Indústria

Brasil precisa fortalecer indústria diante do avanço das importações, defende CNI

O Brasil está diante de uma escolha estratégica: consolidar-se como uma potência industrial ou ampliar a dependência de produtos fabricados no exterior. O avanço das importações, especialmente de mercadorias de origem chinesa e de produtos que chegam ao país por meio de terceiros mercados, reacende o debate sobre a capacidade brasileira de preservar sua indústria e competir no comércio internacional.

A questão, porém, não passa por rejeitar as importações. O desafio é garantir uma inserção competitiva do Brasil no comércio global, permitindo que empresas nacionais disputem mercados externos em condições equilibradas e evitando que o país se transforme em destino de produtos que encontram restrições em outras economias.

Brasil corre risco de perder espaço na indústria

A expansão da indústria chinesa e o aumento das barreiras comerciais em diferentes mercados têm provocado mudanças nos fluxos internacionais de mercadorias. Países com grandes capacidades produtivas procuram novos destinos quando enfrentam tarifas, medidas antidumping, subsídios ou outras restrições.

Nesse cenário, o tamanho do mercado brasileiro, combinado com a abertura relativa da economia e com dificuldades de competitividade enfrentadas pela indústria nacional, pode tornar o país um destino atrativo para esses produtos.

Embora o Brasil tenha registrado recordes de exportações nos últimos anos, a indústria de transformação vem perdendo participação tanto no mercado internacional quanto no próprio mercado doméstico.

O país registra atualmente o maior déficit comercial da indústria de transformação desde 2000. A participação brasileira nas exportações mundiais de manufaturados está abaixo de 1%, enquanto os produtos importados ocupam uma parcela cada vez maior do consumo nacional.

O resultado é um cenário em que o Brasil exporta volumes maiores, mas com menor participação de produtos de maior complexidade tecnológica e valor agregado.

Importações chinesas exigem atenção aos fluxos comerciais

A China se consolidou como a principal origem das importações brasileiras, com forte presença de produtos de menor valor agregado.

Dados apresentados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que o Brasil importa aproximadamente US$ 5 bilhões por ano em produtos chineses que também são alvo de medidas relacionadas a subsídios em outros mercados.

Para a entidade, a análise do comércio exterior não deve considerar apenas o valor total importado. É necessário observar origem, preços, volumes e mudanças nas rotas comerciais, identificando movimentos que possam indicar alterações relevantes nos fluxos internacionais.

Países asiáticos já apresentam aumento das vendas ao Brasil

O crescimento das barreiras comerciais em grandes economias vem contribuindo para a reorganização das cadeias globais e para o desvio de determinados fluxos de comércio.

A CNI identificou sinais desse processo no Sudeste Asiático. Em maio de 2025, por exemplo, as importações brasileiras provenientes da Indonésia aumentaram 72,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No caso da Tailândia, o crescimento chegou a 31,4%.

Para o setor industrial, a preocupação é evitar que mudanças dessa natureza sejam percebidas apenas depois de provocarem efeitos permanentes sobre a produção nacional.

Defesa comercial precisa ser preventiva

Uma das propostas defendidas é ampliar o caráter preventivo da defesa comercial brasileira. Em vez de agir somente após a entrada maciça de produtos no mercado, o país deveria acompanhar continuamente os fluxos de comércio internacional.

Entre as medidas sugeridas estão o cruzamento de informações sobre origem, preços e volumes, o monitoramento de mudanças repentinas nas rotas de importação e a investigação rápida de possíveis casos de triangulação comercial ou desvio de comércio.

A avaliação não significa presumir irregularidades, mas identificar situações que justifiquem uma investigação.

A CNI afirma ainda que qualquer medida de defesa comercial deve considerar seus impactos sobre toda a cadeia produtiva. A entidade também informa que está disposta a colaborar com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e que já iniciou tratativas para a assinatura de um acordo de cooperação.

Subsídios estrangeiros também entram no radar

Os mecanismos de defesa comercial vão além das investigações antidumping. Em 2024, foram abertas 375 investigações antidumping e 64 relacionadas a subsídios, ambos recordes históricos.

O cenário internacional mostra que grandes economias estão ampliando seus instrumentos de proteção porque a política comercial passou a ser tratada também como uma questão de segurança econômica.

Nesse contexto, as medidas compensatórias ganham importância. Enquanto ações antidumping buscam combater determinadas práticas de preços, as medidas compensatórias podem ser aplicadas diante de vantagens obtidas por empresas estrangeiras por meio de subsídios concedidos por governos.

Segundo a CNI, o Brasil ainda utiliza esses instrumentos em escala menor do que outras grandes economias, inclusive em relação a produtos chineses. Para a entidade, existe espaço para aprimorar o uso dessas ferramentas diante de distorções provocadas por políticas de apoio estrangeiras.

Competitividade deve caminhar junto com proteção comercial

A defesa da indústria brasileira não significa fechar a economia ou proteger empresas ineficientes. O setor industrial também precisa avançar em produtividade, inovação, tecnologia e inserção internacional.

Nesse processo, a redução do chamado Custo Brasil é apontada como uma das prioridades para melhorar as condições de produção e ampliar a capacidade de competição das empresas nacionais.

A estratégia, portanto, deve combinar defesa comercial e internacionalização. Enquanto mecanismos de proteção ajudam a reduzir vulnerabilidades diante de práticas consideradas desleais, a presença em mercados estrangeiros amplia oportunidades para empresas brasileiras.

Internacionalização pode ampliar oportunidades para empresas brasileiras

A expansão internacional da indústria pode contribuir para atrair investimentos, incorporar novas tecnologias, elevar a produtividade e integrar empresas brasileiras às cadeias globais de produção e inovação.

Para isso, a política brasileira deveria avançar em duas frentes: garantir condições de concorrência mais equilibradas no mercado doméstico e, simultaneamente, ampliar o acesso das empresas nacionais a mercados externos.

Entre as medidas defendidas estão a implementação dos acordos comerciais já negociados, a busca por novas parcerias estratégicas e a criação de condições para que empresas de diferentes portes possam aumentar suas exportações.

Relação com China, EUA e Europa exige equilíbrio

A ampliação das relações comerciais com a China, os Estados Unidos, a União Europeia e outros parceiros continua sendo considerada importante para o Brasil.

A questão, porém, é evitar que o mercado brasileiro seja utilizado para absorver excedentes de capacidade produtiva de outros países ou para atender a interesses geopolíticos específicos.

Também é necessário impedir que terceiros mercados sejam usados como caminhos para contornar medidas comerciais legítimas adotadas pelo Brasil.

CNI propõe nova missão para a indústria brasileira

A avaliação da CNI é que o comércio mundial atravessa uma transformação estrutural, marcada por excesso de capacidade produtiva, reorganização das cadeias globais, tensões geopolíticas e aumento das barreiras comerciais.

Diante desse cenário, a entidade defende uma política de Estado para enfrentar os novos desafios. Entre as propostas está a criação de uma sétima missão para a Nova Indústria Brasil, voltada à internacionalização da indústria, com metas, mecanismos de financiamento e coordenação entre políticas de comércio, investimento e inovação.

A CNI também coloca o combate ao Custo Brasil entre as prioridades. Segundo a entidade, os custos associados às dificuldades estruturais enfrentadas pelas empresas brasileiras chegam a aproximadamente R$ 1,7 trilhão por ano.

O objetivo, nesse contexto, não seria escolher entre abertura comercial e proteção da indústria, mas combinar as duas estratégias.

Uma indústria competitiva não depende do isolamento do mercado nacional. Ela precisa de condições internas que permitam produzir, investir, inovar e competir no mercado internacional em condições mais equilibradas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Paulo Whitaker

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Portos

Porto e indústria discutem novos investimentos e competitividade em Santos

A integração entre porto e indústria estará no centro das discussões do Summit Porto-Indústria 2026, que acontece na próxima terça-feira (1º), no auditório do Grupo Tribuna, em Santos. O evento pretende reunir representantes dos setores para discutir os principais desafios logísticos e caminhos para ampliar investimentos e fortalecer a economia brasileira.

A programação terá como foco a relação entre infraestrutura portuária, indústria e desenvolvimento econômico, além dos obstáculos que ainda limitam a competitividade do país.

Portos-indústria podem ampliar desenvolvimento econômico

O primeiro painel está marcado para as 14h20 e terá como tema “Portos-Indústria e as Lições Globais de Desenvolvimento”. Entre os participantes estará Alexandre Billot, gerente-geral da Portocel, empresa que mantém um terminal especializado na movimentação de celulose em Aracruz (ES) e também atua na operação logística do Terminal 32 (T32), no Porto de Santos.

Para Billot, discutir o conceito de porto-indústria significa ampliar a visão tradicional sobre essas estruturas. Embora os portos continuem exercendo papel fundamental no transporte, armazenamento e conexão de cargas, eles também podem funcionar como plataformas de integração produtiva, energética, tecnológica e territorial.

O executivo avalia que o Brasil reúne condições favoráveis para avançar nesse modelo, como forte vocação exportadora, disponibilidade de recursos naturais, cadeias produtivas consolidadas e localização estratégica. O desafio, segundo ele, é transformar a infraestrutura logística em instrumento de agregação de valor, desenvolvimento regional e adensamento industrial.

Integração entre infraestrutura e indústria é apontada como diferencial

Na avaliação de Billot, a experiência dos portos-indústria mostra três pontos fundamentais para aumentar a eficiência.

O primeiro está relacionado à proximidade entre porto, indústria, armazenagem, energia e serviços. A integração desses elementos pode reduzir prazos, perdas, riscos operacionais, capital imobilizado e custos de coordenação.

O segundo aprendizado envolve a necessidade de planejamento e segurança para os investimentos. Além de infraestrutura física, o modelo exige estabilidade regulatória, governança, licenciamento previsível e articulação entre os setores público e privado.

A terceira lição é que o porto-indústria moderno vai além da construção de grandes estruturas. O conceito envolve tecnologia, sustentabilidade, inteligência logística e uso eficiente do território, além de capacidade institucional para coordenar diferentes áreas.

Nesse contexto, a vantagem competitiva não depende apenas do tamanho de um porto, mas da capacidade de integrar toda a cadeia produtiva.

Neoindustrialização aumenta demanda por logística eficiente

O segundo painel será realizado às 16h20, com o tema “Gargalos Logísticos, Competitividade e a Neoindustrialização”. A discussão contará com Bruno Stupello, diretor de Operações de Terminais Portuários da Santos Brasil.

Para o executivo, o avanço da neoindustrialização está diretamente ligado à necessidade de uma logística mais eficiente e sofisticada. Uma infraestrutura capaz de reduzir custos e melhorar o acesso aos mercados pode aumentar a competitividade das empresas e, consequentemente, estimular novos investimentos.

Stupello ressalta que a infraestrutura também pode atuar como indutora do desenvolvimento econômico. Na decisão sobre onde instalar novos empreendimentos, as empresas avaliam fatores como a qualidade dos portos, ferrovias, rodovias e conexões com os mercados consumidores.

Brasil ainda tem espaço para ganhos logísticos

Na avaliação do diretor, não é possível construir uma indústria competitiva sem uma estrutura logística eficiente. O processo de neoindustrialização exige mais tecnologia, produtividade, investimentos e integração às cadeias globais, fatores que dependem de uma infraestrutura capaz de acompanhar essa evolução.

O Brasil apresentou avanços nos últimos anos, inclusive no setor portuário. Ainda assim, existe espaço significativo para melhorar a competitividade, principalmente com a execução mais rápida e previsível de projetos de infraestrutura.

A expectativa é que o debate em Santos contribua para aproximar setor portuário, indústria e investidores, fortalecendo estratégias capazes de transformar infraestrutura em um vetor de crescimento econômico e atração de novos negócios.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/AT

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Indústria

Indústria têxtil acelera transformação para enfrentar avanço da ultra fast fashion

A indústria têxtil enfrenta uma nova realidade de mercado com o avanço da ultra fast fashion, modelo baseado em lançamentos rápidos, grande variedade de produtos e forte presença nas plataformas digitais. A necessidade de reduzir prazos e aumentar a eficiência foi debatida na quinta-feira (13), durante reunião do Conselho da Indústria Têxtil, Confecção, Couro e Calçados da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

A projeção para o setor reforça o tamanho do desafio. O mercado mundial de ultra fast fashion deve passar de US$ 62,75 bilhões para US$ 160,91 bilhões até 2033, mais que dobrando de tamanho no período.

Tecnologia ganha espaço na competição

O presidente do conselho, César Döhler, chamou atenção para o avanço das importações de vestuário e para o crescimento das compras realizadas em plataformas digitais. Segundo ele, a indústria brasileira precisa responder ao cenário com investimentos em inovação e maior integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

“O setor têxtil é resiliente e tem capacidade de adaptação. Precisamos transformar os desafios em uma agenda de competitividade, inovação e valorização da indústria brasileira”, afirmou.

Para Matheus Fagundes, presidente da Audaces, a principal mudança está no ritmo da competição. O setor, que antes trabalhava com ciclos de produção de vários meses, passou a lidar com prazos de semanas ou até dias.

A diferença de escala entre mercados evidencia essa transformação. Enquanto os Estados Unidos lançam aproximadamente 23 mil novos produtos por ano, a China chega a 1,5 milhão de itens.

Nesse ambiente, a velocidade de produção se tornou um fator decisivo. Fagundes defende o uso de tecnologia para encurtar processos, conectar fornecedores e fabricantes e acelerar as decisões baseadas em informações.

Inteligência artificial pode reduzir estoques

Entre as ferramentas apontadas para elevar a produtividade da indústria estão a inteligência artificial, a digitalização das operações e estratégias para diminuir estoques.

A utilização de dados permite antecipar tendências, ajustar a produção à demanda e reduzir o tempo entre a criação de uma peça e sua chegada ao consumidor.

“A competição se tornou uma questão de velocidade. A tecnologia é um meio para reduzir o tempo, integrar a cadeia e permitir decisões mais rápidas, com base em dados”, destacou Fagundes.

A transformação é vista como necessária não apenas para disputar espaço no exterior, mas também para proteger a participação da indústria brasileira no mercado doméstico.

Importações aumentam pressão sobre a indústria brasileira

O cenário argentino foi citado como exemplo dos riscos provocados pela perda de competitividade da indústria nacional. Atualmente, cerca de 70% das roupas comercializadas no país são importadas.

Para Fagundes, a dinâmica é direta: empresas brasileiras precisam ter condições de competir em outros mercados para evitar que produtos estrangeiros conquistem espaço no Brasil.

“Se a gente não for competitivo lá fora, o produto lá de fora vai ser competitivo aqui dentro”, resumiu.

Santa Catarina tem forte participação no setor

O impacto desse processo é especialmente relevante para Santa Catarina, onde a cadeia têxtil ocupa posição de destaque na indústria.

O setor é o maior empregador industrial do estado e aparece em segundo lugar em número de estabelecimentos. Em 2023, eram 170.787 postos de trabalho formais, o equivalente a 18,9% de todo o emprego industrial catarinense.

No comércio exterior, o segmento também tem peso. As exportações da indústria têxtil catarinense movimentaram aproximadamente US$ 288,6 milhões em 2024.

Cadeia produtiva precisa ganhar integração

Além da adoção de novas tecnologias, representantes do setor defendem uma estratégia mais ampla para enfrentar a transformação do mercado.

Entre as prioridades estão a qualificação profissional, integração da cadeia produtiva, uso estratégico de dados, diversificação dos mercados consumidores e maior proximidade com o público.

A avaliação é que o modelo tradicional de produção já não atende sozinho às exigências impostas pela ultra fast fashion.

“A régua mudou. Não basta fazer o que funcionou no passado. É preciso ganhar velocidade e usar tecnologia para competir”, concluiu Fagundes.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Logística

Logística eficiente é essencial para manter a competitividade da indústria de Santa Catarina, alerta FIESC

A FIESC alerta que os desafios da logística em Santa Catarina representam um dos principais obstáculos para a manutenção da competitividade da indústria estadual. Apesar de contar com uma economia fortemente voltada ao mercado internacional e um parque industrial diversificado, o estado enfrenta limitações na infraestrutura de transporte que impactam diretamente os custos e a eficiência das operações.

Entre os principais entraves apontados estão o chamado Custo Brasil, além dos gargalos nas rodovias e nos acessos aos portos, fatores que elevam despesas, aumentam o tempo de deslocamento e reduzem a competitividade das empresas.

Rodovias sobrecarregadas afetam o escoamento da produção

Reconhecido pela eficiência de seu complexo portuário, Santa Catarina ocupa posição de destaque na movimentação de contêineres no país. No entanto, o transporte terrestre até os terminais portuários enfrenta dificuldades devido à necessidade de obras de manutenção, duplicação e melhorias em rodovias federais e estaduais.

De acordo com o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, diversas rodovias estratégicas para a economia catarinense operam constantemente próximas do limite de capacidade, cenário que provoca atrasos nas entregas, aumento dos custos com frete e maior incidência de acidentes.

Planejamento de longo prazo é apontado como prioridade

Para o presidente do Conselho de Infraestrutura e Transporte da entidade, Maurício Battistella, investir em uma logística eficiente é indispensável para garantir a permanência da indústria catarinense em um mercado cada vez mais competitivo.

Segundo ele, embora os portos catarinenses sejam reconhecidos pela eficiência, a precariedade das ligações rodoviárias compromete todo o fluxo de transporte de cargas e reduz a capacidade competitiva das empresas.

Debate na Logistique discutirá o futuro da logística catarinense

Maurício Battistella será um dos participantes de um painel durante a feira Logistique, marcada para o dia 11 de agosto. O encontro reunirá especialistas para debater os caminhos da infraestrutura logística de Santa Catarina até 2035.

Na avaliação do representante da FIESC, é fundamental que a logística seja tratada como uma política de Estado, com planejamento de longo prazo, investimentos para eliminar gargalos e integração entre rodovias, ferrovias e portos, garantindo maior fluidez no transporte de mercadorias e fortalecendo a presença dos produtos catarinenses nos mercados nacional e internacional.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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Comércio Internacional

Tarifaço dos EUA desafia indústria de Santa Catarina e reforça busca por novos mercados

A nova rodada do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros aumenta os desafios para a indústria nacional e deve ter efeitos ainda mais significativos sobre Santa Catarina, um dos estados mais dependentes das exportações para o mercado norte-americano.

Em um cenário marcado por tensões geopolíticas, fortalecimento do protecionismo e mudanças nas relações comerciais globais, empresas catarinenses são pressionadas a rever estratégias, diversificar mercados e ampliar sua competitividade para reduzir os impactos das novas barreiras comerciais.

Exportações catarinenses já sentiram os efeitos da primeira onda

Os reflexos das tarifas impostas anteriormente servem como alerta para o setor produtivo. Na primeira fase do tarifaço, em 2025, as exportações catarinenses destinadas aos Estados Unidos registraram queda de 38%, enquanto mais de sete mil empregos deixaram de ser criados em consequência da retração dos negócios.

Com a manutenção da diferença tarifária em relação a concorrentes internacionais, a expectativa é que as empresas intensifiquem ações de internacionalização, fortaleçam sua presença em novos mercados e invistam em ganhos de produtividade para preservar a competitividade.

Cooperação entre indústria e governo busca reduzir impactos

Diante do novo cenário, a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) afirma manter diálogo permanente com o Governo do Estado para avaliar os impactos das medidas e desenvolver alternativas de apoio às empresas.

Além da articulação institucional, a entidade informa que sua área de internacionalização segue preparada para auxiliar indústrias na prospecção de novos destinos para exportação, estratégia considerada fundamental para diminuir a dependência de mercados específicos.

Inovação e qualificação são apostas para enfrentar o cenário

As entidades do Sistema FIESC também mantêm ações voltadas ao fortalecimento da indústria catarinense. O SENAI, o SESI e o IEL continuam atuando em iniciativas ligadas ao aumento da produtividade, à inovação tecnológica e à qualificação da mão de obra.

O objetivo é preparar as empresas para um ambiente econômico cada vez mais competitivo, oferecendo suporte tanto na formação de profissionais quanto na aproximação entre a indústria e novos talentos.

Indústria aposta na capacidade de adaptação

Para o setor industrial, o atual cenário reforça a necessidade de resiliência diante das transformações da economia mundial. Assim como desafios climáticos e econômicos marcaram diferentes momentos da história de Santa Catarina, o fortalecimento da cooperação, do empreendedorismo e da inovação é apontado como caminho para preservar o crescimento e ampliar a presença da indústria catarinense no mercado internacional.

A expectativa é que a combinação entre diversificação de mercados, investimentos em competitividade e atuação conjunta entre empresas e instituições contribua para transformar os desafios impostos pelo comércio global em novas oportunidades de desenvolvimento.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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Portos

Concessão de canais de acesso impulsiona novo modelo de gestão portuária no Brasil

Os canais de acesso portuário desempenham um papel estratégico para o funcionamento dos portos, embora sejam pouco conhecidos pelo público em geral. São essas vias navegáveis que conectam o mar aos terminais e determinam as condições de entrada e saída das embarcações.

A profundidade dos canais é um dos principais fatores para a operação portuária, pois define quais navios podem atracar com segurança e qual volume de carga conseguem transportar. Quanto maior a capacidade das embarcações, menor tende a ser o custo logístico por tonelada ou contêiner movimentado, tornando os portos brasileiros mais competitivos no comércio internacional.

Além de beneficiar as exportações, a melhoria da infraestrutura também contribui para reduzir os custos das importações e aumentar a eficiência do transporte marítimo.

Novo modelo de concessão reúne serviços em um único contrato

A gestão dos canais de acesso passa por uma transformação com a adoção de um novo modelo de concessão à iniciativa privada. Diferentemente do formato tradicional, baseado em contratos separados para serviços de dragagem, a proposta reúne em um único contrato toda a administração da infraestrutura aquaviária.

O escopo inclui a dragagem, responsável pela manutenção da profundidade dos canais, a sinalização náutica, o gerenciamento do tráfego de embarcações, além da conservação das áreas de manobra e dos locais de fundeio utilizados pelos navios enquanto aguardam autorização para atracar.

Esse modelo busca garantir manutenção contínua da infraestrutura, aumentar a previsibilidade das operações e reduzir restrições que impactam armadores, operadores portuários e exportadores.

Crescimento dos navios exige canais mais profundos

A necessidade de investimentos acompanha a evolução da frota marítima mundial. Nas últimas décadas, os porta-contêineres aumentaram significativamente de tamanho, passando de embarcações com cerca de 300 metros para modelos que chegam a 400 metros de comprimento.

Esses navios possuem capacidade para transportar quase três vezes mais contêineres do que as embarcações utilizadas no início dos anos 2000. Para atender essa nova realidade, os canais precisam oferecer profundidade compatível com o maior calado operacional, permitindo que os navios operem com sua capacidade máxima.

Dragagem fortalece logística e reduz emissões

Estudo da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec) aponta que o aprofundamento dos canais traz ganhos importantes para a logística portuária.

Segundo a entidade, canais mais profundos permitem que os navios transportem maior volume de carga por viagem, reduzam o consumo de combustível por contêiner movimentado e contribuam para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa.

Por outro lado, quando a profundidade limita o carregamento ou obriga as embarcações a aguardar condições favoráveis de maré para navegar, parte dessa eficiência é perdida. O resultado é o aumento dos custos operacionais, maior tempo de espera e redução da competitividade dos portos e das cadeias logísticas brasileiras.

A adoção do novo modelo de concessão de canais de acesso busca justamente oferecer maior previsibilidade, elevar a eficiência operacional e preparar a infraestrutura portuária nacional para atender à crescente demanda do comércio marítimo internacional.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Comércio Exterior

Indústria de lácteos teme perda de competitividade com importações e acordo Mercosul-UE

A indústria brasileira de lácteos acompanha com atenção o aumento das importações e os possíveis efeitos da implementação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Representantes do setor avaliam que a combinação desses fatores pode ampliar a concorrência no mercado interno e pressionar ainda mais a rentabilidade das empresas nacionais.

Para Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, o cenário já apresenta desafios relevantes, especialmente devido ao crescimento da entrada de produtos vindos dos países do Mercosul, que vêm ganhando espaço no mercado brasileiro nos últimos anos.

Atualmente, as importações de leite em pó e queijos representam cerca de 8% do consumo nacional. Segundo o executivo, esse volume tem influência direta na formação de preços e afeta toda a cadeia produtiva.

Maior oferta pressiona preços pagos à indústria e ao produtor

De acordo com a avaliação do setor, o aumento da presença de produtos importados amplia a oferta disponível no mercado brasileiro, contribuindo para a redução dos preços recebidos tanto pelas indústrias quanto pelos produtores rurais.

A situação ganhou novos contornos após a identificação de práticas de dumping em importações de leite em pó provenientes da Argentina e do Uruguai. Apesar da comprovação das irregularidades, não houve adoção de medidas restritivas por parte do governo.

Na visão de Sartor, a decisão ajuda a evitar aumentos para o consumidor final, mas acaba comprometendo a rentabilidade da produção nacional, especialmente em um momento de custos elevados para o setor agroindustrial.

Acordo Mercosul-União Europeia amplia preocupação

A apreensão das empresas também está relacionada ao avanço do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Desde maio, algumas tarifas de importação para produtos lácteos europeus começaram a ser reduzidas gradualmente.

No segmento de queijos especiais, por exemplo, a alíquota caiu de 28% para 25,2% e seguirá em trajetória de redução até ser eliminada completamente dentro de dez anos.

Embora o prazo seja considerado longo, empresários do setor afirmam que o planejamento industrial exige visão de longo prazo. Projetos de expansão, construção de fábricas e modernização de unidades podem levar vários anos entre aprovação e operação efetiva.

Queijos premium devem enfrentar concorrência mais intensa

A principal preocupação está concentrada nos produtos de maior valor agregado, segmento no qual empresas brasileiras têm investido para ampliar margens e diferenciar sua oferta.

Entre os itens considerados mais vulneráveis estão os queijos tipo grana, manteigas especiais, creme de leite premium e outros derivados de alto padrão.

Segundo Sartor, os produtores europeus contam com vantagens competitivas importantes, como maior escala de produção, tradição consolidada e programas de subsídios oferecidos pelos governos da União Europeia.

A estimativa da empresa é que, com a redução gradual das tarifas, determinados produtos importados possam chegar ao mercado brasileiro com custos cerca de 20% inferiores aos da produção nacional, reduzindo significativamente a competitividade das indústrias locais.

Vinhos e lácteos estão entre os setores mais expostos

Na avaliação do executivo, os maiores impactos da abertura comercial deverão ser sentidos justamente em áreas onde a Europa possui forte tradição produtiva.

Além dos laticínios, o mercado de vinhos também é apontado como um dos mais suscetíveis à concorrência internacional nos próximos anos.

Embora reconheça que o acordo comercial traz benefícios para diversos segmentos da economia brasileira, especialmente para as cadeias de proteínas animais, Sartor acredita que lácteos e vinhos estarão entre os setores mais desafiados pelo novo cenário.

Estratégia aposta em diferenciação e eficiência

Diante das mudanças previstas para o mercado, a estratégia adotada pela empresa tem sido focar em produtos de maior valor agregado e em consumidores que valorizam atributos como qualidade, origem e processos produtivos diferenciados.

Ao mesmo tempo, os investimentos em ampliação da capacidade industrial têm sido conduzidos com cautela. Segundo a companhia, a prioridade atual é aumentar a eficiência operacional e aproveitar melhor a estrutura já existente, diante de um cenário de competição crescente e margens mais pressionadas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: CNA

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Portos

Infraestrutura portuária ganha impulso com parceria entre governo e setor privado, destaca ministro

Durante a inauguração da nova sede da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), em Brasília, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, ressaltou o papel estratégico da cooperação entre o governo e a iniciativa privada para o avanço da infraestrutura portuária brasileira.

O evento ocorreu na noite de segunda-feira (4) e reuniu representantes do setor produtivo. Na ocasião, o ministro enfatizou que o diálogo contínuo com entidades empresariais tem sido essencial para aprimorar políticas públicas e fortalecer o ambiente de negócios no país.

Setor privado lidera movimentação e geração de empregos

Atualmente, a ATP reúne 39 grandes empresas e engloba 75 Terminais de Uso Privado (TUPs) distribuídos pelo Brasil. As companhias associadas respondem por cerca de 60% da movimentação de cargas portuárias e geram aproximadamente 47 mil empregos diretos e indiretos.

Esse protagonismo consolida o segmento como um dos principais motores do desenvolvimento da logística portuária nacional.

Modernização e tecnologia ampliam eficiência dos portos

Além de expandir a capacidade operacional, a atuação das empresas privadas tem contribuído para a incorporação de novas tecnologias, aumento da eficiência e adoção de práticas sustentáveis.

Segundo o ministro, a nova sede da ATP simboliza o fortalecimento dessa parceria e o amadurecimento institucional do setor. Ele destacou ainda que as contribuições das empresas são fundamentais para orientar a formulação de políticas públicas mais eficientes.

Foco em inovação, sustentabilidade e competitividade

O secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, também participou do evento e reforçou o compromisso do governo com medidas voltadas à inovação portuária, sustentabilidade e competitividade.

Entre as prioridades, estão a construção de um ambiente regulatório estável e o estímulo a novos investimentos, com foco na modernização do setor.

Avanços estruturais e melhoria do ambiente regulatório

O ministro destacou ainda iniciativas do governo federal para fortalecer o setor, como a ampliação da segurança jurídica, simplificação de processos de outorga e renovação contratual junto à Antaq, além de melhorias nas condições logísticas.

Projetos de dragagem, qualificação de acessos e aumento da eficiência operacional também fazem parte da estratégia para reduzir custos e elevar a competitividade dos portos brasileiros.

A nova sede da ATP está localizada no 6º andar da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), em Brasília.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Eduardo Oliveira

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Comércio Exterior

Acordo Mercosul–União Europeia: oportunidades, tecnologia e reposicionamento estratégico global

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia em 1º de maio de 2026 marca uma mudança estrutural no comércio internacional brasileiro. Com a redução progressiva de tarifas, abertura de mercados e aumento da competitividade, empresas passam a operar em um ambiente mais integrado, porém também mais exigente.

Mais do que um tratado comercial, o acordo redefine dinâmicas de concorrência, acesso a tecnologia e posicionamento estratégico das empresas brasileiras. Nesse contexto, entender como dados, tecnologia e inteligência de mercado se conectam às novas oportunidades torna-se fundamental para decisões consistentes no cenário global.

Para aprofundar essa análise, conversamos com Mariana Pires Tomelin, especialista em Comércio Exterior com mais de 15 anos de experiência e uma trajetória marcada pela atuação estratégica na internacionalização de indústrias brasileiras. À frente da Exon Trade Business Intelligence, Mariana lidera projetos que integram inteligência de mercado, compliance aduaneiro, estruturação tributária e tecnologias como Inteligência Artificial e Big Data para impulsionar a performance internacional das empresas.

Com domínio de seis idiomas e forte atuação em negociações multiculturais, ela se destaca por transformar dados em decisões estratégicas e por antecipar tendências no cenário global. Reconhecida por sua visão inovadora, Mariana tem como missão tornar o comércio exterior mais acessível, inteligente e competitivo, apoiando empresas brasileiras na conquista de novos mercados em um ambiente cada vez mais dinâmico e desafiador.

Com a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, como você avalia as principais mudanças estruturais que passam a impactar o comércio internacional brasileiro, especialmente do ponto de vista estratégico?

Mariana Tomelin: O acordo altera o ambiente competitivo de forma estrutural. A redução de tarifas e a ampliação do acesso ao mercado europeu criam novas oportunidades, mas também aumentam a exposição das empresas brasileiras à concorrência internacional. Não se trata apenas de vender mais ou importar melhor, mas de reposicionar a empresa dentro de cadeias globais de valor. A competitividade passa a depender menos de custo isolado e mais de eficiência, qualidade e capacidade de adaptação.

Considerando a eliminação gradual de tarifas para milhares de produtos, quais são as principais oportunidades de negócios que surgem para empresas brasileiras no curto e médio prazo?

Mariana Tomelin: A eliminação de tarifas amplia o acesso a mercados e fornecedores com maior competitividade. No curto prazo, empresas podem explorar ganhos diretos em custo e diversificação de fornecedores. No médio prazo, surgem oportunidades mais estratégicas, como integração em cadeias globais, desenvolvimento de parcerias internacionais e acesso a tecnologias mais avançadas. O principal ganho está na capacidade de evolução da operação, e não apenas na transação em si.

Como a tecnologia e o uso estruturado de dados passam a ter um papel ainda mais relevante nesse novo cenário de abertura comercial?

Mariana Tomelin: Com o aumento da complexidade operacional, a tecnologia deixa de ser suporte e passa a ser infraestrutura decisória. Empresas passam a lidar com mais variáveis, mais exigências regulatórias e maior volume de informação. Sistemas que organizam dados, permitem análise comparativa e apoiam decisões tornam-se essenciais. Sem isso, a empresa perde capacidade de leitura e reação em um ambiente global mais dinâmico.

Quais desafios as empresas brasileiras devem enfrentar ao competir com produtos e fornecedores europeus, especialmente considerando padrões mais elevados de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade?

Mariana Tomelin: O principal desafio é o aumento do nível de exigência. O mercado europeu opera com padrões elevados de qualidade, rastreabilidade e conformidade regulatória, incluindo critérios ambientais mais rigorosos. Isso exige adaptação das empresas brasileiras, tanto em processos quanto em governança. Ao mesmo tempo, esse cenário impulsiona evolução operacional, promovendo ganhos de eficiência, produtividade e profissionalização.

Diante desse novo cenário global mais integrado e competitivo, como as empresas podem estruturar decisões mais estratégicas e evitar uma atuação apenas reativa às mudanças do acordo?

Mariana Tomelin: A principal mudança é sair de uma lógica reativa para uma lógica estruturada de decisão. Isso envolve analisar dados de mercado, entender movimentos de concorrência, avaliar fornecedores e antecipar tendências. Empresas que tratam o acordo apenas como redução tarifária tendem a capturar ganhos limitados. Já aquelas que integram dados, tecnologia e estratégia conseguem construir vantagens mais sustentáveis ao longo do tempo.

O acordo entre Mercosul e União Europeia representa uma mudança estrutural no comércio internacional brasileiro, ampliando oportunidades, mas também elevando o nível de exigência competitiva. Em um ambiente mais integrado e dinâmico, decisões passam a depender cada vez mais de dados, tecnologia e capacidade de leitura estratégica.

Foi a partir da necessidade de estruturar essas decisões em contextos globais complexos que se consolidou o desenvolvimento da Trax. A plataforma foi concebida como uma extensão prática dessa abordagem, apoiando a organização e análise de dados aplicados ao comércio internacional, permitindo que empresas operem com maior clareza, previsibilidade e consistência diante de cenários em constante transformação.

Informações institucionais: www.traxglobal.com.br

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, a posição deste veículo.

TEXTO E IMAGEM: EXON TRADE

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Exportação

Acordo Mercosul–União Europeia amplia oportunidades para exportações brasileiras, mas desafios permanecem

A entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia promete abrir novas frentes para as exportações brasileiras, especialmente no setor industrial. Levantamento da ApexBrasil aponta que a redução de tarifas deve impulsionar a competitividade dos produtos nacionais no mercado europeu.

Indústria concentra maior potencial de crescimento

O estudo identificou 543 oportunidades comerciais em produtos que passam a ter tarifa de importação zerada já neste início de vigência. Esses itens já são exportados pelo Brasil de forma competitiva, mas ainda têm baixa participação nas compras europeias.

Entre 2020 e 2024, a Europa importou, em média, US$ 43,9 bilhões por ano desses produtos. No entanto, apenas 2,6% desse total teve origem brasileira, evidenciando espaço para expansão.

Com o acordo, tarifas que variavam entre 6,5% e 7% serão eliminadas, fator considerado decisivo em um mercado altamente competitivo como o europeu.

Exportações devem crescer no curto prazo

A ApexBrasil estima que as exportações para a União Europeia aumentem cerca de US$ 1 bilhão já no primeiro ano de vigência.

O presidente da agência, Laudemir Müller, destacou que a longa negociação — que durou cerca de 25 anos — gerou ceticismo no setor empresarial, mas garantiu que a redução tarifária será efetiva.

Máquinas e manufaturados lideram oportunidades

O segmento de máquinas e equipamentos de transporte concentra o maior número de oportunidades, com 305 produtos identificados. Esse grupo representa cerca de US$ 27,4 bilhões em importações europeias anuais, mas conta com apenas 1,5% de participação brasileira.

Outro destaque são os produtos manufaturados diversos, com 59 oportunidades mapeadas, incluindo itens como componentes industriais e acessórios. Nesse segmento, o mercado europeu movimenta cerca de US$ 6,7 bilhões por ano, com presença brasileira ainda limitada.

Há também potencial em setores como:

  • bens industriais (pneus, eletrodos, produtos minerais);
  • produtos químicos (proteínas lácteas, óleos essenciais);
  • matérias-primas (madeira, cortiça, sementes);
  • alimentos processados (como leveduras).

Impacto econômico e geração de empregos

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, cada R$ 1 bilhão exportado para a União Europeia gerou, em 2024:

  • 21,8 mil empregos;
  • R$ 441,7 milhões em salários;
  • R$ 3,2 bilhões em produção.

A entidade destaca que mais de 80% das exportações brasileiras para o bloco europeu terão tarifa zero com o acordo.

Setores sensíveis e barreiras ainda preocupam

Apesar das perspectivas positivas, o acordo não é consenso. Segmentos como lácteos e vinhos defenderam maior proteção durante as negociações.

Além disso, a abertura do mercado europeu para produtos agrícolas deve ocorrer de forma mais lenta. Há também preocupação com possíveis barreiras ambientais, que podem resultar em novas tarifas ou restrições.

Regras e exigências podem limitar benefícios

Especialistas apontam que o impacto do acordo será variado entre as empresas. Segundo Bernardo Leite, um dos pontos críticos é a regra de origem, que define se o produto pode se beneficiar da tarifa zero.

Empresas que utilizam grande volume de insumos importados de países fora do acordo, como a China, podem enfrentar limitações.

Já Brunno Morette destaca que exigências contratuais devem se intensificar, com foco em critérios de ESG, rastreabilidade, proteção de dados e propriedade intelectual.

Preparação do Brasil ainda é desafio

A Confederação Nacional da Indústria reconhece que o Brasil ainda precisa avançar em políticas internas para melhorar competitividade, produtividade e qualificação da mão de obra.

Acordo cria um dos maiores mercados do mundo

O tratado entre Mercosul e União Europeia forma uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, abrangendo cerca de 720 milhões de pessoas e aproximadamente 25% do PIB global, equivalente a mais de US$ 22 trilhões.

O avanço ocorre em um cenário internacional marcado pelo aumento do protecionismo, especialmente liderado pelos Estados Unidos.

Formalização discreta marca momento histórico

Apesar da relevância econômica e geopolítica, a formalização do acordo ocorreu de maneira discreta. A cerimônia foi realizada no palácio presidencial, sem acesso da imprensa e com participação restrita a autoridades e parlamentares.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Senado Federal

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