Economia

Dólar cai para R$ 5,06 e Ibovespa recua com mercado atento a Brasil, China e EUA

O dólar comercial recuou para R$ 5,06 nesta segunda-feira, enquanto o Ibovespa perdeu força após iniciar o pregão em alta. O desempenho dos mercados financeiros foi influenciado pela divulgação de indicadores econômicos brasileiros, pelas informações sobre a economia chinesa e pelas expectativas em relação à política monetária dos Estados Unidos.

Investidores também acompanharam o Relatório Focus, do Banco Central, e o Monitor do PIB, elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), além dos desdobramentos do cenário eleitoral brasileiro e de notícias do mercado corporativo.

Dólar hoje: moeda americana opera em baixa

Por volta das 13h, o dólar comercial era negociado a R$ 5,060, com queda de 0,27% em relação ao fechamento de sexta-feira.

Apesar do recuo na abertura da semana, a moeda americana acumulou valorização de aproximadamente 1,6% na semana anterior, passando da faixa de R$ 4,99 para R$ 5,07.

O comportamento do câmbio reflete a combinação de fatores domésticos e internacionais, incluindo as expectativas para os juros americanos, os fluxos de capital estrangeiro e as perspectivas para a economia brasileira.

A queda dos preços do petróleo também pode contribuir para aliviar as pressões inflacionárias globais e reduzir a necessidade de juros elevados nos Estados Unidos. Esse cenário tende a favorecer moedas de economias emergentes, embora o efeito dependa da evolução dos demais indicadores econômicos.

Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest, destaca que a dinâmica cambial brasileira permanece condicionada às perspectivas para a política monetária americana e às condições econômicas internas.

Relatório Focus reduz projeção para o PIB brasileiro

O mercado financeiro também repercutiu o Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira. A pesquisa manteve as estimativas para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e para a taxa básica de juros, a Selic, neste ano.

Por outro lado, houve redução na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Outro indicador relevante foi o Monitor do PIB da FGV, que apontou expansão de 0,5% da atividade econômica em agosto, na comparação com julho, após dois meses consecutivos de retração.

Pelo lado da oferta, a indústria extrativa e o setor de serviços contribuíram para o resultado positivo. Na perspectiva da demanda, as exportações e o consumo do governo ajudaram a sustentar o crescimento, apesar da desaceleração do consumo das famílias.

Os dados oferecem aos investidores novas referências para avaliar a trajetória da economia nacional e as possíveis decisões futuras sobre os juros.

Eleições brasileiras mantêm investidores em alerta

O cenário político continua entre os fatores que influenciam os negócios na Bolsa e no mercado de câmbio.

Pesquisas de intenção de voto divulgadas por Atlas/Bloomberg e BTG/Nexus reforçaram o cenário de disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities, parte da valorização dos ativos brasileiros observada após o primeiro turno das eleições perdeu intensidade nos últimos dias.

A Bolsa entrou em um período de acomodação, enquanto o câmbio e os juros devolveram parte dos movimentos registrados anteriormente.

Para o especialista, esse comportamento é compatível com um ambiente de incerteza eleitoral, no qual investidores tendem a ajustar posições conforme surgem novas informações sobre a disputa política e seus possíveis impactos econômicos.

China e Estados Unidos influenciam os mercados globais

No exterior, os investidores acompanham os indicadores de atividade econômica da China, incluindo os resultados do PIB do terceiro trimestre, a produção industrial e as vendas no varejo.

As informações ajudam a dimensionar o ritmo de crescimento da segunda maior economia do mundo e suas possíveis consequências para a demanda internacional por commodities.

A decisão chinesa sobre as taxas preferenciais de empréstimo também está no radar dos agentes financeiros, pois pode oferecer sinais sobre a condução da política econômica do país.

Nos Estados Unidos, a atenção permanece concentrada na inflação e nos próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

Os indicadores de preços ao consumidor e ao produtor divulgados na semana anterior vieram acima das expectativas, aumentando a cautela dos investidores em relação à trajetória inflacionária.

Apesar disso, a manutenção dos juros na reunião de outubro continuava sendo o cenário predominante entre os participantes do mercado, enquanto novos dados econômicos e declarações de dirigentes do Fed poderiam alterar as projeções.

Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, ressalta que as perspectivas para os juros americanos influenciam diretamente os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e a movimentação internacional de capitais, com reflexos sobre o dólar e as moedas emergentes.

Ibovespa perde força após abertura positiva

O Ibovespa hoje iniciou o pregão com valorização de 0,32%, aos 206.140 pontos, mas perdeu fôlego ao longo da manhã.

Após as 13h, o principal índice da B3 recuava 0,45%, aos 204.510 pontos.

Na sessão anterior, o indicador havia encerrado aos 205.430 pontos, com volume financeiro de aproximadamente R$ 24 bilhões.

Ao longo do dia, o desempenho das commodities, a movimentação dos investidores estrangeiros e a repercussão dos indicadores econômicos devem continuar influenciando os negócios na Bolsa brasileira.

Suporte técnico entra no radar dos investidores

A análise técnica também faz parte das avaliações sobre o comportamento do índice. Lucas Piza, analista do Itaú BBA, observa que o Ibovespa permanece próximo de uma região de suporte, sem aprofundar de maneira expressiva o movimento de correção.

Segundo o especialista, as oscilações intradiárias seguem relativamente limitadas, enquanto o setor de petróleo tem contribuído para sustentar o mercado em níveis recentes.

Uma reação positiva nessa região pode favorecer a recuperação de ações que acumularam altas expressivas. Por outro lado, a perda do suporte pode abrir espaço para correções mais acentuadas e novas oportunidades de entrada após os ajustes de preços.

Mercado corporativo: confira os principais destaques

Além dos indicadores econômicos e do cenário internacional, anúncios de empresas brasileiras movimentaram o noticiário corporativo nesta segunda-feira.

Braskem

A Braskem informou que o FIP Shine passará a deter 50,11% do capital votante da companhia. A operação envolveu a aquisição de 2.850 ações ordinárias e 17.133 ações preferenciais classe A, sem compra de ações preferenciais classe B.

Localiza

A Localiza aprovou a emissão de R$ 1 bilhão em debêntures, com prazo de 24 meses.

A remuneração dos títulos será vinculada à taxa DI, acrescida de uma sobretaxa de 0,65% ao ano. Os juros serão pagos semestralmente, nos meses de abril e outubro.

Automob

A Automob registrou receita bruta de R$ 4,014 bilhões no terceiro trimestre, crescimento de 9% em relação ao período de comparação informado pela companhia.

O desempenho foi favorecido pela maior diversidade de modelos disponíveis no portfólio e pelo avanço das vendas diretas, impulsionadas por ações das montadoras e programas como Carro Sustentável e Move Brasil.

Caixa Seguridade

A Caixa Seguridade informou que espera um efeito positivo de aproximadamente R$ 210 milhões no lucro líquido de 2026.

O impacto está relacionado ao pagamento de uma multa à controlada Too Seguros pela rescisão de um contrato de distribuição com o Banco Pan.

M. Dias Branco

A M. Dias Branco anunciou a aquisição de 80% da Grespan Congelados, empresa do segmento de pães congelados. O valor da transação não foi divulgado.

Com a operação, a companhia amplia sua atuação e passa a investir também no mercado de pães congelados, diversificando seu portfólio de produtos.

O que acompanhar nos próximos pregões

O desempenho do dólar e do Ibovespa continuará condicionado à divulgação de indicadores econômicos, às expectativas para os juros americanos, ao comportamento das commodities e às incertezas políticas no Brasil.

No mercado doméstico, as projeções do Banco Central e os dados de atividade econômica serão importantes para avaliar as perspectivas de crescimento e inflação. No exterior, a evolução da economia chinesa e as decisões do Federal Reserve poderão determinar o fluxo de recursos para mercados emergentes.

Para os investidores, a combinação desses fatores exige atenção tanto às tendências macroeconômicas quanto aos resultados e comunicados das empresas listadas na B3.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Notícias

Braskem entra em recuperação extrajudicial após quase uma década de crise e reestruturação de US$ 10,9 bilhões

A Braskem entrou em uma nova etapa de sua crise nesta segunda-feira (24), ao apresentar um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras. O movimento é consequência de problemas que se acumularam ao longo de quase dez anos e envolveram questões societárias, passivos bilionários e a deterioração do mercado petroquímico.

A companhia, que já foi considerada uma das grandes “campeãs nacionais” e chegou a superar R$ 60 bilhões em valor de mercado em 2017, enfrenta agora uma situação financeira que exige uma ampla negociação com credores.

O processo teve apoio inicial de credores que representam 39,6% dos créditos. A partir de agora, a empresa terá 90 dias para buscar um acordo definitivo sobre o plano de reestruturação.

A medida suspende as cobranças relacionadas às obrigações financeiras incluídas no processo, mas não alcança compromissos operacionais com fornecedores e funcionários.

Credores internacionais terão papel decisivo

A negociação deverá ser complexa. Cerca de 65% da dívida da Braskem está nas mãos de bondholders internacionais, grupo que já havia demonstrado resistência a uma proposta anterior apresentada pela companhia.

A influência desses credores dependerá da maneira como as dívidas serão organizadas dentro do processo. Ainda assim, eles deverão ter participação determinante nas discussões sobre as condições da reestruturação.

Mais do que representar o começo de uma nova crise, a recuperação extrajudicial reflete o acúmulo de dificuldades que acompanhou a Braskem durante praticamente uma década.

Crise começou com a antiga Odebrecht

A origem do problema está na antiga Odebrecht, atualmente chamada Novonor.

Entre 2016 e 2018, durante os desdobramentos da Operação Lava Jato, a empresa contraiu empréstimos junto a Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES.

Como garantia dos financiamentos, foram oferecidas ações da Braskem correspondentes a 38,3% do capital total da petroquímica e a 50,1% das ações com direito a voto. Na época, essa participação valia aproximadamente R$ 15 bilhões.

Com a incapacidade de honrar os compromissos, a Odebrecht entrou em recuperação judicial em 2019. A venda de sua participação na Braskem passou então a ser uma das principais alternativas para quitar as dívidas com os bancos.

Começou, assim, uma longa busca por um novo controlador para a petroquímica.

Diversos grupos tentaram comprar a Braskem

Ao longo dos anos, nomes como LyondellBasell, Unipar, J&F e Adnoc demonstraram interesse na aquisição da participação da Novonor.

As negociações, porém, enfrentaram obstáculos relacionados ao preço, aos passivos da companhia e à complexa estrutura societária da Braskem.

Nesse cenário, havia ainda outro acionista fundamental: a Petrobras.

Participação da Petrobras complicou mudança de controle

A Petrobras detinha 47% das ações com direito a voto e fazia parte de um acordo de acionistas que lhe garantia direitos relevantes dentro da Braskem.

Por isso, a venda da participação da Novonor não dependia apenas da existência de um comprador. Era necessário também definir como a Petrobras participaria da nova estrutura de controle.

Durante anos, a estatal avaliou alternativas para sua participação, inclusive uma possível saída. A indefinição dificultou a construção de uma solução definitiva.

O caso da Adnoc mostra a dimensão do desafio. Em 2023, a companhia de Abu Dhabi ofereceu R$ 10,5 bilhões pela participação da Novonor. A proposta envolvia, entre outras condições, a análise de possíveis novos passivos relacionados a Maceió e a negociação de um novo acordo de acionistas com a Petrobras.

A Adnoc desistiu das tratativas em maio de 2024.

Desastre de Maceió ampliou os passivos

Enquanto a definição do controle permanecia em aberto, novos problemas atingiram a Braskem.

O mais grave foi o desastre de Maceió, relacionado à exploração de sal-gema. O afundamento do solo provocou a saída de aproximadamente 60 mil pessoas de áreas afetadas.

Até agora, o episódio já representou um desembolso de cerca de R$ 15,8 bilhões para a Braskem, aumentando significativamente os passivos da companhia.

Ao mesmo tempo, a situação do próprio negócio se deteriorou.

Crise da petroquímica reduziu geração de caixa

Desde 2022, o excesso de capacidade da indústria petroquímica global pressionou os spreads do setor e reduziu a geração de caixa da Braskem.

A operação no México, que havia sido um dos principais símbolos da expansão internacional da empresa, também passou a enfrentar dificuldades. A Braskem Idesa recorreu neste mês ao Chapter 11 nos Estados Unidos para reorganizar suas dívidas.

O resultado foi uma combinação de problemas: uma companhia que inicialmente enfrentava uma crise de controle passou a apresentar também fragilidades operacionais e financeiras.

Quase uma década sem grandes investimentos

O longo período de indefinição societária teve outro efeito: limitou a capacidade da Braskem de assumir novos projetos de grande porte.

Durante boa parte dos últimos anos, a empresa esteve na prática em processo de venda. Para uma companhia cujo controlador pretende deixar o negócio, torna-se mais difícil comprometer bilhões de dólares em projetos cujo retorno só ocorrerá no longo prazo.

A última grande expansão da Braskem foi a fábrica no México, inaugurada em 2016 após investimentos de US$ 4,5 bilhões.

Enquanto isso, concorrentes globais continuaram ampliando escala por meio de investimentos e aquisições.

Em 2025, por exemplo, Adnoc e OMV anunciaram a criação da Borouge Group International, avaliada inicialmente em aproximadamente US$ 60 bilhões, além da compra da canadense Nova Chemicals por US$ 13,4 bilhões.

Enquanto a indústria internacional avançava na consolidação, a Braskem permaneceu concentrada durante anos na solução de sua estrutura de controle.

Valor de mercado despencou

A deterioração também aparece no valor da companhia.

Entre o pico registrado em outubro de 2017 e março de 2025, a Braskem perdeu aproximadamente US$ 11 bilhões em valor de mercado, equivalentes a cerca de R$ 61 bilhões.

Em março do ano passado, a empresa era avaliada em apenas R$ 7,7 bilhões.

A queda continuou. Nesta segunda-feira (24), as ações atingiram uma mínima histórica e acumulam desvalorização de aproximadamente 65% desde março deste ano.

Novo controlador chegou quando o problema já era financeiro

A questão societária finalmente avançou em 2026, mas por uma solução diferente das tentativas anteriores.

A IG4 adquiriu créditos que bancos tinham contra a Novonor e que eram garantidos pelas ações da Braskem. Com a operação, um fundo ligado à gestora passou a controlar 50,1% das ações com direito a voto.

A Petrobras permaneceu com 47%.

Depois de quase dez anos, a definição sobre o controle da petroquímica foi solucionada. O problema central, porém, já havia mudado.

A principal questão passou a ser a estrutura financeira da Braskem.

Dívidas pressionam caixa da companhia

A Braskem chegou a 2026 com geração de caixa insuficiente para fazer frente às obrigações, além de passivos elevados e dificuldades cada vez maiores para refinanciar suas dívidas.

Em junho, a empresa obteve proteção judicial por 60 dias para negociar com seus credores.

A situação se agravou a ponto de a Fitch classificar a companhia como restricted default depois da suspensão de pagamentos de juros.

Sem um acordo definitivo ao término do período de proteção, a empresa avançou agora para a recuperação extrajudicial.

Reestruturação pode mudar o futuro da Braskem

O processo poderá resultar em uma nova configuração para a companhia. Entre as alternativas previstas estão o alongamento de vencimentos, a capitalização de juros e a possibilidade de converter parte das dívidas em ações.

Novos aportes dos acionistas também podem integrar a solução.

O principal desafio será adequar a estrutura de capital da Braskem à sua capacidade efetiva de geração de caixa. O resultado dependerá das negociações com os credores nos próximos meses.

Ao final do processo, a petroquímica poderá emergir com uma estrutura financeira e acionária bastante diferente daquela que possuía quando a crise começou, quase dez anos atrás.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Diego Vara

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Importação

Importação de polietilenos ganha impulso com nova rota de cabotagem entre Manaus e Itapoá

O anúncio da nova rota expressa de cabotagem ligando Manaus (AM) a Itapoá (SC), realizado pela Aliança Navegação e Logística, reacendeu as discussões sobre o avanço das importações de polietilenos no Brasil. A iniciativa amplia a integração entre duas regiões estratégicas e promete aumentar a eficiência no transporte de resinas destinadas aos principais polos consumidores do país.

Com a nova conexão, a movimentação de cargas entre o Norte, Sul e Sudeste tende a ganhar mais agilidade, fortalecendo um corredor que já desempenha papel relevante na cadeia de distribuição de matérias-primas petroquímicas.

Manaus se consolida como porta de entrada para resinas importadas

Nos últimos anos, Manaus ampliou sua importância como centro de recebimento de polietilenos importados, especialmente provenientes dos Estados Unidos. Após passarem por operações na região, parte desses produtos segue para os mercados consumidores do Sul e Sudeste.

Esse fluxo é favorecido pelas condições tributárias associadas à Zona Franca de Manaus, fator que contribui para aumentar a competitividade das resinas importadas no mercado nacional.

Indústria petroquímica brasileira enfrenta pressão competitiva

O avanço da logística para produtos importados representa um novo desafio para a indústria petroquímica brasileira. Empresas nacionais, como a Braskem, já convivem com a concorrência de fabricantes norte-americanos que utilizam etano derivado do shale gas, matéria-prima considerada mais competitiva em termos de custo quando comparada à nafta empregada no Brasil.

Além da diferença nos custos de produção, o setor nacional também disputa espaço com resinas que chegam ao país beneficiadas por condições tributárias específicas e, agora, por uma estrutura logística mais eficiente.

Debate envolve logística, tributação e política industrial

A criação da rota Manaus–Itapoá evidencia como temas ligados à logística, tributação e política industrial estão cada vez mais interligados no cenário econômico brasileiro.

Mais do que uma mudança operacional no transporte de cargas, a nova ligação reforça a discussão sobre a competitividade entre a produção nacional e os produtos importados, em um momento considerado estratégico para o futuro da petroquímica brasileira e do mercado de resinas plásticas no país.

FONTE: Guia Marítimo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Guia Marítimo

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Negócios

Dívida da Braskem dispara para 14,7 vezes o EBITDA com prejuízo de R$ 26 milhões

A Braskem atravessa uma das fases mais delicadas de sua história. No terceiro trimestre de 2025, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 26 milhões, uma melhora frente à perda de R$ 592 milhões no mesmo período do ano anterior. O alerta, porém, está no balanço: a dívida líquida saltou para 14,76 vezes o EBITDA recorrente, quase o triplo da relação de um ano antes (5,76x), revelando uma estrutura financeira frágil e insustentável para uma empresa cíclica e de capital intensivo.

O EBITDA recorrente despencou 65% em relação a 2024, para US$ 150 milhões (R$ 818 milhões), enquanto a receita líquida caiu 19%, totalizando R$ 17,3 bilhões — reflexo de preços deprimidos de petroquímicos e alta ociosidade nas plantas. O fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$ 334 milhões, e o consumo total de caixa chegou a R$ 2 bilhões, ampliando o desequilíbrio financeiro da companhia.

Margens pressionadas e mercado em retração

A crise é estrutural. O mercado petroquímico global segue com excesso de oferta — o chamado “efeito China” —, o que derrubou as margens de polietileno (PE), polipropileno (PP) e PVC entre 9% e 16% em comparação ao 3º trimestre de 2024. No Brasil, a taxa de utilização dos crackers de etileno caiu de 73% para 65%, afetada por paradas programadas no Rio de Janeiro e pela fraca demanda doméstica.

As vendas de resinas no mercado brasileiro recuaram 9%, somando 787 mil toneladas, enquanto as exportações avançaram na mesma proporção (+9%). Mesmo com ajustes operacionais e créditos tributários do REIQ, o EBITDA do segmento Brasil/América do Sul caiu de US$ 335 milhões para US$ 205 milhões.

Nos Estados Unidos e Europa, o cenário foi ainda pior: o EBITDA reverteu de lucro de US$ 71 milhões para prejuízo de US$ 15 milhões, pressionado por queda de 23% nos preços do PP e pela baixa atividade industrial. No México, a subsidiária Braskem Idesa também inverteu resultados, com EBITDA negativo de US$ 37 milhões, frente a lucro de US$ 80 milhões no ano anterior, devido ao alto custo do etano e à parada de manutenção de grande porte.

O nó financeiro

Com margens comprimidas e fluxo de caixa negativo, a Braskem passou a depender de financiamentos de longo prazo e alto custo. A dívida bruta atingiu US$ 8,4 bilhões em setembro, com prazo médio de nove anos, enquanto a posição de caixa (sem incluir a Idesa) somava US$ 1,3 bilhão. Em outubro, a empresa ainda utilizou uma linha de crédito rotativo internacional de US$ 1 bilhão, mas o balanço segue mostrando erosão de liquidez e da capacidade de investimento.

A administração aposta no Programa de Resiliência e Transformação, voltado ao controle de custos e racionalização de projetos. Um alívio temporário veio da redução da provisão do evento geológico de Alagoas, de R$ 5,57 bilhões em 2024 para R$ 3,8 bilhões, após acordo de R$ 1,2 bilhão com o Estado de Alagoas, que encerrou ações judiciais e quitou indenizações ligadas ao afundamento de solo em Maceió em 2018.

Mesmo assim, a empresa contabilizou encargo de R$ 435 milhões para hibernar sua planta de cloro-soda em Alagoas, no âmbito do plano Transforma Alagoas — medida voltada a tornar a produção de PVC mais sustentável, mas que evidencia uma redução estrutural das operações na região.

Crise setorial e medidas regulatórias

A indústria química brasileira opera com 39% de ociosidade, o maior nível em 30 anos, segundo a Abiquim. Para conter o colapso, o governo tem implementado medidas de proteção, como o Projeto de Lei PRESIQ (PL 892/2025) — já aprovado na Câmara — e a aplicação de tarifas antidumping provisórias sobre as importações de polietileno.

A Braskem considera essas iniciativas fundamentais para equilibrar a concorrência e preservar a produção nacional. O conselho da empresa também aprovou o Projeto Transforma Rio, um investimento de R$ 4,2 bilhões destinado a ampliar a capacidade de etileno e polietileno no Rio de Janeiro e aumentar o uso de etano como matéria-prima.

Tentativa de reversão

A atual gestão tenta reverter um ciclo negativo que não foi corrigido por administrações anteriores — nem mesmo após o boom da pandemia, quando a Braskem atingiu seu pico histórico. Em 2021, o EBITDA alcançou US$ 5,2 bilhões, impulsionado por margens recordes e escassez global de plásticos. Desde então, o ciclo virou: os preços caíram, a demanda enfraqueceu e a lucratividade evaporou. O desafio da nova liderança é restabelecer a estabilidade financeira em um setor que hoje luta pela sobrevivência.

Perspectiva crítica

Com o EBITDA sob pressão, a alavancagem em níveis históricos e a geração de caixa negativa, a Braskem enfrenta um ponto de inflexão. A empresa opera com liquidez apertada, margens reduzidas e um mercado global em retração, enquanto tenta preservar seu grau de crédito e atrair novos investimentos.

O cenário segue de tensão simultânea nos três pilares da petroquímica: demanda, margens e endividamento. Uma eventual recuperação dependerá da recomposição dos preços globais e da eficácia das políticas industriais brasileiras previstas para 2026.

FONTE: Brazil Stock Guide
IMAGEM: Reprodução/Brazil Stock Guide

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Comércio Exterior, Exportação, Notícias

Decom indica antidumping sobre exportações de polietileno dos EUA ao Brasil

O Decom (Departamento de Defesa Comercial) recomendou a aplicação provisória de medidas antidumping sobre as exportações de resinas de polietileno originárias do Canadá e dos Estados Unidos após verificar dano à indústria doméstica causado pela prática, conforme circular publicada pelo Diário Oficial da União nesta quinta-feira (21).

O órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços recomendou a aplicação de direito provisório, por um período de até seis meses, de US$ 238,49 por tonelada para as exportações de resinas oriundas do Canadá e R$ 199,04 por tonelada para as exportações dos EUA.

“Os direitos recomendados com base na margem de dumping foram calculados aplicando-se redutor de 10% às respectivas margens de dumping calculadas no início da investigação”, segundo a decisão.

A medida visa impedir a ocorrência de dano no curso da investigação, que teve o seu prazo de conclusão prorrogado para 18 meses, considerando que as importações a preços com dumping do produto objeto da investigação continuaram ocorrendo, disse.

A investigação ocorreu a partir do pedido da Braskem, principal fabricante brasileira dos produtos citados nas medidas, protocolado em 31 de julho de 2024.

Segundo o texto, o parecer recomendando a aplicação provisória dos direitos antidumping será encaminhada à Camex (Câmara de Comércio Exterior) que tomará a decisão sobre sua aplicação.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Importação, Informação, Logística, Navegação, Sustentabilidade

Braskem investe em frota própria de navios para etano e nafta

A Braskem colocou em operação o primeiro navio de uma frota própria que será dedicada ao transporte internacional de suas principais matérias-primas, nafta e etano.

Com custo total de US$ 332 milhões, o equivalente a cerca de R$ 1,9 bilhão ao câmbio atual, os seis navios que atenderão ao complexo petroquímico da Braskem Idesa, no México, e às centrais base nafta no Brasil trarão redução de gastos com frete e garantia de disponibilidade, num momento em que os estaleiros têm se dedicado mais à construção de embarcações para contêineres do que para líquidos e gases.

Todos os navios serão financiados pela norueguesa Ocean Yield, via leasing, com prazo de 15 anos. Mas a Braskem tem opção de compra ao fim dos contratos. “O conceito é ter frete mais competitivo, ser mais eficiente e ser mais sustentável ,gerando menos emissões”, diz a diretora de logística da Braskem, Silvia Migueles.

O primeiro navio, “Brillant Future”, está dedicado ao transporte de etano dos Estados Unidos para o complexo mexicano da Braskem, e recebeu investimentos de US$ 80 milhões. Construído pela chinesa Yamic, tem 188 metros de comprimento e capacidade para 19 mil toneladas por viagem.

A segunda embarcação da frota da Braskem, similar ao “Brillant Future”,  em junho e fará a mesma rota. Equipados com motor bicombustível, os navios podem usar tanto óleo de bunker quanto o próprio etano como combustível,resultando em uma redução de 40% das emissões de gás carbônico.

Ambos chegam à Braskem às vésperas da inauguração do novo terminal de etano no México, que possibilitará à Braskem Idesa importar toda a matéria-prima que demanda para produção de polietileno e, futuramente, ampliar suas operações.

Outras quatro embarcações, que abastecerão as unidades da petroquímica no Brasil com nafta importada de diferentes regiões – Estados Unidos, Oriente Médio e África, entre outras -, entrarão em operação em 2028. Com custo unitário de US$ 43 milhões cada, terão de capacidade de transporte de 55 mil toneladas da matéria-prima.

A nafta ainda é a matéria-prima mais consumida pelas operações brasileiras da Braskem e, embora a Petrobras seja uma fornecedora relevante – além de acionista relevante da petroquímica -, hoje 60% já são importados. Por ano, as centrais no país demandam entre 4,5 e 5,5 milhões de toneladas do insumo.

De acordo com Migueles, a contratação dos seis navios já recebeu o aval do conselho de administração. Grandes petroquímicas globais, como Ineos e Reliance, têm frota própria para transporte do etano. No caso da Braskem, o investimento, no formato de leasing, não deve jogar mais pressão sobre o balanço da companhia. “A importação de nafta é crucial para as operações no Brasil. Hoje, a disponibilidade de navios maiores [para transporte desse tipo de carga] é muito baixa no mundo”, afirma o gerente de logística da Braskem, Eduardo Ivo Cavalcanti.

No ano passado, a petroquímica já havia se tornado uma Empresa Brasileira de Navegação (EBN) e deu início a operações próprias de cabotagem, com expectativa de economia de R$ 10 milhões ao ano. Mais adiante, o plano é ampliar o número de embarcações. Conforme os executivos, a Braskem não almeja ser autossuficiente ou prestar serviços para terceiros de navegação.

Fonte: Valor Econômico
Braskem investe em frota própria de navios para etano e nafta | Empresas | Valor Econômico

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