Indústria

Edge compra Akaer e amplia presença na indústria de defesa brasileira

O Edge Group, conglomerado estatal de tecnologia e defesa dos Emirados Árabes Unidos, anunciou a aquisição de 100% da Akaer, empresa brasileira especializada em engenharia aeroespacial. A operação, que ainda depende de aprovações regulatórias e do cumprimento de condições contratuais, representa o terceiro investimento do grupo no setor de defesa do Brasil em pouco mais de três anos. O valor da transação não foi revelado.

Akaer é referência em engenharia aeroespacial

Fundada em 1992, a Akaer, sediada em São José dos Campos (SP), atua no desenvolvimento de soluções para os segmentos aeroespacial, defesa e tecnologia.

Ao longo de sua trajetória, a empresa participou de importantes programas da indústria aeronáutica, como o caça Gripen NG, desenvolvido pela Saab para a Força Aérea Brasileira, além de projetos da Embraer, entre eles o cargueiro KC-390, o Super Tucano, as famílias de aeronaves comerciais ERJ-E1 e ERJ-E2, e os jatos executivos Legacy 450 e Legacy 500.

A companhia também colaborou em projetos ligados ao Boeing 747-8, ao avião B-250, da Calidus, e ao programa brasileiro de modernização das aeronaves de patrulha marítima P-3 Orion.

Aquisição fortalece portfólio tecnológico da Edge

Com a incorporação da Akaer, a Edge amplia sua atuação em áreas estratégicas como veículos aéreos não tripulados (VANTs), sensores ópticos, sistemas eletro-ópticos e infravermelhos, além de tecnologias voltadas ao setor espacial.

Segundo o grupo, a Akaer continuará operando no Brasil, preservando sua estrutura de gestão, equipe técnica e relacionamento com clientes nacionais e internacionais.

O diretor-presidente da Edge, Hamad Al Marar, afirmou que a empresa brasileira agrega uma equipe altamente especializada, com experiência em projetos aeroespaciais complexos desenvolvidos ao longo de três décadas.

Brasil se torna peça estratégica para o grupo árabe

A compra da Akaer consolida a estratégia da Edge de expandir sua presença na indústria de defesa brasileira.

O primeiro investimento ocorreu em 2023, quando o grupo adquiriu 50% da SIATT, empresa de São José dos Campos dedicada ao desenvolvimento de sistemas de defesa. Entre seus principais projetos está o Míssil Antinavio Nacional de Superfície, criado em parceria com a Marinha do Brasil para competir com modelos tradicionais do mercado internacional.

Como parte desse investimento, a Edge também financiou a construção de uma nova fábrica da SIATT em Caçapava (SP), além de firmar parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) para estimular pesquisa e formação de profissionais.

Expansão inclui tecnologias não letais

Em 2024, o conglomerado ampliou sua atuação ao comprar 51% da Condor Tecnologias Não Letais, fabricante brasileira reconhecida internacionalmente por equipamentos utilizados por forças policiais e militares.

O portfólio da empresa inclui gás lacrimogêneo, spray de pimenta, granadas de efeito moral e munições de impacto controlado, produtos exportados para 85 países.

Após a aquisição, a Edge anunciou investimentos para ampliar a capacidade produtiva da companhia no Brasil, reforçando sua presença também no segmento de segurança pública.

Brasil reúne engenharia qualificada e potencial de exportação

A escolha do Brasil faz parte da estratégia da Edge de ampliar sua atuação global por meio de mercados com forte capacidade tecnológica e custos competitivos.

Antes da compra da Akaer, os investimentos anunciados pelo grupo no país já somavam aproximadamente R$ 3 bilhões. Com a nova operação, esse montante deverá aumentar, embora os valores não tenham sido divulgados.

Mercado global de defesa segue em expansão

O avanço da Edge acontece em um cenário de crescimento dos investimentos militares em todo o mundo. Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), os gastos globais com defesa atingiram US$ 2,46 trilhões em 2024, alta de 7,4% em relação ao ano anterior.

Criado em 2019 a partir da integração de mais de 20 empresas dos Emirados Árabes Unidos, o Edge atua em áreas como inteligência artificial, cibersegurança, radares, munições, veículos autônomos e tecnologias espaciais.

Com operações em países como Polônia, Estônia e Suíça, além de joint ventures na Itália e na Espanha, o conglomerado reúne atualmente mais de 25 mil funcionários, receita anual de US$ 5 bilhões e passa a consolidar o Brasil como um de seus principais polos de engenharia e desenvolvimento tecnológico fora dos Emirados Árabes Unidos.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: AKAER/Divulgação

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