Comércio, Logística, Portos

Transformação no mercado de contêineres acirra disputa em portos

Avanço dos armadores na operação de terminais gera alertas sobre risco de concentração

O mercado brasileiro dos terminais de contêineres passou por uma rápida transformação nos últimos anos, com o avanço de grandes companhias de navegação no controle societário desses ativos, em detrimento de operadores “bandeira branca” (sem negócios no transporte marítimo de cargas).

Estudo da consultoria GO Associados mostra que 14 dos 23 terminais atualmente em operação ou que entram em funcionamento até 2026, no Brasil, são administrados diretamente por armadores (jargão do mercado para as empresas de navegação).

Desse total, oito passaram às mãos de gigantes do setor – como a suíça MSC, a dinamarquesa Maersk e a francesa CMA CGM – desde 2022.

“Isso é ruim? Não, mas queremos mais concorrência. Não tira a competitividade, mas a [maior] concorrência estimula o aumento da produtividade”, diz o economista Gesner Oliveira, sócio da GO Associados.

O estudo foi apresentado ao Tribunal de Contas da União (TCU) e anexado ao processo de análise do Tecon Santos 10, o novo superterminal de contêineres no estuário santista, que deve ser o maior leilão portuário já realizado no país.

As regras do leilão têm dividido grupos empresariais e mobilizado lobistas, consultorias econômicas e escritórios de advocacia em Brasília.

A intenção do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) é realizar a licitação na segunda quinzena de dezembro. O Tecon Santos 10, com quase R$ 6 bilhões em investimentos, deve ampliar em 50% a capacidade de movimentação de contêineres no porto – hoje à beira da saturação.

Pelas regras propostas pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e endossadas pelo ministério, o leilão será dividido em duas fases.

Na primeira, operadores atuais no Porto de Santos ficarão impedidos de participar. Se não houver ofertas, aí sim os incumbentes poderão entrar na disputa — mas, caso arrematem a concessão, precisarão vender seus ativos antes de assinar o contrato do novo terminal.

O modelo está em avaliação no TCU. A unidade técnica do tribunal de contas pretende concluir sua análise entre o fim de agosto e o início de setembro. Em seguida, o documento será levado ao gabinete do ministro Antonio Anastasia, relator do processo.

Pareceres e estudos

Na semana passada, conforme noticiou a CNN, um parecer jurídico do ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto classificou as restrições como “desproporcionais” e “clamorosamente desnecessárias”.

Para o ex-ministro, elas impõem um “sacrifício drástico” à concorrência no leilão e barram a participação de empresas com sólida experiência no setor.

De acordo com ele, remédios concorrenciais poderiam ter sido adotados como alternativa.

Ayres Britto também criticou a existência de restrições sem manifestação específica do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e sem debate prévio na consulta pública do novo terminal.

O parecer se soma a uma série de vozes defensoras de um leilão totalmente aberto, como o governo de São Paulo, que enviou ofício ao MPor e à Antaq criticando as restrições.

Um dos principais argumentos é que o Brasil precisa de investimentos bilionários na expansão portuária e que não há indícios de condutas anticompetitivas dos armadores responsáveis pela operação dos terminais.

O estudo da GO Associados, por sua vez, destaca o risco de concentração elevada no setor.

Em 2034 (quando o Tecon Santos 10 estaria plenamente operacional), segundo Gesner, há possibilidade de que as quatro maiores empresas do setor detenham 83% do mercado total de contêineres caso o leilão do terminal santista seja vencido por um dos incumbentes.

“A partir de 75% do mercado, deve haver um ponto de atenção”, afirma Gesner, que já foi presidente do Cade.

“Ao preparar uma nova licitação, o objetivo deve ser incentivar novos entrantes”, acrescenta o economista.

Nos últimos anos, houve uma série de aquisições e investimentos de armadores na movimentação de contêineres, reconfigurando o mapa do setor.

Em 2024, a CGA CGM adquiriu o controle da Santos Brasil e passou a operar três terminais. Além de um Santos, agora administra ainda uma unidade em Vila do Conde (PA) e outra em Imbituba (SC). Ela já tinha uma operação modesta em Fortaleza (CE).

A MSC e a Maersk, líderes no transporte marítimo internacional, são sócias da Brasil Terminal Portuário (BTP) — que rivaliza com a Santos Brasil no maior porto do país. As duas gigantes têm interesse em disputar o Tecon Santos 10, mas individualmente.

A Maersk tem operações de contêineres em Pecém (CE) e está construindo um novo terminal em Suape (PE), que deve ser inaugurado em 2026.

A MSC detém um dos ativos mais modernos do setor, o Portonave, em Navegantes (SC). Ao comprar também em 2024 a Wilson Sons, operadora brasileira de bandeira branca, entrou em Salvador (BA).

Uma das poucas grandes operadoras de contêineres no Brasil ainda sem controle societário de um armador é a DPW, dos Emirados Árabes, que administra um dos terminais existentes em Santos.

Para Gesner, o ponto a ser monitorado não é a verticalização em si (quando companhias de navegação operam terminais), mas a concentração crescente no mercado.

Concorrência

O especialista em transportes Luis Claudio Montenegro, ex-diretor da autoridade portuária de Santos e ex-presidente da Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo), discorda das conclusões apresentadas no estudo da GO Associados.

“Fica parecendo, erroneamente, que os armadores tomaram o país. Não há concentração de mercado”, argumenta.

Montenegro reconhece o avanço das companhias de navegação nos terminais de contêineres. Ele ressalta que é um processo visto no mundo todo e que essa tendência demorou a chegar no Brasil, mas representa um problema em si.

O grande entrave do setor portuário hoje, segundo ele, é o aumento das filas de navios que pedem para atracar em Santos.

Em 2019, a fila média era de 8,9 horas. Em 2024, saltou para 53 horas de espera, o que demonstra a saturação dos terminais.

“Para quem é operador bandeira branca, melhor dos mundos. Para quem tem operações integradas, pior dos mundos. Esperar tanto é uma tragédia para o armador”, diz Montenegro.

Essa situação gera ineficiência, aumento de custos e eventualmente até cancelamento de alguma “perna” das viagens de navios para compensar o acúmulo de tempo perdido.

Para o especialista, Santos precisa urgentemente de investimentos e não há por que se preocupar com a concentração de mercado.

Montenegro prefere adotar o conceito de “área de influência” — origem ou destino das cargas movimentadas em determinado porto.

De acordo com ele, Santos absorve 61% das cargas conteinerizadas em sua área de influência, que envolve estados como Minas, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O restante das cargas vai para portos do Rio de Janeiro, de Santa Catarina e do Paraná. “Essa é uma concorrência entre portos que não pode, de forma nenhuma, ser desconsiderada”, diz Montenegro.

O porto do Açu (RJ) e o da Imetame (ES) também têm sinalizado que querem entrar no mercado de contêineres. São Sebastião (SP) também vai receber investimentos bilionários nos próximos anos.

Na avaliação do especialista, esses portos vão representar alternativas para Santos e incrementar a competição no setor.

“É falsa a premissa de que o dono de uma carga em Minas Gerais, por exemplo, procurará necessariamente um terminal de contêineres em Santos”.

Fonte: CNN Brasil

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Logística

Suape começa dragagem para viabilizar novo terminal de contêineres

O porto de Suape (PE) iniciará na próxima semana, a partir de 21 de agosto, a dragagem para ampliar o canal interno do porto, informou o diretor-presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Armando Bisneto. O projeto prevê aprofundamento para 16,2 metros. As obras são estimadas na casa dos R$ 200 milhões, cujos custos são dividos entre os governos federal e de Pernambuco. 

Durante sua participação no painel “Investir para Crescer”, realizado no Seminário Esfera Infra no último sábado (9), em Recife (PE), Bisneto afirmou que a dragagem do canal interno “vai viabilizar não só o futuro processo de expansão de Suape, como também a operação do novo terminal de contêineres da APM Terminals”, subsidiária da Maersk, uma das maiores operadoras de navios de contêineres do mundo.

A APM Terminals adquiriu parte do Estaleiro Atlântico Sul e está fazendo investimentos estimados na casa de R$ 1,6 bilhão para criar um novo terminal de contêineres no porto pernambucano com capacidade para movimentação de 400 mil TEUs (unidades de contêineres).

Segundo o presidente da autoridade portuária, além dos contêineres, o porto quer seguir investimentos em outros setores, como granéis líquidos, minério (o que segundo ele depende de investimentos na Ferrovia Transnordestina) e até mesmo granéis vegetais da região do Matopiba.

“A gente já tem estudos de que a atração de grãos no Matopiba, que é aquela região de cerrado no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, ela é viável em Suape até pelo ramal rodoviário”, explicou o diretor, lembrando que a velocidade de operação de recepção dos caminhões é um atrativo para o porto.   

Ampliação
Também presente ao painel, Daniel Belisário, diretor comercial da JBS Terminals, lembrou números de crescimento do setor de contêineres no país citados pelo ministro Silvio Costa Filho de mais de 18% no ano passado e disse que isso torna mais que necessária a ampliação dos investimentos nesse tipo de infraestrutura.

“Isso é impossível de se sustentar sem investimentos em infraestrutura portuária no Brasil”, afirmou o diretor da companhia que passou a operar o terminal do porto de Itajaí (SC) e é apontada como uma das interessadas na disputa do Tecon10, que será o maior terminal portuário de contêineres do país, em Santos (SP).

O diretor-presidente da APS (Autoridade Portuária de Santos), Anderson Pomini, lembrou em sua participação no encontro que o porto de Santos (SP), além do Tecon10, tem um plano de investimentos de R$ 20 bilhões para os próximos 20 anos.

“O momento é único para a infraestrutura brasileira. Em três a quatro anos todas as obras serão entregues”, disse Pomini, citando entre elas o túnel ligando as cidades de Santos e Guarujá.

Fonte: Agência Infra

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Portos

O TC2 cresce 41% em operações

A Terminal de Contêineres Dois (TC2) encerrou o primeiro semestre de 2025 com um crescimento de 41% no volume de operações, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

No total, foram movimentados 5.492 TEUs, impulsionados por um aumento nas exportações, maior frequência de serviços marítimos e mais operações por via terrestre.

Avanços em conectividade e novos serviços
Entre os destaques, a companhia marítima CMA CGM anunciou a frequência semanal do serviço Atlas, que conecta Mar del Plata ao porto de Santos (Brasil). Por sua vez, a Maersk continuará com operações regulares, consolidando a conectividade do Atlântico Sul.

A diversidade de serviços também foi ampliada com a operação de navios frigoríficos transportando carga a granel. Além disso, pela primeira vez em mais de 15 anos, a terminal operou dois navios de comércio exterior simultaneamente: o Artemis da CMA CGM (no cais 2) e o MV Prince of the Seas (no cais 3).

Melhorias em infraestrutura e eficiência
Em termos operacionais, a TC2 incorporou novos equipamentos e painéis elétricos para contêineres refrigerados, com o objetivo de alcançar 1.000 posições de conexão simultânea. Também foram realizadas obras de renovação da fiação elétrica, aumentando a eficiência e segurança no manuseio de cargas refrigeradas (reefer).

Compromisso com o desenvolvimento sustentável
Para Emilio Bustamante, referência da TC2, o desenvolvimento do porto exige uma visão integrada, baseada na colaboração público-privada, na inovação tecnológica e em uma gestão orientada ao crescimento sustentável.

“Junto com meu sócio Alberto Ovejero e toda a nossa equipe, seguimos apostando no fortalecimento do porto como um nó logístico chave que impulsione as exportações e o desenvolvimento regional”, afirmou.

Fonte: Todo Logistica News

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Portos

Porto de SC tem movimentação de mais de 500 mil contêineres no ano

Resultado supera desempenho do ano passado, no mesmo período

O Porto Itapoá ultrapassou a marca de 500 mil contêineres movimentados no ano, em dados até o final de julho. Somente no mês passado, foram 73 mil unidades, na segunda maior movimentação mensal. O desempenho deste ano supera em 33% o resultado do mesmo período do ano passado, em índice acima da média nacional do setor. Em operação desde 2011, o Porto Itapoá é um terminal de uso privado (TUP). A cidade terá outro TUP, a ser instalado pela Coamo Agroindustrial Cooperativa, empreendimento em fase de licenciamento.

O resultado de 2025 aponta movimentação acima de 2,3 mil contêineres por dia, em média, pelo Porto Itapoá. No total, foram 501,6 mil contêineres. São em torno de 60 navios operados por mês, levando em conta o resultado de julho – são 17% a mais na comparação com o mesmo período do ano passado. No mês passado, houve recorde na movimentação dos gates do porto, com mais de 57 mil transações.

Na avaliação do CEO do Porto Itapoá, Ricardo Arten, os resultados demonstram a consolidação do terminal em eficiência e inovação. “Temos investido constantemente em infraestrutura e tecnologia, mas, acima de tudo, em pessoas. O desempenho que alcançamos é fruto de um trabalho conjunto de excelência operacional, atenção ao cliente e foco em soluções logísticas inteligentes”, afirmou Arten.

Fonte: NSC Total

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Comércio Exterior

Excesso de carga não declarada em contêineres pressiona armadores

A conteinerização revolucionou o transporte de mercadorias. No entanto, na última década, embarcadores e agentes de carga inescrupulosos, em busca de economizar alguns dólares no frete, colocaram em risco um modo eficiente e seguro de transporte em contêineres ao falsificarem o peso das cargas, seu conteúdo, além de não embalarem e fixarem as mercadorias dentro dos contêineres conforme os requisitos das normas internacionais e do Código Marítimo Internacional de Mercadorias Perigosas (IMDG).

Alguns acidentes recentes com navios porta-contêineres ilustram o problema: MSC Flaminia (2012), APL Austria (2017), Maersk Honam (2018), ONE Apus (2020), Maersk Essen, Maersk Eindhoven, XPress Pearl e MSC Messina (todos em 2021), além de MSC Elsa-3, Grande Brasile, Altay e Wan Hai 503, ocorridos este ano.

Segundo o Lloyd’s Register, a declaração incorreta de carga (peso e conteúdo) é o terceiro maior fator contribuinte para acidentes com porta-contêineres.

A subdeclaração cumulativa do peso de contêineres pode causar sérios problemas de estabilidade. Colocar um contêiner de 18 toneladas declarado como se pesasse apenas oito toneladas em uma posição mais elevada pode resultar em uma condição conhecida no jargão marítimo como “navio tender” — mais propenso a balanços acentuados, o que aumenta a tensão sobre as pilhas de contêineres e seus sistemas de fixação, superando os limites estruturais previstos e fazendo com que contêineres se soltem e caiam no mar.

Armazenar uma carga exotérmica (que libera calor) ao lado de um líquido inflamável pode não representar risco enquanto o contêiner estiver parado em um pátio, mas, com o movimento do navio em alto-mar e o ambiente marítimo, pode haver uma reação térmica descontrolada, combustão, incêndio, explosão e liberação de gases inflamáveis e tóxicos. Navios não estão equipados nem os tripulantes preparados para lidar com desastres químicos dessa natureza.

Apesar da exigência da IMO, em vigor desde julho de 2016, que tornou obrigatória a verificação da massa bruta (VGM), embarcadores e agentes de carga continuam desrespeitando a regra e, infelizmente, raramente são responsabilizados. O armador acaba arcando com prejuízos pesados por razões que fogem ao escopo de suas operações. Por outro lado, as aduanas internacionais não estão equipadas — nem são obrigadas, conforme o capítulo três da Convenção Revisada de Kyoto da Organização Mundial das Alfândegas e o SAFE Framework of Standards (2005) — a verificar o conteúdo e o peso de cada contêiner. Elas confiam naquilo que é declarado pelo embarcador ou agente de carga na fatura de embarque.

Confiar exclusivamente na declaração do embarcador ou do agente de carga é a grande falha — o calcanhar de Aquiles — do serviço porta a porta.

Como soluções essenciais, recomendamos que um órgão independente, aprovado pela administração (como uma sociedade classificadora), seja nomeado para verificar o conteúdo, peso, embalagem e fixação da carga no momento da estufagem — etapa mais crítica na jornada do contêiner. Essa verificação deveria ser um pré-requisito para que a alfândega emitisse o manifesto de carga.

Também deveria ser obrigatório que todo embarcador e agente de carga obtivesse um número IMO como identidade única, vinculado à fatura de embarque e ao manifesto aduaneiro de cada contêiner estufado.

A Organização da Aviação Civil Internacional exige que embarcadores e agentes de carga sejam treinados para manusear carga IMDG. Uma exigência semelhante deveria ser aplicada obrigatoriamente ao setor marítimo.

Dado que a declaração incorreta pode ser catastrófica, declarações erradas ou falsas deveriam ser tratadas como crime passível de detenção por todos os Estados-membros da IMO, com punições severas e multas pesadas previstas em suas legislações.

O Conselho Mundial das Alfândegas e a IMO deveriam realizar uma sessão conjunta para discutir essa ameaça crescente — mais um fardo que ameaça quebrar as costas dos donos de navios porta-contêineres.

Fonte: Splash 247

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Comércio Exterior

Armadoras revisam previsões para 2025 diante de mercado morno de contêineres

A perspectiva para o segundo semestre de 2025 no mercado global de transporte de contêineres está se desenhando como decepcionante, com demanda fraca, excesso de capacidade e turbulência nas políticas comerciais levando as armadoras a revisarem suas projeções financeiras para o ano. Nesta terça-feira, a japonesa Ocean Network Express (ONE) revisou para baixo suas estimativas para o ano fiscal completo — e outras companhias devem seguir o mesmo caminho.

Analistas do banco Jefferies resumiram o clima atual em seu mais recente relatório sobre contêineres, intitulado “O lugar nada empolgante entre o ruim e o não tão ruim”, capturando a estagnação do mercado. Apesar de alguns picos nas tarifas no início do verão, o sentimento se deteriorou significativamente, e o setor se prepara para uma temporada de pico com desempenho fraco.

A Linerlytica alerta que os efeitos em cascata das políticas tarifárias dos EUA já começam a se fazer sentir, com os volumes de contêineres sob pressão. O recente acordo comercial entre EUA e União Europeia, que inclui uma tarifa de 15% sobre produtos europeus, deve atingir com força o fluxo transatlântico. As importações da Europa para os EUA cresceram 8% no primeiro semestre de 2025, mas essa tendência deve se inverter na segunda metade do ano: o Jefferies projeta uma queda de 10%. Enquanto isso, a capacidade na rota transatlântica continua 16% maior do que há um ano, aumentando os temores de excesso significativo de oferta caso a demanda caia como previsto.

Os índices de frete refletem esse pessimismo. O Índice de Frete Conteinerizado de Xangai (SCFI) caiu por oito semanas consecutivas, com nova baixa de 42 pontos nesta terça-feira. As tentativas das armadoras de elevar tarifas em agosto não vêm surtindo efeito, diante do desequilíbrio entre oferta e demanda.

A ONE, sexta maior armadora do mundo, divulgou hoje seus resultados do primeiro trimestre e cortou US$ 400 milhões de sua previsão anual. O CEO Jeremy Nixon citou os desafios geopolíticos e econômicos em curso.

“Nossa previsão para o ano completo deve enfrentar ventos contrários devido às contínuas incertezas geopolíticas, às condições de mercado em evolução nas principais economias e aos congestionamentos portuários que afetam as cadeias globais de suprimento”, afirmou Nixon.

Segundo a Sea-Intelligence, o breve rali nas tarifas no início de junho já perdeu força, e a tão esperada alta sazonal pode nem se materializar. No pior cenário, os volumes de agosto podem despencar até 26% em relação ao mesmo mês do ano anterior, forçando mais cancelamentos de escalas (blank sailings) e pressão para redução nas tarifas.

Mesmo que ocorra um breve e urgente aumento no final de setembro — impulsionado por importadores dos EUA apressando-se para embarcar mercadorias antes do feriado da Semana Dourada na China — analistas alertam que seria apenas um pico passageiro. “Podemos ver outro salto nas tarifas como em junho, seguido de nova queda acentuada”, observou a Sea-Intelligence.

A volatilidade também aparece nas tarifas spot. Lars Jensen, da Vespucci Maritime, destacou nesta semana que as tarifas transpacíficas para a costa oeste dos EUA — que haviam disparado mais de US$ 3.000 por FEU em junho — já voltaram completamente aos níveis anteriores ao pico.

Fonte: Splash 247

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Portos

Antaq libera uso das áreas públicas do porto pra JBS movimentar contêineres

Liberação atende pedido pra alavancar operações; Intersindical teme fim de espaço pra carga geral

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) autorizou o adensamento das áreas públicas do Porto de Itajaí para a movimentação de contêineres pela JBS Terminais. O pedido feito pela empresa em fevereiro teve decisão favorável pela Antaq no mês passado. Em manifesto nesta semana, a Intersindical dos trabalhadores portuários demonstrou preocupação com os impactos da medida às operações de carga geral.

O adensamento portuário permite a expansão da área física do porto, visando aumentar a capacidade de movimentação e armazenagem de cargas. Em Itajaí, o projeto prevê o uso da área B (berços 3 e 4) do cais público, a conexão do Recinto Alfandegado Contíguo (RAC) à área primária do porto e a demolição do armazém 3 do pátio público, entre outras adequações, num investimento imediato de R$ 23 milhões pela JBS.

Conforme a Antaq, o adensamento abrange área de 61.340,33 m², dos quais 13.340,33 m² são da área B do cais público, mais 48 mil m² que incluem trechos de área primária (31 mil m²) e retroárea (17 mil²). No total, o contrato da empresa somaria 141.286,75 m². Na prática, a JBS “dominaria” o porto, sem a atual divisão de áreas pública e arrendada dentro do mesmo terminal.

A empresa alega que o adensamento trará ganhos operacionais, vai reduzir custos e melhorar o aproveitamento da infraestrutura. O uso da área pública aumentaria a capacidade de armazenamento em 2100 TEUs (unidade de contêiners de 20 pés), elevando a armazenagem do porto para 10.047 TEUs. A ampliação também atenderia a projeção de movimentação de contêineres, de 44.100 para 49.335 TEUs por mês.

Na liberação, a Antaq destacou o plano de investimentos da JBS para melhorias operacionais e logísticas. Segundo avaliação da Secretaria Nacional de Portos, além de gerar ganhos imediatos, o investimento antecipará parte das melhorias previstas para o arrendamento definitivo. A proposta também estaria alinhada ao modelo da futura concessão, que prevê um único operador no porto.

“O investimento proposto de R$ 23 milhões permitirá a modernização da infraestrutura portuária, incluindo pavimentação, melhorias na rede elétrica, atualização do sistema de vigilância e reforço da infraestrutura dos berços, elevando a segurança operacional e a eficiência das operações”, informou a secretaria em nota técnica no processo.

Não é prevista mudança na forma de remuneração no contrato de arrendamento da JBS, sendo mantido o pagamento conforme a movimentação de carga. A decisão também manteve a meta mínima de movimentação, de 44 mil TEUs, e pontuou que o adensamento não poderá prejudicar as operações de carga geral.

Preocupação dos trabalhadores portuários

A Intersindical dos Trabalhadores Portuários de Itajaí encaminhou manifesto à Secretaria Nacional de Portos na terça-feira, demonstrando preocupação com o adensamento das áreas públicas do porto para as operações de contêineres. O documento é assinado pelo presidente da Intersindical e do Sindicato dos Arrumadores, Ernando João Alves Júnior, o Correio.

Para ele, a movimentação de cargas conteinerizadas no porto inteiro coloca em risco a manutenção das operações de carga geral. Correio considerou que, embora a Antaq tenha determinado que o adensamento não atrapalhe a carga geral, o uso da área pública e a demolição do armazém 3 não vão contribuir pra demanda da operação de carga geral, afetando a categoria.

Para evitar prejuízo às operações, a Intersindical quer uma nova área para cargas gerais. A cobrança junto ao governo federal é que o investimento seja incluindo no edital do leilão do porto, previsto pra ser lançado no ano que vem.

“Requeremos que haja destinação de verbas por parte do Governo Federal para a aquisição de áreas que deverão servir à manutenção da carga geral, visto que já foi anunciado milhões em investimento no Porto de Itajaí, no que pese a aquisição de novas áreas não ter sido contemplada, entendemos dever ser tratado com prioridade”, defendeu Correio.

No manifesto, a entidade também cobrou a criação do pátio de estacionamento para os caminhões de contêineres. A falta do espaço provoca filas no acesso ao porto em dias de grande movimentação, impactando na mobilidade urbana. Com o adensamento, a JBS promete maior eficiência nas operações, com redução do tempo de espera, o que deve minimizar o tráfego de caminhões no entorno do porto.

Investimentos pra expansão e modernização do porto

O adensamento de áreas e melhorias na infraestrutura do Porto de Itajaí estão previstos nos investimentos anunciados pelo governo federal durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Itajaí, em maio. O pacote soma R$ 844 milhões em projetos de infraestrutura, modernização e ampliação da capacidade do complexo portuário.

No terminal peixeiro, o projeto de adensamento do RAC e entorno à área primária do porto tem investimento estimado em R$ 45 milhões e ampliará a capacidade operacional do porto. O RAC fica entre a rua Blumenau e a Caninana, com área de 25 mil m², e será integrado ao pátio principal no plano de expansão.

No porto, há projeto de R$ 20 milhões pra melhorias na rede elétrica e de iluminação, e compra de um novo scanner, no valor de R$ 12 milhões. Em processo de retomada das operações, a JBS projeta crescimento da movimentação nos próximos meses até a capacidade máxima atual, de 558 mil TEUs por ano. A empresa anunciou R$ 90 milhões em novos investimentos e duas novas linhas para o incremento das operações.

Grupo técnico vai discutir criação da Docas de Itajaí

A Secretaria Nacional de Portos criou o grupo técnico pra discutir a proposta de criação da empresa pública federal que será a Autoridade Portuária do Porto de Itajaí no lugar do Porto de Santos. A medida cumpre anúncio do ministro dos Portos, Sílvio Costa Filho, durante visita da comitiva presidencial na cidade, em maio.

O grupo tem 90 dias pra concluir o trabalho. Serão feitas análises técnicas, jurídicas, administrativas e financeiras sobre a criação da empresa e a proposta do modelo jurídico adequado. Também caberá ao grupo avaliar os impactos da nova empresa sobre as atividades portuárias e os atuais contratos do Porto de Itajaí.

Com todas as análises concluídas, o texto final do trabalho servirá como base para a criação da Medida Provisória (MP) que criará a autoridade portuária do Porto de Itajaí, vinculada ao Ministério dos Portos. Com a criação de nova empresa, o complexo portuário contará com gestão própria e autonomia na administração dos recursos.

Fonte: Diarinho

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Comércio, Logística, Portos

Portos do Paraná superam 28 milhões de toneladas movimentadas nos cinco primeiros meses do ano

Os portos paranaenses registraram a movimentação de 28.195.118 toneladas de cargas entre janeiro e maio deste ano. O volume representa um crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram movimentadas 27.197.565 toneladas. Segundo dados do governo federal, divulgados pelo Comex Stat, o valor FOB – que corresponde ao preço do produto no ponto de embarque – ultrapassou US$ 19 bilhões no período.

“O crescimento está diretamente relacionado à variação cambial do mercado internacional e ao cenário geopolítico, que influencia a demanda pelos produtos escoados pelos portos paranaenses”, explicou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

As exportações continuam impulsionadas pelas commodities agrícolas. A soja em grãos lidera a movimentação com 6.326.901 toneladas, seguida pelo farelo de soja, com 3.036.137 toneladas exportadas. China e Países Baixos foram os principais destinos, representando juntos 15% da participação nacional no setor, o que equivale a US$ 3,4 bilhões em valor FOB.

A boa produtividade da safra 2024/2025 contribuiu para os resultados expressivos no acumulado do ano. Apesar de um leve recuo na demanda entre abril e maio, as exportações de soja e farelo foram retomadas com força em junho. A expectativa agora é o início da exportação de duas a três milhões de toneladas de milho no segundo semestre.

Na importação, os fertilizantes lideram o volume movimentado, com 4.357.233 toneladas descarregadas nos portos paranaenses. O valor da operação chega a US$ 1,4 bilhão, o que representa mais de 25% da movimentação nacional de fertilizantes. As cargas têm como principais destinos os estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Goiás.

Confira a seguir um histórico da movimentação de contêineres no Porto de Paranaguá. O gráfico foi elaborado a partir de dados do DataLiner:

Movimentação de Contêneres no Porto de Paranaguá | Jan 2022 – Abr 2025 | TEUs

A perspectiva para o segundo semestre é mais otimista em comparação a 2024. “O último semestre do ano passado foi desafiador em termos de demanda e volume exportado, especialmente no último trimestre. Em 2025, o cenário se mostra mais favorável”, avaliou o diretor de Operações da Portos do Paraná, Gabriel Vieira.

Segundo Vieira, muitos produtores optaram por adiar a comercialização e exportação entre abril e maio. “Já em junho, observamos uma retomada nas vendas, com tendência de escoamento da supersafra de 2025 ao longo dos próximos meses”, completou.

Fonte: Portos do Paraná

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Comércio, Portos

Porto de Santos bate novo recorde com 16,6 milhões de toneladas de cargas em um mês

Foi a maior movimentação mensal da história do complexo portuário santista para o mês de maio

O Porto de Santos registrou a maior movimentação mensal de sua história em maio de 2025, com 16,6
milhões de toneladas de cargas processadas. O volume representa um crescimento de 5,1% em relação ao mesmo período de 2024, consolidando, também, a melhor performance já alcançada para o mês de maio. As informações são da Autoridade Portuária de Santos (APS).

Dentre os segmentos que impulsionaram o desempenho, destacam-se os granéis sólidos (+5,3%), com aumento significativo do embarque de soja em grãos (+12,6%) e farelo de soja (+6,9%). Já a carga geral conteinerizada alcançou 477 mil TEU (medida padrão de um contêiner de 20 pés), a melhor marca para o mês de maio (+7,5%).

No acumulado do ano, a movimentação de contêineres também registra números recordes, chegando a 2,29 milhões de TEU (+6%). Já os granéis líquidos apresentaram aumento de 2,3% sobre maio de 2024, com 1,6 milhão de toneladas e destaque para o crescimento do embarque de óleo combustível (+51,3%) e sucos cítricos (+11,8%).

“Este recorde histórico em maio reflete a excelência da gestão portuária e a robustez da nossa logística. Cada tonelada movimentada é fruto de planejamento estratégico, investimentos em eficiência operacional e parcerias sólidas com o setor privado”, comenta Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos.

Os destaques positivos ainda incluem o crescimento nos desembarques de enxofre (141,8 mil toneladas, +29,9%), soda cáustica (129,7 mil toneladas, +65,3%) e trigo (126,1 mil toneladas, +12,8%). O fluxo de navios também reflete a dinâmica de expansão portuária, com 495 atracações em maio (+4,9% ante 2024).

Nacional

No ano (janeiro a maio), o porto aumentou sua relevância na logística nacional, respondendo por 29,8% da corrente comercial brasileira — alta frente aos 29,3% de 2024. A China, com 29,3% das transações com o exterior em 2025, mantém-se como o maior parceiro comercial do Porto.

Apesar do cenário positivo, alguns segmentos apresentaram quedas pontuais, como açúcar (–7,2% nos embarques) e café (–21,4%), “reflexo de ajustes sazonais e de mercado”, diz a APS.

Fonte: A Tribuna



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Comércio, Portos

Porto de Santos registra a maior movimentação de cargas da história em maio de 2025

Resultado se deve à performance em segmentos-chave como soja, celulose e contêineres

O Porto de Santos registrou a maior movimentação mensal de sua história em maio de 2025, com 16,6 milhões de toneladas de cargas processadas, um aumento de 5,1% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionado pelo aumento nos embarques de soja. Os números foram divulgados nesta terça-feira (17).

Aproximadamente 30% das trocas comerciais brasileiras passam pelo Porto de Santos, que é o maior da América Latina, com 53 terminais.

Em maio de 2025, o embarque de granéis sólidos aumentou 5,3% na comparação anual, alimentado pela alta de 12,6% no embarque de soja em grãos e de 6,9% no farelo de soja.

Já a carga geral conteinerizada alcançou 477 mil TEU (medida padrão de contêiner), a melhor marca para o mês de maio (aumento de 7,5% ano contra ano).

No acumulado do ano, a movimentação de contêineres também registra números recordes, chegando a 2,29 milhões de TEU (+6%). Já os granéis líquidos apresentaram aumento de 2,3% sobre maio de 2024, com 1,6 milhão de toneladas e destaque para o crescimento do embarque de óleo combustível (+51,3%) e sucos cítricos (+11,8%).

“Este recorde histórico em maio reflete a excelência da gestão portuária e a robustez da nossa logística. Cada tonelada movimentada é fruto de planejamento estratégico, investimentos em eficiência operacional e parcerias sólidas com o setor privado”, comenta Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos.

Carga geral

Outro setor que bateu recorde mensal e de acumulado no ano é o de Carga Geral Solta, que registrou 1,1 milhão de toneladas em maio, (+36,7%), impulsionado pela marca histórica da celulose: 919,2 mil toneladas, representando uma alta de 45,5% em relação a maio passado.

Os destaques positivos ainda incluem o crescimento nos desembarques de enxofre (141,8 mil toneladas, +29,9%), soda cáustica (129,7 mil toneladas, +65,3%) e trigo (126,1 mil toneladas, +12,8%). O fluxo de navios também reflete a dinâmica de expansão portuária, com 495 atracações em maio (+4,9% ante 2024).

No acumulado do ano (janeiro a maio), o porto aumentou sua relevância na logística nacional, respondendo por 29,8% da corrente comercial brasileira — alta frente aos 29,3% de 2024. A China, com 29,3% das transações com o exterior em 2025, mantém-se como o maior parceiro comercial do Porto.

Apesar do cenário positivo, alguns segmentos apresentaram quedas pontuais, como açúcar (–7,2%) e café (–21,4%), reflexo de ajustes sazonais e de mercado.

O Porto de Santos é administrado pela Autoridade Portuária de Santos (APS), empresa pública vinculada ao Ministério dos Portos e Aeroportos, responsável pelo planejamento logístico e pela administração da infraestrutura.

Fonte: InfoMoney

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