Agronegócio

Pesquisa científica fortalece o Brasil como líder global na cotonicultura

A evolução da cotonicultura brasileira tem sido impulsionada pela integração entre ciência, tecnologia e produção agrícola. O avanço do país no mercado internacional de algodão está diretamente ligado aos investimentos em pesquisa científica, inovação no campo e desenvolvimento de soluções adaptadas às necessidades do produtor rural.

Universidades, instituições públicas como a Embrapa e empresas privadas vêm atuando em conjunto para transformar estudos acadêmicos em tecnologias aplicáveis no dia a dia das lavouras. Essa conexão fortalece a competitividade do Brasil e amplia a sustentabilidade da produção nacional.

Segundo a diretora de Relações Institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi, a relevância da pesquisa está justamente na capacidade de gerar resultados concretos no campo. Para ela, a ciência aplicada é um dos principais pilares da competitividade do setor algodoeiro.

Expansão do algodão no Cerrado impulsionou inovação

O crescimento da produção de algodão no Brasil ganhou força a partir da década de 1990, com a expansão da cultura para o Cerrado. A mudança exigiu novas soluções para lidar com desafios relacionados ao clima, tipos de solo, mecanização agrícola e controle de pragas como o bicudo e a ramulária.

Nesse cenário, os investimentos em tecnologia agrícola, formação de pesquisadores e inovação aceleraram a modernização da atividade. O engenheiro agrônomo Juan Piero destaca que a aproximação entre o setor produtivo e a academia é fundamental para transformar pesquisas em soluções escaláveis.

De acordo com ele, muitos estudos apresentam resultados promissores, mas ainda enfrentam dificuldades para chegar efetivamente ao produtor rural por falta de incentivo e validação prática.

Melhoramento genético elevou produtividade e qualidade da fibra

Os avanços científicos tiveram impacto direto na produtividade das lavouras e na qualidade da fibra brasileira. O desenvolvimento de cultivares adaptadas ao Cerrado permitiu maior resistência a doenças e aumento do potencial produtivo.

Além do melhoramento genético, técnicas de manejo integrado de pragas, uso de reguladores de crescimento e estratégias de adubação contribuíram para ampliar a eficiência operacional no campo.

A qualidade da pluma também evoluiu nos últimos anos. O aprimoramento genético, aliado aos avanços nos sistemas de pós-colheita, beneficiamento e classificação da fibra, ajudou o Brasil a atender mercados internacionais cada vez mais exigentes.

Programas como o Sistema Abrapa de Identificação (SAI) reforçam o uso de tecnologia e gestão de dados para garantir rastreabilidade e padronização da produção.

Pesquisa aplicada precisa atender demandas reais do produtor

Especialistas apontam que a adoção de novas tecnologias depende diretamente da capacidade de resolver problemas concretos enfrentados pelos produtores, como redução de custos e aumento da eficiência.

Projetos desenvolvidos sem validação local ou desconectados da realidade brasileira tendem a ter baixa aplicação prática. Em sistemas agrícolas de larga escala, fatores como retorno financeiro, simplicidade operacional e viabilidade técnica são decisivos para a implementação de inovações.

Apesar do avanço da pesquisa agropecuária, o setor ainda enfrenta obstáculos importantes, como falta de financiamento contínuo, burocracia na aquisição de equipamentos, alta do dólar e dificuldade para retenção de profissionais qualificados.

Para estimular o desenvolvimento científico, a Abrapa promove iniciativas voltadas ao incentivo de trabalhos acadêmicos durante o Congresso Brasileiro do Algodão (CBA).

Eventos técnicos aceleram transferência de tecnologia

Os eventos científicos e dias de campo desempenham papel estratégico na disseminação de conhecimento e inovação dentro do agronegócio.

O Congresso Brasileiro do Algodão, por exemplo, aproxima pesquisadores, produtores e consultores, acelerando o processo de transferência de tecnologia para as fazendas.

Segundo Juan Piero, esses encontros ajudam pesquisadores a compreender as principais dificuldades enfrentadas durante as safras, permitindo que os estudos sejam direcionados às necessidades reais da produção.

Silmara Ferraresi reforça que o sucesso dessa integração depende da comunicação acessível e da aplicação prática das pesquisas desenvolvidas.

Formação de profissionais sustenta avanço da cotonicultura

A renovação da cotonicultura nacional também passa pela formação de novos profissionais especializados. Estudantes, pesquisadores e professores exercem funções complementares no desenvolvimento de tecnologias e soluções para o setor.

Enquanto estudantes e pós-graduandos contribuem com ferramentas digitais e análise de dados, pesquisadores transformam demandas do campo em inovações testadas e aplicáveis. Já os professores atuam na coordenação de projetos e na formação de novas gerações de especialistas.

Para Juan Piero, a qualificação humana é essencial para garantir a continuidade dos avanços científicos no agronegócio brasileiro.

Congresso Brasileiro do Algodão bate recorde de pesquisas

A edição de 2024 do Congresso Brasileiro do Algodão registrou recorde de participação científica, com 288 trabalhos apresentados digitalmente e outras 12 apresentações presenciais na arena científica.

Os temas mais abordados envolveram áreas como produção vegetal, controle de pragas, fitopatologia, melhoramento genético, qualidade da fibra e agricultura digital.

Para a 15ª edição do evento, prevista para 2026, a expectativa é ampliar ainda mais o número de pesquisas e fortalecer soluções voltadas às demandas práticas do produtor rural.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

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Agricultura

Estiagem em Mato Grosso ameaça produtividade do algodão e acende alerta no campo

A estiagem em Mato Grosso já começa a impactar o desenvolvimento das lavouras de algodão, especialmente da segunda safra. Entre os dias 19 e 24 de abril, o predomínio de sol intenso e chuvas esparsas reduziu a umidade do solo, gerando preocupação entre produtores.

O cenário levou a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) a intensificar o monitoramento das áreas cultivadas, com atenção especial às regiões mais dependentes de condições climáticas estáveis.

Estresse hídrico atinge principais regiões produtoras

As áreas mais afetadas pela falta de chuva estão localizadas no Sul, Centro-Leste e Vale do Araguaia. Nessas regiões, o principal desafio é evitar o abortamento de frutos causado pelo estresse hídrico.

Apesar de um desenvolvimento considerado positivo até o momento, técnicos alertam que a transição para o período seco ocorre em uma fase sensível do ciclo produtivo, o que pode impactar o rendimento final da cotonicultura em Mato Grosso.

Campo se divide entre manejo e preparação para colheita

Nas propriedades rurais, as atividades seguem em duas frentes: manutenção da produtividade e preparação para a colheita. Máquinas agrícolas e aeronaves continuam aplicando reguladores de crescimento e fertilizantes, enquanto as equipes realizam manutenção preventiva nas colhedoras.

Esse movimento indica que, mesmo com o alerta climático, a colheita das áreas de primeira safra está próxima de começar em várias regiões do estado.

Controle de pragas segue como desafio central

No campo fitossanitário, o bicudo-do-algodoeiro continua sendo a principal ameaça às lavouras. O controle da praga exige aplicações frequentes de defensivos e o uso de armadilhas estratégicas.

Outra medida recomendada é a eliminação de plantas voluntárias, conhecidas como “tigueras”, que ajudam a reduzir a pressão da praga nas áreas de cultivo.

Doenças e pragas secundárias estão sob controle

Mesmo com o clima mais seco, doenças como mancha-alvo e ramulária ainda aparecem em áreas de vegetação mais densa, onde o microclima favorece a proliferação de fungos.

No entanto, o cenário geral é considerado estável, com registros pontuais de pragas como pulgões e lagartas, sem impacto significativo na sanidade das plantas até o momento.

Expectativa depende do clima e do manejo agrícola

A expectativa do setor é de que as operações finais no campo garantam bons resultados, apesar das condições climáticas adversas. O desempenho das lavouras dependerá da eficiência no controle de pragas e da resistência das plantas durante o avanço do período seco.

Segundo técnicos do setor, o cenário ainda é de otimismo moderado, com boa retenção de frutos, mas com atenção redobrada ao comportamento do clima nas próximas semanas.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Informação

Seca no Sul de Mato Grosso ameaça produtividade do algodão e acende alerta no campo

A seca no Sul de Mato Grosso já preocupa produtores e pode impactar diretamente a produtividade do algodão na safra atual. A diminuição das chuvas na região vem reduzindo a umidade do solo, cenário que afeta principalmente áreas de segunda safra e lavouras com plantio tardio.

Baixa umidade compromete desenvolvimento do algodoeiro

De acordo com levantamento da Ampa, a escassez de água no solo ocorre em um momento crítico do ciclo da cultura. Nessa fase, a disponibilidade hídrica é essencial para garantir o desenvolvimento adequado das estruturas reprodutivas.

A falta de umidade pode prejudicar o enchimento das maçãs do algodoeiro — etapa decisiva para o rendimento final da lavoura. Enquanto isso, outras regiões do estado apresentam condições mais equilibradas, com clima favorável à continuidade das atividades no campo.

Outras regiões mantêm ritmo de manejo

Fora da área mais afetada, o cenário é mais positivo. A presença de períodos de sol permitiu a retomada de práticas importantes, como adubação de cobertura e aplicação de reguladores de crescimento.

Apesar do desenvolvimento considerado dentro da normalidade em grande parte do estado, especialistas alertam que a chegada do período de estiagem exige atenção redobrada. O estresse hídrico segue como principal risco, podendo comprometer até mesmo lavouras já estabelecidas.

Monitoramento de pragas segue intensificado

Além das condições climáticas, o controle fitossanitário continua sendo prioridade entre os produtores. O destaque vai para o combate ao bicudo-do-algodoeiro, considerado a principal ameaça à cultura.

O monitoramento é realizado com o uso de armadilhas, enquanto a aplicação de defensivos tem sido intensificada para conter o avanço da praga sobre flores e maçãs em formação.

Outros insetos, como lagartas e pulgões, permanecem sob controle e dentro dos níveis considerados normais. Ainda assim, a recomendação técnica é manter o manejo rigoroso até o fim do ciclo produtivo, evitando prejuízos.

Alerta reforça vulnerabilidade ao clima

O cenário no Sul de Mato Grosso reforça a sensibilidade da cultura do algodão às variações climáticas. A evolução da seca na região serve como alerta, sobretudo para áreas mais expostas, como as de segunda safra e plantios tardios.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/ Canal Rural Mato Grosso

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Importação, Informação, Logística, Portos

Terminal de Contêineres de Paranaguá espera ampliar embarques de algodão

Tradings e operadores logísticos vêm avaliando alternativas às exportações por Santos (SP)

O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) espera aumentar os embarques de algodão, em meio a uma diversificação de rotas logísticas da pluma brasileira. Atualmente, as exportações do produto são amplamente dominadas pelo porto de Santos. Mas tradings e operadores logísticos vêm avaliando outras possibilidades.

Entre os locais que estão movimentando cargas da pluma, buscando ganhar espaço entre os pontos de embarque alternativos ao terminal paulista, estão portos como Itapoá (SC) e Salvador (BA). Em Paranaguá (PR), o TCP não quer ficar para trás nesta tendência.

“A estratégia de diversificação de rotas de exportação de algodão não é uma escolha. É mandatória. Se não fizer isso, não se exporta algodão, ou se exporta de uma maneira limitada, abaixo do que se prevê de meta”, analisa Giovanni Guidolim, gerente comercial, de logística e de atendimento do TCP.

Em todo o ano de 2023, o terminal de Paranaguá embarcou 50,1 mil toneladas de algodão em pluma. De janeiro a agosto de 2024, foram 22 mil toneladas. Com o Brasil assumindo a liderança mundial das exportações do produto, a administração do local acredita que é possível ganhar espaço no segmento.

Nas previsões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as exportações totais de algodão da safra 2024/24 devem totalizar 2,85 milhões de toneladas. Para a pluma da temporada 2024/25, a projeção é de 2,86 milhões. Neste cenário, a previsão do TCP é encerrar este ano com crescimento. E manter a tendência nos próximos.

“Começamos a retomar esse projeto do algodão em Paranaguá alguns anos atrás. Tivemos um bom volume no ano passado e projetamos continuar crescendo ano a ano. A gente vê uma dinâmica dos terminais e uma demanda do mercado necessitando de mais players na exportação de algodão”, diz Guidolim.

O algodão em pluma chega a Paranaguá por caminhões. Nos armazéns da chamada retroárea portuária, o produto é estufado em contêineres para ser exportado, e direcionado para o terminal de embarque nos navios.

Atualmente, a maior parte da pluma exportada pelo TCP é originada em Mato Grosso. A expectativa é de que volumes cada vez maiores “desçam” do Centro-oeste, considerando que a cotonicultura do Estado prevê aumento na demanda do exterior.

De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), as exportações de algodão em pluma do Estado na safra 2023/24 são estimadas em 1,79 milhão de toneladas, 5,66% a mais que na temporada anterior (1,69 milhão). Para o ciclo 2024/25, a previsão é de 1,99 milhão de toneladas, 11,16% a mais.

“A gente espera chegar a mais de 50% de crescimento no algodão. É o que a gente está projetando de mercado e espera fazer. O algodão vem ganhando corpo e a gente quer que continue crescendo”, afirma Guidolim.

Ele avalia que, ao procurar alternativas a Santos, a cadeia produtiva do algodão tende a escolher Paranaguá, entre outros motivos, por proporcionar um alto volume de frete de retorno, que compensa a operação logística. O caminhão que chega carregado com a pluma retorna ao ponto de origem com fertilizantes, ajudando a diluir o custo da operação.

O porto de Paranaguá é um dos principais locais de entrada do fertilizante importado pelo Brasil. De janeiro a setembro de 2024, foram 7,84 milhões de toneladas desembarcadas, 11% a mais que no mesmo período em 2023 (7,05 milhões). É o principal produtor em volume de importações no terminal paranaense.

O executivo do TCP acrescenta que o terminal paranaense concentra rotas logísticas para diversos destinos, especialmente o mercado asiático, principal cliente internacional da cotonicultura brasileira. Outra característica que, em sua avaliação, favorece a escolha do local como ponto de embarque da pluma.

“Paranaguá sempre foi muito estratégico para o fluxo de caminhões com fertilizantes, o que torna o frete de retorno ainda mais competitivo”, diz Guidolim, do TCP. “E, quando você tem, em um terminal, essa concentração de serviços, facilita para o exportador. Conseguimos trabalhar no conceito de ‘one stop shop’, a centralização da logística em um player”, acrescenta.

TCP

Atualmente, o TCP é o segundo maior terminal do Brasil em movimentação de contêineres, atrás apenas de Santos, de acordo com dados estatísticos da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). A capacidade estática de armazenagem do local está próxima de 45 mil TEU’s (medida equivalente a um contêiner de 20 pés).

Entre 2022 e 2024, a companhia investiu R$ 370 milhões em melhorias na infraestrutura e compra de equipamentos, seja para algodão ou outras cargas, e concluiu obras de modernização de estruturas, como vias e portões de acesso, monitoramento e fluxo de entrada e saída de caminhões, e na área de ferrovia.

“A ferrovia, hoje, não entra tanto no algodão, mas é um produto a ser estudado pelo segmento. Existe a possibilidade de, assim como em outros terminais portuários, a ferrovia na exportação de algodão”, diz Guidolim, ressaltando que, em Paranaguá, há o acesso direto ao terminal alfandegado por via férrea.

Investimentos em estruturas específicas para movimentar algodão, especificamente, afirma o executivo, têm sido feitos por parceiros do TCP. Segundo ele, são armazéns e retroáreas para recebimento e estufagem de contêineres.

Terminal de Contêineres de Paranaguá espera ampliar embarques de algodão

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