Sustentabilidade

Armazenamento de energia e hidrogênio ganham protagonismo nas estratégias de Brasil e China

O avanço do armazenamento de energia e do hidrogênio verde tem reforçado o papel dessas tecnologias como pilares da transição energética global. O tema esteve no centro das discussões do painel “Fortalecendo as energias renováveis com hidrogênio e armazenamento de energia em uma nova era”, realizado nesta sexta-feira (12) durante o 17º Fórum e Exposição Internacional de Investimentos e Construção de Infraestrutura, em Macau.

Promovido pela PowerChina e conduzido por Li Sisheng, vice-presidente executivo da companhia, o encontro reuniu representantes do setor energético, especialistas e lideranças empresariais de diferentes países para debater os desafios da expansão das energias renováveis e as soluções necessárias para garantir maior estabilidade aos sistemas elétricos.

Brasil prepara primeiro leilão nacional de baterias

O debate ocorre em um momento estratégico para o Brasil. Recentemente, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou a realização do primeiro leilão nacional de sistemas de armazenamento por baterias, previsto para dezembro de 2026.

A expectativa é que a iniciativa atraia mais de R$ 10 bilhões em investimentos, contribuindo para ampliar a segurança energética, aumentar a flexibilidade operacional do sistema e facilitar a integração de fontes renováveis ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Armazenamento de energia se torna peça-chave da transição energética

Durante a abertura do painel, Fang Qiuchen, presidente da Associação Internacional de Empreiteiros da China (CHINCA), destacou que o setor energético mundial vive uma nova etapa de transformação impulsionada pela inovação tecnológica, pela expansão das fontes limpas e pelas mudanças na matriz energética.

Segundo ele, o modelo tradicional está sendo substituído por sistemas mais eficientes, inteligentes e sustentáveis. Nesse cenário, o armazenamento de energia e o hidrogênio assumem funções estratégicas para equilibrar oferta e demanda, aumentar a capacidade de regulação das redes elétricas e viabilizar a integração de fontes renováveis.

Fang ressaltou ainda que a rápida expansão da energia solar e da energia eólica traz desafios relacionados à intermitência da geração. Para ele, o armazenamento é essencial para garantir o aproveitamento eficiente desses recursos em larga escala.

Integração tecnológica fortalece sistemas energéticos

Na sequência, He Yanfeng, vice-presidente executivo da Power Construction Corporation of China, afirmou que a busca simultânea por crescimento econômico, sustentabilidade ambiental e segurança energética tem acelerado a transformação do setor.

De acordo com o executivo, os sistemas de armazenamento passaram a desempenhar papel estrutural ao permitir que a eletricidade produzida por fontes renováveis seja utilizada de forma mais previsível e eficiente.

He destacou que a combinação entre energia solar, hidrogênio verde, armazenamento de energia e redes inteligentes representa uma das principais rotas tecnológicas para os sistemas energéticos do futuro.

O executivo também apresentou projetos desenvolvidos pela empresa em diferentes regiões do mundo, incluindo um dos maiores empreendimentos de armazenamento conectado à rede elétrica na Arábia Saudita e iniciativas voltadas ao uso industrial de energia renovável na Ásia Central.

Segundo ele, o armazenamento agrega “valor de tempo” à energia renovável, permitindo que a eletricidade gerada em períodos de maior produção seja utilizada posteriormente com segurança e estabilidade.

Hidrogênio verde e armazenamento caminham juntos

A visão internacional do tema foi reforçada por Adel Alsaeedi, vice-presidente sênior da Emirates Water and Electricity Company (EWEC), dos Emirados Árabes Unidos.

O executivo alertou que o aumento da demanda global por eletricidade, impulsionado pelo crescimento populacional, pela industrialização e pela expansão tecnológica, exige soluções capazes de fornecer energia limpa em grande escala.

Para Alsaeedi, embora as fontes renováveis sejam fundamentais para a descarbonização da economia, elas não conseguem, sozinhas, atender todas as exigências dos sistemas elétricos modernos.

Nesse contexto, o hidrogênio verde e os sistemas de armazenamento de energia tornam-se indispensáveis para garantir flexibilidade operacional, estabilidade das redes e maior resiliência energética.

Ele destacou ainda que o hidrogênio terá papel decisivo na redução das emissões em setores de difícil eletrificação, como aviação, transporte marítimo e indústria pesada, enquanto o armazenamento permitirá ampliar a participação das fontes renováveis com maior confiabilidade.

Estratégias de Brasil e China mostram convergência

As discussões realizadas em Macau reforçam que o armazenamento de energia deixou de ser uma solução complementar para se tornar um elemento central na expansão das energias renováveis em escala global.

A avaliação está alinhada com os movimentos adotados pelo Brasil, que busca ampliar sua capacidade de armazenamento por meio do leilão nacional de baterias e fortalecer a integração da geração solar e eólica ao sistema elétrico.

Nesse cenário, os debates promovidos pela PowerChina evidenciam uma crescente convergência entre as estratégias de Brasil e China. Os dois países avançam na construção de sistemas energéticos mais limpos, resilientes e preparados para absorver volumes cada vez maiores de energia renovável, tendo o armazenamento de energia e o hidrogênio verde como protagonistas dessa transformação.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Brasil 247

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Portos

Porto de Sines entra no radar de Suape para parceria estratégica transatlântica

O Complexo Industrial Portuário de Suape iniciou tratativas para uma parceria estratégica com o Porto de Sines, em Portugal. Localizado em Setúbal e reconhecido como o maior porto artificial do país, Sines possui águas profundas capazes de receber embarcações de até 350 mil toneladas. Além disso, é o porto europeu mais próximo do Nordeste brasileiro, com distância náutica inferior à de Roterdã, Antuérpia e Vigo.

Em 2024, Sines movimentou 1,9 milhão de TEUs, alcançando seu recorde histórico — desempenho bem acima dos 646.804 TEUs de Suape, que também registrou seu melhor resultado anual. O porto português figura entre os 15 maiores da União Europeia, ocupando a 14ª posição.

Sinergias logísticas e industriais
Armando Monteiro Bisneto, presidente de Suape, esteve em Lisboa para participar da 4ª edição da CONIBEN e, durante a viagem, visitou o Porto de Sines. Segundo o executivo, chamou atenção a semelhança entre os complexos: ambos integram áreas portuárias e industriais, possuem polos de energia, infraestrutura ferroviária em expansão e projetos em energias renováveis, além de manterem refinarias.

Bisneto afirmou que, ao retornar ao Brasil, terá uma reunião com os gestores portugueses para formalizar o diálogo. Para ele, Sines pode se tornar um aliado estratégico na integração logística transatlântica, ampliando a competitividade de Suape.

Concorrência regional e expansão de rotas
A movimentação de Suape ocorre em um momento em que o Porto do Pecém (CE) já avança na cooperação com Sines desde 2024. Durante o Brasil Export daquele ano, o então CEO da administração portuária portuguesa apresentou Sines como a “porta atlântica” das exportações brasileiras. Os acordos firmados com o Pecém e a CSN envolvem ligação ferroviária pela Transnordestina, operação no terminal de minérios da CSN no Ceará e a futura instalação de uma siderúrgica em território português — movimentos que devem impulsionar o fluxo de minérios e grãos do Brasil para a Europa.

Hub europeu para frutas brasileiras
Em abril de 2024, Sines firmou um protocolo com a Abrafrutas, que representa cerca de 80% das exportações brasileiras de frutas frescas. A proposta é transformar a região em um hub logístico e industrial para recebimento, processamento e distribuição de manga, melancia, uva e mamão, atendendo mercados da Península Ibérica, norte da África e outros destinos da União Europeia.

Para Suape, avançar nessa aproximação pode abrir portas para atrair cargas do Vale do São Francisco, hoje escoadas por outros portos nordestinos.

Sines como gateway europeu
A localização de Sines na Costa Atlântica reduz o tempo de travessia e torna os custos logísticos mais competitivos. Durante a Intermodal South America, em São Paulo, o porto foi novamente apresentado como gateway europeu para cargas brasileiras, reforçando sua relevância no comércio transatlântico.

CONIBEN: protagonismo pernambucano
A 4ª edição da Conferência Ibero-Brasileira de Energia acontece nesta semana, em Lisboa, reunindo lideranças do Brasil, Portugal e Espanha para discutir transição energética, descarbonização, energias renováveis, armazenamento e inovação tecnológica. A coordenação da edição de 2025 está a cargo do pernambucano Reive Barros, diretor da Acropólis Energia.

Tecnologia assistiva e inclusão no mercado de trabalho
O 2º Seminário Pernambucano de Tecnologia Assistiva discutirá soluções para ampliar a participação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Especialistas abordarão formação profissional, práticas acessíveis e ferramentas tecnológicas que reduzem barreiras. O evento, promovido pela Proacessi Consultoria, acontece nos dias 9 e 10 de dezembro, na Uninassau – Derby.

Crescimento do mercado global da música
Segundo MIDiA Research e Mordor Intelligence, o mercado musical mundial deve alcançar US$ 110 bilhões até 2032. A expansão do setor independente, projetada para crescer 6,4% ao ano até 2030, reforça o protagonismo das chamadas “eu-quipes”, em que artistas atuam de forma mais autônoma. A produtora Thainá Pitta, com experiência em eventos como AFROPUNK e The Town, lidera o projeto Independentes, que oferece suporte técnico e direção artística a profissionais do setor, atuando entre Salvador, São Paulo e Rio.

FONTE: Folha de Pernambuco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de Pernambuco

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Sustentabilidade

Brasil mantém liderança mundial no consumo de energias renováveis

Dados internacionais reforçam papel estratégico do país e ampliam expectativas para a COP30

O Brasil segue destacado como o protagonista global na transição energética, fato que muitos brasileiros desconhecem.

De acordo com dados do Our World in Data — projeto do Global Change Data Lab, sediado no Reino Unido e referência amplamente usada por organismos multilaterais —, o país apresenta, pelo menos desde 2000, um consumo per capita de energia primária renovável consistentemente superior à média mundial.

O gráfico abaixo evidencia essa trajetória de liderança.

Enquanto diversas nações avançam na adoção de fontes sustentáveis, o Brasil mantém vantagem graças à sua matriz energética majoritariamente renovável, com destaque para a geração hidrelétrica, os biocombustíveis e, mais recentemente, o crescimento das energias eólica e solar.

Enquanto o consumo anual de energia per capita no mundo está em 3183 kWh, o consumo brasileiro ascende a 8954 kWh, quase três vezes mais.

Esse desempenho não é apenas técnico, mas também simbólico. Em um cenário de crescente urgência climática, liderar em energia limpa significa mais do que cumprir metas: é ter autoridade para influenciar o rumo das discussões internacionais.

Nesse sentido, o Brasil está especialmente bem-posicionado para desempenhar um papel estratégico na COP30, que será realizada em Belém em 2025.

Com credenciais consolidadas, o país pode se tornar um difusor de tecnologias sustentáveis e de políticas públicas de incentivo à energia renovável, colaborando com países que enfrentam desafios semelhantes.

A experiência acumulada com o programa de biocombustíveis (notadamente o etanol e mais recentemente o biodiesel), a geração eólica, o incentivo à geração solar, são ativos que vão além das fronteiras nacionais.

É também uma oportunidade para reforçar o protagonismo diplomático do Brasil, alinhando sua tradição ambiental com uma agenda positiva de desenvolvimento.

Ao demonstrar que crescimento econômico e responsabilidade climática podem andar juntos, o país consolida sua imagem de liderança e inspira outras nações a seguir pelo mesmo caminho.

A liderança brasileira no consumo de energia renovável per capita não é um dado isolado: é o reflexo de uma política energética que, ao longo dos anos, tem conseguido equilibrar segurança, diversidade e sustentabilidade. Agora, mais do que nunca, essa trajetória ganha relevância global.

Com visão estratégica e compromisso climático, o Brasil pode transformar sua vantagem histórica em influência concreta no cenário internacional da transição energética.

Fonte: CNN Brasil

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Industria, Informação, Inovação, Investimento, Logística, Sustentabilidade

O papel da Tecer Terminais na movimentação especializada e o futuro off-shore

O Brasil tem se posicionado como um dos grandes players globais no setor de energias renováveis, especialmente com a expansão de parques eólicos e solares.

À medida que o mercado avança, a necessidade por soluções logísticas eficientes e sustentáveis se torna cada vez mais necessária. Dentro desse cenário, a Tecer Terminais se destaca como uma referência em operações de movimentação de cargas superdimensionadas para o setor eólico e de transformadores solares, contribuindo diretamente para o desenvolvimento de projetos on-shore e olhando estrategicamente para o futuro das operações off-shore com um planejamento de curto, médio e longo prazo visando atender as necessidades dos usuários do Complexo Portuário e Industrial do Pecém.

A atuação da Tecer nas operações na movimentação componentes eólicos e solares é marcada pelo uso de guindastes MHC (Mobile Harbor Crane) elétricos com capacidade de 150 toneladas e com empilhadeiras de 100 a 130 toneladas de capacidades, que além de serem mais ágeis e eficazes, apresentam uma alternativa ambientalmente amigável ao reduzirem emissões de carbono. Estes guindastes e empilhadeiras, combinados com carretas especiais com abertura entre eixos de até 70 metros geram um diferencial nas movimentações internas, são ideais para a movimentação de componentes essenciais para a construção de pás, torres e geradoras eólicas e transformadores solares, cujas dimensões exigem precisão técnica e equipamentos de ponta. Esse conjunto de soluções permite à Tecer realizar o transporte de grandes peças com rapidez, segurança e com menor impacto ambiental — uma demanda crescente no setor energético.

Entre os dias 22 e 24 de outubro a Tecer Terminais estará representando o Ceará no WindPower 2024, um dos maiores eventos da indústria eólica no Brasil. A participação da Tecer no evento simboliza não apenas sua liderança no mercado de movimentações portuárias em componentes eólicos nos sentidos de exportação e ou importação, mas também sua preparação para os desafios do futuro, especialmente no que diz respeito às operações offshore, uma das próximas fronteiras do setor de energia eólica.

As futuras movimentações off-shore, que exigem ainda mais especialização devido à complexidade e às condições ambientais desafiadoras, posicionam a Tecer como uma empresa que está participando dos planejamentos de curto, médio e longo prazo que será a chave para a construção de parques eólicos em águas profundas. Essas movimentações no setor representam não só avanços tecnológicos, mas também uma integração estratégica entre inovação e sustentabilidade, pilares que norteiam a atuação da Tecer Terminais no mercado de energias renováveis.

Carlos Alberto Nunes é diretor comercial da Tecer Terminais

O papel da Tecer Terminais na movimentação especializada e o futuro off-shore – Colaboradores – Diário do Nordeste

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