Internacional

E-commerce internacional exige modernização da fiscalização e dos órgãos anuentes no Brasil

O crescimento do comércio eletrônico internacional está ampliando a pressão sobre a estrutura logística e os sistemas de fiscalização do Brasil. Embora comprar produtos de outros países seja cada vez mais simples, garantir que as mercadorias cheguem ao consumidor com segurança depende de processos eficientes, tecnologia e integração entre os órgãos públicos responsáveis pelos controles de importação.

Nesse cenário, fortalecer os chamados órgãos anuentes, que atuam na fiscalização sanitária, agropecuária e ambiental, tornou-se uma necessidade estratégica. O desafio é acompanhar o aumento das encomendas sem comprometer a segurança nem criar atrasos desnecessários nas operações.

Segundo a Receita Federal, o Brasil recebeu quase 110 milhões de remessas postais e expressas apenas no primeiro semestre de 2026. Na União Europeia, as importações de produtos de baixo valor realizadas por meio do comércio eletrônico chegaram a quase 5,9 bilhões de itens em 2025.

Os números evidenciam a dimensão alcançada pelo setor e reforçam a necessidade de investimentos em orçamento, pessoal, tecnologia e procedimentos compatíveis com o volume crescente de mercadorias.

Fiscalização precisa acompanhar a expansão do comércio eletrônico

A popularização das compras internacionais exige uma revisão dos modelos tradicionais de fiscalização. Consumidores e empresas esperam prazos de entrega cada vez menores e maior previsibilidade, enquanto o poder público precisa identificar produtos irregulares e operações que representem riscos.

Procedimentos desenvolvidos para volumes menores podem gerar acúmulo de trabalho quando aplicados a milhões de pequenas encomendas. Por isso, a eficiência da fiscalização não deve ser medida apenas pelo tempo de retenção das mercadorias, mas também pela capacidade de identificar e tratar operações que realmente exigem atenção.

A modernização passa pela integração de sistemas, pelo uso antecipado de informações e pela aplicação de ferramentas de análise de risco aduaneiro. Também depende de recursos permanentes para manter as soluções em funcionamento.

Mesmo produtos de baixo valor podem apresentar riscos à saúde pública, à segurança ou ao meio ambiente. Por esse motivo, a qualidade dos dados disponíveis e a capacidade de analisá-los são fundamentais para conciliar agilidade e controle.

Programa Remessa Conforme ampliou o controle das importações

No Brasil, a Receita Federal avançou na adaptação dos procedimentos aduaneiros ao comércio eletrônico com a criação do Programa Remessa Conforme (PRC).

A iniciativa estruturou o fornecimento antecipado de informações sobre as compras internacionais e o recolhimento dos tributos no momento da aquisição. Com isso, o poder público passou a contar com mais dados para conhecer as operações e selecionar as remessas antes da chegada ao país.

Em março de 2026, o programa respondeu por 96,53% das declarações de importação de remessas registradas no Brasil, demonstrando sua ampla participação nesse segmento.

A arrecadação do Imposto de Importação também apresentou crescimento. Nas modalidades postal e expressa, o recolhimento passou de R$ 2,86 bilhões em 2024 para R$ 4,70 bilhões em 2025, uma elevação nominal de 64,5%.

Esse avanço, entretanto, não pode ser atribuído exclusivamente ao Remessa Conforme, já que as alterações tributárias também influenciaram o resultado. O programa contribuiu ao organizar o fluxo de informações e viabilizar o recolhimento antecipado dos tributos, favorecendo a conformidade das operações.

Parceria entre governo e empresas é essencial para o sistema

A experiência do PRC também evidencia a importância da cooperação entre o setor público e a iniciativa privada. As empresas de remessas expressas contribuíram com conhecimento operacional e capacidade técnica para colocar o programa em funcionamento.

Esses operadores conectam os dados às operações logísticas, registram declarações, recolhem os tributos recebidos e apresentam as mercadorias para fiscalização. A participação dessas empresas foi um componente importante para viabilizar o modelo.

O desafio agora é preservar essa colaboração nas próximas etapas de modernização. A evolução dos processos depende não apenas de novas regras, mas também do conhecimento de quem atua diariamente no transporte, no desembaraço aduaneiro e na entrega das encomendas.

Remessa Conforme 2.0 pode ter implantação adiada

A próxima etapa do programa, conhecida como Remessa Conforme 2.0, tem implantação anunciada para janeiro de 2027. O cronograma, porém, poderá ser adiado em razão das adaptações necessárias à Reforma Tributária do Consumo.

Entre as mudanças previstas está o envio de informações sobre as compras diretamente pelas plataformas de comércio eletrônico. A medida tem potencial para ampliar a qualidade dos dados e fortalecer o acompanhamento das importações.

Para alcançar esses resultados, contudo, é importante que os operadores logísticos participem desde o início da definição dos procedimentos, das soluções tecnológicas e dos testes de implantação.

Os marketplaces concentram informações sobre as transações e os produtos comercializados. Já os operadores logísticos conhecem as exigências práticas de transporte, desembaraço e entrega. A combinação dessas experiências pode contribuir para um sistema mais eficiente.

Por isso, a participação das empresas responsáveis pela logística não deve ficar restrita à execução de regras definidas previamente. Sua contribuição é relevante na construção dos processos e na identificação de dificuldades que possam comprometer o funcionamento do programa.

Reforma tributária reforça necessidade de integração

A modernização do comércio eletrônico internacional também depende de uma atuação coordenada entre todos os envolvidos na fiscalização. Cabe ao governo garantir investimentos, promover a integração dos sistemas e estabelecer metas que considerem tanto a rapidez das operações quanto a efetividade dos controles.

A Reforma Tributária torna essa agenda ainda mais relevante, ao exigir adaptações nos procedimentos e nos fluxos de informações relacionados às operações comerciais.

Fortalecer os órgãos anuentes, ampliar a capacidade tecnológica e garantir equipes preparadas são medidas que precisam ter continuidade ao longo dos diferentes governos. A expansão do comércio eletrônico exige uma estrutura pública capaz de responder à escala atual das importações.

O objetivo é construir um ambiente em que a eficiência logística, a segurança das mercadorias e a competitividade brasileira avancem em conjunto. Para isso, os investimentos nas instituições responsáveis pela fiscalização precisam acompanhar a transformação do mercado e integrar o planejamento estratégico do Estado.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels • Hameem Russel

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Eventos

ABDT divulga programação do XXXIII Simpósio de Estudos Tributários, que debate Reforma Tributária, infraestrutura e comércio exterior

A Reforma Tributária estará no centro dos debates do XXXIII Simpósio de Estudos Tributários da Academia Brasileira de Direito Tributário (ABDT), que será realizado nos dias 15 e 16 de outubro de 2026, no Novotel, em Itajaí (SC). Com o tema “Tributação, Infraestrutura, Logística e Comércio Exterior”, o encontro terá dois dias de programação e reunirá especialistas de diferentes áreas para discutir os efeitos da mudança no sistema tributário brasileiro.

A programação contempla temas relacionados à transição para o novo modelo de tributação, impactos econômicos e municipais, incentivos fiscais, indústria, comércio exterior, e-commerce, infraestrutura, setor marítimo-portuário, classificação fiscal, contencioso tributário e aduana.

Entre os participantes estão autoridades públicas, juristas, economistas, executivos e representantes de entidades ligadas ao comércio exterior e à infraestrutura. O evento é promovido pela ABDT e terá como sede o Novotel, localizado na Rua Lauro Muller, 170, no Centro de Itajaí.

Primeiro dia terá abertura com ministro do TCU

A programação começa na quinta-feira, 15 de outubro, às 8h, com o credenciamento dos participantes. Às 8h30, será realizada a abertura oficial, com Marcelo Campos, presidente da ABDT, e Victor Macedo, coordenador executivo do simpósio.

Na sequência, às 9h, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, fará a conferência de abertura, com o tema “Governança e os efeitos econômicos da Reforma Tributária”.

Após o coffee break, às 10h30, começa o primeiro painel do evento, dedicado à Reforma Tributária, transição e desafios, sob a presidência de mesa de Thais Manske. Participam Marcos Cintra, doutor em Economia pela Harvard University; Everardo Maciel, consultor tributário e ex-secretário da Receita Federal; e Luís Eduardo Schoueri, livre-docente e professor titular de Direito Tributário da Faculdade de Direito da USP.

Após o intervalo para almoço, a programação segue às 14h com o painel “A Reforma Tributária e os impactos na economia municipal”, presidido por Maurício Klein. O debate contará com Robison Coelho, prefeito de Itajaí; Leonidas Nora Junior, presidente da Associação das Tradings de Santa Catarina (ASTRA); e Eduardo Bohora, secretário municipal da Fazenda de Itajaí.

Guerra fiscal e fim dos incentivos entram na pauta

Ainda durante a tarde, o simpósio promove discussões sobre os efeitos da reforma na política fiscal e nas atividades empresariais.

Às 15h, o terceiro painel aborda “Reforma Tributária e Guerra Fiscal”, com mediação de Simone Davel e participação de Adilson Rodrigues Pires, advogado e doutor em Direito Econômico e Sociedade; e Halley Henares, presidente da Associação Brasileira de Advocacia Tributária (ABAT).

Às 16h30, após o coffee break, o quarto painel trata de um dos temas de maior impacto para empresas e governos: “O fim dos incentivos fiscais: consequências, desafios e alternativas”. O debate será presidido por Thiago Custódio e contará com Thális Andrade, doutor em Direito pela USP; Solon Sehn, advogado e doutor em Direito Tributário pela PUC/SP; e Fernando Pieri, advogado e presidente da ABEAD.

Encerrando o primeiro dia, às 17h30, o simpósio volta sua atenção para os setores produtivos e para as operações internacionais com o painel “A Reforma Tributária na indústria, no comércio exterior e no e-commerce”.

O debate terá como presidente de mesa Alessandra Carioni e contará com Victor Macedo, advogado e mestre em Direito Tributário pela FGV/SP; Rogério David, advogado e mestre em Direito pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO); e Fernanda Kotzias, advogada e doutora em Direito do Comércio Internacional pela PUC/SP.

O encerramento do primeiro dia está previsto para as 18h30.

Infraestrutura e setor portuário abrem a programação do segundo dia

Na sexta-feira, 16 de outubro, os debates começam às 9h com o painel “Setor de infraestrutura e a Reforma Tributária”, presidido por Silvia Varela.

Participam Suzana Soares Melo, advogada e doutora em Direito Econômico, Financeiro e Tributário pela USP; Luana Debatin Tomasi, advogada e mestre em Direito pela UFSC; e Carolina Sena, advogada e doutora em Direito Tributário pela UFSC.

Após o coffee break, às 10h30, o simpósio coloca o setor marítimo-portuário no centro das discussões. O painel “A visão atual do setor marítimo portuário na transição da Reforma Tributária” terá como presidente de mesa James Winter e reunirá nomes de destaque do segmento.

Estão confirmados Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária do Porto de Santos; Mario Povia, presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI); Osmari Castilho, CEO da Portonave; e Eduardo Nery, diretor de Relações Governamentais da MSC.

O painel coloca em discussão os desafios enfrentados pela infraestrutura e pelo setor portuário diante da transição para o novo sistema tributário, tema de impacto direto sobre operações logísticas e de comércio exterior.

Classificação fiscal e contencioso tributário

No período da tarde, às 14h, a programação segue com o painel “Classificação fiscal, atualidades e novos desafios”, presidido por Giovana Baruffi. O debate contará com Douglas Winter, advogado e mestrando em Direito Aduaneiro pela Universidade Católica de Brasília; Daniela Floriano, advogada e doutoranda em Direito pela UFMG; e Júlio César Soares, advogado e mestrando em Direito Aduaneiro pela Universidade Católica de Brasília.

Às 15h, o quarto painel do segundo dia será dedicado à relação entre Reforma e contencioso tributário, sob a presidência de Marcelo Campos. Participam Gustavo Brigagão, advogado e presidente honorário da ABDF; e José Maria Arruda, livre-docente pela USP e pós-doutor em Economia pela FGV e em Direito Econômico pelo Max Planck Institut, da Alemanha.

Painel de encerramento | XXXIII Simpósio de Estudos Tributários da ABDT

Como fechamento de dois dias de debates e atualização jurídica, o simpósio encerra sua programação com um tema central para o cenário tributário brasileiro: “Reforma e o contencioso tributário”.

📅 16/10, a partir das 15h

Sob a presidência de mesa de Marcelo Campos, o painel contará com dois grandes nomes do Direito: Gustavo Brigagão, advogado e presidente honorário da ABDF, e José Maria Arruda, livre-docente pela USP e pós-doutor em Economia pela FGV e em Direito Econômico pelo Max Planck Institut, da Alemanha.

Um debate para refletir sobre os desafios jurídicos decorrentes da Reforma Tributária e seus possíveis impactos na relação entre contribuintes e Fisco.

Um debate conectado à realidade de Itajaí

Ao reunir, em uma mesma programação, especialistas em Direito Tributário, representantes do poder público, empresários, executivos dos setores portuário e marítimo, profissionais do comércio exterior e integrantes da Receita Federal, o simpósio coloca em pauta os diferentes impactos da Reforma Tributária sobre atividades estratégicas para a economia.

A escolha de Itajaí como sede também aproxima o debate da realidade de uma região fortemente ligada à infraestrutura, logística, atividade portuária e comércio exterior. A programação oficial prevê dois dias de discussões, com painéis que percorrem desde os aspectos econômicos e jurídicos da reforma até questões práticas relacionadas à indústria, aos municípios, aos portos, à classificação fiscal e às operações aduaneiras.

As inscrições podem ser feitas pelo link.

Texto: ReConecta News

Imagem: ABDT

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Logística

Mercado Livre e Shopee lideram demanda por galpões logísticos no Brasil

O Mercado Livre e a Shopee concentram a maior parte da ocupação de galpões logísticos por grandes empresas no Brasil. Juntas, as duas plataformas somam cerca de 4,1 milhões de metros quadrados locados, segundo dados do Market Analytics da SiiLA.

O Mercado Livre aparece com ampla vantagem, ocupando aproximadamente 2,98 milhões de metros quadrados. A Shopee vem na sequência, com 1,14 milhão de metros quadrados.

A Amazon ocupa a terceira posição, com 685 mil metros quadrados. Com isso, as três maiores ocupantes de condomínios logísticos no país são empresas estrangeiras.

A primeira companhia brasileira no ranking é o Magazine Luiza, que possui 517 mil metros quadrados locados em galpões.

Mercado Livre e Shopee ampliam contratos

A demanda das duas empresas deve continuar elevada. Mercado Livre e Shopee já possuem, juntas, cerca de 1,1 milhão de metros quadrados pré-locados para o segundo semestre de 2026.

A maior parte dos espaços contratados está destinada a operações de transporte e logística e digital fulfillment, segmentos que concentram os maiores volumes de área ocupada no mercado brasileiro.

As projeções indicam que, caso 80% da entrega de novos espaços prevista seja efetivada, a taxa de vacância nacional deverá terminar 2026 entre 6% e 7%.

O cenário mantém aquecida a procura por galpões logísticos, impulsionada principalmente pelo crescimento do comércio eletrônico e pela necessidade de ampliar a capacidade de distribuição.

E-commerce impulsiona ocupação de galpões

Levantamentos recentes reforçam a importância do Mercado Livre e da Shopee na demanda por espaços logísticos.

Fora dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o varejo e o e-commerce responderam por 49% da absorção bruta registrada no último trimestre. O Mercado Livre, sozinho, representou 23% da absorção no período.

A expansão das operações digitais tem levado grandes varejistas a buscar instalações próximas aos principais centros consumidores e corredores de transporte.

Mercado Livre anuncia R$ 57 bilhões em investimentos

O Mercado Livre também ampliou os investimentos no país. Para 2026, a empresa anunciou um Capex de R$ 57 bilhões, valor 50% superior ao registrado no ano anterior.

Os recursos incluem a expansão da estrutura logística e contribuíram para a abertura de mais de 14 centros de distribuição.

Quando anunciou o investimento, em março, a companhia informou que pretendia fortalecer as rotas regionais e manter 75% das entregas rápidas em até 48 horas após a confirmação dos pedidos.

Digital fulfillment cresce e aumenta disputa por espaços

O segmento de digital fulfillment apresentou crescimento próximo de 50% entre o segundo trimestre de 2023 e o segundo trimestre de 2026, conforme os dados da SiiLA.

No mesmo intervalo, a área ocupada pelo segmento de transporte e logística aumentou 21%.

Atualmente, o digital fulfillment ocupa 5,94 milhões de metros quadrados, com taxa de vacância de 4,42%. Já o segmento de transporte e logística possui 7,46 milhões de metros quadrados ocupados.

A expansão ocorre ao mesmo tempo em que a oferta de espaços disponíveis diminui.

Vacância de galpões logísticos recua

No segundo trimestre de 2026, a taxa de vacância dos condomínios logísticos das classes A+, A e B caiu para 4,42%, ante 6,05% no trimestre anterior.

O estoque nacional monitorado pela SiiLA chegou a 30,45 milhões de metros quadrados.

A redução da disponibilidade ocorre em um mercado no qual a demanda permanece elevada e a entrada de novos empreendimentos não acompanha o mesmo ritmo da absorção.

Segundo Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, a absorção líquida continua em níveis elevados. Para ele, a queda da vacância está relacionada principalmente à velocidade de entrega de novos espaços.

Digital fulfillment lidera absorção líquida

Nos 12 meses encerrados no segundo trimestre de 2026, o digital fulfillment registrou absorção líquida de 1,35 milhão de metros quadrados.

O resultado supera em mais de duas vezes os 593 mil metros quadrados registrados pelo segmento de transporte e logística no mesmo período.

Considerando todo o mercado brasileiro, a absorção líquida chegou a 3,28 milhões de metros quadrados.

Na absorção bruta, os dois segmentos apresentaram números próximos: transporte e logística registrou 1,47 milhão de metros quadrados, enquanto digital fulfillment alcançou 1,41 milhão de metros quadrados.

Principais contratos do segundo trimestre

Entre as maiores locações registradas no segundo trimestre de 2026 estão contratos firmados pelo Mercado Livre e pela Shopee.

O Mercado Livre ocupou 125,1 mil metros quadrados no Zolver Bandeirantes e outros 63,1 mil metros quadrados no KSM Log Guarulhos I.

A Shopee, por sua vez, contratou 100,8 mil metros quadrados no BRZ 386 Logistics Park e mais 53,7 mil metros quadrados no Parque Logístico Guarulhos II.

O movimento reforça a expansão da infraestrutura necessária para atender ao crescimento do comércio eletrônico no Brasil, mantendo os grandes operadores de varejo digital entre os principais demandantes de espaços logísticos.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mercado Livre

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Comércio

Fim da “taxa das blusinhas” impulsiona compras internacionais e gera alerta na indústria têxtil

O volume de pequenas encomendas internacionais em plataformas de comércio eletrônico registrou um salto expressivo no Brasil após a revogação do imposto sobre compras de até US$ 50, popularmente conhecido como a “taxa das blusinhas”. O tributo, que antes era de 20%, foi zerado por meio de medida provisória convertida em lei em setembro.

De acordo com dados do programa Remessa Conforme analisados pela Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), o impacto no fluxo de mercadorias foi imediato:

  • Média anterior (jan-abr): 15,4 milhões de encomendas e US$ 308 milhões movimentados por mês.
  • Pós-isenção (maio-agosto): O volume saltou para picos de até 28 milhões de pacotes mensais, estabilizando-se acima de 26 milhões.
  • Valores financeiros: Os montantes declarados subiram para uma média mensal de US$ 520 milhões no quadrimestre seguinte.

Comparativo anual e concorrência das plataformas

O crescimento fica ainda mais evidente na comparação anual. Em agosto, as declarações de remessas internacionais alcançaram 26,5 milhões de pacotes — alta de 74% frente aos 15,2 milhões registrados no mesmo mês do ano anterior. Em termos de faturamento, o salto foi de 79%, passando de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões.

O avanço de gigantes asiáticas do e-commerce global acirra a disputa com o varejo e a indústria nacional, que enfrentam um cenário de forte concorrência estrangeira.

O impacto na produção nacional e o alerta da Abit

Diante do crescimento das importações por meio de plataformas de comércio eletrônico, a Abit voltou a cobrar equidade tributária e regulatória. A entidade aponta que os produtos estrangeiros de baixo valor chegam ao consumidor com vantagens competitivas, enquanto a cadeia produtiva local precisa arcar com rigorosos encargos trabalhistas, ambientais, sanitários e de segurança.

A entidade destaca que essa assimetria regulatória, somada à retração do consumo interno, afeta diretamente o mercado têxtil brasileiro:

  • Dados do IBGE indicam quedas de 6,8% na produção têxtil e de 8,2% na confecção em comparação anual.
  • Fábricas relatam redução na produção, corte de postos de trabalho e adiamento de novos investimentos.

Para a associação, o cenário caminha na contramão de outras grandes economias globais que têm endurecido o controle sobre as importações de baixo valor para proteger suas bases produtivas. A entidade reforça que a falta de igualdade fiscal estimula a importação em detrimento da produção interna, transferindo renda, empregos e arrecadação para o exterior.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Informação

Varejo brasileiro registra queda recorde em agosto, enquanto e-commerce avança

O varejo brasileiro registrou nova retração em agosto de 2026, enquanto o e-commerce manteve trajetória de crescimento. Segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), as vendas do setor recuaram 2,0% em termos reais na comparação com agosto de 2025.

Com o resultado, o varejo chegou ao 15º mês consecutivo de queda real, evidenciando um cenário de maior pressão sobre o consumo no país.

Agosto tem pior desempenho para o varejo desde 2020

O resultado registrado em agosto foi o mais negativo para o mês desde 2020. A retração também superou as quedas observadas nos períodos anteriores.

Em julho de 2026, o recuo havia sido de 1,4%, enquanto agosto de 2025 apresentou redução de 1,5%. O novo resultado, portanto, reforça a sequência de desempenho negativo do comércio varejista.

E-commerce cresce enquanto lojas físicas avançam em ritmo menor

A diferença entre os canais de venda ficou ainda mais evidente em agosto. Enquanto o comércio eletrônico apresentou crescimento nominal de 5,1%, o varejo físico avançou apenas 1,2%.

A diferença entre os desempenhos chegou a 3,9 pontos percentuais, indicando uma maior força das vendas pela internet em relação às lojas físicas.

O cenário mostra uma mudança no comportamento do consumidor, que vem ampliando sua presença nos canais digitais mesmo diante da retração registrada pelo varejo como um todo.

Consumidor muda hábitos de compra

Os números de agosto reforçam a transformação na dinâmica do consumo no Brasil. A expansão do e-commerce contrasta com a dificuldade enfrentada pelo varejo tradicional, sinalizando que os canais digitais seguem ganhando espaço nas decisões de compra.

Enquanto o setor acumula meses de retração real, as vendas pela internet apresentam desempenho mais favorável, ampliando a distância em relação ao comércio físico.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Minervino Júnior/CB/D.A.Press

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Economia

Mercado Livre movimenta R$ 73,1 bilhões e amplia impacto na economia brasileira

O Mercado Livre estima ter gerado um impacto econômico de R$ 73,1 bilhões no Brasil em 2025, entre efeitos diretos e indiretos. O valor corresponde a aproximadamente 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo o Relatório de Impacto Efeito Meli 2026, divulgado nesta segunda-feira (31/8).

Do total calculado, R$ 30 bilhões representam o impacto direto da empresa na economia, enquanto outros R$ 43,1 bilhões são atribuídos aos efeitos indiretos provocados pela atividade do ecossistema.

O levantamento considera a atuação da companhia nas áreas de comércio eletrônico, logística e serviços financeiros e aponta que, para cada R$ 1 de valor agregado diretamente pelo Mercado Livre, outros R$ 1,40 são gerados nas cadeias produtivas relacionadas à operação.

Mercado Livre amplia atuação e fortalece PMEs

O crescimento da plataforma tem sido acompanhado pela expansão de sua infraestrutura no país. A empresa passou a operar com uma rede logística própria, incluindo frota aérea, e ampliou sua capacidade de entrega expressa.

Segundo o relatório, o ecossistema do Mercado Livre tinha cerca de 627 mil pequenas e médias empresas (PMEs) e empreendedores vendendo ativamente na plataforma em 2025.

Para 60% desses negócios, o marketplace é o principal canal de vendas. Além disso, sete em cada dez afirmam que a plataforma representou sua primeira experiência de comercialização pela internet.

Os microempreendedores individuais (MEIs) correspondem a 40% dos vendedores considerados no levantamento, mostrando a participação significativa de negócios de menor porte no ecossistema.

Plataforma amplia acesso à inteligência artificial

O estudo foi elaborado a partir de mais de 90 mil entrevistas realizadas nas operações do Mercado Livre no Brasil, Argentina, Chile e México. No Brasil, foram ouvidos 22,8 mil parceiros.

Um dos dados destacados pelo levantamento é o uso de inteligência artificial por pequenos negócios. Metade das PMEs brasileiras que utilizam o Mercado Livre teria tido o primeiro contato com a tecnologia por meio da plataforma.

Fundado em 1999, o Mercado Livre se consolidou como uma das principais empresas de e-commerce e tecnologia financeira da América Latina, com presença em 18 países.

Ecossistema está associado a mais de 413 mil empregos

A operação brasileira do Mercado Livre também teve impacto sobre o mercado de trabalho. Em 2025, foram criados 61,1 mil empregos diretos relacionados à companhia, enquanto outros 352 mil postos indiretos foram associados às atividades do ecossistema.

Ao todo, o número supera 413 mil empregos, equivalente a cerca de 0,4% das vagas ocupadas no país.

A expansão da plataforma também aumentou o alcance geográfico das vendas. Três em cada cinco encomendas comercializadas em 2025 atravessaram fronteiras estaduais.

Além disso, 61% das PMEs brasileiras que vendem pelo Mercado Livre conseguiram chegar a cidades onde anteriormente não tinham clientes.

Rede logística chega a um em cada quatro municípios

A estrutura de logística do Mercado Livre também ganhou escala. Em 2025, a companhia contava com 137 centros logísticos ativos, incluindo centros de distribuição, bases e instalações de apoio.

A rede era complementada por aproximadamente 5.950 unidades Meli Places.

Com essa estrutura, a empresa afirma estar presente em um a cada quatro municípios brasileiros, ampliando a capacidade de distribuição dos produtos vendidos por pequenos negócios.

Mercado Livre movimenta bilhões no Distrito Federal

No Distrito Federal, mais de 7 mil PMEs utilizaram o marketplace para vender seus produtos em 2025.

As vendas realizadas por esses negócios representaram quase 1% do total de vendas brutas do comércio varejista da unidade federativa. Para metade dos comerciantes locais, a plataforma é o principal canal de vendas.

As PMEs que comercializaram produtos pelo Mercado Livre no DF empregaram aproximadamente 77 mil pessoas, sendo que 35% delas estavam envolvidas em atividades relacionadas ao marketplace.

O crescimento das vendas também levou comerciantes a ampliar suas equipes. No ano passado, cerca de 3,6 mil empresas locais fizeram novas contratações. Ao todo, 800 PMEs criaram 1,7 mil empregos diretos para atender à demanda gerada pela plataforma.

Logística do DF recebe novos centros

A estrutura logística da empresa no Distrito Federal também foi ampliada. Foram ativados três novos centros, que somaram 19,4 mil metros quadrados de área operacional.

Com a expansão, 74% dos produtos comercializados pelas PMEs do DF passaram a ser enviados para consumidores localizados em outros estados.

Na área financeira, quase 69,7 mil empresas e empreendedores do Distrito Federal utilizaram o Mercado Pago para receber pagamentos em 2025.

As transações movimentaram mais de R$ 6 bilhões. No crédito, foram realizadas mais de 218 mil operações destinadas a PMEs e empreendedores, totalizando mais de R$ 220 milhões.

Mercado Pago movimenta R$ 410 bilhões

O braço financeiro do grupo também apresentou forte movimentação no país. Em 2025, cerca de 4,7 milhões de empresas e empreendedores processaram pagamentos por Pix e máquinas de cartão utilizando o Mercado Pago.

O volume movimentado superou R$ 410 bilhões, equivalente a aproximadamente 3,4% de todos os pagamentos digitais realizados pelo comércio brasileiro.

Na área de crédito, o Mercado Pago concedeu R$ 15 bilhões em empréstimos para pequenas e médias empresas, distribuídos em 12,4 milhões de operações.

Empresa destaca efeito sobre a cadeia econômica

Para Leandro Cuccioli, vice-presidente sênior de Estratégia, Relações com Investidores e Sustentabilidade do Mercado Livre, os resultados mostram que a atividade do comércio digital produz efeitos que vão além da relação entre consumidor e plataforma.

Segundo ele, o crescimento das PMEs, a geração de empregos e a adoção de ferramentas de inteligência artificial fazem parte de uma cadeia econômica que se movimenta a partir das vendas realizadas pela internet.

FONTE: Correio Braziliense
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Mercado Livre

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Comércio

Shopee completa seis anos no Brasil e transforma o e-commerce com Datas Duplas e social commerce

A Shopee comemora, em 2026, seis anos de atuação no Brasil consolidando uma trajetória de forte crescimento no mercado de e-commerce. Desde o início das operações, em julho de 2020, a plataforma ampliou sua presença no país e reúne atualmente mais de 3 milhões de vendedores brasileiros, entre micro, pequenas e médias empresas, além de lojas oficiais de grandes marcas.

Com uma proposta voltada à democratização das compras online, a empresa de origem singapurense ajudou a introduzir novos hábitos de consumo e fortaleceu um modelo de campanhas promocionais que passou a influenciar todo o setor.

Datas Duplas criaram novos períodos de alta nas vendas

Um dos principais diferenciais da plataforma foi a popularização das chamadas Datas Duplas, campanhas promocionais realizadas em datas como 7.7, 9.9 e 11.11. A iniciativa ampliou o calendário do varejo digital brasileiro, criando oportunidades de vendas além de períodos tradicionais, como Black Friday e Natal.

Segundo a empresa, desde o início da operação foram promovidas 68 campanhas desse tipo, com mais de R$ 420 milhões distribuídos em cupons de desconto. Na edição 7.7 de 2026, as vendas cresceram 35% em comparação ao mesmo período do ano anterior, com destaque para os segmentos de Casa e Construção, Beleza e Moda Feminina.

Investimentos em logística reduziram prazos de entrega

Para acompanhar o crescimento da demanda, a empresa intensificou os investimentos em infraestrutura logística nos últimos anos. Atualmente, algumas entregas são realizadas em até dois dias na capital paulista, enquanto o serviço também foi expandido para 75 municípios dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A estrutura da plataforma conta hoje com 22 centros de distribuição, mais de 200 hubs logísticos e cerca de 3 mil agências, permitindo maior agilidade nas entregas e melhor experiência para consumidores e lojistas.

Marketing fortaleceu a marca no país

Em entrevista à EXAME, o diretor de marketing da Shopee, Felipe Piringer, afirmou que a empresa ainda identifica espaço para expansão do comércio eletrônico no Brasil. Segundo ele, além de consolidar a marca nacionalmente, a adoção das Datas Duplas por concorrentes demonstra a influência da estratégia criada pela plataforma.

Outro fator que contribuiu para a popularização da marca foi o investimento em campanhas publicitárias com forte presença nas redes sociais, jingles e participações de celebridades como Xuxa, Ludmilla, Ronaldinho Gaúcho e Terry Crews.

Social commerce ganha força entre consumidores

De acordo com o executivo, o comportamento de compra mudou significativamente nos últimos anos. Hoje, muitos consumidores descobrem produtos por meio de lives, vídeos curtos e conteúdos publicados nas redes sociais, fortalecendo o conceito de social commerce.

A Shopee afirma realizar mais de 10 mil transmissões ao vivo diariamente. Durante a campanha 6.6, esse número chegou a 32 mil lives em um único dia, enquanto na ação 7.7 foram registradas 38 mil transmissões. Estudos internos da empresa apontam que vendedores que utilizam esse recurso podem aumentar o faturamento em até dez vezes.

Grandes eventos também impulsionam o comércio online

A empresa destaca que acontecimentos de grande repercussão, como a Copa do Mundo, impactam diretamente o comportamento do consumidor. Durante o torneio, por exemplo, a procura por antenas digitais registrou crescimento expressivo, refletindo também no aumento das vendas da categoria.

Segundo a plataforma, acompanhar essas mudanças de consumo em tempo real permite reforçar estoques e ampliar ofertas para atender à demanda.

Apoio aos vendedores segue como prioridade

A base de vendedores continua sendo considerada um dos principais pilares da operação. Para fortalecer esse ecossistema, a empresa oferece treinamentos, cursos, ferramentas de anúncios, vídeos e transmissões ao vivo voltados ao desenvolvimento dos empreendedores que utilizam a plataforma.

Além da capacitação, a expansão logística também busca oferecer melhores condições para que os parceiros ampliem suas vendas e atendam os consumidores com mais eficiência.

Inovação é o principal desafio para os próximos anos

Para a Shopee, acompanhar a rápida evolução do mercado continuará sendo o maior desafio da operação no Brasil. A empresa afirma investir constantemente em novos formatos de compra e em soluções voltadas à experiência do consumidor.

Entre as novidades lançadas recentemente está o Shopee VIP, programa de assinatura mensal que oferece benefícios exclusivos aos usuários e segue a tendência dos clubes de fidelidade adotados pelo varejo digital.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Exame

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Importação

Importações batem recorde em junho após fim da taxa das blusinhas

As importações de pequenas encomendas registraram um novo recorde em junho, impulsionadas pelo fim da chamada taxa das blusinhas. De acordo com dados do Programa Remessa Conforme, da Receita Federal, as compras realizadas em sites internacionais somaram R$ 2,6 bilhões no mês.

O resultado representa o maior volume mensal desde que a Receita passou a divulgar a série histórica com dados mensais. O montante fica atrás apenas dos acumulados bimestrais de abril e maio de 2024, que alcançaram R$ 2,69 bilhões, e de junho e julho de 2024, quando o total chegou a R$ 3,13 bilhões.

Fim da taxa impulsionou crescimento das remessas

A chamada taxa das blusinhas entrou em vigor em agosto de 2024 e estabelecia a cobrança de 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50. Para produtos com valor entre US$ 50,01 e US$ 3 mil, a alíquota era de 60%.

A cobrança permaneceu em vigor até a primeira quinzena de maio deste ano, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que zerou o imposto para esse tipo de compra.

Os reflexos foram imediatos. Ainda em maio, o volume de remessas internacionais aumentou quase 30% em relação ao mês anterior. Em junho, o crescimento foi ainda maior, chegando a aproximadamente 37%.

Os números divulgados pela Receita Federal consideram exclusivamente as compras realizadas por meio do Programa Remessa Conforme.

Programa Remessa Conforme agiliza a liberação de encomendas

Criado para modernizar o controle das compras internacionais, o Remessa Conforme determina que os tributos sejam recolhidos no momento da aquisição do produto.

Com o pagamento antecipado dos impostos, a Receita Federal consegue realizar a conferência das encomendas antes da chegada ao país, reduzindo o tempo de processamento e tornando a entrega ao consumidor mais rápida.

Além do recolhimento antecipado dos tributos federais, o programa também prevê o pagamento dos impostos estaduais pelas empresas participantes.

Setor produtivo critica mudança nas regras

Embora a suspensão da taxa das blusinhas tenha sido bem recebida por consumidores, a decisão provocou reação de entidades representativas da indústria e do comércio nacional.

Organizações do setor privado divulgaram um manifesto defendendo que a medida provisória fosse devolvida pelo Congresso Nacional. Segundo as entidades, a isenção amplia a diferença de custos entre empresas instaladas no Brasil e plataformas internacionais.

No documento, as associações argumentam que companhias brasileiras precisam cumprir exigências tributárias, trabalhistas, ambientais e de defesa do consumidor, enquanto concorrentes estrangeiras operariam com uma estrutura de custos mais reduzida.

As entidades afirmam que a busca por isonomia tributária significa garantir que todos os agentes econômicos estejam sujeitos às mesmas regras fiscais. O manifesto resume esse posicionamento com a frase: “Se baixar para estrangeiro, tem que baixar para brasileiro”.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também manifestou preocupação, avaliando que a retirada da cobrança pode aumentar a concorrência com empresas estrangeiras e impactar a geração de empregos e a competitividade da indústria nacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Logística

Galpões logísticos registram absorção superior a 2 milhões de m² no primeiro semestre de 2026

O mercado brasileiro de galpões logísticos e condomínios industriais encerrou o primeiro semestre de 2026 com 2,054 milhões de metros quadrados de absorção bruta, de acordo com levantamento da Newmark Brasil. O resultado reflete o aquecimento da demanda por espaços destinados à armazenagem e distribuição, impulsionado principalmente pelo crescimento do e-commerce e pela expansão das operações de grandes empresas.

Entre os principais responsáveis pelo desempenho estão gigantes do comércio eletrônico, como Mercado Livre e Amazon, além de operadores especializados em logística integrada, que também ampliaram sua presença no mercado.

Pré-locações reforçam cenário positivo para o setor

Além do volume já ocupado no período, o estudo aponta perspectivas favoráveis para os próximos meses. Entre abril e maio, contratos de pré-locação assinados para empreendimentos ainda em construção somaram mais 448 mil metros quadrados, indicando que a demanda continua elevada antes mesmo da entrega dos novos ativos.

Para Mariana Hanania, head de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Newmark Brasil, o crescimento vai além do aumento da área locada.

Segundo a executiva, o mercado passa por uma redistribuição estratégica da ocupação entre diferentes regiões do país, movimento que fortalece o papel dos condomínios logísticos na eficiência operacional e na competitividade das empresas.

Mercado Livre e Amazon lideram novas locações

O levantamento mostra que o Mercado Livre foi o maior contratante de áreas no semestre, totalizando 109 mil metros quadrados. As locações estão concentradas principalmente em São Paulo, mas também contemplam empreendimentos no Rio de Janeiro, Bahia, Paraná e Mato Grosso.

Na sequência aparece a Amazon, que alugou 82 mil metros quadrados em empreendimentos distribuídos entre os estados de São Paulo e Paraná.

Crescimento do e-commerce sustenta demanda por armazenagem

O estudo da Newmark acompanha uma tendência já observada no mercado imobiliário logístico. Dados da Colliers indicam que os ativos logísticos movimentaram mais de R$ 1 bilhão em transações apenas no primeiro trimestre de 2026.

Segundo a consultoria, a expansão do comércio eletrônico continua sendo um dos principais motores da procura por galpões logísticos, impulsionada pela necessidade de entregas mais rápidas e operações de distribuição cada vez mais eficientes.

As projeções da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) reforçam esse cenário. A entidade estima que o e-commerce brasileiro ultrapasse R$ 258 bilhões em faturamento ao longo de 2026, ampliando a demanda por infraestrutura logística capaz de atender ao crescimento das vendas online.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Transporte

Carga aérea cresce impulsionada pela inteligência artificial e demanda por chips

A carga aérea internacional atravessa uma nova fase de expansão, agora liderada pela crescente demanda por chips, semicondutores e equipamentos destinados à infraestrutura de inteligência artificial (IA). Em junho, o setor registrou alta de 7% na movimentação global em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da consultoria Xeneta.

O avanço representa uma mudança no perfil das mercadorias transportadas por via aérea. Após um período em que o e-commerce foi o principal responsável pelo crescimento do segmento, os componentes tecnológicos de alto valor agregado passaram a ocupar posição de destaque na demanda por espaço nas aeronaves.

Semicondutores lideram expansão da carga aérea

O crescimento acelerado da indústria de semicondutores é apontado pela Xeneta como o principal fator por trás da força do mercado de carga aérea em 2026.

De acordo com a consultoria, as vendas globais de chips avançaram 106% em abril na comparação anual, o maior crescimento já registrado pela World Semiconductor Trade Statistics desde o início da série histórica, em 1986.

Esse cenário fortaleceu a rota transpacífica como o principal corredor mundial de transporte aéreo de cargas, mesmo diante da desaceleração do comércio entre China e Estados Unidos provocada pelas tarifas comerciais.

Embora os embarques ligados à inteligência artificial representem menos de 10% do volume total transportado, eles concentram grande parte da expansão registrada pelo setor neste ano.

Economias asiáticas refletem boom da IA

O aumento da demanda por tecnologia já impacta diretamente os principais produtores de chips.

Em Taiwan, maior fabricante mundial de semicondutores avançados, a economia cresceu 15% no primeiro trimestre de 2026, o melhor resultado em quase cinco décadas, impulsionado pelas exportações voltadas ao mercado de IA.

Na Coreia do Sul, as duas maiores fabricantes de semicondutores passaram a representar mais da metade do valor de mercado da bolsa de Seul após registrarem forte valorização ao longo do ano.

Fretes seguem elevados, mas ritmo desacelera

As tarifas spot globais — utilizadas em contratos de curta duração — atingiram média de US$ 3,40 por quilo em junho, resultado 38% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Apesar da alta, os preços começaram a mostrar sinais de estabilização. Em maio, o crescimento havia alcançado 41%, indicando que a pressão sobre os fretes internacionais começa a perder intensidade.

Entre os fatores que contribuíram para esse movimento estão a redução das tensões no Oriente Médio, a retomada da capacidade operacional nos principais hubs do Golfo e a queda no preço do combustível de aviação.

E-commerce perde protagonismo no transporte aéreo

Enquanto a inteligência artificial fortalece sua participação no mercado, o comércio eletrônico passa a perder espaço como principal impulsionador da carga aérea.

Segundo a Xeneta, as exportações chinesas de produtos de baixo valor e mercadorias ligadas ao e-commerce recuaram 7% em maio, marcando o sexto mês consecutivo de queda.

A mudança representa uma inversão em relação ao período pós-pandemia, quando as plataformas de vendas online sustentaram boa parte da ocupação das aeronaves cargueiras e contribuíram para manter os fretes em níveis elevados entre 2023 e 2025.

Mercado aposta em contratos mais curtos

Outra tendência observada em 2026 é a preferência por contratos de menor duração.

No segundo trimestre, 58% dos novos acordos firmados no transporte aéreo internacional tiveram validade inferior a três meses. Um ano antes, esse percentual era de apenas 22%.

Além disso, o mercado spot já responde por aproximadamente 49% de toda a carga tarifável transportada globalmente.

O comportamento reflete a dificuldade de empresas e operadores logísticos em prever o mercado diante das incertezas provocadas por fatores geopolíticos, mudanças tarifárias e oscilações na demanda por tecnologia.

Rotas ligadas à IA mantêm preços elevados

Mesmo com sinais de acomodação no mercado, as rotas diretamente relacionadas à cadeia da inteligência artificial continuam registrando tarifas elevadas.

No fim de junho, os fretes entre o Nordeste Asiático e a América do Norte estavam 41% acima dos níveis registrados no fim de fevereiro. Já os embarques do Sudeste Asiático para o mercado norte-americano acumulavam aumento de 42% no mesmo período.

Em contrapartida, o aumento da oferta de voos de passageiros durante o verão no Hemisfério Norte ampliou a capacidade disponível nos porões das aeronaves e reduziu cerca de 25% as tarifas entre Europa e América do Norte em comparação com o inverno boreal.

Demanda cresce acima da capacidade disponível

Enquanto a demanda mundial por carga aérea avançou 7% em junho, a capacidade global aumentou apenas 3%, impulsionada principalmente pela retomada de voos anteriormente suspensos durante a crise no Oriente Médio.

Com isso, o fator de ocupação das aeronaves subiu três pontos percentuais, alcançando 62%.

No acumulado do primeiro semestre, a demanda global registra crescimento de 4%, desempenho superior às expectativas do mercado no início de 2026, quando predominava a previsão de desaceleração econômica e menor dinamismo do comércio internacional.

Agora, a principal expectativa do setor é entender por quanto tempo a expansão impulsionada pela inteligência artificial, pelos semicondutores e pela crescente demanda tecnológica continuará sustentando o mercado mundial de carga aérea.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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