Agronegócio

Mercado global de fertilizantes deve enfrentar nova onda de instabilidade, alerta BHP

O mercado global de fertilizantes atravessa sua terceira fase de turbulência em apenas seis anos e deve continuar volátil nos próximos meses. O alerta foi feito por Karina Gistelinck, presidente de potássio da BHP, maior mineradora do mundo.

Segundo a executiva, após os impactos causados pela pandemia de Covid-19 e pela guerra na Ucrânia, novos fatores geopolíticos — como o conflito no Oriente Médio e restrições de exportação impostas por Rússia e China — adicionaram mais incerteza ao setor.

Custos elevados e queda temporária na demanda

Embora o potássio seja menos afetado diretamente por conflitos internacionais do que outros nutrientes, como nitrogênio e fosfato, a empresa já sente os reflexos da crise. O principal impacto vem do aumento nos custos de frete marítimo.

Com isso, a expectativa é de uma redução temporária na demanda por fertilizantes do tipo NPK, que combinam diferentes nutrientes essenciais à agricultura.

De acordo com Gistelinck, os produtores rurais tendem a reduzir o uso desses insumos no curto prazo. “O agricultor não compra potássio isoladamente, mas sim o NPK, cujo principal componente é o nitrogênio. Se houver corte no consumo, isso afetará também o preço do potássio”, explicou.

Impacto limitado no Brasil, mas com efeito no curto prazo

No caso do Brasil, a redução no uso de fertilizantes deve ser pontual. Isso porque os solos brasileiros são naturalmente pobres em nutrientes, o que impede cortes prolongados.

Segundo a executiva, um eventual recuo no uso de potássio pode afetar uma safra, mas exigirá compensação nas seguintes. Como o país possui dois ciclos agrícolas por ano, o impacto tende a durar cerca de seis meses.

Estratégia da BHP foca em redução de custos

Diante do cenário instável, a BHP aposta na redução dos custos de produção como estratégia para manter margens positivas no mercado de fertilizantes.

Historicamente, o custo de produção do potássio varia entre US$ 105 e US$ 120 por tonelada, enquanto o preço mínimo do produto gira em torno de US$ 260 por tonelada. A meta da empresa é se tornar a produtora com menor custo operacional no Canadá.

Novo projeto no Canadá deve ampliar oferta global

A mineradora prevê iniciar a extração de potássio em sua mina na província de Saskatchewan, no Canadá, no início de 2027. A região concentra cerca de 40% das reservas globais do nutriente.

O projeto, que recebeu investimento de US$ 13 bilhões — o maior da história da empresa — deve atingir produção de 4,1 milhões de toneladas em dois anos. No pico, previsto para 2033, a capacidade pode chegar a 8,5 milhões de toneladas anuais, o equivalente a 10% da produção global.

Desse total, aproximadamente 20% deve ser destinado ao mercado brasileiro, reforçando o papel do país como grande importador de potássio.

Cooperação internacional é chave para estabilidade

Para enfrentar a volatilidade do setor e garantir o abastecimento de insumos agrícolas, a executiva defende maior cooperação entre governos e empresas.

Ela destacou o potencial de parceria entre países como Austrália, Canadá e Brasil, que possuem economias complementares e forte presença nos setores mineral e agrícola.

Infraestrutura brasileira é fator estratégico

Durante visita recente a Brasília, Gistelinck participou de reuniões para avançar contratos de distribuição no Brasil e demonstrou otimismo com o alinhamento entre governo e setor privado.

Ela ressaltou a importância de investimentos em infraestrutura logística — especialmente em ferrovias e rodovias — para facilitar o transporte de fertilizantes dos portos até regiões agrícolas como o Centro-Oeste e o Matopiba.

Além disso, destacou a necessidade de ampliar a capacidade de armazenamento e reduzir custos de importação.

Dependência externa ainda é inevitável

Apesar da ausência de barreiras regulatórias relevantes no Brasil, a executiva alertou que a dependência excessiva de importações não é ideal.

Ainda assim, ela reconhece que o país continuará sendo um grande importador de fertilizantes, devido a limitações geológicas e à expansão do agronegócio.

“Não há cenário em que o Brasil deixe de importar potássio”, afirmou.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Internacional

Acordo Mercosul-Canadá avança e pode ser fechado ainda em 2026

As negociações para um acordo de livre comércio Mercosul-Canadá avançam em ritmo acelerado e podem resultar em um entendimento até o fim de 2026. Uma nova rodada de conversas está prevista para abril, em Brasília, segundo fontes próximas às tratativas.

Representantes de governos envolvidos indicam que o diálogo evolui de forma positiva, com possibilidade de conclusão antes mesmo do segundo semestre. Há expectativa de assinatura entre setembro e outubro, cerca de um ano após a retomada formal das negociações.

Expectativa de avanço rápido nas tratativas

Diplomatas afirmam que o processo ocorre em velocidade considerada inédita. A avaliação é de que o acordo comercial internacional pode ser fechado ainda este ano, caso o ritmo atual seja mantido.

A visita do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, ao Brasil, prevista para os próximos meses, é vista como um fator que pode impulsionar as negociações, embora não haja previsão de anúncio oficial durante o encontro.

Retomada após impasse e foco na diversificação comercial

As tratativas entre o Mercosul e Canadá foram retomadas no ano passado após ficarem paralisadas desde 2021. O bloco sul-americano é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em processo de adesão como membro pleno.

O Canadá tem intensificado sua estratégia de diversificação comercial, especialmente diante das incertezas relacionadas às políticas tarifárias dos Estados Unidos. Nesse cenário, a América do Sul, com destaque para o Brasil, ganha relevância como parceiro estratégico.

Benefícios econômicos e ampliação de mercados

Para o Mercosul, um dos principais exportadores globais de carne bovina, soja e minérios, o acordo representa uma oportunidade de ampliar o acesso a mercados desenvolvidos e atrair investimentos estrangeiros.

Já para o Canadá, o fortalecimento das relações comerciais com a região pode reduzir a dependência econômica dos EUA e abrir novas frentes de negócios em setores como tecnologia e mineração.

Missões comerciais reforçam aproximação

No início de março, representantes da província de Ontário realizaram visitas à Argentina e ao Uruguai para estreitar relações comerciais e preparar o terreno para o acordo. A iniciativa deu continuidade a agendas semelhantes realizadas anteriormente no Brasil.

Autoridades locais destacaram que o movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão internacional, impulsionada pela necessidade de diversificar parceiros comerciais.

Contexto global favorece novos acordos

O avanço nas negociações com o Canadá ocorre após o acordo Mercosul-União Europeia, firmado em janeiro após mais de duas décadas de negociações. A implementação provisória de parte das medidas está prevista para começar em maio.

Esse cenário reforça a tendência de ampliação de acordos comerciais do bloco sul-americano, em um momento de reorganização das cadeias globais de comércio.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/REUTERS/Ingrid Bulmer

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Comércio Internacional

China reage a ameaça de Trump e afirma que acordo com Canadá não mira terceiros

A China declarou nesta segunda-feira que seus acordos comerciais e econômicos com o Canadá não têm como objetivo atingir nenhum outro país. A manifestação ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor tarifas elevadas sobre produtos canadenses caso o entendimento entre Ottawa e Pequim avance.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, as cooperações firmadas são baseadas em interesses bilaterais e seguem princípios de abertura e respeito mútuo, sem direcionamento contra terceiros.

Trump ameaça tarifas de 100% sobre produtos canadenses

No sábado (24), Trump afirmou que poderá aplicar tarifas de 100% sobre todas as importações do Canadá caso o país finalize um acordo comercial com a China. A declaração foi feita após o anúncio de uma nova parceria estratégica entre Canadá e China, formalizada durante a visita do primeiro-ministro canadense Mark Carney a Pequim.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que o Canadá não pode se transformar em um “porto de descarga” para produtos chineses com destino ao mercado americano, reforçando o tom de advertência.

Visita histórica e retomada do diálogo bilateral

A viagem de Mark Carney à China foi a primeira de um líder canadense ao país em oito anos e marca uma tentativa de reconstrução dos laços diplomáticos e comerciais com o segundo maior parceiro econômico do Canadá, atrás apenas dos Estados Unidos.

Entre os principais pontos em negociação está a redução das tarifas chinesas sobre a canola canadense, além da ampliação do acesso de veículos elétricos chineses ao mercado canadense.

Canadá reduz tarifas sobre veículos elétricos chineses

De acordo com Carney, o Canadá permitirá inicialmente a entrada de até 49 mil carros elétricos chineses, com tarifa de 6,1%, dentro das regras de nação mais favorecida. O percentual é significativamente inferior à alíquota de 100% imposta em 2024 pelo ex-primeiro-ministro Justin Trudeau, em alinhamento com medidas adotadas pelos EUA.

Em 2023, a China exportou 41.678 veículos elétricos para o Canadá. A expectativa do governo canadense é elevar gradualmente a cota, chegando a cerca de 70 mil veículos em cinco anos.

Divergências internas e reação do setor automotivo

A decisão de flexibilizar as tarifas gerou críticas internas. O premiê da província de Ontário, Doug Ford, principal polo automotivo do país, afirmou que o acordo pode resultar em uma entrada massiva de veículos chineses sem garantias de investimentos equivalentes na indústria canadense e em sua cadeia de suprimentos.

Ainda assim, Carney defendeu a estratégia, afirmando que o Canadá precisa aprender com parceiros inovadores, acessar cadeias globais e estimular a demanda local para desenvolver um setor competitivo de mobilidade elétrica.

Retaliações e expectativa de alívio tarifário

Em resposta às tarifas impostas por Trudeau, a China havia aplicado, em março, sanções sobre mais de US$ 2,6 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios canadenses, incluindo óleo, farinha e sementes de canola, além de frutos do mar. Como consequência, as importações chinesas desses produtos caíram 10,4% em 2025.

Com o novo acordo, o Canadá espera que as tarifas sobre sementes de canola sejam reduzidas para cerca de 15%, ante os atuais 84%, a partir de 1º de março. Ottawa também projeta a retirada de tarifas antidiscriminatórias sobre farinhas de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas até o fim do ano.

Segundo Carney, os entendimentos podem destravar cerca de US$ 3 bilhões em exportações, beneficiando agricultores, pescadores e processadores canadenses.

China confirma ajustes nas medidas comerciais

Em comunicado, o Ministério do Comércio da China informou que está ajustando as medidas antidumping sobre a canola e revendo tarifas aplicadas a produtos agrícolas e aquáticos do Canadá, como resposta direta à redução das tarifas canadenses sobre veículos elétricos chineses

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Denis Balibouse

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Comércio Internacional

Canadá defende diversificação de parcerias comerciais além dos Estados Unidos

O Canadá reforçou a necessidade de ampliar sua rede de parcerias comerciais internacionais, indo além da tradicional relação com os Estados Unidos. A avaliação foi apresentada pelo primeiro-ministro Mark Carney em discurso preparado para o Fórum Econômico Mundial, realizado nesta terça-feira (20), em Davos, na Suíça.

EUA seguem relevantes, mas não exclusivos

Ao tratar das relações econômicas globais, Carney classificou os EUA como uma “boa conexão”, mas alertou para os riscos de dependência excessiva de um único parceiro. Segundo ele, a estratégia canadense passa por fortalecer vínculos com economias emergentes e grandes blocos internacionais, como China, Índia, Tailândia e o Mercosul.

De acordo com o premiê, manter uma rede ampla de conexões é essencial em um cenário de transformação da economia global. Ele destacou que o país está ajustando suas relações comerciais para que estejam alinhadas aos valores canadenses, citando acordos já firmados e negociações em andamento.

Estratégia inclui fortalecimento da economia interna

No discurso, Carney também ressaltou medidas adotadas para impulsionar a economia doméstica. Entre elas estão o corte de impostos, a redução de barreiras comerciais internas e o aumento dos investimentos em defesa, que devem ser dobrados até o fim da década.

Segundo o primeiro-ministro, essas ações têm como objetivo fortalecer a indústria nacional, ampliar a competitividade e reduzir vulnerabilidades diante de choques externos.

Geopolítica e segurança internacional em pauta

Ao abordar o cenário internacional, Carney comentou os conflitos geopolíticos em curso, com destaque para a situação no Oriente Médio. Ele afirmou que as partes envolvidas nas negociações sobre Gaza ainda não estão nas condições ideais para um acordo duradouro e defendeu uma solução baseada na existência de dois Estados.

O premiê também alertou para a importância da presença diplomática ativa, afirmando que, se um país não participa das mesas de negociação, corre o risco de ser impactado diretamente pelas decisões tomadas por outros atores globais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Blair Gable

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Comércio Internacional

Brasil amplia estratégia comercial após Mercosul-UE e mira acordos com Índia, Canadá e Emirados Árabes

Após o sinal verde do Conselho Europeu ao acordo Mercosul-União Europeia, o Brasil definiu novas frentes para aprofundar sua inserção no comércio internacional. Para 2026, o governo federal pretende concentrar esforços na ampliação e conclusão de acordos comerciais do Mercosul com Índia, Canadá e Emirados Árabes Unidos, considerados mercados estratégicos para a diversificação das exportações brasileiras.

Índia entra no radar para expansão do comércio agroindustrial

Entre as prioridades, a Índia ocupa posição de destaque. O governo brasileiro avalia que o país asiático, atualmente o mais populoso do mundo e com forte processo de industrialização nas últimas duas décadas, ainda é pouco explorado pelos exportadores nacionais.

Hoje, a pauta brasileira destinada à Índia é concentrada em óleos vegetais, açúcares e petróleo bruto, que respondem por mais da metade das vendas. A avaliação oficial é de que há espaço para ampliar a presença de produtos como minério de ferro, algodão, feijões e pulses, etanol, genética bovina e frutas, além de itens como carne de aves, pescados, café e suco de laranja.

Tarifas elevadas são principal obstáculo nas negociações com a Índia

O maior desafio nas tratativas com Nova Délhi está nas altas tarifas de importação. Atualmente, apenas 14% das exportações brasileiras para a Índia estão cobertas pelo acordo de comércio preferencial existente com o Mercosul. O tratado inclui cerca de 450 categorias de produtos, de um universo aproximado de 10 mil, com reduções tarifárias limitadas, entre 10% e 20%.

A meta do governo é ampliar a cobertura do acordo, incluir novos produtos — especialmente do agronegócio brasileiro —, negociar cortes tarifários mais amplos e reduzir barreiras comerciais. Em 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Índia sinalizou positivamente para a expansão do acordo após conversa com o primeiro-ministro Narendra Modi.

Emirados Árabes avançam para acordo de livre comércio com o Mercosul

No Oriente Médio, o foco está na conclusão do acordo de livre comércio entre Mercosul e Emirados Árabes Unidos. As negociações, iniciadas em 2024, avançaram de forma acelerada e já passaram por quatro rodadas, a última encerrada em novembro.

Embora houvesse expectativa de assinatura ainda em 2025, alguns pontos sensíveis ficaram pendentes e devem ser resolvidos ao longo de 2026. Entre eles está a demanda dos Emirados pela eliminação de tarifas para produtos petroquímicos, segmento em que o país árabe é altamente competitivo e que gera preocupação na indústria brasileira.

Comércio e investimentos fortalecem relação Brasil–Emirados

Atualmente, os principais produtos exportados pelo Brasil aos Emirados Árabes são carne de frango, carne bovina e açúcar. No sentido inverso, o Brasil importa principalmente petróleo, ureia, enxofre e peças aeronáuticas.

Além do comércio, a relação bilateral tem sido impulsionada por investimentos estrangeiros. Grupos como Mubadala, ADIG, Edge Group e DP World ampliaram significativamente sua atuação no Brasil, reforçando o status da parceria como estratégica e confiável.

Canadá é visto como porta de entrada para mercados de maior valor agregado

Com o Canadá, o objetivo é avançar nas negociações de um acordo de livre comércio Mercosul-Canadá, considerado essencial para ampliar o acesso brasileiro a setores de maior valor agregado, como mineração, além de beneficiar o agronegócio.

As negociações tiveram início em 2018, mas foram retomadas com mais intensidade em 2025, em meio às incertezas no comércio global provocadas por medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos. O acordo busca reduzir tarifas, facilitar o comércio de bens e serviços e aprofundar a cooperação em áreas como investimentos, compras governamentais e regras ambientais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Comércio Exterior

Comércio exterior: governo define Índia, Canadá e Emirados como prioridades em 2026

O governo federal estabeleceu como foco do comércio exterior brasileiro em 2026 o avanço de negociações e a ampliação de acordos do Mercosul com Índia, Canadá e Emirados Árabes Unidos. A estratégia busca diversificar mercados, ampliar exportações e reduzir barreiras comerciais.

As diretrizes foram confirmadas pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante coletiva para apresentação dos resultados da balança comercial brasileira de 2025.

Segundo Alckmin, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é priorizar o diálogo e a negociação como instrumentos para fortalecer o livre comércio e a inserção internacional do país.

Índia: ampliar acordo e reduzir tarifas

No caso da Índia, o principal objetivo é expandir a cobertura do acordo de comércio preferencial firmado com o Mercosul, atualmente considerado restrito. O governo avalia que o país asiático, hoje o mais populoso do mundo e com forte processo de industrialização recente, ainda é pouco explorado pelos exportadores brasileiros.

Atualmente, a pauta de exportações do Brasil para o mercado indiano é concentrada: óleos vegetais, açúcares e petróleo bruto respondem por mais de 60% das vendas. A avaliação oficial é de que há espaço para diversificação, com potencial para produtos como minério de ferro, algodão, feijões e pulses, etanol, genética bovina e frutas. Outros itens, como carne de aves, pescado, café e suco de laranja, também aparecem como oportunidades.

O principal obstáculo está nas elevadas tarifas indianas. Hoje, apenas 14% das exportações brasileiras para a Índia estão cobertas pelo acordo, que inclui cerca de 450 categorias de produtos, de um universo aproximado de 10 mil, com reduções tarifárias entre 10% e 20%.

A meta do governo é ampliar a lista de produtos, sobretudo do agronegócio, negociar cortes mais expressivos de tarifas e eliminar barreiras comerciais. Em 2025, o presidente Lula afirmou que o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, sinalizou concordância em ampliar o escopo do acordo.

Emirados Árabes: acordo de livre comércio em fase final

Com os Emirados Árabes Unidos, a prioridade é concluir as negociações de um acordo de livre comércio entre o país árabe e o Mercosul. As tratativas tiveram início em 2024 e avançaram rapidamente, com quatro rodadas já realizadas.

Apesar da expectativa de conclusão ainda em 2025, as negociações finais ficaram para 2026. Um dos principais impasses envolve a demanda dos Emirados para zerar as tarifas de importação do Mercosul sobre cerca de duas dezenas de produtos petroquímicos.

O tema é sensível para a indústria brasileira, que busca proteção frente à forte competitividade dos produtores árabes, grandes exportadores de derivados de petróleo.

Atualmente, o Brasil exporta principalmente carne de frango, carne bovina e açúcar para os Emirados. Já as importações incluem petróleo, ureia, enxofre e componentes aeronáuticos. Além do comércio, a relação bilateral tem sido fortalecida por investimentos crescentes de grupos como Mubadala, ADIG, Edge Group e DP World, consolidando a parceria estratégica entre os países.

Canadá: acesso a mercados de maior valor agregado

Em relação ao Canadá, o governo brasileiro pretende acelerar as negociações para um acordo de livre comércio Mercosul-Canadá, visto como estratégico para ampliar o acesso a mercados de maior valor agregado, especialmente nos setores de mineração e agronegócio.

As conversas, iniciadas em 2018, foram retomadas em 2025 em meio às incertezas no comércio global, após medidas tarifárias anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O acordo em negociação prevê redução de tarifas, facilitação do comércio de bens e serviços e maior cooperação em áreas como investimentos, compras governamentais e regras ambientais.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: João Risi / Audiovisual PR

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Comércio Exterior

Gecex sobretaxa resinas plásticas dos Estados Unidos e do Canadá

Órgão também zerou alíquota para insumos para a indústria de saúde

Em meio à guerra comercial com os Estados Unidos, o Brasil decidiu aplicar uma cobrança provisória por seis meses sobre a importação de resinas de polietileno (tipo de plástico) dos Estados Unidos e do Canadá. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (27) pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex).

Entre as principais medidas está uma cobrança provisória contra a importação de resinas de polietileno (tipo de plástico) dos Estados Unidos e do Canadá, válida por até seis meses. Também foi definida a aplicação de tarifas antidumping – sobretaxas usadas para evitar concorrência desleal — sobre folhas metálicas de aço carbono da China e sobre fibras de poliéster de quatro países asiáticos: China, Índia, Tailândia e Vietnã.

Apesar das tensões com o governo estadunidense, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que a medida não tem relação com a guerra comercialSegundo a pasta, responsável pelo Gecex/Camex, as ações foram definidas após investigações amparadas pelas regras de comércio internacional, com o objetivo é proteger a indústria nacional de preços muito baixos praticados por empresas estrangeiras que podem prejudicar a produção brasileira.

Limitação de resíduos

O comitê também impôs restrições à entrada de resíduos sólidos, como papel e vidro. O limite foi sugerido por fóruns ligados à economia circular e por um comitê que representa catadores de materiais recicláveis.

Impostos zerados

Por outro lado, o Gecex/Camex reduziu a zero o imposto de importação de sete produtos, incluindo itens para a indústria da saúde. A ideia é facilitar o acesso a insumos importantes e diminuir custos para os consumidores. O Mdic não divulgou a lista desses bens.

Também tiveram a tarifa zerada diversos equipamentos classificados como bens de capital e de tecnologia da informação e comunicação. Por meio do mecanismo conhecido como ex-tarifário, essas isenções permitem atrair mais investimentos e ajudam a modernizar fábricas no Brasil.

Plano Brasil Soberano

O Gecex/Camex aprovou ainda mudanças na Resolução nº 633/2024, que faz parte do Plano Brasil Soberano, lançado na semana passada. Com a alteração, os financiamentos às exportações deverão seguir as novas regras do Fundo Garantidor de Exportações (FGCE), que oferece garantias em operações de operações de crédito internacional.

O Plano Brasil Soberano foi criado para compensar empresas brasileiras afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações nacionais.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Importação, Informação

Brasil aplica medida antidumping em importações de resinas de polietileno dos EUA e do Canadá

O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) decidiu nesta quarta-feira, 27, pela aplicação de antidumping provisório, por até seis meses, sobre as importações de resinas de polietileno dos Estados Unidos e do Canadá.

O órgão deliberou sobre temas envolvendo defesa comercial, reduções tarifárias e importação de resíduos sólidos, entre outros assuntos.

Ainda na área de defesa comercial, foi aprovada a aplicação de direito antidumping definitivo sobre as importações de folhas metálicas de aço carbono da China e de fibras de poliéster de China, Índia, Tailândia e Vietnã.

“Todos os casos promovem a proteção da indústria nacional contra o comércio desleal”, disse o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), em nota.

O Gecex aprovou ainda a imposição de limites à importação de itens relativos a papel e vidro, a partir de valores propostos pelo Fórum Nacional de Economia Circular e pelo Comitê Interministerial para Inclusão Socioeconômica de Catadoras e Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis.

Na mesma reunião, foram aprovadas reduções tarifárias para sete produtos, dentre eles insumos para a indústria de saúde, cujas alíquotas do imposto de importação foram zeradas. Segundo o comitê, isso deverá gerar impactos positivos aos consumidores nacionais.

Foram igualmente reduzidas a zero as alíquotas de importação para diversos produtos de Bens de Capital e de Telecomunicações e Informática, na modalidade de Ex-tarifário, a fim de aumentar os investimentos no País e na inovação do parque fabril nacional.

Medidas pós-tarifaço

Também foi alterada a Resolução Gecex nº 633/2024, que trata do Seguro de Crédito à Exportação, no contexto dos atos normativos do Plano Brasil Soberano, lançado na semana passada para mitigar os prejuízos decorrentes das tarifas aplicadas pelo governo dos EUA às exportações brasileiras.

O objetivo da mudança na resolução é incluir no regramento a observância da Política de Subscrição de Riscos do Fundo Garantidor de Exportações (FGCE), adaptando as regras de financiamento de exportações às novas diretrizes legislativas.

Fonte: Msn Estadão

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Comércio Exterior

Negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Canadá serão retomadas, afirma Alckmin

Em reunião realizada nesta segunda-feira (25/8) em Brasília, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro de Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, concordaram que há condições para a retomada das negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul–Canadá, paralisadas desde 2021.

Na avaliação de Alckmin, foi uma boa conversa, que demonstra a disposição das duas partes em avançar nas tratativas, que podem abrir novas oportunidades para produtores, empresários, trabalhadoras e trabalhadores do Brasil. “Podemos ampliar ainda mais essa parceria para fortalecer as relações bilaterais com o Canadá e aumentar nossas trocas comerciais”, afirmou o ministro após se reunir com Sidhu.

Para avançar neste caminho, está previsto, para outubro, uma reunião entre negociadores-chefe do Canadá e do Mercosul. Neste semestre, o Brasil tem a presidência temporária do bloco regional. A retomada formal das negociações com o Canadá, com estabelecimento de cronogramas de rodadas de negociação, será objeto de coordenação interna no bloco.

Durante a reunião, os ministros discutiram ainda a importância de fortalecer a cooperação bilateral e ampliar a complementariedade econômica em diferentes setores como mineração, agribusiness, fertilizantes, defesa, energia renovável e complexo industrial de saúde. Um trabalho a ser desenvolvido com a participação dos setores privados dos dois países.

Nesta terça-feira (26/8), o vice-presidente embarca para o México e cumprirá uma agenda de encontros políticos e empresariais em busca de ampliar mercados para produtos brasileiros. 

Potencial

Para o Brasil, o acordo com o Canadá tem potencial para ampliar o acesso a mercados, reduzir barreiras comerciais e diversificar destinos das vendas nacionais, além de possibilitar a integração de cadeias produtivas e estimular investimentos sustentáveis. Por meio de um acordo, também será possível avançar em disciplinas de facilitação de comércio, medidas sanitárias e fitossanitárias e regras que favoreçam inovação.

O Canadá é hoje o 7º destino das exportações brasileiras. O Brasil é o maior investidor latino-americano no Canadá, com oportunidades em infraestrutura, tecnologia, energia renovável e agronegócio.

Fonte: MDIC

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Internacional

Comunicado Conjunto Brasil-Canadá sobre Negociações do Acordo de Livre Comércio Mercosul-Canadá e Compromisso com o Sistema Multilateral de Comércio

O Brasil e o Canadá compartilham um compromisso histórico com o comércio aberto, justo e sustentável, atuando em conjunto para promover a prosperidade bilateral, regional e no marco do sistema global de comércio.

Ambos concordaram em intensificar os fluxos bilaterais de comércio e investimento, como parte de suas estratégias de diversificação e expansão de mercados. Nesse contexto, os dois países acolhem com satisfação a realização da missão comercial brasileira ao Canadá (em setembro, em Toronto), com vistas a ampliar ainda mais as oportunidades de negócios bilaterais. Reafirmam, igualmente, seu apoio a um sistema multilateral de comércio baseado em regras, tendo a Organização Mundial do Comércio (OMC) como pilar central, e a necessidade de defender normas comerciais globais abertas e previsíveis, que têm contribuído para o crescimento e a prosperidade de nossos países.

Como passo oportuno rumo a maior diversificação econômica, determinamos que nossos altos funcionários responsáveis pela área de comércio iniciem discussões, inclusive com uma reunião de chefes negociadores no início de outubro, com vistas à retomada das negociações do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Canadá, ao lado de nossos parceiros Argentina, Paraguai e Uruguai.

A retomada das negociações comerciais entre o Mercosul e o Canadá constitui sinal inequívoco de nosso compromisso compartilhado de aprofundar os laços econômicos mutuamente benéficos e de abrir novas oportunidades relevantes para empresas, trabalhadores e comunidades nos dois lados.

Fonte: Ministério das Relações Exteriores

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