Comércio Exterior, Internacional, Mercado Internacional

Tarifaço de Trump: EUA preparam nova base legal para justificar tarifas de 50% ao Brasil, diz agência

Presidente norte-americano prepara uma nova declaração de emergência para servir como base para as taxas sobre produtos brasileiros. A informação foi divulgada pela Bloomberg News.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está preparando uma nova declaração de emergência para servir como base para as tarifas de 50% impostas sobre o Brasil, informou a Bloomberg News.

Segundo a agência, a medida ainda não é definitiva, mas seria necessária para justificar as altas taxas impostas sobre produtos brasileiros — principalmente porque a situação comercial do Brasil com os EUA foge do padrão visto nos demais países atingidos pelas tarifas recíprocas.

Isso porque enquanto as outras nações que foram alvos do tarifaço mantêm superávits comerciais com os EUA — ou seja, vendem mais produtos para o país do que compram dos norte-americanos —, o Brasil registra déficit desde 2009.

Segundo a agência de notícias, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA admitiu durante reuniões com membros do Congresso norte-americano nesta semana que haveria um plano para anunciar uma declaração de emergência separada.

O Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inlês) e a Casa Branca não responderam ao pedido de posicionamento feito pela Bloomberg.

De acordo com a agência, as preparações são um sinal de como o governo norte-americano busca uma autoridade legal para impor as ameaças tarifárias cada vez mais abrangentes de Trump — principalmente no que diz respeito ao Brasil.

No início deste mês, o republicano anunciou uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 1º de agosto. A medida veio como uma forma de apoio a Jair Bolsonaro (PL): Trump chegou a afirmar que o julgamento do ex-presidente era uma “caça às bruxas”.

Bolsonaro, que é réu por tentativa de golpe, passou a ser monitorado por uma tornozeleira eletrônica, após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A medida foi determinada após a fase inicial do processo, quando a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação do ex-presidente e apontou novas evidências de tentativa de atrapalhar o andamento da ação.

O presidente Lula (PT), por sua vez, não deu indícios de ceder às exigências dos Estados Unidos, tendo mais de uma vez reforçado a independência do Judiciário brasileiro e a soberania do país sobre seus assuntos internos.

Desde então, o governo indicou que mesmo após tentativas de conversas com os norte-americanos, as negociações do Brasil com Trump não tem tido sucesso. Nesta sexta-feira (25), uma comissão de senadores embarcou rumo aos EUA, em busca de abrir um canal de negociações por lá.

A ida da comissão, no entanto, é vista com apreensão por diplomatas brasileiros e, segundo o blog do Valdo Cruz, está sendo boicotada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo blogueiro Paulo Figueiredo.

Interlocutores do presidente Lula que estão em Nova York contaram ao blog que Trump não autorizou sua equipe abrir diálogo com o Brasil.

Além disso, Trump também pediu que o USTR iniciasse uma investigação contra o Brasil, com base na Seção 301, sobre supostos ataques contra empresas norte-americanas e mídia social.

Em documento oficial divulgado no início do mês, o representante do órgão chegou a afirmar que “tem documentado as práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas”, mas não apresenta evidências para sustentar as alegações.

A postura mais rígida de Trump com o Brasil tem gerado preocupações. Na quinta-feira (24), senadores democratas chegaram a enviar uma carta a Trump, contestando as tarifas impostas ao Brasil e acusando o republicano de “claro abuso de poder”.

Segundo os parlamentares, o republicano está usando “a economia norte-americana para interferir em favor de um amigo”.

“Escrevemos para expressar sérias preocupações sobre o claro abuso de poder presente em sua recente ameaça de iniciar uma guerra comercial com o Brasil. (…) Interferir no sistema legal de uma nação soberana estabelece um precedente perigoso, provoca uma guerra comercial desnecessária e coloca cidadãos e empresas americanas em risco de retaliação”, apontam.

Trump, no entanto, segue firme em sua decisão. Segundo o blog do Valdo Cruz, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, comentou com amigos que teve várias conversas nos EUA, onde está em missão na ONU, e ouviu que realmente Trump não está permitindo reabertura de negociações com o Brasil.

Segundo Vital do Rêgo comentou com interlocutores, há um clima de medo e apreensão nos EUA. Tudo estaria centralizado em Trump e ninguém tem coragem de desafiá-lo.

Fonte: G1


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Exportação

Na WEG, tarifas de Trump podem mudar rota de exportações — e dos preços

Após balanço mal recebido por investidores, executivos desenham estratégias para reduzir impacto de um possível ‘tarifaço’

A guerra tarifária foi um dos principais temas da teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre da WEG (WEGE3). A companhia tem exposição relevante no exterior, em especial o mercado americano, e avalia formas de mitigar os riscos de um “tarifaço”. No segundo trimestre, em específico, o impacto foi moderado, avaliam os executivos.

“O impacto não foi tão significativo, até porque houve algumas recomposições de preços para compensar essas tarifas”, afirmou André Salgueiro, diretor de relações com investidores da WEG. Geralmente, tarifas adicionais elevam os custos de produção da companhia.

No primeiro mandato de Donald Trump, entre 2017 e 2021, o foco das tarifas estava em produtos importados do México, onde a WEG também possui operações. Nesse segundo round, a companhia pretende se valer da flexibilidade da cadeia de exportação para mitigar riscos.

Realocar x reprecificar

Segundo Salgueiro, a WEG pode alocar rotas de exportação. Assim, os produtos do Brasil podem atender México e Índia, enquanto os americanos seriam abastecidos por outros mercados. Essa realocação, porém, depende de como os outros exportadores vão ser taxados pelos Estados Unidos. No cenário atual, o Brasil seria um dos mais impactados (caso os 50% permaneçam).

Os transformadores da WEG, produzidos no Brasil, atendem principalmente o mercado interno e a América Latina. Os Estados Unidos, por sua vez, dependem tanto da importação de produtos acabados quanto suprimentos. Um terço de motores elétricos importados pelos americanos vem do Brasil.

Resultados mais fracos que o esperado

O desempenho da WEG no segundo trimestre ficou abaixo das expectativas do mercado. A receita operacional líquida da companhia foi de R$ 10,2 bilhões, abaixo da previsão do Itaú BBA, que estimava R$ 10,9 bilhões.

A empresa atribuiu essa oscilação, principalmente, a uma desaceleração no ciclo de pedidos em equipamentos eletroeletrônicos industriais, devido à incerteza gerada pelas tarifas e questões geopolíticas. No entanto, a divisão de ciclo curto, que inclui equipamentos industriais, ainda mostrou um bom desempenho, com um crescimento significativo em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Outro fator negativo foi o desempenho do segmento de Geradores e Transformadores (GTD), que apresentou uma queda de 13,1% na receita do mercado interno, somando R$ 2,07 bilhões no segundo trimestre. No mercado externo, o crescimento foi de 1,6%, com receita de R$ 2,04 bilhões, mas ainda abaixo das expectativas do BTG Pactual, que projetava R$2,3 bilhões e R$ 2,2 bilhões, respectivamente.

A WEG atribui parte do desempenho mais fraco ao impacto de operações da Joint Venture na Índia e de turbinas a vapor na Europa, além da queda nas exportações do Brasil.

Após a divulgação do balanço, as ações da WEG estão sendo negociados nos menores preços do ano e caem, nesta quinta-feira, pelo segundo dia consecutivo.

Fonte: Exame

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Comércio Exterior

Venezuela ignora acordo e passa a taxar produtos do Brasil

País é o principal parceiro comercial de Roraima e agora cobra tarifa que varia de 15% a 77%. Autoridades brasileiras buscam esclarecimentos

Sem aviso prévio, a Venezuela começou a cobrar o imposto de importação sobre os produtos brasileiros que seriam isentos mediante apresentação do certificado de origem. Representantes de setores locais envolvidos na operação ainda apuram por que o País vizinho passou a fazer isso.

Desde 2014, Brasil e Venezuela têm um Acordo de Complementação Econômica que os impedem de cobrar, entre si, o imposto sobre quase todos os itens. Assim, apenas eventuais descumprimentos do termo ou decisões unilaterais retomariam a cobrança. No ano passado, a relação entre os países ficou estremecida após o presidente Lula (PT) não reconhecer a reeleição do ditador Nicolás Maduro.

O País de Maduro é o principal parceiro comercial de Roraima, consecutivamente, desde 2019. Em 2024, o Estado exportou, para a nação vizinha, 144,6 milhões de dólares em produtos (R$  799 milhões na atual cotação), especialmente farinha, cacau, margarina e cana de açúcar, todos com direito à isenção do imposto. Sem o acordo, a Venezuela cobra de 15% a 77% sobre cada item brasileiro.

O presidente da Câmara de Comércio Brasil-Venezuela, Eduardo Ostreicher, desconfia que a cobrança seja uma ordem do governo venezuelano em relação aos países do Mercosul ou um erro no sistema de cobrança. Assim, ele prepara uma carta à embaixada brasileira em Caracas com informações que já conseguiu possui sobre o assunto.

“Se for uma falha, precisamos aguardar a regularização do sistema. Se for determinação, será necessário conversar com as autoridades venezuelanas pra resolver a situação, porque ambos os governos perdem com isso”, disse.

A Federação das Indústrias do Estado de Roraima (Fier) iniciou apurações internas para identificar as dificuldades para a aceitação, pela Venezuela, dos certificados de origem de produtos brasileiros.

Em nota, a entidade também reforçou que está em contato direto com autoridades brasileiras e venezuelanas para cobrar esclarecimentos e soluções rápidas para normalizar o fluxo comercial bilateral.

A Fier ainda destacou que, até o momento, os processos de emissão e reconhecimento dos certificados seguem rigorosamente as normas da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) e o Acordo de Complementação Econômica firmado entre os dois países.

Responsável por emitir os certificados de origem, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmou que recebeu um relatório sobre dificuldades enfrentadas por exportadores brasileiros na Venezuela.

Assim, a pasta confirmou que a embaixada brasileira em Caracas já está em contato com autoridades venezuelanas para esclarecer a situação, enquanto o MDIC dialoga com representantes do setor produtivo para reunir informações mais desenvolvidas sobre os casos.

O Ministério das Relações Exteriores não enviou resposta sobre o assunto até a publicação da reportagem.

Fonte: Folha BV

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Comércio Exterior

Após recorde em abril, venda de carne bovina de Mato Grosso para os EUA cai 75%

Recuo é observado no comparativo de abril com junho; estado enviou para o país americano em maio 3.564 toneladas

As vendas de carne bovina de Mato Grosso para os Estados Unidos recuaram 75,3% em junho no comparativo com abril, mês em que os embarques registraram recorde para o país americano e dois meses após o primeiro anuncio de sobretaxa nas tarifas de produtos importados do Brasil. Segundo o Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), os impactos das taxações dos Estados Unidos são sentidos desde o primeiro momento da informação.

No mês de abril, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), 7.136 Toneladas em Equivalente Carcaça (TEC) de carne bovina mato-grossense tiveram os Estados Unidos como destino, maior quantidade comercializada para um mês em 2025. Os outros dois maiores registros ficam com março, com 6.202 toneladas, e janeiro com 4.549 mil toneladas.

Em maio, o estado enviou 3.564 toneladas de carne bovina, apresentando um recuo de aproximadamente 50,05% em relação a abril, um mês após o presidente Donald Trump anunciar uma sobretaxa de 10% para os produtos brasileiros.

No mês de junho a retração se acentuou ainda mais e foram embarcadas para os Estados Unidos 1.759 toneladas, levando o país a cair da segunda posição de maior importador de carne bovina mato-grossense dentro de um mês em abril para a sétima colocação em junho.

No dia 7 de julho, o presidente norte-americano iniciou o envio de cartas informando aos países as novas tarifas que a partir de 1º de agosto terão de pagá-las caso não firmassem um novo acordo comercial. Donald Trump definiu taxas mínimas sobre produtos importados, que variavam entre 20% e 50%, a depender do país. O Brasil recebeu a tarifa mais alta de 50%.

No acumulado do ano, os Estados Unidos são o segundo maior comprador de carne bovina de Mato Grosso, somando 26.549 toneladas, ficando atrás apenas da China, como já destacado pelo Canal Rural Mato Grosso, que soma 182,7 mil toneladas.

Impactos são imediatos, diz Sindifrigo-MT

De acordo com o presidente do Sindifrigo-MT, Paulo Bellincanta, os impactos das taxações dos Estados Unidos são sentidos desde o primeiro momento da informação.

“A exportação trabalha com 60, 90 dias na previsão de contratos, na elaboração de produtos e na logística para entrega desses produtos. Então, algo que venha tão rápido quanto veio essa notícia que a partir do primeiro de agosto ocorreria a cobrança de tarifas, imediatamente os impactos já se fizeram presentes”.

Ele ressalta ainda que hoje o mercado vive “num compasso de espera”, onde a indústria temerosa recua, assim como os compradores.

“Há um compasso de espera, onde se prevê muitas coisas, no qual se falam muitas coisas, porém nada é concreto. Você precisa que as coisas comecem a acontecer para você dimensionar melhor”, salienta.

Ainda de acordo com o presidente do Sindifrigo-MT, no que diz respeito aos preços do mercado interno há uma soma de fatores em que se pode prever “até um régulo de preço”.

“Mas, eu diria muito mais afetado pela oferta e procura do que pela questão específica é individual Estados Unidos. Você tem um momento em que o Brasil passa a ter uma oferta de gado muito maior, há uma oferta em todos os aspectos de produção, de produtos e consequentemente você pode prever um desaquecimento de preços e até uma diminuição deles”.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Comércio, Comércio Exterior

Brasil busca ampliar comércio com México e Canadá após tarifaço imposto por Trump

Diante da iminente entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, o governo federal prepara uma reorientação estratégica nas relações comerciais com os países da América do Norte. A partir de 1º de agosto, a sobretaxa deve atingir setores importantes da pauta de exportações nacionais, levando o Brasil a intensificar as negociações com Canadá e México como alternativa para mitigar as perdas no mercado norte-americano.

Segundo o jornal O Globo, a movimentação já começou. O governo brasileiro articula, para setembro, uma proposta de retomada das negociações do acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá. Antes disso, em agosto, Brasília receberá a visita do ministro do Comércio canadense, Maninder Sidhu, com expectativa de avanços concretos. Paralelamente, o país busca expandir os termos do acordo comercial já existente com o México.

Em contato telefônico realizado na noite de quarta-feira (23), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Claudia Sheinbaum concordaram com uma visita oficial do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) à Cidade do México nos dias 27 e 28 de agosto. A missão contará também com a presença de ministros e empresários brasileiros, e tem como objetivo estreitar as relações comerciais em áreas estratégicas.

Acordos com potencial em setores-chave – No caso canadense, apesar da dependência do mercado dos EUA — que absorve 50% do aço, 46% do cobre e 90% do alumínio produzidos no país — há interesse em diversificar parceiros comerciais. A principal barreira para a conclusão do acordo é o setor agrícola, devido aos altos subsídios concedidos pelo governo canadense. No entanto, há otimismo quanto a possíveis parcerias nos segmentos de energia nuclear, aeronáutica e semicondutores.

Com o México, a ampliação do pacto vigente poderá abranger setores como o aeroespacial, farmacêutico, de energia e agricultura. Assim como o Canadá, os mexicanos têm nos EUA seu maior mercado de exportação — cerca de 80% do total —, o que exige do Brasil negociações que agreguem valor e atratividade para os dois lados.

Dados comerciais reforçam urgência – Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que, em 2023, o Brasil exportou US$ 54,5 bilhões para a América do Norte, com importações de US$ 49,2 bilhões, o que gerou um superávit de US$ 5,4 bilhões. Os principais produtos vendidos foram siderúrgicos, petróleo, aeronaves, café, carne bovina e equipamentos de construção civil.

O déficit com os Estados Unidos somou US$ 284 milhões, puxado por compras de aeronaves, motores, máquinas e combustíveis. Entre os produtos exportados aos EUA estão aço, café, celulose, petróleo e aviões.

Já com o Canadá, o Brasil obteve superávit de US$ 273 milhões. As exportações foram lideradas por ouro, alumínio e açúcar, enquanto fertilizantes, adubos e motores figuraram entre os principais produtos importados.

No comércio com o México, o Brasil registrou superávit de US$ 132 milhões. Os principais itens vendidos foram carne bovina, soja e automóveis.

Além dos vizinhos dos EUA, o Brasil quer aproveitar a presidência temporária do Mercosul no segundo semestre para fomentar avanços com países da Ásia, como Japão, Vietnã e Indonésia. A diversificação de parcerias internacionais é vista como uma resposta urgente às novas restrições impostas pelo governo Trump, que deve impactar setores estratégicos da economia brasileira.

Fonte: Brasil 247

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Exportação

Exportações brasileiras de frango mantêm receita no 1º semestre de 2025, mesmo com foco de gripe aviária

Mesmo com registros de gripe aviária, setor avícola mantém desempenho positivo e garante estabilidade nas vendas externa

Apesar do registro de gripe aviária no Rio Grande do Sul, as exportações brasileiras de carne de frango para os países árabes mantiveram estabilidade no primeiro semestre de 2025. Segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, as vendas somaram US$ 1,75 bilhão, um leve recuo de 0,53% em relação ao mesmo período de 2024.

Gripe aviária afeta crescimento, mas não paralisa embarques

O foco de gripe aviária registrado em maio, no Rio Grande do Sul, interrompeu o crescimento das exportações que vinham acumulando avanço de cerca de 10% nos primeiros quatro meses do ano. Mesmo assim, os embarques para os países árabes se mantiveram estáveis, graças à confiança dos importadores e aos contratos de longo prazo firmados com os frigoríficos brasileiros.

“Acreditamos que a confiança entre os frigoríficos brasileiros e seus parceiros árabes foi fundamental para a continuidade das vendas. O Brasil tem credibilidade internacional por seus rígidos padrões sanitários, o que facilita a retomada mesmo após episódios como o foco no RS”, afirma Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira.

Novo foco no Ceará não preocupa o setor

Um novo foco de gripe aviária foi registrado recentemente em uma criação de subsistência no município de Quixeramobim (CE), mas não deve causar impactos imediatos nas exportações ao mundo árabe. A maioria das granjas que abastecem esse mercado está localizada na Região Sul do Brasil, distante do foco.

Atualmente, apenas Arábia Saudita e Omã mantêm restrições ao frango proveniente do Rio Grande do Sul. O Catar impõe limites específicos à produção da cidade de Montenegro, local do foco anterior. Mourad também informou que a Câmara está em contato com as 17 representações diplomáticas árabes no Brasil e com governos do bloco, repassando informações oficiais sobre a situação no Ceará.

Exportações gerais recuam, mas perspectivas seguem positivas

Embora o setor de frango tenha mantido a receita estável, o total das exportações brasileiras para os países árabes recuou 16,93% no primeiro semestre de 2025, somando US$ 9,22 bilhões. Apesar do cenário de queda, Mourad se mostra otimista quanto aos próximos meses do ano.

O secretário destaca sinais de aquecimento nas principais economias árabes, com aumento na demanda por produtos brasileiros usados na indústria de transformação, como café, celulose, animais vivos e obras de ferro fundido. “O consumo nos países árabes segue firme. Podemos não repetir os números de 2024, mas esperamos resultados comerciais expressivos e um superávit robusto nas relações com o bloco”, conclui Mourad.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Comércio Exterior

Lula diz que Brasil está disposto a negociar com Trump sobre tarifas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o Brasil está aberto a negociar com os Estados Unidos sobre a tarifa de importação de 50% imposta a produtos brasileiros, caso o presidente norte-americano Donald Trump queira conversar.

Ao bater novamente na tecla da soberania nacional e do respeito às questões internas do Brasil, durante um evento em Minas Gerais, Lula afirmou que irá defender os interesses dos empresários e dos bancos brasileiros.

O presidente aproveitou para ressaltar que o Brasil cultiva a tradição de ser um bom negociador “com o mundo inteiro”, mas “sobretudo com quem quer conversar”.

Trump anunciou em carta ao governo brasileiro a imposição de tarifa de 50% sobre os produtos do Brasil, apesar de o país ter déficit comercial com os EUA. No texto, Trump afirmou que as tarifas seriam impostas, entre outros motivos, pelo que ele classificou como perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, processado por envolvimento em tentativa de golpe de Estado após sua derrota eleitoral em 2022.

Fonte: Reuters

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Comércio Exterior

Setores ligados a gigantes dos EUA tentam destravar negociação de tarifas sobre o Brasil

Importadores e distribuidores de café e suco de laranja e grupos das áreas petrolífera, energética, farmacêutica e aérea buscam interlocutores

Setores ligados a empresas gigantes dos Estados Unidos estão atentos à ameaça das sobretaxas de 50% sobre produtos importados do Brasil anunciada por Donald Trump e têm buscado interlocutores do Brasil para tentar evitar as tarifas.

As sobretaxas estão previstas para serem implementadas em 1º de agosto. Além de empresas que importam e distribuem café e suco de laranja —que são obtidos em peso do Brasil—, companhias das áreas petrolífera, energética, farmacêutica e aérea também têm demonstrado preocupação com o impacto que esses tributos podem ter.

Como mostrou a Folha, o governo brasileiro trata a mobilização do empresariado americano como importante para tentar convencer consumidores e autoridades dos EUA do impacto que as tarifas podem ter. Isso ajudaria a pressionar o governo americano por uma negociação em torno das tarifas. Por ora, empresários têm se movimentado com cautela para evitar exposição e eventual retaliação do governo.

A Câmara do Comércio americana, maior associação empresarial do país, foi uma das que trataram publicamente do tema. Em nota divulgada semana passada, fizeram um apelo pela negociação em torno das sobretaxas para evitar sua implementação em 1º de agosto. O órgão diz que 6.500 pequenas empresas seriam impactadas nos EUA.

“A tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores norte-americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos”, afirmou a câmara, em nota divulgada com a Amcham (Câmara Americana de Comércio no Brasil).

Em carta endereçada ao presidente Lula (PT), o presidente Donald Trump vinculou a implementação das tarifas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também reclamou do diz serem centenas de ordens judiciais que visam censurar a liberdade de expressão de americanos e suas empresas.

O governo brasileiro tenta levar a negociação para o campo comercial, o único em que vê possibilidades de ceder. Integrantes do Judiciário têm sido categóricos ao dizer que não vão recuar no julgamento de Bolsonaro. E Lula classificou a carta como tentativa de interferência e ataque à soberania do Brasil.

Por ora, os campos formais de negociação estão suspensos. Isso porque somente a Casa Branca dará a orientação sobre a negociação e isso ainda não ocorreu. O governo do Brasil enviou uma carta pedindo a negociação e não teve resposta —e segue sem previsão de ter.

Nesta semana, as empresas Johanna Foods e Johanna Beverages, que importam e distribuem suco de laranja, recorreram ao Tribunal de Comércio Internacional, em Nova York, para que declare nula a aplicação das tarifas de Trump.

As companhias alegam que o presidente americano excedeu seus poderes de implementar tarifas sem o aval do Congresso ao vincular as tarifas a uma questão política —que não justificaria uma emergência econômica.

O Brasil representa de 65% a 70% das importações de suco de laranja totais dos EUA. O país também é o maior fornecedor individual de café, com importações que variam de 20% e 30%, a depender das safras. Responde ainda por 12% da oferta de açúcar de cana e por 9% da carne bovina.

Está entre os cinco maiores fornecedores de aeronaves e suas peças, representado especialmente pela Embraer, o que justifica a preocupação do setor aéreo. Em sexto lugar no ranking de exportações do Brasil aos EUA estão os produtos químicos, que servem de insumo para a produção de medicamentos. O Brasil também responde por cerca de 5% a 6% das importações americanas de petróleo bruto.

Como mostrou a Folha, para fazer a troca seria necessário promover adaptações que, com certeza, vão elevar o preçoRepresentante das grandes petroleiras com atividade no país, incluindo as americanas ExxonMobil e Chevron, o IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás) disse ver com preocupação a chance de implementação da sobretaxa.

Em nota divulgada poucos dias após o anúncio de Trump, o instituto disse que a medida traz incertezas para o setor de petróleo e gás, que responde hoje por 17% do PIB industrial brasileiro e 1,6 milhão de empregos diretos e indiretos no país. E ressalta que o petróleo foi o principal produto da pauta de exportações brasileira em 2024.

Fonte: Folha de São Paulo

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Comércio, Comércio Exterior

Brasil aciona OMC contra tarifas dos EUA

Governo busca apoio internacional para evitar tarifação de produtos brasileiros

O Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) em resposta à decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. O governo brasileiro considera essa medida uma interferência em seus assuntos internos. A ação brasileira recebeu apoio de mais de 40 países.

Para evitar a implementação das tarifas, o governo brasileiro está focando em negociações diplomáticas e minimizando críticas públicas aos Estados Unidos, buscando criar um ambiente propício para um diálogo formal entre os dois países.

Fonte: R7

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Comércio, Comércio Exterior, Portos

Novo recorde na movimentação de contêineres no Porto de Santos

Volume total movimentado no primeiro semestre foi de 88,3 milhões de toneladas, um aumento de 7,8%

O Porto de Santos alcançou um novo recorde histórico na movimentação de contêineres no primeiro semestre de 2025. Ao todo, foram movimentados 2,8 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), o que representa um crescimento de 7,8% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registrados 2,6 milhões de TEUs. Além do desempenho expressivo, o Porto também ampliou sua participação na corrente comercial brasileira, atingindo 29,9% em junho, o maior percentual dos últimos quatro anos. Na sequência, aparecem o Porto de Paranaguá (7,7%), o Porto de Itaguaí (5%) e o Aeroporto de Guarulhos.

O volume total movimentado no primeiro semestre foi de 88,3 milhões de toneladas, desempenho próximo ao recorde histórico de 89,1 milhões registrado em 2022. O resultado representa o segundo melhor da história do Porto de Santos. No detalhamento por tipo de operação, os desembarques alcançaram 22,84 milhões de toneladas, com crescimento de 1,2% em relação ao mesmo período de 2024. Já os embarques somaram 65,49 milhões de toneladas.

O mês de junho também registrou recorde mensal de contêineres: 511,2 mil TEUs, alta de 16,3% em relação ao mesmo mês de 2024. No total, foram movimentadas 16,04 milhões de toneladas, sendo o segundo melhor resultado para o mês. O fluxo de importações e cabotagem cresceu 3%, com 4,19 milhões de toneladas, enquanto os embarques somaram 11,84 milhões.

A soja (grãos e farelo) é a principal carga movimentada no porto, com 29,61 milhões de toneladas, alta de 2,6%. Em seguida, aparecem o açúcar (8,83 milhões) e a celulose, que vem crescendo de forma consistente (4,71 milhões, com um aumento de 21,4%).

Fonte: Modais em Foco

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