Comércio Exterior

Exportações de carne bovina da Argentina sobem 20% em 2025 e somam US$ 2,25 bilhões

As exportações de carne bovina da Argentina registraram um aumento expressivo de 20% entre janeiro e agosto de 2025, alcançando US$ 2,256 bilhões, segundo dados da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR). O resultado representa ainda um avanço de 24% em relação a 2014 e reflete a força da demanda global pela proteína argentina.

De acordo com a BCR, o preço médio da carne bovina argentina subiu cerca de 40% em comparação com 2024, impulsionado principalmente pelo aumento da procura dos Estados Unidos, país que enfrenta escassez na produção interna após uma forte redução do rebanho provocada por seca prolongada e alta nos custos de alimentação animal.

Redução no volume exportado, mas alta no valor

Embora o faturamento tenha crescido, o volume exportado de carne bovina caiu 12% em relação ao mesmo período de 2024, totalizando 539 mil toneladas entre janeiro e agosto de 2025. O número também representa uma queda de 3% na média dos últimos cinco anos.

Produção argentina se mantém estável

A produção de carne bovina na Argentina somou 2,1 milhões de toneladas nos primeiros oito meses do ano, o segundo maior volume desde 2010, ficando atrás apenas do recorde de 2023. Apesar do bom desempenho, o resultado está 0,5% acima da média de cinco anos, o que indica estabilidade produtiva no setor.

Maior produtividade nos frigoríficos

Os frigoríficos argentinos abateram 9 milhões de cabeças de gado no período, com peso médio de 231 kg por animal, superior à média de 228 kg registrada nos últimos cinco anos. Em agosto de 2025, o peso médio subiu para 234 kg, o maior patamar desde setembro de 2022, evidenciando ganhos de produtividade.

Menor rebanho bovino em 15 anos

Dados da campanha de vacinação contra a febre aftosa apontam que o rebanho bovino argentino soma 49,4 milhões de cabeças, o menor número desde 2010, quando o total era de 48,8 milhões.

Consumo interno mostra sinais de recuperação

O consumo per capita de carne na Argentina também apresenta recuperação. A projeção da BCR indica 49,6 kg de carne bovina, 45,5 kg de frango e 17,7 kg de carne suína por habitante em 2025. No total, o consumo de carnes deve atingir 113 kg per capita, uma alta de 3% em relação ao ano anterior e dentro da média histórica do país.

FONTE: Portal DBO
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Portos

Atrasos nos portos travam exportações de café e expõem gargalos logísticos do Brasil

As exportações de café brasileiro enfrentaram em agosto um dos maiores gargalos logísticos dos últimos anos. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), mais de 600 mil sacas ficaram retidas nos portos, gerando prejuízos de R$ 5,9 milhões apenas com custos de armazenagem e detenção de contêineres.

O impacto financeiro foi ainda maior: o país deixou de arrecadar cerca de R$ 1,2 bilhão em receita cambial, considerando o valor médio da saca exportada. O cenário preocupa, já que o Brasil é líder mundial na produção de café, mas enfrenta crescentes entraves logísticos para escoar sua safra.

Portos operam no limite

O Porto de Santos, responsável por mais de 80% das exportações nacionais, opera próximo à capacidade máxima. Em agosto, dois terços dos navios programados sofreram atrasos ou mudanças de escala, com casos de espera que chegaram a 47 dias.
No Porto do Rio de Janeiro, segundo mais relevante para o setor, quase 40% das embarcações também registraram problemas.

Confira a seguir um histórico das exportações brasileiras de café em grão via Porto de Santos. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Exportações Brasileiras de Café em Grão | Jan 2022 a Ago 2025 | TEU

O Cecafé defende uma estratégia conjunta entre governo e iniciativa privada para destravar os gargalos. O novo marco regulatório dos portos, em análise na Câmara, é visto como essencial para acelerar concessões, ampliar investimentos e evitar disputas judiciais que atrasam projetos, como a licitação do Tecon Santos 10.

Impacto no agronegócio brasileiro

O problema não afeta apenas o café. Outras cadeias agroexportadoras que dependem do transporte conteinerizado — como frutas, algodão e carnes processadas — também sentem os efeitos da ineficiência portuária.
Com a safra recorde e a demanda global em alta, cresce o temor de que os gargalos de infraestrutura se tornem um dos maiores entraves à expansão do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

Especialistas apontam falhas estruturais

Para Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Feagro-MT, os atrasos resumem o desafio logístico nacional. Segundo ele, produtores que investem em tecnologia e qualidade perdem competitividade ao não conseguirem entregar no prazo, reduzindo o retorno sobre os investimentos.

Rezende alerta ainda para a defasagem de armazenagem, estimada em mais de 20% da safra, o que obriga o agricultor a escoar grãos rapidamente sob risco de perda. A situação se agrava com estradas precárias e falta de integração entre modais, fatores que encarecem o transporte e diminuem a competitividade frente a concorrentes internacionais.

“O custo do transporte rodoviário no Brasil chega a ser 30% mais alto que nos Estados Unidos, o que compromete toda a cadeia produtiva”, exemplifica.

Soluções para destravar a logística

Na avaliação do especialista, o Brasil precisa de uma reengenharia logística nacional, baseada na expansão de ferrovias, hidrovias, terminais de integração e centros logísticos estratégicos.
“O governo e o setor privado precisam entender que logística não é custo extra, mas sim o alicerce para manter o agro crescendo e competitivo no mercado global”, conclui Rezende.

FONTE: Pensar Agro
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

Soja brasileira ganha espaço na China em meio à guerra comercial entre EUA e o país asiático

Brasil assume protagonismo nas exportações de soja para a China.

A guerra comercial entre Estados Unidos e China tem redefinido o mercado global de commodities agrícolas, beneficiando diretamente o Brasil. Entre junho e agosto de 2025, o país asiático suspendeu a compra de soja norte-americana e passou a priorizar fornecedores alternativos, como o Brasil e a Argentina.

O levantamento é da American Farm Bureau Federation (AFBF), principal entidade representativa do setor agrícola dos Estados Unidos, que reúne cerca de 6 milhões de produtores rurais. O estudo mostra que as importações chinesas de soja dos EUA despencaram para o menor nível histórico neste ano, enquanto o Brasil consolidou sua posição como principal exportador do grão ao mercado chinês.

Queda recorde nas importações de soja americana

De janeiro a agosto de 2025, a China importou apenas 5,8 milhões de toneladas de soja norte-americana, ante 26,5 milhões de toneladas no mesmo período de 2024, o que representa uma redução de quase 80%.

O relatório aponta ainda que, entre junho e agosto, os Estados Unidos “virtualmente não embarcaram nada” de soja para a China — e o país asiático não adquiriu novos volumes da safra futura.

Enquanto isso, o Brasil exportou mais de 77 milhões de toneladas do produto para o mercado chinês no mesmo intervalo. A Argentina também ampliou suas vendas após suspender temporariamente o imposto de exportação, que voltou a ser aplicado quando o valor exportado ultrapassou US$ 7 bilhões.

Estratégia chinesa de diversificação de fornecedores

De acordo com a AFBF, o cenário atual é resultado de uma política de diversificação de fornecedores adotada pela China desde 2018, quando teve início a primeira guerra comercial sob o governo Donald Trump. Desde então, o país asiático vem reduzindo sua dependência dos produtores norte-americanos, mesmo diante de uma demanda interna crescente.

Impacto em outras exportações dos EUA

A perda de espaço no mercado chinês não se restringe à soja. Segundo o relatório, as exportações de milho, trigo e sorgo dos Estados Unidos à China caíram a zero em 2025, enquanto as vendas de carne suína e algodão seguem em ritmo reduzido.

O Departamento de Agricultura dos EUA projeta que o valor total das exportações agrícolas para a China cairá para US$ 17 bilhões neste ano — uma retração de 30% em relação a 2024 e mais de 50% abaixo do registrado em 2022. Para 2026, a previsão é ainda mais negativa: US$ 9 bilhões, o menor patamar desde 2018.

Governo Trump prepara novo pacote de apoio ao setor agrícola

Diante das perdas, o governo Donald Trump planeja um novo pacote de ajuda financeira aos produtores rurais, semelhante ao de 2019, quando mais de US$ 22 bilhões foram destinados ao setor durante a primeira fase da disputa comercial.

Usaremos os recursos das tarifas para apoiar nossos agricultores”, afirmou Trump em sua rede Truth Social. Paralelamente, o Tesouro norte-americano estuda medidas emergenciais para conter o déficit comercial agrícola.

Além dos efeitos da guerra comercial, os produtores enfrentam queda nos preços das commodities e aumento dos custos logísticos, agravados pelo baixo nível do Rio Mississippi, rota crucial para o escoamento da safra. O Departamento de Agricultura estima que a renda agrícola dos EUA caia 2,5% em 2025, atingindo o menor valor desde 2007.

Fonte: Agência Brasil

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL / Reuters/Brian Snyder

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Agronegócio

Reforma Tributária cria regime especial de IBS e CBS para o agronegócio

Nova Lei Complementar nº 214/2025 estabelece regras específicas para o setor rural.

A Lei Complementar nº 214/2025, que regulamenta parte da Reforma Tributária, criou regimes diferenciados de tributação para o setor agropecuário, estabelecendo novas regras para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A medida busca simplificar o sistema tributário, ampliar a não-cumulatividade e preservar a competitividade das atividades rurais, assegurando neutralidade fiscal.

Pequenos produtores rurais ficam isentos de IBS e CBS

Um dos pontos mais relevantes da nova legislação é a exclusão de pequenos produtores do pagamento dos novos tributos. Produtores rurais — pessoas físicas ou jurídicas — com faturamento anual inferior a R$ 3,6 milhões não serão considerados contribuintes de IBS e CBS, embora possam optar pela adesão ao regime.
O valor será corrigido anualmente com base no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Para manter o equilíbrio da cadeia de créditos tributários, contribuintes sujeitos ao regime regular poderão apropriar créditos presumidos nas aquisições de bens e serviços de produtores rurais não contribuintes.

Redução de 60% nas alíquotas de insumos agropecuários

A LC 214/2025 prevê uma redução de 60% nas alíquotas do IBS e da CBS incidentes sobre o fornecimento de insumos agropecuários e aquícolas, conforme o Anexo IX da lei.
A medida beneficia itens registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária e amplia o alcance para produtos que antes não se enquadravam nas classificações fiscais vigentes, como determinados fertilizantes.

Entre as novidades, estão os produtos classificados nos códigos NCM 3824.99.77, 3824.99.79 e 3824.99.89, que também poderão usufruir da alíquota reduzida. Novos insumos poderão ser incluídos na lista a cada 120 dias, por meio de ato conjunto do Ministério da Fazenda, Comitê Gestor do IBS e Ministério da Agricultura.

Diferimento no recolhimento dos tributos

A legislação também traz o diferimento do recolhimento de IBS e CBS em determinadas operações com insumos agropecuários, tanto em aquisições internas quanto em importações.
O tributo só será recolhido na etapa que encerrar o diferimento, o que garante fôlego de caixa às cadeias produtivas. Em operações com produtores não contribuintes, o encerramento ocorrerá mediante a redução dos créditos presumidos dos adquirentes.

Tributação reduzida para produtos in natura e cesta básica

Produtos agropecuários, pesqueiros, florestais e extrativistas vegetais in natura também terão redução de 60% nas alíquotas de IBS e CBS.
Consideram-se in natura os produtos sem industrialização, submetidos apenas a processos simples, como secagem, limpeza ou resfriamento.

Além disso, itens da cesta básica nacional de alimentos terão alíquota zero, beneficiando produtos hortícolas, frutas e outros alimentos essenciais.

Impactos e desafios para o setor agropecuário

A LC 214/2025 reforça o compromisso do governo em garantir a competitividade do agronegócio brasileiro, tanto no mercado interno quanto externo.
Entretanto, o novo modelo tributário exige maior atenção à conformidade fiscal, com possíveis impactos no fluxo de caixa e na gestão de créditos tributários.

Especialistas recomendam que produtores e empresas do setor acompanhem de perto as mudanças e adequem seus processos. Apesar da simplificação administrativa e da ampliação da segurança jurídica, será fundamental uma análise individual para avaliar o impacto real sobre os custos e margens do negócio.

Fonte: Consultor Jurídico 
TEXTO: REDAÇÃO
IMAGEM: Wenderson Araujo/Trilux/AGÊNCIA BRASIL

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Agronegócio

Ferrogrão: julgamento no STF pode destravar ferrovia estratégica para o agronegócio

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta quinta-feira (02) o julgamento da Ferrogrão (ADI 6553), projeto de ferrovia que promete transformar a logística do agronegócio brasileiro. A decisão pode abrir caminho para um dos corredores de exportação mais aguardados do país, conectando a produção do Centro-Oeste ao Arco Norte e reduzindo custos de transporte.

Um corredor estratégico para o agro

Com 933 quilômetros de extensão previstos, a Ferrogrão deve ligar Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA). A obra é considerada essencial para encurtar a distância entre o coração do agro e os portos da região Norte, além de aliviar gargalos logísticos.
Estudos apontam que a ferrovia poderá movimentar mais de 50 milhões de toneladas por ano.

Julgamento no STF

Durante a sessão, o relator ministro Alexandre de Moraes fez um resumo do processo, paralisado desde 2023, e ressaltou a complexidade do tema. Ele sugeriu a realização de novos estudos sobre a viabilidade econômica, social e ambiental da obra pelo Ministério dos Transportes.
As partes envolvidas apresentaram sustentações orais, mas o presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspendeu o julgamento. A análise será retomada na próxima quarta-feira, 8 de outubro.

Expectativa de autoridades e do setor produtivo

O presidente da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), Pedro Sales, afirmou estar confiante nos estudos complementares.
Já o secretário de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra-MT), Marcelo de Oliveira, destacou que a ferrovia é indispensável diante do crescimento da produção agrícola:

“Sem ferrovia e sem concorrência ferroviária não há como avançar, e o governo federal precisa fazer sua parte.”

Sustentabilidade e competitividade

Além de ganhos logísticos, a Ferrogrão é vista como uma alternativa sustentável. O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, afirmou que a ferrovia pode reduzir em 40% as emissões de carbono, evitando a liberação de mais de 3,4 milhões de toneladas de CO₂ por ano e gerando uma economia de R$ 8 bilhões.
Segundo ele, é hora de priorizar projetos viáveis:

“Temos que parar de falar em iniciativas quase inconcebíveis como a Bioceânica, que dependem de acordos internacionais, e focar naquilo que é palpável.”

Próximos passos

A superintendente de Inteligência de Mercado da Infra S.A., Lilian de Alencar Pinto Campos, lembrou que novos estudos de viabilidade foram iniciados em 2023, concluídos em 2024 e entregues ao Judiciário.
Ela acrescentou que já existem instâncias técnicas do governo preparando a estrutura regulatória para um eventual leilão de concessão da ferrovia, reforçando a necessidade de segurança jurídica para atrair investimentos privados.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Agronegócio

VLI realiza primeiro embarque de milho à China pelo Porto de Tubarão no Espírito Santo

A VLI, empresa de soluções logísticas que opera ferrovias, portos e terminais, concluiu na última semana o primeiro embarque de milho para a China via Espírito Santo. A operação ocorreu no Terminal de Produtos Diversos (TPD), localizado no Porto de Tubarão, e marcou a saída de 75,5 mil toneladas do grão, oriundas do Terminal Integrador de Araguari, em Minas Gerais.

Esse embarque representa a consolidação de um processo iniciado em fevereiro de 2025, quando o terminal recebeu a habilitação para exportar milho à China, após atender a exigências técnicas e sanitárias impostas pelo maior mercado importador da commodity no mundo.

Corredor Leste: conexão entre Minas Gerais e Espírito Santo

A habilitação amplia as oportunidades para produtores atendidos pelo Corredor Leste da VLI, rota que conecta o Triângulo Mineiro ao sistema portuário capixaba. O transporte é realizado pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), controlada pela VLI, e pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), onde a empresa está em processo de adaptação ao novo modelo regulatório de agente transportador ferroviário de cargas (ATF-C).

Segundo Daniel Schaffazick, diretor de operações do Corredor Leste da VLI, a iniciativa fortalece o papel da companhia no agronegócio:
“Ao conectar regiões produtoras relevantes, fortalecemos a cadeia de suprimentos e contribuímos para a expansão do comércio exterior brasileiro. Essa nova rota mostra como inovamos para atender nossos clientes em setores estratégicos, como o agro”, destacou.

Exigências para habilitação e qualidade do grão

Para obter a certificação, o TPD passou por um rigoroso processo de cadastro no Sistema de Gestão Agropecuária do Ministério da Agricultura (Sipeagro/Mapa). Entre as exigências, estavam:

  • registro do terminal como armazém portuário;
  • apresentação do Manual de Boas Práticas de Fabricação (BPF);
  • implementação de sistema de monitoramento de micotoxinas e resíduos de agrotóxicos;
  • capacitação da equipe para garantir conformidade com os padrões fitossanitários chineses.

Espírito Santo como hub logístico

Além do milho, a VLI mantém operações diversificadas no Espírito Santo, movimentando grãos, farelo, fertilizantes, celulose, insumos e produtos siderúrgicos. Somente pelo Corredor Leste, a empresa transporta anualmente cerca de 16,7 milhões de toneladas por ferrovia e 16,2 milhões de toneladas pelos portos capixabas.

Demanda chinesa em crescimento

A busca da China por milho brasileiro ganhou força a partir de 2022, quando a guerra na Ucrânia reduziu a oferta global de grãos. Em resposta, o país asiático firmou novos acordos comerciais e, desde 2023, passou a adotar protocolos fitossanitários mais rigorosos, especialmente no controle de sementes e pragas.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/VLI

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Agronegócio

Biond Agro: Corte do Fed e selic estável redesenham cenário para o agronegócio brasileiro

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, reduziu nesta semana sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, passando para a faixa de 4,00% a 4,25% ao ano, aplicando o primeiro corte em nove meses. Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano, reforçando uma postura conservadora diante de uma inflação ainda acima da meta.

Conservador diante de uma inflação ainda acima da meta, o Copom decidiu manter a Selic em 15% ao ano, em contraste com o corte de juros promovido pelo Fed. As decisões distintas devem movimentar o agronegócio brasileiro. 

Isabella Pliego, Analista de Inteligência e Estratégia da Biond Agro, avalia que os impactos para os produtores serão mistos. “A Selic elevada ajuda a manter o real valorizado e reduz o custo de insumos importados, mas ao mesmo tempo encarece o crédito rural, limitando investimentos, expansão e modernização da produção”, afirma. 

Além disso, a especialista destaca que a valorização da moeda brasileira diminui a atratividade das exportações,  já que cada dólar convertido resulta em menos receita em reais, comprimindo margens e afetando a competitividade do setor no mercado internacional. Contudo, os produtores podem aproveitar uma excelente janela estratégica. 

Biond Agro: Corte do Fed e selic estável redesenham cenário para o agronegócio brasileiro

Valorização do real reduz custos de insumos importados, mas crédito caro exige planejamento e prudência financeira dos produtores

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, reduziu nesta semana sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, passando para a faixa de 4,00% a 4,25% ao ano, aplicando o primeiro corte em nove meses. Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano, reforçando uma postura conservadora diante de uma inflação ainda acima da meta.

Conservador diante de uma inflação ainda acima da meta, o Copom decidiu manter a Selic em 15% ao ano, em contraste com o corte de juros promovido pelo Fed. As decisões distintas devem movimentar o agronegócio brasileiro. 

Isabella Pliego, Analista de Inteligência e Estratégia da Biond Agro, avalia que os impactos para os produtores serão mistos. “A Selic elevada ajuda a manter o real valorizado e reduz o custo de insumos importados, mas ao mesmo tempo encarece o crédito rural, limitando investimentos, expansão e modernização da produção”, afirma. 

Além disso, a especialista destaca que a valorização da moeda brasileira diminui a atratividade das exportações,  já que cada dólar convertido resulta em menos receita em reais, comprimindo margens e afetando a competitividade do setor no mercado internacional. Contudo, os produtores podem aproveitar uma excelente janela estratégica. 

“Se o real se mantiver valorizado frente ao dólar, teremos folga para negociar melhores condições na compra de insumos importados, reduzir despesas logísticas e repensar prazos de financiamento interno. Mas é essencial acompanhar a rentabilidade das exportações; não basta produzir bem, é preciso garantir que o câmbio não absorva os ganhos de produtividade.”

Por fim, no mercado interno, as operações voltadas ao mercado interno, os efeitos tendem a ser neutros ou levemente positivos, já que os custos podem cair sem grandes alterações nos preços de venda.

“Quem conseguir equilibrar custos, se proteger do câmbio e planejar a longo prazo sairá em vantagem”, finaliza Isabella.

Fonte: Blond Agro

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Agronegócio, Negócios

ApexBrasil terá escritório em Cuiabá e aproxima Mato Grosso do mercado internacional

Brasília testemunhou nesta terça-feira (23/09) um marco histórico para a agricultura e pecuária mato-grossense. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, assinou, ao lado do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, um termo de cooperação que oficializa a instalação de um escritório regional da ApexBrasil no Edifício Famato, em Cuiabá.

A iniciativa, proposta pela Famato, consolida Mato Grosso como protagonista no cenário global do agronegócio. Com a chegada da ApexBrasil, o estado passa a contar com uma estrutura dedicada a preparar e conectar cadeias produtivas diretamente ao mercado internacional, garantindo acesso a certificações, orientação estratégica e atração de novos investidores.

Maior produtor nacional de soja, milho, algodão e carne bovina, Mato Grosso concentra números que o colocam entre as maiores potências do setor no planeta. Agora, com a presença física da ApexBrasil em Cuiabá, os produtores rurais terão acesso facilitado a serviços que antes dependiam de articulações em Brasília ou em outros polos do país, o que representa mais agilidade e competitividade.

Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, a medida coloca o produtor rural como protagonista no processo de internacionalização. “Nosso compromisso é abrir mercados e levar o nome de Mato Grosso para o mundo. Esse escritório vai dar ao produtor rural condições de competir em pé de igualdade, com suporte técnico, acesso a certificações e oportunidades que consolidam nossa posição como referência global em alimentos. É o agro mato-grossense, de mãos dadas com o Brasil, mostrando sua força e sustentabilidade ao planeta”, afirmou.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, que também é de Mato Grosso, destacou a importância do momento para o estado e para o país. “Ter um escritório da ApexBrasil em Cuiabá significa aproximar ainda mais o agro mato-grossense das oportunidades globais. Mato Grosso é a maior potência agropecuária do Brasil, e essa estrutura permitirá que os produtores tenham acesso direto a programas de internacionalização, certificações e parcerias estratégicas. É um passo que fortalece o produtor e projeta o Brasil no cenário mundial”, disse Fávaro.

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, reforçou o papel da Agência e a relevância da nova regional. “A missão da ApexBrasil é abrir portas, criar pontes e apoiar empresas e produtores que querem conquistar mercados internacionais. Estar em Cuiabá, coração do agronegócio brasileiro, é estratégico. Mato Grosso produz em grande escala e com qualidade, e merece ter esse apoio de perto. Esse escritório vai permitir que os produtores tenham mais acesso a programas de capacitação, feiras internacionais e investidores, ampliando o alcance da produção mato-grossense no mundo”, afirmou Viana.

O ato contou ainda com a participação do superintendente do Sistema Famato, Cleiton Gauer. Pela ApexBrasil, estiveram presentes a diretora de negócios, Ana Repezza, o coordenador de Relações Institucionais e Governamentais, Lucas Brandão, a gerente de Relações Institucionais e Governamentais, Carla Duarte, o gerente executivo da presidência, Raphael Cittadino, a coordenadora do Agronegócio, Luciana Pecegueiro, e o coordenador regional, Fellipe Paulino. Do Ministério da Agricultura e Pecuária participaram o chefe de gabinete, Wilson Taques, e o secretário-adjunto de Comércio e Relações Institucionais, Marcel Moreira.

Para o presidente da Famato, mais do que abrir mercados, a chegada da ApexBrasil simboliza um passo decisivo para que o maior beneficiado, o produtor rural, possa transformar potencial em resultado, consolidando Mato Grosso como motor do desenvolvimento brasileiro e referência no fornecimento de alimentos ao mundo.

Fonte: Famato

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Agronegócio

Caixa vê “desafio grande” para agro e segura expansão da carteira

A Caixa Econômica Federal ainda enxerga um “desafio grande” em relação ao segmento do agronegócio, afirmou o presidente-executivo do banco, Carlos Vieira, nesta quinta-feira, um dia após o balanço do segundo trimestre do banco mostrar forte crescimento na inadimplência do setor.

Em entrevista coletiva sobre o resultado, em São Paulo, ele afirmou que o banco pretende manter a carteira de crédito rural entre R$61 bilhões e R$63 bilhões, enquanto compreende melhor a situação no setor.

A vice-presidente de Riscos da Caixa, Henriete Bernabé, pontuou que ainda espera uma piora nos números de inadimplência do segmento, mas ponderou que isso está “precificado”, bem como chamou a atenção para o volume destinado ao agro dentro da carteira total do banco, de quase R$1,29 trilhão.

“Nós estamos entendendo que está controlado, precificado”, afirmou.

No final do segundo trimestre, o saldo da carteira de crédito para o agronegócio da Caixa somou R$60,5 bilhões, aumento de 2,6% em 12 meses, mas queda de 4,8% em relação ao final de março. A inadimplência no setor atingiu 7,02%, alta de 4,9 pontos percentuais ano a ano e de 2,71 ponto no trimestre.

Ela citou que medidas mais recentes anunciadas pelo governo tendem a ajudar.

No início do mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou medida provisória que libera R$12 bilhões para renegociação de dívidas de produtores rurais impactados por problemas climáticos, enquanto uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) publicada alguns dias antes flexibilizou os critérios de cura de créditos em atraso.

A executiva também vê a carteira de pequenas empresas mostrando novo aumento da inadimplência no terceiro trimestre. “É um comportamento de todo o mercado”, afirmou, acrescentando que o banco tem trabalhado para a recuperação desses números, mas que ainda acredita em uma pequena piora.

O saldo das operações de crédito comercial para pessoa jurídica alcançou R$105,8 bilhões no final de junho, aumento de 8,1% frente ao mesmo período de 2024 e de 1,8% ante março. A inadimplência atingiu 11,28%, de 7,01% um ano antes e 9,26% três meses antes.

DEBÊNTURES

O presidente da Caixa afirmou que o banco tem trabalhado em um reposicionamento no relacionamento com grandes empresas, em movimento alinhado à estratégia de expansão da área de debêntures do banco.

“Nós estamos buscando um novo posicionamento”, afirmou em apresentação sobre o balanço do segundo trimestre divulgado na noite da véspera, destacando que o objetivo é reduzir o custo de capital das companhias, principalmente pela estratégia de expansão na área de debêntures.

“Muitas empresas estão nos procurando para fazer operações de debêntures”, acrescentou.

Fonte: Reuters

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Agronegócio

Proteínas e biocombustíveis devem impulsionar o agro brasileiro, diz pesquisa

Estudo da Bain & Company apresentado no “Vozes do Agro” mostra que o setor enfrenta desafios globais e locais, mas tem oportunidade crescente na demanda por carnes e combustíveis renováveis

O agronegócio brasileiro tem dois fatores que devem promover sua capacidade competitiva no cenário global: a alta demanda por proteínas e a expansão dos biocombustíveis. Essa é a conclusão de estudo da consultoria Bain & Company que foi apresentado durante o evento “Vozes do Agro”, realizado pela Globo Rural e Valor nesta terça-feira (16/9) em São Paulo.

O documento, explicado por Arián Krakov e Felipe Cammarata, sócios da Bain, destacou que o Brasil se posiciona como uma potência agrícola mundial, com um papel crucial para alimentar o mundo, liderar a transição energética e fornecer créditos de carbono.

No entanto, no caminho para ganhar maior destaque, o agro brasileiro enfrenta desafios globais e locais. Entre os obstáculos do cenário global estão as mudanças climáticas, a necessidade de redução de emissões de carbono, o impacto de tarifas e políticas de governos estrangeiros e a pressão social regulatória crescente sobre insumos agrícolas.

Em nível nacional, o documento destaca as dificuldades causadas pela queda de rentabilidade dos produtores nos últimos anos, a necessidade de melhor infraestrutura logística e a restrição de crédito e financiamentos.

O agronegócio brasileiro já demonstrou sua grande capacidade de produção. Agora temos saber aproveitar as oportunidades de crescimento que existem”

— Arián Krakov.

Oportunidades

Uma das oportunidades é a demanda crescente por proteínas no mundo, especialmente entre os jovens. Segundo uma pesquisa global realizada pela Bain, entre a geração Z (pessoas nascidas entre a segunda metade da década de 1990 até o início dos anos 2010), 59% dos entrevistados afirmou que queria consumir mais proteínas. Para Krakov, o mercado global de proteínas em expansão reforça o papel do Brasil como fornecedor-chave desse produtor.

Outro fator destacado é a expansão dos biocombustíveis. A transição energética amplia o espaço para etanol, biodiesel, SAF e matérias-primas para essas fontes de energia, criando novas avenidas de crescimento para o agro. Cammerata lembrou que a demanda de biodiesel deve crescer 8% ao ano até 2030. Além disso, destacou que o Brasil possui 29 usinas de etanol de milho em projeto ou construção. “Na última safra, 17% do etanol produzido foi originado por milho, volume que já é o dobro de 2020/21”, apontou.

O documento da Bain destaca ainda que o agronegócio brasileiro ainda possui grande potencial para expansão do cultivo de matérias-primas. Segundo Cammeratta, apenas 50% das áreas agrícolas brasileiras possuem alguma atividade de segunda safra. “Respeitando as condições de cada local, praticamente metade das terras do páis poderia ser explorada duas vezes ao ano”, afirmou.

Fonte: Globo Rural

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