Comércio Exterior

Especialista: China não tem interesse de voltar a depender da soja dos EUA

Quando conversa com seus interlocutores na China, Larissa Wachholz ouve que não há interesse por parte dos chineses de voltar a depender da soja dos Estados Unidos como foi no passado.

Até a primeira passagem de Donald Trump pela Casa Branca, os norte-americanos se destacavam como fornecedores da oleaginosa ao país asiático. Desde a primeira guerra comercial deflagrada pelo republicano, a balança virou de ponta cabeça: hoje, os EUA fornecem cerca de 20% da soja consumida pelos chineses; o Brasil, 70%.

Especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e sócia da Vallya Participações, Wachholz relatou ao WW desta segunda-feira (11) que os chineses têm para eles que a diversificação de mercado foi fruto de um esforço e que, por tanto, o país “não teria interesse em caminhar para uma nova dependência”. Wachholz também foi assessora especial do Ministério da Agricultura para assuntos relativos à China.

Ela ressalta que na relação entre os EUA e a China houve uma quebra de confiança em relação a um “produtos tão essencial como a soja” para os chineses. Em meio a negociações que caminham vagarosamente, Washington e Pequim, até o momento, não estabeleceram nenhuma garantia de que as tarifas aplicadas um contra o outro não vão voltar a subir.

Mais cedo, Trump se manifestou sobre a relação comercial, e exigiu que os chineses quadrupliquem as compras de soja norte-americana. O movimento veio pouco antes de o republicano estender, por mais 90 dias, a pausa tarifária à China. Questionada se os dois movimentos estão interligados, Wachholz pondera que ainda não há como saber ao certo e que “tudo indica que não tenha sido”. Porém, a especialista em negócios com a China não descarta que a soja esteja sendo utilizada pela Casa Branca como ferramenta política nas tratativas com os chineses.  

Ao perder espaço no mercado chinês, o produtor norte-americano se viu em uma situação delicada, agricultores estes que estão baseados em estados tradicionalmente republicanos. “O presidente Trump tem dito repetidas vezes que as tarifas são resposta a um déficit comercial, que é difícil de resolver, os volumes são muitos grandes. Mas os Estados Unidos têm condições de exportar produtos agrícolas e a China é uma grande demandante”, observa Wachholz. “Esse é um tipo de produto que de fato tem na China um mercado consumidor e poderia ser usado de forma política para um acordo. E as duas maiores economias do mundo precisam chegar a um acordo para várias cadeias produtivas.”

Se adotada a demanda, prejudicano na história seria o Brasil: os EUA virariam o maior fornecedor à China, apesar de a soja brasileira ser mais competitiva por conta de preço, escala de produção e qualidade. Porém, Wachholz ressalta que nem a dependência da China da soja brasileira é de interesse dos chineses, destacando políticas públicas que o governo de Xi Jinping tem promovido para reduzir as compras do grão.

“Em uma viagem à China, em junho, ouvi de uma autoridade brasileira que, quando se encontrou com o presidente da Universidade de Agricultura da China, ouviu que a missão a ele dada por Xi Jinping foi de reduzir as compras da China de soja brasileira. Também tem preocupação do lado deles de ter muitos ovos da mesma cesta de fornecimento.

Fonte: CNN Brasil

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Exportação

Frigoríficos brasileiros negociam com Vietnã para substituir exportações aos EUA

A busca pela abertura de novos mercados para exportação de carne bovina levou uma comitiva formada pelos principais frigoríficos do Brasil até o Vietnã, mercado que acaba de abrir suas portas para a proteína brasileira.

Uma missão oficial brasileira esteve na capital, Hanói, na semana passada, após incursões feitas pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva junto às autoridades vietnamitas.

Conforme informações obtidas pela reportagem, representantes de 17 frigoríficos e empresas do setor, incluindo gigantes como JBS, Marfrig, Minerva e Masterboi, participaram das discussões diretas com mais de uma dezena de importadores.

O objetivo, na prática, foi ampliar os canais de diálogo para obter uma resposta mais ágil do governo local aos pedidos brasileiros de habilitação sanitária para os exportadores.

Atualmente, o governo do Vietnã avalia a solicitação de habilitação de 86 frigoríficos para exportação de carne bovina. Duas plantas da JBS foram aprovadas até agora, as unidades de Mozarlândia e Goiânia, ambas localizadas em Goiás.

Carlos Fávaro comentou, na semana passada, a expectativa de abertura do Vietnã à carne bovina brasileira. “O mercado do Vietnã é um mercado que a gente buscava abrir há mais de 20 anos. Abriu em março. Duas plantas frigoríficas se habilitaram. Imagina se a gente se esforçar agora e habilitar 15, 20, 30 plantas frigoríficas. Amplia os mercados”, afirmou.

Além da habilitação de plantas, as empresas brasileiras também sugeriram, durante os encontros, a possibilidade de se negociar um Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Vietnã, com o objetivo de buscar a redução de tarifas.

Hoje, países concorrentes do Brasil -como Austrália, Nova Zelândia, União Europeia, Rússia e Canadá- contam com vantagens tarifárias para acessar o mercado vietnamita.

Os encontros entre empresários brasileiros e vietnamitas foram articulados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes). O país asiático teria capacidade de absorver até 100 mil toneladas de carne por ano, o que o colocaria entre os cinco maiores mercados do Brasil. Hoje, suas importações nesta área são irrisórias frente ao potencial que está em jogo.

A reportagem procurou o Mapa, a JBS e a Abiec para comentar o assunto, mas não teve retorno até a publicação deste texto.

A missão empresarial pretende consolidar um avanço institucional na abertura do mercado vietnamita. Com o engajamento direto de empresas exportadoras, apoio da diplomacia brasileira e articulação ministerial, o Brasil quer marcar posição de liderança global em carne bovina e distribuir a fatia que hoje está nas mãos dos americanos, segundo maior comprador do país, só atrás da China.

Em junho, o governo brasileiro anunciou o ingresso formal do Vietnã como país parceiro do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o qual tem sido tratado como inimigo pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Com uma população de quase 100 milhões de habitantes, o Vietnã tornou-se o décimo país parceiro do bloco, juntamente com Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.

O status de país parceiro, criado em 2024, consiste em uma forma de aproximação diplomática e econômica, sem que o país se torne um membro pleno do bloco. O parceiro pode participar das cúpulas como convidado permanente, além de integrar discussões técnicas e grupos de trabalho em áreas como comércio, saúde, segurança alimentar, energia e infraestrutura.

A aproximação com o Vietnã marca mais um passo na busca do mercado brasileiro por novos compradores, diante da chantagem tarifária imposta por Donald Trump. Como revelou a Folha de S.Paulo, Brasil e China trabalham na criação de um protocolo bilateral para certificação e rastreabilidade de produtos agropecuários, com foco central na exportação de carne e soja para o país asiático.

O protocolo prevê que os dois países alinhem metodologias para mensurar emissões, uso de solo, manejo ambiental e bem-estar animal. A intenção é que certificados brasileiros, como os desenvolvidos pela Embrapa -a exemplo dos selos Carne Carbono Neutro (CCN) e Carne Baixo Carbono (CBC)- passem a ser aceitos pelas autoridades e empresas chinesas como prova válida de sustentabilidade.

As exportações brasileiras de carne bovina dão sinais de que, em meio à queda acentuada registrada nas vendas para os Estados Unidos, já há migração para outros destinos. A principal evidência desse movimento vem do México.

A reportagem reuniu informações sobre as vendas de carnes ao exterior registradas até 28 de julho. Os dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) apontam que o setor, enquanto registra um volume histórico de exportação global, vê a queda das vendas aos norte-americanos e a entrada de novos países no topo da lista dos principais compradores.

O México, que até o ano passado nem sequer figurava na lista dos dez maiores importadores da carne brasileira, acaba de ultrapassar as compras feitas pelos Estados Unidos, ficando em segundo lugar do ranking, só atrás da China, que também segue em expansão.

Fonte: Folha de São Paulo

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Comércio Exterior

Como a empresa mais valiosa do mundo ficou no meio da briga China-EUA

Em acordo histórico com governo Trump, gigantes da tecnologia concordam em compartilhar receitas de vendas para o mercado chinês em troca de licenças de exportação

Empresa mais valiosa do mundo, a Nvidia se vê no meio da histórica guerra comercial de Donald Trump com a China. O resultado: uma concessão extraordinária de uma corporação de US$ 4,5 trilhões que dará aos Estados Unidos uma porcentagem de cada chip de inteligência artificial de alta performance vendido aos chineses.

O acordo, que a AMD também assinou para alguns de seus chips, pode equilibrar dois objetivos concorrentes da administração Trump: manter a dominância norte-americana em IA enquanto assegura um acordo comercial com a China.

A tratativa ainda pode garantir à Casa Branca bilhões de dólares para gastar como desejar.

Do que trata o acordo?

A Nvidia e a AMD concordaram em pagar ao governo norte-americano 15% de suas receitas provenientes das vendas de semicondutores para a China em troca de licenças para exportar sua tecnologia para lá.

A Casa Branca bloqueou em abril a exportação de certos chips de IA para a China, incluindo os chips H20 da Nvidia e MI308 da AMD.

O acordo com a administração Trump permite que as empresas obtenham licenças de exportação para retomar as vendas desses chips na China, disse um funcionário norte-americano à CNN Internacional. O Financial Times foi o primeiro a reportar a história no domingo (10).

A Nvidia antecipou o acordo no mês passado, quando disse que retomaria as vendas do chip H20 para a China após o governo demonstrar abertura para permitir novamente a exportação de certos chips de IA.

Mas o pagamento de 15% foi uma surpresa. Trump disse que inicialmente foi solicitado à Nvidia pagar 20%, mas eles negociaram a taxa para 15%.

O acordo foi fechado após o CEO da companhia, Jensen Huang, se reunir com o presidente dos Estados Unidos na quarta-feira (6), disse o funcionário. Embora as licenças de exportação tenham sido concedidas na sexta-feira (8), nenhum envio foi feito ainda.

“Seguimos as regras que o governo dos EUA estabelece para nossa participação nos mercados mundiais”, disse um porta-voz da Nvidia em comunicado.

“Embora não tenhamos enviado H20 para a China por meses, esperamos que as regras de controle de exportação permitam que a América compita na China e mundialmente.”

Quão extraordinário é isto?

Governos, incluindo os Estados Unidos, já assumiram o controle de empresas no passado quando eram consideradas de importância estratégica para a segurança nacional.

Durante a crise financeira em 2009, os Estados Unidos assumiram o controle da General Motors e Chrysler, e os rendimentos dessas participações foram diretamente para o Tesouro norte-americano depois que o governo as vendeu com lucro.

Mas não está claro se o governo dos EUA já exigiu uma porcentagem dos negócios de uma empresa sem assumir participação acionária – ou se isso é sequer legal.

A Constituição dos EUA proíbe impostos sobre exportações. Para contornar isso, os termos do acordo foram estruturados como um acordo voluntário, para que não seja considerado um imposto ou tarifa, disse um funcionário.

Em vez disso, Nvidia e AMD enviarão voluntariamente fundos ao governo norte-americano. As empresas não terão nenhuma influência sobre como o governo utilizará esse dinheiro após o envio.

“É difícil identificar qualquer precedente histórico para esse tipo de acordo”, disse Sarah Kreps, professora de direito e diretora do Instituto de Política Tecnológica da Escola Brooks de Política Pública da Universidade Cornell.

E a segurança nacional?

Nos últimos anos, o governo norte-americano tem buscado restringir o acesso da China à tecnologia avançada dos EUA em um esforço para desacelerar seu progresso em IA e permitir que os Estados Unidos se mantenham no topo.

Mas a reversão da Casa Branca nos controles de exportação pode ser um reconhecimento de que a China está avançando em IA de qualquer maneira, então as empresas norte-americanas podem muito bem ser autorizadas a se beneficiar.

Isso também pode dar aos EUA outra forma de aumentar a receita para o governo, junto com as tarifas.

“Parece que houve alguma vacilação dentro da administração sobre e em relação à China, e acho que isso reflete a divisão interna dentro da administração entre os falcões da China e os pragmáticos econômicos”, disse Kreps. “Parece que, cada vez mais, os pragmáticos econômicos estão prevalecendo.”

Essa abordagem se alinharia com os argumentos de Huang, da Nvidia, que tem dito que restringir as vendas de chips de IA é ruim para a segurança nacional dos EUA.

Os desenvolvedores chineses poderiam simplesmente minar a liderança norte-americana criando suas próprias alternativas se não puderem comprar tecnologia do país, segundo Huang, que se reuniu com Trump repetidamente nos últimos meses.

A Casa Branca concorda com o CEO, acreditando que é melhor ter a China vinculada a um chip fabricado nos EUA vendido por canais legítimos do que forçá-la ao mercado negro, disse um funcionário do governo. Os chineses têm conseguido subverter os canais existentes para obter chips restritos de qualquer maneira.

Por que Trump está cobrando 15%?

Grandes questões permanecem sobre onde surgiu a ideia da comissão de 15% e o que isso poderia significar para a segurança nacional.

Um funcionário do governo disse que o pagamento permite que a administração mantenha o controle do processo de exportação e gere receita para a Casa Branca no processo.

Ainda assim, não está claro se a penalidade para Nvidia e AMD efetivamente limitará o fluxo dos chips ou eliminará quaisquer possíveis questões de segurança nacional.

“Se existe uma preocupação legítima de segurança nacional sobre a exportação desses chips para a China, então não vejo como os pagamentos ao governo dos EUA resolvem esses riscos. Na verdade, não resolvem de forma alguma”, disse Scott Kennedy, consultor sênior e presidente do conselho em negócios e economia chinesa no CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais).

“E se não houver risco suficiente à segurança nacional ou se eles puderem ser adequadamente mitigados […] então o governo dos EUA deveria simplesmente sair do caminho e não esperar nada em troca.”

O que isso significa para a Nvidia?

A Nvidia lançou o chip H20 no ano passado como uma forma de manter acesso ao mercado chinês — que representou 13% das vendas da empresa em 2024 — diante dos controles de exportação impostos pela administração Biden.

Mas acredita-se que os chips tenham contribuído para o DeepSeek, um modelo avançado de IA chinês que abalou o Vale do Silício após seu lançamento no início deste ano, levantando preocupações de que a China estaria mais à frente em IA do que se pensava anteriormente.

Depois que a administração Trump proibiu as vendas do H20 para a China em abril, a Nvidia disse que teve bilhões de dólares em encargos e perda de receita devido aos controles de exportação no primeiro trimestre e projetou um resultado semelhante no segundo trimestre.

Assim, mesmo que tenha que repassar 15% dessas vendas para a Casa Branca, retomar os envios do H20 para a China poderia significar bilhões de dólares a mais em receita para a Nvidia — que se tornou a primeira empresa de capital aberto a ultrapassar US$ 4 trilhões em valor de mercado no mês passado.

As ações da Nvidia subiram até 0,5% na segunda-feira (11).

Qual a importância desses chips?

Na segunda-feira (11), Trump chamou o chip H20 da Nvidia de “obsoleto”, dizendo que a China “já o possui em uma forma diferente.”

“Esses H20s ainda são estado da arte”, disse Kennedy do CSIS. Embora sejam menos avançados, em alguns aspectos, do que outros chips da Nvidia, “eles também vêm com elementos que os tornam extremamente sofisticados e valiosos”, incluindo suas capacidades de memória.

“Acho que sugestões de que eles são obsoletos subestimam o valor para o usuário”, disse ele.

A Nvidia provavelmente considerou que há demanda chinesa suficiente pelos chips para tornar a comissão de 15% para a Casa Branca uma compensação válida para seus negócios, segundo Kreps.

“Você tem que fazer um cálculo baseado no que foi perdido com os controles de exportação”, disse ela.

Trump aprovará chips mais avançados?

Na segunda, Trump deixou em aberto a possibilidade de a Nvidia exportar seus chips Blackwell de altíssimo desempenho por um preço mais alto.

A administração do republicano havia fechado as portas para a exportação dessa tecnologia para a China — mesmo após reverter o curso sobre o H20.

No entanto, Trump disse que consideraria permitir que a Nvidia vendesse o chip Blackwell.

“O Blackwell é superultraavançado. Eu não faria um acordo com isso, embora seja possível”, disse Trump. “Eu faria um acordo um pouco aprimorado de forma negativa. Blackwell, em outras palavras, tirar 30% a 50% dele, mas esse é o último e o melhor do mundo. Ninguém tem isso. Eles não terão por cinco anos.”

Trump disse que Huang voltará à Casa Branca no futuro para discutir a venda de uma versão “não aprimorada” do Blackwell.

“Acho que ele virá me ver novamente sobre isso, mas será uma versão não aprimorada do grande”, disse Trump. “Sabe, às vezes vendemos aviões de caça para um país e damos a eles 20% menos do que temos.”

O que a China quer?

Questionamentos de Pequim sobre a segurança dos chips de IA americanos também levantam incertezas sobre quão bem-sucedida a política de comissão de Trump poderia ser.

A China pode optar por não comprar os chips H20 da empresa americana Nvidia, disse no domingo (10) a conta de mídia social Yuyuan Tantian, que é afiliada à emissora estatal CCTV.

Ela alegou que os chips poderiam ter “backdoors” que afetam sua função e segurança, seguindo alegações similares anteriores da administração de cibersegurança da China.

A Nvidia tem negado repetidamente que seus produtos possuam backdoors.

No entanto, essa declaração pode ser menos uma indicação de que a China não comprará chips americanos e mais um sinal para as empresas de tecnologia chinesas continuarem inovando em semicondutores, mesmo se os envios dos EUA forem retomados, disse Kennedy.

O que isso significa para um acordo comercial mais amplo?

Para a administração Trump, a análise de custo-benefício indica que isso abre o fluxo de chips de médio porte para a China, ao mesmo tempo em que fornece à administração uma importante moeda de troca nas negociações comerciais em andamento, disse um funcionário dos EUA.

O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, classificou os controles de exportação da Nvidia como uma “moeda de negociação” nas discussões comerciais mais amplas entre EUA e China.

Mas a China está ciente disso, e seu posicionamento sobre supostas preocupações de segurança com o chip H20 neste fim de semana sugere que não será convencida tão facilmente — mesmo que deseje os chips para seu mercado.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Em meio às tarifas dos EUA, Lula conversa por telefone com Xi Jinping sobre ‘defesa do multilateralismo’

O governo informou que os dois países ‘concordaram sobre o papel do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo’. Segundo fontes do governo, a ligação, feita a pedido de Lula, também tratou das relações bilaterais entre os países e a conjuntura geopolítica internacional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o líder chinês Xi Jinping nesta segunda-feira (11) em meio ao tarifaço dos Estados Unidos imposto pelo presidente americano Donald Trump. A realização da ligação foi confirmada pelo Planalto.

De acordo com fontes do governo, a conversa, feita a pedido de Lula, também tratou das relações bilaterais entre os países e a conjuntura geopolítica internacional.

Em nota, o governo informou que a ligação durou cerca de uma hora e que os dois países “concordaram sobre o papel do G20 e do BRICS na defesa do multilateralismo”. Quando o governo americano aumentou tarifas de importação de mercadorias brasileiras para 50%, o Planalto classificou a medida como unilateral.

“Os chefes de Estado também conversaram sobre a parceria estratégica bilateral. Nesse contexto, saudaram os avanços já alcançados no âmbito das sinergias entre os programas nacionais de desenvolvimento dos dois países e comprometeram-se a ampliar o escopo da cooperação para setores como saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites”, afirmou o documento.

Segundo a mídia estatal chinesa, Xi disse a Lula que os dois países poderiam dar um exemplo de “autossuficiência”. Ele também declarou que “todos os países devem se unir e se opor firmemente ao unilateralismo e ao protecionismo”, relatou a Xinhua.

Mais tarde, o presidente brasileiro foi às redes sociais para comentar a ligação.

“Reiterei a importância que a China terá para o sucesso da COP 30 e no combate à mudança do clima. O presidente Xi indicou que a China estará representada em Belém por delegação de alto nível e que vai trabalhar com o Brasil para o êxito da conferência”, diz a postagem.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), entre janeiro e julho deste ano as exportações para a China superaram os US$ 57,6 bilhões — cerca de R$ 313 bilhões. Já as importações somaram US$ 41,7 bilhões — cerca de R$ 227 bilhões.

Também nesta segunda, Lula afirmou que o Brasil precisa manter sua soberania e sonhar grande diante de um cenário internacional cada vez mais hostil. As declarações foram feitas durante a entrega de um prêmio da área de educação, no Palácio do Planalto.

“Este país está precisando de todos nós, porque o mundo está ficando mais perverso. O mundo está ficando mais nervoso, e nós precisamos de um país soberano, democrático, e que o povo brasileiro seja o único dono deste país”, disse Lula.

Medidas de reciprocidade

Assim que lançar o plano de ajuda econômica em resposta ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros, o governo quer iniciar o debate sobre medidas de reciprocidade. A informação foi publicada pela jornalista Ana Flor, da GloboNews.

O tema é considerado polêmico porque empresários brasileiros temem que a aplicação da Lei de Reciprocidade possa encarecer produtos importados dos EUA ou gerar outros impactos negativos na economia. Além disso, integrantes de setores econômicos avaliam que o uso da lei poderia sinalizar uma saída da mesa de negociação para tentar reverter as tarifas impostas nos últimos meses.

Segundo fontes do governo, Lula pediu aos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Fazenda a análise de medidas pontuais de reciprocidade. A orientação, segundo integrantes dessas pastas, não é adotar ações amplas, mas medidas específicas.

Fonte: G1

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Exportação

México fixa preços de exportação para tomates frescos após fim de acordo com EUA

A decisão segue a retirada de Washington em julho de um acordo de 2019 entre os dois países que regulava as exportações mexicanas de tomate para os EUA

O México estabeleceu preços mínimos de exportação para tomates frescos para proteger sua produção doméstica e garantir o abastecimento interno depois que um acordo bilateral com os EUA expirou, disseram os ministérios da Economia e da Agricultura do México em um comunicado conjunto no domingo.

A decisão segue a retirada de Washington em julho de um acordo de 2019 entre os dois países que regulava as exportações mexicanas de tomate para os EUA.

Em 14 de julho, o governo Trump anunciou uma tarifa de cerca de 17% sobre as importações de tomates frescos do México.

Embora as novas regras mexicanas de preços se apliquem exclusivamente às exportações definitivas, elas não restringem os volumes de exportação nem impõem preços máximos. Os preços serão revisados anualmente ou antes, se as condições do mercado exigirem, informaram os ministérios mexicanos.

Os preços mínimos de exportação por quilograma foram fixados em US$1,70 para tomates cereja e grape, US$0,88 para tomates Roma, US$0,95 para tomates redondos e US$1,65 para tomates redondos com talos. Outras variedades, como os tomates coquetel e os tomates da variedade tradicional, também terão um preço mínimo de US$1,70.

De acordo com dados oficiais, o México exportou US$3,3 bilhões em tomates no ano passado.

“Essa ação reforça o compromisso do governo com a competitividade agrícola, o emprego rural digno e a soberania alimentar”, disseram os ministérios.

Os ministérios acrescentaram que as associações mexicanas de produtores de tomate expressaram seu apoio ao acordo, que entrou em vigor imediatamente após sua publicação em 8 de agosto no diário oficial do governo.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA já impacta transporte rodoviário de cargas no Paraná

Segmentos da economia paranaense já estão sofrendo os efeitos das sobretaxas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros desde a última quarta-feira (6), segundo o Setcepar (Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná). Já há suspensão de produção e adoção de férias coletivas em algumas empresas, de acordo com Silvio Kasnodzei, presidente do sindicato.

“Tivemos relatos de embarcadores que anteciparam seus envios para julho, tentando fugir da tarifação”, disse Kasnodzei. O sindicalista explicou que o tarifaço dos EUA afeta vários setores da economia do Paraná, especialmente o agronegócio, a indústria de base e o setor madeireiro, com forte dependência do comércio exterior.

Ainda não foram registrados cancelamentos de contratos, mas já há paralisação de frotas e ociosidade em alguns terminais logísticos. Ainda segundo o dirigente do Setcepar, verifica-se uma reação em cadeia que atinge portos, transportadoras e o próprio planejamento das empresas exportadoras. Há o temor de que o impacto nas exportações possa resultar em um quadro de desemprego em massa.

Mais barreiras
Empresas que exportam a outros países, além dos EUA, relatam preocupação de que outros destinos também venham a impor barreiras ao Brasil, segundo informou o presidente do Setcepar, devido a pressões geopolíticas. Kasnodzei acredita em uma saída pela via da negociação e diz que esse cenário não pode se manter por muito tempo. “Isso seria o caos, não só para o transporte, mas para toda a economia brasileira”, afirmou.

Fonte: Agência Infra

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Comércio Exterior

Tarifaço: duas cidades de SC estão entre as 20 mais atingidas pelas tarifas de Trump

A taxa adicional aplicada pelo presidente dos Estados Unidos de 50% aos produtos brasileiros entrou em vigor na quarta-feira (6) e afetou 906 municípios brasileiros

Jaraguá do Sul e Joinville estão entre as 20 cidades mais atingidas pelas tarifas de Donald Trump. A taxa adicional aplicada pelo presidente dos Estados Unidos de 50% aos produtos brasileiros entrou em vigor na quarta-feira (6) e afetou 906 municípios brasileiros.

As exportações de Santa Catarina de máquinas, equipamentos elétricos e mecânicos desses municípios somam quase R$ 474 milhões em vendas anuais para o mercado americano, agora sujeitas à nova taxação decretada por Trump.

Municípios mais atingidos pelas tarifas de Trump

A medida, decretada pelo presidente Donald Trump, atinge especialmente carne, café, máquinas, pescados e armas, poupando apenas setores como aeronaves, petróleo, celulose e suco de laranja. O levantamento é do Estadão, com base em dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

Sudeste e Sul concentram maior impacto

As regiões Sudeste e Sul, líderes nas exportações para os EUA, concentram grande parte dos municípios afetados. Em São Paulo, Piracicaba, referência em máquinas e peças, lidera a lista.

Matão (SP) é forte em preparações de frutas; Guaxupé e Varginha (MG) exportam café; e cidades gaúchas e catarinenses têm fábricas de armas, equipamentos e materiais elétricos que perderão competitividade.

No Rio Grande do Sul, a sobretaxa afeta também as exportações de carnes e móveis, produtos com alta concorrência no mercado internacional. No Sul, Jaraguá do Sul (SC) e São Leopoldo (RS) se destacam entre os mais impactados.

Norte e Nordeste são mais vulneráveis

Segundo estudo do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste da FGV/IBRE, as regiões Norte e Nordeste tendem a sentir mais os efeitos econômicos e sociais do tarifaço. Isso porque suas exportações têm baixo valor agregado e forte peso no emprego local, como frutas, pescados, calçados e têxteis.

Estados como o Ceará, com forte dependência do mercado americano, estão entre os mais expostos. “As isenções beneficiaram proporcionalmente as regiões mais ricas do País e menos as regiões mais pobres”, afirma o pesquisador Flávio Atalibra Barreto.

Centro-Oeste sofre menos com a medida

O Centro-Oeste é a região menos afetada, por ter sua pauta de exportações centrada em commodities agropecuárias e minerais, com destino prioritário para China e Europa. Mesmo assim, há cidades da região que exportam carne e outros produtos que sofrerão com o aumento tarifário.

Produtos e municípios mais atingidos pelas tarifas de Trump

O levantamento do Estadão mapeou os 30 produtos brasileiros mais exportados para os EUA em 2024. Entre os mais impactados estão:

Piracicaba – SP

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 1.052.717,85

Matão – SP

  • Produtos: preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas
  • Valor em MIL US$ 442.426,12

Guaxupé – MG

  • Produtos: café, chá, mate e especiarias
  • Valor: 410.456,63

Barcarena – PA

  • Produtos: produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos
  • Valor: 344.011,52

Varginha – MG

  • Produtos: café, chá, mate e especiarias
  • Valor: 290.403,23

Jaraguá do Sul – SC

  • Produtos: máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios
  • Valor: 245.120,49

Colina – SP

  • Produtos: preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas
  • Valor: 244.896,53

Pederneiras – SP

  • Produtos: veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios
  • Valor: 236.728,72

Joinville – SC

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 228.366,36

Serra – ES

  • Produtos: obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes
  • Valor: 215.801,36

Araraquara – SP

  • Produtos: preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras partes de plantas
  • Valor: 206.007,26

Petrópolis – RJ

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 194.894,86

Campo Largo – PR

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 181.515,87

Lins – SP

  • Produtos: preparações de carne, de peixes ou de crustáceos, de moluscos ou de outros invertebrados aquáticos
  • Valor: 179.662,9

Cachoeiro de Itapemirim – ES

  • Produtos: obras de pedra, gesso, cimento, amianto, mica ou de matérias semelhantes
  • Valor: 178.644,73

São Luís – MA

  • Produtos: produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos
  • Valor: 155.593,59

Contagem – MG

  • Produtos: máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios
  • Valor: 153.740,23

Ribeirão Pires – SP

  • Produtos: armas e munições; suas partes e acessórios
  • Valor: 153.369,0

Suzano – SP

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 131.941,46

Campo Limpo Paulista – SP

  • Produtos: caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes
  • Valor: 131.066,0

Apesar de algumas exceções, como aviões da Embraer e petróleo, a nova 2tarifa deve pressionar setores estratégicos, provocar perda de competitividade e abrir espaço para concorrentes internacionais.

Fonte: ND+

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Comércio Exterior

Plano de contingência contra tarifaço deve ser anunciado até terça (12)

Alckmin teria agenda nesta segunda em São Paulo, mas cancelou para reunião com Lula em Brasília em que deve tratar de últimos detalhes das medidas

Concentrado nos esforços para tirar do papel o pacote de medidas de socorro para mitigar os efeitos do tarifaço dos Estados Unidos, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, cancelou agendas que teria em São Paulo nesta segunda-feira (11) para um “compromisso inadiável” em Brasília.

Alckmin terá uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro está marcado às 17h. Mas, os ministros terão uma prévia com a Casa Civil. Têm participado dos encontros: Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União).

A expectativa é que o plano de contingência seja anunciado até terça-feira (12), seis dias após as tarifas impostas aos produtos brasileiros terem entrado em vigor.

Na capital paulista, Alckmin participaria de um congresso do agronegócio pela manhã e do lançamento de um programa de qualificação para exportações à tarde. Ele já estava em São Paulo.

De acordo com membros da equipe econômica do governo, o plano a ser apresentado foi construído “sob medida”, com diferentes ações para múltiplos setores e perfis de empresas. O pacote contará com medidas de mitigação de “curto, médio e longo prazo”, de acordo com estes governistas.

Devem fazer parte do plano linhas de crédito para setores impactados e a expansão de compras governamentais, permitindo que órgãos públicos absorvam mercadoria que deixará de ser exportada. Segundo cálculos do governo, as tarifas de 50% afetarão cerca de um terço das empresas que vendem aos EUA.

Entre as 694 isenções da tarifa, estão alguns dos itens mais importantes da pauta de exportações brasileira para os Estados Unidos, como o suco de laranja, celulose e os aviões da Embraer. Mas outros produtos importantes, como café e carne, seguem tarifados.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Com tarifaço, concorrência no mercado de frutas vai disparar

Especialistas projetam redução de preços ao consumidor e diminuição de margem aos produtores

A entrada em vigor das tarifas de 50% dos Estados Unidos para diversos produtos do Brasil, incluindo do agronegócio, gera preocupação para o iminente aumento de concorrência no mercado interno de frutas, verduras e legumes. Esse movimento pode provocar redução de preços ao consumidor e diminuição de margem para os produtores, avaliam especialistas.

Segundo Valeska Ciré, representante da IFPA (International Fresh Produce Association) no Brasil, o setor está “observando, com a expectativa de diálogo”. Mesmo que haja buscas por novos mercados, é complexo alocar contêineres que seriam destinados aos Estados Unidos, e a preocupação é com a redução instantânea de margem dos produtores.

“O aumento da oferta pode levar a mais concorrência e queda de preços, e vai penalizar os produtores”, disse a líder, durante o evento The Brazil Conference & Expo, realizado nesta quarta (6/8) e quinta-feira (7/8), em São Paulo. A IFPA tem 3 mil associados no mundo e 160 empresas no Brasil, que variam de pequeno a grande porte, incluindo produtores de manga, uva, melão, morango e maçã. Todas serão impactadas, segundo Valeska.

De US$ 1,3 bilhão que a Agrícola Famosa exportou em 2024, os Estados Unidos representaram 12%, ou cerca de US$ 140 milhões. A companhia tem a Europa como principal destino, responsável por 70% da absorção de sua produção. Ainda assim, os impactos do tarifaço são “muito preocupantes”, avalia Luiz Roberto Barcelos, sócio-fundador da empresa. “É um volume significativo, fatalmente o preço vai sofrer uma queda”.

Na avaliação do executivo, o importador norte-americano está abrindo mão de parte da sua margem e repassando outra parte ao consumidor, assim como alguns exportadores brasileiros também estão dispostos a perder alguma margem.

O lucro menor e o aumento de preços nos Estados Unidos devem reduzir o consumo, além da provável importação de frutas de outros países como Equador e Peru, analisou o empresário. Se as taxas forem mantidas, a produção nacional vai ser reduzida, constatou Barcelos. “Quem vai pagar o pato é o produtor brasileiro, o importador e o consumidor norte-americano”.

Novos mercados

Para ele, a abertura de novos mercados é um caminho de longo prazo. “Para mandar melão para a China demoramos sete anos, a uva demorou quatro anos. Até dá para abrir mercados novos, mas qualquer um deles não vai demorar menos do que dois anos. Essa solução terá zero efeito sobre a manga que está lá no pé para ser colhida hoje”.

Valeska Ciré, da IFPA, defende campanhas de aumento do consumo de frutas e vegetais, já que o Brasil consome apenas um terço do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Uma maior demanda interna criaria um grande mercado doméstico, absorvendo o aumento da oferta”.

O Grupo Doce Mel, produtor e distribuidor de frutas, legumes e verduras (FLV), vê um impacto indireto em seus negócios. Apesar de não exportar diretamente aos Estados Unidos, diversos fornecedores da companhia vendem para lá. O sócio-diretor Roberto Junior calcula que boa parte do que deveria sair do país, ficará aqui.

“É necessário trabalhar melhor o mercado interno para aumentar o consumo de forma imediata com promoção de frutas, por exemplo”, considerou.

Até empresas que não trabalham diretamente com produção de frutas já medem os impactos da taxação norte-americana. A Paripassu, companhia de inspeção e certificação de produtos da cadeia FLV, teme os desdobramentos do tarifaço aos seus clientes. Dos seus 5,5 mil clientes, cerca de 2 mil são produtores de frutas, legumes, verduras e vegetais frescos.

Ainda que boa parte deles não exportem aos Estados Unidos, muitos produtos serão colocados no mercado nacional.

“Isso vai mexer com a demanda e gerar uma necessidade de reorganização do mercado”, pontuou Heidy Milan, coordenadora de Qualidade e Certificações da Paripassu.

Para ela, muitos clientes não terão fluxo de caixa para lidar com essa mudança de mercado. “Alguns podem não sobreviver, e isso gera impacto no nosso negócio, com possíveis cancelamentos de contratos”.

Decisão dissonante

A CEO global da IFPA national Fresh Produce Association), Cathy Burns, afirmou que defende a isenção de frutas, flores, legumes e verduras da tarifa de 50%. Para ela, as taxas são dissonantes do plano do governo norte-americano de ‘Tornar a América Saudável Novamente’ (Make America Healthy Again), uma iniciativa que pretende combater a crise de doenças crônicas no país.

“Não dá para ser saudável sem comer frutas e vegetais”, afirmou a líder global durante a Brazil Conference & Expo 2025, feira que reúne entre hoje e amanhã o setor de FFLV em São Paulo.

Burns cita o diálogo entre os países como a melhor saída neste momento, porque existem muitos produtos importantes para os americanos que saem do Brasil, mas ressalta que o país deve voltar seus esforços também para outros destinos.

“O Brasil exporta para outros países além dos EUA. Acho que 56% das frutas brasileiras vão para a Europa, então esse é um mercado muito importante também”.

Fonte: Globo Rural


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Comércio Exterior

Análise: Demora do governo acirra tensão do tarifaço

Analista de Política Clarissa Oliveira avaliou no Live CNN que a ausência de medidas de contingência para enfrentar a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros gera insegurança no empresariado e críticas ao governo federal

A ausência de um plano de contingência do governo para enfrentar a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais tem gerado apreensão no setor produtivo. Em vigor deste a última quarta-feira (6), a taxa afeta diversos segmentos da economia, criando um cenário de incertezas para empresários e produtores. A análise é de Clarissa Oliveira no Live CNN.

Havia expectativas de que o governo apresentasse medidas na última semana. Entretanto, a falta de ações tem intensificado as tensões tanto no setor produtivo quanto no meio político, gerando críticas sobre a capacidade de resposta do governo diante de adversidades econômicas.

Impactos e possíveis medidas

As empresas afetadas pelo tarifaço do presidente Donald Trump aguardam definições sobre possíveis linhas de crédito e outras formas de auxílio. Entre as medidas em discussão, cogita-se o aproveitamento de parte da produção excedente para programas governamentais, como o reforço de merendas escolares e parcerias com prefeituras.

Porém, o governo justifica que há cautela na elaboração do plano de contingência, citando a necessidade de não superdimensionar a ajuda e garantir mecanismos eficientes de controle. A preocupação com o impacto fiscal das medidas também é um fator relevante, considerando experiências anteriores com programas de auxílio que se expandiram além do planejado.

Perspectivas de negociação entre Brasil e EUA

Há expectativa em relação a uma reunião programada para a próxima semana entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.

No entanto, as empresas têm um limite de tempo para aguardar definições antes de precisarem tomar medidas para conter prejuízos, o que pode impactar empregos e gerar insegurança no mercado brasileiro.

Fonte: CNN Brasil

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