation (AFBF), principal entidade representativa do setor agrícola dos Estados Unidos, que reúne cerca de 6 milhões de produtores rurais. O estudo mostra que as importações chinesas de soja dos EUA despencaram para o menor nível histórico neste ano, enquanto o Brasil consolidou sua posição como principal exportador do grão ao mercado chinês.

Queda recorde nas importações de soja americana

De janeiro a agosto de 2025, a China importou apenas 5,8 milhões de toneladas de soja norte-americana, ante 26,5 milhões de toneladas no mesmo período de 2024, o que representa uma redução de quase 80%.

O relatório aponta ainda que, entre junho e agosto, os Estados Unidos “virtualmente não embarcaram nada” de soja para a China — e o país asiático não adquiriu novos volumes da safra futura.

Enquanto isso, o Brasil exportou mais de 77 milhões de toneladas do produto para o mercado chinês no mesmo intervalo. A Argentina também ampliou suas vendas após suspender temporariamente o imposto de exportação, que voltou a ser aplicado quando o valor exportado ultrapassou US$ 7 bilhões.

Estratégia chinesa de diversificação de fornecedores

De acordo com a AFBF, o cenário atual é resultado de uma política de diversificação de fornecedores adotada pela China desde 2018, quando teve início a primeira guerra comercial sob o governo Donald Trump. Desde então, o país asiático vem reduzindo sua dependência dos produtores norte-americanos, mesmo diante de uma demanda interna crescente.

Impacto em outras exportações dos EUA

A perda de espaço no mercado chinês não se restringe à soja. Segundo o relatório, as exportações de milho, trigo e sorgo dos Estados Unidos à China caíram a zero em 2025, enquanto as vendas de carne suína e algodão seguem em ritmo reduzido.

O Departamento de Agricultura dos EUA projeta que o valor total das exportações agrícolas para a China cairá para US$ 17 bilhões neste ano — uma retração de 30% em relação a 2024 e mais de 50% abaixo do registrado em 2022. Para 2026, a previsão é ainda mais negativa: US$ 9 bilhões, o menor patamar desde 2018.

Governo Trump prepara novo pacote de apoio ao setor agrícola

Diante das perdas, o governo Donald Trump planeja um novo pacote de ajuda financeira aos produtores rurais, semelhante ao de 2019, quando mais de US$ 22 bilhões foram destinados ao setor durante a primeira fase da disputa comercial.

Usaremos os recursos das tarifas para apoiar nossos agricultores”, afirmou Trump em sua rede Truth Social. Paralelamente, o Tesouro norte-americano estuda medidas emergenciais para conter o déficit comercial agrícola.

Além dos efeitos da guerra comercial, os produtores enfrentam queda nos preços das commodities e aumento dos custos logísticos, agravados pelo baixo nível do Rio Mississippi, rota crucial para o escoamento da safra. O Departamento de Agricultura estima que a renda agrícola dos EUA caia 2,5% em 2025, atingindo o menor valor desde 2007.

Fonte: Agência Brasil

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL / Reuters/Brian Snyder

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Agronegócio

Plano Nacional de Logística 2050 reforça urgência do agronegócio por infraestrutura no Brasil

Com a produção agrícola batendo recordes, o agronegócio brasileiro pressiona por melhorias em infraestrutura e transporte. O desafio vai além da porteira: garantir escoamento rápido e eficiente até os portos é essencial para manter a competitividade. Em Cuiabá, especialistas, autoridades e representantes do setor se reuniram nesta segunda-feira (29) para discutir o Plano Nacional de Logística 2050 e lançar um painel sobre a realidade do Centro-Oeste, região que concentra quase metade da produção agropecuária do país.

Protagonismo do agro no Centro-Oeste

O Mato Grosso liderou exportações de soja, milho, algodão e carne bovina em 2024. Já Goiás consolidou-se como o segundo maior produtor nacional de soja, com destaque também para milho e proteína animal. Mato Grosso do Sul, por sua vez, fortaleceu sua presença na indústria de celulose, especialmente no polo de Três Lagoas.

O crescimento da produção exige rodovias e ferrovias integradas, lembrou Pedro Sales, presidente da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra). Ele defendeu maior participação do governo federal em investimentos estratégicos.

Estradas e trilhos: gargalo do escoamento

De acordo com o Plano, 80% das exportações agrícolas dependem de rotas como BR-163, BR-364, BR-158 e da Malha Norte Ferroviária. Só pelo Porto de Santos, em 2024, passaram mais de 27 milhões de toneladas de grãos vindos do Centro-Oeste.

Cleiton Gauer, superintendente do Imea, destacou que no Mato Grosso a produção agrícola sempre avançou antes da infraestrutura, forçando a abertura de estradas e a chegada de ferrovias e hidrovias. Já um levantamento da CNT mostrou que 31% das rodovias mato-grossenses estavam em estado ruim ou péssimo em 2024; em Goiás, o índice chegou a 68%.

Nos trilhos, a lentidão preocupa: a Malha Norte transportou mais de 40 milhões de toneladas no ano passado, mas com velocidade média de apenas 22 km/h, muito abaixo de padrões internacionais. Projetos como a Fico, a Ferrovia Estadual de Mato Grosso e a Bioceânica aparecem como alternativas para reduzir o frete e diversificar rotas.

Licenciamento ambiental trava obras

A burocracia ambiental foi outro ponto de debate. Pedro Sales, da Goinfra, criticou a demora em processos de licenciamento federal, que chegam a levar décadas. Para Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja-MT, o excesso de normas — mais de 105 mil atualmente — prejudica a segurança jurídica e atrasa investimentos.

O secretário de Infraestrutura de Mato Grosso, Marcelo Oliveira, reforçou que o “gargalo ambiental eleva o custo Brasil”. Já Lilian de Alencar Pinto Campos, da INFRA S.A., defendeu que as novas regras de licenciamento conciliem preservação ambiental e avanço logístico.

Perspectivas até 2050

Apesar das dificuldades, o Plano Nacional de Logística projeta investimentos em corredores estratégicos, ferrovias, duplicações de rodovias e a rota Bioceânica. Para Lilian Campos, os próximos quatro anos já devem entregar avanços que facilitarão o escoamento de cargas e passageiros na região.

Para o presidente da Fenatc, Paulo Lustosa, se o país superar os gargalos logísticos, terá um futuro promissor no comércio internacional.
“Se resolvermos o problema da logística, o Brasil é imbatível no mundo”, afirmou.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGENS: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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