Comércio Exterior

EUA adquiriu apenas 7,20% da carne bovina exportada por Mato Grosso no primeiro semestre

China lidera entre os principais destinos das exportações de carne bovina mato-grossense com 49,55% de participação

As exportações de carne bovina mato-grossense no primeiro semestre de 2025 somaram 368,81 mil Toneladas em Equivalente Carcaça (TEC). Deste volume 49,55% tiveram a China como destino e apenas 7,20% os Estados Unidos, segundo maior importador do estado.

Brasil está há 10 dias do início do aumento tarifário imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump de 50%. Com a tarifa adicional, as importações de produtos brasileiros somaram 76% de impostos.

Hoje, os Estados Unidos é o segundo maior comprador de carne bovina brasileira, representando 13,69% do volume total exportado no primeiro semestre de 2025.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), somente de Mato Grosso o país importou entre janeiro e junho 26,5 mil TEC, enquanto a líder China 182,7 mil TEC. O Chile foi o terceiro principal importador com 20,3 mil TEC, seguido da Rússia com 19,7 mil TEC e o Egito com 12,4 mil TEC.

“Apesar das tarifas adicionais, o Mato Grosso é pouco dependente dos Estados Unidos, já que conta com um mercado externo bem diversificado, o que cria a possibilidade de redirecionamento para países que já importam carne bovina, reduzindo os impactos da retração nos envios ao mercado norte-americano”, pontua o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em seu boletim semanal da bovinocultura.

Em recente entrevista ao Canal Rural Mato Grosso, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Ribeiro Junior, pontuou que a imposição de uma tarifa de 50% ao Brasil “inviabiliza qualquer concorrência”.

De acordo com a Acrimat, a nova taxação dos Estados Unidos colocaria o preço da tonelada da carne bovina mato-grossense em cerca de US$ 8,6 mil, o que inviabilizaria a comercialização para aquele país.

“Essa carne que seria mandada para os Estados Unidos vai impactar no nosso mercado. Vai refletir em baixa no preço da arroba. Impacta a cadeia como um todo. Os frigoríficos estão preocupados e o produtor, como sempre a bomba estoura no lado mais fraco, vai sofrer esse impacto com maior força”, frisou o presidente da entidade à reportagem.

Conforme o boletim do Imea, atualmente os Estados Unidos contam com 30% das importações totais sendo oriundas do Brasil. “Dessa forma, eles precisariam redirecionar a compra para países como Austrália, Argentina e Uruguai, países que, em geral, possuem preços acima dos do Brasil”, completa.

Fonte: Mato Grosso Canal Rural

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Comércio

Abipesca pede crédito emergencial para reduzir impacto do tarifaço

Estados Unidos são destino de 70% do pescado exportado pelo Brasil

A Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) protocolou nesta segunda-feira (21) um pedido formal ao governo federal para a criação de uma linha emergencial de crédito voltada às indústrias exportadoras do setor. O objetivo é reduzir os impactos imediatos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. 

De acordo com a associação, o mercado norte-americano é o destino de cerca de 70% do pescado exportado pelo Brasil. Com a nova taxação, o setor estima que cerca de R$ 300 milhões em produtos estejam parados entre pátios portuários, embarcações e unidades industriais. 

O pedido foi protocolado no Palácio do Planalto e se dirige ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta da Abipesca prevê crédito emergencial de R$ 900 milhões, com seis meses de carência e prazo de 24 meses para pagamento. 

De acordo com a Abipesca, a taxação levou o setor a enfrentar uma “grave crise de capital de giro”, uma vez que não há como redirecionar essa produção ao mercado interno “que já se encontra abastecido e não absorve os cortes específicos voltados à exportação”.  

“Caso não haja uma resposta rápida, 35 indústrias e aproximadamente 20 mil trabalhadores, incluindo pescadores artesanais, podem ser impactados com cortes e paralisações”, afirmou a associação. 

No documento protocolado, a associação também solicita que o governo brasileiro intensifique as negociações para reabertura do mercado europeu, fechado às exportações brasileiras de pescado desde 2017. 

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Negociação 

No último dia 9, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou uma carta ao presidente Lula, em que anuncia a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras ao país norte-americano. Segundo Trump, as tarifas passam a valer no dia 1º de agosto. Trump justifica a medida tarifária citando supostos “ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”. 

Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em entrevista à Rádio CBN, que o Brasil não vai sair da mesa de negociação com os Estados Unidos. Haddad disse, porém, que o governo vem trabalhando em planos de contingência para ajudar os setores mais prejudicados com o plano de Donald Trump.  

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior

U.S. Chamber e Amcham Brasil defendem diálogo comercial entre Estados Unidos e Brasil

A U.S. Chamber of Commerce e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) divulgaram o seguinte posicionamento a respeito do anúncio do governo dos Estados Unidos sobre a proposta de aplicação de uma tarifa de 50% às exportações brasileiras, com início previsto para 1º de agosto: 

“A U.S. Chamber e a Amcham Brasil solicitam aos governos dos Estados Unidos e do Brasil que se engajem em negociações de alto nível a fim de evitar a implementação da tarifa de 50%. A imposição dessa medida como resposta a questões políticas mais amplas tem o potencial de causar danos graves a uma das relações econômicas mais importantes dos Estados Unidos, além de estabelecer um precedente preocupante. 

A tarifa proposta de 50% afetaria produtos essenciais às cadeias produtivas e aos consumidores norte-americanos, elevando os custos para as famílias e reduzindo a competitividade de setores produtivos estratégicos dos Estados Unidos. 

Mais de 6.500 pequenas empresas nos Estados Unidos dependem de produtos importados do Brasil, enquanto 3.900 empresas norte-americanas têm investimentos naquele país. O Brasil está entre os dez principais mercados para exportações dos Estados Unidos e é destino, a cada ano, de cerca de US$ 60 bilhões em bens e serviços norte-americanos. 

Uma relação comercial estável e produtiva entre as duas maiores economias das Américas beneficia consumidores, sustenta empregos e promove prosperidade em ambos os países. A U.S. Chamber e a Amcham Brasil seguem à disposição para apoiar iniciativas que favoreçam uma solução negociada, pragmática e construtiva — que evite a escalada da atual situação e garanta a continuidade de um comércio bilateral mutuamente vantajoso.” 

Sobre a U.S. Chamber of Commerce 


U.S. Chamber of Commerce é a maior organização empresarial do mundo, representando empresas de todos os portes e setores da economia. Seus membros incluem desde pequenos negócios e câmaras de comércio locais até grandes corporações e associações setoriais. 

Sobre a Amcham Brasil 


A Amcham Brasil é a maior entidade multissetorial do Brasil e a maior Câmara Americana de Comércio entre as 117 existentes fora dos Estados Unidos. Presente no Brasil desde 1919, é uma entidade centenária que representa cerca de 3.500 empresas, responsáveis por um terço do PIB brasileiro e por 3 milhões de empregos diretos no país. 

Esta nota foi divulgada originalmente em inglês: 

U.S. Chamber, AmCham Brazil Urge U.S.-Brazil Trade Talks 

WASHINGTON, D.C. AND BRASILIA, BRAZIL – The U.S. Chamber of Commerce and the American Chamber of Commerce in Brazil (AmCham Brazil) issued the following statement following President Donald Trump’s announcement of a proposed 50% tariff rate on Brazil starting August 1: 

“The U.S. Chamber and AmCham Brazil urge both the U.S. and Brazilian governments to engage in high-level negotiations to avoid the implementation of damaging tariffs. Imposing such measures in response to broader political tensions risks inflicting real harm on one of America’s most important economic relationships and sets a troubling precedent. 

The proposed 50% tariff would impact products essential to U.S. supply chains and consumers, raising costs for households and reducing the competitiveness of key U.S. industries. 

More than 6,500 small businesses in the U.S. rely on products imported from Brazil while 3,900 American companies invest in the country. Brazil is a top 10 market for U.S. exports, and the destination of nearly $60 billion in U.S. goods and services every year. 

A stable and productive trade relationship between the Hemisphere’s two largest economies benefits consumers and sustains jobs and mutual prosperity. The U.S. Chamber and AmCham Brazil stand ready to support efforts conducive to a negotiated, pragmatic, and constructive solution — one that avoids escalation and ensures continued, mutually beneficial trade.” 

Fonte: Amcham Brasil

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Mercado Internacional

Nota Oficial – Crise entre Brasil e Estados Unidos compromete o Transporte Rodoviário de Cargas e ameaça milhares de empregos

O SETCESP – Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região – vem a público expressar profunda preocupação com os efeitos da atual crise institucional e política entre Brasil e Estados Unidos. A tensão diplomática já provoca retração nos fluxos logísticos internacionais e compromete rotas consolidadas de comércio exterior, afetando diretamente a operação de centenas de transportadoras brasileiras.

Dados do CAGED pesquisados pelo IPTC (Instituto Paulista do Transporte de Cargas) mostram que, somente no Estado de São Paulo, o setor é responsável por mais de 450 mil empregos diretos. E conforme números da ANTT mais de 34 mil empresas atuam no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), no âmbito nacional o setor reúne quase 1 milhão de empregos formais e responde por cerca de 65% de toda a movimentação de cargas do país, incluindo grande parte das operações portuárias de exportação e importação.

O enfraquecimento das relações comerciais com os Estados Unidos – um dos principais destinos das exportações brasileiras – tem efeito imediato sobre essas empresas, que enfrentam redução no volume de cargas, aumento dos custos operacionais com redirecionamento de rotas, e insegurança para planejar investimentos. A continuidade desse cenário coloca em risco milhares de postos de trabalho e a sustentabilidade das operações logísticas.

O que está em jogo, neste momento, vai muito além das cifras: são famílias que dependem do setor para garantir sua subsistência. O TRC é uma das bases estruturais da economia nacional, e sua desorganização tem potencial devastador para o crescimento do país.

O SETCESP entende que o atual momento exige uma postura de estadista por parte do governo federal. É preciso agir com urgência, inteligência e humildade para reconstruir o diálogo e restabelecer relações diplomáticas sólidas. Vaidades políticas não podem se sobrepor ao bem-estar da população brasileira. O país precisa de estabilidade econômica, segurança jurídica e ambiente propício aos negócios – somente assim será possível manter empresas em funcionamento e empregos preservados.

Manifestamos ainda nossa solidariedade às transportadoras que sofrem os impactos dessa crise e reafirmamos nosso compromisso com a defesa dos empresários do setor, com a manutenção dos postos de trabalho e com a retomada do crescimento sustentável da atividade transportadora no Brasil.

Fonte: SETCESP

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Comércio

Brasil: Balança comercial tem superávit de US$ 1,5 bilhão na terceira semana de julho/2025

A balança comercial registrou superávit comercial de US$ 1,530 bilhão na terceira semana de julho. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda, 21, o valor foi alcançado com exportações de US$ 7,480 bilhões e importações de US$ 5,950 bilhões.

O superávit acumulado no mês de julho é de US$ 3,608 bilhões. No ano, o superávit soma um total de US$ 33,700 bilhões.

Até a terceira semana de julho, comparado a julho de 2024, as exportações cresceram 4,5% e somaram US$ 19,61 bilhões. O resultado se deu devido a uma queda de 1,9% em Agropecuária, que somou US$ 4,28 bilhões; crescimento de 5,0% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 4,57 bilhões e, por fim, expansão de 7,2% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 10,68 bilhões.

Já as importações cresceram 12,9% e totalizaram US$ 16,00 bilhões na mesma comparação, com aumento de 4,8% em Agropecuária, que somou US$ 31 milhões; queda de 11,9% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 77 milhões e, por fim, alta de 14,9% em Indústria de Transformação, para US$ 14,83 bilhões.

Fonte: Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Comércio, Comércio Exterior

Corrente de comércio chega a US$ 337,26 bi neste ano

Até 3ª semana de julho, exportações totalizam US$ 185,48 bi e importações US$ 151,78 bi, com superávit de US$ 33,7 bi

Na 3ª semana de julho, a Balança Comercial registrou superávit de US$ 1,53 bilhão e corrente de comércio somou US$ 13,43 bilhões, resultado de exportações no valor de US$ 7,48 bilhões e importações de US$ 5,95 bilhões, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (21/7) pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

No acumulado do ano, as exportações totalizam US$ 185,48 bilhões e as importações US$ 151,78 bilhões, com saldo positivo de US$ 33,7 bilhões e corrente de comércio de US$ 337,26 bilhões.

Balança Comercial Preliminar Parcial do Mês | 3ª Semana de julho/2025

Comparativo Mensal

Nas exportações, comparadas as médias até a 3ª semana de julho/2025 (US$1,4 bi) com a de julho/2024 (US$ 1,34 bi), houve crescimento de 4,5%. Em relação às importações, o crescimento foi de 12,9% na mesma comparação – saindo de US$ 1,01 bi para US$ 1,14 bi).

Assim, a média diária da corrente de comércio totalizou US$ 2,54 bilhões e a do saldo foi de US$ 257,71 milhões. Comparando-se este período com a média de julho/2024, houve crescimento de 8,1% na corrente de comércio.

Exportações e importações por setores

No acumulado das exportações, até a 3ª semana do mês de julho/2025, o desempenho dos setores pela média diária mostrou crescimento de US$ 51,39 milhões (7,2%) em produtos da Indústria de Transformação; e de US$ 15,43 milhões (5%) em Indústria Extrativa; com queda de US$ 5,79 milhões (-1,9%) em Agropecuária.

No acumulado das importações, também na média diária do período, houve crescimento de US$ 137,49 milhões (14,9%) em produtos da Indústria de Transformação; e de US$ 1 milhão (4,8%) em Agropecuária; com queda de US$ 7,44 milhões (-11,9%) em Indústria Extrativa.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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Economia

Incertezas: IOF e tarifaço são “carga dupla” ao câmbio, dizem especialistas

Contaminação em preços é vista como possibilidade, mas impacto depende de uma série de fatores; entenda

A alta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e o tarifaço de Donald Trump contra o Brasil são dois fatores que geram uma “carga dupla” na economia brasileira, sobretudo no câmbio por conta das incertezas geradas pelo debate em torno dos dois mecanismos, segundo especialistas ouvidos pela CNN.

Mais do que as questões técnicas, o IOF e tarifaço tocam dimensões estruturais da previsibilidade jurídica, da estabilidade regulatória e da competitividade econômica do país, observa Andrea Feitosa, advogada tributarista sócia do Martorelli Advogados.

A consequência da imprevisibilidade gerada, segundo Roger Amarante, CFO da S8 Capital, é uma piora para os movimento econômicos feitos na prática.

“Os riscos jurídicos e institucionais se somam ao aumento dos custos operacionais, trazendo assim um desafio considerável em se operar no Brasil. Soma-se a isso a recente decisão do tarifaço imposto ao Brasil pelo presidente Donald Trump, o que traz um expressivo aumento nos custos de bens e serviços. Investir no Brasil se torna uma das decisões mais arriscadas e incertas no momento”, pondera Amarante.

“Se por um lado a decisão do ministro [Alexandre de Moraes] significou uma vitória política e econômica para o governo, por outro lado provavelmente significará uma derrota na atividade produtiva e fluxo financeiro na balança comercial. Cobertor curto da União.”

Tanto o tarifaço como a decisão sobre o IOF mexem diretamente com o fluxo de moedas estrangeiras no país. Além disso, a incerteza em torno dos dois figuram entre os fatores que têm mexido com o investidor e o movimento do câmbio no país.

De um lado, o presidente Trump anunciou que irá aplicar, a partir do dia 1º de agosto, uma alíquota de 50% contra os importados brasileiros que entrarem em território norte-americano.

“Os impactos já estão sendo sentidos fortemente no setor agro exportador [aos EUA], como sucos de frutas, celulose e café e o setor de indústria de máquinas e equipamentos agrícolas e aeronaves. Nestas indústrias, o impacto é tão relevante que os empresários já estão discutindo demissões em massa e algumas empresas já pararam a sua linha de produção, o que pode ocasionar numa retração econômica em nosso [PIB] Produto Interno Bruto”, nota Guilherme Viveiros, assessor de investimentos da WFlow.

Do outro lado, o STF (Supremo Tribunal Federal) restaurou, por decisão de Moraes, a alta do IOF proposta pelo governo federal, que havia sido derrubada pelo Congresso Nacional. Serão tributadas com taxas mais elevadas as operações de:

  • Aportes em seguros de vida: passa a incidir IOF de 5% sobre aportes mensais superiores a R$ 300 mil em planos de seguro de vida com cobertura por sobrevivência. A partir de 2026, o imposto passa a incidir nos aportes que excederem R$ 600 mil, independente se foram depositados em uma ou várias instituições;
  • Cooperativas de crédito: operações de crédito com valor anual acima de R$ 100 milhões passam a ser tributadas como empresas comuns;
  • Crédito para empresas: IOF foi ajustado para 0,38% para empresas em geral, inclusive as enquadradas no Simples Nacional;
  • Cotas de FDICs: aquisição primária em Fundos de Investimento em Direito Creditório tem alíquota fixa de 0,38%;
  • Cartão de crédito e débito internacional: alíquota foi elevada de 3,38% para 3,5%;
  • Operações com câmbio e moeda em espécie: IOF fixado em 3,5%. Depois da repercussão, o governo esclareceu que remessas para investimento seguem com a alíquota antiga, de 1,1%;
  • Saída de recursos não especificada: operações financeiras não detalhadas que envolvam envio de recursos ao exterior também terão incidência de IOF de 3,5%.

“Há impacto não só nas operações internacionais (como o frete de importações), mas também nas nacionais. Até mesmo pegar dinheiro emprestado aqui no Brasil vai sair mais caro. Exemplo prático: se você fizer uma compra em um site internacional, o frete e o produto em si devem ficar mais caros por causa desses aumentos”, analisa Graziela Fortunato, professora da Escola de Negócios da PUC-Rio.

A alta do IOF foi proposta pelo governo como uma medida para assegurar a arrecadação prevista no orçamento, fator esse que alimenta o mau humor do mercado, segundo André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica.

“À medida que o governo consegue apoio em novas receitas, o entendimento geral é de que a iniciativa com vistas a resolver de forma estrutural a trajetória das despesas primárias será deixada de lado ou será tratada de uma forma mais amena do que, de fato, deveria ser. Então, isso acaba trazendo impacto no câmbio.”

Raissa Florence, diretora da Oz Câmbio, avalia que “estamos diante de gatilhos simultâneos que agravam a instabilidade da nossa economia”, acrescentando que os fenômenos significam “uma carga dupla no bolso do brasileiro”, tendo em vista que “o câmbio instável afeta o custo dos produtos”.

Impacto nos preços

A princípio, a tarifa de Trump pode gerar um efeito deflacionário no país, uma vez que os produtos que deixarem de ser exportados podem ser voltados ao mercado interno, baixando os preços pelo excedente de oferta, relembra Viveiros.

“Mas, por outro lado, a instabilidade política e a menor entrada de dólares em virtude da diminuição das exportações geram uma pressão altista para o dólar”, ressalta o assessor de investimentos da WFlow.

Em relatório sobre o tarifaço, a XP ressalta que haverá impactos macroeconômicos relevantes no câmbio, no investimento direto estrangeiro – os EUA detêm a maior posição de IDE no Brasil em termos de participação societária (26,7% ou US$ 280,4 bilhões) – e na inflação – especialmente em caso de retaliação do Brasil.

Já o IOF pesa no parcelamento, encarece viagens e impõe custo adicional até nos pequenos envios de dinheiro ao exterior, elenca Florence. “O resultado é mais pressão inflacionária, menos poder de compra e um clima de insegurança para quem precisa operar com moeda estrangeira.”

A volta do IOF impacta diretamente mais de 20 milhões de brasileiros, especialmente os que realizam compras internacionais, contratam câmbio, utilizam cartões de crédito no exterior ou dependem de crédito pessoal, segundo dados levantados pela diretora da Oz Câmbio.

Além do impacto para as pessoas físicas – como os cerca de 6 milhões de brasileiros que viajam ao exterior por ano -, a analista destaca o efeito da alta do IOF nos pequenos negócios.

“Pequenos e médios empreendedores, que representam cerca de 18 milhões de CNPJs ativos no país, muitos dos quais operam com fornecedores ou plataformas internacionais, também sentirão o aumento nos custos de crédito e operações de importação. Com isso, a reoneração do IOF atinge não apenas consumidores de alta renda, mas uma base ampla da população economicamente ativa”, pontua Florence.

Viveiros ainda reforça que esse é um efeito que também volta contra o cidadão comum, uma vez que os empresários buscam repassar a elevação de carga tributária para os seus produtos.

Contraponto

André Galhardo, por outro lado, avalia que grande parte dos impactos já foram precificados e daqui para frente a tendência é de a incerteza se dissipar. A tensão segue, mas agora, com mais clareza, uma máxima seguida pelo mercado de que é preferível um cenário deteriorado, mas claro, do que um incerto.

Ele destaca que a inflação e as expectativas têm tido uma melhora nos últimos meses – refletidas nos resultados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e do boletim Focus -, apesar de seguirem expressivamente acima da meta de 3% perseguida pelo Banco Central.

“Então, isso tudo, essa moderação da inflação com uma taxa de juros tão elevada [hoje em 15% ao ano], injustificadamente tão elevada, deve garantir a continuidade da entrada de recursos aqui no Brasil. E o que, por sua vez, pode dar espaço para mais valorização da moeda brasileira”, avalia Galhardo.

“Só se o Trump decidir impor mais tarifas ainda, ameaçar de forma mais contundente, o dólar pode desvalorizar um pouco mais. Mas, de modo geral, o cenário é relativamente benigno no curto prazo.”

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior

Pecuaristas dos EUA aplaudem tarifaço e querem banir carne do Brasil

Associação Nacional de Pecuaristas dos Estados Unidos diz à CNN que tarifa de 50% é “um bom começo” para futura suspensão do produto brasileiro

Em meio às preocupações com as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, um setor aplaude com entusiasmo as iniciativas de Donald Trump. E vai além: defende a suspensão total da entrada dos produtos brasileiros nos Estados Unidos.

“A Associação Nacional de Pecuaristas dos Estados Unidos (NCBA) apoia firmemente o plano do presidente Trump de impor ao Brasil com uma tarifa de 50%”, cita a entidade à CNN.

A entidade que representa os pecuaristas americanos há mais de um século, desde 1898, informa que “há muitos anos defende a suspensão total da carne bovina brasileira importada”.

“Uma tarifa de 50% é um bom começo, mas precisamos suspender as importações de carne bovina do Brasil para que possamos conduzir uma auditoria completa”, citou a entidade.

A NCBA acusa produtores brasileiros de terem uma “abismal falta de responsabilidade em relação à saúde do gado e à segurança alimentar”.

Os pecuaristas americanos citam especificamente os casos da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como doença da vaca louca.

“A falha do Brasil em reportar casos atípicos de EEB e seu histórico de febre aftosa são uma grande preocupação para os produtores de gado dos EUA”, citam os produtores americanos.

O governo brasileiro rebate a afirmação dos pecuaristas americanos.

O Ministério da Agricultura cita que o Brasil nunca teve um “caso clássico” do mal da vaca louca – aqueles em que a doença ocorre pela ingestão de alimentos contaminados, especialmente farinha de carne e ossos. Essa foi a origem do surto na Europa há algumas décadas.

No Brasil, há registro de seis casos atípicos da doença. A situação não interfere no status do país na Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Isso acontece porque os casos têm ocorrência espontânea, quando a infecção se dá pela mutação espontânea da proteína – normalmente pela idade avançada do animal, sem ter relação com a ingestão de alimentos contaminados.

“Assim, o Brasil mantém o reconhecimento pela OMSA como país de risco insignificante para a doença desde 2012”, cita o Ministério da Agricultura.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Economia

Escalada da tensão entre Brasil e EUA eleva preocupação da indústria, diz FIESC

Setor defende o diálogo para evitar a aplicação do tarifaço — que, se for confirmado, trará consequências graves não só para o setor produtivo, mas para toda a sociedade brasileira

A escalada da tensão política entre Brasil e Estados Unidos aumentou a preocupação da indústria catarinense. O setor defende o diálogo para evitar a aplicação do tarifaço — que, se for confirmado, trará consequências graves não só para o setor produtivo, mas para toda a sociedade brasileira. O assunto foi discutido na reunião de diretoria da Federação das Indústrias (FIESC), nesta sexta-feira, dia 18.

Conforme relatos de industriais à Federação, embora ainda não estejam sendo cancelados pedidos, muitos clientes estão solicitando para que mercadorias encomendadas ainda não sejam embarcadas, até haver maior clareza sobre a situação.

“O ônus será para a sociedade. Dependemos muito dos Estados Unidos. É o destino para o qual exportamos produtos de valor agregado e que não conseguiremos redirecionar para outros mercados no curto prazo”, alertou o presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, ressaltando que os EUA são o principal destino dos embarques catarinenses.

No ano passado, SC exportou US$ 1,74 bilhão para os Estados Unidos. Entre os principais produtos embarcados estiveram: obras de carpintaria para construções, motores elétricos, partes de motor, madeira, transformadores elétricos e partes e acessórios para veículos.

“Reconquistar um cliente norte-americano perdido por conta de aplicação de tarifas é difícil e caro. Então, o prejuízo será enorme. Temos uma relação de 200 anos de comércio e cooperação. Não podemos perder isso”, declarou Aguiar.

Na quarta, dia 16, Aguiar reuniu-se com o vice-presidente da República e ministro de Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e defendeu o diálogo para tentar reverter os impactos do tarifaço. 

No encontro, ele salientou que retaliar seria o pior encaminhamento, pois ampliaria ainda mais os prejuízos para a indústria brasileira. “Além de tentar reduzir as tarifas, precisamos buscar alternativas como a prorrogação do prazo de início da aplicação, para haver mais tempo para as negociações e para que as empresas tenham fôlego para se reorganizar e buscar novos mercados”, disse, lembrando que a palavra de ordem é negociar. 

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior

Setor de café negocia com os EUA deixar o produto fora da nova tarifa

Argumento é de que café é um produto natural não disponível nos EUA e, com isso, não faria sentido a sobretaxa norte-americana

setor de café brasileiro negocia com o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, medidas para retirar o café da lista de produtos que devem ser sobretaxados em 50% a partir de 1º de agosto.

Uma fonte que acompanha as negociações disse à EXAME que, nos EUA, a National Coffee Association (NCA), entidade comercial que representa a indústria do café americana, realizará uma nova rodada de conversas com a gestão do republicano nesta semana.

A negociação entre a associação de classe e o governo americano, que começou em abril, visa incluir o café brasileiro na lista de produtos estratégicos, classificando-o como um produto natural não disponível nos Estados Unidos. Dessa forma, o produto brasileiro ficaria de fora da lista de tarifas de Trump .

Além do argumento, a NCA deve apresentar um estudo que mostra que o café gera significativa riqueza nos EUA, já que o país importa o grão e agrega valor por meio da industrialização. Cerca de 76% dos americanos consomem café.

Para cada dólar de café importado, são gerados US$ 43 na economia americana. Isso representa 2,2 milhões de empregos, o que equivale a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, segundo o estudo da NCA.

A pesquisa também destaca que a indústria de café contribui com US$ 343 bilhões para a economia norte-americana.

No Brasil, Lula se encontrará com representantes do agro

Do lado de cá, representantes do setor de café devem se reunir nesta terça-feira, 15, com o governo federal para discutir a tarifa de Trump.

Participam do encontro com a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entidades dos setores de laranja, celulose e café para definir os próximos passos nas negociações com o governo norte-americano. No domingo, 13, Luladeterminou a criação de um comitê interministerial para conversar com os setores mais afetados pela tarifa.

O encontro, marcado para as 14h, será liderado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), e contará com a participação dos ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa)Relações Exteriores e Fazenda.

Marcos Mattos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), afirmou à EXAME que, além do governo, a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) também agendou uma reunião para esta terça-feira, com foco na tarifa dos EUA.

A intenção, diz Mattos, é “munir os parlamentares” com informações sobre o setor e os possíveis impactos caso Trump mantenha a tarifa de 50% sobre os produtos importados do Brasil, a partir de 1º de agosto.

Além de ser o maior produtor mundial de café , o Brasil responde por 30% do market share de café nos EUA, segundo dados do Departamento de Estatísticas dos EUA, o que o posiciona como principal fornecedor do grão para o país, especialmente do tipo arábica. Em 2024, 83% do café desembarcado nos EUA era arábica.

No ano passado, os EUA representaram 16,1% de todas as exportações de café do Brasil , correspondendo, em termos de receita, a cerca de US$ 2 bilhões.

Com a taxação de Trump, países como Vietnã e Colômbia, que ocupam o segundo e o terceiro lugar, respectivamente, na produção global, não têm capacidade para oferecer uma quantidade significativa de café aos EUA, que têm uma demanda anual de 24 milhões de sacas. No caso do Vietnã, a produção é majoritariamente do tipo canéfora.

Tarifa de Trump

Analistas afirmam que, caso o Brasil deixe de exportar café para os EUA, a produção nacional poderia ser direcionada para outros mercados, especialmente os asiáticos, mas na visão do setor cafeeiro, a medida é vista como de curto prazo.

Na visão do diretor-executivo do Cecafé, sendo os Estados Unidos o principal mercado do Brasil, qualquer ação nesse sentido deve ser estruturada a longo prazo.

“Temos 30% do mercado. É preciso encontrar um meio-termo que beneficie ambas as partes”, afirma.

Celírio Inácio, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), compartilha da mesma visão e diz que, até que haja um alinhamento com novos mercados, “não há uma alternativa imediata”.

“Não podemos simplesmente substituir os 8 milhões de sacas exportadas para os Estados Unidos por outros países de forma rápida. Isso não é algo simples. Não podemos considerar a possibilidade de ficar sem os EUA”, diz.

José Pimenta Júnior, diretor de Comércio Internacional e Relações Governamentais na BMJ Associados, enfatiza que é necessário que o governo se organize com os setores agropecuários para definir os próximos passos, caso ocorram retaliações.

“Há diversas opções, que vão desde negociações de acesso a produtos americanos no mercado brasileiro, até retaliações em bens, além de possíveis retaliações cruzadas, como em Propriedade Intelectual ou Serviços”, afirma Pimenta.

Para ele, cabe ao governo brasileiro decidir quais instrumentos serão utilizados e como será feito esse processo.

“A experiência de outros países nas negociações com os americanos gira, principalmente, em torno do acesso preferencial e da melhoria do fluxo comercial. A retaliação, seja em bens ou cruzada, é uma medida arriscada e pode causar mais danos à relação bilateral”, diz.

Fonte: Exame

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