Comércio Exterior

Exportações para os EUA caem 38% em outubro após tarifaço, mas saldo comercial do Brasil segue positivo

As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 38% em outubro, totalizando US$ 2,21 bilhões, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No mesmo período, as importações de produtos norte-americanos cresceram 9,6%, alcançando US$ 3,97 bilhões.

Com isso, o Brasil registrou déficit comercial de US$ 1,76 bilhão com os EUA, o décimo mês consecutivo em que o país compra mais do que vende para o parceiro americano. O último superávit ocorreu em dezembro do ano passado, no valor de US$ 468 milhões.

Déficit acumulado supera US$ 7 bilhões no ano

Entre janeiro e outubro, o déficit comercial com os Estados Unidos ultrapassou US$ 7 bilhões, o que representa alta superior a 400% em relação ao mesmo período de 2024, quando somava US$ 1,38 bilhão.

Os dados do MDIC mostram ainda que, nos últimos 16 anos, o Brasil acumula déficits sucessivos com os EUA, totalizando US$ 88,6 bilhões desde 2009.

Superávit com outros parceiros mantém balança positiva

Apesar da queda nas exportações para os Estados Unidos, o Brasil ampliou as vendas para outros mercados importantes, como:

  • China (+33,4%)
  • União Europeia (+7,6%)
  • Mercosul (+14,3%)

Esses resultados garantiram um superávit de US$ 6,96 bilhões na balança comercial de outubro, crescimento de 70% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O desempenho foi o melhor para o período desde 2023, quando o saldo foi de US$ 9,18 bilhões.

As exportações totais atingiram US$ 31,97 bilhões, alta de 9,1%, enquanto as importações recuaram 0,8%, somando US$ 25 bilhões. No acumulado do ano, o superávit comercial brasileiro chega a US$ 52,4 bilhões, embora ainda 16,6% abaixo do resultado de 2024.

Tarifaço de Trump pressiona comércio bilateral

A queda nas exportações ocorre após o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elevou as tarifas de importação de produtos brasileiros em até 50%, afetando cerca de 36% das vendas externas ao país.

O aumento das tarifas, implementado de forma gradual desde agosto, foi justificado por motivos econômicos e políticos, incluindo alegações de “déficit comercial com o Brasil” e críticas ao processo judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para reduzir os impactos, o governo brasileiro lançou um pacote de apoio às empresas afetadas, com linha de crédito de R$ 30 bilhões condicionada à manutenção de empregos.

Negociações entre Lula e Trump seguem em curso

No fim de outubro, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reuniram para discutir o tema. Apesar do diálogo, as sobretaxas americanas continuam em vigor, e ainda não há previsão de revisão das medidas.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Sandro Menezes/Governo do RN

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Portos

Porto de Salvador vai dobrar capacidade com investimento de R$ 848 milhões do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 848 milhões para a expansão e modernização do Terminal de Contêineres do Porto de Salvador, operado pela Tecon Salvador, subsidiária da Wilson Sons. Os recursos virão do Fundo da Marinha Mercante (FMM), vinculado ao Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).

O projeto, autorizado durante a 56ª reunião do Conselho Diretor do FMM, permitirá ampliar o pátio de armazenagem, adquirir novos equipamentos portuários e implementar obras de infraestrutura e tecnologia. Com isso, o terminal deve dobrar sua capacidade de movimentação, passando de 553 mil para mais de 1 milhão de TEUs por ano (unidades equivalentes a contêineres de 20 pés).

Impacto econômico e logístico

Com as melhorias, o Porto de Salvador se consolida como um dos principais terminais de contêineres do Nordeste, fortalecendo a logística portuária brasileira e impulsionando a geração de empregos e renda na Bahia. O número de movimentos de carga no cais também deve crescer significativamente, de 70 para mais de 100 contêineres por hora.

“A expansão do terminal de Salvador ajudará a reduzir gargalos logísticos e a integrar economicamente as regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Norte, conectando Estados como Bahia, Minas Gerais, Goiás e Tocantins aos mercados internacionais”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Papel estratégico do governo federal

O empreendimento reforça o papel do governo federal na modernização da infraestrutura portuária, associando desenvolvimento regional e sustentabilidade ambiental. A iniciativa integra as políticas coordenadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos, voltadas à expansão do transporte aquaviário e ao fortalecimento da competitividade brasileira no comércio exterior.

Fundo da Marinha Mercante

O Fundo da Marinha Mercante (FMM) é administrado pelo MPor e operado por bancos públicos como o BNDES. O fundo financia construção, modernização e ampliação de embarcações, estaleiros e terminais portuários, promovendo a inovação e o crescimento do setor naval no país.

Em 2024, o Tecon Salvador foi priorizado pelo Conselho Diretor do FMM, o que garantiu o direito de solicitar o crédito ao BNDES. Após análise técnica e financeira, o banco aprovou a operação em 2025, dando início à execução efetiva do projeto.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Vosmar Rosa/MPor

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Portos

Governo fecha acordo de R$ 1,5 bilhão com grupo chinês para ampliar Porto de Paranaguá

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou um acordo de investimento de R$ 1,5 bilhão com o grupo chinês CMPort para a expansão do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), no Paraná. O compromisso foi firmado nesta quarta-feira (5), em Xangai, durante uma reunião entre o secretário Nacional de Portos, Alex Avila, e o CEO da CMPort, Xu Song.

A CMPort é uma das maiores companhias do setor portuário mundial, com presença em 52 portos de 26 países. O investimento será aplicado nos próximos anos, com foco em aumentar a capacidade de armazenagem e movimentação de cargas do terminal paranaense.

“Com os novos aportes, o Terminal de Contêineres de Paranaguá se consolidará como um dos mais relevantes do Brasil”, afirmou Alex Avila.

O executivo chinês Xu Song destacou o interesse do grupo em ampliar os investimentos no Brasil, reforçando a confiança na parceria entre os dois países.

Missão oficial na China

A assinatura do acordo encerrou uma agenda de três dias do secretário Alex Avila na China. Além da negociação, a missão teve como objetivo aprofundar o conhecimento sobre a tecnologia e a logística portuária chinesa, considerada uma das mais avançadas do mundo.

Visita ao Porto Seco de Shenzhen

Durante a visita, a comitiva conheceu o Porto Seco de Shenzhen, uma área logística da CMPort com mais de 420 mil metros quadrados. O espaço funciona como base de apoio para o armazenamento, transporte e exportação de produtos, integrando diversos serviços como gestão de cadeia de suprimentos, transporte rodoviário, serviços aduaneiros e soluções inteligentes.

“Pudemos compreender como a logística chinesa se organiza para receber e distribuir mercadorias globalmente”, explicou o secretário.

Porto de Xangai: referência mundial

A delegação também visitou o Porto de Xangai, reconhecido como o maior porto do mundo em movimentação de contêineres. Há 14 anos consecutivos, ele lidera o ranking global e exerce papel estratégico no comércio internacional, influenciando custos de frete e cadeias de suprimentos.

Em 2023, o porto movimentou mais de 51 milhões de TEUs (unidades equivalentes a contêineres de 20 pés) e deve superar 50 milhões novamente em 2024 — volume superior à soma de todos os portos dos Estados Unidos.

“Observamos operações quase totalmente automatizadas, sem operadores ou caminhões no pátio”, relatou Avila.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Comércio Exterior

China retoma importações de frango do Brasil após suspensão por gripe aviária

A China suspendeu a proibição de importações de produtos do Brasil relacionada ao recente surto de gripe aviária, informou nesta sexta-feira (7) a Administração Geral de Alfândegas chinesa. O anúncio marca a retomada do comércio entre os dois países, embora ainda não tenha sido detalhado quais produtos estão incluídos na liberação.

Contexto da suspensão

A medida havia sido imposta em 16 de maio, depois que o Brasil registrou seu primeiro e único caso de gripe aviária em uma granja comercial de Montenegro (RS). A suspensão afetou especialmente o mercado de frango brasileiro, já que a China é o principal destino das exportações do produto.

Brasil livre de gripe aviária

O Ministério da Agricultura declarou o Brasil livre da gripe aviária em 18 de junho, após 28 dias sem novos registros da doença em granjas comerciais. O prazo começou a ser contado em 22 de maio, quando foi concluída a desinfecção da granja gaúcha onde ocorreu o foco. O governo brasileiro notificou oficialmente a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e os países importadores sobre o novo status sanitário.

Importância do mercado chinês

O Brasil é o maior exportador de frango do mundo, com embarques para 151 países. Somente em 2024, a China importou mais de 560 mil toneladas do produto brasileiro. Em setembro, uma comitiva chinesa esteve no país para realizar auditorias e verificar a segurança sanitária antes da liberação.

Produção e consumo nacional

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras vêm crescendo desde 2018, quando somaram 4,1 milhões de toneladas. Apesar do destaque internacional, cerca de 64,6% da produção nacional é consumida internamente — o que equivale a 45 kg de frango por habitante ao ano.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Rede Globo

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Exportação

Brasil retoma sistema de pre-listing com a União Europeia e amplia exportações de ovos

O Brasil deu um passo importante nas relações comerciais com a União Europeia. Durante a 23ª Conferência de Ministros da Agricultura das Américas, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, anunciou que o bloco europeu aprovou a retomada do sistema de pre-listing para exportação de ovos brasileiros.

O que muda com o pre-listing

Com a confirmação, todos os estabelecimentos brasileiros produtores de ovos que cumprirem as exigências sanitárias poderão ser habilitados para exportar diretamente à União Europeia, mediante indicação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O pre-listing é o mecanismo que permite ao Mapa certificar e indicar empresas aptas a exportar, sem depender de auditorias prévias da União Europeia em cada estabelecimento.

Novas oportunidades para o setor de pescados

Além da retomada do sistema para ovos, as autoridades europeias também manifestaram interesse em auditar o sistema brasileiro de pescados em 2026. Segundo Fávaro, essa auditoria representa mais um avanço para a abertura do mercado europeu aos produtos pesqueiros do Brasil.
“Outra boa notícia é a confirmação de auditoria para pescados no começo do ano que vem, que poderá abrir o mercado brasileiro na Europa”, afirmou o ministro.

Próximos passos nas negociações comerciais

As tratativas avançam também para outros segmentos. No fim de outubro, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa se reuniu, em São Paulo, com o comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, para discutir a retomada do pre-listing das carnes de aves. A expectativa é que a medida seja oficializada dentro de um mês, juntamente com o sistema aplicado aos ovos.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Especialista, O ESPECIALISTA

O ESPECIALISTA: DAISE SANTOS

O Portal Único de Comércio Exterior pode gerar uma economia anual de até R$ 52 bilhões para o Brasil, segundo estudo da CNI. Essa transformação digital promete ganhos expressivos de produtividade, redução de custos e maior competitividade internacional.

Os impactos econômicos do Portal Único de Comércio Exterior: uma revolução silenciosa no comércio internacional brasileiro

O comércio exterior brasileiro está passando por uma transformação profunda com a implementação do Portal Único de Comércio Exterior, uma iniciativa que visa integrar, simplificar e digitalizar os processos de importação e exportação no país. Segundo o estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os impactos econômicos dessa mudança são significativos e podem reposicionar o Brasil no cenário global.

Eficiência aduaneira e redução de custos

O estudo da CNI estima que o Portal Único pode gerar uma economia de até R$ 52 bilhões por ano para o Brasil. Esse valor é dividido entre R$ 36,6 bilhões em importações e R$ 15,4 bilhões em exportações, refletindo ganhos diretos com a redução de tempo, burocracia e custos operacionais.

A digitalização dos processos permite uma redução de até 90% no tempo de liberação de mercadorias importadas e 25% nas exportações, o que representa um salto de eficiência para empresas que dependem de agilidade logística para competir internacionalmente.

Integração entre órgãos e transparência

O Portal Único conecta mais de 80 órgãos e entidades públicas em um sistema único, transparente e acessível. Essa integração elimina redundâncias, facilita o cumprimento de exigências legais e melhora a previsibilidade das operações. Para o setor produtivo, isso significa menos tempo parado em alfândegas e menos gastos com armazenagem e transporte.

Impacto por modal de transporte

O estudo também detalha os efeitos por tipo de transporte. No modal marítimo, por exemplo, a redução do tempo de comércio é especialmente relevante para setores que dependem de insumos estrangeiros, como a indústria química e de transformação. Já no transporte aéreo, os ganhos são sentidos em segmentos de alto valor agregado, como tecnologia e farmacêuticos.

Competitividade e atração de investimentos

Ao reduzir o chamado “custo Brasil”, o Portal Único torna o país mais atrativo para investimentos estrangeiros. Empresas multinacionais tendem a priorizar mercados com processos aduaneiros eficientes, e o Brasil, historicamente visto como burocrático, começa a mudar essa percepção.

Além disso, a iniciativa está alinhada com os compromissos do Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), reforçando a imagem do país como parceiro confiável no comércio internacional.

Conclusão: uma mudança estrutural

Mais do que uma ferramenta tecnológica, o Portal Único representa uma mudança estrutural na forma como o Brasil se relaciona com o comércio exterior. Os ganhos econômicos projetados pela CNI mostram que a digitalização e a simplificação dos processos não são apenas desejáveis, mas essenciais para o crescimento sustentável da economia brasileira.

Empresas, governos e operadores logísticos devem se preparar para essa nova realidade, aproveitando os benefícios e contribuindo para o aperfeiçoamento contínuo do sistema.

Para acessar o estudo completo da CNI, visite este link.

Daise Santos é diretora na DS COMEX, empresa especializada em soluções estratégicas para o comércio internacional e colaboradora do ReConecta News. Formada em Comércio Exterior e com MBA em Global Trade, combinando prática sólida com visão estratégica internacional. Com 20 anos de experiência em Comércio Exterior, atuando nas áreas de importação, exportação, órgãos anuentes, Novo Processo de Importação, catálogo de produtos dentre outros. E também participa como vice coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior da Associação Empresarial de Itajaí (ACII), onde contribui para o fortalecimento e modernização do setor na região.

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Exportação

Tarifas dos EUA sobre alumínio ampliam concorrência e mudam rotas de exportação, diz CBA

O presidente da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Luciano Alves, afirmou que as tarifas de 50% aplicadas pelos Estados Unidos sobre o alumínio brasileiro alteraram o equilíbrio global entre oferta e demanda, forçando empresas a redirecionar exportações e acirrando a disputa por mercados internacionais.

Impacto das tarifas no comércio global

Segundo Alves, a redução nas vendas para o mercado norte-americano levou produtores brasileiros a buscar alternativas em outros destinos estratégicos, como Europa e América Latina. Essa movimentação, explicou ele, tem aumentado a competitividade nesses mercados, que agora recebem parte do alumínio antes destinado aos EUA.

“É natural observar uma queda no volume exportado para os Estados Unidos. As empresas estão procurando espaço nos mesmos mercados, especialmente Europa e América Latina, o que eleva a concorrência e afeta nossa atuação nessas regiões”, disse o executivo ao Valor.

Alves também destacou que o mercado americano tem compensado a redução de importações com a compra de sucata, enquanto a CBA ajusta sua produção para atender novos destinos e fortalecer a presença no mercado interno.

Estratégia da CBA diante do novo cenário

Com a nova configuração comercial, marcada por incertezas e maior competição global, a CBA tem concentrado a produção no Brasil, destinando cerca de 12% ao mercado externo, principalmente em lingotes de alumínio enviados à Europa.

O executivo explicou que essa antecipação está ligada à chegada do CBAM (Carbon Border Adjustment Mechanism), mecanismo europeu que, a partir de 2026, vai cobrar tarifas baseadas nas emissões de carbono de produtos importados.

“Os clientes europeus já estão se preparando para essa transição regulatória, antecipando suas compras”, observou Alves.

Desafios para exportadoras brasileiras

As declarações do presidente da CBA evidenciam os desafios enfrentados pelas exportadoras brasileiras diante de novas barreiras comerciais e ambientais impostas por grandes economias. A adaptação a normas mais rígidas de sustentabilidade e a diversificação de mercados se tornaram, segundo ele, estratégias essenciais para manter a competitividade do setor.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Daniel Wainstein/Valor

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Industria

Indústria catarinense busca ampliar exportações em missão empresarial na Argentina

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) lidera, nos dias 10 e 11 de novembro, uma missão empresarial à Argentina com foco em fortalecer o comércio exterior e abrir novas oportunidades de exportação. O evento, realizado em Buenos Aires, reunirá 23 indústrias catarinenses no Encontro de Negócios BR/SC, sendo 10 delas micro e pequenas empresas apoiadas pelo SEBRAE/SC.

Expansão do setor moveleiro e novos mercados

De acordo com o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a iniciativa busca consolidar a imagem da indústria catarinense e ampliar a presença de produtos do setor moveleiro no mercado argentino.

“É um esforço concreto para fomentar novos mercados e diversificar os destinos das nossas exportações”, destacou Seleme.

A missão tem como meta gerar novos negócios internacionais, fortalecendo as relações entre empresas de Santa Catarina e compradores argentinos.

Encontros institucionais e rodada de negócios

A programação inclui uma agenda institucional com a presença do Embaixador do Brasil na Argentina, Julio Glintenick Bitelli, e de representantes da União Industrial Argentina (UIA) e da Confederação Argentina da Média Empresa (CAME).
Durante o encontro, o governador Jorginho Mello apresentará os diferenciais competitivos de Santa Catarina, a convite da FIESC.

O evento também contará com uma rodada de negócios, que busca aproximar empresários catarinenses de potenciais clientes e parceiros argentinos. As reuniões estão sendo organizadas de acordo com o perfil e os objetivos de cada indústria exportadora, com foco em intensificar as relações comerciais bilaterais.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Turismo de Buenos Aires

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Exportação

A recuperação da Argentina impulsiona exportações e turismo do Brasil

A recuperação econômica da Argentina trouxe um impulso à economia brasileira neste ano, com um aumento expressivo nas exportações de bens e um salto no turismo argentino. No primeiro semestre de 2025, as exportações brasileiras para a Argentina atingiram o equivalente a 0,8% do PIB do Brasil, ante 0,5% no mesmo período de 2024.

Dados do governo brasileiro mostram que esse crescimento continuou no terceiro trimestre. De julho a setembro, as exportações para a Argentina subiram 34,6%, em comparação com um aumento de 4,7% nas exportações totais do Brasil.

Francisco Pessoa Faria, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), calculou que o turismo argentino no Brasil acrescentou o equivalente a 0,2% do PIB brasileiro no primeiro semestre do ano, ante 0,08% no mesmo período do ano passado.

No total, as exportações de serviços para a Argentina cresceram de 0,12% do PIB no início de 2024 para 0,25% no primeiro semestre de 2025, segundo dados da agência de estatísticas oficial da Argentina, o INDEC.

Gastos com viagens quase dobram

De janeiro a junho, o Brasil exportou US$ 2,69 bilhões em serviços para a Argentina — o dobro dos US$ 1,33 bilhão do mesmo período de 2024. O principal motor foi o gasto de turistas argentinos no Brasil, que totalizou US$ 2,14 bilhões, ante US$ 918 milhões um ano antes.

Em contrapartida, as importações brasileiras de serviços caíram 11,9% em 2025, para US$ 869,7 milhões. Isso resultou em um superávit de US$ 1,82 bilhão na balança de serviços do Brasil, muito superior aos US$ 337,3 milhões registrados no primeiro semestre de 2024.

Economistas afirmam que essa retomada tem sido positiva para o Brasil, embora haja incerteza sobre sua duração. Apesar de um swap cambial de US$ 20 bilhões para apoiar a Argentina e dos bons resultados nas eleições de meio de mandato de 26 de outubro, o presidente Javier Milei deve implementar medidas que podem pesar sobre a economia argentina.

O impulso econômico sob Milei tem aumentado a demanda por produtos brasileiros, afirmou Gustavo Pérego, sócio da consultoria argentina Abeceb. “No ano passado, a Argentina passou por um processo de reestruturação econômica. Houve uma forte queda na primeira metade do ano, seguida de recuperação na segunda.”

Vendas de automóveis impulsionam superávit comercial

Automóveis e autopeças são os principais produtos exportados do Brasil para a Argentina, disse Pérego. O aumento se deveu aos controles cambiais do governo anterior, que restringiram o acesso de importadores a dólares, reduzindo a oferta de carros no mercado local.

Para resolver isso, o governo argentino implementou em 2024 medidas para quitar dívidas com importadores e melhorar o poder de compra dos consumidores. “Quando a situação se normalizou, a demanda por carros e motocicletas disparou”, afirmou Pérego. “E grande parte desses veículos é fabricada no Brasil.”

De janeiro a setembro, o Brasil exportou US$ 14,2 bilhões em bens para a Argentina — um aumento de 47,2% em relação ao mesmo período de 2024 —, enquanto as importações de produtos argentinos caíram 1,8%, para US$ 9,5 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O superávit comercial virou a favor do Brasil, chegando a US$ 4,7 bilhões, ante um déficit de US$ 50,5 milhões em 2024.

Produtos manufaturados do setor de transporte dominam as exportações brasileiras para o parceiro do Mercosul. Veículos de passeio responderam por 21,9% do total exportado à Argentina, somando US$ 3,1 bilhões nos nove primeiros meses do ano — mais que o dobro dos US$ 1,4 bilhão de 2024. Autopeças representaram 9,7%, veículos comerciais leves 6,4% e veículos rodoviários 5,5%.

Pérego prevê que o PIB argentino cresça 4% neste ano, após uma contração de 1,7% em 2024. “Isso estimula a demanda por carros, o que, por sua vez, impulsiona as exportações brasileiras.” Uma pesquisa de mercado do Banco Central da Argentina, o relatório REM (equivalente ao Focus brasileiro), projeta crescimento de 3,9% do PIB em 2025.

No entanto, ele alertou que as exportações de automóveis brasileiros para a Argentina dificilmente manterão o mesmo ritmo de expansão. “Havia uma demanda reprimida, então as vendas dispararam entre o fim de 2024 e este ano. Isso deve se normalizar.”

Concorrência dos elétricos chineses

Pérego também destacou a concorrência dos veículos elétricos chineses, que a Argentina atualmente importa com isenção de impostos sob um programa que permite a entrada de 50 mil veículos neste ano e mais 50 mil em 2026. O país pode ter até 200 mil veículos elétricos em circulação em três ou quatro anos, disse ele.

A economia argentina deve desacelerar em 2026, com crescimento previsto de 3%, um ponto percentual abaixo de 2025.

Faria, da FGV Ibre, afirmou que as mudanças na demanda argentina têm grande impacto na indústria automotiva brasileira. Nos 12 meses encerrados em junho de 2025, a Argentina respondeu por 8,6% das exportações totais de manufaturados do Brasil e 48,4% das exportações de veículos automotores, reboques e carrocerias.

Ariane Benedito, economista-chefe da fintech PicPay, projetou crescimento de até 5,5% do PIB argentino neste ano. “É uma recuperação significativa, mas a economia argentina continua vulnerável”, afirmou. A volatilidade cambial é uma preocupação central, dependendo de como Milei implementará seu plano econômico. A inflação também preocupa, impulsionada pelo forte consumo. “O cenário base depende de quanto a terapia de choque de Milei vai custar em termos de desaceleração econômica.”

Ela também apontou uma provável desaceleração global em 2026, o que afetaria o Brasil. O PicPay projeta crescimento de 1,7% do PIB brasileiro em 2026, ante 2,2% neste ano.

Ainda assim, Benedito disse que a posição geográfica do Brasil lhe dá vantagem no fornecimento de produtos automotivos à Argentina. Essa relação comercial ajudou o Brasil a evitar queda no volume e no valor das exportações em 2025, apesar das novas tarifas dos EUA.

Turismo argentino

Faria também destacou o impulso do turismo argentino. De janeiro a setembro, 2,79 milhões de argentinos visitaram o Brasil, ante 1,47 milhão no mesmo período do ano passado, segundo a Embratur. Os argentinos agora representam 39% de todos os turistas estrangeiros no país, contra 30% em 2024.

“O fluxo de turistas argentinos em 2025 foi impulsionado pelo câmbio”, disse Faria. Em abril, a Argentina substituiu seus rígidos controles cambiais — em vigor desde o fim de 2019 — por uma banda de câmbio flutuante administrada entre 1.000 e 1.400 pesos por dólar, ampliada em 1% ao mês. Também foram retiradas as restrições à compra de dólares.

Historicamente, a Argentina é um mercado emissor forte quando sua moeda está relativamente estável, e o Brasil é o destino de praia mais próximo, observou Pérego. “Foi assim no último verão e provavelmente será novamente no próximo. Os argentinos são atraídos ao Brasil por dois motivos: praias quentes e custos mais baixos. Um feriado de 10 ou 15 dias na praia na Argentina pode sair mais caro do que no sul do Brasil”, disse ele, especialmente para quem viaja de carro ao Rio Grande do Sul ou Santa Catarina.

No entanto, Pérego observou que o Brasil ficou mais caro para os argentinos ao longo de 2025 devido à valorização do real. A cotação do dólar caiu para R$ 5,38 em 31 de outubro, ante R$ 6,19 no fim de dezembro de 2024, segundo o Banco Central.

Roberto Dumas Damas, professor do Insper, alertou que, apesar dos ganhos eleitorais de Milei, a Argentina ainda enfrenta alta dívida externa e baixas reservas. “A eleição dá mais tempo a Milei, mas o país ainda precisa de reformas”, disse.

“O único caminho real é algo semelhante ao que o Brasil fez em janeiro de 1999: deixar a moeda flutuar, elevar fortemente os juros, definir uma meta de inflação e aprovar uma lei que garanta plena independência ao Banco Central da Argentina.”

FONTE: Valor Econômico
IMAGEM: Rogerio Vieira/Valor

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Comércio Exterior, Tecnologia

Tendências globais 2026: como a tecnologia está transformando o comércio exterior

Nos últimos anos, o comércio exterior deixou de ser apenas uma operação logística para se tornar um ambiente altamente tecnológico, data driven e orientado à eficiência. Em 2025, o setor vive uma aceleração histórica: inteligência artificial generativa, automação aduaneira e integração digital entre empresas e governos estão redefinindo o fluxo global de mercadorias e informações. Diante desse cenário, o que esperar para 2026?

Documentos passam a ser gerados automaticamente, cadeias de suprimento são monitoradas em tempo real e a previsibilidade se torna o principal diferencial competitivo. Em um cenário onde velocidade, precisão e integração de dados são essenciais, a pergunta que surge é: como as empresas brasileiras podem se preparar para esse novo comércio exterior?

Para aprofundar essa discussão, o ReConecta News conversou com Mariana Pires Tomelin, especialista em Comércio Exterior com mais de 15 anos de experiência, atuando de forma estratégica na internacionalização de indústrias e no desenvolvimento de soluções para inserção em mercados globais altamente competitivos.

À frente da Exon Trade Business Intelligence, Mariana lidera projetos que unem expertise técnica a tecnologias de ponta, como Inteligência Artificial, Big Data e automação digital, transformando dados em decisões estratégicas e potencializando resultados internacionais. Com domínio de seis idiomas (inglês, espanhol, mandarim, italiano, francês e português), ela conduz negociações multinacionais com fluidez e alto nível técnico, sendo reconhecida por antecipar tendências e traduzir complexidade em estratégias práticas. Sua missão é clara: tornar o comércio exterior mais acessível, inteligente e inovador para empresas brasileiras que desejam conquistar o mundo. 

A seguir, você confere a entrevista completa:

1. Quais as principais tendências globais no comércio exterior em 2026?

MARIANA – O comércio internacional passa por uma transformação estrutural com a incorporação de inteligência artificial generativa, blockchain e plataformas de integração digital entre exportadores, despachantes e autoridades aduaneiras. Cadeias de suprimento tornam-se mais transparentes e preditivas, com sistemas que antecipam gargalos logísticos, otimizam câmbio e reduzem custos operacionais. A digitalização total da documentação, aliada à automação de compliance, cria um ecossistema global onde a velocidade da informação é o principal ativo competitivo.

2. Como a IA generativa está transformando o setor?

MARIANA – A IA generativa permite simular cenários de exportação, gerar documentos aduaneiros e criar relatórios financeiros e contratuais com base em padrões históricos e normativos. Além disso, ela oferece capacidade preditiva para variação cambial, riscos de mercado e comportamento de demanda global. O desafio está na validação técnica dessas informações, exigindo profissionais com domínio das normas internacionais, parametrização de sistemas e capacidade de interpretar resultados de modelos complexos.

3. Quais países estão liderando essa transformação?

MARIANA – China, Singapura e Estados Unidos lideram a integração de IA no comércio exterior, com sistemas aduaneiros autônomos e baseados em machine learning. Singapura, por exemplo, opera um modelo de despacho digital com verificação automática de origem e classificação tarifária. O Brasil avança nesse sentido por meio do Portal Único de Comércio Exterior, mas ainda enfrenta defasagem tecnológica em integração de dados e padronização entre órgãos fiscalizadores.

4. O que as empresas brasileiras precisam fazer para acompanhar esse movimento?

MARIANA – É indispensável investir em consultorias especializadas que unam conhecimento técnico de comércio exterior e experiência em automação digital. A adequação de processos internos, parametrização de sistemas ERP e integração com APIs governamentais são passos críticos para reduzir custos e aumentar previsibilidade operacional. Além disso, profissionais devem compreender profundamente regimes aduaneiros e tributários para aplicar a tecnologia com segurança jurídica.

5. Há risco de substituição de profissionais pela IA?

MARIANA – A IA não elimina profissionais, mas redefine suas funções. O analista de comércio exterior torna-se um gestor de dados e estratégias, responsável por interpretar insights gerados por sistemas inteligentes. O conhecimento técnico em normas, tarifas, regimes fiscais e tratados comerciais continua essencial, mas agora precisa ser aliado a competências em ciência de dados e gestão de automação.

6. Como a automação aduaneira está evoluindo?

MARIANA – A automação aduaneira está consolidando-se com o uso de big data, reconhecimento de padrões e integração digital entre exportadores e órgãos públicos. O Portal Único, por exemplo, passa a utilizar validação automática de documentos e interoperabilidade com sistemas de logística e transporte. Isso reduz tempo de despacho e aumenta a rastreabilidade das operações, mas exige adequação tecnológica e capacitação contínua dos profissionais envolvidos.

7. Qual a importância da atualização profissional nesse cenário?

MARIANA – Manter-se atualizado é uma questão de sobrevivência estratégica. O domínio de normas internacionais, ferramentas digitais e novas regulamentações é indispensável para garantir eficiência operacional e evitar sanções. Consultorias experientes atuam como catalisadoras desse processo, orientando empresas na interpretação das mudanças e na implementação de soluções tecnológicas seguras e escaláveis.

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