Tecnologia

Recarga rápida de carros elétricos muda estratégia dos eletropostos no Brasil

A expansão da recarga rápida de veículos elétricos está alterando não apenas a infraestrutura da mobilidade elétrica, mas também a forma como empresas enxergam a rentabilidade dos locais destinados ao carregamento.

Um levantamento realizado pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico em parceria com a Tupi Mobilidade mostra que o número de pontos de recarga rápida em corrente contínua no Brasil passou de 6.479, em fevereiro, para 8.601, em maio de 2026. O avanço foi de 32,8% em apenas três meses.

Ao todo, o país já conta com mais de 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga.

Esse crescimento, porém, abre uma discussão que vai além da venda de energia. Em muitos empreendimentos, o principal valor econômico do carregador pode estar justamente no consumidor atraído para o local e no período em que ele permanece ali.

Tempo de recarga vira oportunidade de consumo

A dinâmica de um eletroposto é diferente daquela encontrada em um posto tradicional de combustíveis. Enquanto o abastecimento de um veículo a combustão costuma durar poucos minutos, o carregamento cria uma oportunidade maior de permanência.

Esse intervalo pode ser convertido em consumo, conveniência e relacionamento com o cliente.

Um estudo do Transportation Energy Institute realizado nos Estados Unidos registrou, no quarto trimestre de 2025, uma duração média de 32,8 minutos por sessão de recarga. Em lojas de conveniência, a média foi de 30,7 minutos, enquanto nos supermercados chegou a 33 minutos.

Os hábitos dos motoristas brasileiros não precisam reproduzir exatamente esses números para que a lógica seja aplicável ao mercado nacional.

Quando o usuário tem tempo para tomar um café, fazer compras, trabalhar ou utilizar outros serviços enquanto o veículo carrega, o valor daquela visita pode ir muito além da receita obtida pela eletricidade fornecida.

Eletroposto pode funcionar como porta de entrada para outros negócios

Por isso, analisar a rentabilidade de um ponto de recarga apenas pelo preço cobrado por quilowatt-hora pode deixar de lado parte importante do potencial do negócio.

A regulamentação brasileira permite a exploração comercial da recarga de veículos elétricos, com preços negociados livremente. Isso oferece espaço para diferentes modelos de operação.

A receita, portanto, não precisa depender exclusivamente da energia vendida. O carregador também pode funcionar como uma ferramenta para atrair consumidores para restaurantes, lojas, estacionamentos, supermercados, serviços e programas de fidelidade.

Em determinadas operações, a eletricidade deixa de ser o único produto e passa a atuar como o motivo que leva o consumidor a escolher determinado endereço.

Localização ganha importância na expansão da recarga

A integração entre infraestrutura de recarga e comércio ajuda a explicar por que determinados estabelecimentos podem sair na frente nessa nova etapa da mobilidade elétrica.

Postos de combustíveis já contam, em muitos casos, com localização estratégica, fluxo de veículos, iluminação, banheiros e lojas de conveniência.

Nos supermercados, o tempo de compras pode coincidir com o período necessário para recarregar o veículo. Hotéis e restaurantes, por sua vez, podem incorporar o carregamento à experiência oferecida ao cliente.

Já os estacionamentos têm a possibilidade de combinar a vaga com o fornecimento de energia em um único serviço.

Por isso, escolher o local de instalação de um carregador exige mais do que avaliar a potência elétrica disponível, a capacidade da rede ou a quantidade de veículos que circulam pela região.

Também é necessário observar o entorno e identificar se existem serviços ou experiências capazes de fazer o motorista permanecer naquele endereço.

Recarga ultrarrápida pode reduzir o tempo de permanência

A evolução da tecnologia traz um desafio para esse modelo de negócio. Baterias e carregadores estão ficando mais rápidos, reduzindo o tempo necessário para recuperar autonomia.

Dados da Agência Internacional de Energia (IEA), apresentados no Global EV Outlook 2026, indicam que, em veículos compatíveis com potências mais elevadas, 15 minutos conectados a um carregador de 150 kW podem adicionar quase 180 quilômetros de autonomia.

Isso significa que os modelos comerciais não podem depender da expectativa de que o motorista permanecerá 30 ou 40 minutos no estabelecimento durante todas as recargas.

Ao mesmo tempo, a redução do tempo de carregamento não elimina a importância da experiência oferecida ao consumidor. Ela pode, na verdade, aumentar a disputa entre os diferentes pontos de recarga.

Se dois eletropostos oferecem velocidades semelhantes, aspectos como conforto, segurança, alimentação, facilidade de pagamento e disponibilidade de serviços podem pesar na escolha do motorista.

Experiência pode definir vantagem competitiva

A expansão da mobilidade elétrica no Brasil indica que a disputa no mercado de recarga não será determinada apenas pela quantidade de equipamentos instalados ou pelo preço cobrado pela energia.

A combinação entre localização, infraestrutura e experiência tende a se tornar um diferencial mais difícil de copiar.

Para postos de combustíveis, supermercados, hotéis, estacionamentos e centros comerciais, o carregador pode ser encarado como parte de uma jornada de consumo mais ampla, e não apenas como um equipamento instalado para fornecer eletricidade.

O eletroposto do futuro continuará vendendo energia, mas sua competitividade poderá depender cada vez mais do que o consumidor encontra e faz enquanto o veículo recupera autonomia.

Nesse cenário, a recarga rápida deixa de ser apenas uma infraestrutura de transporte e passa a integrar uma estratégia de atração, permanência e relacionamento com clientes.

Tags: recarga rápida, carros elétricos, eletropostos, veículos elétricos, mobilidade elétrica, infraestrutura de recarga, carregadores elétricos, mercado de EVs, eletrificação

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Leandro fonseca/Exame

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Informação, Tecnologia

Inmetro avalia novas regras para recarga de veículos elétricos no Brasil

O avanço da eletromobilidade no Brasil levou o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) a ampliar os estudos sobre segurança e regulamentação de equipamentos ligados ao setor. Entre os temas em análise estão os sistemas de recarga de veículos elétricos e as baterias de reposição usadas em bicicletas elétricas, patinetes e hoverboards.

A iniciativa é conduzida pela Diretoria de Avaliação da Conformidade (Dconf), por meio de um grupo de trabalho criado em março de 2025 e integrado à Agenda Regulatória 2025, com continuidade prevista para 2026 e 2027.

Inmetro acompanha crescimento da eletromobilidade

O aumento da circulação de veículos elétricos e equipamentos de micromobilidade impulsionou a necessidade de discutir critérios técnicos para garantir mais segurança aos consumidores.

Uma das frentes do grupo de trabalho está voltada às baterias de íon-lítio de reposição utilizadas em bicicletas elétricas e dispositivos autopropelidos, segmento que registra forte expansão no país.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que o mercado de bicicletas elétricas, patinetes e similares atingiu 338.970 unidades em 2025, número que representa crescimento de aproximadamente 238% em comparação com 2023.

Expansão dos eletropostos acelera discussão sobre recarga

Outro foco do estudo envolve os Sistemas de Abastecimento de Veículos Elétricos (SAVE), responsáveis pela infraestrutura de recarga.

Segundo informações da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e da Tupi Mobilidade, o Brasil passou de cerca de 500 eletropostos em março de 2021 para uma expansão acumulada de 1.584% na oferta de pontos de recarga até 2026.

O crescimento acelerado da rede de carregamento aumentou a preocupação com padrões de qualidade, desempenho e segurança dos equipamentos disponíveis no mercado.

Estudos podem resultar em regulamentação técnica

O grupo de trabalho do Inmetro conduz duas Análises de Impacto Regulatório (AIR), mecanismo obrigatório antes da criação de novas regulamentações técnicas no país.

Os estudos têm como objetivo identificar possíveis falhas regulatórias, avaliar riscos, analisar alternativas e medir os impactos de futuras normas sobre fabricantes, importadores e consumidores. A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos até dezembro de 2026.

De acordo com Hercules Souza, chefe da Divisão de Regulamentação e Qualidade Regulatória do Inmetro, o crescimento da eletromobilidade exige atenção especial à segurança dos produtos oferecidos no mercado brasileiro.

Segundo ele, o avanço acelerado do setor demanda análises técnicas consistentes para identificar riscos e eventuais lacunas regulatórias, sempre priorizando requisitos mínimos de segurança para os consumidores.

Caso os estudos indiquem necessidade de regulamentação, o Inmetro poderá estabelecer exigências técnicas obrigatórias para comercialização desses equipamentos no país.

Entenda os conceitos analisados pelo Inmetro

Regulamento técnico

Documento oficial e obrigatório emitido por órgão regulador, que estabelece exigências para determinadas atividades econômicas. O descumprimento pode gerar sanções.

Norma técnica

Diretriz de caráter orientativo, criada por consenso técnico para padronizar procedimentos, sem aplicação de penalidades.

Análise de Impacto Regulatório (AIR)

Processo obrigatório que avalia custos, benefícios, riscos e alternativas antes da criação de regulamentações técnicas no Brasil.

Grupo reúne representantes do setor e consumidores

O grupo de trabalho reúne entidades da cadeia produtiva da eletromobilidade, representantes de consumidores, laboratórios acreditados e organismos de certificação.

A proposta é ampliar a coleta de dados técnicos e garantir mais transparência no desenvolvimento das análises regulatórias relacionadas ao setor.

O Inmetro informou que novas atualizações sobre os estudos deverão ser divulgadas ao longo do ano, conforme o avanço das avaliações e consolidação dos resultados.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Tecnologia

Volvo lança Autocharge em sua rede de eletropostos no Brasil

Nova funcionalidade da recarga automática identifica o veículo e inicia a operação ao plugar o carro

Com o objetivo de melhorar a experiência de carregamento, a Volvo implementou uma nova tecnologia em sua rede de eletropostos que permite iniciar a recarga de veículos elétricos automaticamente. A funcionalidade, chamada Autocharge, identifica o carro assim que o plugue é conectado ao carregador, dispensando etapas manuais de seleção e início da sessão de recarga.

Disponível inicialmente para proprietários de veículos Volvo, o Autocharge exige um cadastro único pelo aplicativo Volvo Car Eletropostos. Após o registro, ao conectar o carro a um carregador de carga rápida (DC), o sistema reconhece o modelo e inicia o carregamento automaticamente. Futuramente, a tecnologia será estendida para todos os veículos elétricos, ampliando o alcance da funcionalidade.

Atualmente, a rede de eletropostos da Volvo Car Brasil conta com 75 pontos de recarga, totalizando mais de 140 conectores de carga rápida, distribuídos nas cinco regiões do país. A rede cobre mais de 30 mil km de rodovias, permitindo viagens de longa distância, como do Rio Grande do Sul até o Ceará, utilizando apenas os carregadores da marca.

Segundo Marcelo Godoy, presidente da Volvo Car Brasil, o Autocharge simplifica o dia a dia dos proprietários de EVs: “Basta conectar o veículo ao carregador, que ele fará a leitura do modelo e identificará o proprietário, iniciando automaticamente a recarga. É mais uma tecnologia presente nos modelos elétricos para auxiliar os clientes”, explica.

Além do Autocharge, o aplicativo Volvo Car Eletropostos já permite consultar todos os pontos de recarga da marca no país, verificar a potência disponível, reservar conectores por até 20 minutos, acompanhar o carregamento em tempo real, e acessar informações sobre horários de maior movimento e amenidades nos locais.

Fonte: Inside Evs

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Economia, Importação, Industria, Informação, Inovação, Mercado Internacional, Sustentabilidade

Vendas de veículos elétricos no Brasil crescem 89% em 2024.

Comercialização atinge 177.358 mil unidades, superando as expectativas do mercado.

O mercado brasileiro de veículos leves eletrificados apresentou um crescimento notável em 2024, com a comercialização de 177.358 mil unidades. O número representa um aumento de 89% em relação ao ano anterior, que registrou 93.927 mil unidades vendidas. Os dados foram divulgados pela ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) na 2ª feira (06.jan.2025). Eis a íntegra (PDF – 1 MB).

A expansão do setor superou as projeções, que estimavam vendas em torno de 160 mil unidades. Em dezembro de 2024, as vendas alcançaram 21.634 mil carros, um crescimento de 30% comparado ao mesmo mês de 2023, que estimavam vendas em torno de 160 mil unidades. Em dezembro de 2024, as vendas alcançaram 21.634 mil carros, um crescimento de 30% comparado ao mesmo mês de 2023, que teve 16.279 unidades comercializadas.

A ABVE identificou a venda de veículos 100% elétricos como um dos principais impulsionadores desse avanço, refletindo uma mudança significativa no comportamento do consumidor brasileiro. A preferência por esses veículos é atribuída à sua maior sustentabilidade, eficiência energética e economia devido ao menor custo de recarga em comparação aos combustíveis tradicionais.

“Os veículos elétricos representam uma revolução no setor automotivo, oferecendo muitas vantagens, também em dirigibilidade. Além de mais sustentáveis, apresentam uma eficiência energética superior e maior economia, já que o custo de recarga é menor do que o de combustíveis convencionais. Outro fator importante para este crescimento está conectado ao aumento da disponibilidade da infraestrutura de recarga, seja nas cidades ou nas rodovias. As opções de eletropostos e eletrocentros aumentam a cada dia, com a presença de equipamentos 100% nacionais, muito competitivos e ultra tecnológicos”, disse: Carlos Eduardo Ribas, diretor comercial do Lactec.

 

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