Agricultura

Brasil deve ter nova safra recorde de grãos em 2025/26, diz Conab

A expectativa é de um volume total de 353,8 milhões de toneladas

O recorde histórico da produção de grãos obtido em 2024/2025 deverá ser superado na próxima safra. É o que indica a 13ª edição da pesquisa “Perspectivas para a Agropecuária 2025/2026”, divulgada nesta quinta-feira (18) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De acordo com a publicação, sendo confirmadas as expectativas, o volume total a ser colhido na safra 2025/2026 será de 353,8 milhões de toneladasO resultado é 1% maior do que os 350,2 milhões de toneladas colhidas na temporada 2024/25 – volume recorde para o setor, até então.

“Na semana passada, apresentamos os dados do último levantamento da safra agrícola 24/25, quando anunciamos, com imenso orgulho, a maior safra da nossa história. Foi um aumento extraordinário e expressivo. Hoje,  vamos apresentar a perspectiva para a nova safra agrícola. Dia 14 de outubro, a Conab apresentará o primeiro dos 12 levantamentos para a próxima safra, com a possibilidade de um novo recorde”, anunciou o presidente da Conab, Edegar Pretto.

Números Conservadores

De acordo com as perspectivas divulgadas hoje, o resultado será influenciado pelo aumento na área cultivada, que deve sair de 81,74 milhões de hectares na última safra para 84,24 milhões de hectares no ciclo agrícola 2025/26.

“Já a produtividade média nacional das lavouras está projetada em 4.199 quilos por hectare na temporada 2025/26, redução de 2% se comparada com 2024/25”, detalha o levantamento.

Segundo Pretto, as estimativas da Conab são apresentadas inicialmente com “números conservadores, em função da responsabilidade que a gente precisa ter”, mas dentro de uma real possibilidade. “Nossos números estão cada vez mais assertivos”, assegurou.

Soja e algodão

Com relação ao principal produto cultivado no Brasil, a Conab projeta, para a soja, aumento de 3,6% na produção, chegando, portanto a 177,67 milhões de toneladas na próxima safra. Na última colheita, foram colhidas 171,47 milhões da oleaginosa.

O resultado, se confirmado, resultará, novamente, em recorde de produção, influenciado pelo aumento da demanda global pelo produto.

A boa rentabilidade e a possibilidade de venda antecipada da produção de algodão têm favorecido essa cultura. A expectativa para a safra 2025/2026 é de um crescimento de 3,5% na área semeada. A produção deverá crescer 0,7%, alcançando o recorde de 4,09 milhões de toneladas.

Milho

No caso do milho, há uma expectativa de redução de 1% da colheita, na comparação com a safra 2024/25, mesmo havendo aumento de área cultivada nas primeira e segunda safra.

Segundo a Conab, esse movimento se deve à expectativa de aumento no consumo interno, “impulsionado principalmente pelo aumento da demanda do grão para produção de etanol, bem como pela perspectiva de maior demanda externa, diante de um possível redirecionamento das compras asiáticas do milho norte-americano para o milho sul-americano, em resposta ao aumento de tarifas impostas por importantes países importadores na Ásia”.

Apesar da maior área semeada, a produção estimada de milho, somadas as três safras, é de 138,3 milhões de toneladas. “A queda de produtividade decorre do patamar excepcional registrado na safra 2024/25, beneficiada por condições climáticas amplamente favoráveis”, justifica a companhia.

Arroz e feijão

A safra de arroz projetada para o próximo período indica tendência de retração da área cultivada nos principais estados produtores, saindo de 1,76 milhão de hectares em 2024/25 para 1,66 milhão de hectares no ciclo 2025/26.

O resultado decorre da ampliação da produção nacional e internacional registrada em 2024/25, o que acabou por gerar excedente de oferta e desvalorização do grão. É também esperada uma redução de 4,8% na produtividade média nacional, reflexo também do patamar excepcional registrado na última safra de 2024/25

No caso do feijão, é estimada uma produção próxima a 3,1 milhões de toneladas na safra 2025/26, o que, segundo a Conab, assegura o consumo previsto no país.

Cenários adversos

Os números foram comemorados pela ministra substituta do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli.

“As perspectivas são excelentes. O Brasil terá mais uma safra recorde, em um contexto de mudanças climáticas, crises geopolíticas, guerra comercial. Em um contexto bastante adverso, nossa agricultura vai seguir vencedora, produzindo alimentos para abastecer as famílias no Brasil e garantindo oferta de alimentos para o mundo”, disse a ministra.

Na avaliação de Fernanda Machiaveli, o cenário positivo será ainda mais favorecido pela estratégia das autoridades brasileiras em tentar manter mercados mercados ao mesmo tempo em que busca “outras possibilidades internacionais” para escoar uma produção.”cada vez mais sustentável, fortalecendo os sistemas produtivos biodiversos da Agricultura Familiar”, afirmou.

Fonte: Agência Brasil

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Economia, Investimento, Tributação

Dólar fecha em alta, a R$ 5,32, após Superquarta

Mercado repercute decisões da Superquarta e riscos de ‘estagflação’ nos EUA.

Sobe, desce, sobe, desce, mas tudo perto da estabilidade. Essa foi a movimentação do dólar no pregão desta quinta-feira (18) após as decisões da Superquarta. O dólar comercial abriu a sessão com baixa, mas ainda durante a manhã a divisa norte-americana passou a subir levemente. O cenário se manteve (entre altos e baixos) até o fim da sessão, com a moeda dos EUA encerrando com avanço de 0,33%, a R$ 5,3189.

A moeda norte-americana é impactada pelas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Nos EUA, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) cumpriu o esperado e cortou os juros em 0,25 ponto percentual. A decisão foi explicada por Jerome Powell, presidente da autoridade comentário, como um “corte para gerenciamento de riscos” à medida que os indicadores econômicos norte-americanos vêm mostrando um enfraquecimento (especialmente no mercado de trabalho).

As falas, no entanto, colocaram sob os holofotes um risco importante: o de estagflação, um fenômeno econômico que combina inflação resiliente com desaceleração da atividade. Portanto, a hora de os investidores se ajustarem para um cenário de tempestade mais adiante pode ser agora, o que pode acabar punindo a divisa americana.

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Fonte: Valor Investe Globo.com

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Comércio Exterior

A maior diferença de taxas em relação aos EUA aumenta a atratividade do real brasileiro

O dólar perdeu 14,2% em relação à moeda brasileira até agora neste ano.

A já significativa diferença de taxas de juros entre o Brasil e os Estados Unidos se ampliou ainda mais na quarta-feira (17), quando a taxa Selic, referência do Brasil, foi mantida em 15%, enquanto o Federal Reserve dos EUA cortou sua taxa-alvo em 25 pontos-base. A medida aumentou a atratividade do real para estratégias de carry trade baseadas em diferenças no custo de capital — operações que tiveram desempenho forte ao longo do ano.

Com um cenário global favorável e o dólar enfraquecendo mundialmente, os investidores veem espaço para nova valorização da moeda brasileira. Ainda assim, há uma ressalva: a cotação do dólar já caiu 14,2% no mercado local.

O arbitragem de carry trade envolve tomar empréstimos em um país com juros baixos e investir onde as taxas são mais altas, lucrando com a diferença. A ampla diferença entre as taxas brasileiras e americanas tem sido citada por gestores de ativos e bancos nacionais e internacionais como motivo para esperar que o real supere outras moedas de mercados emergentes, apesar das preocupações com a instabilidade política, que pode aumentar a volatilidade.

“A verdade é que o cenário externo é muito favorável, com o dólar perdendo terreno globalmente. Quando o ambiente global é favorável, o mercado tolera mais risco doméstico”, disse Gustavo Vieira, economista e sócio da Opportunity Total. “Nesse cenário, o diferencial de taxas de juros pesa mais do que qualquer outra narrativa.”

O Sr. Vieira espera que o ambiente externo continue positivo para os mercados emergentes no curto prazo. “Este ciclo de cortes de juros do Fed está ocorrendo em um período em que as chances de uma recessão nos EUA são baixas. De modo geral, este é um bom ambiente para ativos de risco”, observou. Se a perspectiva global permanecer de enfraquecimento do dólar e o Brasil mantiver taxas elevadas, é provável que o real supere seus pares.

“As taxas de juros reais no Brasil não são apenas altas em comparação com os EUA, mas também em relação a outros países da América Latina que competem por fluxos globais de portfólio, especialmente México e Colômbia”, afirmou.

Riscos potenciais

Alguns investidores, no entanto, questionam se os participantes do mercado subestimaram os riscos e se o real deveria ter se valorizado ainda mais neste ano, dado o cenário global favorável e as taxas domésticas elevadas.

Comparando o desempenho do real com outras moedas, Eduardo Jarra, economista-chefe e estrategista do Santander Asset Management, disse que a moeda brasileira começou o ano com desconto devido à forte depreciação no final de 2024. “O real ‘se movimentou’ e se destaca entre as moedas este ano, ajudado pelo diferencial de taxas. Mas em 2025, começamos de uma base mais fraca, o que contribuiu para essa valorização”, afirmou. “O nível atual do real parece consistente com os fundamentos até agora.”

O Santander Asset Management espera que o Brasil comece a cortar as taxas de juros apenas no primeiro trimestre do ano que vem, enquanto projeta-se que o Fed continue reduzindo suas taxas, podendo chegar a 3,5% até 2026.

“O diferencial de juros vai se ampliar ainda mais a favor do Brasil, e ainda vejo isso como um ambiente favorável do ponto de vista fundamental. Se o dólar estiver se desvalorizando e o carry continuar favorável, a perspectiva deve permanecer construtiva”, disse Eduardo Jarra.

Drausio Giacomelli, estrategista-chefe de mercados emergentes do Deutsche Bank, também vê a moeda brasileira bem ancorada, dado os ciclos monetários contrastantes entre o Brasil e seus pares. “O diferencial de taxas é uma das melhores coisas que o real tem a seu favor neste momento. Enquanto bancos centrais em outros lugares começaram a cortar ou retomarão em breve, o Banco Central do Brasil está dizendo: ‘não até o próximo ano’”, afirmou.

Giacomelli espera que a divergência continue por algum tempo. “Daqui a seis meses, a taxa de juros do Brasil ainda pode estar cerca de 6 pontos percentuais acima da Colômbia, 10 pontos acima do Chile, 7,5 pontos acima do México e quase 11 pontos acima das taxas dos EUA. Isso é significativo.”

Mas os spreads de juros não são os únicos fatores que apoiam uma possível nova valorização do real. A menor volatilidade cambial e a participação limitada de investidores estrangeiros no mercado de renda fixa brasileiro também favorecem a moeda, disse Gustavo Vieira, da Opportunity.

“A menor volatilidade do câmbio no Brasil sugere que o risco percebido é menor, tornando o diferencial de taxas ajustado pela volatilidade ainda mais atraente”, afirmou. “Além disso, quando o Brasil tinha spreads de juros com os EUA como estamos vendo agora, o investimento estrangeiro em renda fixa geralmente era maior do que é hoje. Portanto, ainda há espaço para entradas de capital, especialmente porque o Brasil não possui mais classificação de grau de investimento.”

O principal risco para uma valorização adicional do real, na visão de Vieira, seria uma deterioração do cenário externo, como uma forte desaceleração da atividade econômica nos EUA aumentando as chances de recessão, ou um aumento inesperado da inflação que obrigue o Fed a retomar os aumentos de juros.

Jarra, do Santander Asset, também apontou uma possível correção de mercado. “Há espaço para nova valorização”, disse ele. “Mas devemos lembrar que o real já se valorizou consideravelmente este ano, o que deixa o mercado exposto a possíveis retrações técnicas.”

Fonte: Valor International


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Comércio Exterior

Carne bovina do Brasil conta com outros mercados enquanto vendas aos EUA caem

Brasil vendeu 2,89 milhões de toneladas de carne bovina para cerca de 150 países

A indústria de carne bovina do Brasil, maior exportador global, está expandindo exportações para diversos mercados e conta com a abertura de novos enquanto as vendas para os Estados Unidos deverão ter nova queda em setembro devido ao tarifaço, afirmou o presidente da associação Abiec, nesta quarta-feira (17).

Roberto Perosa destacou que o Brasil tem capacidade de realocar embarques que antes iriam para os EUA, e reafirmou que o país deverá crescer 12% em volumes totais exportados em 2025 em relação ao ano passado, podendo avançar em 14% numa expectativa mais otimista.

Para os EUA, tradicionalmente o segundo maior mercado para a carne brasileira após a China, os embarques em setembro terão nova queda, para 7 mil toneladas, versus 9 mil em agosto e aproximadamente 30 mil mensais antes do tarifaço, disse Perosa.

“A despeito das tarifas e das questões geopolíticas, o brasileiro, principalmente o setor da pecuária, tem muita capacidade de articulação e realocação dos seus produtos”, afirmou Perosa durante o Fórum Pecuária Brasil, promovido pela consultoria Datagro.

No ano passado, o Brasil vendeu 2,89 milhões de toneladas de carne bovina para cerca de 150 países, totalizando US$12,9 bilhões. Em receita, a Abiec prevê que as exportações brasileiras do produto cresçam até 16% em 2025.

Além de contar com firme demanda global pela carne bovina, Perosa destacou ainda que o Brasil é competitivo e consegue manter parte dos embarques aos EUA, apesar das tarifas impostas por Donald Trump. “A perda do nosso segundo maior mercado faz diferença. Mas pasmem, mesmo com a tarifa de 76,4% (dos EUA à carne bovina), ainda existe exportação para os EUA por conta da competitividade que nós conquistamos”, acrescentou.

A jornalistas, ele explicou que existem empresas brasileiras com contratos vigentes que continuam exportando aos EUA, embora em menores volumes. Esses embarques são diversos, incluindo cortes de maior valor agregado, mas também há alguns relacionados a compromissos com o governo dos EUA.

“Existem empresas brasileiras que têm contrato em vigência com o governo dos Estados Unidos para fornecimento de carne para o governo americano, por exemplo, para as prisões… milhares e milhares de dólares, e este contrato não pode ser rompido…”, disse ele, sem mencionar os nomes das companhias.

Ele também comentou sobre um forte aumento de exportações do Brasil para o México –mercado aberto ao final de 2023 e que passou a ser o segundo destino dos embarques brasileiros em agosto–, o que levantou questões se estaria havendo uma triangulação para embarcar carne brasileira aos EUA.

“Está aumentando, mas não significa necessariamente que a carne vai para os EUA…”, afirmou, ponderando que em carne bovina o México tem mais acordos comerciais do que o próprio Brasil.

“Isso faz com que ele (México) possa comprar a carne brasileira, usar no seu consumo interno, e exportar para todo mundo, não exclusivamente para os EUA. Então acho que não há estratégia de triangulação… claro que uma pessoa ou outra pode eventualmente fazer, mas não é o grosso da exportação…”

Para Perosa, no setor de bovinos, as exportações do México para os EUA estão concentradas em bois vivos.

Novos mercados

Perosa disse em sua apresentação que o segmento tem a expectativa de abertura de novos mercados para seguir crescendo.

“Faltam ainda atender três mercados estratégicos, no início do ano faltavam quatro. O Vietnã foi aberto recentemente, e novas habilitações estão a caminho.”

O presidente da Abiec disse que o Brasil ainda trabalha para abrir o Japão, Turquia e Coreia do Sul, “que são mercados altamente rentáveis”.

“Acho que estamos muito próximos da questão do Japão… foi sendo criado um contexto para abertura do Japão e estamos caminhando para isso”, ressaltou ele, dizendo que espera que isso aconteça ainda este ano.

Conforme antecipou a Reuters, inicialmente estão sendo negociadas vendas para o Japão a partir dos Estados do Sul.

Sobre a Turquia, ele disse que há questões técnicas que precisam ser resolvidas, como uma testagem individual de animais exigida pelos turcos, que seria inviável. “Mas o Brasil quer muito entrar e estamos vendo como fazemos para entrar nesse mercado.”

Com relação à Coreia do Sul, Perosa afirmou que “falta um empurrão diplomático do governo brasileiro” para um andamento mais célere do processo.

Ele ressaltou ainda, que com as novas empresas habilitadas a exportar para a Indonésia, já está havendo um grande fluxo comercial de miúdos para aquele país.

Fonte: Diário do Comércio

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Negócios

JBS está preparada para provável virada do ciclo pecuário no Brasil, diz diretor

A JBS, maior produtora global de carnes, está preparada para uma provável virada do ciclo pecuário no Brasil, o que poderia implicar em uma menor oferta de bovinos para abate após um período de maior produção, disse Eduardo Pedroso, diretor-executivo de Originação da Friboi JBS, nesta quarta-feira.

Em entrevista a jornalistas durante evento em São Paulo, ele lembrou que nos últimos 24 meses houve um “aumento significativo” do desfrute do rebanho nacional, resultando em uma sobreoferta “muito grande”, permitindo maior processamento nas indústrias do Brasil.

Mas há sinais de uma menor oferta no próximo ano no Brasil, maior exportador global de carne bovina, em momento em que outros países, como os Estados Unidos, enfrentam uma escassez de animais para abate.

“Realmente a iminência da virada do ciclo pecuário vem com alguns desafios. No nosso caso, estamos nos preparando com parcerias, contratos e relacionamento muito próximo de pecuaristas (no Brasil), para que o nosso volume seja preservado”, disse Pedroso.

Ele comentou que, cada vez mais, a JBS trabalha com contratos a termo no Brasil.

“Antigamente, a gente comprava o boi quando ele estava gordo, hoje a gente compra o boi muitas vezes na barriga da mãe, com meses ou anos de antecedência. Essa relação (com o pecuarista) evoluiu muito, o nível de profissionalização da relação da indústria e produtor está em outro patamar.”

Após um crescimento esperado de cerca de 3% em 2025 ante 2024, seguido de um salto de mais de 16% entre 2023 e 2024, os abates de bovinos no Brasil deverão cair mais de 9% em 2026 na comparação com este ano, para 37,1 milhões de cabeças, segundo estimativa divulgada nesta quarta-feira pela consultoria Datagro.

A queda nos abates ocorreria após um forte movimento de abate de matrizes, que geralmente é seguido por retenção de fêmeas para a produção de bezerros.

Mudanças como essas geralmente impactam os preços da arroba do boi gordo. O mercado atual está “equilibrado”, com as cotações oscilando entre R$330 e R$290, segundo dados da Datagro no evento promovido pela consultoria.

O executivo lembrou que o ciclo pecuário é inerente à atividade, que registra movimentos de retenção de fêmeas em uma época do ciclo e outra de “liquidação” dos animais.

Ele comentou que isso geralmente traz oscilação de preços, mas destacou também que a incorporação de tecnologias e manejos tem amenizado os efeitos do ciclo de baixa.

“O que a gente observa de oportunidades com o advento da integração lavoura-pecuária, incorporação de tecnologia no campo, redução da idade de abate, incremento da produtividade…, os impactos do ciclo podem ser suavizados, e é isso que a gente imagina que deve acontecer”, afirmou ele, admitindo que o Brasil está “entrando em momento de provável retenção de matrizes.”

Roberto Perosa, presidente da associação das indústrias de carne do Brasil, a Abiec, disse a jornalistas durante o evento que não acredita “em toda esta queda” projetada nos abates para o ano que vem.

“Acho que o mercado continuará equilibrado, a previsão dos especialistas para este ano era de uma queda de abates, e estamos crescendo o abate.”

Ele destacou fatores como os citados pelo executivo da JBS, incluindo a melhoria genética do rebanho, que resulta em mais produção.

Perosa disse também não acreditar em queda no consumo interno de carne bovina no Brasil, citando que 2026 é ano eleitoral, com possíveis movimentos que fortaleçam a demanda.

“Acho que vai ter este estímulo, com o pleno emprego e o aumento da renda da população, acho que o consumo de carne bovina pode se manter estável ou inclusive crescer no ano que vem.”

Fonte: Reuters

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Economia

Copom mantém a taxa Selic em 15,00% a.a.

​O ambiente externo se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos. Consequentemente, o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos têm sido afetados, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.

Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica segue apresentando, conforme esperado, certa moderação no crescimento, mas o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,8% e 4,3%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,4% no cenário de referência (Tabela 1).

Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.

O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.

O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá vigilante, avaliando se a manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta. O Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.

Tabela 1

Projeções de inflação no cenário de referência

Índice de preços202520261º tri 2027
IPCA4,83,63,4
IPCA livres5,03,53,3
IPCA administrados4,33,83,8

Fonte: Banco Central do Brasil

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Comércio Exterior, Economia, Exportação, Tributação

Alckmin: “A exportação é fundamental para que pequenas empresas cresçam mais depressa, ganhem escala e avancem mais”.

Fala do vice-presidente e ministro do MDIC se deu durante debate sobre a força dos pequenos exportadores promovido pelo SBT News.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu a necessidade de ampliar a participação de micro e pequenas empresas nas exportações durante a abertura do evento “Os pequenos também exportam”, realizado nesta quarta-feira (17/09) pelo SBT News. Alckmin destacou medidas de apoio aos pequenos empreendedores como o Acredita Exportação, o Portal Único de Comércio Exterior e o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), da Apex Brasil.

“A exportação é fundamental para que pequenas empresas cresçam mais depressa, ganhem escala e avancem mais”, afirmou o ministro. “O Brasil é um importante exportador, mas pequenos empreendedores ainda exportam pouco. A Itália é um bom exemplo de um país onde os pequenos exportam muito”, complementou.

Para o ministro, oferecer estímulos para que os pequenos empreendedores exportem mais faz parte da estratégia para tornar o Brasil um país mais competitivo no exterior. “Com o Acredita Exportação, a micro e a pequena empresa ganha um crédito automático de 3,1% do valor exportado, que é uma maneira do governo devolver parte do imposto pago pelos insumos dos produtos exportados”, exemplificou.

Outra medida importante elencada pelo ministro diz respeito ao Portal Único de Comércio Exterior, que permite o uso de uma mesma licença tanto para exportação como para importação, além de reduzir a burocracia e o uso de papel. “Isso deve reduzir o Custo Brasil em R$ 40 bilhões por ano”, ressaltou Alckmin. “Uma carga parada no porto por um dia custa 0,8% do valor da carga. Se ficar três dias parada, já foi 2,5%. O Portal Único vai dar mais agilidade, reduzir esse tempo e permitir maiores ganhos para os empreendedores”, detalhou.

O ministro ainda citou o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), promovido pela Apex Brasil com o objetivo de preparar micro e pequenas empresas para o mercado externo. “O PEIEX é um programa só para capacitação dos pequenos, para que eles possam exportar e, com isso, ganhar mais mercado”, lembrou.

“Tem também a promoção dos produtos, que traz compradores para o Brasil, para comprarem das pequenas empresas aqui e faz participação também lá fora, em feiras de negócios, para poder colocar o produto das pequenas empresas”, acrescentou.

Tarifaço

Ao mencionar os problemas provocados pela imposição de tarifas a produtos brasileiros pelos Estados Unidos, o ministro destacou o programa de mitigação implantado pelo governo federal para amenizar o impacto na economia. “O que o governo está fazendo? Primeiro, R$ 40 bilhões de crédito pelo fundo garantidor. Dois, compras governamentais. Três, prorrogação do drawback por um ano. E quatro, o reintegra para pequenas empresas que oferece crédito de 6,1% do valor exportado”, enumerou.

Fonte: MDIC gov.br

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Internacional

ONE adia recarga por baixo nível de água

A companhia japonesa de navegação Ocean Network Express (ONE) informou que decidiu adiar a aplicação do recargo por baixo nível de água (LWS) nos portos de Manaus e Porto Velho, no Brasil.

A medida, inicialmente prevista para setembro, entrará em vigor em 15 de outubro de 2025.

Segundo comunicado da empresa, a decisão se deve ao fato de que a diminuição do nível do rio Amazonas está acontecendo de forma mais lenta do que o previsto. Isso permitiu postergar a entrada em vigor da cobrança, que afetará as operações nessa região-chave para a logística fluvial.

O recargo temporário terá um custo de USD 975 por TEU e será aplicado em todas as rotas comerciais e serviços da companhia. A ONE informou que essa tarifa será mantida até novo aviso, dependendo das condições do rio.

A empresa, formada pela Nippon Yusen Kaisha (NYK), Mitsui O.S.K. Lines (MOL) e K Line, ressaltou que a medida busca garantir a continuidade de suas operações diante das variações sazonais que impactam a navegação no Amazonas.

Além disso, a ONE agradeceu aos clientes pelo apoio e destacou seu compromisso em continuar atendendo às necessidades de transporte global na região.

Fonte: Todo Logistica News

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Agronegócio

Proteínas e biocombustíveis devem impulsionar o agro brasileiro, diz pesquisa

Estudo da Bain & Company apresentado no “Vozes do Agro” mostra que o setor enfrenta desafios globais e locais, mas tem oportunidade crescente na demanda por carnes e combustíveis renováveis

O agronegócio brasileiro tem dois fatores que devem promover sua capacidade competitiva no cenário global: a alta demanda por proteínas e a expansão dos biocombustíveis. Essa é a conclusão de estudo da consultoria Bain & Company que foi apresentado durante o evento “Vozes do Agro”, realizado pela Globo Rural e Valor nesta terça-feira (16/9) em São Paulo.

O documento, explicado por Arián Krakov e Felipe Cammarata, sócios da Bain, destacou que o Brasil se posiciona como uma potência agrícola mundial, com um papel crucial para alimentar o mundo, liderar a transição energética e fornecer créditos de carbono.

No entanto, no caminho para ganhar maior destaque, o agro brasileiro enfrenta desafios globais e locais. Entre os obstáculos do cenário global estão as mudanças climáticas, a necessidade de redução de emissões de carbono, o impacto de tarifas e políticas de governos estrangeiros e a pressão social regulatória crescente sobre insumos agrícolas.

Em nível nacional, o documento destaca as dificuldades causadas pela queda de rentabilidade dos produtores nos últimos anos, a necessidade de melhor infraestrutura logística e a restrição de crédito e financiamentos.

O agronegócio brasileiro já demonstrou sua grande capacidade de produção. Agora temos saber aproveitar as oportunidades de crescimento que existem”

— Arián Krakov.

Oportunidades

Uma das oportunidades é a demanda crescente por proteínas no mundo, especialmente entre os jovens. Segundo uma pesquisa global realizada pela Bain, entre a geração Z (pessoas nascidas entre a segunda metade da década de 1990 até o início dos anos 2010), 59% dos entrevistados afirmou que queria consumir mais proteínas. Para Krakov, o mercado global de proteínas em expansão reforça o papel do Brasil como fornecedor-chave desse produtor.

Outro fator destacado é a expansão dos biocombustíveis. A transição energética amplia o espaço para etanol, biodiesel, SAF e matérias-primas para essas fontes de energia, criando novas avenidas de crescimento para o agro. Cammerata lembrou que a demanda de biodiesel deve crescer 8% ao ano até 2030. Além disso, destacou que o Brasil possui 29 usinas de etanol de milho em projeto ou construção. “Na última safra, 17% do etanol produzido foi originado por milho, volume que já é o dobro de 2020/21”, apontou.

O documento da Bain destaca ainda que o agronegócio brasileiro ainda possui grande potencial para expansão do cultivo de matérias-primas. Segundo Cammeratta, apenas 50% das áreas agrícolas brasileiras possuem alguma atividade de segunda safra. “Respeitando as condições de cada local, praticamente metade das terras do páis poderia ser explorada duas vezes ao ano”, afirmou.

Fonte: Globo Rural

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Logística

Rota Bioceânica: Nova ponte entre Brasil e Paraguai ficará pronta em 2026

A maior e mais cara obra da Rota Bioceânica, que ligará o Brasil ao Paraguai, está em estágio avançado de construção no Pantanal. A ponte, orçada em mais de US$ 100 milhões, conectará Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai, com previsão de conclusão em 2026. O tema é abordado na série da CNN Brasil Rota Bioceânica: Brasil rumo ao Pacífico, em exibição no CNN Prime Time, produzida pelo analista Caio Junqueira e pelo cinegrafista Djalma Sena.

Com 75% da obra já executada, a estrutura impressiona por suas dimensões: são 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, incluindo viadutos de acesso e um trecho estaiado com torres de 125 metros de altura. A ponte será a terceira ligação entre os dois países.

Obras complementares e impacto logístico

Para garantir o pleno funcionamento da ponte, estão em andamento as obras de acesso, que se estendem por 13 quilômetros e têm custo estimado em R$ 425 milhões. A complexidade do projeto se deve à necessidade de construção sobre áreas pantanosas. A expectativa é que 250 caminhões utilizem a travessia diariamente após sua inauguração.

Porto Murtinho, município de 15 mil habitantes, prepara-se para se tornar um importante hub logístico. A cidade já conta com um novo plano diretor que visa reorganizar sua infraestrutura pelos próximos dez anos, prevendo inclusive a criação de uma área de serviços específica para atender ao fluxo da rota.

Transformação e desenvolvimento regional

A expectativa é que a população de Porto Murtinho triplique com a chegada de funcionários aduaneiros, agentes de segurança e o aumento do fluxo de pessoas. O município já atrai investidores por sua posição estratégica na bacia platina, contando com porto privado que deve expandir suas operações com a inauguração da rota.

A obra representa uma mudança significativa para a região, historicamente vista como ponto final da logística nacional. Com o corredor bioceânico, a área se transformará em um importante nó logístico, facilitando as conexões comerciais entre o Brasil e os países do Pacífico.

Fonte: CNN Brasil

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