Exportação

Tarifa dos EUA atinge em cheio exportações de MT e preocupa indústria

Medida eleva para 50% o imposto sobre produtos brasileiros e atinge 76% da pauta de exportação mato-grossense, com impactos imediatos para a indústria local

A decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, formalizada nesta quarta-feira (30), acendeu o alerta no setor industrial de Mato Grosso. A nova taxação, que eleva para 50% o imposto de importaçãoafeta diretamente cinco dos seis principais produtos exportados pelo estado ao mercado norte-americano.

A medida prevê uma longa lista de exceções como suco de laranja, aeronaves civis, ouro, petróleo, veículos e peças, fertilizantes e produtos energéticos.

Comunicado emitido pela Casa Branca, logo após a formalização, destaca que o decreto entra em vigor no dia 6 de agosto. Ainda conforme a Casa Branca, o decreto foi adotado em resposta às ações do governo brasileiro que, na avaliação do governo americano, representaria uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA”.

De acordo com a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), a medida deve ter impactos imediatos na economia estadual. Produtos como carne bovina, gelatina, gordura animal (sebo), soja e madeira perfilada — que representam parte significativa da pauta exportadora — estão entre os atingidos. Apenas o ouro, entre os principais itens enviados aos EUA, ficou de fora da taxação. Esses seis principais produtos concentram 98% das exportações.

Ao todo, Mato Grosso exporta 54 produtos para os Estados Unidos. Com a nova medida, 41 deles foram incluídos na tarifa adicional, o que corresponde a 76% do total. Em 2024, as exportações para o país somaram US$ 415 milhões, sendo que os produtos agora tarifados respondem por US$ 266 milhões — ou 65% do valor negociado.

“A medida, formalizada nesta quarta-feira (30), afeta diretamente as exportações mato-grossenses, especialmente os produtos industrializados — que representam cerca de 90% do total enviado pelo estado ao mercado norte-americano”, diz a Fiemt.

A federação ressalta ainda que “entende que medidas unilaterais comprometem a previsibilidade, a segurança jurídica e a confiança entre as nações. A indústria de Mato Grosso trabalha com base em inovação, qualidade e competitividade, e tem buscado ampliar sua presença internacional com base na sustentabilidade e na agregação de valor aos seus produtos”.

A federação informa que segue mobilizada junto à Confederação Nacional da Indústria (CNI) e autoridades brasileiras para discutir alternativas diante dos impactos da decisão unilateral dos EUA.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Internacional

59% preferem Brasil mais próximo de EUA e não da China

Levantamento do PoderData perguntou qual país seria melhor para o Brasil nas transações comerciais; só 32% escolheram o asiático

A maioria dos brasileiros (59%) diz preferir que o Brasil seja mais próximo comercialmente dos EUA do que da China. O dado é de pesquisa PoderData, feita de 26 a 28 de julho de 2025.

O levantamento perguntou aos entrevistados com qual país eles achavam ser melhor o Brasil ter mais relações comerciais: EUA ou China. Só 32% defenderam que o país priorize as trocas com o país asiático. Outros 9% não souberam responder.

Desde o início do mandato de Donald Trump (Partido Republicano), as relações entre Brasil e EUA ficaram instáveis. Isso porque o chefe da Casa Branca ocupa o lado oposto do espectro político-ideológico do presidente brasileiro.

Trump é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Inclusive, impôs agora uma taxação sobre os produtos brasileiros com a justificativa de sancionar o país pelo tratamento que o Poder Judiciário dá ao ex-presidente no processo que ele responde por tentativa de golpe de Estado.

Lula, por sua vez, além de já ter feitos diversas críticas públicas ao republicano, em novembro de 2024, nas eleições norte-americanas, declarou torcer pela vitória de Kamala Harris (Partido Democrata), adversária de Trump, nas eleições norte-americanas de 2024.

Enquanto a relação com os EUA é fria e distante, no caso da China, a situação é bem diferente. O petista foi à China duas vezes desde que tomou posse, em janeiro de 2023. O presidente chinês também já foi recebido pelo brasileiro no Palácio do Alvorada.

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Os dados foram coletados de 26 a 28 de julho de 2025, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 182 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%.

Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) os grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, são mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população.

ESTRATIFICAÇÃO

Poder360 estratifica os dados por recortes demográficos (sexo, idade, região, escolaridade e renda). Eis os resultados:

RELAÇÕES COMERCIAIS X VOTO EM 2022

PoderData cruzou as respostas dos eleitores da opinião sobre as relações comerciais do Brasil com a declaração de voto em 2022. A maioria tanto dos eleitores que afirmam ter votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (58%) quanto do eleitorado que declara ter votado no ex-presidente Jair Bolsonaro (61%) considera que o país deveria priorizar as relações com o país norte-americano.

Fonte: Poder 360

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Comércio Exterior

Sanções que Estados Unidos podem impor ao Brasil não se limitam ao tarifaço; entenda as medidas

Empresas brasileiras estão expostas a uma série de medidas unilaterais que governo norte-americano pode adotar sem qualquer aviso formal ou rito público

As sanções que o governo dos Estados Unidos pode impor ao Brasil em uma disputa comercial e política não se limitam ao tarifaço de 50% aos produtos brasileiros anunciados pelo presidente Donald Trump e podem ter um efeito ainda mais prejudicial para as empresas brasileiras.

O advogado José Andrés Lopes da Costa, mestre em Direito Tributário Internacional e Desenvolvimento pelo IBDT/SP e professor de Direito Tributário Internacional da FGV, afirmou que as empresas brasileiras estão expostas a uma série de medidas unilaterais que os Estados Unidos podem adotar sem qualquer aviso formal ou rito público, para além das barreiras alfandegárias.

Segundo ele, tanto o BIS (Bureau of Industry and Security) do Departamento de Comércio quanto a OFAC (Office of Foreign Assets Control) do Departamento do Tesouro são órgãos do governo dos Estados Unidos responsáveis por regulações profundas e muito menos discutidas, que operam por mecanismos técnicos, listas confidenciais e cláusulas em contratos de financiamento, tecnologia, transporte e seguro.

Essas sanções já foram aplicadas a países considerados “hostis” pelo governo dos Estados Unidos, como Rússia, Venezuela, Cuba e Irã.

“E o ponto central: essas regras valem também para empresas fora dos Estados Unidos, desde que elas usem dólar, tecnologia norte-americana ou bancos com correspondência nos Estados Unidos, o que, na prática, abrange quase todas as operações relevantes do comércio internacional”, disse.

Bloqueio de pagamentos e suspensão de contratos

Os efeitos concretos das medidas que podem ser determinadas por esses dois órgãos, disse Costa, são o bloqueio de pagamentos, a suspensão de contratos, a perda de acesso a fornecedores ou clientes, o aumento de custo de capital, e até multas administrativas de alto valor.

“E não há aviso formal dessas decisões. Muitas vezes, a empresa só descobre que está sob restrição quando o banco trava a operação ou quando um parceiro rompe o contrato por precaução”, afirmou.

Segundo Costa, a possibilidade de defesa legal das empresas contra essas decisões do governo dos Estados Unidos, na prática, não existe.

“Mesmo a OMC [Organização Mundial do Comércio] oferece pouca margem de reação e, ainda assim, com tramitação lenta e sem eficácia imediata. Não há contraditório, não há um devido processo legal, e os efeitos reputacionais e comerciais são imediatos”, disse.

Embraer e agronegócio podem ser afetados

Todo esse “poder de fogo” dos Estados Unidos em uma disputa comercial, afirmou Costa, enfraquece a tese de que o Brasil deveria acelerar a reorientação comercial em direção a mercados como China, Rússia, Índia ou Irã.

“Exportar para uma empresa estatal chinesa que conste de alguma lista restritiva do governo americano pode ser tão perigoso quanto exportar diretamente para o Irã. Realizar uma transação de carne bovina para um comprador russo pode ser inviabilizado se o financiamento passar por banco que opere sob jurisdição americana, o que, na prática, significa quase todos os grandes bancos do mundo. A operação não precisa ser ilícita. Basta que ela seja vista como arriscada. E o risco, nesse universo, é definido por Washington”, disse.

Como exemplo prático, Costa citou os potenciais efeitos negativos para a Embraer. A empresa brasileira utiliza motores, softwares e sistemas de navegação fabricados por companhias norte-americanas. Cada venda para mercados classificados como sensíveis, afirmou o especialista, exige não apenas o mapeamento de componentes, mas a solicitação formal de licenças, cuja concessão está sujeita a vetos unilaterais.

“Isso significa que o governo americano pode bloquear a exportação de um jato brasileiro a um país terceiro com base no simples fato de que parte de sua tecnologia é de origem americana. E pode fazê-lo sem anúncio, sem aviso e sem direito de resposta”, disse.

No agronegócio, afirmou o advogado, os riscos também não são desprezíveis. Segundo ele, a cadeia de exportação de grãos, carnes e fertilizantes depende de uma infraestrutura tecnológica que inclui desde softwares de rastreabilidade e sistemas de armazenamento até equipamentos agrícolas dotados de sensores que podem estar sujeitos a controle do governo dos Estados Unidos.

“Além disso, os contratos são lastreados em dólares, os pagamentos passam por bancos internacionais e os seguros marítimos são emitidos por grandes conglomerados ocidentais que seguem, rigorosamente, as diretrizes impostas pelas listas de sanção”, afirmou.

Fonte: Exame

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Comércio Exterior

Taxa de 50% dos EUA tem exceções: veja quais produtos brasileiros foram poupados

Produtos como alimentos, combustíveis, aviões e veículos ficaram de fora da sobretaxa anunciada por Trump. Medida começa a valer nesta sexta-feira (1º).

Apesar de ter anunciado uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil, o governo dos Estados Unidos decidiu deixar vários itens de fora da cobrança. (Confira na lista abaixo)

A lista de produtos isentos foi divulgada nesta quarta-feira (30), junto com o decreto oficial assinado pelo presidente Donald Trump.

Segundo o texto, continuam livres da tarifa extra produtos como alimentos enviados como suco d de laranja, combustíveis, veículos, peças de avião e alguns tipos de metais e madeira.

Essas exceções foram incluídas no anexo da ordem executiva e valem a partir da data em que a medida entra em vigor.

A taxação deve impactar significativamente as exportações brasileiras. No entanto, a lista de isenções pode representar um alívio para setores como o aeronáutico, energético e agrícola.

Confira os principais itens que não serão afetados pela alíquota adicional de 40%:

  • ✈️ Artigos de aeronaves civis

Estão isentos todas as aeronaves civis (não militares), seus motores, peças, subconjuntos e simuladores de voo. A lista inclui desde tubos e mangueiras até sistemas elétricos, pneus e estruturas metálicas.

  • 🚗 Veículos e peças específicas

A tarifa não se aplica a veículos de passageiros, como sedans, SUVs, minivans e vans de carga, além de caminhões leves e suas respectivas peças e componentes.

🏗️ Produtos de ferro, aço, alumínio e cobre

Produtos específicos e derivados desses metais, incluindo itens semiacabados e componentes industriais, também estão fora da nova alíquota.

  • 🌾 Fertilizantes

Fertilizantes amplamente utilizados na agricultura brasileira estão isentos da tarifa adicional.

  • 🌰 Produtos agrícolas e de madeira

A lista inclui castanha-do-brasil, suco e polpa de laranja, mica bruta, madeira tropical serrada ou lascada, polpa de madeira e fios de sisal ou de outras fibras do gênero Agave.

  • ⚙️ Metais e minerais específicos

Estão isentos produtos como silício, ferro-gusa, alumina, estanho (em diversas formas), metais preciosos como ouro e prata, ferroníquel, ferronióbio e produtos ferrosos obtidos por redução direta de minério de ferro.

  • 🔋 Energia e produtos energéticos

A tarifa não se aplica a diversos tipos de carvão, gás natural, petróleo e derivados, como querosene, óleos lubrificantes, parafina, coque de petróleo, betume, misturas betuminosas e até energia elétrica.

  • 🔧 Bens retornados aos EUA

Artigos que foram exportados para reparo, modificação ou processamento e que retornam aos Estados Unidos sob certas condições também estão isentos, com exceções específicas para o valor agregado.

  • 🚢 Bens em trânsito

Produtos que já estavam em trânsito antes da entrada em vigor da ordem — desde que cheguem aos EUA até 5 de outubro — não serão afetados pela nova tarifa.

🧳 Produtos de uso pessoal

Itens incluídos na bagagem acompanhada de passageiros que chegam aos Estados Unidos estão isentos da alíquota adicional.

  • 🆘 Donativos e materiais informativos

Doações de alimentos, roupas e medicamentos destinados a aliviar o sofrimento humano estão isentas, salvo se o presidente considerar que representam risco à segurança nacional. Também estão livres da tarifa materiais informativos como livros, filmes, CDs, pôsteres, obras de arte e conteúdos jornalísticos.

Sobre as taxas

A decisão da taxação foi tomada pelo presidente Donald Trump, que assinou uma ordem executiva e declarou uma nova emergência nacional para justificar a medida.

O governo americano afirma que o Brasil adotou ações recentes que representam uma ameaça à segurança nacional, à economia e à política externa dos Estados Unidos. Por isso, decidiu aumentar em 40 pontos percentuais a tarifa que já existia, totalizando agora 50%.

A ordem executiva americana também traz duras críticas ao governo brasileiro. Segundo o texto, o Brasil estaria promovendo perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores, além de adotar práticas que violam direitos humanos e enfraquecem a democracia.

O documento cita diretamente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusando-o de emitir ordens secretas para obrigar empresas americanas a censurar discursos políticos, entregar dados de usuários e alterar suas políticas internas sob ameaça de sanções.

Um dos casos mencionados é o de Paulo Figueiredo, que reside nos Estados Unidos e estaria sendo processado criminalmente no Brasil por declarações feitas em solo americano.

Além da tarifa, o presidente Trump determinou, no último dia 18 de julho, o cancelamento dos vistos de Alexandre de Moraes, de seus aliados no STF e de seus familiares.

Fonte: G1

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Comércio Exterior

Trump assina ordem que implementa tarifa de 50% sobre o Brasil, com várias exceções

Casa Branca declara nova “emergência nacional” e acusa governo brasileiro de ameaçar segurança dos EUA, citando Moraes e Bolsonaro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) uma ordem executiva que oficializa a aplicação de uma tarifa total de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi justificada como resposta a uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional, política externa e economia norte-americana. A nova alíquota entra em vigor em um prazo de sete dias, e traz diversas exceções, entre elas suco de laranja e outros produtos agrícolas, petróleo e derivados, metais e peças de aeronaves.

Segundo comunicado da Casa Branca, a decisão foi tomada com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977, e mira “políticas e ações” do governo brasileiro que, na visão dos EUA, prejudicam empresas e cidadãos norte-americanos.

O texto cita diretamente o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), classificando o processo como “perseguição politicamente motivada” e acusando autoridades brasileiras de cometer “abusos graves de direitos humanos”.

Trump também acusa o ministro Alexandre de Moraes, sancionado nesta quarta, de “coagir arbitrariamente empresas dos EUA a censurar discurso político, entregar dados de usuários e alterar políticas de moderação de conteúdo sob ameaça de multas, processos criminais, congelamento de ativos ou expulsão do mercado brasileiro”.

“Ao impor essas tarifas para enfrentar as ações imprudentes do governo do Brasil, o presidente Trump está protegendo a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos de uma ameaça estrangeira”, diz o comunicado.

A Casa Branca afirma que a decisão também busca “preservar e proteger a liberdade de expressão” de cidadãos americanos e “defender empresas dos EUA de censura forçada”.

O anúncio intensifica a já tensa relação entre os dois países, que desde julho enfrentam uma disputa comercial e diplomática. O governo brasileiro tem classificado a medida como “chantagem” e insiste que não cederá a pressões políticas ligadas ao julgamento de Bolsonaro.

Fonte: InfoMoney

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Negócios

Apple fechará loja na China pela 1ª vez, mas planeja novas unidades no país

Sediada em Cupertino, nos Estados Unidos, a Apple mantém mais de 50 lojas na região conhecida como Grande China

A Apple anunciou nesta segunda-feira, 28, que fechará, pela primeira vez, uma loja de varejo na China. Em comunicado em seu site, a empresa informou que a unidade localizada no Parkland Mall, no distrito de Zhongshan, na cidade de Dalian, encerrará suas operações em 9 de agosto.

Sediada em Cupertino, nos Estados Unidos, a Apple mantém mais de 50 lojas na região conhecida como Grande China.

Outra loja em Dalian continuará operando normalmente. A Apple também planeja abrir uma nova unidade em Shenzhen no dia 16 de agosto, além de já ter inaugurado uma loja em Anhui em janeiro deste ano.

Segundo a Bloomberg, a companhia pretende abrir mais pontos de venda em Pequim e Xangai ao longo do próximo ano.

De acordo com o South China Morning Post, os funcionários da loja que será fechada poderão se transferir para outras unidades.

Fonte: InfoMoney

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Comércio Exterior

Trump mira etanol brasileiro e coloca em risco cadeia de 2,2 milhões de empregos

Em meio às tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, intensificadas pela decisão do governo Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o movimento que se seguiu nos dias seguintes à carta divulgada pelo presidente estadunidense pegou muita gente de surpresa, quando a United States Trade Representative (USTR, ou Departamento Comercial dos EUA) incluiu o anúncio de uma investigação sobre o que foi chamado de “práticas ilegais” por parte do Brasil. Entre os alvos, estão o ataque ao pioneiro Pix e o combate à pirataria, e um tema que revela um claro – e antigo – incômodo dos Estados Unidos: o etanol brasileiro.

O principal motivo da investida do governo Trump contra o etanol brasileiro vem de longe: a alíquota de 18% aplicada pelo Brasil à importação do etanol americano, feito de milho dos EUA – o que resulta em mais emissão de CO2 do que o registrado pelo biocombustível brasileiro, produzido majoritariamente a partir da cana-de-açúcar. Essa tarifa, no entanto, não é arbitrária: ela cumpre papel estratégico ao garantir condições mínimas de competição justa entre o etanol brasileiro e o etanol estadunidense, que é fortemente subsidiado por Washington. A eventual retirada dessa barreira resultaria em uma verdadeira invasão do etanol americano no mercado nacional, comprometendo a competitividade das usinas brasileiras, pressionando margens, eliminando empregos e desestimulando investimentos.

A cadeia do etanol é uma das maiores forças produtivas do Brasil, resultado de exatos 50 anos de políticas públicas, inovação tecnológica e compromisso com a sustentabilidade. Desde a criação do Programa Pró-Álcool, em 1975, o país desenvolveu um modelo reconhecido mundialmente de biocombustível limpo, culminando na liderança em mobilidade de baixo carbono e na consolidação da tecnologia flex. De 2003 até hoje, a combinação entre o uso de etanol hidratado e a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina evitou a emissão de mais de 730 milhões de toneladas de CO₂ equivalente — volume comparável às emissões anuais de países como a Indonésia.

Além do impacto ambiental, o setor é crucial para a economia brasileira. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a produção nacional de etanol atingiu 36,8 bilhões de litros em 2024, tornando o Brasil o segundo maior produtor mundial, atrás apenas dos EUA. A cadeia produtiva emprega mais de 2,2 milhões de pessoas, sendo que só no estado de São Paulo são mais de 844 mil trabalhadores, com influência direta sobre a economia de cerca de 1,2 mil municípios.

Dessa forma, especialistas avaliam que permitir que o etanol dos Estados Unidos entre no Brasil sem uma alíquota que dê fôlego ao biocombustível produzido por aqui seria um golpe duro contra um setor que representa inovação, geração de renda, desenvolvimento regional e benefícios ambientais. Assim como o Pix, também atacado por Washington, o etanol tornou-se uma das bandeiras do protagonismo brasileiro no cenário internacional. A avaliação mais comum é que a tentativa dos EUA de sufocar essa indústria por meio de pressão comercial evidencia um movimento protecionista que ameaça não só uma cadeia produtiva consolidada, mas também o compromisso global com fontes limpas e sustentáveis de energia.

Governo Lula descarta negociar tarifa de etanol com EUA

Apesar da pressão crescente por parte dos Estados Unidos, o governo brasileiro sinaliza que não pretende ceder em relação à alíquota de 18% sobre o etanol americano. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, afirma que a redução da tarifa não está em pauta nas atuais negociações com Washington. “Não haveria sentido levarmos essa proposta ou qualquer outra de redução de alíquotas que o Brasil aplica na fase atual. Eles (os americanos) reivindicavam essa redução ou atribuição de cota para o etanol, mas esse tema deixou de ser debatido desde o começo das novas tarifas (os 10% que Trump aplicou sobre produtos brasileiros, em abril)”, afirmou o secretário-executivo da pasta, Márcio Elias Rosa, em entrevista ao site Platô BR.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também se manifestou sobre a crise comercial. Ele afirmou que o Brasil está disposto a dialogar, mas que a manutenção da alíquota de 18% sobre o etanol importado dos EUA é essencial para proteger a produção nacional, especialmente no Nordeste. “As taxas do etanol têm que ser mantidas. O equilíbrio tarifário deve considerar não só o etanol, mas também o açúcar, que sofre sobretaxas de até 90% nos EUA”, disse. Silveira reforçou ainda a confiança na condução diplomática do vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin.

Em paralelo, os senadores da Comissão de Relações Exteriores do Senado estão nos Estados Unidos tentando reabrir canais de negociação antes que as tarifas entrem em vigor, na próxima sexta-feira (1). A delegação já se reuniu com empresários da Amcham e representantes na embaixada brasileira em Washington. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da comissão, defende a prorrogação da medida tarifária para viabilizar negociações técnicas.

No contexto da transição energética, a Petrobras também se move. A estatal avalia construir uma planta para produção de SAF (combustível sustentável de aviação) utilizando etanol derivado da cana-de-açúcar. A unidade, com capacidade para 10 mil barris por dia, deve ser instalada junto à Refinaria de Paulínia (Replan), com início previsto para 2027, quando o uso de SAF passa a ser obrigatório no Brasil. Paralelamente, a empresa desenvolve outros três projetos de SAF, com cronogramas mais avançados, a partir do coprocessamento de matérias-primas em refinarias como Cubatão, Duque de Caxias e a Refinaria Riograndense, em parceria com Braskem e Grupo Ultra.

No centro da disputa tarifária, o etanol brasileiro não é apenas um produto de exportação — é um ativo econômico, ambiental e social. Diante disso, representantes do setor e autoridades defendem que qualquer negociação com os Estados Unidos leve em conta não apenas os interesses comerciais, mas também a relevância estratégica dessa cadeia para o Brasil e para o esforço global de descarbonização.

Fonte: Brasil 247

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Internacional, Mercado Internacional

Tarifaço: enquanto Trump consegue tarifas, americanos recebem aumento de preços

Nos últimos meses, grandes varejistas e fabricantes de bens de consumo alertaram que teriam que reduzir lucros ou repassar os custos aos clientes. Algumas empresas já fazem os dois.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está aplicando suas tarifas a uma porção de países, e as empresas americanas já indicam como pretendem reagir: repassando os custos aos consumidores.

Nos últimos meses, grandes varejistas e fabricantes de bens de consumo alertaram que as tarifas sobre produtos importados pressionariam suas operações, obrigando-os a optar entre reduzir lucros ou repassar os custos aos clientes.

No caso da Procter & Gamble e de outras empresas, ambas as medidas estão sendo adotadas.

Na terça-feira, a gigante do setor de bens de consumo, que fabrica itens domésticos como papel toalha e detergente, divulgou uma projeção negativa para 2025 e comunicou a grandes varejistas, como o Walmart, que aumentará os preços de alguns produtos nos EUA a partir da próxima semana.

Esse desafio enfrentado pelas empresas nos próximos trimestres deve ser repassado aos consumidores. A P&G informou que aumentará os preços de cerca de 25% de seus produtos nos EUA para compensar os custos das novas tarifas.

Segundo um porta-voz da empresa, os reajustes ficarão na faixa de um dígito médio em todas as categorias.

Apesar de os índices acionários terem alcançado recordes neste ano, impulsionados por fortes investimentos em ações de tecnologia, muitas empresas do setor de consumo enfrentaram dificuldades.

Desde o anúncio das tarifas no chamado “Dia da Libertação”, em 2 de abril:

  • As ações da P&G caíram 19%.
  • As da Nestlé, 20%.
  • A Kimberly-Clark perdeu 11%; e
  • A PepsiCo recuou quase 7%.

No mesmo período, o índice S&P 500 subiu mais de 13%.

Empresas dos setores de bens de consumo, alimentos e bebidas vêm enfrentando vendas fracas desde a pandemia, já que os consumidores resistem aos preços elevados de marcas tradicionais.

Na semana passada, a Nestlé afirmou que os consumidores na América do Norte continuam cautelosos em pagar mais no caixa.

Novos aumentos de preços devem intensificar as preocupações dos investidores sobre a capacidade das grandes marcas de lidar com o duplo desafio: consumidores mais cautelosos e custos elevados decorrentes da guerra comercial promovida por Trump.

“Você verá empresas como Walmart, Amazon e Best Buy sendo obrigadas a repassar aumentos de preços aos consumidores”, afirmou Bill George, ex-presidente e CEO da Medtronic e pesquisador em educação executiva na Harvard Business School.

“A Main Street ainda não viu as consequências do aumento das tarifas — e elas vão aumentar.”

Entre 16 e 25 de julho, empresas monitoradas pelo rastreador de tarifas globais da Reuters estimaram perdas entre US$ 7,1 bilhões e US$ 8,3 bilhões ao longo do ano.

GM, Ford e outras montadoras têm absorvido os custos das tarifas até agora — somando bilhões de dólares. Outras empresas, como a EssilorLuxottica, fabricante dos óculos Ray-Ban, já reajustaram seus preços.

A Swatch, fabricante suíça de relógios e joias, elevou seus preços em cerca de 5% após o anúncio das tarifas por Trump, em abril, sem impacto nas vendas, segundo o CEO Nick Hayek, em entrevista recente à Reuters.

Marcas premium, como os relógios Tissot, são menos afetadas por aumentos de preços. Segundo Hayek, clientes que desejam adquirir modelos mais caros costumam comprar no exterior, onde os impostos são menores.

“Não se pode fazer isso com carros. Não é possível fazer isso com máquinas. Mas você pode fazer isso com relógios. Portanto, não é tão problemático para nós”, disse ele.

Muitas empresas anteciparam o envio de mercadorias e matérias-primas aos EUA antes da entrada em vigor das tarifas. Economistas e analistas acreditam que esse estoque ajudou a adiar os aumentos de preços e explica por que os efeitos das tarifas ainda não se refletem nos dados de inflação do país.

Andrew Wilson, vice-secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional, estima que os efeitos inflacionários serão percebidos quando os estoques forem esgotados — o que pode ocorrer apenas no quarto trimestre deste ano ou no primeiro do próximo.

Fonte: G1

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Agronegócio, Comércio Exterior

Agro vê etanol ameaçado em negociação sobre tarifas de 50% de Trump

Redução das tarifas brasileiras de importação do etanol deve ser colocada como moeda de troca pela Casa Branca; setor vê possibilidade alta de governo ceder

O setor de agroenergia vê com preocupação o uso do etanol como moeda de troca para os Estados Unidos baixarem as tarifas gerais de 50% sobre produtos importados do Brasil.

O etanol foi citado pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos entre as “práticas comerciais injustas” devido à tarifa de importação brasileira de 18% — o que reduziria a competitividade para os produtores americanos, segundo a Casa Branca.

No documento da investigação comercial dos EUA sobre o Brasil, o etanol foi o único produto citado nominalmente e que teve destaque. Dessa forma, parlamentares, empresários e integrantes do governo acreditam que a redução das tarifas de importação devem ser uma exigência da Casa Branca para negociações.

À CNN, empresários do setor de agroenergia disseram, sob anonimato, acreditar que a aceitação do governo em reduzir a tarifa de importação de etanol é “bastante provável”. Inclusive, eles disseram que a medida é apoiada por outros segmentos do setor produtivo que não tem relação com a substância e, portanto, seriam beneficiados com a redução da alíquota geral de 50%.

O Brasil impôs pela primeira vez uma cota tarifária (CTQ) de 600 milhões de litros anuais em 2017, com uma alíquota extra de 20% sobre as importações de etanol. Depois de mudanças sobre a cobrança nos anos subsequentes, o país fixou a alíquota em 18% em 1º de janeiro de 2024.

“Os Estados Unidos sofrem com tarifas mais altas sobre o etanol impostas pelo Brasil e com o desequilíbrio comercial resultante da decisão do Brasil de abandonar o tratamento recíproco, praticamente isento de impostos, que promoveu o desenvolvimento de ambas as indústrias e um comércio florescente e mutuamente benéfico”, diz o Departamento de Comércio dos EUA.

Caso as tarifas de importação do etanol sejam reduzidas, executivos do agro afirmaram à CNN que o país deverá sofrer com a perda de centenas ou milhares de empregos, especialmente no Nordeste.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Secretário dos EUA diz que produtos não cultivados no país, como o café, poderiam ter tarifa zerada

Howard Lutnick, secretário do Comércio, listou alguns produtos que poderiam ser beneficiados pela isenção, mas não citou países. Brasil, maior fornecedor do café norte-americano, não foi mencionado.

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou nesta terça-feira (29) que alguns produtos não cultivados no país, como o café, poderiam ter a tarifa zerada.

Em entrevista à rede norte-americana CNBC, Lutnick citou os produtos que se encaixariam nessa categoria, que ele chamou de “recursos naturais” – além do café, o secretário também falou da manga, do abacaxi e do cacau.

Ele, no entanto, não citou nenhum país exportador que seria beneficiado com tarifa zero. Lutnick também não mencionou o Brasil, que será atingido por uma tarifa de 50% a partir de sexta-feira (1º), por determinação de Donald Trump.

O Brasil é o principal fornecedor do café para os EUA e detém cerca de um terço do mercado norte-americano, que comprou 17% de todo o café brasileiro exportado entre janeiro e maio deste ano.

“São recursos naturais. Quando o presidente faz um acordo, ele inclui que, se você produz algo, e a gente não, isso pode vir por [tarifa] zero.”

“Se vamos negociar com um país que produz manga ou abacaxi, então eles podem entrar sem tarifa. Café, coco, são outros exemplos de recursos naturais”, completou.

Negociações com UE e China

A fala ocorreu no momento que o secretário comentava as negociações entre Estados Unidos e União Europeia, que fecharam um acordo sobre as tarifas no último domingo (27).

Nesse contexto, ele disse que a cortiça, um item que os EUA compram da União Europeia, também pode ter sua tarifa zerada, e acrescentou que continuará negociando outros pontos com a Comissão Europeia, com as tarifas para aço e alumínio e a regulamentação dos serviços digitais.

Lutnick também disse que as negociações com a China serão mais difíceis. “A China é algo próprio, temos nossa equipe trabalhando eles”, afirmou.

Lutnick ainda afirmou que, em relação aos outros países, Trump tomará suas decisões sobre eventuais acordos comerciais até sexta-feira (1º).

EUA dependem do café brasileiro

Analistas ouvidos pelo g1 dizem que uma eventual interrupção da importação do café do Brasil causaria um grande impacto nos EUA, que atualmente dependem do produto brasileiro para atender os norte-americanos.

Os EUA produzem só 1% do café consumido por sua população. Caso a tarifa de 50% seja aplicada, o comércio entre os países será praticamente inviabilizado, e os EUA terão dificuldade para suprir a demanda.

Isso porque o Brasil representa 40% de toda a oferta mundial de café, segundo Fernando Maximiliano, analista da consultoria StoneX Brasil.

Os outros grandes exportadores de café têm uma produção bem menor do que o Brasil, especialmente do tipo arábica, a variedade que os EUA mais compram.

Maximiliano lembra que o Brasil vende cerca de 8 milhões de sacas de café aos Estados Unidos todos os anos.

“A Colômbia, segundo maior produtor, não teria esse café todo para suprir os 100% do que o Brasil deixaria de fornecer. Então, os EUA teriam um desafio bem grande pela frente”, resume o especialista.

Ele explica que, sem outro grande fornecedor de arábica, os EUA poderiam aumentar a compra de robusta e alterar a composição do café vendido. “Ou então buscar o arábica de outro país, mas não vai ser fácil”, completa.

Fonte: G1

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