Mercado Internacional

Produtores americanos dizem que China trocou soja dos EUA pela do Brasil e pedem ajuda a Trump

Grupo pede a remoção das tarifas chinesas sobre o grão americano e compromissos de compras futuras

A maior entidade de agricultores de soja dos EUA, a American Soybean Association (ASA), enviou uma carta ao presidente americano, Donald Trump, solicitando que o governo do país dê prioridade à soja nas negociações com a China. Os EUA têm perdido participação no comércio do grão para o Brasil nos últimos anos.

No texto, o grupo pede a remoção das tarifas chinesas sobre a soja americana e compromissos de compras futuras. A ASA afirma que a China, historicamente, importa mais de 60% do suprimento mundial de soja, com os EUA sendo a principal fonte. No entanto, as tarifas retaliatórias fizeram a soja americana ficar 20% mais cara que a sul-americana. Por isso, ‘a China recorreu ao Brasil, que expandiu a produção para atender à demanda’.

“Os produtores de soja dos EUA estão à beira de um precipício comercial e financeiro”, disse o presidente da ASA, Caleb Ragland, produtor de soja do Kentucky, na carta. “Os produtores de soja estão sob extremo estresse financeiro. Os preços continuam caindo e, ao mesmo tempo, nossos produtores estão pagando significativamente mais por insumos e equipamentos. Os produtores de soja dos EUA não podem sobreviver a uma disputa comercial prolongada com nosso maior cliente”, diz o texto.

“Cada dia sem um acordo corrói ainda mais a participação de mercado dos agricultores americanos na China”, disse Ragland. “Instamos veementemente o governo a garantir um acordo que reabra este mercado vital para a soja americana.”

De acordo com a agência de notícias Reuters, que cita informações da alfândega chinesa, 10 milhões de toneladas de soja foram importadas do Brasil em julho, 13,9% mais que no mesmo mês do ano anterior. Por outro lado, a compra dos produtos americanos caiu 11,5%.

A vendas para a China em julho fizeram as exportações brasileiras de soja alcançarem um recorde histórico para o mês, somando 12,25 milhões de toneladas embarcadas, conforme levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

No acumulado de janeiro a julho de 2025, o Brasil já exportou 77,2 milhões de toneladas da oleaginosa, marca inédita para o período e que consolida o país como principal fornecedor global. Desse total, 57,9 milhões de toneladas foram embarcadas para a China.

Fonte: Globo Rural

Ler Mais
Importação

Importações de soja do Brasil pela China aumentam 13,9% em julho, mostram dados alfandegários

As importações de soja do Brasil pela China aumentaram 13,9% em julho em relação ao ano anterior, mostraram dados alfandegários nesta quarta-feira, enquanto os suprimentos dos Estados Unidos caíram 11,5%.

O maior comprador de soja do mundo importou 10,39 milhões de toneladas da oleaginosa do Brasil no mês passado, ou 89% do total das importações, em comparação com 9,12 milhões de toneladas no ano anterior, segundo dados da Administração Geral de Alfândega.

As chegadas dos EUA ficaram em 420.874 toneladas em julho, abaixo das 475.392 toneladas do ano anterior.

No geral, as importações de julho atingiram recorde histórico para aquele mês, com 11,67 milhões de toneladas.

“As importações elevadas foram impulsionadas pela forte oferta brasileira e pelas preocupações persistentes com o comércio entre os EUA e a China, que estimularam a formação de estoques”, disse Liu Jinlu, pesquisador agrícola da Guoyuan Futures.

“Os riscos para o cenário estão nas negociações comerciais entre os EUA e a China e o impacto das políticas domésticas de controle da capacidade de suínos sobre a demanda.”

De janeiro a julho, a China importou 42,26 milhões de toneladas do Brasil, uma queda de 3% em relação ao ano anterior, enquanto os embarques dos EUA totalizaram 16,57 milhões de toneladas, um aumento de 31,2%, segundo os dados.

A China não fez pré-compra de soja da próxima safra dos EUA devido às tarifas altas, um atraso incomum que os comerciantes alertam que pode fazer com que os exportadores dos EUA percam bilhões em vendas, conforme compradores garantem cargas brasileiras para embarque durante a principal temporada de comercialização dos EUA.

Em uma carta na terça-feira, os produtores de soja dos EUA pediram ao presidente Donald Trump que chegue a um acordo comercial com a China que garanta acordos significativos de compra de soja.

A China importou 561.027 toneladas de soja da Argentina em julho. As importações de soja do país de janeiro a julho atingiram 672.630 toneladas, um aumento de 104,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Fonte: Brasil 247

Ler Mais
Internacional, Notícias

China deve atingir 50 mil km de ferrovias de alta velocidade em 2025 e já responde por 70% da rede mundial

Conferência Internacional de Ferrovias de Alta Velocidade realizada em Pequim mostrou últimos avanços chineses no setor.

No final de 2024, a China atingiu 48 mil quilômetros de ferrovias de alta velocidade, o que representa 70% da rede ferroviária desse tipo no mundo.

Neste ano de 2025 a meta é chegar aos 50 mil km, abrangendo mais de 97% das cidades com mais de meio milhão de habitantes. Para 2035, o objetivo é que a rede de trens de alta velocidade atinja 70 mil km.

Os dados foram compartilhados durante a 12ª Conferência Internacional de Ferrovias de Alta Velocidade, que aconteceu em Pequim de 8 a 11 de julho de 2025 e contou com participantes de cerca de 60 países.

O evento foi co-organizado pela estatal Ferrovias da China (FC) e a União Internacional de Ferrovias (UIC), debatendo os últimos avanços na tecnologia e os impactos socioeconômicos das ferrovias.

A FC assinou acordos de cooperação com autoridades ferroviárias da França, Espanha, Cazaquistão, Azerbaijão, Uzbequistão, Bielorrússia, Laos e Malásia

A conferência incluiu uma visita ao Centro Nacional de Testes Ferroviários, a maior base de testes de trens da Ásia. A infraestrutura do centro permite realizar testes para diferentes tecnologias e tipos de trens, desde urbanos até os de carga pesada.

EMUs

Atualmente os trens de transporte de passageiros mais usados na China são os da série CHR Harmony e Fuxing.

Os Harmony estrearam em 2007 e foram desenvolvidos com tecnologias do Japão, França, Canadá e Alemanha.

Já o Fuxing, que estreou em 2017, é o primeiro trem de alta velocidade totalmente desenvolvido na China.

Ambos são conhecidos também com o nome de EMU, sigla em inglês de Unidade Múltipla Elétrica. Uma das suas principais características é que todos ou vários vagões têm motores, diferente das locomotivas tradicionais onde o motor está no primeiro vagão, responsável por puxar todo o veículo.

A concepção tecnológica tem muitas décadas e já era utilizada no japonês Shinkansen, o primeiro sistema ferroviário de alta velocidade do mundo, que começou a funcionar comercialmente em 1964.

Os trens mais rápidos do mundo

Um dos últimos avanços da China na tecnologia ferroviária de alta velocidade é o trem CR450, que foi apresentado no final do ano passado e continua em fase de testes.

O novo veículo chinês tem velocidade de projeto de 450 km/h e operacional de 400 km/h. A primeira é a velocidade teórica que o trem pode atingir em condições ideais, a segunda é a velocidade máxima, determinada por fatores como segurança ou economia energética.

Essa velocidade tornará o CR450, o mais rápido do mundo.

A pesquisadora chefe da Academia Chinesa de Ciências Ferroviárias, Zhao Hongwei, destaca algumas novidades que a nova tecnologia traz. Mostrando um CR450 que está atrás dela, ela diz que esse novo modelo de trem-bala apresenta características de maior velocidade, maior segurança, maior eficiência energética, maior conforto e maior inteligência.

Além da velocidade, já mencionada, quanto à segurança, ela afirma que o trem possui uma distância de frenagem de 6.500 metros. A distância de frenagem é a medida que o trem precisa para parar completamente. Neste caso, o novo trem mantém a mesma distância que o CR400 precisa para parar a 350 km/h.

A pesquisadora também explica que o novo modelo reduz a resistência ao movimento em 22%, o que permite que o trem economize 20% de energia. “Dessa forma, seu consumo operando a 400 km/h é praticamente equivalente ao do CR400 operando a 350 km/h”, explica Zhao.

Complexidade tecnológica

A indústria de ferrovias de alta velocidade envolve tecnologias que incluem os trilhos e infraestrutura em geral, a energia, a aerodinâmica e a propulsão dos trens, além dos sistemas de gestão e monitoramento.

Para Zhao, “todo o sistema ferroviário de alta velocidade envolve um projeto de engenharia complexo”.

“Ele inclui infraestrutura, como a construção de linhas, pontes e túneis — o que chamamos justamente de ‘linha-ponte-túnel’, que são os elementos básicos da infraestrutura. E além disso, também abrange o sistema de alimentação por catenária, que é o sistema de fiação aérea para fornecer energia elétrica aos trens”, diz a pesquisadora.

O desenvolvimento do CR450 é uma das diversas tecnologias no centro de testes, como as da ferrovia Qinghai-Tibet, que atravessa 550 quilômetros de permafrost (solo permanentemente congelado).

O Centro de Testes Ferroviários

O diretor do Instituto de Testes de Infraestrutura da Academia Chinesa de Ciências Ferroviárias, Tian Xinyu, fala sobre uma das máquinas utilizadas para testar ferrovias.

“O Trem de Inspeção Integral de Alta Velocidade tem como função principal realizar avaliações técnicas periódicas da infraestrutura ferroviária”, diz.

“Este veículo é capaz de monitorar em tempo real mais de cem parâmetros diferentes, abrangendo os trilhos, o sistema de catenária e os equipamentos de comunicação e sinalização”, explica Tian.

O engenheiro Xing Tong do Instituto de Padrões e Metrologia da Academia Chinesa de Ciências Ferroviárias destaca duas plataformas de teste emblemáticas do seu laboratório.

Uma é a Plataforma de Teste de Pantógrafo-Catenária de Alta Velocidade. O pantógrafo é o
dispositivo colocado no teto do trem que fica em contato com o cabo aéreo, chamado catenária, que transmite energia elétrica.

Essa plataforma consegue fazer testes em velocidades de até 530 km/h, segundo o engenheiro.

A outra é a Plataforma de Teste de Sapatilha-Trilho de Coletor. Trata-se de outro sistema de alimentação energética dos trens, neste caso a sapatilha é um dispositivo do trem que entra em contato com um trilho que transmite a energia.

O sistema é mais utilizado para velocidades menores. No caso da plataforma do centro chinês, ela é capaz de testar velocidades de trens e metrôs de até 200 km/h.

Fonte: Bdf

Ler Mais
Economia

Dólar cai de 70% para 58% nas reservas mundiais enquanto novo ‘dólar’ da China avança e altera comércio brasileiro

É o fim do dólar? Entenda como o novo “dólar” da China pode impactar o Brasil e seus investimentos. Especialistas analisam a ascensão do yuan no comércio global e os riscos e oportunidades para a economia brasileira

O avanço do novo “dólar” da China — o yuan — no comércio internacional está acendendo um alerta entre economistas e investidores. Empresas brasileiras, como a Chilli Beans, já anunciaram que vão abandonar o dólar em operações de importação e adotar a moeda chinesa diretamente. O movimento reflete uma tendência global de diversificação cambial, acelerada após sanções dos Estados Unidos contra a Rússia.

Atualmente, o dólar representa 54% do comércio mundial e domina o mercado financeiro, mas perde espaço em reservas internacionais e pagamentos globais. Já o yuan, embora responda por apenas 2% das reservas globais e 7% das transações cambiais, cresce de forma constante e estratégica. Para especialistas, esse cenário coloca o Brasil em uma posição única — e potencialmente vantajosa — nas disputas comerciais entre EUA e China.

A ascensão do yuan e o reposicionamento global

De acordo com dados recentes, o dólar caiu de 70% para 58% na participação das reservas cambiais mundiais desde o início dos anos 2000. Nesse mesmo período, o yuan passou a integrar oficialmente as reservas internacionais, ganhando força no comércio asiático e em operações bilaterais.

O professor de economia internacional ouvido pela reportagem lembra que a história das moedas hegemônicas é cíclica: a libra esterlina perdeu espaço para o dólar no século XX, e agora o avanço da China como maior potência industrial pode abrir caminho para o yuan. No entanto, a falta de transparência do sistema chinês e o controle estatal ainda geram desconfiança entre investidores globais.

Oportunidades e riscos para o Brasil

O Brasil é hoje o maior fornecedor de matérias-primas para a China e um parceiro comercial relevante para os Estados Unidos. Isso o coloca no centro de uma disputa que pode render ganhos estratégicos se o país souber negociar. Especialistas defendem que o Brasil deveria adotar uma postura de neutralidade e exigir contrapartidas — como transferência de tecnologia e instalação de indústrias locais — em troca do fornecimento de insumos.

Com os preços das commodities em alta e o real ganhando força, o país já sente impactos positivos: o índice EWZ, que mede a bolsa brasileira em dólar, cresceu 25,01% em 2025, superando os 9,64% do S&P 500 no mesmo período. Mesmo sem reformas fiscais significativas, o cenário externo tem favorecido a economia brasileira.

O investidor brasileiro nesse novo cenário

Para quem investe, a recomendação de analistas é diversificar a carteira internacional e se preparar para possíveis mudanças no sistema monetário global. A queda do dólar no Brasil abre oportunidades para compra de ativos externos a preços mais atraentes, mas a instabilidade geopolítica exige cautela.

A disputa cambial não será resolvida a curto prazo, e o Brasil precisa decidir se quer apenas reagir aos movimentos das potências ou atuar de forma ativa para se beneficiar desse realinhamento econômico.

novo “dólar” da China ainda está longe de substituir o dólar como principal moeda global, mas sua expansão já influencia estratégias comerciais e investimentos. O Brasil, se bem posicionado, pode ser um dos grandes beneficiados — desde que alinhe política externa, setor industrial e interesses de longo prazo.

Fonte: Click Petróleo e Gás

Ler Mais
Internacional

China cria o maior estaleiro do mundo, impulsionada pela rivalidade com os EUA

Em um acordo de US$ 16 bilhões, China busca conter as ações de Trump para reconstruir estaleiros americanos

Uma fusão de US$ 16 bilhões entre dois estaleiros da China está prevista para ser concluída ainda nesta semana, criando o maior estaleiro do mundo, enquanto os EUA buscam uma maneira de retornar ao setor.

Os estaleiros americanos estão tentando recuperar o atraso após décadas de declínio da indústria marítima, embora os planos ambiciosos do presidente Trump para reativar a construção naval americana tenham enfrentado dificuldades recentemente. No curto prazo, a ameaça de Trump de impor taxas mais altas a navios fabricados na China está dando aos rivais sul-coreanos e japoneses uma oportunidade para reconquistar participação de mercado.

A campeã chinesa chama-se China State Shipbuilding, ou CSSC. Esta semana, a empresa deve absorver sua parceira na fusão, a China Shipbuilding Industry, e assumir a listagem exclusiva na Bolsa de Valores de Xangai, após a recente aprovação do acordo pelos órgãos reguladores.

A empresa resultante da fusão espera usar seu volume para cortar custos e superar a turbulência do setor causada pelas medidas de Trump.

As duas empresas eram originalmente uma só e se separaram em 1999, quando o governo quis promover a concorrência. Atualmente, Pequim busca consolidar empresas estatais em setores sensíveis, particularmente aqueles ligados ao setor militar.

O principal área de negócio da CSSC é o comercial, mas ela também tem contratos importantes com a Marinha Chinesa. A empresa que está sendo incorporada projetou e construiu o primeiro porta-aviões chinês, o Shandong.

A diretoria da empresa informou que a fusão permitirá atender melhor à necessidade da Marinha por equipamentos avançados.

“Este é um marco importante na busca de longo prazo da China para dominar a construção naval global“, disse Matthew Funaiole, analista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington.

Domínio da China

Juntas, as empresas representaram quase 17% do mercado global no ano passado, segundo dados de novos pedidos da Clarksons Research.

A carteira de pedidos combinada da empresa resultante da fusão totalizará mais de 530 navios e 54 milhões de toneladas de porte bruto, a maior do mundo, com uma receita anual de cerca de US$ 18 bilhões, segundo os últimos relatórios anuais.

“Isso fortalece a capacidade do governo chinês de executar sua estratégia de fusão militar-civil”, disse Funaiole. “A produção comercial e naval está cada vez mais integrada, compartilhando tecnologia, talento e infraestrutura.”

O governo chinês quer dominar a indústria da construção naval há décadas, e agora os estaleiros chineses representam mais da metade do mercado global.

Os navios construídos pela China representaram cerca de 55% da tonelagem global no ano passado, em comparação com menos de 0,05% dos EUA, segundo dados das Nações Unidas.

A China tem 232 vezes a capacidade de construção naval dos EUA, de acordo com a Marinha dos EUA.

Mas dados recentes sugerem que a China está enfrentando tempos mais difíceis, pois a perspectiva de taxas portuárias americanas sobre navios de fabricação chinesa levou os armadores a buscarem estaleiros não chineses. Além disso, as tarifas de Trump e o foco dos países nas cadeias de suprimentos domésticas aumentaram o espectro de uma redução no comércio global em geral, o que significa que menos navios seriam necessários para transportar mercadorias.

A Yangzijiang Shipbuilding, listada em Cingapura e o maior estaleiro privado da China, recebeu encomendas de 14 navios estimadas em US$ 540 milhões no primeiro semestre de 2025, em comparação com 126 embarcações estimadas em US$ 14,6 bilhões em todo o ano passado. Dados da Clarksons mostram que as encomendas globais de novos navios caíram 48% em relação ao ano anterior no primeiro semestre de 2025.

A Yangzijiang afirmou que o setor enfrenta “incertezas macroeconômicas e tensões geopolíticas”.

Enquanto isso, concorrentes menores no Japão buscam recuperar participação de mercado após décadas sendo pressionados por concorrentes chineses e sul-coreanos de menor custo.

O presidente da Imabari Shipbuilding, Yukito Higaki, que também preside a Associação de Construtores Navais do Japão, afirmou em junho que o país pretendia aumentar sua participação de mercado de cerca de 9% para 20% até 2030. A associação está “unindo empresas japonesas de navios e embarcações sob uma estratégia ‘All Japan’ para combater a China e a Coreia do Sul”, afirmou.

Japão dominava cerca de metade de toda a produção da construção naval na década de 1990.

Uma proposta apresentada em junho pelo Partido Liberal Democrata do Japão, agora no poder, pede amplos subsídios para estaleiros locais a fim de proteger a segurança nacional, incluindo um fundo público-privado de US$ 6,7 bilhões. “Se não agirmos agora, o Japão corre o risco de perder completamente sua indústria de construção naval, como aconteceu com a Europa e os Estados Unidos”, afirmou o partido.

“A China não desistirá facilmente”, afirmou Kenneth G. Huang, professor da Universidade Nacional de Cingapura que estuda empresas estatais chinesas. “A construção naval é uma capacidade essencial que a China quer desenvolver”, disse ele, “e a rivalidade com os EUA vai forçá-los a se modernizar mais rapidamente”.

Fonte: InvestNews

Ler Mais
Internacional

EUA perdem vendas de soja para China, enquanto Brasil ocupa abastecimento

Os exportadores de soja dos Estados Unidos correm o risco de perder bilhões de dólares em vendas para a China este ano, à medida que as negociações comerciais se arrastam e os compradores do principal importador de oleaginosas fecham cargas do Brasil para embarque durante a principal temporada de comercialização dos EUA, de acordo com traders.

Importadores chineses terminaram de reservar as cargas de soja para setembro, levando cerca de 8 milhões de toneladas, todas da América do Sul, disseram três traders à Reuters. Para outubro, compradores chineses garantiram cerca de 4 milhões de toneladas — metade de sua necessidade esperada — também da América do Sul, disseram os traders.    

“As fortes compras de soja da China no terceiro trimestre sugerem que o setor acumulou estoques antes dos possíveis riscos de fornecimento no quarto trimestre”, disse Wang Wenshen, analista da Sublime China Information. No ano passado, os importadores chineses de sementes oleaginosas compraram cerca de 7 milhões de toneladas dos EUA para embarques durante os dois meses. O risco de uma ausência prolongada de compras chinesas para o ano-safra dos EUA a partir de setembro, em meio a tensões comerciais não resolvidas, poderia aumentar a pressão sobre os futuros de Chicago, negociados próximos das mínimas de cinco anos, disseram os traders.

Normalmente, a maioria das compras chinesas de soja dos EUA é enviada entre setembro e janeiro, antes que os suprimentos brasileiros assumam o controle após a colheita da América do Sul. A expectativa é de que os compradores chineses concluam as reservas de outubro deste ano até o início do próximo mês, disse um trader de uma empresa internacional em Cingapura.

A China vem reduzindo sua dependência dos produtos agrícolas dos EUA desde a guerra comercial durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump. No ano passado, a China importou cerca de 105 milhões de toneladas de soja. Desse total, 22,13 milhões de toneladas vieram dos EUA, no valor de US$ 12 bilhões. 

Tensões comerciais prejudicam as perspectivas

No domingo (10), Trump pediu à China que quadruplicasse suas compras de soja antes do prazo final da trégua tarifária, uma meta que analistas disseram ser inviável, pois exigiria que a China comprasse quase exclusivamente dos EUA. No dia seguinte, os dois lados estenderam a trégua tarifária por 90 dias. No entanto, três traders disseram à Reuters que a prorrogação, por si só, não deve estimular as compras, já que a tarifa de Pequim sobre as importações de soja dos EUA permanece em 23% — tornando-as não competitivas.

A China poderia voltar a comprar soja dos EUA se chegasse a um acordo para reduzir as tarifas. “Um cenário possível é que, se ambos os lados chegarem a um acordo em novembro, a China poderá voltar a comprar soja dos EUA, potencialmente estendendo a janela de exportação dos EUA e pressionando as vendas de novas safras do Brasil”, disse Johnny Xiang, fundador da AgRadar Consulting, sediada em Pequim.

Excluindo as tarifas, a soja dos EUA para embarque em outubro está cerca de US$ 40 por tonelada mais barata do que as cargas brasileiras que estão sendo compradas pela China, segundo dois traders. A China tem soja em abundância após intensificar as importações, com as compras atingindo níveis recordes nos últimos meses. 

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Tecnologia

A verdadeira vantagem da China em IA não pode ser embargada

Enquanto os Estados Unidos impõem sanções a empresas como a Huawei, os chineses investem em uma abordagem que nenhuma política de contenção consegue minar: gerar talentos em massa em inteligência artificial

Quando a Meta anunciou, no fim de junho, um investimento estratégico na Scale AI e, logo depois, a contratação de oito estrelas da inteligência artificial, o movimento poderia parecer apenas mais uma disputa de talentos entre big techs.

Mas, para quem acompanha a geopolítica da tecnologia, é um sinal provocativo: a verdadeira vantagem competitiva da China na corrida da IA não está só nos chips e no hardware, mas nas pessoas. Seis das oito contratações de Zuckerberg são de origem chinesa, incluindo o próprio fundador da Scale AI, Alexandr Wang.

Jensen Huang, CEO da Nvidia, ele mesmo nascido em Taiwan de família originalmente da China Continental, já alertou que mais da metade dos talentos mais relevantes em IA no mundo hoje são de etnia chinesa.

Enquanto os Estados Unidos impõem sanções a empresas como a Huawei, restringem a exportação de chips avançados da Nvidia e da AMD, bloqueiam o acesso a máquinas de litografia da ASML e investem US$ 52 bilhões no CHIPS Act para reconstruir sua indústria de semicondutores, a China segue investindo em uma abordagem que nenhuma política de contenção consegue minar: gerar talentos em massa em inteligência artificial.

Essa formação estratégica tem início muito antes da universidade. O país não se resume a formar cientistas — ele está moldando sua população desde a infância para pensar e inovar com IA. A partir de 2018, um programa nacional de educação em IA foi implementado nas escolas básicas, e, em 2019, o governo lançou o “Inteligência Artificial para Educação Primária e Secundária”, com a meta de alcance total até 2025.

Com isso, mais de mil escolas públicas oferecem cursos com material padronizado, como o livro Fundamentos de Inteligência Artificial, presente em 50 mil salas de aula.

Crianças a partir dos seis anos aprendem lógica computacional, constroem robôs, programam assistentes de voz e treinam algoritmos simples com kits das empresas DJI, UBTech e SenseTime.

A plataforma iFLYTEK Smart Education já impactou mais de 28 milhões de estudantes, inclusive em áreas rurais, com conteúdos gamificados e professores apoiados por IA. Enquanto o Ocidente ainda discute se ChatGPT pode ser usado em sala de aula, a China alfabetiza milhões de crianças em IA — criando uma base de conhecimento que nenhuma sanção tecnológica consegue dispersar.

E essa visão se reflete no ensino superior. Conforme reportado pela MIT Technology Review, 80% dos estudantes chineses já utilizam ferramentas de IA — contra apenas 40% nos Estados Unidos. Os professores incentivam o uso de IA para brainstorming acadêmico, aprimorar redações e até auxiliar em pesquisas.

Grandes universidades como Tsinghua, Peking e Zhejiang incorporam laboratórios de IA em aulas de engenharia, medicina ou direito, e o Ministério da Educação sanciona oficialmente essa prática.

Já os ocidentais…

Enquanto isso, no Ocidente, muitos centros ainda debatem ética, riscos e possíveis fraudes de uso de IA. O resultado é que os graduandos chineses saem fluentes em IA — uma vantagem que nenhum programa emergencial ocidental é capaz de replicar.

Esse projeto educacional está conectado a uma estratégia de Estado iniciada em 2017 com o Plano Nacional de Desenvolvimento da Nova Geração de Inteligência Artificial, cujo objetivo explícito é tornar a China líder global em IA até 2030.

Mais de 345 universidades oferecem cursos especializados, o país forma cerca de 100 mil profissionais ao ano — incluindo 50 mil doutores em STEM — e já responde por 40% da produção científica global em IA e por 70% das patentes concedidas no setor em 2023.

Esse pipeline começa na escola primária, avança para a academia e se conecta a laboratórios de ponta em parceria com conglomerados como Alibaba, Huawei, Tencent e Baidu.

Em escala individual, a influência chinesa se expressa em figuras que moldam o futuro da IA global há tempos. Kai‑Fu Lee, ex-presidente da Google China, fundador da Sinovation Ventures e autor de AI Superpowers, permanece uma voz influente sobre o papel da China na tecnologia.

Fei‑Fei Li, professora da Stanford e cofundadora do AI4ALL, e Andrew Ng, cofundador do Google Brain e ex-diretor de IA da Baidu, são referências mundiais em aprendizado de máquina e visão computacional — fenômenos acadêmicos formados na China ou de origem chinesa, mas atuantes globalmente.

Além desses pilares, a ofensiva da Meta reforça a tese. A empresa recrutou Shengjia Zhao — co-criadora do ChatGPT e GPT‑4 — como chief scientist de sua nova Superintelligence Lab, em uma contratação simbólica que sinaliza ambição e urgência na guerra por talentos.

Zhao será líder do laboratório ao lado de Wang da Scale AI, demonstrando como a cultura de excelência e mobilidade dos pesquisadores chineses está central para o avanço estratégico dessas plataformas. Outros nomes incluem Li Yuanzhi, pesquisador da OpenAI, e Pang Ruoming, ex-engenheiro de modelos de fundação da Apple e veterano do Google, que veio por um pacote de USD 200 milhões.

Os desafios

Historicamente, os Estados Unidos eram um ímã para cientistas estrangeiros — mas isso vem mudando. Desde 2018, milhares de pesquisadores chineses deixaram universidades americanas diante de restrições de imigração, cortes em bolsas, pressões geopolíticas e um ambiente acadêmico mais hostil.

Ainda assim, mais de 40% dos principais pesquisadores de IA nos Estados Unidos são de origem chinesa e continuam liderando projetos como GPT, Gemini e Claude. A China está trazendo muitos deles de volta por meio do Thousand Talents Plan, do WAIC em Xangai, de pacotes com moradia, autonomia científica e, sobretudo, propósito nacional.

Enquanto a Meta chega a oferecer salários milionários na disputa por talento, a China constrói vantagem por escala educacional, narrativa e confiança social, transformando-se no celeiro mundial. Além de mais de 80% da população ver a IA de forma positiva, a tecnologia é um projeto de Estado — avançando na disseminação para outras camadas da população, mobilizando professores rurais e norteando as escolhas profissionais da nova geração.

Mas o modelo também enfrenta desafios: a previsão é que o país precisará de 4 a 5 milhões de profissionais de IA até 2030, há disparidades regionais na qualidade de ensino e o uso de vigilância em sala de aula pode cercear a liberdade intelectual. Ainda assim, a coordenação entre escolas, universidades e centros de pesquisa oferece uma vantagem estrutural que nenhum outro país está perto de igualar.

Os Estados Unidos podem restringir chips da Nvidia, bloquear equipamentos da ASML, sancionar empresas ou isolar centros de pesquisa. Mas nada disso desfaz a alfabetização digital de milhões de crianças chinesas que, desde os seis anos, aprendem a programar robôs, treinar algoritmos e pensar computacionalmente.

Chips podem ser copiados. Fábricas podem ser construídas. Subsídios podem ser igualados. Mas cérebros em escala? Esses não se embargam. A verdadeira vantagem da China em IA não está no silício — está nos milhares de talentos — e essa é a barreira mais difícil de copiar ou bloquear.

Quando o Japão quis desenvolver seu futebol na década de 1990, levou nosso Zico para ser técnico e jogador para desenvolver o esporte no país. Em 2024, a seleção japonesa conseguiu derrotar Alemanha e Espanha, ambas campeãs do mundo. Será que não está na hora de importarmos um Carlos Ancelotti chinês do AI antes de tomarmos mais um 7×1?

Fonte: NeoFeed

Ler Mais
Comércio Exterior

Brasil assina memorando de cooperação com China e Rússia em meio a tarifaço

Iniciativas buscam diversificar parcerias em um contexto de tensões comerciais globais

Foi publicado no DOU (Diário Oficial da União) desta segunda-feira (11), dois memorandos de cooperação do Brasil com a China e a Rússia, que permitem avanços em áreas estratégicas de finanças e economia.

Os documentos foram assinados em 3 de julho de 2025, no Rio de Janeiro, mas publicados em meio às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros.

A iniciativa com os chineses permite que os países “estabeleçam sinergias estratégicas entre as estratégias brasileiras de desenvolvimento, como a NIB (Nova Indústria Brasil), o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o Plano de Transformação Ecológica e o Programa Rotas da Integração Sul-Americana e a Iniciativa Cinturão e Rota, para impulsionar a atualização e o melhoramento da qualidade da cooperação entre os dois países”.

Além disso, o memorando destaca o compromisso de “expandir e aprofundar a cooperação programática” e reforça o papel da COSBAN (Comissão Brasileiro-Chinesa de Alto Nível), com foco em “ações concretas para propiciar a criação de um mecanismo internacional voltado à proteção e preservação das florestas tropicais”.

Já o memorando com os russos estabelece um “Diálogo Econômico e Financeiro bilateral regular” para promover cooperação em áreas como “políticas macroeconômicas, desafios econômicos, cooperação tributária, financiamento de infraestrutura e fortalecimento da cooperação multilateral no âmbito dos BRICS e do G20”.

O texto ressalta que as partes atuarão com base nos princípios de “igualdade, benefício mútuo, confiança mútua firme, abertura, inovação, justiça, equidade e respeito à soberania”.

Os documentos foram assinados pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e seus homólogos Anton Siluanov, da Rússia, e o representante do Ministério das Finanças da China. As iniciativas buscam diversificar parcerias em um contexto de tensões comerciais globais.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior

Especialista: China não tem interesse de voltar a depender da soja dos EUA

Quando conversa com seus interlocutores na China, Larissa Wachholz ouve que não há interesse por parte dos chineses de voltar a depender da soja dos Estados Unidos como foi no passado.

Até a primeira passagem de Donald Trump pela Casa Branca, os norte-americanos se destacavam como fornecedores da oleaginosa ao país asiático. Desde a primeira guerra comercial deflagrada pelo republicano, a balança virou de ponta cabeça: hoje, os EUA fornecem cerca de 20% da soja consumida pelos chineses; o Brasil, 70%.

Especialista do núcleo de Ásia do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e sócia da Vallya Participações, Wachholz relatou ao WW desta segunda-feira (11) que os chineses têm para eles que a diversificação de mercado foi fruto de um esforço e que, por tanto, o país “não teria interesse em caminhar para uma nova dependência”. Wachholz também foi assessora especial do Ministério da Agricultura para assuntos relativos à China.

Ela ressalta que na relação entre os EUA e a China houve uma quebra de confiança em relação a um “produtos tão essencial como a soja” para os chineses. Em meio a negociações que caminham vagarosamente, Washington e Pequim, até o momento, não estabeleceram nenhuma garantia de que as tarifas aplicadas um contra o outro não vão voltar a subir.

Mais cedo, Trump se manifestou sobre a relação comercial, e exigiu que os chineses quadrupliquem as compras de soja norte-americana. O movimento veio pouco antes de o republicano estender, por mais 90 dias, a pausa tarifária à China. Questionada se os dois movimentos estão interligados, Wachholz pondera que ainda não há como saber ao certo e que “tudo indica que não tenha sido”. Porém, a especialista em negócios com a China não descarta que a soja esteja sendo utilizada pela Casa Branca como ferramenta política nas tratativas com os chineses.  

Ao perder espaço no mercado chinês, o produtor norte-americano se viu em uma situação delicada, agricultores estes que estão baseados em estados tradicionalmente republicanos. “O presidente Trump tem dito repetidas vezes que as tarifas são resposta a um déficit comercial, que é difícil de resolver, os volumes são muitos grandes. Mas os Estados Unidos têm condições de exportar produtos agrícolas e a China é uma grande demandante”, observa Wachholz. “Esse é um tipo de produto que de fato tem na China um mercado consumidor e poderia ser usado de forma política para um acordo. E as duas maiores economias do mundo precisam chegar a um acordo para várias cadeias produtivas.”

Se adotada a demanda, prejudicano na história seria o Brasil: os EUA virariam o maior fornecedor à China, apesar de a soja brasileira ser mais competitiva por conta de preço, escala de produção e qualidade. Porém, Wachholz ressalta que nem a dependência da China da soja brasileira é de interesse dos chineses, destacando políticas públicas que o governo de Xi Jinping tem promovido para reduzir as compras do grão.

“Em uma viagem à China, em junho, ouvi de uma autoridade brasileira que, quando se encontrou com o presidente da Universidade de Agricultura da China, ouviu que a missão a ele dada por Xi Jinping foi de reduzir as compras da China de soja brasileira. Também tem preocupação do lado deles de ter muitos ovos da mesma cesta de fornecimento.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Comércio Exterior

Como a empresa mais valiosa do mundo ficou no meio da briga China-EUA

Em acordo histórico com governo Trump, gigantes da tecnologia concordam em compartilhar receitas de vendas para o mercado chinês em troca de licenças de exportação

Empresa mais valiosa do mundo, a Nvidia se vê no meio da histórica guerra comercial de Donald Trump com a China. O resultado: uma concessão extraordinária de uma corporação de US$ 4,5 trilhões que dará aos Estados Unidos uma porcentagem de cada chip de inteligência artificial de alta performance vendido aos chineses.

O acordo, que a AMD também assinou para alguns de seus chips, pode equilibrar dois objetivos concorrentes da administração Trump: manter a dominância norte-americana em IA enquanto assegura um acordo comercial com a China.

A tratativa ainda pode garantir à Casa Branca bilhões de dólares para gastar como desejar.

Do que trata o acordo?

A Nvidia e a AMD concordaram em pagar ao governo norte-americano 15% de suas receitas provenientes das vendas de semicondutores para a China em troca de licenças para exportar sua tecnologia para lá.

A Casa Branca bloqueou em abril a exportação de certos chips de IA para a China, incluindo os chips H20 da Nvidia e MI308 da AMD.

O acordo com a administração Trump permite que as empresas obtenham licenças de exportação para retomar as vendas desses chips na China, disse um funcionário norte-americano à CNN Internacional. O Financial Times foi o primeiro a reportar a história no domingo (10).

A Nvidia antecipou o acordo no mês passado, quando disse que retomaria as vendas do chip H20 para a China após o governo demonstrar abertura para permitir novamente a exportação de certos chips de IA.

Mas o pagamento de 15% foi uma surpresa. Trump disse que inicialmente foi solicitado à Nvidia pagar 20%, mas eles negociaram a taxa para 15%.

O acordo foi fechado após o CEO da companhia, Jensen Huang, se reunir com o presidente dos Estados Unidos na quarta-feira (6), disse o funcionário. Embora as licenças de exportação tenham sido concedidas na sexta-feira (8), nenhum envio foi feito ainda.

“Seguimos as regras que o governo dos EUA estabelece para nossa participação nos mercados mundiais”, disse um porta-voz da Nvidia em comunicado.

“Embora não tenhamos enviado H20 para a China por meses, esperamos que as regras de controle de exportação permitam que a América compita na China e mundialmente.”

Quão extraordinário é isto?

Governos, incluindo os Estados Unidos, já assumiram o controle de empresas no passado quando eram consideradas de importância estratégica para a segurança nacional.

Durante a crise financeira em 2009, os Estados Unidos assumiram o controle da General Motors e Chrysler, e os rendimentos dessas participações foram diretamente para o Tesouro norte-americano depois que o governo as vendeu com lucro.

Mas não está claro se o governo dos EUA já exigiu uma porcentagem dos negócios de uma empresa sem assumir participação acionária – ou se isso é sequer legal.

A Constituição dos EUA proíbe impostos sobre exportações. Para contornar isso, os termos do acordo foram estruturados como um acordo voluntário, para que não seja considerado um imposto ou tarifa, disse um funcionário.

Em vez disso, Nvidia e AMD enviarão voluntariamente fundos ao governo norte-americano. As empresas não terão nenhuma influência sobre como o governo utilizará esse dinheiro após o envio.

“É difícil identificar qualquer precedente histórico para esse tipo de acordo”, disse Sarah Kreps, professora de direito e diretora do Instituto de Política Tecnológica da Escola Brooks de Política Pública da Universidade Cornell.

E a segurança nacional?

Nos últimos anos, o governo norte-americano tem buscado restringir o acesso da China à tecnologia avançada dos EUA em um esforço para desacelerar seu progresso em IA e permitir que os Estados Unidos se mantenham no topo.

Mas a reversão da Casa Branca nos controles de exportação pode ser um reconhecimento de que a China está avançando em IA de qualquer maneira, então as empresas norte-americanas podem muito bem ser autorizadas a se beneficiar.

Isso também pode dar aos EUA outra forma de aumentar a receita para o governo, junto com as tarifas.

“Parece que houve alguma vacilação dentro da administração sobre e em relação à China, e acho que isso reflete a divisão interna dentro da administração entre os falcões da China e os pragmáticos econômicos”, disse Kreps. “Parece que, cada vez mais, os pragmáticos econômicos estão prevalecendo.”

Essa abordagem se alinharia com os argumentos de Huang, da Nvidia, que tem dito que restringir as vendas de chips de IA é ruim para a segurança nacional dos EUA.

Os desenvolvedores chineses poderiam simplesmente minar a liderança norte-americana criando suas próprias alternativas se não puderem comprar tecnologia do país, segundo Huang, que se reuniu com Trump repetidamente nos últimos meses.

A Casa Branca concorda com o CEO, acreditando que é melhor ter a China vinculada a um chip fabricado nos EUA vendido por canais legítimos do que forçá-la ao mercado negro, disse um funcionário do governo. Os chineses têm conseguido subverter os canais existentes para obter chips restritos de qualquer maneira.

Por que Trump está cobrando 15%?

Grandes questões permanecem sobre onde surgiu a ideia da comissão de 15% e o que isso poderia significar para a segurança nacional.

Um funcionário do governo disse que o pagamento permite que a administração mantenha o controle do processo de exportação e gere receita para a Casa Branca no processo.

Ainda assim, não está claro se a penalidade para Nvidia e AMD efetivamente limitará o fluxo dos chips ou eliminará quaisquer possíveis questões de segurança nacional.

“Se existe uma preocupação legítima de segurança nacional sobre a exportação desses chips para a China, então não vejo como os pagamentos ao governo dos EUA resolvem esses riscos. Na verdade, não resolvem de forma alguma”, disse Scott Kennedy, consultor sênior e presidente do conselho em negócios e economia chinesa no CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais).

“E se não houver risco suficiente à segurança nacional ou se eles puderem ser adequadamente mitigados […] então o governo dos EUA deveria simplesmente sair do caminho e não esperar nada em troca.”

O que isso significa para a Nvidia?

A Nvidia lançou o chip H20 no ano passado como uma forma de manter acesso ao mercado chinês — que representou 13% das vendas da empresa em 2024 — diante dos controles de exportação impostos pela administração Biden.

Mas acredita-se que os chips tenham contribuído para o DeepSeek, um modelo avançado de IA chinês que abalou o Vale do Silício após seu lançamento no início deste ano, levantando preocupações de que a China estaria mais à frente em IA do que se pensava anteriormente.

Depois que a administração Trump proibiu as vendas do H20 para a China em abril, a Nvidia disse que teve bilhões de dólares em encargos e perda de receita devido aos controles de exportação no primeiro trimestre e projetou um resultado semelhante no segundo trimestre.

Assim, mesmo que tenha que repassar 15% dessas vendas para a Casa Branca, retomar os envios do H20 para a China poderia significar bilhões de dólares a mais em receita para a Nvidia — que se tornou a primeira empresa de capital aberto a ultrapassar US$ 4 trilhões em valor de mercado no mês passado.

As ações da Nvidia subiram até 0,5% na segunda-feira (11).

Qual a importância desses chips?

Na segunda-feira (11), Trump chamou o chip H20 da Nvidia de “obsoleto”, dizendo que a China “já o possui em uma forma diferente.”

“Esses H20s ainda são estado da arte”, disse Kennedy do CSIS. Embora sejam menos avançados, em alguns aspectos, do que outros chips da Nvidia, “eles também vêm com elementos que os tornam extremamente sofisticados e valiosos”, incluindo suas capacidades de memória.

“Acho que sugestões de que eles são obsoletos subestimam o valor para o usuário”, disse ele.

A Nvidia provavelmente considerou que há demanda chinesa suficiente pelos chips para tornar a comissão de 15% para a Casa Branca uma compensação válida para seus negócios, segundo Kreps.

“Você tem que fazer um cálculo baseado no que foi perdido com os controles de exportação”, disse ela.

Trump aprovará chips mais avançados?

Na segunda, Trump deixou em aberto a possibilidade de a Nvidia exportar seus chips Blackwell de altíssimo desempenho por um preço mais alto.

A administração do republicano havia fechado as portas para a exportação dessa tecnologia para a China — mesmo após reverter o curso sobre o H20.

No entanto, Trump disse que consideraria permitir que a Nvidia vendesse o chip Blackwell.

“O Blackwell é superultraavançado. Eu não faria um acordo com isso, embora seja possível”, disse Trump. “Eu faria um acordo um pouco aprimorado de forma negativa. Blackwell, em outras palavras, tirar 30% a 50% dele, mas esse é o último e o melhor do mundo. Ninguém tem isso. Eles não terão por cinco anos.”

Trump disse que Huang voltará à Casa Branca no futuro para discutir a venda de uma versão “não aprimorada” do Blackwell.

“Acho que ele virá me ver novamente sobre isso, mas será uma versão não aprimorada do grande”, disse Trump. “Sabe, às vezes vendemos aviões de caça para um país e damos a eles 20% menos do que temos.”

O que a China quer?

Questionamentos de Pequim sobre a segurança dos chips de IA americanos também levantam incertezas sobre quão bem-sucedida a política de comissão de Trump poderia ser.

A China pode optar por não comprar os chips H20 da empresa americana Nvidia, disse no domingo (10) a conta de mídia social Yuyuan Tantian, que é afiliada à emissora estatal CCTV.

Ela alegou que os chips poderiam ter “backdoors” que afetam sua função e segurança, seguindo alegações similares anteriores da administração de cibersegurança da China.

A Nvidia tem negado repetidamente que seus produtos possuam backdoors.

No entanto, essa declaração pode ser menos uma indicação de que a China não comprará chips americanos e mais um sinal para as empresas de tecnologia chinesas continuarem inovando em semicondutores, mesmo se os envios dos EUA forem retomados, disse Kennedy.

O que isso significa para um acordo comercial mais amplo?

Para a administração Trump, a análise de custo-benefício indica que isso abre o fluxo de chips de médio porte para a China, ao mesmo tempo em que fornece à administração uma importante moeda de troca nas negociações comerciais em andamento, disse um funcionário dos EUA.

O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, classificou os controles de exportação da Nvidia como uma “moeda de negociação” nas discussões comerciais mais amplas entre EUA e China.

Mas a China está ciente disso, e seu posicionamento sobre supostas preocupações de segurança com o chip H20 neste fim de semana sugere que não será convencida tão facilmente — mesmo que deseje os chips para seu mercado.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook