Comércio Exterior

Em meio à polêmica do tarifaço, EUA ampliam superávit com o Brasil até junho

Saldo positivo americano foi de US$ 1,3 bi no mês e de US$ 4,5 bi no semestre; em junho, os EUA anunciaram um déficit global de US$ 60 bi, 16% mais baixo que o contabilizado em maio

O superávit comercial de US$ 1,3 bilhão que os Estados Unidos tiveram com o Brasil em junho foi o quinto mais alto individualmente entre os países com quem o país faz transações. A informação está nas planilhas que o Departamento de Comércio americano disponibilizou ao anunciar os dados da balança comercial do mês. No período, os EUA registraram um déficit global de US$ 60 bilhões, 16% mais baixo que o contabilizado em maio.

No mesmo mês de 2024, a relação comercial com o Brasil tinha sido favorável aos EUA em US$ 881 milhões.

Segundo os dados, os EUA exportaram US$ 4,9 bilhões para o Brasil em junho e importaram US$ 3,6 bilhões entre bens e serviços no mês. No acumulado do primeiro semestre, o superávit americano somou US$ 4,5 bilhões, ante US$ 2,8 bilhões no mesmo período do ano passado.

Os dados não estão com os devidos ajustes sazonais, por isso podem diferir dos anunciado pela brasileira Secex. Segundo as informações oficiais brasileiras, o déficit com os EUA ficou em US$ 590 milhões em junho e a conta negativa alcançou US$ 1,67 bilhão em seis meses.

Não houve detalhamento pelos EUA sobre produtos específicos relacionados aos países, mas as tabelas gerais não mostram mudanças significativas até aqui na comparação com os dados de 2024. Até junho, as importações de commodities agrícolas pelos EUA somaram US$ 114,5 bilhões este ano, ante US$ 105,8 bilhões no 1º semestre do ano passado.

Sobre alguns dos principais itens que o Brasil comercializa com os EUA, também não foram registrados recuos até aqui. As compras americanas globais de carnes cresceram de US$ 7,7 bilhões para US$ 9,6 bilhões na mesma comparação. As de peixes e pescados avançaram de US$ 12,1 bilhões para US$ 13,6 bilhões e as importações de frutas e vegetais como um todo passaram de US$ 28,6 bilhões para US$ 28,8 bilhões em um ano.

Mais uma vez, a China manteve a vantagem na relação comercial com os EUA. O Departamento anunciou um déficit de US$ 9,4 bilhões com o gigante asiático — o quinto maior entre todos os países e blocos –, mas destacou que a conta negativa foi US$ 4,6 bilhões menor entre maio e junho – provavelmente sob efeito da política comercial mais agressiva de Donald Trump.

Veja abaixo o ranking de superávits e de déficits comerciais dos EUA em junho:

Superávits em junho:

País/blocoValor (em US$)
HolandaUS$ 6,2 bilhões
América do Sul e CentralUS$ 4,4 bilhões
Reino UnidoUS$ 2,2 bilhões
AustráliaUS$ 1,6 bilhão
Hong KongUS$ 1,6 bilhão
BrasilUS$ 1,3 bilhão

Déficits em junho

País/blocoValor (em US$)
México-US$ 16,3 bilhões
Vietnã-US$16,2 bilhões
Taiwan-US$ 12,9 bilhões
União Europeia-US$ 9,5 bilhões
China-US$ 9,4 bilhões
Japão-US$ 5,7 bilhões
Coreia do Sul-US$5,5 bilhões
Irlanda-US$ 5,3 bilhões
Índia-US$ 5,3 bilhões
Alemanha-US$ 4,0 bilhões

Fonte: InfoMoney

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Exportação

CBA redireciona exportações de alumínio para Europa e América Latina após tarifa de 50% dos EUA

Com a entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre o alumínio brasileiro nesta quarta-feira (6), a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) redirecionou suas exportações para Europa, América Latina e o próprio Brasil.

Embora apenas uma pequena parte das exportações tivesse como destino os Estados Unidos, o presidente da CBA, Luciano Alves, afirmou que a tarifa exigiu ajustes imediatos na estratégia comercial da empresa.

“Tivemos um trimestre com vendas muito parecido com o primeiro trimestre (…) e um volume de vendas saudável com 91% destinado ao mercado interno. Das exportações, de 9%, uma parte ia para os EUA e desviamos deste volume para outros mercados, principalmente Europa, América Latina e Brasil”, frisa.

O executivo reconhece que o movimento tarifário promovido pelo governo de Donald Trump traz impactos indiretos na cadeia e impactos no preço. “A consequência disso é que já vemos uma queda no prêmio da Europa, com muito metal chegando de todos que não estão conseguindo vender para os EUA, e isso influencia na queda de preços”, observou.

Essa saturação de mercados alternativos tem levado à compressão de margens e ao aumento da competição, inclusive no Brasil, onde empresas que antes priorizavam os Estados Unidos também buscam novos compradores.

“No Brasil, isso também ocorre com uma competição maior de outros mercados que antes vendiam para os EUA e passaram a buscar alternativas”, afirma.

Para Alves, o cenário exige atenção, mas ainda não é motivo para alarme. Outro ponto é sobre possíveis medidas de reciprocidade por parte do Brasil, o presidente da CBA, no entanto, frisa que os efeitos seriam limitados, já que a companhia adota uma política de diversificação na sua base de insumos.

Segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio, os efeitos da tarifa de sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos pode provocar um impacto de R$ 1,15 bilhão no setor até o fim de 2025. O valor representa os prejuízos diretos já contabilizados e as perdas projetadas após a ampliação da tarifa de importação para 50%, determinada por nova ordem executiva de Trump.

Fonte: Valor Econômico

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Comércio Exterior

Tarifas mais altas de Trump atingem grandes parceiros comerciais dos EUA, gerando questionamentos e preocupação

As tarifas mais altas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às importações de dezenas de países entraram em vigor nesta semana, elevando a tarifa média de importação dos Estados Unidos para o maior patamar em um século e deixando importantes parceiros comerciais, como a Suíça, o Brasil e a Índia, na busca apressada por acordos melhores.

A agência de Alfândega e Proteção da Fronteira dos EUA passou a cobrar as tarifas mais altas nesta quinta-feira — no caso do Brasil a taxação maior começou já na quarta-feira — após semanas de suspense sobre as taxas finais de Trump e negociações frenéticas com os principais parceiros comerciais que buscavam reduzi-las.

Os líderes do Brasil e da Índia prometeram não se intimidar com a posição de barganha de Trump, enquanto seus negociadores buscam um alívio dos níveis tarifários mais altos.

As novas tarifas testarão a estratégia de Trump para reduzir os déficits comerciais dos EUA sem causar grandes interrupções nas cadeias de suprimentos globais ou provocar inflação mais alta e retaliação rígida dos parceiros comerciais.

“BILHÕES” EM RECEITA TARIFÁRIA

Depois de revelar suas tarifas do “Dia da Libertação” em abril, Trump modificou frequentemente seus planos, aplicando taxas muito mais altas sobre as importações de alguns países, incluindo 50% para produtos do Brasil, 39% da Suíça, 35% do Canadá e 25% da Índia. Na quarta-feira, ele anunciou uma tarifa separada de 25% sobre os produtos indianos, a ser imposta em 21 dias, devido às compras de petróleo russo pela Índia.

“BILHÕES DE DÓLARES, EM GRANDE PARTE DE PAÍSES QUE TIVERAM VANTAGEM DOS ESTADOS UNIDOS POR MUITOS ANOS, RINDO O TEMPO TODO, COMEÇARÃO A ENTRAR NOS EUA”, disse Trump no Truth Social, pouco antes do prazo final da tarifa.

As tarifas são, em última instância, pagas pelas empresas que importam as mercadorias e repassadas total ou parcialmente aos consumidores dos produtos finais.

O principal negociador comercial de Trump, Jamieson Greer, disse que os EUA trabalham para reverter décadas de políticas que enfraqueceram a capacidade de produção e a força de trabalho dos EUA, e que muitos outros países compartilhavam preocupações sobre desequilíbrios macroeconômicos.

“As regras do comércio internacional não podem ser um pacto suicida”, escreveu ele em uma coluna publicada pelo New York Times.

“Ao impor tarifas para reequilibrar o déficit comercial e negociar reformas significativas que formam a base de um novo sistema internacional, os Estados Unidos demonstraram uma liderança ousada”, disse Greer.

Oito grandes parceiros comerciais, que representam cerca de 40% dos fluxos comerciais dos EUA, chegaram a acordos para concessões comerciais e de investimento com Trump, incluindo a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul, reduzindo suas taxas tarifárias básicas para 15%.

O Reino Unido obteve uma taxa de 10%, enquanto o Vietnã, a Indonésia, o Paquistão e as Filipinas garantiram reduções de taxas para 19% ou 20%.

“Para esses países, as notícias são menos ruins”, disse William Reinsch, membro sênior e especialista em comércio do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Haverá algum rearranjo na cadeia de oferta. Haverá um novo equilíbrio. Os preços aqui subirão, mas levará algum tempo para que isso se manifeste de forma significativa”, disse Reinsch.

Os países com tarifas muito altas, como a Índia e o Canadá, “continuarão a se esforçar para tentar consertar isso”, acrescentou.

A presidente da Suíça, Karin Keller-Sutter, disse nesta quinta-feira que as conversações com os EUA continuariam depois que ela voltou para casa de mãos vazias de uma viagem de 11 horas a Washington com o objetivo de evitar a tarifa de importação dos EUA sobre os produtos suíços.

Uma tentativa de última hora da África do Sul de melhorar sua oferta em troca de uma tarifa mais baixa também fracassou. As equipes de negociação comercial dos dois países terão mais conversas, informou o gabinete do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.

O Vietnã disse na quinta-feira que continuaria as negociações com os EUA, buscando reduzir ainda mais as tarifas, depois de negociar uma redução para 20% da tarifa de 46% que Trump impôs às importações do país do sudeste asiático em abril.

Enquanto isso, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, disse à Reuters na quarta-feira que não se humilharia ao tentar fazer uma ligação telefônica com Trump, mesmo tendo afirmado que seu governo continuará as negociações em nível de gabinete para reduzir a tarifa de 50%.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, foi igualmente desafiador, dizendo que não comprometerá os interesses dos agricultores do país.

Também há sinais de que alguns países estão se unindo para enfrentar Trump. Lula ligou nesta quinta-feira para Modi e disse que também falará com o presidente da China, Xi Jinping, para discutir uma resposta conjunta do Brics às tarifas.

A Índia disse na quarta-feira que Modi visitará a China pela primeira vez em sete anos.

RECEITAS E PREÇOS MAIORES 

Os impostos de importação dos EUA são uma parte de uma estratégia tarifária de várias camadas que inclui tarifas setoriais baseadas na segurança nacional sobre semicondutores, produtos farmacêuticos, automóveis, aço, alumínio, cobre, madeira e outros produtos. Trump disse na quarta-feira que as tarifas sobre microchips poderiam chegar a 100%.

A China está em uma trilha tarifária separada e enfrentará um possível aumento de imposto de importação dos EUA em 12 de agosto, a menos que Trump aprove uma prorrogação da trégua anterior após conversas na semana passada na Suécia. Ele disse que poderá impor tarifas adicionais sobre as compras de petróleo russo pela China, pois busca pressionar Moscou a encerrar sua guerra na Ucrânia.

Trump tem elogiado um grande aumento na arrecadação proveniente da cobrança de impostos de importação, e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disse à Fox Business Network nesta quinta-feira esperar que a receita das tarifas chegue a US$50 bilhões por mês.

A medida elevará a média das taxas tarifárias dos EUA para cerca de 20%, a mais alta em um século e bem acima dos 2,5% de quando Trump assumiu o cargo em janeiro, segundo estimativas do Instituto Atlantic.

Dados do Departamento de Comércio divulgados na semana passada mostraram mais evidências de que as tarifas estão elevando os preços dos EUA, enquanto os custos estão aumentando para as empresas.

Na quinta-feira, a Toyota disse esperar um impacto de quase US$10 bilhões das tarifas sobre os carros importados para os EUA e reduziu sua previsão de lucro para o ano inteiro em 16%.

Mas outras empresas japonesas, como a Sony e a Honda, disseram que agora esperam um impacto menor sobre os lucros, depois que o Japão fechou um acordo bilateral com Washington para reduzir as tarifas.

Fonte: Reuters

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Comércio Exterior

Déficit da balança comercial entre Brasil e EUA sobe 1.338% em julho

O déficit da balança comercial entre Brasil e Estados Unidos subiu 1.338,6% em julho, na comparação com o mesmo período de 2024. No mês passado, o déficit com o país comandado por Donald Trump foi de cerca de US$ 560 milhões ante US$ 38,9 milhões de julho de 2024. No acumulado do ano, a balança comercial entre os dois países registrou déficit de US$ 2,26 bilhões para o Brasil.

A balança comercial foi listada por Trump como um dos fatores que motivaram a implementação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Na carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente norte-americano afirma que as barreiras tarifárias brasileiras causaram déficits “insustentáveis” aos EUA. “Entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil, que causaram esses déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos.

Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional”, diz a carta. Somente em julho de 2025, a importação de produtos americanos subiu 18,2%, totalizando US$ 4,27 bilhões. Já as exportações brasileiras aos EUA cresceram 3,8%, totalizando US$ 3,71 bilhões. A corrente de comércio com os EUA também cresceu em julho. Subiu em 11%, chegando a US$ 7,98 bilhões.

Balança comercial do Brasil

Ao considerar as importações e exportações para todos os países, balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,1 bilhões em julho de 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (6) pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). O resultado representa uma queda 6,3% frente ao registrado no ano passado, quando o saldo foi de US$ 7,6 bilhões. No mês, exportações somaram US$ 32,3 bilhões e importações de US$ 25,2 bilhões. A corrente de comércio totalizou US$ 57,5 bilhões no mês, com crescimento de 6,3% na comparação com julho de 2024.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Dependência de fertilizantes russos deixa Brasil vulnerável a mais taxações dos EUA

O Brasil pode ser alvo de novas taxas dos Estados Unidos por comprar fertilizantes da Rússia, seu principal fornecedor.

Os fertilizantes químicos funcionam como um tipo de adubo, usado para preparar e estimular a terra para o plantio.

O presidente Donald Trump aplicou uma tarifa adicional à Índia nesta quarta-feira (6) por comprar petróleo dos russos. Segundo ele, isso contribui “para a manutenção da guerra contra a Ucrânia”.

Com a nova taxa, a tarifa total aplicada à Índia subiu para 50% — empatando com a do Brasil e deixando o país asiático entre os mais taxados por Trump.

Ainda na quarta-feira, Trump declarou que mais tarifas podem ser impostas.

Se o Brasil for alvo de algo semelhante, a produção de alimentos no Brasil pode ser afetada, com aumento nos custos para o agricultor e o consumidor, diz o consultor Carlos Cogo.

Segundo o especialista, a dependência da importação do Brasil torna o país “vulnerável” a esses tipos de aumento.

No mercado de fertilizantes, existem três insumos que são os mais relevantes, que formam o NPK, aponta Cicero Lima, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV AGRO). São eles:

o nitrogênio (N), que o Brasil importa 95%;

o fosfato (P), o qual 75% é comprado no exterior;

e o potássio (K), com 91% vindo de fora do país.

Cogo aponta os principais motivos que explicam essa dependência. Veja abaixo.

➡️Faltam matérias-primas: no país, não há muitas reservas de componentes que são fundamentais para a produção dos fertilizantes, principalmente nitrogênio e potássio.

O potássio, por exemplo, está concentrado em países como Canadá, Rússia e Bielorrússia, que dominam o mercado mundial.

Já a indústria nacional de nitrogenados é pequena, porque a produção exige gás natural barato. Assim, perde competitividade frente a países como EUA, Rússia e Catar.

No caso do fosfato, as reservas têm qualidade inferior e são mais caras de explorar.

➡️Demanda grande: a produção nacional não consegue atender tudo o que a agricultura brasileira consome de fertilizante.

Apesar de ser grande produtor de alimentos, o Brasil tem solo pobre em nutrientes. Por isso, precisa de adubação frequente para manter a produtividade. Saiba mais abaixo.

Essa procura por fertilizante vem, principalmente, de produtos como a soja, milho, café e cana-de-açúcar.

➡️ Altos custos: importar sai mais barato, porque a logística no Brasil é cara e a infraestrutura é limitada, aponta Cogo.

O Brasil tem um Plano Nacional de Fertilizantes, criado em 2022. A meta é produzir entre 45% e 50% do insumo que o país consome até 2050.

Para isso, o governo pretende gastar mais de R$ 25 bilhões até 2030, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Para o consultor Cogo, são necessários grandes investimentos, incentivos e infraestrutura para aumentar a produção.

Dá para trocar de fornecedor?

A Rússia é o 2° maior produtor mundial de fertilizantes potássicos e nitrogenados e o 4° maior de fosfatados. Em 2024, o país foi o principal fornecedor desses insumos para o Brasil, sendo, de acordo com a consultoria Cogo:

53% de fosfato monoamônico (que fornece nitrogênio e fósforo às plantas);

40% de cloreto de potássio;

20% de ureia.

“É um volume muito grande para que qualquer outro fornecedor consiga atender à demanda do Brasil”, diz Lima.

Trocar a Rússia no fornecimento desses componentes para o Brasil não seria rápido, aponta Cogo. Isso porque seria necessário fazer uma reestruturação logística das compras e realizar negociações diplomáticas para fechar novos acordos e abrir mercados.

Entre as alternativas possíveis de novos vendedores, o Brasil poderia ampliar parcerias com Canadá, Marrocos, Nigéria e outros países do Oriente Médio, afirma Cogo.

Mas ele alerta que outros países também buscam evitar sanções e podem disputar os mesmos fornecedores.

Por que o Brasil consome tanto fertilizante?

O Brasil é o 4° maior consumidor de fertilizantes do mundo. Isso acontece porque o solo do país é quimicamente pobre em nutrientes, principalmente no Cerrado, afirma Cogo.

Segundo o consultor, a região tem baixa disponibilidade de elementos essenciais, como fósforo e potássio, além de ter elevada acidez.

Somado a isso, está o clima tropical do país. O Brasil sofre com chuvas intensas, que favorecem a lixiviação, processo em que os nutrientes são rapidamente perdidos do solo.

É diferente do que acontece em países de clima temperado, onde a terra é naturalmente mais fértil e as perdas são menores.

A agricultura intensiva também aumenta a necessidade de fertilizantes. Ela permite várias safras por ano, o que exige reposição constante de nutrientes.

Os cultivos que são voltados para a exportação, como a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café e o algodão, exigem muitos nutrientes. Portanto, precisam de grandes volumes de adubos químicos para manter produtividade.

Fonte: G1

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Portos

Tarifaço dos EUA impulsiona recorde histórico de movimentação de cargas no maior porto do Brasil

Levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do Porto de Santos, com 17 milhões de toneladas no mês de julho.

O Porto de Santos, no litoral de São Paulo, registrou um novo recorde de movimentação de cargas no mês de julho. Segundo apurado pelo g1, um levantamento preliminar apontou o melhor desempenho mensal da história do cais santista, com 17 milhões de toneladas. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a marca inédita foi impulsionada, principalmente, pelo aumento das exportações após o anúncio de Donald Trump sobre a aplicação de tarifas de 50% para a entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos.

“A medida levou empresas a anteciparem os embarques, o que gerou um intenso fluxo de navios rumo à Europa e aos EUA, com destaque para cargas agrícolas e industriais”, afirmou o ministério, por meio de nota.

O órgão federal acrescentou que o complexo portuário conseguiu manter as operações sem impactos logísticos, apesar das condições climáticas adversas no mês de julho.

De acordo com a Autoridade Portuária de Santos (APS), a consolidação dos dados ainda está em andamento, uma vez que o cais santista conta com mais de 50 terminais e eles têm um prazo — não especificado — para enviar as informações à empresa administradora. Ainda assim, o monitoramento operacional já confirma o recorde histórico de movimentação no mês de julho deste ano.

Levantamento preliminar

Conforme divulgado pela APS, houve um aumento de 10% no embarque de granéis sólidos (grãos diversos), com 900 mil toneladas. A movimentação de contêineres cresceu 4% e chegou a 200 mil toneladas, enquanto as cargas soltas tiveram alta de 9%, com 85 mil toneladas.

A autoridade portuária afirmou que os granéis líquidos (combustíveis, solventes, entre outros) ainda não foram contabilizados, mas a expectativa é de um aumento de 10%.

Em nota, o presidente da APS, Anderson Pomini, afirmou que os dados confirmam um aumento expressivo dos embarques no cais santista, o que já havia sido constatado na primeira quinzena do mês de julho.

“São dados preliminares, mas este ‘recorde dos recordes’ demonstra a importância de Santos em momentos decisivos da história, como este”, destacou Pomini. “É um recorde absoluto que atesta a resiliência e a eficiência do Porto de Santos. Mesmo com crises externas e fechamento do canal devido a condições climáticas, houve crescimento sem gerar qualquer ocorrência nas vias de acesso”.

Também por meio de nota, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, explicou que o crescimento no volume de cargas demonstra que a infraestrutura dos portos brasileiros é capaz de suportar os aumentos.

“O Ministério de Portos e Aeroportos está trabalhando para ampliar a capacidade e eficiência operacional dos portos com os leilões que estamos preparando para este ano, como o do canal de acesso ao Porto de Santos e o do terminal de contêineres, Tecon Santos 10”, afirmou o ministro.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Trump separa tarifas globais em 4 grupos de países; veja quais

Em comunicação confusa, o governo dos Estados Unidos separa países entre tarifas impostas, negociadas e “presenteadas” com a alíquota mais baixa, enquanto deixa apenas dois países em negociação

As tarifas comerciais de Donald Trump entram em vigor para mais de 90 países nesta quinta-feira (7), uma semana após uma atualização completa das confusas “tarifas recíprocas”. Quase ninguém escapou, nem mesmo aliados históricos, com percentuais que variam de 10% a 50%.

O Brasil aparece entre os países mais impactados: embora a tarifa recíproca seja de 10%, Trump impôs uma sobretaxa adicional de 40% sobre produtos brasileiros. A alíquota total de 50%, que entrou em vigor na última quarta-feira (6), é a mais alta do mundo junto, mas poderá ser igualada à da Índia, que tem até 27 de agosto para evitar elevação por ter relação comercial com a Rússia.

Na lista de tarifas impostas, destacam-se ainda países como Suíça (39%), que tentou, mas não conseguiu negociar um valor mais baixo; Canadá (35%) e os que compõem a União Europeia (15%).

Já países como Vietnã (20%), Indonésia (19%) e Filipinas (19%) estavam sujeitos a tarifas ainda maiores, mas conseguiram negociar alíquotas menores.

No outro extremo, Argentina, Arábia Saudita, Colômbia, Austrália e dezenas de países permanecem com a tarifa base de 10%, considerada benéfica em comparação às alíquotas impostas a outras nações.

Outros poucos permanecem na mesa de negociação com os EUA, caso de México (25%) e China (30%), que tiveram a entrada em vigor adiada e, portanto, ainda podem ter seus percentuais ajustados.

As mudanças refletem uma combinação de critérios que vão do comercial ao político. No caso brasileiro, segundo a Casa Branca, a medida é uma resposta a supostas “violações à liberdade de expressão” e “perseguição política” no país. Por outro lado, o Brasil tem a maior lista de exceções, com Washington poupando 694 itens, atenuando o impacto sobre o PIB.

Confira a seguir um resumo da situação de cada país no momento:

1. Países que sofreram imposição de tarifas

PaísTarifa recíproca (%)Tarifa total (%)
Brasil1050
Índia2550 (em 27/08)
Síria4141
Laos4040
Mianmar4040
Suíça3939
Canadá35
Iraque3535
Sérvia3535
África do Sul3030
Argélia3030
Líbia3030
Bósnia e Herzegovina3030
Cazaquistão2525
Tunísia2525
Brunei2525
Moldávia2525
Taiwan2020
Bangladesh2020
Sri Lanka2020
Tailândia1919
Malásia1919
Camboja1919
Paquistão1919
Nicarágua1818
Israel1515
Turquia1515
Costa Rica1515
Equador1515
Noruega1515
Venezuela1515
Nigéria1515
Nova Zelândia1515
Guiana1515
Jordânia1515
Trinidad e Tobago1515
Angola1515
Gana1515
Islândia1515
Costa do Marfim1515
Madagascar1515
Bolívia1515
Botsuana1515
República Democrática do Congo1515
Namíbia1515
Fiji1515
Camarões1515
Liechtenstein1515
Lesoto1515
Maurício1515
Moçambique1515
Macedônia do Norte1515
Zâmbia1515
Uganda1515
Guiné Equatorial1515
Chade1515
Papua-Nova Guiné1515
Zimbábue1515
Malawi1515
Afeganistão1515
Vanuatu1515
Nauru1515

2. Países que negociaram tarifas

PaísTarifa recíproca total (%)
Vietnã20
Indonésia19
Filipinas19
Alemanha15
Japão15
Coreia do Sul15
Irlanda15
Itália15
França15
Países Baixos15
Bélgica15
Espanha15
Suécia15
Áustria15
Polônia15
Hungria15
Dinamarca15
Eslováquia15
Finlândia15
Tchéquia15
Portugal15
Eslovênia15
Romênia15
Grécia15
Lituânia15
Bulgária15
Estônia15
Croácia15
Luxemburgo15
Letônia15
Malta15
Chipre15
Reino Unido10

3. Países que ficaram com a tarifa base

PaísTarifa total (%)
Albânia10
Andorra10
Antígua e Barbuda10
Arábia Saudita10
Argentina10
Armênia10
Austrália10
Azerbaijão10
Bahamas10
Bahrein10
Barbados10
Belize10
Benim10
Bielorrússia10
Burkina Faso10
Burundi10
Butão10
Cabo Verde10
Catar10
Chile10
Cingapura10
Colômbia10
Comores10
Coreia do Norte10
Cuba10
Djibuti10
Dominica10
Egito10
El Salvador10
Emirados Árabes Unidos10
Eritreia10
Essuatíni10
Etiópia10
Gabão10
Gâmbia10
Geórgia10
Granada10
Guatemala10
Guiné10
Guiné-Bissau10
Haiti10
Honduras10
Iêmen10
Ilhas Marshall10
Ilhas Salomão10
Irã10
Jamaica10
Kiribati10
Kosovo10
Kuwait10
Líbano10
Libéria10
Maldivas10
Mali10
Marrocos10
Mauritânia10
Micronésia10
Mônaco10
Mongólia10
Montenegro10
Nepal10
Níger10
Omã10
Palau10
Panamá10
Paraguai10
Peru10
Quênia10
Quirguistão10
República Centro-Africana10
República do Congo10
República Dominicana10
Ruanda10
Rússia10
Samoa10
San Marino10
Santa Lúcia10
São Cristóvão e Nevis10
São Tomé e Príncipe10
São Vicente e Granadinas10
Senegal10
Serra Leoa10
Somália10
Sudão10
Sudão do Sul10
Suriname10
Tajiquistão10
Tanzânia10
Timor-Leste10
Togo10
Tonga10
Turcomenistão10
Tuvalu10
Ucrânia10
Uruguai10
Uzbequistão10

4. Países que ainda negociam tarifas

PaísTarifa recíproca provisória (%)
México25
China30

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

EUA: Tarifas mais altas de Trump atingem produtos dos principais parceiros comerciais

Antes do prazo final, Trump anunciou os “bilhões de dólares” que fluirão para os EUA, em grande parte de países que, segundo ele, tiraram proveito dos Estados Unidos

As tarifas mais altas de 10% a 50% impostas pelo presidente Donald Trump a dezenas de parceiros comerciais dos Estados Unidos entraram em vigor, testando sua estratégia para reduzir os déficits comerciais dos EUA sem grandes interrupções nas cadeias globais de oferta, inflação mais alta e retaliação rígida dos parceiros comerciais.

A agência de Alfândega e Proteção da Fronteira dos EUA começou a cobrar as tarifas mais altas após semanas de suspense sobre as taxas finais de Trump e negociações frenéticas com os principais parceiros comerciais que buscavam reduzi-las.

As mercadorias carregadas em navios com destino aos EUA e em trânsito antes do prazo final podem entrar com tarifas anteriores mais baixas antes de 5 de outubro, de acordo com um aviso da agência para os expedidores emitido esta semana. As importações de muitos países estavam anteriormente sujeitas a uma tarifa básica de importação de 10% depois que Trump suspendeu as tarifas mais altas anunciadas em abril.

Mas, desde então, Trump modificou frequentemente seu plano tarifário, aplicando a alguns países taxas muito mais altas, incluindo 50% para produtos do Brasil, 39% da Suíça, 35% do Canadá e 25% da Índia. Na quarta-feira, ele anunciou uma tarifa separada de 25% sobre os produtos indianos, a ser imposta em 21 dias devido às compras de petróleo russo pelo país do sul da Ásia.

Antes do prazo final, Trump anunciou os “bilhões de dólares” que fluirão para os EUA, em grande parte de países que, segundo ele, tiraram proveito dos Estados Unidos.

“A ÚNICA COISA QUE PODE IMPEDIR A GRANDEZA DA AMÉRICA SERIA UMA CORTE DE ESQUERDA RADICAL QUE QUER VER NOSSO PAÍS FRACASSAR!”, disse Trump no Truth Social.

Oito grandes parceiros comerciais, que representam cerca de 40% dos fluxos comerciais dos EUA, chegaram a acordos para concessões comerciais e de investimento com Trump, incluindo a União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul, reduzindo suas taxas tarifárias básicas para 15%.

O Reino Unido obteve uma taxa de 10%, enquanto o Vietnã, a Indonésia, o Paquistão e as Filipinas garantiram reduções de taxas para 19% ou 20%.

“Para esses países, as notícias são menos ruins”, disse William Reinsch, membro sênior e especialista em comércio do Center for Strategic and International Studies, em Washington.

“Haverá algum rearranjo na cadeia de oferta. Haverá um novo equilíbrio. Os preços aqui subirão, mas levará algum tempo para que isso se manifeste de forma significativa”, disse Reinsch.

Os países com tarifas muito altas, como a Índia e o Canadá, “continuarão a se esforçar para tentar consertar isso”, acrescentou.

A ordem de Trump especificou que qualquer mercadoria que tenha sido transbordada de um terceiro país para escapar das tarifas mais altas dos EUA estará sujeita a uma tarifa de importação adicional de 40%, mas seu governo divulgou poucos detalhes sobre como essas mercadorias serão identificadas ou como a disposição será aplicada.

O decreto tarifário de Trump de 31 de julho impôs tarifas acima de 10% a 67 parceiros comerciais, enquanto a taxa foi mantida em 10% para aqueles que não estão listados.

Esses impostos de importação são uma parte de uma estratégia tarifária de várias camadas que inclui tarifas setoriais baseadas na segurança nacional sobre semicondutores, produtos farmacêuticos, automóveis, aço, alumínio, cobre, madeira e outros produtos. Trump disse na quarta-feira que as tarifas sobre microchips poderiam chegar a 100%.

A China está em uma trajetória separada e enfrentará um possível aumento de tarifas em 12 de agosto, a menos que Trump aprove uma prorrogação da trégua anterior após conversas na semana passada na Suécia. Ele disse que poderá impor tarifas adicionais sobre as compras de petróleo russo pela China, pois busca pressionar Moscou a encerrar sua guerra na Ucrânia.

Fonte: InfoMoney

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Mercado Internacional

Apex mapeia estados dos EUA que dependem de produtos brasileiros por maior pressão contra tarifaço

A ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) está preparando um mapeamento dos estados americanos que dependem de produtos brasileiros. A ideia, segundo o presidente do órgão, Jorge Viana, é sensibilizar os atores locais para agirem contra as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.

A sobretaxa de 50% aplicada pelos EUA a produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (6). Ela atinge cerca de 36% dos itens exportados pelo Brasil aos EUA, segundo cálculo do governo brasileiro, incluindo produtos importantes na relação comercial entre os dois países, como máquinas agrícolas, carnes e café.

“Quando você põe uma tarifa para o que entra nos Estados Unidos, você está criando um problema interno. Um estado que tem uma atividade industrial que depende de um produto que vem do Brasil, e agora o produto ficou 50% mais caro, é um problema para eles também”, disse Viana. “É nesse sentido que a gente está trabalhando.”

De acordo com levantamento da Apex, no caso dos minerais críticos, por exemplo, o Brasil exporta para a Flórida cerca de US$ 5,3 milhões e tem 82% de participação na importação deles no setor. Mais especificamente no caso do vanádio, o Brasil tem 100% de participação no mercado da Pensilvânia, em torno de US$ 20 milhões.

No início da semana, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) afirmou ver possibilidade de Brasil e Estados Unidos chegarem a um acordo relacionado à mineração nessa nova fase das tratativas entre os dois governos.

Segundo Viana, a agência trabalha em conjunto com seus escritórios nos EUA, com a Amcham (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) e com representantes dos setores atingidos pelo tarifaço.

O presidente da Apex considera que uma pressão interna de governos locais pode ajudar no avanço das tratativas. “Os governos locais, seja a Califórnia, vão ter que ir lá na Casa Branca dizendo: ‘Olha, está prejudicando o meu estado”, afirmou.

Como exemplo, ele citou a Embraer -beneficiada na lista inicial de exceções estabelecida pelos EUA, que possui componentes usados na aviação civil. “Ela tem uma base industrial na Flórida. Vai dizer [para as autoridades americanas]: ‘Como é que vai ficar? Vai parar a produção? Vai demitir funcionários?'”, disse.

De acordo com Viana, o Brasil atua em três frentes contra o tarifaço de Trump. Além dos esforços de negociação com os americanos, há uma busca por diversificação de mercado para escoamento dos produtos que vão perder espaço nos EUA.

Em paralelo, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgará um plano de contingência para mitigar os efeitos sobre as empresas exportadoras.

O presidente disse que a Apex também está preparando um plano próprio de socorro às suas empresas parceiras, a exemplo do que ocorreu após as enchentes que atingiram o Rio Grande Sul no ano passado. Segundo ele, a proposta estará conectada ao desenho criado pelo governo federal.

Segundo Haddad, o governo deve editar uma MP (medida provisória) com o plano de contingência, que prevê liberação de crédito e aumento de compras governamentais, entre outras medidas, e deve priorizar os pequenos produtores.

O mel é citado por Viana como um dos setores que precisa de uma política “rápida e urgente”, considerando que 78% do que o Brasil exporta de mel tem os Estados Unidos como destino e que o ramo é formado por pequenos produtores.

“Existe mercado para o mel no Reino Unido, na Bélgica, na própria China, que é o grande produtor de mel do mundo. Nós vamos trabalhar nisso”, acrescentou.

Fonte: Folha de São Paulo

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Mercado Internacional

Índia se prepara para impacto sobre US$ 64 bi em exportações aos EUA

A Índia prevê que perderá uma vantagem competitiva em cerca de US$ 64 bilhões em produtos exportados para os Estados Unidos devido à tarifa de 25% imposta pelo presidente norte-americano, Donald Trump e a uma suposta penalidade de 10% pela compra de petróleo russo, disseram quatro fontes à Reuters citando um relatório de avaliação interna do governo.

A Índia enfrenta sua mais séria crise diplomática com os Estados Unidos em anos depois que Trump impôs sobre produtos importados da Índia as tarifas mais altas entre os pares asiáticos, mesmo antes de qualquer penalidade. A participação relativamente baixa das exportações na economia de US$ 4 trilhões da Índia deve limitar o impacto direto sobre o crescimento a 40 pontos-base.

O banco central da Índia deixou inalterada sua previsão de expansão do PIB para o atual ano financeiro de abril-março em 6,5% e manteve os juros nesta quarta-feira, apesar da incerteza criada pelos aumentos de tarifas. As estimativas do impacto comercial foram preparadas pelo governo indiano depois que Trump anunciou a tarifa para os produtos indianos, juntamente com a penalidade não especificada.

O governo indiano, em seu relatório de avaliação, assumiu uma penalidade de 10% devido à compra de petróleo russo, elevando a tarifa para 35%, disseram as quatro fontes do governo indiano à Reuters. Elas não quiseram ser identificadas porque não estavam autorizadas a falar com a mídia. O Ministério do Comércio da Índia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Trump disse que seu governo decidirá sobre a penalidade para a compra de petróleo russo após o resultado dos esforços dos EUA para buscar um avanço de última hora na guerra da Ucrânia.

O enviado dos EUA, Steve Witkoff, está em Moscou, dois dias antes do fim do prazo estabelecido por Trump para que a Rússia concorde com a paz ou enfrente novas sanções. O impacto da tarifa e da possível penalidade será sobre quase US$ 64 bilhões em exportações da Índia para os EUA, que representam cerca de 80% do total de exportações para o país, e levará a “potenciais perdas de exportação” devido a desvantagens de preço, disseram as quatro fontes.

O relatório de avaliação interna é a estimativa inicial do governo e mudará à medida que o tamanho da tarifa de Trump se tornar clara, disseram as quatro fontes. A Índia exportou mercadorias estimadas em cerca de US$ 81 bilhões em 2024 para os EUA, incluindo vestuário, produtos farmacêuticos, gemas e joias e produtos petroquímicos, de acordo com dados do governo. As exportações de mercadorias para os EUA constituíram 2% do PIB em 2024.

As exportações totais de mercadorias globalmente foram de US$ 443 bilhões em 2024. As tarifas propostas sobre as exportações de alto valor da Índia enfrentam “a erosão da competitividade de preços, deparando-se com uma rivalidade intensificada de países sujeitos a tarifas mais baixas”, disseram duas fontes citando a avaliação interna.

O assessor de segurança nacional da Índia, Ajit Doval, está na Rússia em uma visita programada e deve discutir as compras de petróleo russo pela Índia após a pressão de Trump para que o país pare de comprar petróleo bruto russo, de acordo com uma fonte do governo.

Fonte: CNN Brasil

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