Portos

Infraestrutura portuária ganha impulso com parceria entre governo e setor privado, destaca ministro

Durante a inauguração da nova sede da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), em Brasília, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, ressaltou o papel estratégico da cooperação entre o governo e a iniciativa privada para o avanço da infraestrutura portuária brasileira.

O evento ocorreu na noite de segunda-feira (4) e reuniu representantes do setor produtivo. Na ocasião, o ministro enfatizou que o diálogo contínuo com entidades empresariais tem sido essencial para aprimorar políticas públicas e fortalecer o ambiente de negócios no país.

Setor privado lidera movimentação e geração de empregos

Atualmente, a ATP reúne 39 grandes empresas e engloba 75 Terminais de Uso Privado (TUPs) distribuídos pelo Brasil. As companhias associadas respondem por cerca de 60% da movimentação de cargas portuárias e geram aproximadamente 47 mil empregos diretos e indiretos.

Esse protagonismo consolida o segmento como um dos principais motores do desenvolvimento da logística portuária nacional.

Modernização e tecnologia ampliam eficiência dos portos

Além de expandir a capacidade operacional, a atuação das empresas privadas tem contribuído para a incorporação de novas tecnologias, aumento da eficiência e adoção de práticas sustentáveis.

Segundo o ministro, a nova sede da ATP simboliza o fortalecimento dessa parceria e o amadurecimento institucional do setor. Ele destacou ainda que as contribuições das empresas são fundamentais para orientar a formulação de políticas públicas mais eficientes.

Foco em inovação, sustentabilidade e competitividade

O secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, também participou do evento e reforçou o compromisso do governo com medidas voltadas à inovação portuária, sustentabilidade e competitividade.

Entre as prioridades, estão a construção de um ambiente regulatório estável e o estímulo a novos investimentos, com foco na modernização do setor.

Avanços estruturais e melhoria do ambiente regulatório

O ministro destacou ainda iniciativas do governo federal para fortalecer o setor, como a ampliação da segurança jurídica, simplificação de processos de outorga e renovação contratual junto à Antaq, além de melhorias nas condições logísticas.

Projetos de dragagem, qualificação de acessos e aumento da eficiência operacional também fazem parte da estratégia para reduzir custos e elevar a competitividade dos portos brasileiros.

A nova sede da ATP está localizada no 6º andar da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), em Brasília.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Eduardo Oliveira

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Comércio Exterior

Acordo Mercosul–União Europeia: oportunidades, tecnologia e reposicionamento estratégico global

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia em 1º de maio de 2026 marca uma mudança estrutural no comércio internacional brasileiro. Com a redução progressiva de tarifas, abertura de mercados e aumento da competitividade, empresas passam a operar em um ambiente mais integrado, porém também mais exigente.

Mais do que um tratado comercial, o acordo redefine dinâmicas de concorrência, acesso a tecnologia e posicionamento estratégico das empresas brasileiras. Nesse contexto, entender como dados, tecnologia e inteligência de mercado se conectam às novas oportunidades torna-se fundamental para decisões consistentes no cenário global.

Para aprofundar essa análise, conversamos com Mariana Pires Tomelin, especialista em Comércio Exterior com mais de 15 anos de experiência e uma trajetória marcada pela atuação estratégica na internacionalização de indústrias brasileiras. À frente da Exon Trade Business Intelligence, Mariana lidera projetos que integram inteligência de mercado, compliance aduaneiro, estruturação tributária e tecnologias como Inteligência Artificial e Big Data para impulsionar a performance internacional das empresas.

Com domínio de seis idiomas e forte atuação em negociações multiculturais, ela se destaca por transformar dados em decisões estratégicas e por antecipar tendências no cenário global. Reconhecida por sua visão inovadora, Mariana tem como missão tornar o comércio exterior mais acessível, inteligente e competitivo, apoiando empresas brasileiras na conquista de novos mercados em um ambiente cada vez mais dinâmico e desafiador.

Com a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, como você avalia as principais mudanças estruturais que passam a impactar o comércio internacional brasileiro, especialmente do ponto de vista estratégico?

Mariana Tomelin: O acordo altera o ambiente competitivo de forma estrutural. A redução de tarifas e a ampliação do acesso ao mercado europeu criam novas oportunidades, mas também aumentam a exposição das empresas brasileiras à concorrência internacional. Não se trata apenas de vender mais ou importar melhor, mas de reposicionar a empresa dentro de cadeias globais de valor. A competitividade passa a depender menos de custo isolado e mais de eficiência, qualidade e capacidade de adaptação.

Considerando a eliminação gradual de tarifas para milhares de produtos, quais são as principais oportunidades de negócios que surgem para empresas brasileiras no curto e médio prazo?

Mariana Tomelin: A eliminação de tarifas amplia o acesso a mercados e fornecedores com maior competitividade. No curto prazo, empresas podem explorar ganhos diretos em custo e diversificação de fornecedores. No médio prazo, surgem oportunidades mais estratégicas, como integração em cadeias globais, desenvolvimento de parcerias internacionais e acesso a tecnologias mais avançadas. O principal ganho está na capacidade de evolução da operação, e não apenas na transação em si.

Como a tecnologia e o uso estruturado de dados passam a ter um papel ainda mais relevante nesse novo cenário de abertura comercial?

Mariana Tomelin: Com o aumento da complexidade operacional, a tecnologia deixa de ser suporte e passa a ser infraestrutura decisória. Empresas passam a lidar com mais variáveis, mais exigências regulatórias e maior volume de informação. Sistemas que organizam dados, permitem análise comparativa e apoiam decisões tornam-se essenciais. Sem isso, a empresa perde capacidade de leitura e reação em um ambiente global mais dinâmico.

Quais desafios as empresas brasileiras devem enfrentar ao competir com produtos e fornecedores europeus, especialmente considerando padrões mais elevados de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade?

Mariana Tomelin: O principal desafio é o aumento do nível de exigência. O mercado europeu opera com padrões elevados de qualidade, rastreabilidade e conformidade regulatória, incluindo critérios ambientais mais rigorosos. Isso exige adaptação das empresas brasileiras, tanto em processos quanto em governança. Ao mesmo tempo, esse cenário impulsiona evolução operacional, promovendo ganhos de eficiência, produtividade e profissionalização.

Diante desse novo cenário global mais integrado e competitivo, como as empresas podem estruturar decisões mais estratégicas e evitar uma atuação apenas reativa às mudanças do acordo?

Mariana Tomelin: A principal mudança é sair de uma lógica reativa para uma lógica estruturada de decisão. Isso envolve analisar dados de mercado, entender movimentos de concorrência, avaliar fornecedores e antecipar tendências. Empresas que tratam o acordo apenas como redução tarifária tendem a capturar ganhos limitados. Já aquelas que integram dados, tecnologia e estratégia conseguem construir vantagens mais sustentáveis ao longo do tempo.

O acordo entre Mercosul e União Europeia representa uma mudança estrutural no comércio internacional brasileiro, ampliando oportunidades, mas também elevando o nível de exigência competitiva. Em um ambiente mais integrado e dinâmico, decisões passam a depender cada vez mais de dados, tecnologia e capacidade de leitura estratégica.

Foi a partir da necessidade de estruturar essas decisões em contextos globais complexos que se consolidou o desenvolvimento da Trax. A plataforma foi concebida como uma extensão prática dessa abordagem, apoiando a organização e análise de dados aplicados ao comércio internacional, permitindo que empresas operem com maior clareza, previsibilidade e consistência diante de cenários em constante transformação.

Informações institucionais: www.traxglobal.com.br

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, a posição deste veículo.

TEXTO E IMAGEM: EXON TRADE

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Exportação

Acordo Mercosul–União Europeia amplia oportunidades para exportações brasileiras, mas desafios permanecem

A entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia promete abrir novas frentes para as exportações brasileiras, especialmente no setor industrial. Levantamento da ApexBrasil aponta que a redução de tarifas deve impulsionar a competitividade dos produtos nacionais no mercado europeu.

Indústria concentra maior potencial de crescimento

O estudo identificou 543 oportunidades comerciais em produtos que passam a ter tarifa de importação zerada já neste início de vigência. Esses itens já são exportados pelo Brasil de forma competitiva, mas ainda têm baixa participação nas compras europeias.

Entre 2020 e 2024, a Europa importou, em média, US$ 43,9 bilhões por ano desses produtos. No entanto, apenas 2,6% desse total teve origem brasileira, evidenciando espaço para expansão.

Com o acordo, tarifas que variavam entre 6,5% e 7% serão eliminadas, fator considerado decisivo em um mercado altamente competitivo como o europeu.

Exportações devem crescer no curto prazo

A ApexBrasil estima que as exportações para a União Europeia aumentem cerca de US$ 1 bilhão já no primeiro ano de vigência.

O presidente da agência, Laudemir Müller, destacou que a longa negociação — que durou cerca de 25 anos — gerou ceticismo no setor empresarial, mas garantiu que a redução tarifária será efetiva.

Máquinas e manufaturados lideram oportunidades

O segmento de máquinas e equipamentos de transporte concentra o maior número de oportunidades, com 305 produtos identificados. Esse grupo representa cerca de US$ 27,4 bilhões em importações europeias anuais, mas conta com apenas 1,5% de participação brasileira.

Outro destaque são os produtos manufaturados diversos, com 59 oportunidades mapeadas, incluindo itens como componentes industriais e acessórios. Nesse segmento, o mercado europeu movimenta cerca de US$ 6,7 bilhões por ano, com presença brasileira ainda limitada.

Há também potencial em setores como:

  • bens industriais (pneus, eletrodos, produtos minerais);
  • produtos químicos (proteínas lácteas, óleos essenciais);
  • matérias-primas (madeira, cortiça, sementes);
  • alimentos processados (como leveduras).

Impacto econômico e geração de empregos

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria, cada R$ 1 bilhão exportado para a União Europeia gerou, em 2024:

  • 21,8 mil empregos;
  • R$ 441,7 milhões em salários;
  • R$ 3,2 bilhões em produção.

A entidade destaca que mais de 80% das exportações brasileiras para o bloco europeu terão tarifa zero com o acordo.

Setores sensíveis e barreiras ainda preocupam

Apesar das perspectivas positivas, o acordo não é consenso. Segmentos como lácteos e vinhos defenderam maior proteção durante as negociações.

Além disso, a abertura do mercado europeu para produtos agrícolas deve ocorrer de forma mais lenta. Há também preocupação com possíveis barreiras ambientais, que podem resultar em novas tarifas ou restrições.

Regras e exigências podem limitar benefícios

Especialistas apontam que o impacto do acordo será variado entre as empresas. Segundo Bernardo Leite, um dos pontos críticos é a regra de origem, que define se o produto pode se beneficiar da tarifa zero.

Empresas que utilizam grande volume de insumos importados de países fora do acordo, como a China, podem enfrentar limitações.

Já Brunno Morette destaca que exigências contratuais devem se intensificar, com foco em critérios de ESG, rastreabilidade, proteção de dados e propriedade intelectual.

Preparação do Brasil ainda é desafio

A Confederação Nacional da Indústria reconhece que o Brasil ainda precisa avançar em políticas internas para melhorar competitividade, produtividade e qualificação da mão de obra.

Acordo cria um dos maiores mercados do mundo

O tratado entre Mercosul e União Europeia forma uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, abrangendo cerca de 720 milhões de pessoas e aproximadamente 25% do PIB global, equivalente a mais de US$ 22 trilhões.

O avanço ocorre em um cenário internacional marcado pelo aumento do protecionismo, especialmente liderado pelos Estados Unidos.

Formalização discreta marca momento histórico

Apesar da relevância econômica e geopolítica, a formalização do acordo ocorreu de maneira discreta. A cerimônia foi realizada no palácio presidencial, sem acesso da imprensa e com participação restrita a autoridades e parlamentares.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Senado Federal

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Comércio Exterior

Tarifa de 15% dos EUA pode beneficiar o Brasil, aponta estudo

A adoção de uma tarifa de 15% sobre importações pelos Estados Unidos pode colocar o Brasil entre os principais beneficiados pela nova política comercial americana. É o que indica levantamento da Global Trade Alert, divulgado após o anúncio feito pelo presidente Donald Trump no último sábado (21).

Apesar da elevação em relação aos 10% informados inicialmente, a nova alíquota global deve resultar em queda na carga média aplicada aos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.

Redução na tarifa média para exportações brasileiras

De acordo com o estudo, a mudança pode provocar uma redução de 13,6% na tarifa média incidente sobre os bens brasileiros vendidos aos EUA.

Antes da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegal o chamado “tarifaço”, o Brasil enfrentava uma taxa média de aproximadamente 26,3%. Com a padronização global em 15%, a média cairia para 12,8%.

O Brasil aparece como o país mais favorecido pela nova configuração tarifária. Em seguida, vêm:

  • China (-7,1%)
  • Índia (-5,6%)

Países que podem perder competitividade

Por outro lado, nações que firmaram acordos comerciais com os Estados Unidos podem enfrentar aumento na tributação média de seus produtos.

Entre os países mais impactados negativamente estão:

  • Reino Unido (+2,1%)
  • Itália (+1,7%)
  • Singapura (+1,1%)

Outras economias asiáticas também devem sentir efeitos adversos, como:

  • Japão (+0,4%)
  • Coreia do Sul (+0,6%)

Mesmo diante do cenário, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou no domingo (22) que nenhum parceiro sinalizou intenção de abandonar os acordos após a decisão judicial.

Já o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, declarou em entrevista à CNN International que os países envolvidos demonstraram interesse em manter os compromissos firmados com a gestão Trump.

Segundo ele, o governo segue em diálogo com seus parceiros e há disposição para preservar os tratados comerciais estabelecidos.

Alckmin avalia impacto positivo para o Brasil

No Brasil, o presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin, classificou a nova política tarifária como favorável ao país.

Em declaração feita em Aparecida (SP), Alckmin ressaltou que a uniformização da alíquota em 15% assegura competitividade internacional ao Brasil, uma vez que a regra passou a valer de forma igual para todos os parceiros comerciais.

Ele destacou ainda que a tarifa média aplicada a produtos americanos que entram no Brasil é de 2,7%, e que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial com o Brasil, tanto em bens quanto em serviços. Dessa forma, mesmo com a nova taxa, o país não perderia espaço no comércio exterior.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Dado Ruvic

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Mercado Internacional

Acordo Mercosul-UE: atraso na ratificação cria janela estratégica para empresas brasileiras

A tramitação do acordo entre Mercosul e União Europeia avança no Brasil, mas enfrenta um novo obstáculo no continente europeu. A exigência de um parecer jurídico pelo Parlamento Europeu pode prolongar o processo de ratificação por meses — ou até anos — abrindo um intervalo que especialistas enxergam como oportunidade estratégica para o setor produtivo nacional.

Enquanto o governo brasileiro dá prioridade ao tema no Congresso, o cenário externo impõe cautela. Para empresas que miram o mercado europeu, o momento é visto como decisivo para ajustes internos e ganho de competitividade.

Parecer jurídico na Europa pode adiar ratificação

A decisão do Parlamento Europeu de solicitar uma análise formal sobre a conformidade jurídica do tratado acrescenta uma etapa ao processo de aprovação do Acordo Mercosul-UE. Esse movimento pode impactar diretamente o cronograma previsto para a ratificação do acordo comercial.

Apesar do possível atraso, especialistas avaliam que o período adicional deve ser encarado como tempo de preparação — e não como retrocesso. A abertura de mercado tende a elevar o nível de exigência competitiva, pressionando empresas brasileiras a revisar estruturas, processos e estratégias.

Competitividade e maturidade empresarial em foco

Para Waldir Bertolino, vice-presidente de vendas e country manager da Infor Brasil e South Latam, o acordo funcionará como um divisor de águas para as organizações nacionais.

Segundo ele, quando a concorrência internacional se intensifica, ineficiências operacionais deixam de ser apenas questões internas e passam a comprometer diretamente margens e participação de mercado. Nesse contexto, o tratado comercial poderá expor fragilidades que vão além dos tradicionais entraves de infraestrutura e carga tributária.

O executivo afirma que empresas preparadas terão condições de ampliar oportunidades no mercado europeu, enquanto aquelas que não se adaptarem enfrentarão riscos maiores.

Logística ganha protagonismo estratégico

A logística, historicamente tratada como centro de custo, passa a ocupar papel central na estratégia empresarial diante da possível consolidação do acordo Mercosul-UE.

A digitalização de processos, a integração de dados e a automação são apontadas como fatores-chave para elevar eficiência, reduzir retrabalho e garantir previsibilidade. Em vez de concentrar investimentos apenas na ampliação de ativos físicos, como frota ou galpões, a tendência é direcionar recursos para tecnologia e inteligência operacional.

Para competir globalmente, três pilares tornam-se fundamentais:

  • Custo competitivo
  • Alto nível de serviço
  • Previsibilidade operacional

Empresas que estruturarem governança, gestão de dados e tecnologia tendem a alcançar maior escala e consistência no desempenho.

Dados e capital humano: gargalos silenciosos

Além de desafios estruturais conhecidos, como burocracia e infraestrutura, outro obstáculo ganha destaque: a qualidade das informações corporativas.

Dados fragmentados, inconsistentes ou desatualizados comprometem iniciativas de automação e inovação. Sem bases confiáveis e integradas, o uso de ferramentas tecnológicas perde efetividade.

Outro ponto crítico é a capacitação das lideranças. A adoção de sistemas modernos, sem preparo estratégico das equipes, pode resultar em baixo impacto prático. O risco, segundo o executivo, é que empresas invistam em tecnologia, mas não extraiam ganhos reais por falta de qualificação adequada.

Com o avanço do acordo, há ainda a possibilidade de escassez de profissionais preparados para atender às novas demandas do comércio internacional.

Tempo de adaptação exige mudança cultural

Embora o acordo tenha sido negociado ao longo de 26 anos, muitas empresas brasileiras não o incorporaram ao planejamento estratégico por considerarem sua aprovação incerta.

Agora, com a tramitação mais concreta, o prazo de adaptação ganha urgência. Segundo avaliação do setor, ganhos operacionais relevantes podem surgir entre 12 e 18 meses quando há foco, execução disciplinada e investimento em tecnologia. No entanto, atingir padrões globais sustentáveis exige transformação cultural de médio e longo prazo.

Com a União Europeia como principal fator de indefinição no calendário, o setor produtivo brasileiro ganha um período adicional para ajustes estruturais — possivelmente a última oportunidade antes da abertura efetiva do mercado.

Fonte: Infomoney

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO INFOMONEY / REUTERS / Cesar Olmedo

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Logística

Logística argentina enfrenta limites estruturais e desafio de competitividade global

O debate sobre a logística argentina vai além da existência de infraestrutura e conhecimento técnico. O ponto central passa a ser a capacidade do país de transformar esses recursos em uma vantagem competitiva sustentável em um cenário internacional cada vez mais exigente, no qual apenas eficiência operacional já não basta.

De acordo com Gabriel García Polignano, integrante da direção da Asociación Argentina de Logística Empresaria (ARLOG), a Argentina ocupa posição intermediária na competitividade regional do setor. O país conta com operadores que seguem padrões internacionais, portos com escala relevante e expertise técnica consolidada.

Apesar disso, essas qualidades ainda não resultam em uma vantagem sistêmica estável.

Segundo o dirigente, o problema não é tecnológico, mas estrutural e organizacional. A fragmentação operacional, a baixa integração multimodal e gargalos em infraestrutura estratégica limitam o desempenho. O sistema, afirma, entrega resultados eficazes, porém nem sempre eficientes.

Custos logísticos e impacto nas exportações

A diferença entre eficácia e eficiência não é apenas conceitual — ela influencia diretamente os custos logísticos e a competitividade das exportações argentinas.

Polignano ressalta que a análise tradicional costuma se concentrar apenas na tarifa de transporte. Entretanto, o maior peso está nos custos indiretos acumulados ao longo da cadeia.

Entre os principais fatores estão:

  • Demoras em acessos rodoviários;
  • Congestionamentos em nodos portuários;
  • Falta de sincronia entre terminais e órgãos de controle;
  • Forte dependência do transporte rodoviário.

Esses elementos elevam os sobrecustos e reduzem a eficiência do sistema. Além disso, a instabilidade regulatória observada em determinados períodos dificultou o planejamento de longo prazo, ampliando o custo financeiro, o volume de estoque parado e diminuindo a rotatividade de ativos — fatores que acabam embutidos no preço final das cadeias exportadoras.

Transformações na logística global

Enquanto a Argentina busca superar suas fragilidades estruturais, o ambiente externo impõe novas pressões. Para Ricardo Ernesto Partal Silva, presidente da Organización Mundial de Ciudades y Plataformas Logísticas, o mundo atravessa uma mudança profunda na logística global.

Segundo ele, o comércio internacional já não opera sob as mesmas regras. Fatores geopolíticos, demográficos, tecnológicos e até geológicos estão redesenhando fluxos e cadeias produtivas. Não se trata de uma crise passageira, mas de uma transição de era que exige um novo programa de resiliência logística.

Eventos climáticos e tensões geopolíticas redesenham rotas

Os sinais dessa transformação são concretos. A histórica redução do nível de água no Canal do Panamá alterou rotas transoceânicas e forçou o redesenho de cargas e itinerários.

Eventos extremos, como secas e inundações, têm comprometido corredores terrestres tradicionais. Atividades vulcânicas podem suspender o tráfego aéreo em poucas horas, enquanto fenômenos solares representam risco para sistemas de navegação e comunicações via satélite.

No campo geopolítico, a rivalidade entre China e Estados Unidos impulsiona a relocalização produtiva e a reorganização das cadeias de suprimentos. Nesse novo cenário, a prioridade deixa de ser apenas eficiência e passa a incluir segurança estratégica de rotas marítimas e corredores críticos.

A pandemia de COVID-19 foi, segundo Partal Silva, um ensaio geral das vulnerabilidades do sistema. Ele destaca que a logística contemporânea depende de “fios invisíveis” frágeis, como cadeias tecnológicas e biológicas suscetíveis a interrupções. A inteligência artificial, embora prometa otimização de rotas, também cria novas dependências em um contexto de escassez de insumos essenciais para semicondutores.

Modernização e resiliência como agenda estratégica

Diante de desafios internos e externos, a modernização da logística argentina ganha caráter estratégico.

Para Polignano, o foco não deve ser apenas ampliar capacidade física, mas reorganizar a arquitetura operacional do sistema. Entre as prioridades estão:

  • Investimentos técnicos em infraestrutura crítica;
  • Simplificação e digitalização integral de processos administrativos;
  • Incentivo à multimodalidade com critérios de eficiência econômica;
  • Estabilidade regulatória que gere confiança para investimentos de médio e longo prazo.

Partal Silva reforça que a resposta não pode ser fragmentada ou meramente reativa. Ele defende a implementação sistemática de estratégias preventivas, incluindo programas de resiliência e diversificação de rotas — marítimas, fluviais, terrestres e aéreas — para reduzir dependência de um único corredor logístico.

A construção de alternativas concretas e viáveis, e não soluções teóricas, será determinante para que a logística argentina avance em competitividade em um ambiente global cada vez mais complexo.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Internacional

Alemanha defende União Europeia de duas velocidades para acelerar decisões do bloco

A Alemanha pretende defender a criação de uma União Europeia de duas velocidades como forma de destravar a tomada de decisões e impulsionar o desempenho econômico do bloco. A proposta prevê que um grupo central de países avance mais rapidamente em políticas estratégicas, enquanto os demais acompanham o processo em ritmo próprio.

Proposta busca romper paralisia na UE

“Este é o momento de uma Europa de duas velocidades”, afirmou o ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, durante evento promovido pelo jornal Welt, nesta terça-feira (27), em Berlim. Segundo ele, o modelo permitiria tornar o continente mais forte, competitivo e menos dependente de fatores externos.

Grupo central reuniria seis grandes economias

De acordo com uma carta de Klingbeil obtida pela Reuters, Alemanha e França articulam a criação de um novo formato de cooperação entre as seis principais economias da União Europeia. O grupo incluiria ainda Polônia, Espanha, Itália e Holanda.

O ministro alemão convidou seus pares desses países para uma videoconferência marcada para esta quarta-feira, com o objetivo de definir uma agenda concreta voltada ao fortalecimento da soberania, da resiliência econômica e da competitividade europeia.

Redução de dependências externas está no centro do debate

A iniciativa surge em meio aos esforços da UE para diminuir a dependência de matérias-primas estratégicas importadas de países como a China, além de enfrentar riscos associados a tarifas comerciais, fragmentação dos mercados globais e impactos sobre crescimento econômico e investimentos.

“Diante de um cenário geopolítico cada vez mais imprevisível, a Europa precisa se tornar mais forte e mais resiliente. Manter o status quo não é uma opção”, escreveu Klingbeil na carta enviada aos ministros.

Agenda inclui euro, defesa e mercados de capitais

Segundo o documento, a reunião desta quarta-feira deve funcionar como um “pontapé inicial” para o novo formato de cooperação, com a previsão de um encontro presencial à margem da próxima reunião do Eurogrupo.

A proposta apresentada inclui quatro eixos principais:

  • avanço da união dos mercados de capitais;
  • fortalecimento do euro;
  • maior coordenação dos investimentos em defesa;
  • garantia de acesso a matérias-primas essenciais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Jana Rodenbusch

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Economia

Competição entre Mercosul e União Europeia impulsiona desenvolvimento, diz Ingo Plöger

A reunião-almoço que marcou o fim da programação empresarial de 2025 da Câmara de Indústria e Comércio Alemã-Brasileira no Rio Grande do Sul reuniu, em Porto Alegre, empresários e especialistas para discutir o acordo Mercosul–União Europeia e o papel geopolítico do Brasil em um cenário global mais volátil. O convidado principal foi o engenheiro e economista Ingo Plöger, presidente da Abag e do Ceal Brasil.

Origem das negociações e mudanças no cenário internacional

Plöger relembrou que as tratativas entre os dois blocos começaram no fim dos anos 1990, quando havia maior confiança no multilateralismo e na integração entre democracias. Na época, a União Europeia avançava como modelo de compartilhamento de soberania, enquanto o Mercosul buscava consolidar estrutura semelhante na América do Sul. Segundo ele, a intenção inicial era fortalecer “autonomias compartilhadas que promovessem paz e prosperidade”.

Competição entre os blocos é vista como motor de prosperidade

O economista destacou que um equívoco comum é tratar Mercosul e União Europeia como economias naturalmente complementares. Na avaliação de Plöger, ambos são blocos altamente competitivos — e isso deve ser entendido como um fator positivo. “Competição gera prosperidade”, afirmou, lembrando que a própria formação europeia nasceu da disputa entre polos industriais robustos.

Transformações da economia global dificultam avanços

O longo impasse nas negociações, que já dura mais de 20 anos, também decorre das profundas mudanças na economia mundial. Quando o diálogo começou, a indústria ocupava posição central. Hoje, mais de metade do PIB tanto do Mercosul quanto da UE está concentrado em serviços, setor complexo de regular e pouco contemplado nos instrumentos tradicionais de comércio internacional.

Novo tabuleiro geopolítico e as vantagens brasileiras

Plöger observou que as recentes mudanças geopolíticas — como o enfraquecimento do multilateralismo, a ascensão de acordos bilaterais e a força crescente de potências com modelos distintos das democracias liberais — remodelaram o comércio global. Nesse contexto, o mundo passou a operar em três frentes simultâneas: segurança internacional, segurança alimentar e segurança energética.

É nesse ambiente que o Brasil se destaca. Na segurança alimentar, o País lidera pela produção de proteínas animais sustentada por cadeias logísticas avançadas, o que pressiona sistemas de subsídios de economias desenvolvidas. No campo energético, o diferencial brasileiro está na matriz elétrica limpa e na expertise em biocombustíveis. “O Brasil domina tecnologias que o mundo vai demandar ainda mais”, resumiu.

Futuro do acordo e necessidade de olhar adiante

Ao comentar as perspectivas do acordo Mercosul–UE, Plöger avaliou que o debate não deve ficar preso a tarifas ou prazos de desgravação. Para ele, quando — e se — o tratado for concluído, será essencial evitar uma análise limitada ao passado.

FONTE: Jornal do Comércio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Lisa Ross/Divulgação/JC

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Comércio Exterior

Brasil busca fortalecer presença global no comércio exterior com nova estratégia integrada

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) apresentou um relatório que propõe uma estratégia integrada de comércio exterior para ampliar a presença do Brasil no cenário global. O documento reúne recomendações legislativas e administrativas com foco na modernização da política industrial, no fortalecimento da diplomacia econômica e na criação de um ambiente regulatório mais competitivo.

Trabalho conjunto entre Senado e ministérios

Elaborado pelo Grupo de Trabalho de Comércio Exterior, o relatório contou com apoio de consultores do Senado e especialistas dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Criado por iniciativa do presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o grupo iniciou as atividades em julho deste ano.

Segundo Trad, é a primeira vez que o Senado coordena uma iniciativa capaz de integrar, de forma estruturada, todos os elementos que compõem o ecossistema das relações internacionais. Ao longo do processo, foram realizadas 36 reuniões e incorporadas contribuições de entidades públicas e privadas, além de estudos de órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU).

Três eixos estratégicos para a competitividade

O documento está organizado em três pilares centrais:
Política comercial e industrial
Estratégia internacional e acordos comerciais
Logística e infraestrutura voltadas à competitividade

Para o senador, a inserção internacional do Brasil não deve ser tratada como uma pauta isolada, mas como parte de um projeto nacional que envolva abertura comercial gradual, reformas microeconômicas, modernização logística e estabilidade regulatória. Ele defende que essa agenda seja de Estado, e não apenas de governo.

Desafios estruturais e soluções propostas

O relatório destaca entraves que limitam a competitividade brasileira, como alta complexidade regulatória, custos logísticos elevados e dependência excessiva do transporte rodoviário. A proposta inclui mecanismos para tornar o ambiente regulatório mais previsível e transparente, reduzindo riscos e aumentando a segurança jurídica.

Também aponta que o Brasil tem potencial para liderar a economia verde, devido à capacidade de produção agrícola e às fontes de energia limpa. O desafio, segundo o grupo, é transformar esse potencial em estratégia de longo prazo para atrair investimentos e agregar valor a produtos sustentáveis.

Avanço nos acordos comerciais e ambiente multilateral

O Ministério das Relações Exteriores ressaltou que o trabalho colaborativo contribuiu para avanços importantes, como o acordo Mercosul–Singapura e o progresso nas negociações entre o Mercosul e a União Europeia. Para a pasta, trata-se de um exemplo de diálogo estruturado entre Executivo e Legislativo.

A secretária-adjunta de Comércio Exterior, Daniela Ferreira de Matos, destacou que o cenário global exige que o país esteja preparado para lidar com tensões geopolíticas, políticas unilaterais e desafios do sistema multilateral. Ela também citou o amadurecimento do Portal Único de Comércio Exterior, previsto para ser concluído em 2026, como medida que reduz custos e prazos para os exportadores.

Produtividade e barreiras internas

Consultores do Senado observaram que o Brasil enfrenta estagnação na produtividade desde a década de 1990, com exceção do agronegócio. Para superar essa limitação, apontam ações como harmonização regulatória, desoneração gradual de importações de serviços, melhor qualificação profissional e ampliação das exportações das micro e pequenas empresas. A redução de barreiras comerciais é vista como componente essencial para destravar o desenvolvimento.

Infraestrutura e matriz de transportes

O relatório também recebeu contribuições de 16 entidades ligadas ao setor de transportes. Entre as recomendações estão o aumento de investimentos públicos e privados em infraestrutura, aperfeiçoamento dos modelos de concessão, maior segurança jurídica e atualização das normas de licenciamento ambiental.

A nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025) simplifica procedimentos para atividades de baixo impacto e moderniza o sistema de licenças. Embora parte dos dispositivos tenha sido vetada pelo Executivo, o Congresso derrubou a maioria dos vetos, e o tema ainda pode ser questionado judicialmente no Supremo Tribunal Federal (STF).

FONTE: Destak Jornal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Saulo Cruz/Agência Senado

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Comércio Exterior

Tarifa de 40% dos EUA ameaça competitividade do café brasileiro, alerta Cecafé

A manutenção da tarifa de 40% imposta pelos Estados Unidos ao café brasileiro deixa o Brasil em desvantagem direta frente a concorrentes isentos desse custo, afirma Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé. A avaliação foi feita ao programa Mercado Aberto, do Canal UOL. Exportadores estão preocupados com a possibilidade de perda de espaço no mercado americano, historicamente um dos mais relevantes para o setor.

Safra menor amplia dificuldades
Com a previsão de uma safra nacional reduzida, o impacto das tarifas se agrava. Especialistas temem que torrefadoras e indústrias nos EUA passem a adotar novos blends e fornecedores, tornando a mudança permanente. Para Matos, ampliar a lista de produtos com isenção tarifária é mais viável do que tentar zerar temporariamente todas as tarifas.

Concorrência direta preocupa o setor
O diretor do Cecafé destacou que o problema não está apenas no valor da tarifa, mas na comparação com os concorrentes. Enquanto países competidores operam com tarifa zerada, o café brasileiro enfrenta o peso de 40%, o que amplia a distância em termos de competitividade. Segundo ele, esses países já avançam em contratos de curto, médio e longo prazo, além de fortalecer relações comerciais que podem se consolidar no futuro.

Matos alerta que consumidores estrangeiros podem se acostumar aos novos perfis sensoriais dos cafés importados de outros mercados, o que tornaria o prejuízo atual ainda maior — e até irreversível.

Mercado americano segue estratégico
Apesar da desaceleração das vendas causada pela safra menor, o Brasil ainda exporta para 120 países. Matos reforça, porém, que não é possível abrir mão do mercado americano, onde estão sediadas grandes empresas que atuam globalmente. Para ele, a prioridade das negociações bilaterais deve ser a defesa de produtos estratégicos, como o café.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

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