Comércio

Argentina: Revogam tarifas de referência para transporte de cargas

O Ministério da Economia da Argentina, por meio da Secretaria de Transporte, revogou as resoluções que estabeleciam as tarifas de referência para o transporte rodoviário de cargas de cereais, oleaginosas e derivados, no marco de um processo de desregulamentação e simplificação administrativa.

A Resolução 48/2025, publicada no Boletim Oficial, anulou a norma vigente desde 2016 que fixava valores orientativos definidos em mesas de negociação entre transportadores e produtores agropecuários.

A pasta, chefiada por Luis Octavio Pierrini, considerou que essas referências haviam gerado “diversas interpretações sobre sua aplicação” e que era necessário “eliminar barreiras regulatórias que atentem contra a liberdade econômica”.

A medida foi tomada após várias entidades, entre elas a Federação Argentina de Entidades Empresariais do Transporte Rodoviário de Cargas (Fadeeac), a Federação Argentina de Entidades de Transporte e Logística (Faetyl) e a Sociedade Rural Argentina (SRA), anunciarem sua retirada das mesas de negociação.

Essas entidades argumentaram que a política tarifária deveria ser regida pela livre negociação entre as partes, sem intervenção estatal, exceto em casos de condutas anticompetitivas comprovadas.

Paralelamente, transportadores e contratantes de carga assinaram, em março, um acordo com um novo quadro tarifário de alcance nacional que substitui as antigas referências oficiais.

A resolução também determinou a notificação às câmaras empresariais do transporte, às entidades agropecuárias e a órgãos como a Comissão Nacional de Regulação do Transporte (CNRT) e a Agência de Arrecadação e Controle da Argentina (ARCA).

Fonte: Portal Portuario

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Importação

PMEs da Argentina sofrem pressão recorde de importações

Um novo relatório do Observatório das PMEs (OP)revela que as pequenas e médias empresas industriais da Argentina enfrentam uma pressão sem precedentes das importações, o que agrava a queda de empregos em um cenário de recessão.

O estudo, baseado em uma pesquisa com 500 Pequenas e Médias Empresas de manufatura e TI, reflete a difícil situação do setor no 2º trimestre de 2025.

Recessão e queda de confiança

A recessão na indústria transformadora é evidente. O relatório aponta que 70% das empresas estão com a produção estável ou em declínio, e a fraca demanda é a principal preocupação para 68% delas.

Para reverter a situação, as PMEs priorizam políticas de proteção contra concorrência desleal (42%), reformas no mercado de trabalho (49%), estabilidade macroeconômica (50%) e desoneração fiscal (59%).

Custo de produção e pressão de preços

As tensões sobre preços e custos se intensificam. Enquanto 74% das empresas reportaram aumento nos custos, apenas 35% conseguiram repassar esse valor para seus produtos. Isso tem levado as empresas a adotar estratégias defensivas, incluindo cortes de pessoal e o aumento do uso de componentes importados.

Pressão das importações em níveis históricos

A ameaça das importações atingiu níveis recordes: 45% das PMEs sentem a concorrência direta, e 33% já perderam participação de mercado. A China é apontada como a principal fonte dessa ameaça por 73% das empresas afetadas. No setor de madeira e móveis, 16% das empresas já substituíram insumos por produtos importados. O relatório do OP afirma que a situação é agravada pelo “descumprimento regulatório e contrabando”.

Emprego: Variável de ajuste

A queda no nível de atividade e a forte pressão das importações fizeram com que o emprego se tornasse uma variável de ajuste, revertendo a tendência histórica do setor. A queda de 4,7% no emprego industrial acumulou nove trimestres de declínio. No segmento de madeira e móveis, 17% das empresas relataram redução na folha de pagamento no último trimestre.

Fonte: Móveis de Valor

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Negócios

ARGE11: conheça o primeiro ETF local de empresas argentinas

O investidor brasileiro interessado em diversificar sua carteira com exposição internacional tem mais uma opção a partir de hoje: o ARGE11, primeiro fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) listado na B3 que replica o desempenho de ações de empresas da Argentina listadas em Nova York.

O veículo de investimento foi lançado pela Investo, empresa do grupo VanEck e gestora especializada em ETFs. O fundo possui taxa de administração de 0,75% ao ano e abrange setores como energia, finanças, bens industriais e comunicações.

“O ARGE11 oferece uma forma eficiente de acessar o mercado da Argentina, além de contar com a liquidez e a transparência regulatória norte-americanas”, afirma Cauê Mançanares, CEO da Investo.

Segundo a gestora, o ETF pode capturar os frutos positivos da recuperação do país, em especial de companhias exportadoras, favorecidas pela melhora da competitividade do peso argentino em relação ao dólar.

O que é o ARGE11?

Por ser um ETF, o ARGE11 precisa ter um índice de referência. No caso, será o MarketVector US Listed Argentina Index, indicador que reúne 15 American Depositary Receipts (ADRs) de companhias argentinas listadas em Wall Street.

Essas empresas, em conjunto, têm valor de mercado de aproximadamente US$ 49,2 bilhões. Desde janeiro de 2023, o índice MarketVector US Listed Argentina acumula valorização acima de 180% em reais.

Quais empresas argentinas compõem o índice?

A petroleira YPF possui o maior peso dentro do MarketVector US Listed Argentina Index, respondendo por 19,79%. Em seguida, estão o grupo financeiro Galícia (17,65%), a holding elétrica Pampa Energia (12,67%), a mineradora Ternium (10,98%) e o Banco Macro (8,00%).

Fonte: InvesTalk

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Aeroportos

Florianópolis ganha voos internacionais inéditos para Argentina

A empresa aérea Aerolíneas Argentinas vai operar duas novas rotas para a capital catarinense

A concessionária Zurich Airport Brasil informa que o Aeroporto Internacional Hercílio Luz, de Florianópolis (SC), está ganhando reforço em sua malha área internacional, pois a empresa aérea Aerolíneas Argentinas anunciou que vai operar duas novas rotas para a capital catarinense.

As ligações serão com Tucumán e Salta, ambas cidades na Argentina, e ocorrerão durante a próxima temporada de verão. Os voos começarão em 1º de janeiro de 2026 e seguirão até 6 de abril de 2026. As passagens já estão à venda no site da Aerolíneas Argentinas.

A frequência será de duas partidas semanais para cada destino, realizadas com aeronaves Boeing 737-800, com capacidade para 170 passageiros. O tempo de voo é de aproximadamente duas horas.

Localizadas no norte da Argentina, as cidades se destacam pela preservação da cultura, história e pelas paisagens exuberantes entre montanhas e vales. Salta encanta com seu charme colonial e paisagens andinas. Já Tucumán é famosa por ser o berço da independência argentina.

Com as duas novas rotas, o Aeroporto Internacional de Florianópolis vai oferecer voos diretos para 11 destinos na temporada de verão 2025/26. São eles: Lisboa (Portugal), Cidade do Panamá (Panamá), Lima (Peru), Santiago (Chile), Buenos Aires, Córdoba, Rosário, Tucumán e Salta (Argentina), Montevidéu (Uruguai) e Assunção (Paraguai).

Fonte: Modais em Foco

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Importação, Mercado Internacional

China suspende importação de produtos avícolas da Argentina, cinco meses após retirar proibição

O aviso sobre a suspensão não indicou o motivo da medida ou por quanto tempo a suspensão poderia permanecer em vigor

A China suspendeu as importações de produtos avícolas da Argentina a partir de 20 de agosto, apenas cinco meses depois de retirar uma proibição de dois anos.

O aviso sobre a suspensão, que foi publicado em um site da alfândega, não indicou o motivo da medida ou por quanto tempo a suspensão poderia permanecer em vigor.

As autoridades alfandegárias não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

Pequim também proibiu as importações de aves e produtos relacionados de seu maior fornecedor, o Brasil, desde maio, e as importações da Espanha neste mês, com as autoridades observando surtos de gripe aviária em ambos os países.

O embargo de dois anos às aves argentinas ocorreu após a detecção da gripe aviária altamente patogênica (HPAI) nas aves comerciais do país.

“Essa decisão pode ajudar a sustentar os preços de alguns produtos avícolas, já que a China restringiu as importações de alguns dos principais fornecedores”, disse Pan Chenjun, analista sênior de proteína animal do Rabobank em Hong Kong.

“No entanto, seu impacto geral (sobre os preços) é provavelmente limitado devido ao atual excedente de carne de aves da China e às contínuas dificuldades financeiras do setor.”

A China importa principalmente produtos avícolas, como pés de frango, asas de frango e pedaços de frango com osso.

As importações de carne de aves da China de janeiro a julho totalizaram 226.013 toneladas, uma queda de 2% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da alfândega.

Fonte: Brasil 247

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Comércio Exterior, Portos

Porto de Buenos Aires muda para sempre

O Decreto 602/2025 impulsiona a modernização do porto, concentrando contêineres e transformando as Terminais 4 e 5 em um polo turístico.

O Governo nacional oficializou, por meio do Decreto 602/2025, um plano integral para a transformação do Porto de Buenos Aires, que inclui a unificação das Terminais 1, 2 e 3 de Puerto Nuevo em uma única concessão destinada à movimentação de contêineres, e a reconversão das Terminais 4 e 5 em um polo turístico e comercial. Essa iniciativa tem como objetivo modernizar a infraestrutura portuária e adaptá-la às necessidades atuais do comércio e do turismo, fortalecendo a competitividade do porto e sua integração com a cidade.

O Decreto 602/2025 estabelece a unificação das concessões das Terminais 1, 2 e 3 de Puerto Nuevo sob um único contrato com a empresa Terminales Río de la Plata S.A.. Essa medida visa consolidar uma única área operacional voltada à logística de contêineres, permitindo uma gestão mais eficiente e homogênea da infraestrutura portuária. Atualmente, essas terminais são operadas pela Terminales Río de la Plata, formada pelas empresas DP World (55,62%), LAIF VI LTD (39,38%) e Mitsui & Co. (5%).

As Terminais 4 e 5 serão destinadas exclusivamente ao turismo e à atividade comercial. Está prevista a construção de um novo terminal de cruzeiros, acompanhado por áreas de serviços, como restaurantes, hotéis, estacionamentos e espaços de lazer.

O objetivo é impulsionar a chegada de cruzeiros internacionais e conectar de forma mais direta o Porto de Buenos Aires com a cidade, integrando o espaço portuário ao tecido urbano e ao turismo local.

A gestão das novas concessões ficará a cargo da Agência Nacional de Portos e Navegação (ANPyN), que terá a autoridade para convocar Iniciativas Privadas, a fim de atrair grandes investimentos para o desenvolvimento da infraestrutura turística e comercial.


Modernização e Competitividade

O plano de transformação busca modernizar a infraestrutura do Porto de Buenos Aires para permitir a operação de navios de maior porte, atualmente limitados por restrições de calado.

Está prevista a possibilidade de aumentar o calado dos cais e, no futuro, a construção de um terminal externo, condicionada à realização de estudos de viabilidade técnica, ambiental e financeira. Essas ações têm como objetivo consolidar o Porto de Buenos Aires como um hub estratégico para o comércio exterior e o turismo regional.

O Decreto 602/2025 destaca que, pela natureza da atividade, será o setor privado o responsável por aportar ideias, capital e know-how para o desenvolvimento das novas áreas turísticas e comerciais.

Sob o Regime de Iniciativa Privada, aprovado pelo Decreto 713/2024, a ANPyN convocará empresas nacionais e internacionais interessadas em investir e operar no porto. Essa estratégia visa dinamizar a economia local e projetar o Porto de Buenos Aires como um porto competitivo a nível internacional.

Fonte: Ser Industria

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Economia

Argentina: peso cai pela 1ª vez em 13 dias e ações cedem com PIB e tensões internas

A economia do país encolheu pelo segundo mês consecutivo em junho, marcando a quarta contração no ano

O dólar oficial subiu, nesta quarta-feira, 20, pela primeira vez em 13 dias ante o peso argentino, voltando a superar a os 1.300 pesos – segundo o Ámbito Financiero – e o índice Merval cedeu 0,49% com um Produto Interno Bruto (PIB) enfraquecido na Argentina e tensões políticas internas.

A economia do país encolheu pelo segundo mês consecutivo em junho, marcando a quarta contração no ano, a medida que se aproximam as eleições de meio de mandato do país, marcadas para outubro.

Paralelamente, a oposição argentina marcou um triunfo na Câmara dos Deputados da Argentina ao rejeitar nesta quarta-feira o veto do presidente Javier Milei à lei de Emergência em Deficiência. No que se prevê ser uma jornada extensa, os blocos opositores pretendem insistir em outras três leis que Milei vetou em prol de sustentar o “déficit zero”.

Tentando controlar o orçamento, o presidente da Argentina vetou no começo de agosto uma tentativa de aumentar os gastos com pensões e uma lei que expande as proteções para pessoas com deficiência, além de proibir o Tesouro de financiar gastos com emissão monetária.

Os argentinos irão às urnas no início de setembro para votar na legislatura provincial de Buenos Aires e, depois, renovar o congresso no final de outubro. As eleições são amplamente esperadas como um referendo sobre o governo de Milei.

Às 18h02 (de Brasília) o dólar subia a 1.300,45 pesos argentinos. No paralelo, o dólar blue recuou 0,37%, a 1.315,00 pesos argentinos, segundo o Ámbito Financiero.

Fonte: InfoMoney

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Exportação

Exportações brasileiras crescem mais de 50% com recuperação econômica da Argentina

A recuperação econômica da Argentina tem alavancado as exportações brasileiras que, neste ano, já aumentaram mais de 50%.

Das 1.500 novas vagas abertas por uma montadora, em todo o país, 1.200 foram em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Esta unidade fabrica a maior parte dos carros exportados para a Argentina. E o nosso parceiro do Mercosul está comprando muito mais. O aumento nas exportações da montadora foi de 73% de janeiro a julho deste ano na comparação com o mesmo período de 2024.

Valter Ferreira, diretor de planta da Fiat de Betim, afirmou: “A exportação para a Argentina contribui muito para esse crescimento. Com isso, de verdade, a gente abre oportunidades de emprego, de desenvolvimento, é um importante momento para o polo de Betim, sim.”

As exportações brasileiras para a Argentina passaram dos dez bilhões de dólares nos sete primeiros meses do ano, uma alta de 53% em relação ao mesmo período de 2024. Esse resultado foi impulsionado pelas vendas da indústria automobilística, que mais que dobraram (+116%).

O Brasil também exportou para o país vizinho mais máquinas e equipamentos industriais (+36%) e aparelhos elétricos (+43%). Reflexos, segundo analistas, da melhora da economia argentina.

Quando o presidente Javier Milei assumiu, em dezembro de 2023, ele promoveu um grande ajuste econômico. Cortou gastos públicos, privatizou estatais e desvalorizou o peso, que vinha sendo controlado artificialmente.

A pobreza atingiu mais da metade dos argentinos em 2024, mas agora diminuiu para 38% da população. Já a inflação mensal, que bateu em 25,5% na posse de Milei, despencou para 1,9% agora em julho.

O professor de economia Roberto Dumas diz que o acordo com o FMI, que vai liberar 20 bilhões de dólares em empréstimos, é sinal de que as coisas estão entrando nos eixos por lá.

Roberto Dumas, professor de economia do Insper, explicou: “A inflação antes do Milei, nos últimos dez anos, bateu 12 mil por cento e o Milei logrou cortar vários gastos públicos, tanto é que agora eles estão em superávit fiscal.”

É bom também para o Brasil, que tem na Argentina o seu terceiro maior parceiro comercial, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Uma relação antiga, fortalecida desde a criação do Mercosul, e que continua agora, mesmo com as trocas de hostilidades e diferenças políticas entre Javier Milei e o presidente Lula.

O professor de Relações Internacionais Vinícius Rodrigues Vieira explica que, mesmo quando há desavenças entre governos, os negócios entre os países podem ser mantidos e ampliados.

“Isso é um efeito do Mercosul. O Mercosul torna a relação comercial Brasil-Argentina imune a disputas ideológicas. Milei e Lula claramente não se dão bem, mas nenhum deles, nem o lado brasileiro nem o lado argentino, vai desafiar o Mercosul a ponto de acabar com ele. Eles querem a continuidade do Mercosul como está. Por quê? Eles sabem que uma Argentina melhor, mais estabilizada, voltará a ter produtos competitivos aqui no mercado brasileiro”.

Já em relação ao tarifaço de Donald Trump, que está num impasse, os especialistas têm repetido que o Brasil precisa fortalecer os laços diretos com parceiros antigos e procurar novos mercados.

“É importante que o Brasil esteja firme com vários parceiros. Com a Argentina, principalmente, porque tem maior valor agregado”, diz Dumas.

Vinícius acrescentou: “O Brasil precisa ir além do Mercosul. Buscar acordos bilaterais com seus parceiros do Mercosul, mas com o olho principalmente nos mercados emergentes como a Ásia e, claro, um mercado maduro que também está sofrendo com tarifaço, que é a União Europeia.”

Fonte: G1

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Negócios

Argentina ajuda Brasil a manter ritmo de produção

Em um ano, as vendas de veículos produzidos no Brasil para a Argentina aumentaram 156,5%

Os fabricantes de veículos se preparam para uma diminuição na expectativa de crescimento do mercado interno. Mas vão conseguir manter o ritmo da produção por conta do aumento da exportação para a Argentina.

Graças à demanda mais aquecida no país vizinho, a participação das vendas externas na indústria automobilística passou de 14% para 25% em um ano.

Ao perceber a recuperação do mercado argentino, principal destino externo do setor, as montadoras se preparavam, desde janeiro, para aumentar os volumes Em janeiro a Anfavea anunciou a expectativa de uma expansão de 7,8% das exportações em 2025.

Mas o resultado dos últimos meses surpreendeu, diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet. A entidade reviu os cálculos e na quinta-feira (7) anunciou uma projeção de exportação muito mais alta, de 38,4% em 2025.

Em um ano, as vendas de veículos produzidos no Brasil para a Argentina aumentaram 156,5% (183,9 mil unidades), o que elevou a fatia do país vizinho de 35% para quase 59% do total exportado pelo setor. Embora as vendas para outros mercados vizinhos, como Colômbia e Chile, também tenham crescido, é a demanda argentina o principal motivo que leva a Anfavea a tratar o resultado como “alta surpreendente”.

De janeiro a julho, o volume de veículos exportados pelo Brasil somou 312,1 mil unidades, alta de 52,7% ante 2024. A receita com as vendas externas das montadoras somou US$ 8,33 bilhões, crescimento de 43,9% na comparação com o mesmo período de 2024.

A demanda externa foi o principal motivo, segundo Calvet, que levou a indústria a contratar mais nas últimas semanas. Em apenas um mês, as montadoras abriram 400 vagas. Com 109,1 mil funcionários, o emprego nas montadoras aumentou 4,4% em 12 meses.

As perspectivas de vender mais no exterior ajudam o setor a compensar a expectativa de ritmo de crescimento mais lento no mercado interno e, assim, manter as projeções de produção anunciadas no início do ano.

A Anfavea diminuiu a previsão de expansão do mercado interno em 2025 de 6,3% para 5% (2,765 milhões de unidades). Mas manteve a expectativa de aumento da produção em 8,4% (2,749 milhões de unidades).

Nem mesmo o programa de incentivos fiscais federais Carro Sustentável ajudará a reverter a tendência. O programa isentou de IPI uma lista de carros básicos e, no primeiro mês de vigência, provocou um aumento de vendas desses modelos em 16,7%.

“Tarifas dos EUA prejudicarão venda de caminhões, que transportam os produtos afetados”

— Igor Calvet

A direção da Anfavea aponta a alta dos juros como um dos principais fatores que provocam a retração de demanda, sobretudo de caminhões. A entidade está pessimista em relação à demanda por veículos de transporte de carga, principalmente da linha pesada.

Desde o inicio do ano, a demanda por caminhões caiu 4,1% e o quadro pode piorar nos próximos meses. A entidade alterou a projeção de vendas internas de caminhões em 2025 de alta de 0,2% para queda de 8,3%. “A instabilidade nos machuca e a alta dos juros nos mata”, diz Calvet.

Mas não é só a alta da taxa básica de juros, a maior desde 2006, que pode afetar o ritmo das linhas de montagem. Segundo Calvet, o mercado de caminhões tende a sofrer o impacto do aumento das tarifas de importação dos EUA, em vigor desde quarta-feira. O dirigente lembra que praticamente todos os produtos exportados pelo Brasil para o mercado americano são transportados em caminhões até os portos.

O “tarifaço” divulgado pelo presidente Donald Trump também prejudicará a exportação de componentes fabricados pelas montadoras, como motores. Nesse caso, a tarifa subiu de 2,5% para 27,5%, o que, segundo cálculos da Anfavea, provocará impacto de US$ 268 milhões caso o ritmo de embarques seja mantido, o que Calvet duvida que ocorra.

Ao divulgar os resultados do setor, Calvet voltou a se queixar da entrada de produtos chineses. A importação de carros da China está se aproximando do volume que vem da Argentina.

De janeiro a julho foram vendidos 87,8 mil carros chineses no Brasil, 41,2% mais do que no mesmo período de 2024. Da Argentina, vieram 121,4 mil, um aumento de 11% na comparação com o acumulado em 2024.

“A importação da Argentina é benéfica porque nós também exportamos para lá, mas não vendemos nada para a China”, destaca.

Ao mesmo tempo, Calvet elogia a recente decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que limitou a seis meses o período de isenção do Imposto de Importação de veículos semidesmontados. A BYD, que se prepara para produzir no país, havia pedido um período maior, de um ano. A Camex também limitou o volume de entrada desses veículos a cotas que poderão ser usadas por todas as marcas, incluindo sócios da Anfavea.

Fonte: Valor Econômico

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Comércio Exterior

Com peso forte, Argentina acelera compra de carne do Brasil ao maior nível desde 1997

Os argentinos consomem cerca de 50 quilos de carne vermelha por pessoa ao ano, um volume em queda nos últimos anos, mas ainda entre os maiores do mundo

A Argentina, tradicional potência pecuária, está importando carne bovina enquanto as políticas cambiais e comerciais do presidente Javier Milei tornam mais barato adquirir o produto no exterior, mesmo com os preços internos ainda elevados.

As importações mensais vindas do Brasil saltaram para uma média de 1.033 toneladas métricas no primeiro semestre de 2025, contra apenas 24 toneladas no mesmo período do ano passado — um recorde sazonal desde o início da série histórica, em 1997, segundo dados oficiais brasileiros. No total, as compras externas de carne bovina pela Argentina já estão no maior nível desde 2019.

Os argentinos consomem cerca de 50 quilos de carne vermelha por pessoa ao ano, um volume em queda nos últimos anos, mas ainda entre os maiores do mundo. Com o churrasco — ou asado — profundamente enraizado na cultura nacional, o preço da carne é acompanhado de perto pelo eleitorado que Milei busca conquistar nas eleições legislativas de outubro. Em junho, o custo da carne na região de Buenos Aires subiu 53% em relação ao ano anterior, bem acima da inflação geral, de 39%.

Embora o aumento das importações tenha pouco impacto em um país que produz cerca de 250 mil toneladas por mês, ele evidencia a decisão de Milei de manter o peso valorizado e abrir mais a economia ao comércio exterior para conter a inflação.

As medidas ajudaram a desacelerar a alta de preços antes da votação de outubro, mas também tornaram as importações mais baratas — um fator que pressiona a balança comercial no momento em que Milei precisa gerar mais dólares para estabilizar a economia e cumprir metas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O peso se desvalorizou nas últimas semanas, mas a cotação atual, em torno de 1.360 pesos por dólar, ainda é considerada relativamente forte quando se leva em conta o custo dos bens e serviços no país.

“Como a Argentina ficou mais cara em termos de dólar, abriu-se a porta para trazer carne do Brasil a preços competitivos”, disse Diego Ponti, analista do mercado de carne bovina na consultoria AZ Group. “Mas são volumes muito pequenos — negócios isolados feitos por compradores próximos à fronteira ou por frigoríficos com plantas nos dois países.”

Segundo dados da AZ Group, frigoríficos argentinos chegaram a pagar, em alguns momentos deste ano, o equivalente a quase US$ 5 por quilo de boi gordo.

A maior parte das exportações argentinas — que somaram cerca de US$ 3,4 bilhões no ano passado — vai para a China. No entanto, com o presidente dos EUA Donald Trump impondo uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira como parte de sua guerra comercial global, isso pode aumentar a concorrência pelas vendas.

“A maior parte dos excedentes que o Brasil não conseguir vender aos EUA provavelmente será destinada à China”, afirmou Ponti. “Isso levaria os importadores chineses a negociar contratos mais baratos.”

Fonte: InfoMoney

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