Logística

Conflito portuário no Uruguai afeta exportações de pescado e desvia cargas para Argentina e Brasil

O prolongado conflito portuário no Uruguai já provoca impactos diretos sobre as exportações de pescado e leva empresas a buscar alternativas logísticas em portos da Argentina e do Brasil. As dificuldades para embarcar as cargas podem resultar em esperas de duas a três semanas, pressionando o fluxo financeiro das empresas pesqueiras.

O cenário ganhou força nos últimos dias após cinco grandes companhias de navegação que atuam no país alertarem o governo uruguaio sobre os efeitos das interrupções recorrentes no Porto de Montevidéu.

Cinco armadores cobram solução para as interrupções

Maersk Uruguay, Ocean Network Express (ONE), CMA CGM Uruguay, Cosco Shipping Lines e Hapag-Lloyd Uruguay encaminharam uma carta a seis ministros do governo uruguaio. No documento, as empresas pedem medidas capazes de restabelecer a previsibilidade das operações portuárias.

Segundo as companhias, mais de 35 dias de interrupções ou restrições operacionais foram acumulados desde o início de 2026. Entre os principais efeitos estão atrasos, perda de cargas de transbordo e dificuldades para manter os serviços marítimos dentro da programação.

O problema está concentrado na Terminal Cuenca del Plata (TCP), principal terminal especializado em contêineres do Porto de Montevidéu. A paralisação ocorre em meio às negociações entre a administração da terminal e os trabalhadores para a renovação do acordo coletivo.

Terminal movimenta cerca de 80% dos contêineres do país

A dimensão do conflito está relacionada à importância da TCP para o comércio exterior uruguaio. Segundo Carlos Abel Olivera, diretor-executivo da empresa pesqueira Novabarca, aproximadamente 80% dos contêineres do Uruguai passam pela terminal.

Dessa forma, qualquer interrupção nas operações repercute diretamente sobre as cadeias de exportação e importação.

Para o setor pesqueiro, os efeitos já são sentidos na rotina das empresas. A dificuldade para conseguir espaço nos navios tem provocado acúmulo de produtos acabados em câmaras frigoríficas, além de atrasos nos recebimentos.

Exportadores enfrentam atrasos de até três semanas

Olivera relatou que a frequência dos embarques caiu significativamente. Antes, segundo ele, a empresa conseguia retirar as cargas duas ou três vezes por semana. Agora, a espera pode chegar a duas ou três semanas.

O atraso afeta diretamente o capital de giro das empresas pesqueiras. Depois de capturado e processado, o pescado precisa permanecer armazenado até que seja possível embarcá-lo. Enquanto isso, continuam os custos de produção, conservação e armazenamento.

Para as empresas, o produto estocado representa recursos financeiros que ainda não retornaram ao caixa. O efeito se espalha pela cadeia de pagamentos e dificulta o cumprimento de compromissos comerciais.

Cargas começam a ser direcionadas para outros portos

A falta de regularidade também ameaça a capacidade dos exportadores de cumprir os prazos acordados com compradores internacionais.

Diante das dificuldades em Montevidéu, operadores de comércio exterior já passaram a considerar Buenos Aires, na Argentina, e Santos, no Brasil, como alternativas para o embarque das mercadorias.

A mudança pode alterar os fluxos logísticos regionais e reduzir a utilização do porto uruguaio por determinados segmentos exportadores.

Navieras alertam para perda de confiabilidade de Montevidéu

As cinco companhias marítimas afirmam que a repetição das interrupções está prejudicando a confiabilidade comercial do Porto de Montevidéu.

Além das cargas que deixam de ser embarcadas, as empresas alertam para a possibilidade de perda de operações de transbordo. Esse tipo de movimentação é importante para conectar cargas da região aos serviços marítimos internacionais.

A redução dos transbordos também pode afetar a competitividade do comércio exterior uruguaio e a manutenção de empregos relacionados às operações portuárias.

Negociação envolve cerca de 550 trabalhadores

O conflito tem como um de seus principais pontos a negociação de um novo acordo coletivo para aproximadamente 550 trabalhadores da TCP.

A estrutura societária da terminal é formada majoritariamente pela empresa belga Katoen Natie, que detém 80% de participação, enquanto os outros 20% pertencem à Administração Nacional de Portos do Uruguai.

As divergências trabalhistas deram origem a sucessivas interrupções ao longo dos últimos meses, afetando a programação das operações.

Governo estabelece serviços mínimos

Diante da continuidade das medidas, o governo uruguaio determinou, em setembro, um regime de serviços mínimos para preservar atividades consideradas essenciais.

A medida inclui operações como carregamento e descarregamento de navios, recebimento de contêineres de importação e exportação, armazenamento e atendimento de cargas refrigeradas e produtos perecíveis.

O modelo adotado no Uruguai é diferente do existente na Argentina, onde há a possibilidade de utilização da conciliação obrigatória para suspender medidas durante uma negociação trabalhista.

No caso uruguaio, o governo tem atuado por meio de negociações e da definição de serviços mínimos, enquanto trabalhadores e empresa continuam tentando chegar a um acordo.

Setor pesqueiro já sente impacto financeiro

A pressão sobre o comércio exterior uruguaio aumenta à medida que as interrupções continuam.

Para a indústria pesqueira, os efeitos já incluem menor frequência de embarques, lotação das câmaras frigoríficas, atraso no recebimento dos pagamentos e dificuldades para cumprir os prazos acordados com clientes internacionais.

Ao mesmo tempo, a perda de previsibilidade vem incentivando parte dos operadores a transferir cargas para portos de outros países da região, aumentando a pressão sobre a posição de Montevidéu como ponto estratégico da logística sul-americana.

FONTE: PESCARE
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/PESCARE

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Indústria

ECONOMIA – SC concentra 61% da indústria da pesca do Brasil e lidera geração de empregos no setor

Santa Catarina movimenta R$ 3,8 bilhões por ano na indústria do pescado e concentra 61% de toda a atividade industrial da pesca no Brasil. O estado também lidera a geração de empregos no setor, reunindo 20,9% dos postos de trabalho do país, e alcança uma produtividade média de R$ 184,5 mil por trabalhador, consolidando-se como a principal referência nacional da economia do mar.

Os números foram apresentados durante a programação da EXPOMAR 2026 e evidenciam a força de uma cadeia produtiva integrada, que alia competitividade, inovação e sustentabilidade. Santa Catarina também registra cerca de US$ 47 milhões em exportações de pescados e mantém posição estratégica no abastecimento do mercado nacional.

Para Gizelle Perão, coordenadora para Assuntos de Pesca do Conselho de Alimentos e Bebidas da FIESC, o próximo desafio é acelerar os investimentos em tecnologia e modernização da atividade pesqueira.

“A demanda por pescado cresce no Brasil e no mundo, mas precisamos ampliar nossa capacidade produtiva. Isso passa pela renovação da frota, acesso ao crédito e incorporação de novas tecnologias que aumentem a eficiência da pesca com responsabilidade ambiental”, afirmou Gizelle.

Ela destaca que o Brasil ainda consome, em média, 12 quilos de pescado por habitante ao ano, abaixo da média mundial de 20 quilos, indicando amplo potencial de expansão do mercado interno. Na região de Itajaí e Navegantes, responsável por aproximadamente 80% da pesca extrativa industrial brasileira, estão concentradas as maiores indústrias conserveiras do país, que produzem cerca de 1 bilhão de latas de pescado por ano.

Dados do Observatório FIESC apontam que o crescimento do setor acompanha uma transformação no comportamento do consumidor.

“O pescado passou a ocupar um papel estratégico na alimentação. A procura por proteínas mais saudáveis, alimentos naturais e produtos com rastreabilidade amplia as oportunidades para uma indústria preparada para inovar e agregar valor”, afirma a especialista Thamiris da Costa.

Economia do Mar

A aquicultura também reforça esse protagonismo. Em 2024, o valor da produção catarinense foi quase três vezes superior ao registrado em 2013. O estado ocupa o 5º lugar nacional em valor de produção de pescados, lidera o país na produção de ostras e vieiras, com 2.481 toneladas, e é o 4º maior produtor brasileiro de tilápia, com 47.112 toneladas produzidas em 2025.

Outro diferencial competitivo é a estrutura da cadeia produtiva. Cerca de 41,6% dos principais insumos utilizados pela indústria são produzidos em Santa Catarina, fortalecendo a competitividade das empresas e reduzindo a dependência de fornecedores externos.

Esse ambiente também impulsiona o mercado de trabalho. Entre 2006 e 2026, o número de empregos na fabricação e preservação de produtos do pescado dobrou, acumulando saldo de 10.652 vagas diretas.

Principais indicadores

R$ 3,8 bilhões movimentados anualmente pela indústria do pescado
61% da indústria brasileira da pesca está concentrada em Santa Catarina
20,9% dos empregos nacionais do setor estão no estado.
10.652 empregos diretos gerados entre 2006 e 2026
R$ 543,7 milhões em valor de produção da aquicultura
1º lugar nacional na produção de ostras e vieiras
47.112 toneladas de tilápia produzidas em 2025
US$ 47 milhões em exportações de pescados
80% da pesca extrativa industrial brasileira concentra-se na região de Itajaí e Navegantes

FOTO E TEXTO: Assessoria de imprensa Fiesc

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Exportação

MPA habilita novas embarcações de pesca para exportação e amplia acesso a mercados internacionais

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) avançou na ampliação da frota nacional apta a atuar no comércio exterior. Três novas embarcações foram oficialmente habilitadas para exportação após concluírem o processo de Certificação Oficial de Conformidade, passando a integrar a lista de barcos autorizados a fornecer pescado para mercados rigorosos, como a União Europeia e o Reino Unido.

Processo de certificação segue normas internacionais

A certificação foi conduzida pelo Departamento da Indústria do Pescado (DIP/SNPI), conforme as diretrizes da Portaria MPA nº 75/2023, atualizada pela Portaria nº 340/2024. Os processos tiveram início no segundo semestre de 2025 e seguiram critérios técnicos rigorosos, com suporte da Plataforma Nacional da Indústria do Pescado (PNIP).

Durante a fase inicial, foram identificadas não conformidades, o que levou as embarcações a elaborarem planos de ação corretivos. As adequações foram comprovadas por meio de documentação técnica e verificações presenciais, realizadas com apoio do aplicativo da PNIP, que trouxe mais agilidade e segurança às análises.

Frota habilitada para exportação cresce no país

Após a validação das correções, a área técnica do MPA aprovou os processos e emitiu as certificações. Com isso, o número de embarcações habilitadas para exportar pescado à União Europeia e ao Reino Unido passou de sete para dez.

Segundo o diretor do Departamento da Indústria do Pescado, José Luis Vargas, o avanço demonstra o compromisso do setor produtivo com padrões internacionais de qualidade. “Em 2026, o Brasil passará por auditoria da União Europeia, e apenas embarcações certificadas poderão acessar esse mercado. As negociações com o Reino Unido seguem em andamento, com expectativa de novos avanços”, afirmou.

Meta é ampliar número de embarcações certificadas

O MPA pretende expandir ainda mais a base de embarcações aptas à exportação nos próximos anos. De acordo com Vargas, o ministério incentiva que o setor produtivo inicie seus processos de certificação o quanto antes.

“É essencial que as embarcações estejam em conformidade com o Certificado Oficial de Boas Práticas Higiênico-Sanitárias a Bordo, conforme determina a Portaria SAP-MAPA nº 310/2020”, destacou.

FONTE: Ministério da Pesca e Agricultura
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPA

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