Transporte

Infraestrutura no Brasil avança com novas concessões e atrai investidores italianos

O ministro dos Transportes, George Santoro, destacou nesta segunda-feira (25) os avanços regulatórios implementados pelo governo federal para ampliar a segurança jurídica em projetos de infraestrutura e fortalecer a confiança de investidores estrangeiros no Brasil.

As declarações foram feitas durante o evento Conexão Brasil–Itália: Infraestrutura, Investimentos e Cultura, realizado em São Paulo. O encontro reuniu representantes do setor público e empresários interessados em discutir oportunidades de negócios, logística e cooperação econômica entre os dois países.

Governo reforça segurança jurídica em concessões

Durante o debate, Santoro afirmou que o Ministério dos Transportes promoveu mudanças importantes nos contratos de concessão nos últimos anos, tornando os projetos mais previsíveis e atrativos para o capital privado.

Segundo ele, os novos modelos contam com matriz de risco mais clara, contratos modernizados e mecanismos de resolução de conflitos mais eficientes, fatores considerados essenciais para ampliar a segurança dos investimentos em infraestrutura.

O ministro ressaltou ainda que a atualização regulatória segue parâmetros alinhados às práticas da OCDE, incluindo medidas voltadas à transição energética e à resiliência logística.

Brasil vive maior ciclo de concessões rodoviárias

De acordo com o Ministério dos Transportes, o país atravessa atualmente o maior ciclo de concessões rodoviárias da história. Nos últimos três anos, foram realizados 23 leilões de rodovias federais.

A meta da pasta é alcançar 35 concessões até o fim de 2026, com potencial estimado em cerca de R$ 396 bilhões em investimentos para obras de ampliação, modernização e fortalecimento da infraestrutura nacional.

Santoro destacou que aproximadamente R$ 240 bilhões já foram contratados nesse novo ciclo, superando o volume registrado ao longo das três décadas anteriores de concessões rodoviárias no país.

Novos leilões devem impulsionar logística nacional

Entre os projetos recentes, o ministro citou o leilão realizado em março referente ao trecho de 735 quilômetros da BR-116/MG, entre Montes Claros e Governador Valadares.

O próximo certame previsto pelo governo será o da Rota dos Sertões, marcado para 28 de maio na B3, em São Paulo. O projeto envolve trechos das BR-116 e BR-324, conectando Feira de Santana, na Bahia, a Salgueiro, em Pernambuco.

A expectativa é ampliar a capacidade logística e melhorar o escoamento da produção em regiões estratégicas do Nordeste.

Setor ferroviário amplia espaço para investimentos

Além das rodovias, o governo federal também busca expandir a participação das ferrovias na matriz de transportes brasileira.

Em novembro de 2025, o Ministério dos Transportes lançou a Política Nacional de Concessões Ferroviárias, programa voltado à modernização da malha ferroviária e à atração de novos investidores.

A iniciativa prevê oito projetos ferroviários que, juntos, somam mais de 9 mil quilômetros de extensão e podem movimentar cerca de R$ 160 bilhões em investimentos.

Segundo Santoro, quatro projetos já estão em análise no Tribunal de Contas da União (TCU), enquanto outros quatro devem ser encaminhados em breve.

O ministro afirmou que o Brasil possui atualmente “a maior carteira de ferrovias em concessão do mundo”, reforçando a necessidade de ampliar parcerias internacionais para viabilizar os empreendimentos.

FONTE: Ministério dos Transportes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Luiz Siqueira/MT

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Logística

Grupo ferroviário mexicano reforça que o modelo intermodal é o que funciona e reacende debate sobre o futuro das ferrovias na Argentina

O Grupo México, controlador da operadora Ferromex, reafirmou uma tese que há anos movimenta o setor: o intermodalismo é o modelo que realmente funciona, enquanto o sistema de open access ferroviário — defendido pelo governo argentino — não entregaria eficiência nem resultados sustentáveis. A companhia, classificada como ferroviária Classe 1 da América do Norte, apoia uma operação ferroviária vertical e integrada, modelo semelhante ao adotado nos Estados Unidos, Canadá e no próprio México.

Segundo a análise, o único ponto que nunca funcionou plenamente nas concessões mexicanas — vigentes há 31 anos — foi justamente o pequeno trecho operado sob lógica de “competição aberta”. Mesmo privatizado em condições semelhantes às da Argentina, o México consolidou um sistema com regras claras, forte presença do intermodal e ferrovias altamente rentáveis, consideradas fundamentais para a competitividade econômica do país.

Interesse em investir na Argentina contrasta com insistência no modelo europeu

Reportagens recentes indicam que a empresa mexicana tem interesse em disputar futuras concessões na Argentina, desde que sejam ofertadas de forma verticalizada. Enquanto isso, o governo argentino segue tentando dividir a rede ferroviária em sete operações independentes, aproximando-se do modelo europeu — considerado deficitário e dependente de altos aportes estatais.

A crítica central é que, apesar de defender o open access há mais de uma década, o governo não esclareceu se investirá os US$ 10 bilhões necessários para reconstruir metade da malha que pretende licitar. Paralelamente, governadores continuam pedindo atenção federal, em vez de reivindicar participação nas concessões com base na Lei 26.352, que permite às províncias integrar a configuração de corredores ferroviários.

AIMAS reforça que reorganização pode ser rápida

A AIMAS (Associação Intermodal da América do Sul) afirma que os mexicanos estão certos ao dizer que a rede argentina poderia ser reorganizada em 15 a 20 meses — ou até antes. Segundo a entidade, grande parte das ineficiências decorre de práticas operacionais ultrapassadas, que fazem trens demorarem dias em trajetos que deveriam levar apenas horas.

Com novo quadro técnico e maior contato com melhores práticas internacionais, a associação acredita que o país tem condições de acelerar mudanças estruturais.

Capacidade intermodal deve ser inserida antes da privatização

De acordo com estudos da AIMAS, a solução envolveria incorporar, ainda antes da privatização, especialistas de ferrovias Classe 1, 2 e 3, além de profissionais do setor intermodal rodoviário. Em seis meses, essa medida poderia gerar confiança, atrair investimentos privados e pavimentar uma privatização com dezenas de novos participantes — incluindo players internacionais.

A entidade lembra que o próprio Grupo México nasceu com visão comercial sólida: ao adquirir sua ferrovia nos anos 1990, buscou parceria com um dos sistemas ferroviários mais rentáveis do mundo para criar um negócio integrado, e não apenas transportar sua própria carga.

Setor privado deve impulsionar o Modelo 5F

A AIMAS defende que empresas de logística, transporte, carga e produção pressionem pelos princípios do Modelo Integrado 5F, voltado à Economia de Variedade e à ampliação do intermodalismo. O objetivo é eliminar a insistência no open access e construir um sistema ferroviário moderno, eficiente e conectado à demanda real.

Desafio de reconstrução e necessidade de escolher o padrão correto

A rede que o governo pretende conceder representa 7.700 km dos 15.700 km restantes fora da área metropolitana de Buenos Aires. Considerando projetos minerais, energéticos e novas ligações internacionais, a AIMAS estima que a infraestrutura necessária chegaria a 22.500 km.

Para a associação, o maior risco é reconstruir trechos com o padrão ultrapassado de 15 toneladas por eixo, que garante baixa rentabilidade. Em comparação, países como Brasil e México operam com 32,5 t/eixo, gerando receita líquida de até US$ 50 mil por km ao ano — enquanto o modelo antigo pode gerar perdas semelhantes.

A região andina e a rota bioceânica — conectando Santos, Campo Grande, Santa Cruz de la Sierra, Salta e Antofagasta — seriam altamente beneficiadas por um padrão moderno e pela futura unificação de trochas.

Oportunidade estratégica para toda a região

A AIMAS destaca que o interesse de um gigante ferroviário internacional, que opera sem depender de subsídios, abre uma oportunidade inédita para governadores, empresas e os cinco países vizinhos conectados ao Belgrano Cargas (Uruguai, Brasil, Paraguai, Bolívia e Chile).

Para a entidade, não se trata de um projeto arriscado, mas de uma necessidade econômica urgente para consolidar um sistema ferroviário integrado e intermodal.

FONTE: AIMAS
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/AIMAS

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