Comércio Exterior, Importação, Saúde

Quatro países reduzem restrição da importação de frangos do Brasil

Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão limitam compras

Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão reduziram a restrição geográfica para a importação de carne de aves brasileiras, medida preventiva adotada para evitar a compra de carne de frango que poderia estar contaminada por Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) – mais conhecida como Gripe Aviária.

Os quatro países retiraram a suspensão dos produtos que seriam adquiridos do Brasil, passando a abranger apenas as carnes de frango produzidas apenas no estado do Rio Grande do Sul. 

A mudança no posicionamento consta de balanço divulgado nesta quinta-feira (22), em Brasília, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A Arábia Saudita, que restringia a suspensão apenas para o município onde o foco havia sido identificado, ampliou a restrição para o estado. Já Turquia e Emirados Árabes, que ainda mantinham a importação, passaram a restringir a compra de frango. No caso dos Emirados, a suspensão está restrita ao município de Montenegro. Já a Turquia suspendeu a carne de frango produzida em todo o estado do Rio Grande do Sul.

Quadro atual

A atual situação é a seguinte:

Países que adotaram a suspensão total das exportações de carne de aves do Brasil:

China, União Europeia, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, Filipinas, África do Sul, Jordânia, Peru, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Bolívia, Sri Lanka e Paquistão.

Suspensão para o Estado do Rio Grande do Sul:

Arábia Saudita, Turquia, Reino Unido, Bahrein, Cuba, Macedônia, Montenegro, Cazaquistão, Bósnia e Herzegovina, Tajiquistão e Ucrânia.

(Rússia, Bielorrússia, Armênia e Quirguistão decidiram retirar a suspensão de todo o país e reduziram a restrição geográfica para o estado do Rio Grande do Sul).

Suspensão para o município de Montenegro (RS):

Emirados Árabes Unidos e Japão.

O Ministério da Agricultura informou que permanece em articulação com autoridades sanitárias dos países importadores prestando – de forma ágil e transparente – todas as informações técnicas necessárias sobre o caso. As ações adotadas visam garantir a segurança sanitária e a retomada segura das exportações o mais breve possível.

Aos consumidores, o ministério reitera o esclarecimento de que o consumo de carne de aves e de ovos não apresenta risco para a saúde.

Fonte: Agência Brasil

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Comércio Exterior, Economia

Alta do IOF encarece envio de dinheiro ao exterior; saiba qual o impacto no seu bolso

Decreto do governo federal elevou IOF sobre operações de câmbio em várias frentes; alíquota nas remessas para conta própria no exterior por pessoa física subiu para 3,5%

As mudanças anunciadas pelo governo federal, aumentando o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), prometem mexer na rotina — e no bolso — de quem envia recursos para o exterior. As alterações impactam tanto pessoas físicas quanto jurídicas e levantam preocupações sobre o custo do crédito, a atratividade do Brasil para investidores internacionais e a legalidade da medida, de acordo com especialistas ouvidos pelo InfoMoney.

Pelo Decreto 12.466/2025, o IOF incidente sobre operações de câmbio foi elevado em diversas frentes. O destaque ficou para a elevação da alíquota nas remessas para conta própria no exterior por pessoas físicas: de 1,1% para 3,5%. O mesmo percentual passa a ser cobrado para a compra de moeda estrangeira em espécie e para transferências com finalidade de investimento pessoal, mesmo via corretoras internacionais. Já o IOF sobre operações de câmbio para investimento, que era de 0,38%, subiu para 1,1%.

A fintech Nomad, que oferece contas internacionais para brasileiros, afirmou em nota que continuará operando com câmbio comercial e taxas a partir de 1%, mas terá de repassar o novo encargo a seus clientes. A empresa defende, no comunicado, que o aumento do imposto reforça a importância da diversificação internacional de patrimônio. “Investir no exterior não é torcer contra o Brasil, e sim se proteger e se preparar para cenários desafiadores”, informou.

Especialistas criticam a medida

Para tributaristas, o aumento repentino e sem aviso prévio das alíquotas do IOF levanta questionamentos jurídicos e pode ser considerado inconstitucional. “A equiparação de todas as alíquotas a 3,5%, sem base técnica ou econômica aparente, gera insegurança jurídica”, avaliou o advogado Alamy Candido, ex-juiz do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo.

Já o advogado Murilo Adib Massad Boriero, do Briganti Advogados, aponta que o movimento parece ter um objetivo estritamente arrecadatório. “O IOF é um imposto de natureza extrafiscal, voltado a regular a economia. Se usado como ferramenta de arrecadação, sem observar os princípios da anterioridade, pode ser questionado judicialmente.”

Ele destaca ainda que a medida penaliza a saída de recursos do Brasil, ao mesmo tempo em que mantém o tratamento favorecido à entrada de capital estrangeiro, criando um “bloqueio cambial implícito”. Para o advogado, o custo extra pode incentivar alternativas como o uso de stablecoins ou estruturações via fundos para fugir da tributação mais pesada.

Para o advogado Júlio César Soares, especialista em Direito Tributário e sócio da Advocacia Dias de Souza, o anúncio e depois o recuo parcial do governo sobre a alta do IOF só indica que o governo fez tudo de forma tão atrapalhada que precisou rever e corrigir as alíquotas. 

Impactos práticos

O aumento do IOF afeta diretamente o custo de viagens internacionais, intercâmbios e investimentos no exterior. Bruno Perottoni, diretor de tesouraria do Braza Bank, lembra que medidas como essa reduzem ainda mais a atratividade do Brasil para o investidor estrangeiro, já reticente devido à instabilidade fiscal e regulatória. “Temos juros altos, baixo crescimento e, agora, mais uma medida que encarece o crédito e as transações internacionais”, diz.

No caso das empresas, o novo decreto também trouxe mudanças. A alíquota de IOF sobre operações de crédito para pessoas jurídicas foi duplicada para 0,0082% ao dia, além da cobrança adicional de 0,95% sobre qualquer valor tomado. Empresas optantes pelo Simples pagarão alíquota reduzida de 0,00274%. Para investimentos no exterior, as remessas seguem com 3,5% de IOF, a menos que sejam feitas via fundos regulados — que permanecem com alíquota zero após recuo do governo.

Segundo a advogada Paula Beatriz Loureiro Pires, do escritório Eichenberg, Lobato e Abreu, as alterações reforçam a natureza discricionária do IOF. “Por ser regulado por decreto, o imposto pode ser alterado a qualquer momento pelo Executivo. Isso traz volatilidade e imprevisibilidade para o planejamento financeiro de empresas e indivíduos.”

Recuo parcial

O governo chegou a anunciar o fim da alíquota zero para investimentos de fundos brasileiros no exterior, mas voltou atrás após forte reação do mercado. No entanto, a maior parte das medidas permanece em vigor, com aplicação imediata.

Enquanto isso, brasileiros que buscam diversificação internacional devem rever seus planejamentos financeiros à luz do novo custo fiscal. E, ao que tudo indica, a tendência é de mais tensão no mercado cambial e maior pressão por soluções fora do sistema tradicional.

Entenda o vai e vem do IOF:

Decreto nº 12.466, de 22 de maio de 2025, foi o primeiro anúncio, que elevava a alíquota do IOF para 3,5% em praticamente todas as operações de câmbio, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. O decreto previa, entre outros pontos:

  • Remessas de pessoas físicas para o exterior: IOF passaria de 1,1% para 3,5%
  • Compra de papel moeda e cartão pré-pago para viagens: passaria de 1,1% para 3,5%
  • Investimentos de fundos brasileiros no exterior: a alíquota iria de 0% para 3,5%
  • Transferências de recursos em geral (não especificadas): de 0,38% para 3,5%

Já no Decreto nº 12.467, de 23 de maio de 2025, após a forte reação do mercado, o governo recuou em alguns pontos:

A alíquota para investimentos de fundos brasileiros no exterior permaneceu com IOF de 0%

  • O novo decreto revogou a alta do IOF para fundos brasileiros que investem no exterior, mantendo a alíquota em 0% para essas operações.
  • Mas manteve o aumento para pessoas físicas na compra de moeda estrangeira em espécie ou cartão pré-pago em 3,5%
  • Manteve também 3,5% nas remessas para contas próprias no exterior, bem como no envio de recursos para investimentos pessoais (inclusive via corretoras internacionais)
  • O IOF para pessoas jurídicas foi elevado para 0,0082% ao dia + adicional de 0,95% (exceto empresas do Simples Nacional) para o crédito.
  • Remessas para investimentos produtivos no exterior também ficou em 3,5% (exceto quando há isenção por contrato)
  • Pagamento de royalties e serviços técnicos: alíquota pode variar (análise caso a caso).
  • A alíquota para investimentos de fundos brasileiros no exterior permaneceu com IOF de 0%

Fonte: InfoMoney

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Agronegócio, Comércio, Mercado Internacional

Brasil busca novos mercados para expandir exportações de carne bovina; especialista analisa impacto das tarifas dos EUA

O Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, projeta alcançar até 3,7 milhões de toneladas exportadas em 2025. No ano passado, o país registrou o melhor desempenho da história, com 2,8 milhões de toneladas e receita superior a US$ 12,8 bilhões, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Impacto das tarifas dos EUA deve ser limitado, diz especialista

Apesar da imposição de uma tarifa de 10% pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o especialista em comércio exterior Rogério Marin, CEO da Tek Trade, avalia que essa medida não deverá afetar significativamente as exportações brasileiras de carne bovina. “Os EUA mantêm forte demanda interna e importam principalmente para atender nichos específicos, como carne magra para hambúrgueres. Mesmo com os custos adicionais, a demanda alta e a competitividade do Brasil devem sustentar o crescimento das exportações”, afirma Marin.

Exportações brasileiras seguem em alta em 2025

Até abril de 2025, as empresas brasileiras já exportaram 423.833 toneladas de carne bovina, gerando receita superior a US$ 2 bilhões. O Brasil exporta atualmente para mais de 150 países, com a China sendo o principal destino, seguida por Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Chile e Hong Kong, que juntos representam grande parte da receita do setor, estimada em mais de US$ 8 bilhões.

Projeções otimistas para o setor em 2025

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil deve exportar cerca de 3,6 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, número próximo à estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que projeta até 3,7 milhões de toneladas. Fatores como a desvalorização do real, a queda na oferta de concorrentes como Austrália e Nova Zelândia e avanços em acordos comerciais sustentam o otimismo do setor.

Novos mercados estratégicos: Japão e Vietnã

Buscando diversificar seus mercados, o Brasil mira o Japão e o Vietnã como destinos estratégicos. O Japão, reconhecido por rígidas exigências sanitárias, representa um mercado de alto valor agregado, focado em produtos premium. Já o Vietnã, com uma classe média em crescimento, desponta como um mercado promissor para cortes de qualidade superior.

Rogério Marin destaca que “os acordos com Japão e Vietnã ajudam a reduzir a dependência da China, maior importadora brasileira, e trazem maior estabilidade às exportações ao mitigar riscos ligados a flutuações em um único mercado.” Porém, a entrada nesses países exige melhorias em rastreabilidade, certificações e qualidade dos produtos.

Confira abaixo os principais destinos da carne bovina brasileira. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Top 10 destinos das exportações brasileiras de carne bovina | Jan – Mar 2025 | TEUs

Sustentabilidade e crescimento contínuo

Com foco em inovação e expansão, o Brasil busca manter sua posição de liderança global no comércio de carne bovina, aproveitando oportunidades internacionais e superando desafios como barreiras tarifárias e exigências sanitárias para garantir crescimento sustentável no setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Economia

Governo recua em parte de medida do IOF; entenda

Após pressão do mercado, Ministério da Fazenda volta a zerar imposto para fundos nacionais que aplicam fora do país

governo federal anunciou na noite de quinta-feira, 22, a revogação do aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que havia sido anunciado no mesmo dia para aplicações feitas por fundos nacionais no exterior.

A equipe econômica havia inicialmente definido uma alíquota de 3,5% para essas operações.

No fim da noite, o Ministério da Fazenda comunicou em postagem no X (antigo Twitter) que, após diálogo com o mercado, decidiu restabelecer a isenção do IOF para esses investimentos. A medida que previa a cobrança gerou reação negativa no mercado financeiro e motivou a reversão.

A revogação mantém o IOF zerado para fundos nacionais que direcionam recursos para o exterior, preservando a política vigente até então.

O Ministério da Fazenda também informou que remessas destinadas a investimentos continuarão sujeitas à alíquota vigente de 1,1%, sem alterações.

Previsões do Ministério apontavam era esperada uma arrecadação de R$ 20,5 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026 com as medidas. Novas estimativas de receita ainda não foram divulgada após o recuo.

O imposto sobre operações financeiras é um tributo que incide sobre várias transações financeiras, incluindo investimentos e câmbio.

O que continua em vigor:

A alíquota do IOF para compra de moeda estrangeira em espécie foi elevada de 1,1% para 3,5%.

  • As alíquotas do IOF para operações de crédito realizadas por empresas foram aumentadas.
  • Foi instituída uma alíquota de 5% do IOF para aportes elevados em planos de previdência complementar, como o VGBL.

Entenda o que mudou:

  • Governo federal revogou o aumento da alíquota do IOF para fundos nacionais que investem no exterior, anunciado no mesmo dia, 22.
  • A alíquota inicial definida era de 3,5% para essas operações.
  • Ministério da Fazenda comunicou que, após diálogo com o mercado, decidiu restabelecer a isenção do IOF para esses investimentos.
  • A revogação mantém o IOF zerado para fundos nacionais que aplicam recursos fora do país.

Fonte: Exame

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Economia

Pacote econômico de Haddad: entenda ponto a ponto as novas medidas

Governo anunciou congelamento de R$ 31,3 bilhões dos gastos públicos e mudanças no IOF

O governo federal anunciou na última quinta-feira (22) um congelamento dos gastos públicos e um aumento no Imposto Sobre Operação Financeira (IOF) para assegurar o cumprimento da meta fiscal de 2025, que é de déficit zero.

A equipe econômica informou, no primeiro relatório de avaliação de receitas e despesas de 2025, que o congelamento do orçamento de 2025 é da ordem de R$ 31,3 bilhões. Desse total, serão bloqueados R$ 10,6 bilhões, enquanto o contingenciamento soma R$ 20,7 bilhões.

Bloqueios são suspensões temporárias de despesas, que podem ser revertidas ao longo do exercício, e ocorrem quando as despesas do governo são maiores que o previsto.

Já os contingenciamentos são cortes mais duradouros, quando há frustração de receitas, e são adotados quando há risco concreto de descumprimento da meta fiscal.

De acordo com a equipe econômica, o congelamento foi necessário por conta do aumento das despesas com benefícios previdenciários, que avançaram R$ 16,7 bilhões.

Outro ponto de destaque das medidas anunciadas é o aumento do IOF, tributo federal cobrado sobre operações financeiras, que envolvem empréstimos e câmbio, por exemplo.

Veja como fica o IOF com as mudanças:

Operações de crédito (empréstimos e financiamentos) para empresas em geral

Antes:

  • 0,38% na contratação;
  • 0,0041% ao dia;
  • 1,88% ao ano.

Como fica agora:

  • 0,95% na contratação;
  • 0,0082% ao dia;
  • 3,95% ao ano.

Operações de crédito (empréstimos e financiamentos) para empresas do Simples Nacional

Antes:

  • 0,38% na contratação;
  • 0,00137% ao dia;
  • 0,88% ao ano.

Como fica agora:

  • 0,95% na contratação;
  • 0,00274% ao dia;
  • 1,95% ao ano.

Se uma empresa contratar um empréstimo de R$ 10 mil por um ano, por exemplo, pagará R$ 395 de IOF. Antes, ela pagaria R$ 188.

Já uma empresa do Simples Nacional que financiar R$ 10 mil, passará a pagar R$ 195 de IOF no ano, ante a R$ 88 previsto na legislação anterior.

Câmbio e gastos no exterior

Antes, era cobrado IOF de 3,38% sobre compras com cartão de crédito e pré-pagos internacionais e IOF de 1,1% na compra de moeda estrangeira em espécie.

Com a nova regra, será cobrado IOF de 3,5% sobre cartões de crédito e débito internacionais, cartões de viagem pré-pagos, compra de moeda estrangeira em espécie e empréstimos externos de curto prazo.

Continuam isentos ou com alíquota zero:

  • Importação e exportação;
  • Remessa de dividendos e juros sobre capital próprio para investidores estrangeiros;
  • Cartões de crédito e débito de entidades públicas;
  • Itaipu, missões diplomáticas e servidores diplomáticos;
  • Ingresso e retorno de recursos de investidor estrangeiro;
  • Cartão de crédito de turista estrangeiro;
  • Transporte aéreo internacional;
  • Operação combinada de compra e venda por instituição autorizada;
  • Empréstimos e financiamento externo, exceto curto prazo;
  • Doações internacionais ambientais;
  • Interbancárias;
  • Transferências relativas a aplicações de fundos no exterior.

Recuo do IOF

Após o anúncio das medidas, o governo recuou em parte devido à repercussão negativa no mercado financeiro.

Em publicação na rede social X, o Ministério da Fazenda informou que decidiu manter em zero a alíquota do IOF sobre aplicação de investimentos de fundos nacionais no exterior, que seria alterada para 3,5%.

Além disso, a equipe econômica informou que o dinheiro enviado ao exterior por pessoas físicas destinado a investimentos continuará sujeito à alíquota atualmente vigente de 1,1%, sem alterações.

De acordo com o Ministério da Fazenda, o conjunto de ajustes no IOF podem causar impacto de R$ 61,5 bilhões até 2026.

  • R$ 20,5 bilhões em 2025 e
  • R$ 41 bilhões em 2026.

No entanto, Haddad ressaltou nesta sexta-feira (23) que o recuo de parte dos ajustes no IOF terá um impacto inferior a R$ 2 bilhões nesse cálculo.

Fonte: CNN Brasil

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Internacional, Sustentabilidade

UE classifica o Brasil como ‘risco padrão’ na lei antidesmatamento

Apesar do alívio com a classificação, o Brasil critica a lei da UE por considerá-la tendenciosa e alerta para impactos duradouros no comércio e na reputação.

A Comissão Europeia divulgou nesta quinta-feira sua primeira lista de classificação que classifica os países pelo risco de desmatamento, como parte de novas regras que visam regulamentar a importação de sete commodities para a UE a partir do final deste ano. A medida terá implicações significativas para o comércio agrícola.

O Brasil foi classificado como país de “risco padrão” — essencialmente uma designação de risco médio — ao lado de outras 49 nações. A classificação foi recebida com alívio, já que muitos observadores previam que o país seria rotulado como “alto risco”. Há tempos, alguns enxergam a regulamentação antidesmatamento da UE e sua lista de produtos como uma forma de atingir implicitamente o Brasil.

Apesar disso, a regulamentação e a classificação de risco manterão o Brasil sob constante vigilância da UE. É amplamente esperado que Bruxelas use a lei para questionar a expansão da produção agrícola em determinadas áreas.

Além disso, o sistema de “benchmarking” adotado pela UE prejudica a imagem internacional do Brasil. A abordagem baseada em risco também criará distorções comerciais, favorecendo efetivamente alguns países — como os Estados Unidos — em detrimento de outros.

O Brasil e outras nações produtoras têm se posicionado consistentemente contra a lei antidesmatamento da UE, argumentando que o bloco não tem o direito de impor unilateralmente tais mecanismos. Também questionam a metodologia usada para atribuir os níveis de risco aos países.

Pedro Miguel da Costa e Silva, embaixador do Brasil junto à UE, afirmou:

“Nunca consideramos a lei antidesmatamento uma ferramenta adequada para lidar com o problema que os europeus alegam querer ajudar a resolver. O sistema de classificação de países é um aspecto particularmente prejudicial e discriminatório da legislação. Basta ver como os países da UE votaram em suas próprias classificações — e, sem surpresa, todos acabaram como ‘baixo risco’.”

Apenas quatro países foram classificados como de alto risco: Rússia, Belarus, Mianmar e Coreia do Norte — todos já sujeitos a sanções comerciais da ONU ou da UE para as commodities em questão.

Outros cinquenta países foram incluídos na categoria de “risco padrão”, incluindo grandes exportadores agrícolas da América Latina, África e Ásia. Entre os países do Mercosul, apenas o Uruguai recebeu o selo de “baixo risco”, o que provavelmente explica por que o país não se juntou aos demais na contestação à regulamentação europeia. Na Ásia, Vietnã e Tailândia também receberam classificações de baixo risco, possivelmente devido à disposição de atender certas exigências da UE.

Ao todo, 142 países foram considerados de “baixo risco” de desmatamento. Esse grupo inclui aliados ocidentais importantes, como Austrália e Canadá; potências globais como Estados Unidos, China e Índia — países com os quais a UE deseja manter boas relações ou evitar antagonizar — e outros com pouca floresta restante para desmatar. A UE afirma que a lista foi aprovada por consenso entre os Estados-membros.

Ainda assim, com 50 países na categoria de risco médio, há certo equilíbrio. O Brasil estaria em situação pior se a lista de risco padrão fosse mais curta.

A classificação de risco é baseada na produção dos sete produtos abrangidos pelo Regulamento da UE sobre Desmatamento (EUDR): gado, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja e madeira, além de produtos derivados como couro, chocolate, pneus e móveis. Esses produtos foram selecionados com base em avaliações da UE sobre seu impacto significativo no desmatamento.

A regulamentação visa proibir o acesso ao mercado da UE para essas commodities se forem produzidas em áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. Exportadores deverão apresentar provas documentais de que sua produção está livre de desmatamento a partir dessa data para poder vender no bloco europeu, que conta com 27 países.

A classificação de risco determina o nível de fiscalização exigido por parte dos países da UE: 9% dos operadores oriundos de países de alto risco, 3% de risco padrão, e 1% de países de baixo risco. Na prática, isso significa que uma porcentagem maior ou menor de contêineres será inspecionada, dependendo da classificação do país exportador.

Os 142 países classificados como “baixo risco” terão acesso a procedimentos de diligência simplificados. Operadores e comerciantes ainda precisarão coletar informações, mas não precisarão avaliar nem mitigar os riscos relacionados ao desmatamento.

A UE sustenta que o sistema de benchmarking por país garante uma implementação simples, justa e econômica da lei antidesmatamento. Bruxelas também afirma que a política já está gerando resultados positivos no combate ao desmatamento, às mudanças climáticas e à perda de biodiversidade. Produtores como o Brasil, no entanto, consideram a legislação falha e discriminatória.

Fonte: Valor International

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Comércio, Comércio Exterior, Economia

Argentina ‘afunda’ com a soja e EUA disparam no plantio; como as cotações ficaram no Brasil?

Chicago sobe levemente com apoio do milho e trigo, enquanto clima na Argentina ainda preocupa safra de soja

O mercado brasileiro de soja registrou preços predominantemente firmes nesta terça-feira (20), com cotações estáveis a mais altas em diversas praças. De acordo com o consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira, os negócios foram moderados, impulsionados por algumas oportunidades de preços, variações no câmbio e ganhos em Chicago. Os prêmios também contribuíram para sustentar o movimento de alta.

Cotações de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 129,00 para R$ 130,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 129,00 para R$ 130,00
  • Porto de Rio Grande (RS): subiu de R$ 133,00 para R$ 134,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 125,00 para R$ 126,00
  • Porto de Paranaguá (PR): subiu de R$ 132,00 para R$ 132,50
  • Rondonópolis (MT): caiu de R$ 114,50 para R$ 114,00
  • Dourados (MS): subiu de R$ 117,00 para R$ 117,50
  • Rio Verde (GO): subiu de R$ 116,00 para R$ 117,00

Soja em Chicago

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja fecharam com leves altas. O mercado foi sustentado por preocupações com o excesso de chuvas na Argentina e pelo bom desempenho de milho e trigo. No entanto, a reação foi limitada pelo avanço do plantio nos Estados Unidos e pela demanda ainda enfraquecida pela soja norte-americana, mesmo após o novo acordo comercial com a China.

A safra argentina pode registrar perdas na província de Buenos Aires, após intensas chuvas recentes, segundo análises do setor.

USDA

O USDA informou que até 18 de maio, o plantio da soja nos EUA havia atingido 66% da área prevista. No mesmo período do ano anterior, o percentual era de 50%, enquanto a média dos últimos cinco anos é de 53%. Na semana anterior, o índice era de 48%.

Contratos futuros da soja

O contrato de soja em grão com entrega em julho fechou com alta de 2,25 centavos de dólar (0,21%), a US$ 10,53 por bushel. A posição novembro subiu 4,00 centavos (0,38%), cotada a US$ 10,41 por bushel.

Nos subprodutos, o farelo para julho avançou US$ 1,50 (0,51%), encerrando a US$ 292,60 por tonelada. O óleo de soja para julho fechou a 49,50 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,06 centavo (0,12%).

Câmbio

O dólar comercial terminou o dia em alta de 0,23%, negociado a R$ 5,6677 para venda e R$ 5,6657 para compra. A moeda oscilou entre R$ 5,6426 na mínima e R$ 5,6831 na máxima do dia.

Fonte: Canal Rural

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Agricultura, Internacional, Mercado Internacional

Brasil abre nove novos mercados na África e fortalece cooperação agrícola

Parcerias incluem transferência de tecnologias, protocolos sanitários, intercâmbio científico e desenvolvimento sustentável no campo

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) oficializou a abertura de nove novos mercados no continente africano, principalmente nas áreas de tecnologias agropecuárias, transferência de embriões, animais vivos e material genético, durante o encerramento das atividades do II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, nesta quinta-feira (22), no Palácio do Itamaraty.  

Oito das aberturas foram para Benin para a exportação de bovinos e bubalinos, embriões bovinos e bubalinos in Vivo e in Vitro, sêmen bovino e bubalino, ovos férteis, pintos de um dia, sêmen suíno, sementes de Braquiária (Brachiaria spp.) e frutas de maçã. E uma para Senegal para a exportação de embriões bovinos e bubalinos. 

A iniciativa, segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, retoma uma política de cooperação iniciada nos governos anteriores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que agora volta com força total. “Tivemos a oportunidade de abrir novos mercados para os produtos brasileiros a serem comercializados com a África. São nove novos mercados, principalmente no âmbito de tecnologias, transferência de embriões, animais vivos, genética, que possam promover o desenvolvimento econômico lá naquele continente. Também formalizamos a ida novamente da Embrapa para a África, para promover intercâmbio, desenvolvimento e tecnologias, e, com isso, combater efetivamente a fome com a produção de alimentos”, afirmou o ministro. 

Além da abertura de mercados, também foram assinados memorandos de entendimento com Etiópia, Nigéria, Benin, Quênia e Costa do Marfim, visando fortalecer a cooperação técnica, promover o desenvolvimento dos sistemas agrícolas e pecuários e impulsionar ações voltadas à segurança alimentar e ao desenvolvimento rural.  

“A parceria com os países africanos é fundamental. Compartilhamos desafios semelhantes na agricultura tropical e, juntos, podemos fortalecer nossa produção, gerar desenvolvimento econômico e combater a fome com sustentabilidade”, pontuou Fávaro.  

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que o encontro reforça o compromisso do Brasil com a cooperação Sul-Sul, a valorização da agricultura familiar, o papel das mulheres, dos jovens e das comunidades tradicionais, além da importância de fortalecer sistemas alimentares sustentáveis. Durante o encerramento, Mauro Vieira conduziu a adoção, por aclamação, da Declaração Final do II Diálogo Brasil-África, que consolida os compromissos firmados. 

Sobre o II Diálogo Brasil-África 

O II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural reuniu, ao longo desta semana, ministros da Agricultura de países africanos, autoridades brasileiras, representantes de organismos internacionais, bancos de desenvolvimento, instituições de pesquisa, organizações da agricultura familiar e do setor privado.  

O objetivo do encontro foi promover o intercâmbio de experiências, tecnologias e políticas públicas bem-sucedidas, com foco na produção agropecuária e aquícola, na valorização da agricultura familiar, no financiamento para o desenvolvimento rural e na construção de soluções conjuntas para a segurança alimentar. 

A programação começou na segunda (19), com a cerimônia de boas-vindas no Palácio do Itamaraty, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro Carlos Fávaro e da presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvia Massruhá, recepcionando as delegações africanas. Na terça-feira (20) e quarta-feira (21), os participantes visitaram instituições como a Embrapa, a Conab e cooperativas agrícolas, conhecendo de perto experiências brasileiras de sucesso na produção sustentável e nas políticas públicas de apoio ao setor rural.  

Ainda na quarta-feira, o ministro Fávaro, acompanhado pela primeira-dama Janja Lula da Silva, apresentou tecnologias do semiárido aos ministros da União Africana em visita de campo a Petrolina (PE). A comitiva conheceu a experiência da Embrapa Semiárido e soluções em agricultura irrigada, fruticultura e convivência com a seca, fortalecendo a cooperação internacional em segurança alimentar. 

O encerramento das atividades ocorreu nesta quinta-feira (22), no Palácio do Itamaraty, em Brasília, com o Diálogo Ministerial, que incluiu debates, painéis temáticos e a assinatura dos atos de cooperação entre os dois países. 

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Exportação, Tecnologia

Volkswagen do Brasil volta a exportar para a África com SUV mais vendido do país

A Volkswagen do Brasil retoma as exportações para a África. Os embarques ao continente tiveram início com um lote de 200 unidades do SUV compacto T-Cross para Camarões, Costa do Marfim, Gana, Madagascar, Ruanda e Senegal.

A expansão de mercados consolida a vocação da marca alemã como a maior exportadora do setor automotivo brasileiro, com mais de 4,3 milhões de unidades embarcadas em seu histórico.

O novo T-Cross é produzido em São José dos Pinhais (PR) e exportado a partir do Porto de Paranaguá (PR), com terminal próprio.

No ano passado, a Volkswagen movimentou 46.126 veículos – somando exportação e importação – pelo porto paranaense.

A Volkswagen do Brasil utiliza também os portos de Santos (SP) nos embarques para o Exterior, Suape (PE) e Vitória (ES), os dois últimos para distribuição no mercado interno.

O T-Cross é o SUV mais vendido do Brasil, com 26.493 unidades emplacadas de janeiro a abril deste ano e a terceira posição entre os carros de passeio.

Fonte: Gazeta de São Paulo

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Comércio Exterior, Importação, Mercado Internacional, Tributação

Brasil cogita aumento de tarifas para conter possível aumento nas importações da China

Aumentar impostos de importação é visto como alternativa mais simples às cotas em meio a tensões comerciais globais.

O governo brasileiro acredita que tem margem suficiente para aumentar tarifas de importação em vez de adotar medidas mais agressivas, como a implementação de cotas, caso uma enxurrada de produtos industrializados da China comece a invadir o mercado nacional. O risco de uma redireção de exportações chinesas para o Brasil aumentou com a escalada tarifária global iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Desde o início dessas tensões comerciais, o Brasil vem monitorando de perto um possível aumento no fluxo de produtos chineses para o mercado interno, numa tentativa de “separar o joio do trigo”.

“É fundamental que nossas ações se baseiem em dados claros: precisamos saber se há de fato uma enxurrada de produtos ou não”, afirmou um representante do governo brasileiro, ressaltando que, até o momento, não foi observada nenhuma alta significativa.

De acordo com avaliações técnicas, os efeitos dos aumentos tarifários de Trump costumam levar cerca de três meses para se manifestar, dado que mudanças nas cadeias globais de suprimentos são complexas e não ocorrem de forma imediata. A imprevisibilidade da política dos EUA torna o cenário ainda mais incerto. Inicialmente, o governo Trump impôs tarifas generalizadas de até 145% sobre exportações chinesas. No entanto, os dois países chegaram a uma trégua temporária, reduzindo as tarifas para 30% por um período de 90 dias.

“Uma tarifa de 145% é proibitiva — equivale a um embargo. Mas 30% não é”, explicou o mesmo representante.

Caso os produtos chineses realmente comecem a ser redirecionados ao Brasil em grande volume, autoridades veem o aumento das tarifas de importação como uma ferramenta mais simples de aplicar. A fonte ressaltou que há margem legal, tanto nas normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) quanto nas do Mercosul, para implementar tais medidas.

“Ajustes tarifários, se considerados apropriados, podem ser feitos rapidamente, pois não exigem investigações, contestações legais ou compensações à parte afetada”, explicou.

Embora o uso de cotas seja tecnicamente possível, é um instrumento raramente utilizado no Brasil — ou mesmo globalmente — a menos que haja evidência clara de práticas comerciais desleais entre os países envolvidos.

Um exemplo de prática desleal é o dumping, quando uma empresa exporta produtos a preços inferiores aos praticados em seu mercado interno. Se o Brasil adotasse cotas apenas como reação a uma mudança comercial provocada pelas tarifas dos EUA, teria de oferecer medidas compensatórias a todos os parceiros afetados. “Seria como usar um canhão para matar um mosquito”, disse o representante.

Em relação ao comércio com os Estados Unidos, autoridades brasileiras receberam sinais de que empresas americanas, buscando diversificar fornecedores, já começaram a olhar para setores industriais do Brasil, diante de uma possível escalada da guerra tarifária com a China.

“O Brasil não está mal posicionado, relativamente falando”, observou a fonte, apontando que o país foi alvo de tarifas recíprocas de apenas 10% — uma das menores impostas por Trump.

Fonte: Valor International




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