Internacional

O que os empresários americanos realmente pensam sobre Trump

Em público, poucos empresários e executivos americanos criticam Donald Trump.

Mas nos bastidores, a história é outra.

Durante um encontro a portas fechadas na Yale School of Management, ocorrido em Washington na quarta-feira, dezenas de líderes empresariais manifestaram suas preocupações com relação a temas como tarifas, imigração e um ambiente de negócios cada dia mais caótico e difícil de navegar.

O relato é de uma reportagem do Wall Street Journal.

“Eles estão sendo extorquidos e intimidados. Nas conversas reservadas, eles demonstram que estão realmente chateados,” disse ao Journal o professor Jeffrey Sonnenfeld, organizador do evento.

A “extorsão” refere-se a acordos como o que obriga a Nvidia a repassar para o Governo dos EUA uma parcela de suas vendas na China ou a golden share na US Steel.

Sondagens realizadas com os participantes dão uma mostra do mal-estar.

Com relação ao tarifaço, 71% das pessoas ouvidas disseram que é uma política prejudicial para suas empresas. 75% disseram que a Justiça deveria decidir como ilegal a imposição das tarifas decidida por Trump.

Quando questionados se planejavam investir mais na expansão da capacidade produtiva nos EUA, 62% dos entrevistados disseram que não.

Os motivos citados para o desalento, de acordo com Sonnenfeld, são as incertezas e os custos causados pelas tarifas e a política de imigração, entre outros fatores. Há críticas também à interferência no Federal Reserve e ao ‘capitalismo de estado’ praticado por Trump.

“O governo não deve escolher vencedores ou perdedores em determinados setores,” disse Nick Pinchuk, o CEO da Snap-on Tools.

Os executivos foram quase unânimes em expressar desacordo com as pressões de Trump sobre o presidente do Fed, Jerome Powell, para reduzir as taxas de juros: 80% dos entrevistados disseram que o Presidente não está agindo pelos interesses de longo prazo dos EUA.

Para 71% das pessoas ouvidas, a independência do Fed saiu enfraquecida.

Fonte: Marca Legal

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Exportação

Exportações de alimentos caem em agosto por causa de tarifaço dos EUA

Açúcares, proteínas e preparações alimentícias foram os mais afetados

Balanço da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) registrou queda de US$ 300 milhões na exportação de alimentos industrializados em agosto, equivalente a redução de 4,8% em com comparação a julho.

Segundo o levantamento, as exportações somaram US$ 5,9 bilhões em agosto. Deste volume, US$ 332,7 milhões para os Estados Unidos, o que representa uma queda de 27,7% em relação a julho e de 19,9% na comparação com agosto de 2024.

O resultado reflete o aumento das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, além da antecipação dos embarques em julho antes da entrada em vigor da taxação.

Em julho, os EUA haviam importado US$ 460,1 milhões em alimentos industrializados do Brasil.

Os produtos mais afetados para os EUA foram açúcares (recuo de 69,5% em agosto na comparação com julho), proteínas animais (- 45,8%) e preparações alimentícias (- 37,5%)

O desempenho das exportações nos dois últimos meses evidencia uma inflexão clara: o crescimento expressivo de julho foi seguido por ajuste em agosto, sobretudo nos EUA, impactados pela nova tarifa, enquanto a China reforçou seu papel como mercado âncora”, analisa João Dornellas, presidente executivo da ABIA, em nota. Para o representante, a queda observada em agosto mostra que o país precisa diversificar seus parceiros comerciais e aumentar sua capacidade de negociação.

A queda para o mercado norte-americano coincidiu com um aumento substancial das vendas para o México, que comprou um total de US$ 221,15 milhões (3,8% do total), principalmente de proteínas animais. 

“O avanço do México, que coincide com a retração das vendas aos Estados Unidos, indica um possível redirecionamento de fluxos e a abertura de novas rotas comerciais, movimento que ainda requer monitoramento para identificar se terá caráter estrutural ou apenas conjuntural”, explica a nota da associação.

No total, os mexicanos compraram 43% a mais de produtores brasileiros em agosto, sendo o mercado que mais aumentou a participação no período. 

perspectiva é que o impacto mais expressivo seja sentido no acumulado do ano. Segundo a ABIA, a estimativa é de que as vendas de alimentos atingidos pelo tarifaço para o mercado norte-americano acumulem, entre agosto e dezembro, queda de 80%, com perda acumulada de US$ 1,351 bilhão. 

China

A China, maior comprador de alimentos industrializados, adquiriu US$ 1,32 bilhão em produtos, alta de 10,9% em relação a julho e de 51%, em relação a agosto de 2024.  A fatia chinesa representa 22,4% do total exportado em agosto deste ano.

O mercado externo representa 28% do faturamento do setor.

Já os países da Liga Árabe reduziram em 5,2% as compras em agosto em relação a julho, que somaram US$ 838,4 milhões. A União Europeia importou US$ 657 milhões em alimentos, redução de 14,8% sobre julho e de 24,6% quando comparado com agosto de 2024.   

De janeiro a julho de 2025, as exportações gerais totalizaram US$ 36,44 bilhões, representando uma queda de 0,3% no mesmo período de 2024, em razão da diminuição de produção do açúcar na entressafra. 

Suco de laranja

Setor que não foi taxado, a indústria de suco de laranja teve crescimento de 6,8% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, e queda de 11% frente a julho, em razão da antecipação de embarques.

Empregos no setor 

A indústria de alimentos registrou, em julho, 2,114 milhões de postos de trabalho formais e diretos. No comparativo interanual, foram criados, de julho de 2024 a julho de 2025, 67,1 mil novas vagas, o que representou um crescimento de 3,3%.

Neste ano, foram 39,7 mil empregos diretos novos e outros 159 mil postos abertos na cadeia produtiva, em setores como agricultura, pecuária, embalagens, máquinas e equipamentos.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

A maior diferença de taxas em relação aos EUA aumenta a atratividade do real brasileiro

O dólar perdeu 14,2% em relação à moeda brasileira até agora neste ano.

A já significativa diferença de taxas de juros entre o Brasil e os Estados Unidos se ampliou ainda mais na quarta-feira (17), quando a taxa Selic, referência do Brasil, foi mantida em 15%, enquanto o Federal Reserve dos EUA cortou sua taxa-alvo em 25 pontos-base. A medida aumentou a atratividade do real para estratégias de carry trade baseadas em diferenças no custo de capital — operações que tiveram desempenho forte ao longo do ano.

Com um cenário global favorável e o dólar enfraquecendo mundialmente, os investidores veem espaço para nova valorização da moeda brasileira. Ainda assim, há uma ressalva: a cotação do dólar já caiu 14,2% no mercado local.

O arbitragem de carry trade envolve tomar empréstimos em um país com juros baixos e investir onde as taxas são mais altas, lucrando com a diferença. A ampla diferença entre as taxas brasileiras e americanas tem sido citada por gestores de ativos e bancos nacionais e internacionais como motivo para esperar que o real supere outras moedas de mercados emergentes, apesar das preocupações com a instabilidade política, que pode aumentar a volatilidade.

“A verdade é que o cenário externo é muito favorável, com o dólar perdendo terreno globalmente. Quando o ambiente global é favorável, o mercado tolera mais risco doméstico”, disse Gustavo Vieira, economista e sócio da Opportunity Total. “Nesse cenário, o diferencial de taxas de juros pesa mais do que qualquer outra narrativa.”

O Sr. Vieira espera que o ambiente externo continue positivo para os mercados emergentes no curto prazo. “Este ciclo de cortes de juros do Fed está ocorrendo em um período em que as chances de uma recessão nos EUA são baixas. De modo geral, este é um bom ambiente para ativos de risco”, observou. Se a perspectiva global permanecer de enfraquecimento do dólar e o Brasil mantiver taxas elevadas, é provável que o real supere seus pares.

“As taxas de juros reais no Brasil não são apenas altas em comparação com os EUA, mas também em relação a outros países da América Latina que competem por fluxos globais de portfólio, especialmente México e Colômbia”, afirmou.

Riscos potenciais

Alguns investidores, no entanto, questionam se os participantes do mercado subestimaram os riscos e se o real deveria ter se valorizado ainda mais neste ano, dado o cenário global favorável e as taxas domésticas elevadas.

Comparando o desempenho do real com outras moedas, Eduardo Jarra, economista-chefe e estrategista do Santander Asset Management, disse que a moeda brasileira começou o ano com desconto devido à forte depreciação no final de 2024. “O real ‘se movimentou’ e se destaca entre as moedas este ano, ajudado pelo diferencial de taxas. Mas em 2025, começamos de uma base mais fraca, o que contribuiu para essa valorização”, afirmou. “O nível atual do real parece consistente com os fundamentos até agora.”

O Santander Asset Management espera que o Brasil comece a cortar as taxas de juros apenas no primeiro trimestre do ano que vem, enquanto projeta-se que o Fed continue reduzindo suas taxas, podendo chegar a 3,5% até 2026.

“O diferencial de juros vai se ampliar ainda mais a favor do Brasil, e ainda vejo isso como um ambiente favorável do ponto de vista fundamental. Se o dólar estiver se desvalorizando e o carry continuar favorável, a perspectiva deve permanecer construtiva”, disse Eduardo Jarra.

Drausio Giacomelli, estrategista-chefe de mercados emergentes do Deutsche Bank, também vê a moeda brasileira bem ancorada, dado os ciclos monetários contrastantes entre o Brasil e seus pares. “O diferencial de taxas é uma das melhores coisas que o real tem a seu favor neste momento. Enquanto bancos centrais em outros lugares começaram a cortar ou retomarão em breve, o Banco Central do Brasil está dizendo: ‘não até o próximo ano’”, afirmou.

Giacomelli espera que a divergência continue por algum tempo. “Daqui a seis meses, a taxa de juros do Brasil ainda pode estar cerca de 6 pontos percentuais acima da Colômbia, 10 pontos acima do Chile, 7,5 pontos acima do México e quase 11 pontos acima das taxas dos EUA. Isso é significativo.”

Mas os spreads de juros não são os únicos fatores que apoiam uma possível nova valorização do real. A menor volatilidade cambial e a participação limitada de investidores estrangeiros no mercado de renda fixa brasileiro também favorecem a moeda, disse Gustavo Vieira, da Opportunity.

“A menor volatilidade do câmbio no Brasil sugere que o risco percebido é menor, tornando o diferencial de taxas ajustado pela volatilidade ainda mais atraente”, afirmou. “Além disso, quando o Brasil tinha spreads de juros com os EUA como estamos vendo agora, o investimento estrangeiro em renda fixa geralmente era maior do que é hoje. Portanto, ainda há espaço para entradas de capital, especialmente porque o Brasil não possui mais classificação de grau de investimento.”

O principal risco para uma valorização adicional do real, na visão de Vieira, seria uma deterioração do cenário externo, como uma forte desaceleração da atividade econômica nos EUA aumentando as chances de recessão, ou um aumento inesperado da inflação que obrigue o Fed a retomar os aumentos de juros.

Jarra, do Santander Asset, também apontou uma possível correção de mercado. “Há espaço para nova valorização”, disse ele. “Mas devemos lembrar que o real já se valorizou consideravelmente este ano, o que deixa o mercado exposto a possíveis retrações técnicas.”

Fonte: Valor International


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Comércio Exterior

Carne bovina do Brasil conta com outros mercados enquanto vendas aos EUA caem

Brasil vendeu 2,89 milhões de toneladas de carne bovina para cerca de 150 países

A indústria de carne bovina do Brasil, maior exportador global, está expandindo exportações para diversos mercados e conta com a abertura de novos enquanto as vendas para os Estados Unidos deverão ter nova queda em setembro devido ao tarifaço, afirmou o presidente da associação Abiec, nesta quarta-feira (17).

Roberto Perosa destacou que o Brasil tem capacidade de realocar embarques que antes iriam para os EUA, e reafirmou que o país deverá crescer 12% em volumes totais exportados em 2025 em relação ao ano passado, podendo avançar em 14% numa expectativa mais otimista.

Para os EUA, tradicionalmente o segundo maior mercado para a carne brasileira após a China, os embarques em setembro terão nova queda, para 7 mil toneladas, versus 9 mil em agosto e aproximadamente 30 mil mensais antes do tarifaço, disse Perosa.

“A despeito das tarifas e das questões geopolíticas, o brasileiro, principalmente o setor da pecuária, tem muita capacidade de articulação e realocação dos seus produtos”, afirmou Perosa durante o Fórum Pecuária Brasil, promovido pela consultoria Datagro.

No ano passado, o Brasil vendeu 2,89 milhões de toneladas de carne bovina para cerca de 150 países, totalizando US$12,9 bilhões. Em receita, a Abiec prevê que as exportações brasileiras do produto cresçam até 16% em 2025.

Além de contar com firme demanda global pela carne bovina, Perosa destacou ainda que o Brasil é competitivo e consegue manter parte dos embarques aos EUA, apesar das tarifas impostas por Donald Trump. “A perda do nosso segundo maior mercado faz diferença. Mas pasmem, mesmo com a tarifa de 76,4% (dos EUA à carne bovina), ainda existe exportação para os EUA por conta da competitividade que nós conquistamos”, acrescentou.

A jornalistas, ele explicou que existem empresas brasileiras com contratos vigentes que continuam exportando aos EUA, embora em menores volumes. Esses embarques são diversos, incluindo cortes de maior valor agregado, mas também há alguns relacionados a compromissos com o governo dos EUA.

“Existem empresas brasileiras que têm contrato em vigência com o governo dos Estados Unidos para fornecimento de carne para o governo americano, por exemplo, para as prisões… milhares e milhares de dólares, e este contrato não pode ser rompido…”, disse ele, sem mencionar os nomes das companhias.

Ele também comentou sobre um forte aumento de exportações do Brasil para o México –mercado aberto ao final de 2023 e que passou a ser o segundo destino dos embarques brasileiros em agosto–, o que levantou questões se estaria havendo uma triangulação para embarcar carne brasileira aos EUA.

“Está aumentando, mas não significa necessariamente que a carne vai para os EUA…”, afirmou, ponderando que em carne bovina o México tem mais acordos comerciais do que o próprio Brasil.

“Isso faz com que ele (México) possa comprar a carne brasileira, usar no seu consumo interno, e exportar para todo mundo, não exclusivamente para os EUA. Então acho que não há estratégia de triangulação… claro que uma pessoa ou outra pode eventualmente fazer, mas não é o grosso da exportação…”

Para Perosa, no setor de bovinos, as exportações do México para os EUA estão concentradas em bois vivos.

Novos mercados

Perosa disse em sua apresentação que o segmento tem a expectativa de abertura de novos mercados para seguir crescendo.

“Faltam ainda atender três mercados estratégicos, no início do ano faltavam quatro. O Vietnã foi aberto recentemente, e novas habilitações estão a caminho.”

O presidente da Abiec disse que o Brasil ainda trabalha para abrir o Japão, Turquia e Coreia do Sul, “que são mercados altamente rentáveis”.

“Acho que estamos muito próximos da questão do Japão… foi sendo criado um contexto para abertura do Japão e estamos caminhando para isso”, ressaltou ele, dizendo que espera que isso aconteça ainda este ano.

Conforme antecipou a Reuters, inicialmente estão sendo negociadas vendas para o Japão a partir dos Estados do Sul.

Sobre a Turquia, ele disse que há questões técnicas que precisam ser resolvidas, como uma testagem individual de animais exigida pelos turcos, que seria inviável. “Mas o Brasil quer muito entrar e estamos vendo como fazemos para entrar nesse mercado.”

Com relação à Coreia do Sul, Perosa afirmou que “falta um empurrão diplomático do governo brasileiro” para um andamento mais célere do processo.

Ele ressaltou ainda, que com as novas empresas habilitadas a exportar para a Indonésia, já está havendo um grande fluxo comercial de miúdos para aquele país.

Fonte: Diário do Comércio

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA completa 40 dias com prejuízo a 9,7 mil produtos

Produtos como cafés especiais e calçados registram queda significativa nas exportações aos EUA

O pior momento na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos completa 40 dias com 9,7 mil produtos prejudicados pelo tarifaço. O número consta em lista divulgada na última sexta-feira (12) pelo governo federal, de acordo com o sistema da Nomenclatura Comum do Mercosul, com os itens que foram atingidos pela sobretaxa de 50% imposta por Donald Trump.

A primeira de duas partes do documento reúne 9.075 códigos que serão automaticamente considerados na apuração do faturamento com exportações aos EUA, enquanto a segunda expõe 702 códigos que ainda dependem de autodeclaração das empresas, comprovando que as exportações foram realmente prejudicadas.

A lista tem como objetivo definir quais são os segmentos que possuem direito às linhas de crédito diferenciadas por meio do Plano Brasil Soberano, anunciado ainda no mês passado e voltado para socorrer os setores afetados.

O financiamento conta com recursos do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ao todo, são R$ 40 bilhões previstos para a ajuda emergencial, com a estimativa de serem utilizados já a partir da segunda quinzena de setembro.

A marca dos 40 dias também chega em meio a temores de novas sanções econômicas em resposta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão. A ação contra o Brasil, diferentemente do que ocorreu com outros países, é política. Isso já foi admitido, inclusive, por autoridades americanas.

O Conselho Federal de Economia (Cofecon) publicou uma nota em que classifica como “descabidas e inaceitáveis” as ações dos Estados Unidos contra o Brasil, tanto a nível político quanto comercial. A autarquia que representa os economistas brasileiros avalia que há “claríssimas intenções” de ingerência política nos assuntos domésticos do país por parte do presidente norte-americano, Donald Trump.

“A soberania brasileira, no entanto, é algo inegociável, assim como a independência e a autonomia dos Poderes, a liberdade de expressão e de cátedra”, escreveu a entidade, que completou: “O Conselho Federal de Economia (Cofecon), entidade máxima de representação dos economistas brasileiros, vem se manifestar em prol da nação, e se solidarizar e apoiar todas as ações e medidas condizentes com os princípios e valores mencionados”. 

A entidade destaca, ainda, que a balança comercial entre os dois países vem registrando seguidos déficits para o Brasil. “Portanto, as alegadas ‘distorções de comércio’ não se aplicam ao Brasil, que, além do mencionado déficit comercial com os EUA, também apresenta balança de serviços (marcas, patentes, royalties etc.) francamente favorável aos norte-americanos”, acrescentou. 

Impacto

Apesar de o embate diplomático entre os dois países ter se mantido nesses 40 dias, a nova alíquota não viu muitas novidades em seu desenho desde 6 de agosto. Mesmo assim, teve impactos perceptíveis na economia.

Dias antes de ser implementada, uma série de produtos estratégicos, como aeronaves e suas peças, combustíveis e celulose ficaram de fora da tarifação após decisão da Representação Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês).

Porém, outros itens importantes, como carnes, cafés e pescados permaneceram sobretaxados e ainda vivem incertezas em relação às exportações para o parceiro comercial de longa data.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e da Amcham Brasil mostram que as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 26,6 bilhões entre janeiro e agosto deste ano, um crescimento de 1,6% em relação ao mesmo período de 2024 e novo recorde para o período.

Por outro lado, as vendas em agosto caíram 18,5%. Isolados, os itens sujeitos à tarifa de 50% registraram queda de 22,4% no mês, puxando a queda geral nas exportações.

Vale destacar que alguns produtos mantiveram o desempenho positivo no ano, principalmente devido à antecipação de embarques. Itens não impactados pela taxa tiveram queda mais moderada, de 7,1% no mês e 10,3%, no acumulado do ano.

A tese que afirma que o Brasil seria considerado um “péssimo parceiro comercial”, como escreveu o próprio Donald Trump em carta enviada ao governo brasileiro para anunciar a tarifa, foi novamente desmentida com os resultados do último mês.

Enquanto o déficit comercial norte-americano com o mundo aumentou 22,4% no acumulado do ano, alcançando US$ 809,3 bilhões, o superavit dos EUA com o Brasil no período registrou alta de 355% e atingiu valor de US$ 3,4 bilhões.

Enquanto o socorro do governo federal não vem e as negociações com os norte-americanos não avançam, os setores correm atrás do prejuízo. As exportações de calçados brasileiros para os EUA registraram queda de 17,6% em agosto, comparado ao mesmo mês do ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Um levantamento feito pela mesma entidade mostra ainda que 73% das empresas do setor tiveram perda de faturamento por conta do tarifaço, e que 60% delas já sofreram com cancelamentos de pedidos.

No setor de cafés especiais – colhidos manualmente e que possuem uma qualidade maior do que os tradicionais – as exportações simplesmente despencaram 79,5% no mês passado, na comparação anual, e 69,6% ante julho deste ano, com a venda de apenas 21,7 mil sacas.

Os dados foram divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), que destaca, ainda, que os EUA lideravam as vendas para o exterior até agosto deste ano, quando foi ultrapassado por seis países: Holanda (62 mil sacas); Alemanha (50,4 mil); Bélgica (46 mil); Itália (39,9 mil) e Suécia (29,3 mil).

Fonte: Modais em Foco

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Industria

Indústria catarinense demite quase 400 trabalhadores e culpa tarifaço dos EUA

De acordo com relatos, muitos dos colaboradores não tinham qualquer indicação prévia de que seriam demitidos.

A cidade de São Bento do Sul (SC) foi surpreendida nesta quarta-feira (17) por uma onda de demissões em massa na indústria moveleira Artefama, uma das mais tradicionais do município. Segundo informações de sindicatos e ex-funcionários, cerca de 350 trabalhadores foram desligados em um único dia, em uma medida classificada como “dolorosa, porém necessária” pela própria empresa.

De acordo com relatos, muitos dos colaboradores não tinham qualquer indicação prévia de que seriam demitidos. Vídeos e áudios circulam nas redes sociais e em grupos de WhatsApp com imagens de funcionários se despedindo na porta da empresa e comentando a surpresa com a decisão. “Confirmamos que alguns desligamentos ocorreram hoje”, disse a empresa em nota oficial. “Pedimos, porém, muito respeito neste momento. Estamos falando de histórias, famílias e vidas”.

A empresa ressaltou que continua comprometida com a cidade e que aposta em um “novo ciclo de crescimento”, mesmo diante do cenário adverso no mercado internacional.

Motivo: tarifaço dos EUA

O presidente do Sindusmobil (Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário), Luiz Carlos Pimentel, afirmou que a medida é reflexo direto das novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos contra móveis brasileiros. O chamado “tarifaço” foi instituído pelo governo de Donald Trump (Republicanos), que retomou medidas protecionistas para produtos considerados concorrência desleal ao setor moveleiro norte-americano.

A Artefama, que tem os EUA como principal mercado de exportação, afirmou em comunicado: “As mudanças recentes no mercado internacional reduziram de forma significativa nossas vendas”. Ainda segundo a empresa, foi necessário “reduzir grande parte de nossa equipe para manter a operação viável e preparar a empresa para um novo ciclo de crescimento”.

Impacto para São Bento do Sul

A cidade é um dos principais polos moveleiros de Santa Catarina e teve destaque nas exportações em 2024, com mais de US$ 84 milhões em vendas internacionais de móveis. A expectativa de retomada esbarra na instabilidade causada pelas tarifas e na dificuldade de abertura de novos mercados em tempo hábil.

O sindicato dos trabalhadores (Siticom) afirma que ainda não recebeu a lista completa dos demitidos e aguarda o prazo legal de até 10 dias para homologações. A situação mobilizou entidades empresariais, órgãos públicos e a comunidade local.

Governo tenta conter crise

O governo federal, por meio do pacote “Brasil Soberano”, anunciou medidas emergenciais para conter os impactos do tarifaço, incluindo:

  • Linha de crédito de R$ 30 bilhões para empresas exportadoras afetadas
  • Apoio à adaptação de processos e inovação tecnológica
  • Abertura de compras governamentais para absorver parte da produção prejudicada

Já o governo de Santa Catarina liberou:

  • Crédito acumulado de ICMS de exportação
  • Postergação do ICMS por três meses
  • Linhas de crédito em reais e dólares com juros subsidiados pelo Estado
  • Cobertura de custos fixos para empresas com faturamento de até R$ 300 milhões e impacto direto nas exportações

Segundo Pimentel, embora os incentivos sejam bem-vindos, “não resolvem o problema na raiz”. Ele alertou que, para muitas empresas, a única saída no curto prazo é a redução de custos operacionais — o que inclui demissões.

Fonte: Jornal Razão

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Exportação

Exportação de carne de Mato Grosso tem leve alta; Russia compra mais que EUA

As exportações de carne bovina mato-grossenses, mês passado, se mantiveram próximas em relação a julho, sendo enviadas 89,68 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC) segundo a Secex (secretaria de Comércio Exterior), alta de 0,22% no comparativo mensal, representando o maior volume já enviado pelo Estado.

O preço médio por carne exportada, que foi de US$ 4.368/tonelada, resultou no faturamento de US$ 391,80 milhões em agosto. Cabe ressaltar que a demanda chinesa ainda se mantém aquecida, com aumento de 1,71% em relação a julho, mas um ponto de destaque foi a Rússia, que ultrapassou os Estados Unidos nas exportações totais, sendo responsável por 6,47% de toda exportação de carne bovina de Mato Grosso, em 2025. Por fim, o aumento na demanda externa no segundo semestre tende a aumentar a intensidade da alta nos preços do boi gordo, dado que a demanda interna também é maior neste período.

Fonte: Só Notícias

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Comércio Exterior

Decisões de juros no Brasil e nos EUA são destaque desta Super Quarta

Confira as principais notícias que devem mexer com os mercados nesta quarta-feira (17)

O mercado financeiro está atento à Super Quarta, marcada pelas decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, com foco especial no Federal Reserve (Fed), que deve realizar o primeiro corte de juros deste ano nesta quarta-feira (17).

Analistas projetam uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa dos Fed Funds, passando de 4,25%-4,50% para 4%-4,25%, o que representaria a primeira queda após seis encontros consecutivos de manutenção e poderia abrir espaço para novas reduções ao longo do ano.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) também se reúne para definir a Taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, com a expectativa majoritária de manutenção, diante da necessidade de conter a inflação e preservar a credibilidade da política monetária.

Por aqui também serão divulgados o IGP-10 de setembro e o fluxo cambial semanal, enquanto nos Estados Unidos os investidores acompanham os números de início de construções residenciais em agosto.

Agenda

A agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desta quarta-feira prevê uma série de compromissos em Brasília. Pela manhã, no Palácio da Alvorada, ele se reúne com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e o secretário de Imprensa, Laércio Portela. Em seguida, às 10h30, recebe o chefe do Gabinete Pessoal, Marco Aurélio Marcola, e o chefe adjunto de Agenda, Oswaldo Malatesta.

À tarde, já no Palácio do Planalto, Lula recebe às 14h40 o secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Marcelo Weick, e às 15h30, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias. A agenda encerra às 17h, com a sanção do Projeto de Lei nº 2628/2022, que cria o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, voltado à proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais.

A agenda do ministro Fernando Haddad não foi divulgada e os integrantes do Banco Central seguem em reunião do Comitê de Política Monetária.

Brasil

  • 8h – IGP-10 (setembro)
  • 14h30 – Fluxo cambial (semanal)                  –
  • 18h30 –  Selic (setembro)
    EUA
  • 9h30 – Início de construções (agosto)
  • 15h – Taxa de juros (setembro)

INTERNACIONAL

Prazo estendido

Donald Trump anunciou um acordo preliminar entre EUA e China para manter o TikTok em operação no país, com prazo estendido para 16 de dezembro para a transferência dos ativos americanos da ByteDance para investidores locais, incluindo Oracle, Silver Lake e Andreessen Horowitz. O movimento busca encerrar uma disputa de quase um ano e criar um conselho dominado por americanos, garantindo controle sobre dados e segurança nacional. A confirmação final depende de ajustes finais e de aprovação, podendo ser concluída até meados de dezembro, mantendo parte da participação da ByteDance abaixo do limite legal de 20%.

Investimentos em mineração

Os Estados Unidos estão em negociações para criar um fundo de cerca de US$ 5 bilhões em parceria com a gestora Orion Resource Partners, visando ampliar investimentos em mineração e garantir acesso a minerais críticos como cobre, cobalto e terras raras. A iniciativa, ainda em fase de definição, marca uma das maiores incursões do governo norte-americano em acordos de grande escala no setor e busca reduzir a dependência da China, principal processadora mundial desses recursos. Se concretizado, o fundo permitiria à DFC e à Orion contribuir igualmente, abrindo caminho para novos projetos estratégicos e aumentando o peso da agência na política externa e econômica dos EUA.

ECONOMIA

Expectativa

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (16), em evento do Banco Safra, que tudo indica o início próximo de um ciclo de corte da taxa básica de juros, motivado pelas quedas do dólar e das expectativas de inflação. Segundo Haddad, o movimento deve atrair investimentos e permitir um horizonte mais favorável para o desenvolvimento do país. Ele fez a declaração durante sua participação no evento promovido pelo banco.

Demissões após tarifaço

A indústria brasileira de madeira registrou cerca de 4.000 demissões em função das tarifas aplicadas pelo governo Donald Trump, que reduziram drasticamente as exportações aos EUA, principal destino do setor. Além disso, há 5.500 trabalhadores em férias coletivas e 1.100 em demissão em massa, e a Abimci projeta novas perdas caso a política tarifária persista. A associação critica a falta de negociação direta do governo federal e defende soluções bilaterais para reduzir o impacto sobre o mercado.

Objetivo

Uma pesquisa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgada na terça-feira (16) mostra que o principal objetivo dos investidores brasileiros é formar reservas para a aposentadoria. O levantamento revelou que a maioria se enquadra no perfil arrojado (52%), com forte presença em ações e fundos imobiliários, enquanto moderados e conservadores concentram investimentos em renda fixa e Tesouro Direto. Além disso, 86% dos respondentes disseram estar preparados para lidar com imprevistos financeiros, valorizando rentabilidade, diversificação e educação financeira.

Salário mínimo

O governo projeta que o salário mínimo suba de R$ 1.518 para R$ 1.631 em 2026, um aumento de 7,45%, considerando a inflação e o crescimento do PIB. Para os anos seguintes, a estimativa é de R$ 1.725 em 2027, R$ 1.823 em 2028 e R$ 1.908 em 2029. O reajuste impacta aposentadorias, pensões do INSS e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Culpado da crise

Os Correios atribuem sua crise financeira à baixa de investimentos durante o governo Bolsonaro (2019-22) e registraram prejuízo de R$ 4,37 bilhões no primeiro semestre de 2025. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a estatal espera receber R$ 1,6 bilhão ainda este ano para aliviar suas contas. Para melhorar a situação, planeja reduzir despesas, adotar jornada de seis horas e incentivar desligamentos voluntários.

POLÍTICA

Tom moderado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve usar seu discurso na 80ª Assembleia-Geral da ONU para defender soberania, democracia e multilateralismo, evitando ataques diretos a Donald Trump. Durante a estadia em Nova York, ele participará também da Semana do Clima e de eventos sobre a Palestina e mudanças climáticas. A agenda inclui encontro com o secretário-geral da ONU e coletiva de imprensa antes do retorno ao Brasil no dia 24.

Urgência

O presidente da Câmara, Hugo Motta, anunciou que pautará a urgência do projeto de anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, com votação prevista para quarta-feira (17). Motta busca um meio-termo, evitando anistia ampla, enquanto o governo Lula se articula para barrar a tramitação acelerada. A ministra Gleisi Hoffmann convocou ministros da ala política para tentar impedir a aprovação do pedido de urgência.

Convocação

A ministra Gleisi Hoffmann convocou ministros de partidos de centro para articular a reação do governo contra a votação de urgência do projeto de anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro. O objetivo é usar a influência desses ministros junto às bancadas para frear o avanço da proposta. O governo defende que a anistia é inconstitucional e moralmente inaceitável, pressionando para adiar ou alterar o texto.

Emergência

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passou mal na terça-feira (16) e foi levado a um hospital em Brasília, acompanhado por policiais penais. Segundo Flávio Bolsonaro, ele teve “crise forte de soluço, vômito e pressão baixa” e permaneceu internado durante a noite.

Condenado

Bolsonaro foi condenado pelo TRF-4 a pagar R$ 1 milhão por declarações racistas sobre cabelos de pessoas negras feitas em 2021, quando era presidente. A decisão unânime inclui a União e determina retratação pública e remoção dos vídeos das redes sociais. O julgamento ocorreu na terça-feira (16) em Porto Alegre, após recursos do MPF e da DPU.

Manobra e contestação

O PL indicou Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como líder da minoria na Câmara nesta terça-feira (16) para evitar que o deputado perca o mandato por excesso de faltas, já que mora nos Estados Unidos desde fevereiro. A manobra, que ainda depende de confirmação pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), permite que líderes tenham ausências abonadas como “missão autorizada”. PT e PSOL anunciaram que vão contestar a nomeação na Câmara e no STF, onde Eduardo é investigado por coação e obstrução de Justiça.

Pedido negado

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, negou o pedido da defesa do tenente-coronel Mauro Cid para retirar a tornozeleira eletrônica e devolver seus bens, determinando que o tema só será analisado com o início da execução da pena. A defesa também pedia a extinção da pena de dois anos, alegando que Cid já cumpriu o período com restrições.

Fonte: InfoMoney


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Negócios

Petróleo fecha em alta com tensões geopolíticas e expectativa por juros nos EUA

Investidores reagem à possibilidade de redução da produção russa após ataques ucranianos e aguardam decisão do Federal Reserve sobre política monetária

Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nesta terça-feira, 16, diante das crescentes tensões geopolíticas, invertendo o movimento visto no início do dia. Investidores aguardam a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na quarta-feira, quando é amplamente esperado um corte de juros, e assimilam a possibilidade de diminuição de produção de petróleo pela Rússia após ataques ucranianos a uma refinaria do país.

O petróleo WTI para outubro, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), registrou alta de 1,93% (US$ 1,22), a US$ 64,52 o barril, enquanto o Brent para novembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), subiu a 1,53% (US$ 1,03), a US$ 68,47 o barril.

O mercado aguarda a decisão do Fed quanto à política monetária dos EUA, na expectativa de que a esperada redução de juros impulsione a atividade econômica e o consumo da commodity.

Além disso, fontes ouvidas pela Reuters dizem que a estatal russa de oleodutos Transneft alertou produtores de que eles poderão ter que reduzir a produção de petróleo devido aos ataques recentes. No domingo, drones ucranianos atingiram a refinaria de Kirishi, no noroeste da Rússia.

O presidente dos EUA, Donald Trump, por sua vez, continua pressionando países europeus e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para que deixem de comprar o petróleo russo. A União Europeia, por outro lado, anunciou que adiou, por tempo indeterminado, o 19º pacote de sanções contra a Rússia. A expectativa era que as novas medidas incluíssem restrições adicionais às vendas do petróleo.

Apesar das altas recentes, uma queda no preço do commodity é esperada até o fim do próximo ano, de acordo com a visão de Hamad Hussain, analista da Capital Economics. A mudança se daria pelo aumento nos estoques de petróleo, que pode acontecer com “um enfraquecimento na demanda global e aumentos na oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+)”.

Fonte: InfoMoney

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Negócios

Falta de confiança interpessoal atrapalha internacionalização das empresas brasileiras

As tarifas impostas pelos Estados Unidos mundo afora são mais uma etapa no atual ciclo de escalada de tensões geopolíticas. Como no xadrez, quem cria mais opções na área de comércio internacional e nos negócios é o mais bem-sucedido.

Brasil figura no décimo lugar da economia mundial em Produto Interno Bruto (PIB) nominal, mas ocupa a tímida 82.ª posição no ranking de globalização no Índice KOF, índice suíço que mede a integração econômica, social e política das nações. Somos uma economia voltada para o próprio umbigo, exportando 20% do PIB, enquanto outras economias da América Latina exportam, em média, 30%.

Internacionalização difere de exportação. Exportar representa uma pequena amostra da conexão com o comércio internacional. O produto enviado para fora é uma extensão do mercado doméstico. Já a internacionalização encara a competição no mercado de destino, disputando mão de obra local e se relacionando com fornecedores regionais.

Como consequência, empresas que investem nessas habilidades tornam-se mais resilientes e ganham produtividade. Temos bons exemplos, como as brasileiras WEG, de equipamentos eletrônicos, a Randon, de sistemas automotivos, e a Tramontina, de utensílios para casa, cujas frigideiras são destacadas há oito anos pela Wirecutter, seção do jornal The New York Times que avalia a qualidade de bens de consumo.

Muitos empresários brasileiros que dominam o mercado interno ainda acreditam que a complexidade operacional externa “só pode ser maior”. Ledo engano. Enquanto no Brasil empreender é um ato de fé por causa das burocracias, nos Estados Unidos, por exemplo, há brokers e especialistas em cada microssegmento da indústria. Em pouco tempo e com custo razoável, eles decodificam os segredos do mercado local.

O grande obstáculo para brasileiros, no entanto, é a baixa confiança. Uma recente pesquisa da European Values Study aponta que o índice de confiança interpessoal do Brasil alcança meros 7%, enquanto o da Noruega é de 72% e o dos Estados Unidos fica por volta de 40%.

Dado que a internacionalização começa na pessoa física e evolui para a pessoa jurídica, a busca por essa confiança e por relações inicia-se com encontros, cursos e investimentos pessoais, até chegar ao investimento offshore corporativo. Não soa coincidência que a maioria das nossas empresas internacionalizadas foi fundada por imigrantes. Como disse o cientista de computação americano Gerald Weinberg, “o truque para confiar e conquistar confiança é evitar todos os truques.”

Fonte: Estadão

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