Portos

Porto de Los Angeles bate recorde de importações e enfrenta impacto da alta no combustível marítimo

O Porto de Los Angeles, principal terminal de contêineres dos Estados Unidos, registrou em maio o segundo maior volume de movimentação de sua história. O avanço foi impulsionado pela corrida de varejistas para antecipar compras e reforçar estoques antes da entrada em vigor de novos repasses nos custos do combustível marítimo, prevista para julho.

A busca por maior previsibilidade logística ocorre em meio às incertezas provocadas pelo conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos, que tem afetado cadeias globais de abastecimento e elevado os custos do transporte internacional.

Conflito no Oriente Médio pressiona cadeias globais

As tensões geopolíticas na região do Oriente Médio provocaram interrupções em rotas estratégicas de navegação e reduziram a oferta de petróleo e derivados utilizados na produção de plásticos e diversos insumos industriais.

Com isso, empresas dos setores varejista e industrial passaram a monitorar mais de perto os riscos relacionados ao fornecimento de matérias-primas, ao aumento dos custos de produção e à possível escassez de produtos essenciais.

Segundo Gene Seroka, diretor executivo do Porto de Los Angeles, as decisões de compra e transporte estão sendo influenciadas por uma combinação de fatores, incluindo preços da energia, tarifas comerciais, níveis de estoque e o cenário geopolítico internacional.

De acordo com o executivo, quando surgem períodos de maior estabilidade, muitas companhias aproveitam para acelerar o embarque e a movimentação de mercadorias.

Importações crescem 26% em maio

Os números divulgados pelo porto mostram que a movimentação total alcançou 840.165 TEUs em maio. Desse volume, 449.370 TEUs corresponderam às importações, representando um crescimento de 26% em comparação ao mesmo período do ano passado.

O resultado reflete uma recuperação em relação a 2024, quando tarifas de importação posteriormente revogadas levaram diversas empresas a reduzir temporariamente seus embarques.

O TEU é a unidade padrão utilizada no transporte marítimo para medir a capacidade de contêineres. Um contêiner de 40 pés equivale a dois TEUs.

Perspectiva é de novos recordes nos próximos meses

A expectativa do Porto de Los Angeles é que os volumes registrados em junho e julho superem os números de maio, mantendo o ritmo acelerado das importações.

Seroka também alertou que a normalização das cadeias globais de suprimentos poderá levar meses, mesmo após o encerramento das hostilidades envolvendo o Irã e a retomada plena da navegação pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o comércio de petróleo.

Alta do bunker marítimo preocupa transportadoras

Outro fator de atenção para o setor é o aumento expressivo do preço do bunker marítimo, combustível utilizado por navios de carga.

Em março, os valores praticamente dobraram em 20 portos internacionais, chegando a US$ 1.053 por tonelada. Embora os preços tenham recuado posteriormente diante das expectativas de cessar-fogo, o mercado ainda opera sob pressão.

A partir de 1º de julho, armadores e operadores marítimos devem começar a transferir esses custos adicionais para contratos que abrangem grande parte das cargas transportadas globalmente.

Tarifas comerciais ampliam incertezas

Além dos custos logísticos mais elevados, o comércio internacional acompanha a possível expiração das tarifas globais de 10% previstas na Seção 122, programada para o fim de julho.

Paralelamente, o governo do presidente Donald Trump avalia a aplicação de novas tarifas de até 12,5% sobre produtos importados de cerca de 60 países, medida relacionada a denúncias de utilização de trabalho forçado em determinadas cadeias produtivas.

A combinação entre custos de transporte, tarifas comerciais e instabilidade geopolítica continua sendo um dos principais desafios para empresas que dependem do comércio exterior e das cadeias globais de suprimentos.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Sustentabilidade

Etanol de milho brasileiro pode ser 80% mais limpo que combustível marítimo, aponta OMI

O etanol de milho brasileiro ganhou destaque no cenário internacional após a Organização Marítima Internacional (OMI) definir oficialmente sua pegada de carbono. A classificação coloca o biocombustível como uma das alternativas mais promissoras para a descarbonização do transporte marítimo global.

Segundo a entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), o combustível produzido a partir do milho de segunda safra no Brasil apresenta intensidade de carbono de 20,8 gramas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por megajoule, índice significativamente inferior ao dos combustíveis atualmente utilizados pelos navios.

Combustível marítimo tem emissão muito superior

Os dados da OMI mostram que a intensidade média de gases de efeito estufa dos combustíveis usados hoje no transporte marítimo é de 93,3 gramas de CO2e por megajoule. Isso significa que o etanol de milho produzido no Brasil pode ser cerca de 80% menos poluente em comparação aos combustíveis convencionais do setor.

Para especialistas da indústria, a definição desse parâmetro representa um avanço importante para a regulamentação internacional dos chamados combustíveis de baixa emissão de carbono.

De acordo com Gustavo Mariano, vice-presidente de comercialização da Inpasa, a decisão fortalece a posição do etanol brasileiro como alternativa viável para reduzir as emissões no transporte marítimo.

“O reconhecimento da OMI representa um marco importante para o setor e reforça o potencial do etanol de milho produzido no Brasil e na América do Sul na transição para uma matriz energética mais sustentável”, afirmou.

Produção de etanol de milho cresce rapidamente no Brasil

Embora o mercado brasileiro de etanol tenha sido historicamente dominado pela cana-de-açúcar, o segmento de etanol de milho registrou forte expansão nos últimos anos.

Dados da associação UNEM indicam que a produção do biocombustível deve alcançar quase 10 bilhões de litros na safra 2025/26. No início da década, esse volume era de aproximadamente 2,65 bilhões de litros, demonstrando o crescimento acelerado do setor.

A evolução da produção acompanha o aumento dos investimentos em tecnologia, eficiência industrial e projetos voltados à redução das emissões de carbono.

Setor aposta em combustível ainda mais sustentável

Empresas do segmento já trabalham em iniciativas para diminuir ainda mais a pegada ambiental do produto. Rafael Abud, diretor-executivo da Fueling Sustainability (FS), destaca que a companhia tem investido em diversas soluções para ampliar a sustentabilidade do combustível.

Entre as medidas adotadas estão a redução das emissões provenientes do uso de biomassa, melhorias nos processos industriais e projetos de bioenergia com captura e armazenamento de carbono.

Segundo o executivo, essas iniciativas poderão tornar o etanol produzido pela empresa um combustível com pegada de carbono negativa no futuro.

Mercado marítimo abre novas oportunidades para os biocombustíveis

Representantes do setor acreditam que a eventual aprovação dos biocombustíveis para uso em larga escala no transporte marítimo poderá gerar novas oportunidades de negócios e agregar valor aos combustíveis de menor impacto ambiental.

Além disso, o tamanho do mercado global de combustíveis marítimos indica que haverá espaço para diferentes alternativas renováveis, incluindo o etanol de milho, o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel.

Segundo Gustavo Mariano, se todo o mercado mundial de combustível bunker fosse convertido para seu equivalente em etanol, a demanda poderia chegar a quase 400 bilhões de litros.

Para o executivo, o volume necessário para abastecer a navegação internacional é tão expressivo que exigirá a participação conjunta de diversas fontes sustentáveis de energia renovável.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

Maersk amplia testes com etanol e avalia mistura de 50% em combustível marítimo

A Maersk, líder global em transporte marítimo de contêineres, anunciou que os testes iniciais com etanol em combustíveis navais tiveram desempenho positivo. Com os bons resultados, a companhia ampliará as avaliações para uma mistura de 50% do biocombustível.

A empresa vê no etanol uma alternativa viável para diversificar as rotas de descarbonização do setor marítimo, responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE).

Além disso, o uso do etanol pode impulsionar um novo mercado para o produto. Em outubro, durante a apresentação dos testes iniciais com mistura de 10%, executivos de grandes fabricantes brasileiras — o Brasil é o segundo maior produtor mundial, atrás apenas dos EUA — participaram de reuniões com a companhia.

Etanol ganha espaço como combustível sustentável

Para Emma Mazhari, head de Mercados de Energia da Maersk, a meta climática do setor exige a exploração de várias tecnologias. “Acreditamos que múltiplos caminhos de combustível são essenciais para que a indústria marítima atinja suas metas climáticas. Isso significa explorar conscientemente diferentes opções e tecnologias”, afirmou.

A Maersk, que detém 15% do mercado global de contêineres, mantém o compromisso de atingir emissões líquidas zero até 2040, equilibrando o volume de GEE emitido com o removido da atmosfera.

Testes avançam rumo aos 100% de etanol

Os primeiros ensaios ocorreram entre outubro e novembro, com uma combinação de 10% etanol e 90% e-metanol, mistura que se mostrou segura e eficiente. Com base nesses resultados, a empresa iniciou uma nova fase utilizando 50% etanol e 50% metanol a bordo do Laura Maersk, o primeiro navio porta-contêineres bicombustível do mundo movido a metanol.

A companhia também planeja realizar um teste com 100% etanol, ampliando o entendimento sobre desempenho do motor e impactos na combustão. Segundo Mazhari, o etanol possui “histórico comprovado, mercado estabelecido e infraestrutura já existente”, fatores que reforçam sua viabilidade como combustível verde.

Desde 2021, a empresa vem investindo em embarcações bicombustível. A expectativa é que, até 2025, 19 navios desse tipo estejam ativos na frota.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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