Sustentabilidade

Vaca Muerta: Uma oportunidade para responder à crise global de energia

A transição de longo prazo para sistemas de energia de baixo carbono continua ganhando força. Nos últimos dois anos, vimos uma aceleração das pressões sociais, políticas e de investidores sobre as empresas do setor para que abandonem a energia baseada em combustíveis fósseis e avancem em direção a uma economia de zero carbono.

Por exemplo, no início de 2020, apenas algumas empresas de petróleo e gás haviam anunciado metas de emissões líquidas zero até 2050. Hoje, dezenas de empresas estabeleceram metas cada vez mais ambiciosas — algumas com prazos para 2040 ou antes. A exigência continua aumentando, especialmente à medida que os acionistas demandam reduções mais amplas e rápidas de emissões dos setores que mais poluem.

Mais recentemente, as tensões geopolíticas provocadas pela invasão da Ucrânia e o impacto massivo sobre a vida e os meios de subsistência das pessoas na região estão causando turbulência nos mercados de energia da Europa e além. Mesmo antes do conflito, a recuperação da demanda por energia já havia provocado restrições de oferta e picos de preços em várias commodities. Agora, há uma necessidade urgente de aumentar a oferta de energia segura, confiável e acessível para os mercados globais no curto e médio prazo.

Em períodos anteriores de altos preços, a indústria de petróleo e gás respondeu aprovando megaprojetos bilionários com décadas de produção e altas emissões associadas. Em contraste, o atual imperativo de baixo carbono exige não apenas recursos de hidrocarbonetos com emissões reduzidas, mas também ciclos de produção mais curtos — característica essencial do petróleo não convencional.

Na indústria de petróleo e gás, o termo “não convencional” se refere a hidrocarbonetos obtidos por métodos diferentes dos poços verticais tradicionais. Embora a maior parte do desenvolvimento de petróleo e gás não convencional esteja concentrada na América do Norte, fontes alternativas estão sendo desenvolvidas em vários locais ao redor do mundo, como China, Arábia Saudita e — de forma particularmente notável — Argentina.

A formação Vaca Muerta (“vaca morta”, em espanhol) mostra grande potencial para aumentar a oferta global. Em 2019, nossas pesquisas concluíram que as propriedades geológicas de Vaca Muerta eram comparáveis às principais formações dos Estados Unidos e que o local era promissor para o desenvolvimento. Hoje, após anos de melhorias de produtividade, incluindo a importação de boas práticas, o custo técnico médio de equilíbrio de um poço em Vaca Muerta está em linha com os principais campos não convencionais dos EUA.

O aumento da produção para exportação de Vaca Muerta pode ajudar a reduzir a intensidade das emissões globais de gases de efeito estufa e ampliar a oferta de petróleo acessível e confiável. Mais importante ainda, a intensidade de carbono do petróleo de Vaca Muerta está bem abaixo da média global. Isso significa que o aumento das exportações de Vaca Muerta e de locais semelhantes ao redor do mundo pode ajudar a reduzir a intensidade das emissões e, ao mesmo tempo, garantir um suprimento de energia acessível e estável durante a transição energética.

Vaca Muerta: Uma visão geral

De acordo com o Global Energy Perspective 2022 da McKinsey, os combustíveis fósseis ainda terão um papel crucial nos próximos anos, apesar do aumento da eletrificação. Até 2035, espera-se que a demanda por gás natural cresça entre 10% e 20% em relação aos níveis atuais, respondendo por uma parte relevante da demanda primária de energia até 2050.

Isso significa que, em todos os cenários, os combustíveis fósseis continuarão preenchendo lacunas no mix energético enquanto o mundo avança para fontes alternativas.

No contexto de alta volatilidade provocada por eventos geopolíticos recentes e inovações tecnológicas, a extração de petróleo de xisto oferece um elemento de certeza, dada a modularidade dos investimentos e o curto intervalo entre perfuração e produção, em comparação aos projetos convencionais. Por isso, o petróleo de xisto pode reagir rapidamente a interrupções de oferta e variações de preço com flexibilidade.

A Argentina possui a segunda maior reserva mundial de gás não convencional e a quarta maior de petróleo não convencional, a maior parte localizada em Vaca Muerta, principalmente na província de Neuquén. A geologia de Vaca Muerta é comparável às principais formações dos EUA, especialmente à Bacia do Permiano (incluindo as sub-bacias Delaware e Midland).

Os poços de xisto geralmente atingem seu pico de produtividade logo no início e depois apresentam declínio rápido. Ainda assim, as características geológicas de Vaca Muerta proporcionam taxas de produtividade elevadas, frequentemente associadas a maiores volumes recuperáveis. Em 2021, poços de Vaca Muerta alcançaram produção média de 82.000 barris de petróleo nos primeiros 90 dias, comparado a 76.000 barris em Delaware. Além disso, as três últimas campanhas anuais em Vaca Muerta apresentaram produção acumulada 23% superior à de Delaware.

Em termos econômicos, o custo técnico de equilíbrio é de US$ 36 por barril de petróleo e US$ 1,60 por milhão de BTU de gás, valores compatíveis com os campos norte-americanos (entre US$ 34 e US$ 51 por barril e entre US$ 1,30 e US$ 1,80 por MMBtu). Os custos locais mais altos de perfuração são compensados pela maior produtividade, resultado dos picos iniciais mais elevados e de níveis sustentados de produção.

Além disso, o petróleo de Vaca Muerta é mais leve e possui baixo teor de enxofre (menos de 0,5%, em comparação com a média de 1% a 3%), o que o torna mais fácil de refinar e converter em gasolina, exigindo tecnologias menos complexas.

As exportações de petróleo leve dos EUA para a Europa (principalmente França, Itália e Reino Unido) e para a Ásia Oriental (principalmente China, Coreia e Singapura) aumentaram recentemente. Assim, é razoável supor que o petróleo de Vaca Muerta também poderia atender a esses mercados, devido à sua semelhança com o petróleo leve americano.

Por fim, os processos de produção em Vaca Muerta apresentam intensidade de carbono de 15,8 kg de CO₂ por barril equivalente de petróleo, uma das mais baixas do mundo — bem abaixo da média global de 23 kg de CO₂ por barril equivalente.

Potencial de produção e oportunidades de exportação

Atualmente, a produção argentina de petróleo bruto está entre 0,5 e 0,6 milhão de barris por dia. Se Vaca Muerta atingir seu potencial, essa produção poderá dobrar em cinco anos (até 2027) e triplicar em dez anos (até 2032), o que colocaria a Argentina entre os 20 maiores exportadores de petróleo do mundo.

Da mesma forma, estima-se que a produção de gás natural aumente de 4,0 bilhões de pés cúbicos por dia para 5,4 bilhões em cinco anos e 6,3 bilhões em dez anos, equilibrando a dependência do país de importações.

Essas projeções assumem o aumento da atividade de Vaca Muerta de cerca de 30 plataformas de perfuração em 2022 para 70 nos próximos quatro a cinco anos — o que tornaria sua densidade de plataformas semelhante à da Eagle Ford, no Texas.

Ampliar essa atividade exigirá investimentos de pelo menos US$ 45 bilhões nos próximos dez anos, tanto para superar gargalos de infraestrutura quanto para reduzir o risco político e regulatório. A longo prazo, as importações de equipamentos e insumos necessárias poderiam ser financiadas pelas receitas de exportações e pela economia gerada pela redução das importações de gás.

Nossas estimativas indicam que esse processo poderia gerar entradas líquidas positivas de aproximadamente US$ 50 bilhões em dez anos. No mesmo período, o desenvolvimento de Vaca Muerta poderia gerar entre US$ 58 bilhões e US$ 70 bilhões em receitas federais e provinciais.

O aumento da atividade também elevaria a participação da indústria de petróleo e gás no PIB argentino de 1,4% para 8,4% até 2032, com a criação de até 20.000 empregos diretos e 260.000 empregos indiretos e induzidos.

Vaca Muerta representa, portanto, uma oportunidade de explorar uma fonte de energia adicional que é econômica, acessível e constante. O petróleo de xisto ainda não é explorado em larga escala fora dos Estados Unidos, e Vaca Muerta oferece a primeira oportunidade viável para isso.

À medida que o mundo se afasta de fontes de energia intensivas em carbono, Vaca Muerta pode ajudar em duas frentes:

  • No curto prazo, fornecendo ao mundo uma energia acessível, confiável e segura.
  • No longo prazo, servindo de base para que a Argentina desenvolva rotas adicionais de descarbonização, como hidrogênio azul ou verde.

Vivemos tempos incertos. As economias globais continuam se recuperando após a COVID-19, a situação na Ucrânia permanece em aberto e o mix energético está mudando rapidamente para refletir metas climáticas cada vez mais ambiciosas. Contudo, a demanda por petróleo não desaparecerá no futuro imediato.

FONTE: McKinsey & Company
IMAGEM: Reprodução/McKinsey & Company

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Economia

Brasil atrai mais investimentos estrangeiros do que a média global

O Investimento Direto Estrangeiro (IDE) destinado a novos projetos produtivos no Brasil cresceu 67% entre 2022 e maio de 2025, na comparação com o período entre 2015 e 2019. O dado integra um estudo da consultoria McKinsey, que analisou o comportamento de grandes multinacionais em meio ao atual cenário de fragmentação política e mudanças geoeconômicas. No mundo, o crescimento médio do IDE no mesmo intervalo foi de 24%.

O movimento acontece mesmo com o aumento de barreiras comerciais e da disputa geopolítica entre grandes potências. Países desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa, passaram a direcionar mais capital entre si, enquanto reduziram aportes na China. Já o país asiático intensificou investimentos em outras regiões, principalmente na Europa, América Latina e Oriente Médio.

Vantagem brasileira: distância geopolítica menor

O estudo mostra que economias emergentes têm atraído investimentos de diversos blocos políticos, especialmente aquelas consideradas neutras — caso do Brasil. Segundo a McKinsey, cerca de 65% das empresas que anunciaram aportes no Brasil, Singapura e Emirados Árabes Unidos mantiveram o mesmo “alcance geopolítico” de investimento, índice significativamente maior do que o registrado em países como EUA, Japão e China.

“O Brasil é historicamente neutro do ponto de vista geopolítico, e isso se tornou um ativo importante. Observamos uma diversificação da origem dos investimentos, com novos fluxos vindos da Ásia e do Oriente Médio”, afirma Nelson Ferreira, sócio sênior da McKinsey.

A Europa lidera o volume de aportes no Brasil desde 2022, responsável por aproximadamente 50% do investimento estrangeiro anunciado. Os Estados Unidos aparecem em seguida, com cerca de 15%.

Aportes brasileiros no exterior diminuem

Enquanto a entrada de investimentos aumentou, a saída seguiu direção oposta. O volume de IDE de empresas brasileiras no exterior caiu 19%, passando de US$ 2,9 bilhões (2015–2019) para US$ 3,2 bilhões (2022–maio/2025).

A pesquisa considera apenas investimentos greenfield — isto é, novos projetos produtivos — e não inclui fusões, aquisições ou reinvestimentos de lucro.

Energia lidera os aportes estrangeiros no Brasil

O setor de energia é o principal destino dos recursos internacionais, concentrando 46% dos investimentos estrangeiros anunciados para o Brasil desde 2022. Entre os projetos de maior destaque estão:

  • Usina de hidrogênio verde no Ceará
  • Projetos de petróleo e gás na Bacia de Campos

Esses investimentos fazem parte de uma tendência de meganegócios: embora representem apenas 1% dos anúncios globais, são responsáveis por 50% do valor total investido — proporção que vem crescendo nos últimos cinco anos.

Próximos passos para ampliar a competitividade

Para avançar na atração de capital produtivo, o Brasil ainda enfrenta desafios, especialmente relacionados a custos e ambiente de negócios. De acordo com Ferreira, juros elevados e custo de capital alto limitam a expansão da indústria de manufatura avançada. “Para ganhar competitividade em indústrias estratégicas, o país precisa de um novo ciclo de investimento e modernização com tecnologias como digitalização, automação e inteligência artificial.”

A combinação de energia renovável abundante, grande mercado consumidor e mão de obra disponível coloca o Brasil em posição de destaque para setores de agricultura, energia e commodities.

FONTE: INFOMONEY

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO INFOMONEY

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Internacional

UE define proibição total de importações de gás russo até 2028

A União Europeia (UE) anunciou nesta segunda-feira (20) a formalização de um acordo entre os Estados-membros para proibir integralmente as importações de gás natural russo até 1º de janeiro de 2028. A medida faz parte do plano REPowerEU, que visa reduzir a dependência energética da Rússia e reforçar a segurança energética europeia.

Proibição gradual e juridicamente vinculativa

De acordo com o comunicado oficial, a nova regulamentação estabelece uma proibição gradual e legalmente obrigatória tanto para o gás de gasoduto quanto para o gás natural liquefeito (GNL) proveniente da Rússia. O objetivo é consolidar um mercado energético da UE mais resiliente e independente.

O Conselho da UE detalhou que a proibição terá início em 1º de janeiro de 2026, mas haverá uma fase de transição para contratos já existentes. Contratos de curto prazo assinados antes de 17 de junho de 2025 poderão vigorar até 17 de junho de 2026, enquanto contratos de longo prazo poderão permanecer ativos até 1º de janeiro de 2028.

Impacto e supervisão das importações

O ministro dinamarquês de Clima e Energia, Lars Aagaard, que preside o Conselho de Energia, destacou que “uma Europa energeticamente independente é uma Europa mais forte e segura”, celebrando o apoio “esmagador” dos Estados-membros à legislação que eliminará definitivamente o gás russo da UE.

O acordo também prevê mecanismos de monitoramento, autorização prévia de importações e exigência de planos nacionais de diversificação. Países ainda dependentes do gás russo terão que apresentar estratégias concretas para reduzir essa dependência. Segundo dados da UE, mesmo após quedas significativas desde 2022, o gás russo ainda representava cerca de 13% das importações europeias em 2025, equivalentes a mais de 15 bilhões de euros por ano.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Yves Herman

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Importação

Petrobras realiza primeira importação de gás natural da Argentina

A Petrobras concluiu na última sexta-feira (3.out.2025) a primeira importação de gás natural proveniente da formação de Vaca Muerta, na Argentina. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (6.out) pela estatal, que firmou parceria com a Pluspetrol para viabilizar a operação.

Operação-piloto de gás natural

O transporte envolveu cerca de 100 mil m³ de gás não convencional, produzido pelas subsidiárias Petrobras Operaciones S.A. (POSA) e Pluspetrol. O objetivo do teste foi avaliar a viabilidade comercial e operacional da iniciativa.

O trajeto do combustível foi realizado por gasodutos, saindo da Argentina, passando pela Bolívia e chegando ao Brasil. Pelo contrato assinado, a Petrobras poderá importar até 2 milhões de m³ de gás na modalidade interruptível, ou seja, com fornecimento sujeito a suspensão caso a infraestrutura seja necessária para outras demandas.

Segundo a empresa, essa flexibilidade garante que o experimento ocorra sem afetar o abastecimento regular do mercado de gás natural no Brasil.

Integração de mercados de energia

Para Angélica Laureano, diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, a operação marca um avanço estratégico.

“Essa solução logística e comercial abre uma nova possibilidade para a importação de gás natural pelo Brasil, reforçando nosso compromisso com o aumento da oferta e com o desenvolvimento sustentável do mercado”, destacou.

A Petrobras mantém presença na Argentina por meio da POSA, onde detém 33,6% de participação não-operada no campo de Rio Neuquén, nas províncias de Neuquén e Rio Negro. A produção local é majoritariamente de gás não convencional (tight gas), extraído das formações geológicas Punta Rosada e Lajas.

O que é o gás de xisto?

O gás de xisto é uma forma de gás natural aprisionado em rochas densas chamadas xistos. Diferentemente do gás convencional, que se acumula em reservatórios porosos, ele exige técnicas avançadas para extração, como o fraturamento hidráulico (fracking).

Nesse método, uma mistura de água, areia e produtos químicos é injetada sob alta pressão, abrindo fissuras nas rochas e permitindo a liberação do gás. Apesar da eficiência para acessar grandes reservas, a técnica é cara, intensiva em recursos e envolve riscos ambientais.

Entre as preocupações, estão o possível contato com lençóis freáticos, o alto consumo de água, a ocorrência de abalos sísmicos e a emissão de metano, um potente gás de efeito estufa.

No Brasil, a exploração de gás de xisto por fracking não é regulamentada. Decisões judiciais já suspenderam atividades do tipo em áreas da Bahia e do Paraná, que haviam sido leiloadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Industria, Investimento

BNDES anuncia R$ 3,3 bi em investimentos para indústria, logística e energia em SC

Presidente da FIESC, Gilberto Seleme, participou de evento em Itajaí que oficializou pacote de recursos voltados a setores estratégicos, entre eles a construção de oito embarcações de apoio offshore

O BNDES anunciou nesta segunda-feira (22), em Itajaí, um pacote de R$ 3,3 bilhões em investimentos para impulsionar três setores estratégicos em Santa Catarina: a construção naval, a infraestrutura rodoviária e a produção de biodiesel. Os recursos viabilizarão a construção de oito embarcações de apoio offshore no estaleiro Detroit Brasil, a pavimentação e recuperação de 117 km de rodovias estaduais e a implantação da primeira usina de biodiesel da Cooperalfa, em Chapecó.

O anúncio foi feito durante a assinatura do contrato entre o BNDES e a Starnav Serviços Marítimos para a construção das embarcações, em cerimônia realizada na superintendência do Porto de Itajaí. A expectativa é que os projetos ajudem a fortalecer a logística, gerem empregos e acelerem a transição energética no estado.

O presidente da FIESC, Gilberto Seleme, defendeu no evento uma atuação cada vez mais ativa do BNDES no Estado e reforçou o convite para que o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, participe de um encontro com empresários na sede da entidade em outubro. “É fundamental que Brasília e o BNDES enxerguem com atenção o potencial produtivo de Santa Catarina”, afirmou.

O maior volume de recursos, R$ 2,5 bilhões, será destinado à Starnav para a construção de oito embarcações multipropósito no estaleiro Detroit Brasil, em Itajaí. Serão quatro navios do tipo PSV (Platform Supply Vessel) e quatro OSRV (Oil Spill Recovery Vessel), todos com motorização híbrida diesel-elétrica e capacidade de 5.500 toneladas de porte bruto, para a Petrobras.  

Retomada com responsabilidade ambiental

Além de mais eficientes, as novas embarcações vão emitir cerca de 18% menos gases de efeito estufa em comparação com a frota atual. Os contratos de afretamento já estão firmados com a Petrobras por um período de 12 anos. As obras devem gerar 1,4 mil empregos diretos e mais de 6 mil indiretos, movimentando a economia local e reforçando a retomada da indústria naval brasileira com foco em inovação e sustentabilidade.

Durante o evento, o CEO da Detroit Brasil, Juliano Zimmermann Freitas, destacou o simbolismo da retomada da construção naval com tecnologia nacional e responsabilidade ambiental. “Estamos falando de uma frota voltada para o futuro, com melhor desempenho energético, menor emissão de gases de efeito estufa e um desenho voltado à eficiência operacional. Esse projeto representa muito mais do que um marco comercial, é uma demonstração de confiança do governo federal, especialmente do BNDES, na capacidade do setor privado de liderar uma retomada sustentável da indústria naval”, afirmou.

Obras para rodovias

A segunda frente de investimentos contempla R$ 401 milhões para obras em rodovias estaduais, por meio do programa BNDES Invest Impacto. O pacote inclui a pavimentação de 9 km da SC-492 e a recuperação estrutural de outros 108 km nas SC-283, SC-120 e SC-305, abrangendo três macrorregiões do estado: Oeste, Meio-Oeste e Serra. As melhorias devem beneficiar diretamente cerca de 114 mil pessoas, além de contribuir para o escoamento da produção agroindustrial, com destaque para a cadeia de carnes.

Transição energética no campo

O terceiro eixo do pacote é voltado à transição energética no campo. A Cooperativa Agroindustrial Alfa, com sede em Chapecó, vai receber R$ 356 milhões para ampliar sua planta esmagadora de soja e construir sua primeira unidade de produção de biodiesel. A capacidade de esmagamento subirá de 2 mil para 3 mil toneladas por dia, com todo o volume adicional destinado à produção de biocombustíveis e seus subprodutos.

A nova usina poderá produzir até 1.150 metros cúbicos de biodiesel por dia e deverá evitar a emissão de aproximadamente 803 mil toneladas de CO₂-equivalente. Parte dos recursos virá do Fundo Clima, reforçando o alinhamento com as metas de descarbonização previstas na política Nova Indústria Brasil.

Durante a cerimônia de assinatura, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que os projetos refletem um modelo de desenvolvimento que une competitividade, responsabilidade ambiental e geração de empregos. “Santa Catarina é um exemplo de como é possível crescer com sustentabilidade e inclusão produtiva. Nosso papel é garantir que os investimentos cheguem com eficiência e impacto”, afirmou.

O secretário de Estado de Portos e Aeroportos, Beto Martins, também ressaltou o momento positivo da economia catarinense e o papel dos investimentos para alavancar ainda mais o setor logístico. Segundo ele, Santa Catarina cresceu 7,4% na movimentação total de cargas entre janeiro e julho deste ano, bem acima da média nacional de 4,7%. “De cada cinco contêineres que passam pela costa brasileira, um circula por aqui. Isso mostra a relevância do estado e a importância de ampliar a infraestrutura”, destacou.

Com informações da assessoria de imprensa regional

Fontes:
Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC
Gerência de Comunicação Institucional e Relações Públicas

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Notícias

Itaipu e Receita Federal fazem contrabando virar energia limpa

Produtos apreendidos são processados em biogás

Dentro do lado brasileiro da usina hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no Paraná, na fronteira com o Paraguai, funciona uma usina de biogás e biometano. O local, preparado para transformar resíduos orgânicos em energia limpa, já recebeu a visita de carretas da Receita Federal com produtos aprendidos, como feijão e milho.

A ação é fruto de uma parceira do órgão arrecadador de tributos com o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), que opera a biousina. O CIBiogás é uma empresa fundada por Itaipu Binacional e voltada a soluções na área de combustível limpo.

Além da parceria com a Receita, a biousina tem acordos com a Polícia Federal (PF) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Essas parcerias dão um destino improvável a mercadorias apreendidas fruto de contrabando (mercadoria proibida) e descaminho (produtos que entram no país sem pagamento de impostos).

Na área de estoque da planta estão litros e mais litros de vinho, toneladas de açúcar e outros produtos, como azeite, óleo, batata, chiclete, farinha, cacau e pó de café.

De acordo com o diretor de Estratégias de Mercado do CIBiogás, Felipe Marques, já foram mapeados mais de 400 tipos de resíduos capazes de serem transformados em energia limpa.

Biodigestão

Um enorme tanque vedado proporciona a biodigestão, processo em que a matéria orgânica desses produtos é transformada em biogás. O resultado final é um gás combustível renovável, ou seja, energia limpa, que ajuda a diminuir a emissão de gases do efeito estufa, causadores do aquecimento global e, por consequência, das mudanças climáticas que tornam mais frequentes as tragédias ambientais.

Marques explica que, em termos de emissão de gases do efeito estufa, o biometano se iguala ao etanol, outro combustível renovável utilizado por automóveis. “É praticamente a mesma emissão”, diz.

“O biometano sendo usado para substituir diesel causa um impacto muito grande em termos de redução de emissões”, afirmou.

Além da parceira com os órgãos federais, o biodigestor em Itaipu recebe resíduos de restaurantes do complexo de Itaipu. A planta processa meia tonelada de rejeitos por dia. Desde 2017, já foram 600 toneladas. O ritmo pode aumentar, uma vez que a capacidade é de até 1 tonelada diária. 

Abastecimento

Do biogás é produzido o biometano, que tem características semelhantes ao gás natural, sendo usado para abastecer a frota de veículos leves do complexo e o ônibus de turismo da hidrelétrica.

A biousina produz cerca de 200 metros cúbicos (m³) por dia de biogás e 100 m³/dia de biometano, o que permite abastecer diariamente dez carros.

Desde 20127, a unidade já abasteceu 41,3 mil m³ de biometano, o que possibilitou 484 mil quilômetros rodados. Os técnicos do CIBiogás informam que a planta já foram processou:

  • 22 toneladas de leite em pó provenientes da Índia e apreendidos no Porto de Paranaguá, no Paraná
  • 75 toneladas de cacau vindos da Tailândia, também apreendidos em Paranaguá
  • 9 mil litros de azeite
  • 5,5 toneladas de leite em pó
  • 870 litros de vinho

Integrante da Diretoria de Desenvolvimento Tecnológico do CIBiogás, Geovani Geraldi explica que é preciso dosar o conteúdo levado para o biodigestor, a fim de garantir a qualidade do biogás e biometano produzidos.

“Farinha produz muito biogás, mas não tanto assim de metano. Então, eu preciso dosar a farinha com mais calma do que azeite de oliva, que produz muito biogás e é rico em metano, então coloco mais azeite de oliva”, exemplifica.

“Dosando com aquilo que temos também de estoque, se não vai poder faltar futuramente. A gente tem todo esse controle operacional”, completa.

De acordo com Marques, a Petrobras já demonstrou interesse em comprar o biometano gerado na biousina.

“Eles estão bem engajados em termos de usar biometano e impulsionar o mercado de biometano no Brasil”, contou.

Dos resíduos também é possível se produzir biofertilizantes, utilizados na irrigação de gramas ou áreas degradadas.

SAF na COP 30

Também a partir da biodigestão de apreensões da Receita e da PF, a unidade do CIBiogás desenvolve o bio-syncrude, um óleo sintético que pode ser usado na produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação, na sigla em inglês). O SAF pode reduzir significativamente a emissão de gases do efeito estufa, em comparação com o querosene de aviação tradicional.

Itaipu Binacional prepara uma demonstração do óleo sintético para apresentar durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que ocorrerá em novembro, em Belém.

Há uma parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) para desenvolver o SAF a partir do refino do bio-syncrude. Os investimentos em energia renovável são uma das apostas de Itaipu Binacional para aumentar a geração de energia.

Fonte: Agência Brasil

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Tecnologia

Baterias usadas de carros elétricos viram fonte de energia para IA

Redwood Materials cria microrredes solares com baterias para abastecer data centers de Inteligência Artificial
Baterias que um dia equiparam carros elétricos estão sendo reaproveitadas em um cenário bem diferente: o abastecimento energético de centros de dados voltados à Inteligência Artificial (IA). A iniciativa é da Redwood Materials, uma das principais empresas americanas especializadas em reciclagem e reaproveitamento de baterias.

A companhia inaugurou recentemente uma nova divisão chamada Redwood Energy, voltada à construção de microrredes movidas a energia solar e compostas por baterias de veículos elétricos que ainda mantêm parte significativa de sua capacidade original. Em vez de seguir diretamente para a reciclagem, essas baterias são testadas e reaproveitadas em sistemas de armazenamento de energia para uso comercial.

O primeiro projeto da nova unidade foi instalado em Nevada, em um parque industrial próximo a Reno, e fornece energia para uma instalação da empresa Crusoe, que atua com mineração de criptomoedas e, mais recentemente, com data centers especializados em IA. A microrrede é abastecida por painéis solares e conta com capacidade de 64 megawatts-hora — suficiente para atender operações intensivas em computação com mínima dependência da rede elétrica convencional.

Segundo a Redwood, esse modelo oferece diversas vantagens. Além de evitar o descarte prematuro de baterias, as microrredes podem ser instaladas com rapidez, ajudam a reduzir as emissões de carbono e oferecem uma solução mais barata do que sistemas que utilizam baterias novas. A ideia é expandir o conceito para outros polos tecnológicos dos EUA, como Texas e Virgínia, regiões onde o número de data centers tem crescido em ritmo acelerado.

A empresa estima que mais de 100 mil veículos elétricos sairão de circulação este ano nos EUA, o que representa um volume expressivo de baterias potencialmente reaproveitáveis. A Redwood já tem material suficiente para criar microrredes com capacidade de 1 gigawatt-hora e trabalha no desenvolvimento de sistemas ainda maiores.

A demanda por energia no setor de tecnologia, especialmente com o avanço da IA, deve aumentar consideravelmente nos próximos anos. Um relatório da Agência Internacional de Energia prevê que o consumo dos data centers pode dobrar até 2030. Nesse cenário, soluções de armazenamento acessíveis e baseadas em energia limpa ganham relevância estratégica.

Para a Redwood, o projeto marca não apenas uma diversificação de sua atuação, mas também uma visão de longo prazo sobre a circularidade na eletromobilidade. Ao estender a vida útil das baterias em aplicações estacionárias, a empresa ajuda a fechar o ciclo da mobilidade elétrica e contribui para uma infraestrutura digital menos dependente de combustíveis fósseis.

Fonte: MIT

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Economia

Custo da energia subiu quatro vezes mais que a inflação em 25 anos, aponta Abrace

Aumento expressivo dos gastos com eletricidade e gás natural pressionou o preço dos produtos e reduziu poder de compra

O custo com energia para a indústria subiu o equivalente a quatro vezes a inflação desde o ano 2000, aponta um estudo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace) e da consultoria Ex Ante, divulgado nesta quinta-feira (3/7).

A associação teme que dispositivos da medida provisória 1300/2025, que trata da reforma do setor elétrico, encareçam ainda mais os custos para grandes consumidores de energia elétrica, especialmente os industriais do mercado livre, que poderão ter um acréscimo entre 80% e 200% no valor pago de Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) até 2038

Atualmente, a CDE é estimada em R$ 49,2 bilhões em 2025 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Energia cara impulsiona inflação

A pesquisa aponta que, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no período foi de 375%, o custo com energia subiu 1.299%.

As estimativas incluem tanto os gastos com eletricidade e gás natural, que é utilizado por setores da indústria.

No caso do gás, o crescimento do preço do insumo no Brasil foi de 231%, enquanto os Estados Unidos tiveram um aumento de 127,5% e na Europa a alta foi de 100,2%.

Essa métrica é importante para ilustrar que a indústria brasileira perdeu competitividade frente a dois grandes mercados, explica a Abrace. E aponta que o consumo de energia industrial é o mesmo há 12 anos, indicando estagnação do segmento no Brasil.

O peso da energia trouxe impactos no poder de compra dos brasileiros. Entre todos os tipos de produtos e serviços na cesta de consumo das famílias, o levantamento mostra que a eletricidade influenciou em 233% de um total de 347% de inflação.

As passagens aéreas subiram 1.366% desde 2000, sendo 210% por conta dos combustíveis. O preço do pão francês aumentou 509,5%, com 435% diretamente puxados por conta da energia.

Entre as carnes, a disparada dos preços ficou acima de 700%, sendo que gastos extras com energia corresponderam a 399%.

Para o presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, a inserção de subsídios na tarifa de energia fez com que os custos se tornassem um impeditivo para o crescimento econômico e impactassem diretamente os preços.

“O Brasil vem, nesses últimos 25 anos, consistentemente quebrando as metas de inflação. Essa quebra das metas da inflação está muito explicada pelo aumento do custo da energia, não o aumento para as famílias, mas aquele que vem através de tudo que é produzido no Brasil”, disse.

Alerta para novos custos com MP

A entidade se posiciona contra dispositivos da MP 1300/2025, a exemplo da realocação de encargos setoriais das usinas nucleares de Angra 1 e 2, que passarão a ser pagos pelos consumidores que migraram ao mercado livre de energia.

Embora elogie a intenção do governo em expandir a tarifa social de energia elétrica, o presidente da Abrace defende que as indústrias terão aumentos de custos e, portanto, haverá repercussões aos consumidores.

A associação entende que o Luz Para Todos e a Tarifa Social, programas sociais relacionados à energia elétrica, devem ser custeados pelo Tesouro Nacional.

A inserção de dispositivos que possam provocar aumentos ainda mais significativos na conta de luz é um temor para a entidade, já que ocorreram movimentos parecidos durante a análise de outros projetos.

Segundo Victor iOcca, diretor de energia elétrica da Abrace, o Congresso Nacional costuma “migrar jabutis” entre os projetos de lei, muitas vezes inserindo obrigatoriedade de contratação de energia mais cara.

“A MP 1300, do ponto de vista do setor produtivo, traz um impacto negativo expressivo, de até 20% no aumento do custo de energia no longo prazo. Infelizmente tem ali algumas propostas [emendas] que podem piorar esse cenário”, criticou.

Fonte: Eixos

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Economia

Energia mais cara puxa a alta da inflação em junho, mostra a Udesc Esag

Com a bandeira tarifária vermelha, a energia elétrica ficou 4% mais cara em junho em Santa Catarina

A inflação sentida pelos consumidores em Florianópolis foi de 0,42% em junho, um pouco abaixo que a do mês anterior, quando os preços haviam subido 0,46%. Em junho, houve alguma alta em cinco dos nove grupos pesquisados, enquanto os outros quatro tiverem redução. A energia elétrica residencial (alta de 4%) pesou novamente, com a mudança da bandeira tarifária de amarela para vermelha.

A inflação acumulada nos cinco primeiros meses de 2025 é de 3,96%. Já se considerados os últimos 12 meses, o índice acumulado está em 6,98%.

Os números são do Índice de Custo de Vida (ICV), calculado mensalmente pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), por meio do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), com apoio da Fundação Esag (Fesag).

Alimentos

O grupo Alimentação e Bebidas teve um aumento médio de 0,64% em junho (idêntico ao do mês anterior). Os alimentos comprados em feiras e supermercados para consumo em casa tiveram altas maiores (1,05%), enquanto as refeições fora de casa ficaram com os preços praticamente estáveis (alta de 0,01%). O padrão é praticamente o mesmo verificado em maio.

Entre os alimentos, os maiores aumentos foram novamente os dos tubérculos, raízes e legumes (14,2%). Os destaques são o tomate (34,9%) – cujo preço havia caído mais de 10% no mês anterior – e a cebola de cabeça (7,3%).

As hortaliças e verduras (4,8%) e as frutas (3,1%) também ficaram mais caras. Os maiores aumentos nesses subgrupos foram os do mamão (16,9%), morango (12,5%), alface (10,9%) e couve-flor (6,4%).

Houve ainda alguma alta nos preços das bebidas e infusões (1,5%), carnes e peixes industrializados (1%), enlatados e conservas (1%), aves e ovos (0,9%), sal e condimentos (0,6%), farinhas, féculas e massas (0,5%), carnes (0,4%), açúcares e derivados (0,4%) e leites e derivados (0,1%).

Mas alguns alimentos ficaram mais baratos. É o caso dos cereais, leguminosas e oleaginosas (-4,5%), incluindo milho de pipoca (-5,8%), arroz agulha (-4,5%), feijão preto (-4,3%) e amendoim (-4%). Também caíram os preços dos pescados (-1,7%), óleos e gorduras (-1%) e panificados (-0,2%).

Outros preços

Com a alta da energia elétrica, a habitação teve o maior aumento (1,17%) entre os nove grupos pesquisados, seguida de alimentação e bebidas (0,64%). Nos transportes, mesmo com queda nos preços dos combustíveis (-1,1%), o grupo teve alta de 0,8% – os carros próprios subiramv1,8%. Também subiram as despesas pessoais (0,40%) e gastos com saúde e cuidados pessoais (0,15%).

Por outro lado, quatro grupos pesquisados tiveram redução de preços em junho: artigos de residência (-0,41%), vestuário (-0,58%), educação (-0,26%) e serviços de comunicação (-1,27%).

Sobre o Índice de Custo de Vida

O ICV/Udesc Esag registra a variação dos preços de 297 produtos e serviços consumidos por famílias de Florianópolis com renda entre 1 e 40 salários-mínimos. Para o último boletim mensal, os dados foram coletados entre os dias 1º e 30 de junho. O índice é publicado regularmente desde 1968.

A metodologia é a mesma usada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial para a meta de inflação nacional. Para o cálculo do ICV, a Udesc Esag conta com o apoio da Fundação Esag (Fesag) na atualização das ferramentas utilizadas.

Fonte: Núcleo de Comunicação da Udesc Esag

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Informação, Tecnologia

Demanda de energia vai explodir no Brasil. Culpa de carros elétricos, data centers e hidrogênio verde

Projeção da consultoria Aurora Energy Research indica que essas três tecnologias vão ampliar fatia do consumo nacional de energia de 2% para 16% até 2060, impactando todo o sistema

Um estudo da consultoria internacional Aurora Energy Research, apresentado nesta terça-feira, 27 de maio, traz uma projeção sobre a demanda de energia elétrica no País nas próximas décadas, indicando que ela será impulsionada não mais por setores tradicionais – como o industrial, o comercial e o residencial – e sim por novas tecnologias em rápida expansão.

A consultoria prevê a ascensão de três tecnologias emergentes – veículos elétricos (VEs), data centers e eletrolisadores de hidrogênio – como grandes consumidores de energia do País até 2060, pulando dos atuais 2% para 16%.

“Historicamente, o consumo de eletricidade no Brasil tem acompanhado tendências macroeconômicas e populacionais, mas a ascensão de veículos elétricos, data centers e eletrolisadores de hidrogênio pode interromper esse padrão”, afirma ao NeoFeed Matheus Dias, pesquisador sênior associado da Aurora Energy Research e responsável pelo estudo.

Segundo ele, a eletrificação de setores da indústria – como de ferro e aço – também deve impactar na demanda de consumo, mas numa escala menor em relação às três tecnologias analisadas.

De qualquer forma, prossegue Dias, essa mudança deve exigir aumento de capacidade térmica e renovável do sistema elétrico, além de desenvolvimento regulatório e das condições de mercado para atender a demanda. Já a demanda básica de consumidores industriais, comerciais e residenciais deve crescer apenas moderadamente.

O estudo prevê que os veículos elétricos, sozinhos, representem 3% da demanda por eletricidade até 2060 se atingirem 20% de penetração na frota. Caso os VEs cheguem a 100% da frota, a demanda por energia desse segmento tende a aumentar para 16%. “O avanço da frota de VEs no Brasil tende a ser menor porque temos uma vocação de produzir biocombustíveis, que devem prevalecer”, observa Dias.

Já os data centers devem contribuir com 4% da demanda total de energia até 2060 de forma inflexível, devido à necessidade de alta disponibilidade e de carga base constante.

O estudo lembra que já foram submetidos cerca de 15 gigawatts (GW) em pedidos de conexão para data centers até 2035. Mesmo assim, a consultoria projetou apenas 4,75 GW de nova capacidade de data centers no Brasil para aquele ano, considerando as limitações atuais do setor elétrico.

“Uma pesquisa recente da Aurora indicou que 58% dos entrevistados identificaram os data centers como o segmento de demanda com grande crescimento, mas também apontaram a infraestrutura da rede elétrica como o principal obstáculo para a concretização desse crescimento”, afirma Dias.

Chamou a atenção no estudo a previsão de que os eletrolisadores de hidrogênio, usados no processo para criar o hidrogênio verde, apresentem o crescimento mais rápido entre as tecnologias estudadas. Isso se deve à demanda europeia de importação de hidrogênio verde e ao crescimento do mercado interno.

Neste sentido, a Aurora prevê que os eletrolisadores no Brasil representem 8% da demanda total de eletricidade até 2060, apoiados por um pipeline robusto de projetos de grande escala.

Dois cenários

Parte do estudo foi dedicada para avaliar como essas novas tecnologias vão impactar a capacidade estrutural do sistema elétrico.

Seu potencial em larga escala afetará o planejamento de capacidade de longo prazo, enquanto a flexibilidade de carga, dependendo de como se desenvolver, poderá remodelar a dinâmica dos preços intradiários e impactar a eficiência do sistema.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por exemplo, rejeitou este ano os primeiros grandes projetos de hidrogênio verde e de data centers no complexo do Pecém – um hub de energia verde que está sendo montado próximo a Fortaleza -, alegando risco de sobrecarga no Sistema Interconectado Nacional (SIN).

Por essa razão, a Aurora desenvolveu dois cenários alternativos para tentar casar as previsões de demanda de energia com o eventual aumento de capacidade do sistema elétrico para atender esse aumento de consumo.

O primeiro deles – “Cenário de Crescimento Ambicioso” – prevê que a expansão mais rápida desses três setores vai exigir um aumento de 20% de capacidade renovável – o equivalente a 36 gigawatts (GW) adicionais à capacidade atual, de 175,6 GW.

A ampliação da capacidade térmica deverá ser bem maior, de 45%. Ou seja, aos atuais 30,6 GW serão necessários mais 14GW de capacidade térmica até 2060.

Já o “Cenário de Maior Flexibilidade” considera uma maior flexibilidade no consumo de veículos elétricos e de eletrolisadores de hidrogênio. De acordo com o estudo, essa flexibilidade levaria a um aumento nos preços capturado pela energia solar e um efeito positivo, a redução de 55% dos cortes de geração para não sobrecarregar a rede – o chamado curtailment – até 2060.

O pesquisador da Aurora afirma que a possível inclusão de térmicas a gás e carvão previstos nos jabutis da Lei de Eólica Offshore – cujos vetos podem cair no Congresso Nacional – não entrou no cálculo. “Mas esses jabutis, se confirmados, certamente vão afetar o despacho térmico”, afirma.

Dias acredita que o estudo suscita algumas reflexões importantes. Uma delas é que o Brasil é um agente competitivo para alocar essas demandas.

“O gargalo atual é a transmissão, isso impacta tanto para data center como para hidrogênio verde”, acrescenta. Essa “trava” tem um motivo: o sistema não é resiliente o suficiente para suportar tanta transmissão. “Melhorando esse gargalo, novas cargas podem vir para o Brasil, mas o perfil dessas cargas é essencial”, adverte.

Os data centers, explica Dias, têm um perfil de carga flat, que roda o tempo todo, sem impactar de forma relevante no curtailment ou na volatilidade intradiária.

“Isso se aplica aos data centers de IA, que não têm uma latência importante, são menos dependentes de linhas de transmissão; já os data centers de nuvem, com exigência de latência alta, precisam estar perto da demanda, o que explica a maioria estar localizada no Sudeste, região bem servida de linhões”, explica.

A outra conclusão é que a demanda de energia por essas novas tecnologias ainda é incerta. “Vai depender do potencial de crescimento no Brasil e, principalmente, do aumento de demanda de energia de data centers”, afirma Dias. “Além disso é preciso averiguar a expansão global de outras tecnologias, como de inteligência artificial, isso pode alterar todo o quadro no longo prazo.”

Fonte: NeoFeed

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