Agronegócio

Compra de fertilizantes atrasa e preocupa setor agrícola para a safra 2026/27

A indefinição sobre possíveis medidas do governo para aliviar o endividamento dos produtores rurais tem levado muitos agricultores a adiar a compra de fertilizantes para a safra 2026/27. O movimento já afeta revendas e fabricantes de insumos e amplia as preocupações com o planejamento da próxima temporada agrícola.

Além das incertezas sobre a renegociação de dívidas, fatores como juros elevados, aumento da inadimplência no campo, encarecimento dos insumos e riscos climáticos associados ao El Niño elevam o nível de atenção tanto do mercado quanto do governo federal.

Compras seguem abaixo da média histórica

Levantamento da Agrinvest mostra que, até a primeira quinzena de junho, os produtores de soja haviam adquirido cerca de 68% do volume de fertilizantes previsto para a próxima safra. Mesmo considerando uma redução estimada de aproximadamente 10% na demanda para o ciclo 2026/27, o percentual permanece abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 75% para esse período.

No caso do milho, cuja semeadura ocorre após a soja, o atraso é ainda maior, chegando a 13 pontos percentuais em relação ao ritmo histórico.

Dados do índice de vendas de fertilizantes da Veeries, que acompanha culturas como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar, trigo e café, apontam que apenas 50% do volume esperado havia sido comercializado até meados de junho. Nos últimos três anos, a média para essa época era de 60%.

Alta dos preços e renegociação de dívidas travam mercado

Segundo especialistas, a principal razão para o adiamento das compras é a valorização dos fertilizantes no mercado internacional.

Além disso, a expectativa em torno da votação de propostas de renegociação das dívidas rurais no Congresso tem levado muitos produtores a postergar decisões de compra, aguardando um possível alívio financeiro.

Representantes do setor observam que o cenário também é agravado pelos impactos dos conflitos no Irã e na Ucrânia, que elevaram os custos globais dos insumos, além da combinação de juros altos e menor rentabilidade das atividades agrícolas.

Revendas e indústria já sentem os impactos

O atraso nas negociações preocupa fabricantes e distribuidores de insumos, que alertam para o risco de parte dos fertilizantes não chegar às propriedades dentro do calendário ideal de plantio da safra de verão.

A situação já afeta outros segmentos ligados ao agronegócio. A indústria de máquinas agrícolas, por exemplo, registrou queda de 18% nas vendas entre janeiro e abril, enquanto fabricantes projetam encerrar 2026 com faturamento cerca de 8% inferior ao do ano passado.

Empresas do setor afirmam que não há retração estrutural da demanda, mas sim um adiamento das negociações provocado pelas incertezas financeiras enfrentadas pelos produtores.

Safra pode ser menor em meio a restrições de crédito

Com menor utilização de fertilizantes, dificuldade de acesso ao crédito rural e previsão de impactos climáticos relacionados ao El Niño, cresce a expectativa de redução no potencial produtivo da próxima safra de grãos.

O cenário também passou a ser acompanhado pelo Ministério da Agricultura, que criou um grupo de trabalho para avaliar possíveis efeitos das condições climáticas sobre a produção agrícola. Entre as principais preocupações estão a limitação de recursos para o seguro rural e a ausência de mecanismos que facilitem a concessão de novos financiamentos aos produtores.

Nos bastidores do mercado financeiro, agricultores já sinalizam a intenção de reduzir áreas cultivadas e concentrar investimentos em propriedades consideradas mais rentáveis e com menor risco operacional.

Setor aguarda definição sobre apoio aos produtores

Executivos do mercado afirmam que a demora na definição das medidas de apoio financeiro vem prolongando a paralisação das negociações, especialmente entre distribuidores de fertilizantes.

Na avaliação do setor, a retomada das compras dependerá tanto do avanço das discussões sobre o endividamento rural quanto da evolução dos preços dos insumos e das perspectivas para a próxima safra.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Dado Galdieri/Bloomberg

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Agronegócio

Safra recorde e caixa apertado: agro de Mato Grosso enfrenta incertezas para 2026

A safra 2024/2025 terminou com números expressivos no campo, mas deixou um cenário de preocupação entre os produtores rurais de Mato Grosso. Apesar das lavouras cheias e do clima favorável, a combinação de preços baixos, juros elevados e crédito restrito comprometeu a rentabilidade e acendeu um alerta para o próximo ciclo agrícola.

O resultado é um setor que produziu bem, mas fechou o ano com margens apertadas, dificuldades financeiras e pouca previsibilidade para 2026.

Boa produção, mas retorno financeiro limitado

Nas principais regiões produtoras, como Jaciara, o desempenho das lavouras de soja, milho e algodão foi positivo do ponto de vista produtivo. No entanto, a rentabilidade ficou abaixo do esperado. Até culturas alternativas, como o arroz, não corresponderam financeiramente.

Segundo o produtor rural Gilson Provenssi, o faturamento obtido mal foi suficiente para cobrir os custos financeiros da safra. A elevação dos juros, sem valorização equivalente das commodities, agravou a situação, especialmente para quem trabalha com áreas arrendadas.

“O que entrou praticamente foi para pagar juros. As commodities não reagiram e isso inviabiliza o fechamento das contas”, relata.

Para manter a atividade, ele precisou vender mais de mil cabeças de gado e reorganizar o planejamento agrícola. Mesmo após plantar 2,1 mil hectares de soja e prever 1,5 mil hectares de milho na segunda safra, ajustes foram inevitáveis.

Janela apertada e mudanças no planejamento

O atraso no plantio da soja reduziu a janela agrícola e comprometeu o calendário das culturas seguintes. A colheita, prevista apenas para fevereiro, forçou a desistência de áreas de algodão e a substituição por milho.

Além disso, parte das áreas antes destinadas ao arroz será convertida para o cultivo de amendoim, alternativa que começa a ganhar espaço no estado por apresentar boa adaptação a áreas mistas.

Cautela no investimento e redução de custos

No médio-norte do estado, em municípios como Nova Mutum, o cenário também é de contenção. A combinação entre seca no início do ciclo, replantios e custos elevados levou produtores a reduzir investimentos e até mesmo deixar áreas sem plantio.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, Paulo Zen, muitos produtores estão optando por diminuir despesas e enxugar estruturas.

“O produtor está sendo obrigado a segurar custos, reduzir mão de obra e investir menos. É uma postura de sobrevivência”, afirma.

Crédito travado e risco financeiro elevado

A situação se agrava com as dificuldades de renegociação de dívidas. O presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, relata que instituições financeiras têm descumprido acordos firmados anteriormente, aumentando a insegurança no campo.

Segundo ele, o produtor assume grande parte do risco, com custos elevados e pouca previsibilidade de retorno, o que torna o ambiente ainda mais frágil.

“A realidade hoje é sobreviver. O produtor está andando no limite, esperando que o mercado reaja para conseguir se reerguer”, destaca.

Incertezas fiscais ampliam preocupação no campo

Além das dificuldades econômicas, o setor acompanha com apreensão a indefinição da política fiscal e os impactos da reforma tributária, prevista para entrar em vigor nos próximos anos.

Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, a combinação de preços pressionados e possível aumento da carga tributária agrava um cenário já delicado.

“O mercado de commodities não sinaliza melhora, e a carga tributária preocupa. A agricultura está descapitalizada e isso exige cautela redobrada”, avalia.

Diante desse contexto, o agro mato-grossense entra em 2026 com produtividade elevada, mas com desafios financeiros que exigem planejamento rigoroso, controle de custos e atenção às mudanças econômicas e fiscais.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

SC avalia programa para fortalecer cooperativas e agroindústrias

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina passou a analisar, no dia 27, o Projeto Coopera Agro SC, proposta enviada pelo governo estadual para ampliar o acesso ao crédito e fortalecer cooperativas e agroindústrias. O programa cria até dez linhas de financiamento que totalizam R$ 1 bilhão, com condições especiais para agricultores integrados a cooperativas e agroindústrias.

Setor vê avanço histórico no acesso ao crédito

Para o Sindicarne, a iniciativa atende demandas antigas ao oferecer mecanismos reais de financiamento.
Segundo o diretor executivo Jorge Luiz de Lima, o programa chega em um momento crucial para estimular investimentos, ampliar a competitividade e dar segurança ao planejamento do setor. Ele destaca que o alto custo do crédito rural sempre foi um entrave ao desenvolvimento e que políticas que reduzam essas barreiras são essenciais para o crescimento sustentável.

Como o financiamento será estruturado

A operação financeira será viabilizada em parceria com o BRDE, por meio da emissão de Letras Financeiras de longo prazo. Do total previsto, R$ 200 milhões virão do Governo do Estado e R$ 800 milhões do setor privado.
Um dos diferenciais apontados pelo setor é a possibilidade de cooperativas e agroindústrias utilizarem créditos acumulados de ICMS para abater até 50% do investimento. Para Lima, essa inovação torna os projetos mais viáveis e coloca Santa Catarina em posição equivalente à de outros estados que já adotam modelos semelhantes.

Impacto econômico e geração de empregos

O Coopera Agro SC prevê taxas de juros próximas de 9% ao ano, prazo de pagamento de dez anos e carência de dois anos. Estimativas do governo indicam potencial de gerar R$ 26 bilhões em impacto econômico e criar 40 mil empregos diretos e indiretos.
Para Lima, esses números reforçam a importância estratégica do agronegócio catarinense e evidenciam a necessidade de políticas que valorizem pequenos e médios produtores, essenciais à estrutura cooperativista do estado.

Próximos passos na Alesc

A proposta será analisada inicialmente pela Comissão de Justiça da Assembleia Legislativa e, em seguida, seguirá para a Comissão de Finanças.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Aurora Coop/Divulgação

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