Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul enfrenta novas barreiras e gera preocupação com acesso ao mercado europeu

A entrada em vigor do acordo UE-Mercosul trouxe expectativas de ampliação do comércio e dos investimentos entre os dois blocos. No entanto, uma série de novas medidas discutidas ou adotadas pela União Europeia tem gerado preocupações entre os países sul-americanos, especialmente o Brasil, que vê crescer o risco de restrições ao acesso ao mercado europeu mesmo após concessões negociadas ao longo de décadas.

Em um cenário global marcado por tensões comerciais, barreiras regulatórias e enfraquecimento das regras multilaterais, especialistas avaliam que acordos comerciais já não garantem, por si só, acesso estável aos mercados internacionais.

Restrição ao aço abre primeiro foco de tensão

O primeiro grande teste para a relação entre os dois blocos envolve o setor siderúrgico. Bruxelas pretende implementar novas restrições às importações de aço com o argumento de combater a sobrecapacidade global de produção, atribuída principalmente à China.

A proposta prevê uma redução significativa das cotas de exportação atualmente disponíveis e a elevação da tarifa aplicada aos volumes que ultrapassarem esses limites, passando de 25% para 50%.

A medida causa desconforto porque o acordo Mercosul-União Europeia prevê justamente a eliminação dessas tarifas. Para países como Brasil e Argentina, a iniciativa reduz parte dos benefícios comerciais que haviam sido negociados no tratado.

Suspensão da carne bovina amplia insatisfação

Outro episódio que gerou reação em Brasília foi a suspensão das importações de determinados produtos de carne bovina brasileira pela União Europeia.

O bloco europeu justificou a decisão com preocupações relacionadas à presença de antimicrobianos utilizados na produção animal. Embora o tema já estivesse sendo discutido entre as partes, autoridades brasileiras consideraram a medida desproporcional, especialmente por ter sido adotada logo após o início da vigência do acordo.

Agora, a expectativa é que a documentação enviada pelo governo brasileiro permita uma reavaliação da decisão e uma eventual reabertura parcial do mercado europeu para esses produtos.

Açúcar, soja e biocombustíveis também entram no radar

As preocupações não se limitam ao setor pecuário. Em maio, a União Europeia suspendeu por um ano um regime aduaneiro que facilitava a entrada de açúcar bruto destinado ao refino e posterior reexportação.

A medida afeta diretamente o Brasil, principal fornecedor dentro desse sistema.

Além disso, mudanças recentes na política europeia para biocombustíveis classificaram o óleo de soja como matéria-prima de alto risco de mudança indireta no uso da terra, associando sua produção a potenciais impactos sobre o desmatamento. A decisão reduz as oportunidades de acesso do produto ao mercado europeu.

União Europeia busca ampliar autossuficiência agrícola

Novas propostas em discussão também podem afetar as exportações agrícolas do Mercosul.

Bruxelas avalia estratégias para aumentar a produção interna de oleaginosas e proteínas vegetais, elevando a participação da produção europeia no abastecimento do bloco. A iniciativa poderá reduzir a dependência de importações de soja provenientes do Brasil, Argentina e Estados Unidos.

Paralelamente, a União Europeia pretende ampliar as compras desses produtos da Ucrânia, país que busca ingressar oficialmente no bloco europeu.

Novas regras industriais podem criar obstáculos adicionais

O setor industrial também acompanha com atenção a elaboração de novos mecanismos de proteção ao mercado europeu.

Entre as propostas está o chamado Industrial Accelerator Act, iniciativa que pretende fortalecer a indústria local por meio de exigências de produção doméstica para acesso a licitações públicas e programas de subsídios.

Na avaliação de especialistas, caso seja implementada sem mecanismos de equilíbrio, a medida poderá restringir o acesso de empresas do Mercosul ao mercado europeu de compras governamentais.

Taxa de carbono e lei antidesmatamento elevam desafios

Outro ponto de atenção é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), conhecido como taxa de carbono da União Europeia. Previsto para entrar em vigor plenamente em 2027, o instrumento poderá gerar custos adicionais para exportadores brasileiros de determinados produtos.

No mesmo ano, passará a valer a rigorosa Lei Antidesmatamento da União Europeia, que estabelecerá critérios para a comercialização de commodities como soja, carne bovina, café, madeira, cacau, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados como couro, chocolate, pneus e móveis.

As regras restringirão a entrada de mercadorias associadas a áreas desmatadas após 2020.

Cresce percepção de desequilíbrio no acordo

A sucessão de medidas tem alimentado a percepção, em setores produtivos do Mercosul, de que as concessões obtidas no acordo comercial podem ser reduzidas por novas exigências regulatórias, sanitárias, ambientais ou industriais.

Enquanto os compromissos assumidos pelos países sul-americanos permanecem válidos, o surgimento de novas barreiras gera dúvidas sobre os ganhos efetivos esperados com o tratado.

Para exportadores e representantes da indústria, o desafio agora será garantir que os benefícios negociados no acordo UE-Mercosul sejam preservados e não sejam gradualmente limitados por mudanças regulatórias posteriores.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Sebrae de Notícias

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Comércio Internacional

Descarbonização vira exigência para exportações à União Europeia com novas regras ambientais

A descarbonização deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser um requisito obrigatório para empresas que exportam à União Europeia (UE). Desde 1º de janeiro, está em vigor o Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), mecanismo que impõe novas exigências ambientais a produtos importados pelo bloco.

O que é o CBAM e quem é impactado

O CBAM afeta diretamente exportadores de aço, alumínio, cimento, ferro, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio, setores com alta intensidade de emissões. A medida foi criada para combater a chamada “fuga de carbono”, evitando que a produção seja transferida para países com regras ambientais menos rigorosas.

Na prática, o mecanismo estabelece uma taxação sobre importações provenientes de países que não adotam padrões equivalentes de precificação ou controle de emissões de gases de efeito estufa. As empresas precisam comprovar a pegada de carbono de seus produtos para manter o acesso ao mercado europeu.

Desafio regulatório e mudança no comércio global

Para a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Maitê Bustamante, o CBAM representa mais do que uma nova exigência regulatória. Segundo ela, o mecanismo sinaliza uma transformação estrutural no comércio internacional.

“O tema deixa de ser uma discussão de longo prazo e passa a demandar ações imediatas da indústria, com investimentos em mensuração de emissões, eficiência energética e estratégias de descarbonização”, afirma.

Competitividade e valorização de produtos sustentáveis

O impacto do CBAM vai além de uma possível barreira comercial. O novo modelo tende a favorecer empresas que já adotam práticas sustentáveis, ampliando a competitividade de produtos com menor intensidade de carbono e facilitando o acesso a mercados mais exigentes do ponto de vista ambiental.

Reflexos para a indústria catarinense

No caso de Santa Catarina, a adaptação é ainda mais estratégica devido ao perfil exportador do estado e à diversidade de setores industriais com forte presença no mercado europeu. De acordo com Bustamante, a adequação às regras do CBAM exige não apenas ajustes técnicos, mas também planejamento estratégico e acesso a informações qualificadas. A documentação oficial está disponível no site da Comissão Europeia.

Apoio às empresas e orientação técnica

A FIESC tem atuado no apoio às indústrias, oferecendo orientação sobre os impactos do CBAM, esclarecendo exigências regulatórias e estimulando soluções que fortaleçam a competitividade industrial em um cenário de economia de baixo carbono. Empresas interessadas podem tirar dúvidas pelo e-mail geint@fiesc.com.br.

Controle de efluentes e práticas ESG

Durante o encontro, o consultor da FIESC Luís Henrique Cândido da Silveira apresentou parâmetros e padrões para o controle de efluentes líquidos industriais. Na sequência, Julia Iasmin detalhou o WEEN ESG, programa da Pronatur voltado à gestão e implementação de práticas ESG, auxiliando empresas de diferentes portes a estruturar, mensurar e evoluir em suas estratégias de sustentabilidade.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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Exportação

Tarifas dos EUA sobre alumínio ampliam concorrência e mudam rotas de exportação, diz CBA

O presidente da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Luciano Alves, afirmou que as tarifas de 50% aplicadas pelos Estados Unidos sobre o alumínio brasileiro alteraram o equilíbrio global entre oferta e demanda, forçando empresas a redirecionar exportações e acirrando a disputa por mercados internacionais.

Impacto das tarifas no comércio global

Segundo Alves, a redução nas vendas para o mercado norte-americano levou produtores brasileiros a buscar alternativas em outros destinos estratégicos, como Europa e América Latina. Essa movimentação, explicou ele, tem aumentado a competitividade nesses mercados, que agora recebem parte do alumínio antes destinado aos EUA.

“É natural observar uma queda no volume exportado para os Estados Unidos. As empresas estão procurando espaço nos mesmos mercados, especialmente Europa e América Latina, o que eleva a concorrência e afeta nossa atuação nessas regiões”, disse o executivo ao Valor.

Alves também destacou que o mercado americano tem compensado a redução de importações com a compra de sucata, enquanto a CBA ajusta sua produção para atender novos destinos e fortalecer a presença no mercado interno.

Estratégia da CBA diante do novo cenário

Com a nova configuração comercial, marcada por incertezas e maior competição global, a CBA tem concentrado a produção no Brasil, destinando cerca de 12% ao mercado externo, principalmente em lingotes de alumínio enviados à Europa.

O executivo explicou que essa antecipação está ligada à chegada do CBAM (Carbon Border Adjustment Mechanism), mecanismo europeu que, a partir de 2026, vai cobrar tarifas baseadas nas emissões de carbono de produtos importados.

“Os clientes europeus já estão se preparando para essa transição regulatória, antecipando suas compras”, observou Alves.

Desafios para exportadoras brasileiras

As declarações do presidente da CBA evidenciam os desafios enfrentados pelas exportadoras brasileiras diante de novas barreiras comerciais e ambientais impostas por grandes economias. A adaptação a normas mais rígidas de sustentabilidade e a diversificação de mercados se tornaram, segundo ele, estratégias essenciais para manter a competitividade do setor.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Daniel Wainstein/Valor

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