Negócios

Brastemp e Consul: dona das marcas amplia investimentos no Brasil após reestruturação na Argentina e México

A Whirlpool, fabricante das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, está promovendo uma nova reorganização de sua estrutura industrial nas Américas. Após encerrar a produção de lavadoras na Argentina, a companhia anunciou agora o fechamento gradual de uma fábrica no México, enquanto reforça sua operação brasileira com um investimento superior a R$ 400 milhões.

A estratégia faz parte de um plano global voltado à redução de custos, aumento da eficiência operacional e concentração da produção em unidades consideradas estratégicas. Nesse cenário, o Brasil passa a ocupar uma posição de destaque dentro da operação latino-americana da empresa.

Whirlpool encerrará fábrica no México até 2027

A unidade da Supsa, localizada em Apodaca, no México, terá suas atividades encerradas de forma gradual até o segundo trimestre de 2027. Atualmente, a fábrica é responsável pela produção de refrigeradores.

Segundo a empresa, a decisão integra um processo de reestruturação industrial. A fabricação será redistribuída entre a planta de Ramos Arizpe, também em território mexicano, e outras unidades da rede global de manufatura da companhia.

A Whirlpool esclareceu que a produção da fábrica mexicana não será transferida diretamente para o Brasil. Ainda assim, o anúncio coincide com o fortalecimento da operação brasileira, que vem recebendo novos investimentos e atribuições estratégicas.

A reestruturação no México deve gerar um custo estimado em US$ 165 milhões, sendo aproximadamente US$ 70 milhões em desembolsos futuros. Parte dessas despesas deverá ser reconhecida pela empresa ao longo de 2026.

Brasil recebe investimento de mais de R$ 400 milhões

Enquanto reduz operações em outros países, a Whirlpool amplia sua presença no Brasil. A fábrica de Rio Claro, no interior de São Paulo, receberá mais de R$ 400 milhões para expansão, modernização e aumento da capacidade produtiva.

Com o aporte, a unidade passará a fabricar as lavadoras front-load, incluindo modelos de máquinas de lavar e lava e seca, equipamentos de maior valor agregado e crescente demanda no mercado.

Além da ampliação das linhas de produção, o projeto prevê forte investimento em automação industrial, consolidando a planta paulista como uma das mais relevantes da empresa na América Latina.

Produção deixa a Argentina e passa para Rio Claro

A fábrica de Rio Claro também assumirá a produção que era realizada na unidade de Pilar, na região metropolitana de Buenos Aires.

Inaugurada em 2022, a planta argentina tinha capacidade para fabricar até 300 mil máquinas de lavar por ano. No entanto, menos de três anos depois, a Whirlpool optou por encerrar as atividades industriais no país e transferir a linha produtiva para o Brasil.

A migração foi oficializada em abril de 2026 e incluiu a aquisição de ativos industriais e equipamentos da unidade argentina para adaptação da fábrica paulista.

Mesmo após o fechamento da planta de Pilar, a empresa informou que continuará abastecendo o mercado argentino por meio de outras operações do grupo e de sua estrutura local de distribuição.

Automação e nacionalização de componentes fortalecem fábrica brasileira

O projeto de expansão em Rio Claro vai além da transferência da produção. A Whirlpool pretende elevar a eficiência da fábrica com a instalação de mais de 20 robôs industriais.

Outro destaque é a nacionalização da cadeia produtiva. A expectativa é que cerca de 95% dos componentes utilizados nas novas lavadoras sejam fabricados no Brasil, reduzindo a dependência de peças importadas e minimizando impactos de oscilações cambiais, atrasos logísticos e desafios no comércio internacional.

As primeiras unidades produzidas na nova estrutura devem sair da linha de montagem a partir de setembro de 2026.

Expansão deve gerar cerca de 2,8 mil empregos

O investimento também deve impulsionar a economia da região de Rio Claro. A estimativa da Whirlpool é de criação de aproximadamente 2,8 mil empregos diretos e indiretos durante a expansão da operação.

O anúncio contou com a presença do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, além de autoridades estaduais, representantes municipais e executivos da companhia.

Reorganização fortalece papel do Brasil na América Latina

A reestruturação industrial da Whirlpool evidencia uma mudança na distribuição de suas operações nas Américas. Enquanto unidades na Argentina foram encerradas e uma fábrica no México será desativada, o Brasil concentra investimentos, tecnologia e parte relevante da produção regional.

Com a ampliação da fábrica de Rio Claro, a operação brasileira passa a desempenhar um papel ainda mais estratégico para as marcas Brastemp e Consul, consolidando-se como um dos principais polos industriais da companhia no continente.

FONTE: Portal Tempo Novo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Investimento

Fischer Eletrodomésticos aposta em expansão industrial e mira R$ 1 bilhão em receita no Brasil

A Fischer Eletrodomésticos, indústria de Santa Catarina conhecida por popularizar o cooktop no Brasil, iniciou uma nova fase de expansão com a meta de alcançar R$ 1 bilhão em faturamento até 2028. Atualmente, a companhia já produz mais de 200 mil itens por mês, conta com cerca de 800 colaboradores e registrou receita de R$ 670 milhões em 2025.

Para sustentar o crescimento, a empresa anunciou um plano de investimentos de R$ 20 milhões em 2026, voltado à modernização da estrutura fabril, revisão de processos industriais e ampliação do portfólio de produtos.

Expansão industrial e foco em eficiência produtiva

Com sede em Brusque (SC), a cerca de 120 km de Florianópolis, a Fischer atua em um mercado altamente competitivo, dominado por multinacionais, mas consolidou posição de destaque em nichos como cooktops e fornos elétricos.

Segundo a diretora comercial e de marketing, Karin Fischer, o crescimento anual gira entre 8% e 9%, sustentado por ganhos de eficiência e inovação. A estratégia da companhia inclui reforço em tecnologia, automação e produtividade industrial. Hoje, parte das linhas de produção opera com ciclos inferiores a um minuto por unidade, refletindo o avanço da automação industrial na fábrica.

Produção nacional e modernização da fábrica em Brusque

O parque fabril da empresa ocupa cerca de 140 mil metros quadrados e concentra praticamente toda a operação industrial. Aproximadamente 85% dos produtos são fabricados no Brasil, reforçando o perfil de indústria nacional de eletrodomésticos.

O novo ciclo de investimentos seguirá a mesma lógica de modernização adotada nos últimos anos. “O maior investimento está na indústria. Estamos revisando máquinas, processos e portfólio para ampliar capacidade e agregar novas funcionalidades aos produtos”, afirma Karin Fischer.

Nos últimos oito anos, a Fischer praticamente dobrou de tamanho sem ampliar de forma proporcional o quadro de funcionários. O avanço foi impulsionado por investimentos contínuos em tecnologia, produtividade e eficiência fabril. A estratégia reforça a aposta da empresa em modernização industrial como motor de crescimento, mantendo competitividade no segmento de eletrodomésticos no Brasil.

Da oficina de bicicletas à liderança em cooktops

A origem da Fischer remonta a 1961, quando Ingo Fischer abriu uma oficina de bicicletas em Brusque. O espaço funcionava durante o dia para reparos e, à noite, também servia para manutenção de eletrodomésticos, como geladeiras e fornos, ao lado do irmão Nivert. Em 1966, o negócio foi formalizado como Irmãos Fischer, dando início à expansão da empresa familiar.

O primeiro salto de crescimento ocorreu com a produção de equipamentos para a indústria pesqueira e frigoríficos do Sul do país. A empresa fabricava desde estruturas em aço inox até máquinas industriais para processamento de alimentos. Depois, passou a atuar com produtos seriados, como fornos elétricos de bancada, carrinhos de mão e betoneiras para construção civil.

A entrada definitiva no setor de eletrodomésticos aconteceu nos anos 2000, quando a Fischer lançou os primeiros cooktops fabricados no Brasil, em um mercado até então dominado por importados e voltado a consumidores de maior poder aquisitivo. “Nós ajudamos a tornar a cozinha planejada mais acessível ao consumidor brasileiro”, destaca Karin Fischer.

Transformação da cozinha impulsiona novos produtos

A empresa acompanha a mudança do papel da cozinha nas residências brasileiras, que deixou de ser um espaço secundário para se tornar parte central de projetos arquitetônicos e de decoração. Esse movimento impulsionou a demanda por linhas built-in, com eletrodomésticos embutidos e maior integração ao ambiente.

Hoje, a Fischer oferece um portfólio amplo para cozinhas planejadas, incluindo cooktops, fornos de embutir, micro-ondas, coifas e depuradores. A companhia também aposta em soluções multifuncionais como diferencial competitivo no mercado de linha branca.

Entre os lançamentos recentes está uma cervejeira que também pode funcionar como adega ou frigobar, além de fornos com funções adicionais, como air fryer. “A multifuncionalidade é uma prioridade. Buscamos sempre ampliar o que cada produto pode oferecer além da função principal”, afirma a executiva.

Embora tenha forte presença no setor de cozinhas, a Fischer hoje opera em três frentes principais. A primeira é a divisão de eletrodomésticos, responsável pela maior parte do portfólio, com mais de 185 tipos de produtos. A segunda linha de negócios envolve equipamentos para a construção civil, como betoneiras e carrinhos de mão. Já a terceira aposta em sistemas construtivos modulares, com painéis de aço termoacústicos utilizados em projetos de habitação, escolas e unidades de saúde, que podem ser montados em poucos dias. Essa diversificação reduz a dependência de um único mercado e abre novas possibilidades de crescimento.

Meta é se tornar empresa bilionária até 2028

Ao completar 60 anos, a Fischer aposta na combinação entre inovação, tradição industrial e diversificação para sustentar sua próxima fase de expansão.

A empresa pretende transformar sua trajetória — iniciada em uma pequena oficina no interior de Santa Catarina — em uma operação com faturamento bilionário nos próximos anos, consolidando sua presença no mercado brasileiro de eletrodomésticos e indústria manufatureira.

FONTE: Exame
IMAGEM: Reprodução/Exame

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