Exportação

Venezuela despenca no ranking de destinos das exportações brasileiras após 12 anos de crise sob Maduro.

A Venezuela perdeu relevância de forma acelerada no comércio exterior brasileiro ao longo dos últimos 12 anos. O país caiu da 7ª para a 52ª posição entre os maiores destinos das exportações do Brasil durante o período em que Nicolás Maduro esteve no poder. No intervalo, as vendas brasileiras recuaram de US$ 4,8 bilhões em 2013 para US$ 751 milhões em 2025, refletindo o aprofundamento da crise econômica, produtiva e institucional no país vizinho.

De parceiro estratégico a mercado periférico

Quando Maduro assumiu a presidência, em 2013, após a morte de Hugo Chávez, a Venezuela figurava entre os principais parceiros comerciais do Brasil. Naquele ano, foi o sétimo maior destino das exportações nacionais, atrás apenas de China, Estados Unidos, Argentina, Países Baixos, Japão e Alemanha.

Doze anos depois, o cenário mudou radicalmente. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, o país apareceu apenas na 52ª colocação, com compras que não chegam a um quinto do valor registrado no início do governo Maduro.

Agronegócio concentrava a maior parte das vendas

O agronegócio brasileiro sempre teve papel central no comércio com a Venezuela. Em 2013, o setor respondeu por US$ 2,6 bilhões, o equivalente a 54% de tudo o que o Brasil exportou ao país, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

O auge ocorreu em 2014, quando as importações venezuelanas de produtos agropecuários se aproximaram de US$ 3 bilhões, tornando o país o quarto maior destino do agro brasileiro, atrás apenas de China, Estados Unidos e Rússia.

Proteína animal sofre colapso histórico

A crise venezuelana afetou de forma especialmente severa as exportações de proteína animal. Entre 2013 e 2025, o volume de carnes, animais vivos e laticínios enviados ao país despencou de 364,3 mil toneladas para 5,2 mil toneladas, uma queda de 98,6%.

Em valor, o tombo é ainda mais expressivo. As exportações de carnes somaram apenas US$ 13 milhões em 2024, o que representa cerca de 1% da receita obtida em 2014, ano recorde, quando o faturamento atingiu US$ 1,3 bilhão.

Quedas por segmento

  • Carne de frango: de 200 mil toneladas (2014) para 927 toneladas (2024), retração de 99,5%
  • Carne bovina: de 160,3 mil toneladas para 723 toneladas, queda semelhante
  • Animais vivos: de 248,3 mil toneladas para apenas 25 toneladas (-99,9%)
  • Leite e derivados: de 39,2 mil toneladas para 2,2 mil toneladas (-94,3%)

Produtos básicos ganham espaço na pauta

Com o recuo de itens de maior valor agregado, a pauta exportadora passou a ser dominada por produtos básicos, com menor nível de processamento industrial. Destacam-se os aumentos nas vendas de cereais (+162,5%), óleo de soja (+718%) e preparações à base de cereais (+183,6%), hoje entre os principais produtos enviados pelo Brasil à Venezuela.

Importações brasileiras também encolhem

A deterioração comercial é bilateral. O Brasil também reduziu significativamente suas compras do país vizinho, acompanhando o enfraquecimento da capacidade produtiva venezuelana.

Segundo o MDIC, as importações brasileiras caíram de US$ 1,18 bilhão em 2013 para US$ 422 milhões em 2024, uma retração de 64,2%.

Fertilizantes substituem petróleo

Em 2013, petróleo e derivados representavam 78% de tudo o que o Brasil importava da Venezuela, somando US$ 925,8 milhões. Em 2024, a pauta mudou completamente.

Os principais itens passaram a ser fertilizantes (US$ 168,1 milhões), alumínio e seus produtos (US$ 105,3 milhões) e álcoois e derivados (US$ 67,8 milhões). A mudança reflete o colapso da indústria petrolífera venezuelana, apesar de o país deter a maior reserva comprovada de petróleo do mundo.

A produção, que chegou a 3,4 milhões de barris por dia entre 2005 e 2008, caiu para 664,8 mil barris diários em 2021. Em 2024, houve recuperação parcial para 960 mil barris por dia, ainda 64,3% abaixo do nível registrado em 2014.

Mudança política no Brasil agravou a ruptura comercial

Analistas apontam que a queda do comércio não se explica apenas pela crise interna venezuelana. A partir de 2016, com o impeachment de Dilma Rousseff, houve um afastamento político e comercial entre Brasília e Caracas.

Um dos pilares da relação era o Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos (CCR), que permitia transações sem uso de dólares. Com o aumento da inadimplência venezuelana, o Brasil passou a endurecer sua posição.

Segundo pesquisadores do Ipea, a redução do diálogo diplomático e a menor tolerância com dívidas junto ao Banco Central e ao BNDES impactaram diretamente o fluxo comercial.

Calotes levaram ao fim do acordo regional

Em 2017, o Banco Central suspendeu as operações com a Venezuela no CCR devido aos atrasos recorrentes. Entre 2017 e 2018, o Tesouro Nacional teve prejuízo de R$ 1,38 bilhão ao acionar o Fundo Garantidor de Exportações (FGE) para cobrir calotes.

Em abril de 2019, já no governo Jair Bolsonaro, o Brasil deixou unilateralmente o CCR, decisão inédita na política externa brasileira. Segundo o Ipea, a situação venezuelana foi o principal fator para essa saída.

Crise estrutural vem de décadas

A crise econômica da Venezuela teve início ainda nos anos 2000, sob Hugo Chávez, mas se aprofundou a partir de 2015 com a queda da produção de petróleo e dos preços internacionais da commodity. O cenário se agravou com denúncias de violações de direitos humanos, repressão à oposição e questionamentos sobre a legitimidade do processo político, resultando em sanções internacionais, especialmente dos Estados Unidos, que isolaram ainda mais o país.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Texto: Redação

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Agronegócio

Gigantes do agro deixam a Moratória da Soja após avanço de lei em Mato Grosso

As grandes tradings do agronegócio comunicaram oficialmente sua saída da Moratória da Soja, acordo ambiental que restringe a comercialização do grão em áreas desmatadas da Amazônia Legal. A mudança ficou evidente com a retirada da logomarca da Abiove do Grupo de Trabalho da Soja, conforme atualização no site do pacto.

Saída ocorre após entrada em vigor de lei estadual

A decisão ocorre em meio à vigência da Lei nº 12.709/2024, que autoriza o Governo de Mato Grosso a retirar incentivos fiscais de empresas que aderirem à moratória. A norma passou a valer em 1º de janeiro de 2026 e alterou o equilíbrio econômico para as companhias signatárias.

Procurada, a Abiove não se manifestou até a última atualização desta reportagem.

Aprosoja MT comemora decisão das tradings

Em nota divulgada nesta segunda-feira (5), a Aprosoja Mato Grosso confirmou que grandes empresas do setor formalizaram sua saída do acordo junto a organizações da sociedade civil. Para a entidade, o movimento representa “uma vitória dos produtores de soja”, que, segundo a associação, vinham sendo prejudicados por um acordo privado considerado incompatível com a legislação ambiental brasileira.

A Aprosoja também destacou que decisões do STF e a atuação do Cade reforçam o entendimento de que a moratória é “assimétrica” e penaliza produtores que cumprem o Código Florestal.

O que é a Moratória da Soja

Criada em 2006 pela Abiove e pela Anec, a Moratória da Soja proíbe a compra de soja produzida em áreas do bioma Amazônia desmatadas após julho de 2008. Ao longo dos anos, o pacto passou a ser alvo de críticas de produtores e autoridades estaduais, que apontam restrições indevidas ao uso da terra.

Impacto econômico em Mato Grosso e outros estados

Segundo a Aprosoja MT, a moratória gera prejuízos a cerca de 85 municípios mato-grossenses, afetando aproximadamente 2,7 milhões de hectares e retirando mais de R$ 20 bilhões da economia regional. Além de Mato Grosso, o acordo alcança áreas produtivas do Acre, Amapá, Maranhão, Pará, Rondônia e Roraima.

O governo estadual sustenta que o Código Ambiental brasileiro já estabelece regras claras para o desmatamento e que a lei local busca conciliar competitividade econômica e sustentabilidade.

Mato Grosso lidera produção e exportação de soja

Maior produtor de soja do país, Mato Grosso colheu 50,8 milhões de toneladas na safra 2024/25, segundo o Imea. Para 2025/26, a estimativa é de 47,1 milhões de toneladas, cultivadas em 13 milhões de hectares.

As exportações da safra 2024/25 devem alcançar 31,4 milhões de toneladas. Até novembro, o estado enviou soja para 33 países, totalizando 31,12 milhões de toneladas, com a China como principal destino, responsável por 21,9 milhões de toneladas, conforme dados da Secex.

STF e Cade intensificam debate sobre a moratória

O tema ganhou força em 2025 com decisões do Supremo Tribunal Federal. Em dezembro de 2024, o ministro Flávio Dino suspendeu inicialmente a lei estadual, mas em abril de 2025 restabeleceu o artigo que permite o corte de incentivos fiscais às empresas signatárias da moratória, com efeitos a partir de 2026.

Em novembro, o STF reconheceu a autonomia de Mato Grosso para restringir benefícios fiscais, mas suspendeu temporariamente todos os processos sobre a constitucionalidade da moratória, após pedido da Abiove. A liminar segue em vigor enquanto o julgamento aguarda conclusão.

No Cade, o acordo também é analisado sob a ótica concorrencial. O órgão chegou a suspender os efeitos da moratória, investigou possível cartel de compra e mantém os processos paralisados enquanto o STF define o mérito da questão.

Críticas também ganharam espaço internacional

As críticas ao acordo extrapolaram o Judiciário e chegaram ao Congresso Nacional e a fóruns internacionais. No XIII Fórum de Lisboa, lideranças políticas e do setor produtivo classificaram a moratória como uma ameaça à segurança alimentar global.

Durante o evento, o governador Mauro Mendes destacou que Mato Grosso preserva mais de 60% do seu território e tem capacidade de ampliar a produção agrícola sem comprometer o meio ambiente.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agricultura

“Brasil deve se tornar a maior potência agrícola do mundo entre 2035 e 2040”, afirma ex-presidente da Farsul

Após oito anos no comando da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Sistema Farsul), o médico-veterinário e produtor rural Gedeão Silveira Pereira encerra seu mandato deixando a presidência da entidade para Domingos Velho Lopes. A partir de 2026, ele assume o cargo de primeiro vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), onde já atuava como segundo vice e diretor de Relações Internacionais.

Em entrevista ao Correio do Povo, Gedeão revisita os principais desafios enfrentados pelo agronegócio gaúcho e nacional durante sua gestão, analisa entraves estruturais e jurídicos ao desenvolvimento do setor e projeta um cenário de forte crescimento para a agricultura brasileira nas próximas décadas.

Pandemia, clima extremo e impacto na economia gaúcha

Entre os momentos mais desafiadores da gestão, Gedeão destaca a pandemia de Covid-19 e as sucessivas crises climáticas. Segundo ele, apesar das dificuldades, o agronegócio brasileiro demonstrou resiliência e eficiência ao garantir o abastecimento interno, diferentemente do que ocorreu em países desenvolvidos.

No Rio Grande do Sul, os eventos climáticos extremos provocaram perdas significativas na produção agrícola, com impacto direto no Produto Interno Bruto (PIB) estadual. A redução estimada foi de cerca de 0,5%, o equivalente a até 50 milhões de toneladas de grãos que deixaram de ser colhidas, afetando a circulação de renda e o crescimento econômico.

Agricultura como motor da economia e transformação tecnológica

Gedeão reforça que a agricultura é o principal motor da economia gaúcha e brasileira. Ele chama atenção para a evolução do setor, que deixou de ser apenas produtor de alimentos para também se consolidar como gerador de energia renovável, com destaque para etanol e biodiesel.

Segundo o dirigente, o Brasil passou a receber tecnologias agrícolas de ponta simultaneamente aos Estados Unidos e à Europa, o que exige mão de obra altamente qualificada. Nesse contexto, ele aponta o treinamento e a educação profissional como o principal legado de sua gestão.

Qualificação profissional como legado permanente

O ex-presidente da Farsul destaca o papel do Senar na capacitação de trabalhadores rurais e produtores. Para ele, a qualificação permite ascensão social, aumento de renda e melhor aproveitamento das tecnologias disponíveis no campo.

Como marco desse trabalho, Gedeão anuncia a inauguração, prevista para abril, da maior escola de tecnologia agrícola do Brasil, no município de Hulha Negra (RS), voltada à formação de operadores de máquinas e tecnologias de alta complexidade.

Frustrações: infraestrutura precária e falta de investimentos

Entre as principais frustrações do período, Gedeão cita a estagnação da infraestrutura no Rio Grande do Sul, especialmente nas áreas de logística e transporte. Ele aponta a precariedade das rodovias, a desativação de ferrovias e as condições das estradas vicinais como gargalos históricos que limitam o crescimento do agro.

Para o dirigente, o baixo nível de investimento público obriga o país a avançar em concessões e privatizações. Sem melhorias logísticas, o Brasil pode enfrentar sérios problemas para sustentar o crescimento da produção agrícola projetado para os próximos anos.

Insegurança jurídica como principal entrave ao agro

Ao ser questionado sobre os maiores opositores do agronegócio, Gedeão é direto: a insegurança jurídica. Ele afirma que a instabilidade regulatória, as disputas sobre o direito de propriedade, as incertezas ambientais e decisões judiciais imprevisíveis desestimulam investimentos no campo.

Temas como o marco temporal indígena, a burocracia ambiental e as restrições ao uso da propriedade rural são citados como fatores que aumentam o risco para produtores e investidores, afetando o ritmo de desenvolvimento do setor.

Brasil rumo à liderança global na produção de alimentos e proteínas

Apesar dos desafios, Gedeão demonstra otimismo com o futuro. Para ele, o Brasil já é um dos maiores produtores globais de alimentos e proteínas e deve consolidar essa posição entre 2035 e 2040, tornando-se a maior agricultura do mundo.

Ele ressalta o avanço da agricultura tropical, o papel da Embrapa, a produção de múltiplas safras por ano e o crescimento da demanda mundial por proteínas animais. O país já lidera ou ocupa posições de destaque na produção de soja, milho, carne bovina, frango e suínos.

Mudança de percepção da sociedade sobre o agro

Gedeão avalia que a imagem do agronegócio junto à sociedade urbana evoluiu significativamente nas últimas décadas, em grande parte graças ao trabalho da imprensa. Termos pejorativos deram lugar ao reconhecimento da eficiência, sustentabilidade e importância estratégica do setor para a economia nacional.

Hoje, segundo ele, o agro é compreendido como essencial não apenas para garantir alimentos e energia, mas também para sustentar o superávit da balança comercial brasileira.

Novo desafio na CNA e foco na defesa do produtor

Na CNA, Gedeão afirma que sua atuação estará concentrada na defesa do produtor rural, na ampliação da capacitação profissional em nível nacional e na incorporação de novas tecnologias, como a inteligência artificial, ao agronegócio.

Ele destaca o papel da entidade como uma das estruturas mais robustas de representação do setor produtivo no país, atuando desde os sindicatos rurais até a articulação institucional em Brasília e no cenário internacional.

FONTE: CORREIO DO POVO

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: CAMILA CUNHA / REPRODUÇÃO CORREIO DO POVO

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Agronegócio

Ferrovia de Mato Grosso avança a 1 km por dia, recebe R$ 5 bilhões e promete transformar o escoamento do agronegócio

A Ferrovia de Mato Grosso desponta como a maior obra ferroviária em execução no país e avança a um ritmo médio de um quilômetro por dia. Com investimento estimado em R$ 5 bilhões, o projeto busca reorganizar a logística do agronegócio brasileiro, reduzir a dependência das rodovias e destravar gargalos históricos no escoamento de grãos do Centro-Oeste.

Ao priorizar o transporte sobre trilhos, a ferrovia se consolida como um dos principais vetores de competitividade para produtores, indústrias e exportadores em um dos maiores polos agrícolas do mundo.

O que é a Ferrovia de Mato Grosso e qual seu papel logístico

A Ferrovia de Mato Grosso (FMT) foi concebida para ligar áreas estratégicas de produção de soja, milho e outros grãos a um megaterminal ferroviário em Rondonópolis, ponto de conexão com a Malha Norte e com corredores que conduzem aos principais portos brasileiros.

Com aproximadamente 743 quilômetros de extensão, o traçado inclui ramais para municípios-chave do estado, como o eixo Rondonópolis–Lucas do Rio Verde, além da previsão de futura ligação com Cuiabá. O modelo adotado é de investimento 100% privado, viabilizado por uma autorização estadual considerada pioneira no setor ferroviário.

Essa estrutura por etapas permite alinhar construção, demanda e financiamento, posicionando a FMT como um eixo logístico central do Centro-Oeste em 2025.

Como a Ferrovia de Mato Grosso reduz custos e aumenta a competitividade

O transporte ferroviário oferece vantagens claras em longas distâncias, especialmente para cargas de grande volume. Projeções indicam que a Ferrovia de Mato Grosso pode reduzir os custos de frete em até 50% quando comparada ao transporte exclusivamente rodoviário, dependendo da rota e do tipo de carga.

Entre os principais ganhos estão a maior capacidade por composição, menor consumo de combustível por tonelada transportada e redução de pedágios e custos de manutenção. Os benefícios se espalham por toda a cadeia logística:

  • Produtores rurais, com maior margem e previsibilidade de frete
  • Indústrias, com abastecimento mais regular de insumos
  • Exportadores, com fluxo contínuo rumo aos portos
  • Regiões atendidas, que atraem armazéns, serviços e novos investimentos

Como está organizada a construção da Ferrovia de Mato Grosso

As obras da FMT começaram em 2022 e foram estruturadas em fases. O primeiro trecho, com cerca de 160 quilômetros, liga Rondonópolis às regiões de Dom Aquino e Campo Verde, com previsão de entrada em operação em 2026.

Os trabalhos envolvem terraplenagem pesada, implantação de trilhos e a construção de pontes, viadutos e túneis para vencer cursos d’água e desníveis do terreno. Para acelerar o cronograma, foi instalada em Rondonópolis uma fábrica dedicada à produção de dormentes, permitindo o avanço diário de até 1 km de trilhos.

Impactos econômicos e ambientais da Ferrovia de Mato Grosso

Do ponto de vista econômico, a ferrovia tende a ampliar a eficiência do escoamento da safra, reduzir filas em rodovias e portos e aumentar a previsibilidade logística. A integração com a Malha Norte expande o alcance da produção do Centro-Oeste, conectando-a a portos de grande escala e a mercados internacionais.

No aspecto ambiental, o modal ferroviário apresenta menor emissão de CO₂ por tonelada-quilômetro em comparação ao transporte rodoviário. A migração gradual de cargas para os trilhos contribui para a redução de emissões, acidentes, consumo de diesel e desgaste da infraestrutura viária.

Desafios e perspectivas para a expansão da ferrovia

Entre os principais desafios estão a adaptação do cronograma ao regime de chuvas, a complexidade do relevo e o cumprimento rigoroso das exigências ambientais e fundiárias. O cenário macroeconômico, especialmente juros e custo do crédito, também influencia o ritmo dos aportes privados previstos.

Ainda assim, a Ferrovia de Mato Grosso faz parte de um movimento mais amplo de retomada do modal ferroviário no Brasil, com estudos para novos ramais rumo a Cuiabá e outros polos produtivos. À medida que os primeiros trechos entrarem em operação e comprovarem ganhos de eficiência, a tendência é de expansão da malha e consolidação dos trilhos como peça-chave da logística agrícola nacional.

FONTE: Terra Brasil Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Terra Brasil Notícias

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Agronegócio

Agronegócio brasileiro sustenta a balança comercial e responde pela maior parte do superávit

Os dados históricos deixam evidente o peso do agronegócio brasileiro na economia nacional. Entre 1997 e novembro de 2025, período considerado nas estatísticas disponíveis, apenas em 2005 e 2006 o superávit comercial total do país superou, de forma marginal, o saldo gerado pelo agro. Ainda assim, a diferença foi mínima e dentro de uma margem estatística pouco relevante.

Nos demais anos, o superávit do agronegócio foi amplamente superior ao resultado geral da balança comercial, exercendo papel decisivo para evitar déficits externos e garantindo fluxo de divisas ao país. Em 2024, esse protagonismo ficou ainda mais claro, quando o saldo do agro foi quase o dobro do superávit total brasileiro.

Exportações do agro seguem determinantes em 2025

Em 2025, a importância do setor se mantém em patamar elevado. Até novembro, as exportações do agronegócio representaram 48,85% do total exportado pelo Brasil, praticamente metade de tudo o que o país vendeu ao exterior.

O dado mais expressivo, porém, está no resultado da balança. O saldo comercial do agronegócio correspondeu a 136,36% do superávit geral, ou seja, mais do que o dobro do resultado total do país. Isso indica que outros segmentos da economia apresentaram déficits que foram compensados exclusivamente pelo desempenho do agro.

Impacto direto nas contas externas e na renda nacional

Os números mostram que, sem a contribuição do agronegócio, o Brasil enfrentaria dificuldades severas para honrar compromissos externos, importar insumos estratégicos e manter o equilíbrio das contas públicas. O efeito direto seria a redução da disponibilidade de recursos, com reflexos negativos sobre o crescimento econômico e o nível de renda da população.

Apesar desse papel central, o setor permanece no centro de debates e críticas dentro do próprio ambiente político nacional. O contraste entre a relevância econômica do agro brasileiro e o tratamento que recebe nas discussões públicas levanta questionamentos sobre os rumos futuros da economia sem sua principal âncora comercial.

BALANÇA COMERCIAL BRASIL: TOTAL E AGRONEGÓCIO (EXP. – IMP. – SALDO) (US$ BILHÕES)

1997:

TOTAL: EXP. 52,9 – IMP. 60,5 – SALDO -7,6 (AGRO: EXP. 23,4- IMP. 8,2 – SALDO 15,2)

1998

TOTAL: EXP. 51,1 – IMP. 58,7 – SALDO -7,6 (AGRO: EXP. 21,6 – IMP. 8,0 – SALDO 13,6)

1999

TOTAL: EXP. 47,9 – IMP. 50,2 – SALDO -2,3 (AGRO: EXP. 20,5 – IMP. 5,7 – SALDO 14,8)

2000

TOTAL: EXP. 55,0 – IMP. 57,0 – SALDO -2,0 (AGRO: EXP. 20,6 – IMP. 5,8 – SALDO 14,8)

2001

TOTAL: EXP. 58,0 – IMP. 56,6 – SALDO 1,4 (AGRO: EXP. 23,9 – IMP. 4,8 – SALDO 19,1)

2002

TOTAL: EXP. 60,2 – IMP. 48,3 – SALDO 11,9 (AGRO: EXP. 24,8 – IMP. 4,4 – SALDO 20,4)

2003

TOTAL: EXP. 72,8 – IMP. 49,3 – SALDO 23,5 (AGRO: EXP. 30,6 – IMP. 4,7 – SALDO 25,9)

2004

TOTAL: EXP. 95,1 – IMP. 63,8 – SALDO 31,3 (AGRO: EXP. 39,0 – IMP. 4,8- SALDO 34,2)

2005

TOTAL: EXP. 118,6 – IMP. 74,7 – SALDO 43,9 (AGRO: EXP. 43,6 – IMP. 5,1 – SALDO 38,5)

2006

TOTAL: EXP. 137,6 – IMP. 92,5 – SALDO 45,1 (AGRO: EXP. 49,5 – IMP. 6,7 – SALDO 42,8)

2007

TOTAL: EXP. 159,8 – IMP. 122,0 – SALDO 37,8 (AGRO: EXP. 58,4 – IMP. 8,7 – SALDO 49,7 )

2008

TOTAL: EXP. 195,8 – IMP. 174,7 – SALDO 21,1 (AGRO: EXP. 71,8 – IMP. 11,9 – SALDO 59,9)

2009

TOTAL: EXP. 151,8 – IMP. 129,4 – SALDO 22,4 (AGRO: EXP. 64,8 – IMP. 9,9 – SALDO 54,9)

2010

TOTAL: EXP. 200,4 – IMP. 183,3 – SALDO 17,1 (AGRO: EXP.76,4 – IMP.13,4 – SALDO 63,0)

2011

TOTAL: EXP. 253,7 – IMP. 228,0 – SALDO 25,7 (AGRO: EXP. 95,0 – IMP. 17,5 – SALDO 77,5)

2012

TOTAL: EXP. 240,0 – IMP. 225,2 – SALDO 14,8 (AGRO: EXP. 95,8 – IMP. 16,4 – SALDO 79,4)

2013

TOTAL: EXP. 232,5 – IMP. 241,5 – SALDO -9,0 (AGRO: EXP. 100,0 – IMP. 17,1 – SALDO 82,9)

2014

TOTAL: EXP. 220,9 – IMP. 230,8 – SALDO -9,9 (AGRO: EXP. 96,7 – IMP. 16,6 – SALDO 80,1)

2015

TOTAL: EXP. 186,8 – IMP. 173,1 – SALDO 13,7 (AGRO: EXP. 88,2 – IMP. 13,1 – SALDO 75,1)

2016

TOTAL: EXP. 179,5 – IMP. 139,3 – SALDO 40,4 (AGRO: EXP. 84,9 – IMP. 13,6 – SALDO 71,3)

2017

TOTAL: EXP. 215,0 – IMP. 159,0 – SALDO 56,0 (AGRO: EXP. 96,0 – IMP. 14,1 – SALDO 81,9)

2018

TOTAL: EXP. 231,9 – IMP. 185,3 – SALDO 46,6 (AGRO: EXP. 101,7 – IMP. 14,1 – SALDO 87,6)

2019

TOTAL: EXP. 221,1 – IMP. 185,9 – SALDO 35,2 (AGRO: EXP. 96,8 – IMP. 13,8 – SALDO 83,0)

2020

TOTAL: EXP. 209,2 – IMP. 158,8 – SALDO 50,4 (AGRO: EXP. 100,8 – IMP. 13,0 – SALDO 87,8)

2021

TOTAL: EXP. 280,6 – IMP. 219,4 – SALDO 61,2 (AGRO: EXP. 120,6 – IMP. 15,5 – SALDO 105,1)

2022

TOTAL: EXP. 334,5 – IMP. 272,7 – SALDO 61,8 (AGRO: EXP.159,1 – IMP. 17,2 – SALDO 141,9)

2023

TOTAL: EXP. 339,6 – IMP. 240,8 – SALDO 98,8 (AGRO: EXP. 166,5 – IMP. 16,6 – SALDO 149,9)

2024

TOTAL: EXP. 337,0 – IMP. 262,5 – SALDO 74,5 (AGRO: EXP. 164,4 – IMP. 19,3 – SALDO 145,1)

2025 (TOTAL até Novembro) (AGRO até Novembro)

TOTAL:EXP. 317,82-IMP. 259,98- SALDO 57,84 (AGRO: EXP.155,25 – IMP.18,54 – SALDO 136,71)

FONTE: Samir Keedi
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Comércio Internacional

Mapa registra maior expansão de mercados da história e impulsiona exportações do agronegócio brasileiro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) alcançou, em 2025, um feito inédito ao consolidar a abertura de 507 mercados internacionais para produtos da agropecuária brasileira desde o início da atual gestão. Trata-se do maior avanço já registrado no acesso a mercados para o agronegócio brasileiro, resultado de uma atuação coordenada da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) e da rede de adidos agrícolas, presente em 38 países.

O trabalho envolveu negociações técnicas e diplomáticas voltadas à ampliação e diversificação das exportações brasileiras, com foco em protocolos sanitários e fitossanitários, defesa de interesses comerciais, cooperação internacional e promoção do Brasil como fornecedor confiável de alimentos.

Aberturas transformadas em oportunidades econômicas

Ao longo do ano, as ações priorizaram converter cada nova habilitação em ganhos reais para produtores rurais, cooperativas e agroindústrias. O objetivo foi fortalecer a presença global do agro brasileiro, estimular investimentos e gerar emprego e renda em diferentes regiões do país.

Segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, 2025 foi determinante para consolidar esse ciclo de expansão. Apenas neste ano, mais de 200 mercados foram abertos, além de ampliações estratégicas, como o sistema de pre-listing para aves na União Europeia. Entre os destaques estão as autorizações para exportação de sorgo, DDG, gergelim e miúdos de aves para a China, além da carne bovina para o Vietnã e novas habilitações para Filipinas e Indonésia.

Diversificação fortalece competitividade do agro

A ampliação da pauta exportadora foi apontada como um dos principais fatores para o desempenho alcançado. Produtos considerados menos tradicionais ganharam espaço no comércio internacional, refletindo uma política iniciada em 2023 e alinhada às diretrizes do ministro Carlos Fávaro.

Esse movimento resultou em crescimento próximo de 20% no valor exportado desses segmentos, mesmo em um cenário global desafiador. Cerca de 20% das aberturas de mercado contemplaram itens como ervas, especiarias, castanhas e proteínas alternativas, ampliando oportunidades para diferentes cadeias produtivas.

Exportações do agronegócio batem recorde em 2025

De janeiro a novembro de 2025, as exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 155,25 bilhões, o maior valor já registrado para o período, com alta de 1,7% em relação ao ano anterior. O resultado reforça a importância das vendas externas como complemento ao mercado interno e indutor de investimentos.

No acumulado do ano, produtos como soja em grãos, carne bovina in natura, café verde, celulose, farelo de soja, algodão e carne suína alcançaram recordes em valor e volume. Também houve avanço expressivo em café solúvel, bovinos vivos, miúdos bovinos, sementes oleaginosas, pimenta-do-reino, sebo bovino e feijões secos.

Impacto regional das aberturas de mercado

Estudo da ApexBrasil, em parceria com o Mapa, aponta que os mais de 500 mercados abertos desde 2023 já geraram US$ 3,4 bilhões em exportações adicionais, beneficiando todas as regiões do país. Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul foram impactados em diferentes intensidades, evidenciando a abertura comercial como vetor de desenvolvimento regional.

O levantamento estima ainda um potencial de US$ 4 bilhões em exportações futuras, caso o Brasil atinja participação compatível com sua fatia no comércio global. Os países que passaram a importar produtos brasileiros representam um mercado de US$ 37,5 bilhões por ano.

Principais aberturas e ampliações em 2025

Entre os avanços mais relevantes do ano está a habilitação de 17 plantas frigoríficas de carne bovina para a Indonésia, o que elevou em 80% o número de empresas aptas a exportar e impulsionou em cerca de 250% as vendas ao país.

Também se destacam as primeiras habilitações de unidades exportadoras de sorgo e DDG para a China, além da abertura do mercado de carne bovina no Vietnã, que importa aproximadamente US$ 1,6 bilhão por ano. Singapura, por sua vez, reconheceu a regionalização da peste suína africana, garantindo a continuidade das exportações brasileiras mesmo diante de eventuais focos localizados.

Ferramentas e inteligência para apoiar exportadores

A SCRI também investiu na modernização de instrumentos de apoio ao exportador. Entre as iniciativas estão o Intercâmbio Comercial do Agronegócio 2025, o AgroInsights, com mais de 800 oportunidades de negócios mapeadas, o Passaporte Agro, com 33 edições, e a plataforma ConnectAgro, que reúne dados, eventos e orientações práticas para empresas interessadas em acessar mercados internacionais.

Promoção comercial e atração de investimentos

Em 2025, o Brasil intensificou a promoção comercial do agronegócio no exterior. Foram mais de 80 missões oficiais em 57 países, envolvendo negociações sanitárias, agendas governamentais e encontros com compradores e investidores.

O país também participou de 20 grandes feiras internacionais, em 17 países, com a presença de 208 empresas brasileiras, incluindo cooperativas. As ações resultaram em US$ 40,4 milhões em negócios imediatos e cerca de US$ 427 milhões em expectativa de negócios para os 12 meses seguintes.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Agronegócio

Aberturas de mercado nos Emirados Árabes Unidos, em Gana e no Peru

Com estes anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 511 aberturas de mercado desde o início de 2023

O governo brasileiro concluiu negociações sanitárias e fitossanitárias com os Emirados Árabes Unidos, Gana e Peru, que permitirão ao Brasil exportar diversos produtos do agronegócio àqueles países.

Nos Emirados Árabes Unidos, as autoridades sanitárias aprovaram a exportação de embriões bovinos. A decisão reflete o reconhecimento internacional à qualidade genética do rebanho nacional. Entre janeiro e novembro de 2025, os Emirados Árabes Unidos importaram mais de US$ 2,3 bilhões em produtos agropecuários brasileiros.

Em Gana, as autoridades aprovaram a exportação brasileira de bovinos vivos e sêmen bovino. A abertura fortalece a posição do Brasil como fornecedor de material genético de alto valor agregado, o que contribuirá para o aumento da produtividade do rebanho no país importador e para novas oportunidades de negócio para o setor brasileiro em termos de consultoria e assistência técnica. Com população estimada em 34 milhões de habitantes e demanda crescente por alimentos, Gana importou mais de US$ 315 milhões em produtos agropecuários brasileiros entre janeiro e novembro de 2025.

No Peru, as autoridades aprovaram a exportação de sementes de sorgo. As sementes brasileiras são reconhecidas internacionalmente por sua qualidade genética, alta taxa de germinação e sanidade, resultado de investimentos contínuos em pesquisa e inovação. Esses atributos contribuem para aumentar a produtividade e a segurança alimentar em países parceiros. Entre janeiro e novembro de 2025, o Brasil exportou mais de US$ 675 milhões em produtos agropecuários para o Peru.

Com estes anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 511 aberturas de mercado desde o início de 2023.

Tais resultados são fruto do trabalho conjunto entre o o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Informação à imprensa
imprensa@agro.gov.br

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Agronegócio

Produção de laranja deve crescer 28% em 2026, enquanto soja mantém força e café enfrenta volatilidade, aponta Rabobank

Panorama do agronegócio brasileiro para 2026
O estudo “Perspectivas para o agronegócio brasileiro 2026”, apresentado por analistas do Rabobank, projeta um avanço expressivo na produção de laranja, estabilidade para a soja e um cenário desafiador para o café. A estimativa é que a próxima safra cítrica registre um aumento de 28% frente ao ciclo atual, enquanto o agronegócio como um todo deve seguir com margens positivas, mesmo sob forte pressão macroeconômica.

Segundo cálculos do Cepea/Esalq-USP, em parceria com a CNA, o setor poderá movimentar R$ 3,79 trilhões em 2025, representando 29,4% do PIB, maior participação em mais de duas décadas. O dado considera o ecossistema ampliado que engloba serviços, logística, comércio e indústrias associadas.

Safras avançam em meio a desafios econômicos
O avanço do agronegócio ocorre em um ambiente de incertezas geopolíticas, juros de 15% ao ano, inflação acima de 5% e pressões fiscais internas. Mesmo assim, o Rabobank projeta que o Brasil siga competitivo.

Produção de laranja em forte recuperação
A produção de laranja deve alcançar 295 milhões de caixas de 40,8 quilos na safra 2025/26, segundo o relatório — um salto de 28% sobre o ciclo anterior. Para Andrés Padilla, senior analyst do Rabobank, o aumento permitirá recompor estoques importantes para a indústria.

Entretanto, fatores como greening, volatilidade climática, escassez de mão de obra e altos custos de produção ainda limitam um resultado maior.

A produção de suco de laranja também deve reagir e chegar a 993 mil toneladas equivalentes de FCOJ, avanço de 29% em comparação a 2024/25 e acima da média da última década.

Com a nova safra, o preço da caixa de laranja recuou de R$ 92, em outubro de 2024, para cerca de R$ 50 no fim deste ano. O Rabobank avalia que a produtividade elevada tende a compensar parte dessa queda, mantendo o cenário favorável tanto para produtores quanto para a indústria.

Soja: impacto geopolítico entre EUA e China
A soja brasileira segue como protagonista no comércio global, mas deve ser impactada pelas negociações tarifárias entre Estados Unidos e China. As duas potências discutem alterações nas alíquotas, e o desfecho pode definir os prêmios da soja na safra 2025/26.

Nesta safra, o Brasil deve bater novo recorde, com 172 milhões de toneladas, sendo 111 milhões destinadas à exportação — 10 milhões acima do recorde anterior. A demanda chinesa, impulsionada por restrições comerciais com os EUA, permanece forte.

Contudo, um eventual acordo comercial entre americanos e chineses pode reduzir as compras de soja brasileira, pressionando preços internos. Ainda assim, isso pode tornar o produto mais competitivo para o mercado de esmagamento, que deve atingir 58 milhões de toneladas em 2025 e 60 milhões em 2026, impulsionado pela mistura obrigatória de 15% de biodiesel a partir de agosto de 2025.

Mantidas as condições atuais, o Rabobank prevê um novo recorde em 2026, com 177 milhões de toneladas.

Café: tarifas, clima e estoques elevam volatilidade
O mercado de café vive um período de intensa volatilidade, influenciado por tarifas, regras ambientais e estoques. Em 2024, os preços do arábica em Nova York oscilaram de US$ 4,38/lp em fevereiro para US$ 2,80/lp em julho, voltando a superar US$ 3,80/lp em outubro. O robusta seguiu tendência semelhante.

A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro reduziu a competitividade do país e abriu espaço para Colômbia, Etiópia, Vietnã e América Central. Embora o Brasil busque diversificar mercados, ainda há incerteza sobre a retomada do espaço perdido.

O Rabobank projeta produção nacional de 62,8 milhões de sacas em 2026, com o arábica recuando 14% (38,1 milhões de sacas) e o robusta atingindo recorde de 24,7 milhões de sacas, alta de 10%.

FONTE: Brazil Economy
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Economy

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Exportação

TCP lidera exportações de gergelim e feijão no Brasil com forte demanda da Ásia

O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) consolidou sua liderança nas exportações brasileiras de gergelim e feijão em 2025. Menos de um ano após a abertura do mercado chinês para o gergelim nacional, o país asiático já se tornou o principal destino dos embarques realizados pela operadora portuária.

Entre janeiro e setembro, o terminal exportou 249 mil toneladas de gergelim, um salto de 184% em relação às 88 mil toneladas registradas no mesmo período de 2024. O desempenho coloca a TCP com 71% de participação de mercado no volume total exportado pelo Brasil.

Segundo Giovanni Guidolim, gerente comercial, de logística e atendimento da empresa, a China responde por mais de um terço do consumo global de gergelim. “A abertura desse mercado e as novas habilitações de empresas brasileiras fizeram os embarques dispararem. Em menos de um ano, o país asiático se tornou o principal destino do gergelim exportado pela TCP”, destacou.

Exportações para a Ásia em ritmo acelerado

A China, a Índia e o Vietnã lideram o ranking de importadores do gergelim exportado pela TCP, com 46%, 21% e 8% do volume total, respectivamente. “Os três maiores mercados do gergelim brasileiro estão na Ásia, e a TCP conta com oito serviços semanais para atender esses destinos, o que amplia a flexibilidade e capacidade de embarque”, explicou Carolina Brown, gerente comercial de armadores e inteligência de mercado da companhia.

Enquanto o volume exportado pelo Brasil cresceu 42%, a TCP registrou alta de 184%, o que evidencia a preferência do mercado pelo terminal paranaense.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior compilados pelo Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (IBRAFE), o Brasil exportou 349,6 mil toneladas de gergelim entre janeiro e setembro de 2025 — o maior volume da série histórica, superando as 246,6 mil toneladas do mesmo período de 2024.

Feijão brasileiro conquista novos mercados

As exportações de feijão também bateram recorde neste ano. Segundo o IBRAFE, o Brasil embarcou 361,8 mil toneladas até setembro, um aumento de 4% em relação a 2024.

No Terminal de Paranaguá, o crescimento foi ainda mais expressivo: os embarques passaram de 176 mil para 315 mil toneladas, alta de 79%, o que garantiu ao porto 87% de participação nacional no segmento.

Os principais destinos foram Índia (64%), Portugal (6%) e África do Sul (5%). Guidolim explicou que o desempenho está ligado à eficiência logística: “Como se trata de uma carga perecível que exige fumigação, a integração com os armazéns da retroárea de Paranaguá e o alinhamento com os órgãos intervenientes tornam o processo mais ágil e rentável para os exportadores.”

Feijão-mungo-preto se destaca nas exportações

Entre as variedades, o feijão-mungo-preto foi o mais exportado pelo Brasil, com 171 mil toneladas, seguido pelo feijão-caupi branco, com 66 mil toneladas. Lançado oficialmente em 2024 pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o mungo-preto é uma nova cultura voltada exclusivamente ao mercado externo, especialmente países asiáticos, onde é amplamente utilizado na culinária local.

O IBRAFE reforça que o avanço nas exportações não afeta o abastecimento interno, sustentado pelo feijão-carioca, responsável por 65% da produção nacional e direcionado ao consumo doméstico.

FONTE: TCP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/TCP

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Exportação

Brasil retoma exportações de carne de frango e amplia acesso de produtos agropecuários à Malásia

O Brasil oficializou a retomada das exportações de carne de frango para a Malásia e conquistou a abertura de seis novos mercados para produtos agropecuários brasileiros. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (24) durante reunião entre o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e o ministro da Agricultura e Segurança Alimentar da Malásia, Mohamad Sabu, em Kuala Lumpur.

Parceria reforça presença do agronegócio brasileiro no Sudeste Asiático

O encontro integrou a missão oficial liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visita a Indonésia e a Malásia entre os dias 23 e 28 de outubro, com o objetivo de fortalecer as relações comerciais e estratégicas do Brasil na região.

Um dos principais resultados da reunião foi a reabertura do mercado malaio para a carne de frango brasileira, suspenso anteriormente devido a medidas sanitárias relacionadas à Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP). Fávaro destacou o avanço nas negociações e a agilidade do processo.

“Chegamos da Indonésia à Malásia e viemos direto para o Ministério da Agricultura malaio, onde tivemos ótimas notícias. Conseguimos antecipar a retomada das exportações de frango brasileiro, que poderia levar 12 meses, para apenas três”, afirmou o ministro.

Malásia amplia importação de produtos agropecuários brasileiros

Além da carne de frango, a reunião resultou na autorização para importação de novos produtos brasileiros, ampliando a presença do agronegócio nacional no mercado malaio. Entre os produtos liberados estão pescados extrativos e de cultivo, gergelim, melão e maçã. O governo malaio também formalizou a abertura do mercado para ovos em pó e antecipou a auditoria de 16 plantas brasileiras de carne suína, etapa necessária para o início das exportações.

“Frango, suínos, frutas, grãos, gergelim e ovos — o Brasil está abrindo portas na Malásia e criando novas oportunidades para nossos produtores. É o agronegócio brasileiro se consolidando como referência em qualidade e segurança alimentar”, destacou Fávaro.

Brasil e Malásia fortalecem comércio bilateral

O comércio entre Brasil e Malásia alcançou US$ 487,2 milhões em 2024, com US$ 346,4 milhões em exportações brasileiras e US$ 140,9 milhões em importações. O país asiático ocupa atualmente a 23ª posição entre os principais destinos das exportações do Brasil. No setor do agronegócio, as vendas brasileiras somaram US$ 1,26 bilhão, com destaque para açúcar de cana, milho e algodão.

A retomada das exportações e a ampliação de mercados reforçam o papel estratégico do Brasil na segurança alimentar global, fortalecendo laços comerciais com o Sudeste Asiático e expandindo a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário internacional.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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